"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O PIXULECO

“Tenho tido pesadelos, senhor juiz; sonho que morri assassinado por mim mesmo, que estou preso com traficantes estupradores. Não mereço isso, eu, que sempre assumi minha condição de corrupto ativo e passivo. Por isso, hoje sou delator, senhor. Mas não sou apenas um delator de obviedades sabidas há séculos, tipo fulano levou tanto de grana, sicrano recebeu propina etc. Isso é café pequeno. Eu vi muita coisa com estes olhos que espiam pelas janelas da Papuda, esperando minha redução da pena. Eu faço uma delação profunda que desentranha dos suspeitos e acusados o que lhes vai na alma, nessa maratona de roubalheiras.

Digamos, até faço uma delação psicanalítica. Sou profissional e didático... Considero-me um técnico, um cientista da corrupção nacional...

Eu estou hoje, senhor juiz, feliz no lugar da verdade – tenho o prazer vingativo do dedo-duro. Para mim, que vivi mergulhado na mentira, falar a verdade até me inebria, me sossega.

Já levei muito dinheiro vivo para uns canalhas durante um jantar nordestino, dei-lhes a grana, entre moquecas e sarapatéis, que eles repartiram ali na cara, enquanto se refocilavam em chopes e gargalhadas, notas de dólares voltejando no ar, promessas de joias para as esposas fascinadas com os belos maços de grana, prostitutas à espreita nos bordéis próximos, ‘laranjas’ recebendo gorjetas magras, sorrindo com bocas desdentadas, notas frias preenchidas com avidez, em suma, um espetáculo sem ‘finesse’ que a mim escandaliza. Mas não sou um otário e me resguardei – gravei tudo no meu celular iPhone 6, à disposição de vossa meritíssima pessoa. Lá estão as bocas gotejantes de volúpia, os dedos vorazes, um espetáculo educativo sobre a alma nacional.

Também, senhor juiz, delatei aquele caolhinho da Petrobras que conseguiu amealhar R$ 97 milhões só de gorjeta, o que até me deixa um pouco deslumbrado, porque é um marco histórico na corrupção do planeta. Sem querer debochar de seu defeito, aqueles olhinhos piscavam, passando uma fragilidade quase proposital que esconde uma alma de desbravador, um ousado inventor de tretas e tramoias; dá até certa pena vê-lo magrinho esmagado por um tesouro perdido, enlouquecendo de arrependimento na celinha da polícia.

Delatei a vossa senhoria um ex-presidente da República que me tomou R$ 20 milhões, mesmo debaixo de opróbrio em que vive há 25 anos. Eu não aguentei e ousei lhe perguntar: ‘Por que você quer essa grana toda? Você já tem tanto...’ Ele não respondeu, óbvio, mas eu ouvi sua resposta muda: ‘não roubo mais por necessidade; é prazer mesmo. Estou muito bem de vida, tenho sete fazendas reais e sete imaginárias, mando em cidades do Nordeste, mas sou viciado na adrenalina que me arde no sangue na hora em que a mala de dólares voa em minha direção’.

Delatei o tesoureiro que me levou milhões em doações para o PT eleger o Lula e Dilma. Ele teve a cara dura ‘revolucionária’ de me exigir: ‘Precisamos de dinheiro para renovar nossa utopia, como disse nosso Lula! Agora, se você não soltar a grana logo, esquece o contrato para superfaturar a nova refinaria’. E riu debochado: ‘Afinal, o Petróleo é Nosso!’

Soltei o tutu, sim, senhor juiz, senão minha empresa quebrava... E valeu a pena, apesar de a Polícia Federal (PF) ter descoberto o superfaturamento 20 vezes maior do que aquela mixaria de US$ 1 milhão que doei para a ‘revolução socialista’... Perdoe-me por rir dessa piada vermelha...

Eu mesmo levei dinheiro vivo à sede do PT, eu, um homem refinado (creia-me, sr. juiz), tive de me submeter a senhas, senão não entrava. O porteiro perguntou a mim: ‘Tulipa’? E eu respondi: ‘Caneco’. Pode essa humilhação depois dos muitos milhões que entreguei àqueles moleques bolivarianos? E o ladrão receptor, um boçal com estrelinha no peito, ainda foi grosso: ‘Cadê o pixuleco?’

Delatei aquele ‘mão grande’ da Petrobras que investiu em arte, em quadros e esculturas contemporâneas para lavar dinheiro, mas suas obras de arte são medíocres. Esse burro poderia ao menos comprar coisas de valor, e não aquelas bobagens penduradas na parede – um Miró falso ao lado de um Romero Britto. Roube, mas com ‘finesse’.

Eu delato, senhor juiz, porque me tiram do sério suas negações diante do óbvio. Eles negam tudo, ninguém fez nada nunca, e Brasília vira um palco vazio sem atores. Isso desperta em mim os ‘impulsos mais primitivos’, como disse nosso pioneiro Roberto Jefferson... E nada chega ao Lula, esse, sim, o grande culpado desse filme de horror... Será que ele tem parte com o demônio para ficar tão blindado? Como disse um dos presos do petrolão: ‘Que país é este?’

Um país onde os presidentes do Congresso estão sendo investigados na Lava Jato? Aliás, eles nem ligam, sorriem, pois têm foro privilegiado no STF...

Por isso vos digo: tenho orgulho de mim, senhor. Minha delação é histórica. Eu topava uma propinazinha, tudo bem, mas isso, não. Eles estão desmanchando o país. Um dia serei louvado por isso.

