"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ÁRVORE DE CRISTO


Árvore de Natal, Mittenwald, Baviera, Alemanha
São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.
Emil Doepler (1855 – 1922).

Uma santa truculência atraiu essa bênção natalina.
Depois do Presépio, a Árvore de Natal é o símbolo mais expressivo da época natalina — sobretudo em tempos passados, nos quais o aspecto comercial do Natal não era tão protuberante e agressivo.

O inventor da árvore de Natal foi São Bonifácio, o apóstolo e evangelizador da Alemanha.

Em 723 São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar.

Para convencer o povo e os druidas de que não era uma árvore sagrada, ele abateu-a.

Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização da Alemanha.

Na queda, o carvalho destruiu tudo o que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro.

Segundo a tradição, São Bonifácio interpretou esse fato como um milagre. Era o período do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou:
São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.  Emil Doepler (1855 – 1922).  Uma santa truculência atraiu a bênção da árvore de Natal.
São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.
Emil Doepler (1855 – 1922).

Uma santa truculência atraiu a bênção da árvore de Natal.
“Doravante, nós chamaremos esta árvore de árvore do Menino Jesus”.

O costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus começou e estendeu- se pela Alemanha.

E no século XIX, a Árvore de Natal — também conhecida em alguns países europeus como a “Árvore de Cristo” — espalhou-se pelo mundo inteiro como símbolo da alegria própria ao Natal para se festejar o nascimento do Divino Infante.
 
16 de dezembro de 2013
(Fonte: Guia de Curiosidades Católicas, Evaristo Eduardo de Miranda)

SAÍDA BLOQUEADA

Esta lógica do Bolsa Família faria ainda mais sentido se tivéssemos uma educação de qualidade.

É instigante e desafiadora a tese levantada pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega, em recente artigo publicado pela revista Veja, sobre a porta de saída do programa Bolsa Família. Ele argumenta que a tão reclamada alternativa está no próprio programa, pois os filhos das famílias carentes beneficiadas, obrigados a estudar como contrapartida ao benefício, tendem a se livrar da síndrome da pobreza e da dependência porque, com estudo, terão melhores empregos e mais prosperidade. Faz sentido.
 
Na mesma edição da revista, o economista Claudio de Moura e Castro conta como mecânicos ingleses que aprenderam a ler foram decisivos na Revolução Industrial do século 18. Mas esta lógica do Bolsa Família faria ainda mais sentido se tivéssemos uma educação de qualidade.

Infelizmente, esta porta encontra-se bloqueada. Basta observar os resultados do último Pisa, exame aplicado pela OCDE para medir o desempenho escolar de jovens estudantes em várias partes do mundo.
 
O levantamento, que avalia o rendimento de estudantes em leitura, matemática e ciências, coloca o Brasil na 57ª posição entre 65 países. Por trás da péssima colocação está uma constatação verdadeiramente alarmante: a maioria dos estudantes brasileiros chega aos 15 anos, a idade da avaliação, sem saber contas simples de divisão e multiplicação, com insuficiente compreensão sobre os fenômenos naturais e total incapacidade de interpretar textos mais complexos. Ou seja, são pessoas absolutamente despreparadas para a vida.

Como as famílias brasileiras se satisfazem com pouco no que se refere à educação, até mesmo porque muitos pais não têm formação adequada, inexiste uma pressão popular pela excelência no ensino. Pesquisas recente do Ministério da Educação mostram que os responsáveis pelas crianças que estudam em escola pública exigem apenas instalações adequadas, merenda escolar e presença de professor. A nota média atribuída a esse serviço foi de 8,5 _ como se tivéssemos um sistema escolar muito bom.

Não temos. E nem é preciso comparar com outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento para que isso fique evidente. Basta conferir os resultados dos exames que o próprio governo aplica, como o IDEB e o próprio Enem. Se os pais não reclamam, por falta de conhecimento, cabe às autoridades e as lideranças da sociedade promover este aperfeiçoamento para que os programas de distribuição de renda percam o caráter assistencialista e se transformem em instrumentos efetivos de desenvolvimento. Só a qualificação do ensino no país poderá desbloquear a do Bolsa Família e proporcionar um futuro digno para milhões de brasileiros.

SISTEMA SATURADO


A política de investimentos públicos em mobilidade urbana passou, no Rio, por um longo período de quase total inércia.

As últimas grandes intervenções no sistema viário da cidade remontam à última década do século passado - a Linha Vermelha, entregue ao tráfego entre 1992 e 1994, e a Linha Amarela, inaugurada em 1997.

Não é preciso ser um especialista na área para ter a dimensão do acúmulo de demandas decorrentes desse período de tempo, entre quinze e vinte anos, sem a incorporação de grandes obras de infraestrutura viária numa metrópole que não para de se expandir territorialmente, destino diário de uma população flutuante de uma adensada região metropolitana e onde são crônicos os problemas de trânsito. Acrescente-se a isso a combinação de um fenômeno estrutural inerente ao crescimento do país com outro, conjuntural, de política econômica, com reflexos diretos na mobilidade urbana. No primeiro caso, o crescimento de toda a frota do país, da ordem de 123% nos últimos dez anos - 80 milhões de veículos rodando nas ruas. A divisão desse bolo reflete uma política de incremento do transporte individual: 55,8% são automóveis e 26,25%, motocicletas. O Rio acompanha a tendência.