Assim, senhor juiz, permita-me citar o padre Antônio Vieira: ‘Eles furtam em todos os tempos de verbo: furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse’.
Sem contar as carantonhas que nem precisam de acusações: Ricardo Pessôa (o paletó apertado em sua grande barriga), o Edison Lobão (fascina-me a vaidade desse feio), o sorriso tático do Marcelo Odebrecht, as caras ‘revolucinárias’ de Edinho Silva, Vaccari, aplaudidos de pé pelo ex-PT…Tudo está na cara…

Por isso, senhor juiz, acho que presto um serviço relevante ao país e lhe peço: não me ponha numa cela de 12 metros quadrados, varrendo o chão e limpando a privada.

Anseio, meritíssimo, pela doce tornozeleira eletrônica que me comunicará com os satélites no céu, o que me deixa emocionado, pela poesia que isso encerra: meus malfeitos no espaço sideral perto do Cruzeiro do Sul!”



07 de julho de 2015
Arnaldo Jabor

DOIS COELHOS, UMA CAJADADA



Em 1993, o Brasil teve um referendo sobre o sistema de governo que adotaria: presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia. Antecipando o espírito de micareta cívica que tomaria o país dali a duas décadas, o evento foi realizado sem nenhum debate, discussão teórica balizada ou campanha a conscientizar a população sobre o que estava em jogo. O sistema se manteve e, passados mais de 20 anos, poucos sabem o que é parlamentarismo – e continuam com devaneios irreais sobre como funciona uma monarquia.

Hoje, a popularidade da presidente Dilma Rousseff chega a apenas um dígito, sua reeleição não teria logrado êxito se ocorresse na semana seguinte, sua representatividade foi minada com uma enxurrada de promessas não cumpridas.

Numa dessas ironias históricas, o debate sobre o parlamentarismo ressurge no país – agora, de baixo para cima. Com juristas famosos no debate público, toda a população quer uma forma de evitar crises como a causada pelo repúdio em massa à presidente Dilma.

O parlamentarismo é uma ideia muito mais funcional que o presidencialismo, que praticamente só deu certo na América. Basicamente, parlamentarismo é a divisão entre chefe de Estado e chefe de governo. O primeiro representa os interesses do país – em tratados internacionais, por exemplo. O segundo chefia a coalizão que governa temporariamente o país. A rainha da Inglaterra e Joachim Gauck, presidente alemão, são chefes de Estado. David Cameron, o primeiro-ministro britânico, e Angela Merkel, chanceler alemã, são chefes de governo. No Brasil e na América, Dilma e Obama incorporam ambas as funções.

Há duas grandes vantagens, ainda mais para um país em eterna crise como o Brasil. A primeira é a divisão maior de poderes. Em vez de inúmeros decretos e medidas provisórias, que fazem o presidente legislar sem passar pela maioria do Congresso (como as medidas de Dilma que impõem sigilo sobre documentos, ou dando poder a “conselhos populares” não eleitos e escolhidos a dedo), as medidas de um chefe de governo precisam de aprovação da maioria do Congresso. O Executivo, em vez de todo-poderoso como atualmente, precisa estar sempre colhendo apoio, aumentando o debate e a consciência pública na sociedade para cada ato. O presidente fica com funções quase simbólicas em relação ao país.

Outra vantagem é que o chefe de governo precisa ter apoio frequente do Congresso. Uma decisão – a qualquer momento – do Congresso que julgue que o primeiro-ministro exerce mal suas funções pode retirá-lo do cargo com facilidade, sem a suposta instabilidade institucional de um impeachment. Dilma, se fosse primeira-ministra, poderia já ter sido substituída, sem a crise que sua permanência no cargo gera no país.

Para a crise de representatividade brasileira, o parlamentarismo é uma excelente solução tanto para o Executivo quanto para o Legislativo: coloca-os em mútua vigília, sem a preponderância daquele sobre este.

Mas eis que surge a figura de Eduardo Cunha, como sucedâneo da presidente em caso de impeachment. Enxergando uma vantagem, toda a oposição ao parlamentarismo e ao impeachment centra-se em criticar sua figura. Bobagem. Como primeiro-ministro, em seu primeiro erro cairia mais rapidamente do que como presidente. Melhor assim do que como a próxima Dilma.

07 de julho de 2015
Flávio Morgenstern

ENTENDENDO A CORRUPÇÃO

As revelações dos processos do mensalão e, agora, do petrolão, trouxeram à luz a faceta do que sempre se fez no país. Controlar o Estado é controlar a riqueza e enriquecer. Quanto maior o Estado, mais essa realidade se impõe. Ter contatos com a cúpula governamental é a dupla garantia de que se terá o negócio (não existe edital sem dono!) e a margem necessária para ganhar dinheiro e remunerar os que viabilizaram o negócio. 
Poderosos grupos econômicos, como a Odebrecht, sempre usaram desse expediente nos mercados em que o governo controla ou regula ou faz concessão. Na raiz das grandes fortunas sempre se verá o conluio entre agentes políticos, burocratas e empresários.

A inovação do PT foi elevar os percentuais e transformar a corrupção, antes privativa dos maiorais, em livre acesso a todos os “companheiros” empossados em cargos. Implantou uma economia integralmente suportada pelos mecanismos mafiosos, a despeito e contra o mercado. O caso de Pasadena foi o mais emblemático de todos, pois ali provavelmente a taxa de corrupção deve tranquilamente ter ultrapassado 50% do valor do investimento. Bilhões de dólares foram roubados na cara dura.

A corrupção, todavia, não é privativa do PT, é inerente à alma humana. Sempre houve e sempre haverá corrupção, mas o que não é possível é que ela se transforme num fim em si mesma, como em Pasadena. A corrupção deve ser como uma humilde lombriga que não ameaça seu hospedeiro, não pode ser uma tênia solitária. A coisa fica disfuncional para o sistema produtivo, que começa a ficar anêmico e a perder a dinâmica. A crise atual é produto da exacerbação dessa “economia do crime” implantada pelo PT.

Nunca é demais repetir que os petistas se locupletaram pessoalmente, mas o objetivo estratégico deles sempre foi concluir a revolução socialista que está em curso, tendo, para isso, pago a “aliados” (políticos corruptos de outros partidos) fortunas extraídas de seus negócios escusos.

O fato da Justiça ter quebrado estruturalmente a máquina da corrupção levou a uma queda abruptas dos investimentos estatais, sempre casados com a promessa de pagar propinas. 
E também a uma quebra em cadeia de empresas comprometidas com o esquema mafioso. 
A “economia do crime” entrou em colapso e o Brasil ora vive a maior crise econômica dos últimos cinquenta anos, sem data para recuperação.

Tenho um conhecido cuja família está envolvida no processo do petrolão e eu só agora soube do fato, pelos jornais. Tivemos muitas discussões sobre o PT, eu sempre dizendo que o PT estava fazendo a corrupção e que o partido iria destruir o Brasil. 
Meu amigo ria, dizendo que eu me enganava, pois o PT, para ele, era capitalista. Ele entendia por capitalismo o mecanismo pelo qual o PT se locupletava mediante contratos públicos com empresas do mercado.

Isso não é capitalismo, nem mesmo mercantilismo, obviamente. É o processo revolucionário normal registrado pela história em toda parte, do qual o meu amigo nunca se deu conta. Sua família bancou de idiota útil, como aliás todos os que “contribuíram” (melhor dizendo, foram extorquidos) com a “despesa não contabilizada” do PT. 
A família do meu amigo se deu bem até que o juiz Sergio Moro decretasse a ordem de prisão. A casa caiu. É claro que não discuto mais assunto desse tipo com ele, até porque se isolou, mas tenho que dizer que eu sempre estive certo, tanto sobre a corrupção instrumental quanto sobre a revolução levada avante pelo PT.

Gente como Marcelo Odebrecht e Ricardo Pessoa foram os idiotas úteis da história, assim como Marcos Valério e sua gangue, a banqueira já prisioneira e toda gente que financiou alegremente os revolucionários do PT. 
Revolucionário não faz voto de pobreza. Essa gente confundiu a ganância dos revolucionários com "ser capitalista". Que bobagem! Custou caro, tanto no plano judicial como no plano econômico. 
E pela destruição das famílias dos envolvidos, como a do Marcos Valério. Muitos desapareceram do mercado e outros encolherão ao ponto da irrelevância econômica. Castigo merecido. A fora as penas de prisão, que serão cumpridas.

O ciclo do PT chegou ao fim e ficará por herança a gravíssima crise econômica, sem solução à vista. Enquanto a presidente Dilma Rousseff ficar no cargo haverá descenso inevitável na economia. Sua extrema impopularidade impede qualquer ação de salvação.
Quem viver verá.



07 de julho de 2015
Nivaldo Cordeiro

INCERTEZAS POLÍTICAS AGRAVAM QUADRO ECONÔMICO

Crises paralelas, a econômica e a política tornam o horizonte nebuloso e, em alguns aspectos, se autoalimentam. A imagem e popularidade da presidente sofreram severas avarias com a constatação de que o discurso do palanque da reeleição nada tinha a ver com a realidade do início do segundo mandato.

A economia, por sua vez, já sinalizava há algum tempo os desequilíbrios graves provocados pela política temerária do “novo marco macroeconômico" — gastos públicos sem prudência, crédito sem limites etc. Isso, somado ao escândalo do petrolão, teve um efeito tóxico sobre a presidente reeleita.

A partir de 2012/13 já era perceptível que uma crise estava sendo contratada. Números expressivos da atual conjuntura confirmam aquela expectativa. E não apenas na inflação, acima dos 8%, quase o dobro da meta de 4,5%. Indicadores da produção e consumo são igualmente preocupantes. 
No primeiro semestre, soube-se ontem, a produção de veículos caiu 18,5% em comparação a idêntico período de 2014. Em 12 meses, o encolhimento do setor industrial como um todo chegou a 5,3%. Por inevitável, o desemprego cresce. 
O índice calculado nas principais regiões metropolitanas se aproxima dos 7%, três pontos acima dos níveis alcançados no final do ano passado, e que serviram de peça de propaganda na campanha eleitoral petista. Neste quadro, o fator confiança — ou a falta dela — ganha importância crescente. Sem confiança, empresário não investe, consumidor não consome, e assim as engrenagens da economia não funcionam.

Para a escassez de confiança contribui o próprio PT, partido da presidente, quando ataca a política de ajuste que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenta executar. A austeridade, fiscal e monetária (juros), é o único caminho que leva à recuperação da economia em bases saudáveis.

O PT demonstra não ter aprendido a lição do início do primeiro mandato de Lula. O ataque ao ajuste, consumado por meio da rejeição de medidas no Congresso, tem, ainda, a alegre e inconsequente participação da oposição. Entra-se, então, num jogo de quanto pior melhor, em que, na realidade, todos perdem, a começar pela população de renda mais baixa.

As instituições funcionam, como demonstram as investigações do escândalo lulopetista do petrolão, e a atuação até agora do TCU, no julgamento das contas do último ano do primeiro mandato de Dilma, marcado pelas "pedaladas" e desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Fatos que deverão ter desdobramentos importantes no Congresso, STF e TSE.

Ainda mais nessas circunstâncias, desestabilizar o programa de ajustes e conspirar contra Levy é retardar a recuperação de uma confiança mínima que permita o início da retomada do crescimento. Por tabela, deteriora-se o ambiente político. É preciso romper este círculo vicioso.

07 de julho de 2015
O Globo

SOBRE O DESPUDOR DEMOCRÁTICO

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, talvez por dever de oficio, reagiu à intensificação do movimento pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff acusando a oposição de, inspirada por reprovável “despudor democrático”, estar promovendo o golpismo e o revanchismo eleitoral. 