No segundo caso, na contramão dos índices de investimento em infraestrutura urbana, em geral tíbios para as demandas, a assumida opção do governo federal, nos últimos anos, pelo incentivo à compra de automóveis (facilidades de crédito mais combustível barato) resultou num aumento exponencial da circulação de veículos, principalmente nas metrópoles, grande parte delas já com o sistema viário saturado. De novo, a capital fluminense inclina-se à tendência nacional. É um perfil insustentável, e nele o poder público tem de intervir. Primeiro, porque se trata de um problema físico: é impossível encontrar espaços para os veículos circularem quando o número de carros aumenta num ritmo mais acelerado do que a capacidade de expansão da estrutura viária. Segundo, em razão da queda da qualidade de vida dos cidadãos, vítimas de constantes engarrafamentos. Instrumento que, em casos semelhantes, se mostrou eficaz em cidades como Londres e metrópoles da Ásia, no Rio começa-se a discutir a viabilidade da adoção do pedágio, principalmente no Centro, a região mais sobrecarregada.

É medida quase inevitável, uma vez que não há sinais de que a tendência de saturação do tráfego seja revertida. Como ação reguladora, o pedágio tem, sobre outros meios de inibição do transporte individual (aumento do preço dos combustíveis, por exemplo), a vantagem de atingir diretamente quem gera ônus para a cidade.

Mas a implantação de tal sistema implica melhorar a rede de transporte coletivo. Caso contrário, o pedágio ficará associado à ideia de simples punição a quem tem carro. Como o Rio tem feito grandes intervenções em mobilidade (abertura de novas vias, adoção de malhas de BRT e BRS etc.) para melhorar a oferta de modais, a cobrança em áreas específicas não soa como absurda.

Seria um instrumento viável para reduzir o impacto dos automóveis no sistema viário, sem prejuízo da comodidade do usuário.
16 de dezembro de 2013
Editorial O Globo

NOTAS POLÍTICAS E OUTRAS PERTINÊNCIAS

 
 Lula cuida da questão política e os membros do “governo paralelo” trabalham com metas, prazos a cumprir, e até estimando custos.

 Posto avançado
 No instituto, Lula recebe políticos, empresários, donos de ONGs etc, todos com interesses (alguns nada republican+os) no governo.

 Espião explícito.
 Os pedidos mais importantes de Lula chegam a Dilma por meio do ministro Gilberto Carvalho, seu “espião com crachá”.

 Mexendo pauzinhos.
 Lula também sugere declarações públicas da presidenta, reclama de ministros, recomenda demissões e principalmente nomeações.

Viúva de Mandela tem amiga-irmã brasileira
 A moçambicana Graça Machel, viúva de Nelson Mandela, tem uma amiga brasileira, a quem chama de “irmã”. Trata-se de Leda Camargo, ex-embaixadora do Brasil em Moçambique, hoje na Suécia. Graça é muito agradecida por haver a diplomata ajudado a instalar, em Maputo, uma fábrica de antirretrovirais fundamental na luta conta a aids. Graça foi mulher de Samora Machel, líder da independência de Moçambique.

 Voltas do mundo.
 Quis o destino que a chanceler alemã Angela Merkel, a quem Dilma deu lições de economia, decida o futuro do Brasil na União Europeia.

 Bolas da vez. 
Eduardo e Aécio também se empenham em negociar aliança com PV, PTB e PDT, que anunciam “independência” em relação ao governo.

 Tudo acertado. 
A cúpula do PMDB está confiante de que a presidente Dilma apoiará o candidato da governadora Roseana Sarney, no Maranhão, em 2014.

 Entidade. 
A revista Time escolheu o papa Francisco “A pessoa do ano”. A coluna escolheu “Rose” Noronha a “Não Pessoa” de 2013. “Intocável” há um ano na Justiça, a ex-assessora íntima de Lula, vai ver, nunca existiu.

 Esse cara sou eu.
 Depois de uma conversa com o posudo presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB), um conhecido marqueteiro ironizou: “Se ele fosse tudo o que pensa que é, já ganhou a eleição para o governo de São Paulo...”

 Só no nome.
 O ministério da Defesa se faz de morto com a denúncia de que conhecida empresa “brasileira” de munição descumpre decreto de 2012 que incentiva a indústria bélica nacional. Recebe financiamento e facilidades, mas seu controle acionário está num paraíso fiscal.

 Racha no PSD.
 A bancada do PSD deverá eleger um novo líder na Câmara, nesta terça. Está dividida em quatro candidatos: Júlio César (PI), Moreira Mendes (RO), Geraldo Thadeu (MG) e Roberto Santiago (SP).

 Boquinha. 
José Eduardo Cardozo (Justiça) agora também conta com o serviço de catering nos jatinhos da FAB, a exemplo do colega Guido Mantega. Poderá gastar até R$ 170 mil, inclusive com sanduba de caviar.