As declarações de Cardozo foram feitas no mesmo dia em que o Estado publicou artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contendo uma lúcida e aguda análise do papel das oposições diante da crise que o País enfrenta. 
Argumentou o ex-presidente que das oposições se espera que não tenham “o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem”.


Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro da Justiça afirmou: 
“É de um profundo despudor democrático e de um incontido revanchismo eleitoral falar em impeachment da presidente como têm falado alguns parlamentares da oposição”. E acrescentou: “O desejo de golpe sob o manto da aparente legalidade é algo reprovável do ponto de vista jurídico e ético”.

Preocupado em mostrar serviço por pressão de seu próprio partido, Cardozo equivoca-se. As condições para que a discussão sobre eventual afastamento da presidente da República tenha entrado na agenda política não foram dadas pela oposição, mas pela própria Dilma Rousseff e pela incompetência de seu governo, que têm sido alvo de duros ataques até mesmo por parte do ex-presidente Lula. 

Foram as investigações da Lava Jato e as delações premiadas, e não a oposição, que levantaram suspeitas sobre a arrecadação de recursos na campanha reeleitoral de Dilma, abrindo a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vir a cassar-lhe o mandato. 

É o Tribunal de Contas da União (TCU), e não a oposição, que acha que as “pedaladas” fiscais de Dilma atentam contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e por isso ameaça reprovar as contas, o que abriria a possibilidade de, neste caso, o Congresso cassar-lhe o mandato. Não havia nada parecido com tudo isso quando, na oposição, o PT do ministro Cardozo sentiu-se no direito de exigir “Fora FHC”, por despudor democrático.

As condições políticas que estimulam a discussão do impeachment no âmbito do Congresso foram criadas pela incompetência de Dilma e de seus conselheiros políticos que, sob o efeito inebriante da vitória eleitoral em outubro, tiveram a pretensão de passar por cima de seu principal aliado, o PMDB, e impor sua vontade na eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados. Deu no que se vê.

Não é, portanto, o “despudor democrático” da oposição que está colocando em risco o mandato de Dilma Rousseff. As forças políticas que se opõem ao governo têm a responsabilidade – enfatizada por Fernando Henrique – de apontar um rumo para o País diante da crescente possibilidade de que Dilma seja legalmente impedida ou até mesmo se afaste espontaneamente da Presidência da República.

Se isso vier a ocorrer terá sido o resultado não de um golpe, como querem os defensores da presidente, mas da aplicação das medidas constitucionais destinadas a garantir a estabilidade das instituições republicanas, hoje ameaçadas – nunca é demais repetir – pela corrupção apascentada por eminentes líderes do PT e aliados, pela incompetência gerencial e pela desastrada ação política da chefe do governo, que resultaram na ampla reprovação popular a seu desempenho.

É preciso levar em conta ainda o fato de que o afastamento de Dilma pode representar, por paradoxal que pareça, o melhor caminho para a sobrevivência, no prazo mais curto, do projeto de poder do PT e da ambição de mando de seu principal líder. Pois parece ser isso o que leva Lula, diante da improvável perspectiva de recuperação da economia em tempo hábil para tornar possível a sua eleição em 2018, a dar uma no cravo e outra na ferradura quando se refere a sua criatura, sinalizando a intenção de descolar-se do desastre em que se transformou o governo de sua pupila e sucessora.

Com o impeachment ou a renúncia de Dilma, quaisquer que sejam os desdobramentos constitucionais, Lula estaria livre para assumir o comando da oposição com tempo suficiente para destilar o discurso de vendedor de ilusões que sempre embalou sua carreira populista. Aí sim, se consumaria o verdadeiro despudor democrático.

07 de julho de 2015
Estadão

OS INACREDITÁVEIS TALENTOS GREGOS


O referendo de domingo passado deu uma vitória expressiva ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, em boa parte pelo voto dos jovens. Nesta categoria há um desemprego de 50%, por efeito de uma recessão que já dura cinco anos. Esse resultado pode levar – e talvez leve mesmo – a uma ruptura com o euro, o chamado Grexit. Se tiver de falar em proporções, diria que há 50% de chances de isso acontecer. É cedo, contudo, para afirmá-lo.

O governo grego jogou pesado, afirmando que as propostas europeias constituem uma humilhação. Nesses termos, poucos povos votariam para aceitar o que lhe está sendo proposto atualmente. Mas a atitude de Tsipras – parecida com a de um jogador de pôquer audacioso e com pouco cacife – fez a maioria dos negociadores europeus não confiar nele, o que é um mau sinal. Em todo caso, a Grécia vai pagar um alto preço pelo blefe, pois a maioria dos países do euro já declarou ter chegado ao limite com suas propostas.

Os bancos gregos estão quase sem dinheiro e por isso a economia fica virtualmente paralisada. Se o Banco Central Europeu (BCE) não vier salvá-los, quebrarão. Isso é possível, pois estatutariamente o BCE só pode dar dinheiro a bancos solventes. A saída, então, seria a Grécia voltar à dracma e, portanto, emitir moeda como achar oportuno. Não é preciso ser um grande economista para imaginar o desastre: inflação alta, estagnação, falta de crédito, desemprego em alta.

Tsipras afirmou que no máximo em 24 horas o acordo estará feito. Mera demagogia. Esta fase será prolongada, porque não apenas os executivos, mas também os Parlamentos dos 28 países da Europa deverão opinar sobre os entendimentos com os gregos. 
Afinal, trata-se do dinheiro do contribuinte europeu. Resta saber se o não dos eleitores gregos vai reforçar a posição negociadora de Tsipras, como ele proclama enfaticamente. É muito duvidoso, mas trata-se de uma das muitas incógnitas do momento.

Vejamos alguns elementos importantes para entender as raízes da questão. A Grécia foi sempre vista, desde o Iluminismo do século 18, e sobretudo graças ao grande poeta inglês Lord Byron, como a pedra fundamental da democracia ocidental. Na verdade, a Grécia foi admitida na União Europeia em homenagem aos grandes do passado – Sócrates, Platão, Péricles, 
Aristóteles – que viveram no século de ouro de Atenas, o quarto antes de Cristo. Porém, transcorridos 2.400 anos, os atuais gregos são completamente diferentes daquele povo extraordinário, como, por exemplo, os mexicanos de hoje nada têm que ver com os astecas ou os maias.

No euro o país entrou sem ter condições econômicas mínimas, falsificando suas contas nacionais. A Europa fingiu que não viu. Desde então, pouco mudou nessa situação. A Grécia é provavelmente a nação campeã mundial do jeitinho e uma das piores em termos de produtividade e dinamismo. Sem o turismo não se sabe o que seria do país. Vejam-se algumas pérolas extraídas de uma recente pesquisa contratada pela Comissão Europeia.

l Há 50 motoristas para cada carro oficial e 1.763 pessoas protegem as águas do Lago Kopais, embora tenha secado em 1930.

l O metrô de Atenas vende A 19 milhões, mas seu custo total chega a A 500 milhões anuais. Por isso, um recente ministro grego dos Transportes propôs fechá-lo e transportar as pessoas de táxi. Sairia mais barato, segundo ele.

l Numerosas pessoas obtiveram aposentadorias precoces por exercerem trabalhos supostamente penosos, como cabeleireiros, músicos de instrumentos de sopro, apresentadores de televisão. Ora, os aposentados recebem 96% de seu salário anterior – comparando: na França, são 51%; na Alemanha, 40%; e no Japão, 34%.

l Muitas famílias recebem quatro ou cinco aposentadorias ao mesmo tempo, às quais não têm direito. Por outro lado, 40 mil mulheres recebem A 1 mil por mês por serem filhas de funcionários públicos mortos.

l A fraude fiscal é enorme: 25% dos gregos não pagam um centavo de Imposto de Renda. Por outro lado, há 4 milhões de funcionários públicos para uma população total de cerca de 11 milhões, ou seja, cerca de 1 milhão a mais do que o Brasil, que tem em torno de 2 milhões de servidores públicos e 200 milhões de habitantes.

l Há quatro vezes mais professores com salários elevados do que nos países mais adiantados da Europa, enquanto os resultados escolares se situam entre os piores do continente e há altas taxa de absenteísmo.

l Mas não há apenas pobreza na Grécia. Quando estive lá, dois anos atrás, vi no litoral entre Atenas e o Cabo Sounion (cerca de 50 km) diversas marinas repletas de barcos de luxo, só comparáveis às de Miami ou Long Beach. É apenas uma pequena amostra e não sei de quem são os barcos.

A Grécia tem talentos inacreditáveis. Nada exporta, salvo alguns produtos farmacêuticos, azeite e vinho. Assim mesmo, toma grandes empréstimos internacionais que nunca paga, mas sempre consegue renegociar e renovar. Há erros básicos em tudo isso, mas desde a independência grega, em 1821, a Europa Ocidental sustenta toda essa farra em nome do século de ouro de Atenas. Será que vai continuar a fazê-lo? Será que algum dia a Grécia vai pôr a casa em ordem? O país sempre contará com a generosidade europeia e não apenas por seu passado.

Duas coisas estão certamente na mente dos europeus: o futuro do euro e a estabilidade social da Grécia. Em primeiro lugar, há dúvidas se uma inédita saída do euro debilitaria profundamente a moeda europeia. 
Depois, como membro da Otan, em posição estratégica no Mediterrâneo, o país é importante para a Europa. Se houver a falência do entendimento com a Europa, temem os líderes europeus que haja radicalização e convulsões sociais, pois seriam inevitáveis a disparada da inflação, a estagnação da economia e o desemprego maciço. O quadro é péssimo, mas eu não apostaria no desfecho mais dramático.

07 de julho de 2015
Luiz Felipe Lampreia

NÃO ADIANTA DAR PITI, PETRALHAS


Não adianta dar piti, petistas. Não adianta bancar a Narizinho em Pé no plenário ou o Falcão do Bico Torto na Imprensa. O problema de vocês não é com a Oposição. O problema de vocês é com a Justiça, com a Lei, com a Constituição Federal, porque este governo sujo, podre, corrupto e ilegitimo fraudou as eleições, roubou os cofres públicos e ainda por cima mentiu na contabilidade. Parem com estes gritinhos esbaforidos e estes chiliques. Preparem uma boa defesa. Pressionem mais as instituições democráticas como Lula está fazendo, pois este é o modus operandi deste chefe de bando. Sejam ainda mais corruptos. Mais sujos. Mais bandidos. Com gritinhos e pulinhos de raiva não vai adiantar nada, pois a Lei, a Justiça e a Constituição Federal estão aí e serão respeitadas. E quem vai garantir isso será o povo na rua, um lugar que será cada vez mais difícil de petista frequentar. Finalmente, golpistas são vocês que rasgaram todas as regras da República. Que cometeram todos os crimes eleitorais possíveis. Que estão quebrando o Brasil a cada dia.blog do coronel