 Chapeuzinho.
 O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) ganhou um novo apelido, “Chapeuzinho Vermelho”, porque terá de enfrentar o relator Lobão Filho (PMDB-MA), na reforma do regimento interno do Senado.

 Até já está gravado.
 Apesar dos assédios do PSDB e PSB, o PV está preparando para apresentar em programa nacional de TV, dia 2, o seu candidato a Presidente da República: ex-deputado paulista Eduardo Jorge.

 BMW no Brasil.
 Interlocutor do governo Dilma com o setor produtivo, o vice Michel Temer deve participar nesta segunda (16) da inauguração em Joinville, Santa Catarina, da fábrica de automóveis da alemã BMW.

 Sacode
. Com chuva torrencial no Sudeste e a pior seca no Nordeste em 50 anos, o governo ainda vai sugerir pôr o Brasil de cabeça para baixo.

PODER SEM PUDOR
 
Limpeza no Tribunal de Contas
 Aluizio Alves assumiu o governo do Rio Grande do Norte em 1961 e encontrou somente adversários no Tribunal de Contas do Estado, criado no final do governo Dinarte Mariz. E a legislação o impedia de demitir os conselheiros adversários, alguns inclusive acusados de irregularidades. Certo dia, o governador recebeu uma solicitação de verba do então presidente do tribunal, Romildo Gurgel, para pintar suas paredes externas. Aluizio escreveu no ofício o seguinte despacho:
- “Defiro o pedido. Já que não posso limpar por dentro, que se limpe por fora.”
 
16 de dezembro de 2013
coluna de Claudio Humberto

O BRASIL ESTÁ MAL NA FOTO DA ECONOMIA

 
Governantes costumam considerar entre seus deveres de ofício a tarefa de manter o otimismo sob qualquer circunstância. Mais ainda quando se trata da economia do país. É compreensível que o discurso oficial procure valorizar aspectos positivos da conjuntura e minimizar os dados que revelam fracassos. Os motivos para a sociedade se preocupar surgem quando passa da conta a distância entre o discurso oficial e a realidade, sem que se percebam medidas concretas para acelerar a aproximação entre esses dois polos.
Em vez disso, é comum a autoridade acuada pelo mau desempenho tentar afrouxar metas que ela mesmo estabeleceu, além de cair na tentação de culpar agentes de fora do governo e de apelar para o álibi dos fatores externos. Foi assim que, na semana passada, o governo reagiu ao constrangimento de ver fechar o terceiro ano seguido de baixo crescimento do PIB e de inflação acima da meta. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, identificou em "duas pernas mancas" a razão de o país não estar crescendo no ritmo prometido pelo próprio governo.

O crédito ao consumidor seria uma das pernas claudicantes; a crise internacional, a outra. No entanto, qualquer um sabe que, mesmo a oferta de crédito tendo se reduzido um pouco ultimamente, nem de longe se pode alegar falta de financiamento para animar o consumo. A esta altura, preocupa o fato de a principal autoridade da equipe econômica ver mais problema no consumo do que na oferta (produção).

Quanto à crise internacional, a neutralidade da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se incumbiu de desmontar o álibi. Seus técnicos constataram que o recuo de 0,5% da economia brasileira no terceiro trimestre colocou o país na lanterna do grupo das 20 maiores economias (G-20).

De fato, o Brasil e a França foram os únicos do grupo que registraram crescimento negativo de julho a setembro. Ficamos abaixo da média do G-20, de 0,9%, e perdemos de países que estão no epicentro da crise, como Estados Unidos e Itália, e da União Europeia. Até a França, com 0,1% negativo, foi melhor do que o Brasil.

Foi, aliás, a França que mandou seu presidente ao Brasil na sexta-feira, em visita oficial. Ao recebê-lo, a presidente Dilma manteve a mensagem positiva: o país é confiável, tem firme compromisso com o equilíbrio fiscal, a inflação está controlada e dentro da meta. Não é o que mostram os índices oficiais: a inflação vai fechar o ano perto de 5,8%, bem acima da meta de 4,5%, e o superavit primário tem ocupado a criatividade dos contadores do Tesouro.

Confiável, por manter em desenvolvimento a sua jovem democracia - que garante a alternância no poder e o julgamento de criminosos importantes -, o Brasil não pode correr o risco de perder a avaliação positiva que conquistou no mercado internacional. Agências classificadoras de risco já ameaçam rever as notas do país. O ex-presidente do Goldman Sachs Jim O"Neal, famoso por criar o termo Bric, já pensa em retirar o país do acróstico, se o crescimento de 2014 repetir o de 2013. Em vez de discursos, a hora é, pois, de ação.
16 de dezembro de 2013
Editorial Correio Braziliense

SUS, 20

Há uma quase unanimidade, no Brasil, quanto ao imperativo de aumentar as verbas para o setor público de saúde. Ainda bem que ela não é completa, porque, como diz a célebre frase de Nelson Rodrigues, o consenso não produz a mais inteligente das opiniões.