07 de julho de 2015
in graça no país das maravilhas

FREI BETTO DÁ ADEUS ÀS ILUSÕES



Na Flip, Frei Betto e o escritor cubano Leonardo Padura
Para o escritor Frei Betto, o modelo de crescimento da era Lula ajuda a explicar a rejeição galopante ao PT e a Dilma. Enquanto sobrava dinheiro, diz ele, o governo apostou na inclusão social pelo consumo e não investiu o que devia nos serviços públicos, como saúde, transporte e educação. Agora que a festa acabou, quem pensava ter melhorado de vida percebeu que boa parte do bem-estar era ilusória.
“Essa inclusão não tinha lastro econômico e criou uma nação consumista”, afirma o dominicano. “As pessoas estão chateadas porque não podem mais viajar de avião, ir ao restaurante, fazer a mesma compra na feira. A raiva vem daí. Tiraram o sorvete da boca da criança.”
Empenhando em lançar na Flip seu 62º livro, “Paraíso Perdido” (Rocco), Frei Betto também está desiludido com o partido que apoiou em tantas eleições. “O PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Agora paga pelos erros que cometeu”, critica. Ele diz que o petismo está imobilizado pela coalizão que montou para governar. “O PT construiu uma base fisiológica, não ideológica. Depois do mensalão e do petrolão, alimentar esse sistema ficou mais difícil.”
APOIADO NOS INIMIGOS
Ex-assessor de Lula no Planalto, o escritor lamenta que o partido tenha se afastado dos movimentos sociais. “O PT resolveu se apoiar nos inimigos. Antes, criticava o mercado e o Congresso dos 300 picaretas. Agora é refém dos dois e não sabe como sair do impasse.”
Em Paraty, ele trocou ideias com o romancista Leonardo Padura e comparou o que vem pela frente ao chamado período especial de Cuba, após o fim da União Soviética. “Guardemos o pessimismo para dias melhores”, brinca. A sério, Frei Betto diz que a situação é “muito crítica”. “Não vejo uma luz no fim do túnel.”
O ajuste fiscal, avisa o escritor, só vai agravar a insatisfação dos mais pobres e a rejeição ao governo e ao PT. “A Dilma só tem uma saída: povo na rua. Mas agora quem vai para a rua defendê-la?”, questiona.

07 de abril de 2015
Bernardo Mello Franco
Folha

MAIOR RISCO DO IMPEACHMENT É DILMA RENUNCIAR




Montando os Atos Institucionais e a lista de cassações, Costa e Silva chamou o Ministro da Fazenda Delfim Netto e indagou o que ocorreria se incluísse na lista o banqueiro Walther Moreira Salles.
Delfim disse que nada de mais. Haveria problemas com os bancos nova-iorquinos e europeus, sem dúvida. Também com a mídia norte-americana, já que Moreira Salles era amigo pessoal dos donos da CBS, do New York Times e do Washington Post. Fora isso, nada de mais.
A mesma coisa se sair o impeachment de Dilma. Pouca coisa mudará, com exceção das seguintes:
* Do lado esquerdo, movimentos sociais, sindicatos e estudantes sairão às ruas protestando. Do lado direito, sairão os grupos vociferantes que dominaram as ruas nas últimas manifestações. Entre ambos, os inevitáveis black blocs e baderneiros em geral.
* Para manter a ordem, governos estaduais darão um liberou geral para suas Polícias Militares. Dado o grau de exacerbação produzido pelo impeachment, as pancadarias de Curitiba parecerão bailes de debutantes perto do novo quadro.
* A bandeira da anticorrupção será levantada em todos os rincões do país e se transformará em palavra de ordem. De nada adiantará Aécio Neves prometer blindagem para os políticos peemedebistas citados na Lava Jato. Depois que Sérgio Moro provou o poder de um juiz de Primeira Instância – prendendo sem motivo aparente o presidente do maior grupo nacional – o exemplo se espalhará pelo país. Bastará o casamento de um juiz de primeira instância justiceiro com um procurador vingador para os mais poderosos se abalarem e os menos poderosos serem varridos do mapa.
* Haverá uma caça às bruxas na qual grupos de extrema direita, a exemplo do antigo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), sairão a campo para denunciar, prender e agredir os recalcitrantes. A enxurrada levará não apenas militantes petistas, mas quem ousar investir contra a onda.
* Do outro lado, o sentimento de indignação e impotência poderá levar a atitudes radicais, como as que produziu o AI-5.
* Lula não poderá sair sem escolta nas ruas. Mas Fernando Henrique Cardoso também não. O sentimento de ódio prevalecerá em todas as instâncias.
* Em pouco tempo, os novos vitoriosos estarão se digladiando pelo botim. Eduardo Cunha e Renan Calheiros brandirão o tacape do controle das bancadas. E os jornais junto com o PSDB tentarão carrear a vaga do denuncismo para o lado deles.
* Pouco importa se a guerra quebrar grandes grupos, produzir estragos nos pequenos e médios, ampliar o desemprego e o descontrole. O que importa é o poder.
* Quando o grau de fervura estiver insuportável, serão convocadas as Forças Armadas, para colocar um mínimo de ordem no caos produzido pela elite política. Dependendo do grau de conflitos, há a possibilidade de se invocar a Lei de Segurança Nacional, com desdobramentos sobre a mídia e sobre as redes sociais. E, se a bandeira anticorrupção estiver a pleno vapor ainda, não faltarão motivos para estender a longa mão de Moro sobre outros presidenciáveis e outros partidos.
Fora isso, nada de mais ocorreria em caso de impeachment. Daí porque o maior risco não é a possibilidade de um impeachment. Mas de Dilma jogar a toalha.