Não se pode negar que falte dinheiro: o gasto público (3,8% do PIB) é quase a metade, em termos proporcionais, do que despendem outros países com modelos semelhantes ao brasileiro. No entanto, o argumento ignora que o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta, além do subfinanciamento, um problema grave de ineficiência.

Qualquer investimento para aprimorá-lo, pois, deveria concentrar-se antes em reformar sua organização --e não em aplicar mais dinheiro do contribuinte numa estrutura que apresenta diversos vícios. Resolvê-los é a melhor maneira de fortalecer os inegáveis méritos do SUS e ampliar os conhecidos avanços que tem proporcionado.

A conclusão --que agora ganha o reforço de um relatório técnico do Banco Mundial para avaliar os 20 anos do SUS-- pode não ser eleitoralmente rentável, mas é a correta.

Inúmeros especialistas reconhecem esse fato, mas o oportunismo político tem impedido que o tema ocupe o proscênio do debate sobre a saúde. Em lugar disso, o governo federal tira da manga o Mais Médicos. O programa rende votos e tem aspectos elogiáveis, mas nem resvala os problemas de ineficiência.

Estes são pelo menos três. O primeiro e mais óbvio é a baixa eficiência hospitalar. Dois terços dos estabelecimentos têm menos de 50 leitos, quando o padrão internacional preconiza pelo menos cem. São 3.500 unidades pequenas que, por definição, não têm demanda suficiente para justificar o custo.

Em segundo lugar, os hospitais atendem e internam pelo menos 30% de pacientes que não deveriam estar ali. São casos que poderiam ser tratados em ambulatórios ou acompanhados num sistema decente de assistência primária.

Por fim, há um número insuficiente de equipes de saúde da família, embora o montante tenha aumentado de forma expressiva nos últimos anos. Cada uma delas atende hoje 3.500 pessoas, e o próprio Ministério da Saúde tem por meta reduzir esse contingente para 2.000.

Nada disso se resolve sem dinheiro, por certo, mas ele não precisa sair sempre da expansão dos orçamentos. Mais racional seria começar pela economia de recursos, como dita o princípio da eficiência no trato da coisa pública. Mas isso é quase um anátema para a insalubre política nacional.

MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO

Resultados do teste Pisa mais uma vez fazem soar as sirenes sobre o estado da educação no país. Estranhamente, não haveremos de sair do lugar

Em seu magnífico livro A vida em análise, recém-lançado no Brasil, o psicanalista norte-americano Stephen Grosz conta, entre outras, a história de Marisa Panigrosso – mulher que saiu rapidamente da Torre Sul do World Trade Center assim que soaram os alarmes. As demais pessoas que estavam com ela no 98.º andar não fizeram o mesmo, e não viveram para contar. Grosz aproveita a deixa para se perguntar por que tendemos a ignorar os muitos alarmes que soam na sociedade. Negligência? Conforto? Descrença?

O Pisa – sigla em inglês para o Programa Internacional de Avaliação de Alunos – é uma promoção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Abrange 470 mil alunos de 15 anos, oriundos de 65 países industrializados, incluindo convidados com menos lucros a exibir, a exemplo do Brasil. Repete-se a cada três anos. Nessa ocasião, as sirenes tocam solenemente para nós. Aliás, não seria exagero dizer que a única serventia do exame seja justamente essa: a de nos fazer reagir. Mas não chega a tanto, para surpresa geral. Um caso para Grosz.

O Brasil entra no Pisa como um agregado, um agraciado pela oportunidade de comparar seu desempenho e medir seu estágio em meio a nações que fazem investimentos maciços em educação. Quem sabe se anime. A estratégia não tem funcionado. Algum caprichoso que se ocupe em colocar lado a lado os resultados do teste, desde sua implantação, em 2000, há de ver que o país tem lugar cativo nas últimas posições, merecendo um prêmio, sim, mas por sua persistência na apatia. Fosse um ataque às Torres Gêmeas, estaríamos todos mortos.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, bem que tentou fazer de conta que o bicho não é tão feio como se pinta. Destacou o avanço dos 20 mil alunos brasileiros testados no campo da Matemática, mas sua retórica não convenceu. Estamos em 55.º lugar em Leitura e compreensão de texto; em 58.º na Matemática e 59.º em Ciências, posições resistentes às palavras de conforto. Marisa Panigrosso nem esperaria a última nota antes de se descabelar até a escada de incêndio.

A inércia tem uma explicação: o Pisa reflete o que já estamos carecas de saber. Diante de um fato sobre o qual não podemos agir, tendemos a ficar calados, à espera de que alguém mude de assunto, poupando-nos do tédio. Para os que não querem passar o próximo milênio com cara de paisagem, resta tentar resolver o problema por partes, para pelo menos entender o que significam três edições de bocejos no Pisa. Ter notas tão baixas em Ciência, por exemplo, é um tabefe: sinal de que para nós o avanço tecnológico continuará a ser uma mentira, uma lorota boa.

Um bom roteiro sobre perdas e danos é partir do Plano Nacional de Educação, o PNE, que vai fazer água antes de os investimentos na educação chegarem a 10% do PIB, como se planeja. Pois o buraco começa aí, na falta de instrumentos. Ora, dinheiro não é problema. Não resolve a educação, sabe-se. O Brasil até que gasta bastante. Mas é difícil não passar na frente de uma escola pública sem concluir que se trata de um dos lugares mais desprestigiados de que se tem notícia. Já os estádios de futebol, nem tanto.

Estima-se que o Brasil gaste US$ 26 mil com cada um de seus alunos entre 6 e 15 anos. Esse valor, se comparado ao de países que ocupam o topo do Pisa, reforçam a impressão de que somos mesmo ruins em matemática – a básica. Dica: basta multiplicar por quatro e eis o número ideal. Em tempo – professores americanos ganham 20% a mais do que a média de todos os salários do país. Professores brasileiros, 20% a menos. A carreira não é atraente. Explica e justifica.

Sem plano, sem investimentos, o que sobra são os estragos. Vale repetir o dado que assombrou o país nesses quase idos de 2013. Soube-se que um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos está fora da escola – 70% deles são mulheres. Que 5,3 milhões de brasileiros entre 18 e 25 anos nem estudam nem trabalham. Que algo como 23% dos jovens da faixa etária avaliada pelo Pisa não estão nem sequer na escola, o que de resto nos garantiria uma posição ainda pior.

A essa altura, melhor deixar: não é a prova que importa. O que importa é que a cada prova nos damos conta da dimensão da tragédia: 40% dos que ingressam no ensino médio não vão chegar ao fim do ciclo, confirmando o maior sistema de fracasso da vida brasileira. O que dizer, afinal, do fato de que 2 milhões de inscritos para o Enem não apareceram para fazer a prova? Mais estranho que a ficção.
 
16 de dezembro de 2013
Editorial Gazeta do Povo - PR

MANDELA E ANISTIA, LÁ E CÁ

 

percival_puggina_01Em abril, Lula e Bono encontraram-se em Londres. Elogios recíprocos levaram o cantor a afirmar que Lula é o herdeiro de Mandela como interlocutor dos pobres. Essa matéria foi recuperada nos últimos dias em virtude do falecimento do sul-africano. Bono não sabe que Lula, há muito tempo, deixou de ser pai dos pobres, se um dia o foi, para se tornar prestativo parceiro dos mais ricos. Mas o que me interessa aqui são outros paralelismos.

Mandela ficou quase trinta anos preso e, ao sair, empenhou-se em construir a unidade nacional sul-africana. Lula ficou trinta dias na cadeia, como grevista e, quando pode, cobrou pensão vitalícia, dizendo-se perseguido da ditadura. Mandela recebeu formação de guerrilha e terrorismo em países comunistas.
Sua militância afinava-se com a geopolítica soviética. Foi treinado no uso de bombas e minas terrestres. O MK, organização terrorista que comandou, era, ao mesmo tempo, a mão pesada do CNA (partido clandestino, opositor ao Apartheid) e do também proibido PC sul-africano.

Depois que chegou à presidência, em 1994, seu partido nunca mais saiu do poder. Mandela usou a retórica, o exemplo e a força para construir a unidade nacional e superar o racismo num país que, em matéria de discriminação, só perdeu para a Alemanha nazista. Lula criou o PT, em 1980, como um partido socialista e tem sido permanente aliado do PCdoB.
Sua legenda conquistou o poder em 2003 e se prendeu à cadeira com tarraxa, parafuso e contraporca. Tanto o CNA quanto o PT mancham suas imagens no longevo exercício do poder com estratégias de aparelhamento das instituições e casos de por corrupção ativa e passiva.

Mandela, glamourizado pelo cinema, recebeu sozinho méritos que também são de Federik De Klerk. Era dele o poder e foi dele a decisão de acabar com o Apartheid, legalizar o CNA e libertar Mandela. Lula cuidou pessoalmente de transformar em bônus seu o produto das políticas de seus antecessores, cuja vida, anteriormente, infernizou tanto quanto pôde.

A presidente Dilma, ao falar no FNB Stadium, proclamou: “Mandela é um exemplo e referência para todos nós!”. A transmissão não tinha o áudio ambiental, mas imagino que aquela inaudita revelação, apregoada assim, de súbito, tenha provocado comoção nacional e arrancado um prolongado “oooooh!” do público presente. Pus-me a pensar. Se Dilma, de fato, considera Mandela um exemplo, por que, raios, ela, Lula e seu partido não recolhem dele o que de positivo poderiam recolher? Por que não aprendem com Mandela a parar de falar em raça, em cotas, em cor da pele e dos olhos? E por que não aprendem dele que ajustes de contas e revanchismo não resolvem o passado e atrapalham o futuro?

Existem duas saídas quando se deseja pacificar um país após longos conflitos: a primeira é esquecer, a segunda é lembrar. O esquecer conduz à anistia. O lembrar induz ao julgar, mas não é incompatível com a anistia. Na África do Sul, ao fim do Apartheid, ocorreu um processo bilateral, com confissões públicas e pedidos de perdão, seguidos de anistia e reparação. Funcionou? Mais ou menos.