07 de julho de 2015
Luis Nassif
iG Notícias

DILMA PRECISA RENUNCIAR, PARA QUE O PAÍS POSSA SAIR DA INCERTEZA



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Está na hora de reconhecer que não deu certo…
O Brasil e os brasileiros não aguentam mais tanta incerteza. Atingimos o limite. E o mais grave é que a economia está ruindo a cada dia que passa. Com a inflação crescendo, a população sofre com a perda galopante de seu poder de compra.
Os governos petistas institucionalizaram a corrupção em todos os setores da administração. A população não é obrigada a conviver com esse caos generalizado, promovido deliberadamente com a desordem social institucionalizada estimulando uma guerra fraticida, que incentiva a divisão do país. O governo é o maior responsável por esta lamentável situação vivida pelo povo brasileiro.
Nos últimos quatro anos e meio a situação se agravou, porque o país convive com um governo que paralisou o seu desenvolvimento econômico, pela total omissão, que propiciou a anarquia administrativa e financeira. Hoje, o governo do PT comanda a desordem e a mentira, criando o clima de intranquilidade e de insegurança que tomou conta do Brasil. Isto traduz um crime de alta traição contra a democracia, contra a República, que, por imperativo constitucional, o Poder Executivo tem de preservar.
PERPETUAR-SE NO PODER
Por ambição de um partido, que tem como único objetivo perpetuar-se no Poder, pois sabemos que não tem nenhum programa ou ideologia, a não ser permanecer no governo a qualquer preço, nem que para isso tenha de “fazer o diabo” como eles próprios apregoaram, na última campanha eleitoral.
A Nação sabe, por experiência própria e demasiado dolorosa, o que significa de ruim uma ditadura no Brasil, seja ela de direita ou de esquerda. A maioria dos brasileiros deseja com todo o vigor preservar na plenitude a Constituição e as liberdades democráticas tão duramente conquistadas.
O Partido dos Trabalhadores, por sua inércia e vínculos mais que íntimos com a corrupção generalizada, não pode permanecer na presidência da República.
Qualquer ditadura significa o esmagamento, pela bota totalitária, de todas as liberdades, como aconteceu no passado e como ocorreu em todas as nações que tiveram a infelicidade de vê-la triunfante.
DEMOCRACIA, SEMPRE
Nós defendemos, de modo pleno, a manutenção das instituições democráticas e os preceitos constitucionais. A presidente, por ter dado robustas demonstrações de que não tem as mínimas condições de se manter à frente do governo, deve entregar o cargo ao seu sucessor.
Em nosso País, a liberdade e a democracia se mostram vulneráveis. Os brasileiros saberão defendê-las. Os segmentos democráticos anseiam por isso.
O Brasil deixou, há muito, de ser um país de escravos. Contra a corrupção, contra a roubalheira, contra a perspectiva de aparelhamento dos poderes Judiciário e Legislativo, criada pelo próprio governo do PT, desfraldaremos a bandeira da Democracia.

07 de julho de 2015
José Carlos Werneck

COMUNISTAS SEM FRONTEIRAS


Lula é um dos articuladores do Foro de São Paulo
Foi Olavo de Carvalho quem primeiro denunciou a existência e os objetivos do Foro de São Paulo. Ele chamava a atenção para o que estava em curso e a imensa maioria dos comentaristas o acusava de ser porta-voz de uma teoria da conspiração. O FSP era visto como tema para ser balbuciado a portas fechadas e enfrentado em divã de psiquiatra. Jamais como objeto de interesse do jornalismo bem-informado. Enquanto isso, o Foro, criado em 1990, existia e se expandia. Deliberava e suas metas iam sendo atingidas.
Mesmo quando se reunia no Brasil, ele permanecia como tema sigiloso, até que o próprio Lula, então presidente, em discurso proferido no encontro de 2005, recolheu a cortina: “Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.
Foi assim que surgiu a nossa convicção de que era preciso fazer com que a integração da América Latina deixasse de ser um discurso feito por todos aqueles que, em algum momento, se candidataram a alguma coisa, para se tornar uma política concreta e real de ação dos governantes. Foi assim que nós assistimos a evolução política no nosso continente”.
EM 12 PAÍSES
Hoje, os partidos do FSP governam 12 países da região e são a principal oposição em outros quatro. A partir dele se entende que o Brasil ande de cambulhada numa geopolítica exclusivamente petista, como as decorrentes da concepção de “Pátria Grande” (defendida por Lula quando se reúne com os seus). Também a partir do Foro, se explicam: a) o oneroso apoio brasileiro aos países do grupo; b) o nosso envolvimento com encrencas e dificuldades do Paraguai, Honduras, Venezuela, Cuba, Bolívia, El Salvador; c) os conciliábulos da Unasul e a criação da Escola Sul-Americana de Defesa; d) as incursões das FARC em território brasileiro; e) o desdém de Dilma aos presos políticos de Cuba e Venezuela; e f) a contrastante conduta do nosso governo durante as duas visitas de senadores brasileiros em recentes viagens a Caracas.
Quem conhece a história do FSP, nascido no rescaldo do fim da URSS, sabe que a entidade é uma espécie de “Comunistas sem fronteiras”, ao qual a nação está sendo entregue, empacotada como presente à tal Pátria Grande. É intolerável que as afinidades e estratégias políticas de um único partido, conectado com os interesses de organizações comunistas internacionais, determinem nossa política externa e não passem pelo crivo das instituições da República.