A longa tradição brasileira é outra. Pesquisando, encontrei, no período republicano, 15 anistias políticas implicando esquecimento, perdão e, muitas vezes, reparação. Mas já li que houve mais de 40! O que não conheço é outro país onde, tendo-se produzido anistia, perdão e reparação, transcorrido um quarto de século se insiste em pealar bruxas do passado! E de um único ninho de bruxas.

16 de dezembro de 2013
Percival Puggina  é arquiteto, empresário, escritor

DISCUSSÃO SOBRE O ACIDENTE QUE MATOU JK AINDA TÊM VERSÕES DIFERENTES

As três gerações de peritos que analisaram as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro em 22 de agosto de 1976 não têm a menor dúvida sobre o que aconteceu naquele fim de tarde de domingo no então km 165 da Via Dutra. Todos eles afirmam, categoricamente, que a tragédia foi resultado de uma batida de trânsito comum, em que o Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, perdeu o controle e atravessou o canteiro central da pista após ser atingido, de leve, por um ônibus da Viação Cometa.

O carro acabou colidindo com um caminhão no sentido contrário. Na última terça-feira, a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo aprovou um documento com 90 pontos com supostos indícios de que houve o falecimento do ex-presidente foi resultado de uma conspiração dos militares, a terceira investigação concluída sobre o caso.

Os peritos que prepararam os laudos na época do acidente ganharam o respaldo de quatro outros profissionais que fizeram a exumação do corpo de Geraldo, em 1996, e de dois peritos que auxiliaram os trabalhos de uma comissão especial criada no Congresso para investigar as causas da morte de JK, em 2001. O colegiado foi presidido pelo então deputado Paulo Octávio, casado com Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente.

Sem acreditar que a morte do ex-presidente foi consequência de uma batida de carro comum, o ex-secretário de JK Serafim Jardim, autor do livro Juscelino Kubitschek — onde está a verdade?, pediu a exumação do corpo de Geraldo em 1996, após a morte de Dona Sarah Kubitschek. Uma das versões, até hoje não comprovada, é de que o motorista levou um tiro na cabeça e, por isso, perdeu o controle do carro e bateu em um caminhão. O tiro teria partido de um veículo Caravan, que emparelhou com o Opala na pista. Porém, a perícia feita nos anos 1990, em um trabalho assinado por quatro profissionais, derruba essa tese.

De acordo com o médico legista Márcio Alberto Cardoso, um dos responsáveis pelos serviços, as fotos mostram intacto o crânio de Geraldo, assim que é tirado da urna no cemitério de Belo Horizonte. “Há imagens publicadas, inclusive, na imprensa. Não havia perfurações ou fratura no crânio dele. O que achamos foi um prego, que chamamos de cravo, usado para fixar estrutura de pano nos caixões. Fizemos todos os testes para chegar a essa conclusão. Não tenho a menor dúvida do que fizemos”, afirma.

16 de dezembro de 2013
Leandro Kleber
Correio Braziliense

COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE FAZ INVESTIGAÇÃO PARALELA SOBRE O CASO JK

 


Enquanto a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo considera “o assassinato de Juscelino Kubitschek, vítima de conspiração, complô e atentado político na rodovia Presidente Dutra, com base em 90 indícios”, a Comissão Nacional da Verdade ainda investiga o caso.

De acordo com a assessoria de imprensa do colegiado, os trabalhos estão sendo feitos com base na documentação disponível sobre o assunto e não têm qualquer ligação com o apurado pelo grupo paulista — apesar de haver um acordo de cooperação entre ambos. A próxima reunião da comissão nacional será feita apenas em 2014 e o documento produzido pelos paulistas deverá ser analisado pelos integrantes.

Para o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente do grupo paulista, havia motivos para a ditadura assassinar o JK. “Ele era um forte candidato a derrotar o candidato do regime militar. Houve, naquele período entre 1975 e 1979, uma matança da cúpula do Partido Comunista Brasileiro e de outros movimentos como a ALN (Ação Libertadora Nacional)”, diz.

LAUDOS FALSOS?

Segundo ele, os peritos fizeram laudos falsos. “A gente não é criança. No tempo da ditadura, podia fazer isso. Hoje, não. O JK foi vítima de um atentado. O motorista levou um tiro”, acredita Natalini. “A verdadeira história brasileira será resgatada”, avalia.

O perito criminal Alberto Carlos de Minas disse ao Correio que viu um buraco com características de tiro no crânio do motorista de JK, Geraldo Ribeiro, quando o corpo dele foi exumado em 1996. A cena ocorreu, segundo ele, no cemitério da Saudade, em Belo Horizonte.

“Eu estava a uns 5m de distância do corpo e vi, nitidamente, um orifício no crânio quando uma pessoa tirou a ossada da urna. Depois de tantos anos de trabalho, a gente sabe o que é cada coisa”, garante Alberto, que disse ter sido impedido de fotografar a cena por militares no local. Ele não participou de nenhuma perícia sobre o caso.

(transcrito do Correio Braziliense)

Leandro Kleber
16 de dezembro de 2013
 

E A GENTE SEMPRE ACHANDO QUE NO ANO SEGUINTE O PT NÃO PODERIA PIORAR...


1985 – O PT foi contra a eleição de Tancredo Neves e expulsa os deputados que votaram nele.

1988 – O PT vota contra a nova constituição que mudou o rumo do Brasil.

1989 – O PT defende o não pagamento da dívida brasileira, o que transformaria o Brasil num caloteiro mundial.

1993 – Presidente Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo de coalizão pelo bem do país. O PT foi contra e não participou

1994 – O PT vota contra o plano real e diz que a medida é eleitoreira.

1996 – O PT vota contra a reeleição. Hoje defende.

1998 – O PT vota contra a privatização da telefonia, medida que hoje nos permite ter acesso a internet e mais de 150 milhões de linhas telefônicas.

1999 – O PT vota contra a adoção do câmbio flutuante.

1999 - O PT vota contra a adoção das metas de inflação.

2000 – O PT luta ferozmente contra a criação da lei da responsabilidade fiscal, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadarem, ou seja, o óbvio que não era feito no Brasil. Por que  será?

2001 – O PT vota contra a criação dos programas sociais no governo Fernando Henrique Cardoso: bolsa escola, vale alimentação, vale gás, peti e outras bolsas são classificadas como esmolas eleitoreiras e insuficientes. (eram mesmo!!!).  Quase toda estrutura sócio-econômica do brasil foi construída no período listado acima.  O PT foi contra tudo e contra todos. Hoje roubam todos os avanços que os outros partidos promoveram e posam como os únicos construtores de um país democrático. Já que o PT foi contra tudo e contra todos desde a sua fundação, fica uma pergunta para que os leitores respondam:

Em 10 anos de governo federal, quais as reformas que o PT promoveu no brasil para mudar o que os seus antecessores deixaram?

Lembre-se: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
 
16 de dezembro de 2013

PESQUISA CBN / CONECTA

  

Se o voto deixasse de ser obrigatório no Brasil, você continuaria ou não a participar das eleições?
Você diria que após manifestações populares de 2013, o Brasil mudou para melhor, não mudou nada ou não só não mudou como ficou pior?
O que mudou para melhor após as manifestações?
 
Que causa realmente o/a mobilizaria?
Se você pudesse nascer de novo, escolheria ou não o Brasil como seu país de origem?

E se tivesse a oportunidade de escolher outro país para nascer, qual desses seria?

"O GUERREIRO DO POVO BRASILEIRO" E OS ENGAVETADORES A SERVIÇO DO PT


“Agora veio a público que, numa investigação sobre contas no Exterior, o Ministério da Justiça consultou o Legal Department Cayman Islands Government, aparecendo nada mais nada menos que o nome de José Dirceu de Oliveira e Silva. Por esta, ou aquela razão, o Ministério da Justiça, que requerera esclarecimentos, parece ter sepultado a incômoda revelação e o fato não teve a menor consequência, quer dizer, são fatos, e fatos de suma gravidade e os serviços oficiais da alçada de um ministério de alta responsabilidade e conceito teriam arquivado documento que lhe foi dirigido em resposta a inquirição sua. Tais fatos são bastantes para demonstrar a deterioração das normas da nossa administração, sob o governo que pretendia ser um padrão de excelência. Diante deles poderia o Ministério da Justiça arquivá-los, conservando sem divulgação e sem consequências o fato gravíssimo, sem converter-se em co-resposável nem incidir em prevaricação?”
Paulo Brossard

Eu uma reportagem na Veja sobre o rei dos laranjas do Brasil, Adir Assad, que faturou um bilhão de reais com empresas que não existem, mas que alimentam a corrupção e financiam clandestinamente campanhas eleitorais, também aparece o nome de José Dirceu como consultor de uma dessas “empresas” clientes de Adir, a Sigma Engenharia. Palavras do seu próprio dono na época, Fernando Cavendish: “Se eu botar 30 milhões na mão de políticos, sou convidado pra coisas pra caralho”.

Pois é, se o “guerreiro do povo brasileiro” está preso por outros delitos é por milagre de São Joaquim. Se o próprio ministro da Justiça engaveta os esclarecimentos que ele mesmo pede quando se trata de um membro do PT, imaginem o que fazem na “baixa justiça”, nos MPs e nas delegacias, peneirando desse jeito quem deve ou não ser indiciado. E ai de quem mijar fora do penico: periga até acabar como Celso Daniel.
 
16 de dezembro de 2013

MACONHA E ESQUIZOFRENIA, UMA MÓRBIDA SEMELHANÇA


O uso contínuo e diário de maconha pode causar alterações na estrutura do cérebro parecidas com as da esquizofrenia. Em estudo com adolescentes, pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, relataram que as modificações cerebrais estão ligadas à perda de memória de curto prazo, o que compromete o desempenho escolar.