07 de julho de 2015
Percival Puggina

SITUAÇÃO DE DILMA ESTÁ RUIM NO TCU E NO TSE, DIZ AYRES BRITTO



Ayres Britto abriu o jogo no programa “Roda Viva”
Ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto disse no programa “Roda Viva”, na segunda-feira, que a situação da presidente Dilma Rousseff “não está boa” em nenhuma das instâncias em que ela é investigada.
Assinalou que, para o TCU (Tribunal de Contas da União), a petista cometeu irregularidades na prestação de contas do governo em 2014, ao dar as pedaladas fiscais, que configuram crime de responsabilidade. No próximo dia 21, ela deverá justificar as manobras à corte.
Britto disse que em outra frente, a Justiça Eleitoral, a situação também é complicada, porque o TSE está apurando, a partir de ação proposta pelo PSDB, se houve crime na campanha que reelegeu Dilma. Lembrou também que delatores da Operação Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef e o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, já falaram em irregularidades na arrecadação feita pelo PT. Youssef já depôs ao TSE e Ricardo Pessoa deve fazê-lo neste mês.
NÃO HÁ GOLPISMO
Ayres Britto foi questionado se, caso fosse advogado da presidente, qual dos dois casos o preocuparia mais.
“Pelo andar da carruagem, a situação não está boa em nenhuma das duas instâncias”, respondeu, evitando avançar nas considerações.
O ex-ministro discordou da avaliação de Dilma e do PT de que a atitude da oposição, ao falar em impeachment, seja golpista.
“Ninguém está blindado contra qualquer tipo de investigação. Eu não vejo perigo de golpe se as instituições controladoras do poder, o Ministério Público, a própria cidadania, o TCU, se todas essas instituições atuarem nos limites da Constituição, não há que se falar em golpe.”
Ayres Britto ponderou, contudo, que ainda não vê provas jurídicas suficientes para um crime de responsabilidade da presidente – condição para um processo de impedimento.
MANDIOCA
Ayres Britto disse ainda que considera a delação premiada “uma conquista importante”, ao contrário de Dilma, que disse recentemente que não confia em delatores.
“Eu saúdo a colaboração premiada, muito mais do que a mandioca”, brincou, em referência a recente discurso da presidente, em que disse o seguinte: “Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”.

07 de julho de 2015
Deu na Folha

JUSTIÇA COMEÇA A PAGAR TAMBÉM AUXÍLIO CELULAR A JUÍZES NO RIO



Na contramão do ajuste fiscal e dos esforços do governo federal para a contenção de gastos, desembargadores, corregedores, juízes e servidores do Tribunal Regional Eleitoral e do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, ambos do Rio, poderão ser ressarcidos mensalmente pelo uso de seus telefones celulares em faixas que podem variar de R$ 150 a R$ 500, a depender do cargo e função. O custo anual mínimo pode chegar a quase R$ 4 milhões, considerando o número potencial de servidores beneficiados, incluindo os que recebem o “auxílio-celular” no Tribunal de Contas da União (TCU). As medidas, dizem, têm como objetivo “minimizar custos que onerem as faturas telefônicas desses funcionários”.
No caso do TRT-RJ, que conta com 50 desembargadores e 250 juízes, a resolução administrativa que regulamenta a indenização do uso de serviços de telefonia móvel celular pelos magistrados e servidores pode gerar um custo mensal de no mínimo R$ 75 mil, sem contar os demais servidores que poderão contar com auxílio de R$ 150. As cotas mensais serão reajustadas anualmente pela presidência do tribunal. Os usuários serão ainda indenizados pela compra dos aparelhos e também pela contratação dos serviços e operadoras, devendo apenas assinar um compromisso para divulgação do número dentro da instituição.
Assinado pelo desembargador Jorge Gonçalves da Fonte, o documento traz como argumentos para a decisão “o alto custo do controle de despesas com o serviço de telefonia dese Tribunal” e a “necessidade de se estender esse serviço a todos os magistrados de primeiro grau que precisam de telefonia para bem desempenhar suas atividades” por conta da introdução judicial eletrônico. Mas, segundo uma fonte do TRT ouvida pelo GLOBO, não é possível visualizar com praticidade o processo eletrônico no aparelho.
Gonçalves da Fonte justifica na apresentação do pedido das cotas mensais para reembolso que já existe “posição similar do Tribunal de Contas da União”, que concede o benefício a seus ministros, membros do Ministério Público Federal e servidores graduados desde 2013. Procurada pelo GLOBO, a assessoria do TRT-1 não informou quantas pessoas, no total, serão beneficiados pela medida, e nem de onde sairá o orçamento para custear as despesas. A decisão permite ainda o depósito dos valores na conta do magistrado e servidores, e ainda adquirir o aparelho que desejar, além de escolher a operadora de sua conveniência.
R$ 500 MENSAIS
Já no TRE-RJ, de acordo com o ato 222/2015 publicado no último dia 13 de maio, os desembargadores poderão receber até R$ 500 mensais, enquanto os diretores, chefes de gabinete e juízes auxiliares terão uma cota de R$ 466. Outros funcionários terão direito a valores que variam de R$ 200 a R$ 330. Hoje, o tribunal dispõe de sete desembargadores eleitorais, sete secretários, um diretor-geral, um juiz auxiliar e quatro assessores. Ao todo, segundo o TRE, há 1.254 servidores do quadro permanente em atividade hoje.
Questionado de onde virão os recursos, o TRE informa que tais despesas não estão previstas no orçamento de 2015, sendo criada apenas “uma expectativa de direito de ressarcimento”, e que as faturas telefônicas devem ser apresentadas à Secretaria de Orçamento e Finanças ao final de cada mês.
Em nota enviada à redação, depois da publicação da reportagem, o TRE-RJ afirmou que o referido auxílio “destina-se, prioritariamente, a um número reduzido de magistrados e servidores que ocupam cargos de chefia ou assessoramento e que, apenas em casos excepcionais, outros servidores fora desse rol serão autorizados a receber o auxílio”.
TCU: QUASE R$ 1 MILHÃO/ANO
A portaria do TCU que regulamenta o “auxílio-celular”, e dá base para o pedido do TRT-1ª Região, está em vigor há dois anos e beneficia 104 servidores e outras 19 autoridades, em faixas de reembolso que vão R$ 465,03 a R$ 1.395,10. De acordo com o órgão, o custo estimado com despesas de telefones móveis para 2015 é de R$ 988 mil, que é descontando no Orçamento Geral da União. Uma vez perdida a condição de beneficiário do auxílio, o servidor tem até 60 dias para fazer uma prestação de contas.
No TRE, o custo anual do benefício pode ultrapassar os R$ 3 milhões, levando em consideração o número total de servidores no quadro permanente e a menor faixa de ressarcimento.

07 de julho de 2015
Daniel Biasetto
O Globo