A pesquisa foi realizada com estudantes que fumavam diariamente durante três anos, entre os 16 e 17 anos, mais ou menos. As anormalidades cerebrais e problemas de memória foram constatadas dois anos após eles terem interrompido o consumo da droga, quando tinham cerca de vinte anos. O resultado aponta para os efeitos do uso crônico a longo prazo.

De acordo com os cientistas, as estruturas relacionadas com a memória pareciam encolher nos usuários, possivelmente refletindo uma diminuição nos neurônios. O estudo também mostra que as anormalidades cerebrais ligadas à maconha possuíam relação com o baixo desempenho da memória de curto prazo, o mesmo problema observado no cérebro de esquizofrênicos.
 
16 de dezembro de 2o13
G!

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


 
 
16 de dezembro de 2013


VESTAIS DISSOLUTAS

Em matéria de “traficâncias” as vestais revelaram-se insuperáveis

Quando fundado o PT seus integrantes eram, em regra, sindicalistas e alguns intelectuais. Por esta razão, ou por outra, o nascente partido tinha a pretensão de ser melhor que os demais. Proclamavam-se superiores. Eram os puros, enquanto os outros seriam os ímpios, ou de segunda categoria.


Cedo, porém, ficou demonstrado que a nova agremiação haveria de revelar-se possuidora de mazelas, quiçá superiores às atribuídas aos outros partidos; com efeito, chegados ao poder não hesitariam em abrir um capítulo novo no elenco das ilicitudes, o mensalão foi o maior, pelo menos o mais chocante por seu ineditismo e ostensividade; não foi o único, formou um rosário. Um dos mais conhecidos relacionou-se quando da eleição a governador de São Paulo, do atual ministro da Educação.
Ficaram famosos os fatos que tiveram como cenário o Hotel Ibis, em São Paulo, local onde agente petista compraria um dossiê que comprometeria o adversário, ao preço de R$ 1,700 milhão, dinheiro de contado.
 
Se bem me lembro, o dossiê não passava de um agregado de coisas ineptas a ponto de o virtual adquirente desinteressar-se da suposta preciosidade e de evadir-se para não se encontrar com a Polícia Federal, deixando mesmo no hotel a soma de R$ 1,700 milhão durante algum tempo. Menciono o caso por ter se tornado público o episódio para demonstrar o proteiforme procedimento instaurado. Diante da repercussão, nada menos que o presidente Luiz Inácio tentou diminuir a importância da ocorrência chamando os compradores, seus correligionários, de aloprados, vocábulo que, se não mentem os dicionários, significa endoidados, malucos, estúpidos.

Agora veio a público que, numa investigação sobre contas no Exterior, o Ministério da Justiça consultou o Legal Department Cayman Islands Government, aparecendo nada mais nada menos que o nome de José Dirceu de Oliveira e Silva.
Por esta, ou aquela razão, o Ministério da Justiça, que requerera esclarecimentos, parece ter sepultado a incômoda revelação e o fato não teve a menor consequência, quer dizer, são fatos, e fatos de suma gravidade e os serviços oficiais da alçada de um ministério de alta responsabilidade e conceito teriam arquivado documento que lhe foi dirigido em resposta a inquirição sua.
Tais fatos são bastantes para demonstrar a deterioração das normas da nossa administração, sob o governo que pretendia ser um padrão de excelência. Diante deles poderia o Ministério da Justiça arquivá-los, conservando sem divulgação e sem consequências o fato gravíssimo, sem converter-se em co-resposável nem incidir em prevaricação?

Agora, outro fato arrasador vem de ocorrer, envolvendo o coração do governo. Acaba de ser publicado livro, com base em copiosas revelações de Romeu Tuma Junior, ex-secretário Nacional da Justiça do Ministério.
Alega-se que Tuma Junior foi exonerado em razão de ilegalidades cometidas ou coisa parecida, mas quanto tempo decorreu desde a demissão? Não foi bastante para apurar a responsabilidade do demitido, suposta a veracidade das imputações que lhe foram feitas?
A verdade, porém, é que nada, absolutamente nada, nenhuma iniciativa tomou a administração de apurar fatos ditos graves como lhe cabia.
Publicado em livro e divulgado nacionalmente não se viu nem ouviu uma palavra do governo a respeito. Essa omissão não importa em cumplicidade e esta em corresponsabilidade; as revelações atingem mortalmente a alta administração do país.

Enfim parece que em matéria de “traficâncias” as vestais revelaram-se insuperáveis.

A NARRATIVA E OS ESQUELETOS

Revolver tumbas e mexer com esqueletos são formas de manipulação de algo putrefato que exibem um tipo de prazer mórbido. Pior ainda quando isso se faz sob a bandeira ideológica de uma suposta busca da verdade. O lado físico do cadáver toma o lugar do que deveria ser um modo simbólico de o país lidar com seu passado. A reelaboração cede o lugar à exploração dos esqueletos.

A exumação do cadáver de João Goulart está sendo a ocasião de toda uma narrativa que procura sobrepor-se aos fatos. Desenterrar alguém é uma atividade dolorosa, que deveria ser evitada ao extremo, salvo se, bem fundada, fosse absolutamente necessária. Nada indica, segundo depoimentos de seus próximos, que o ex-presidente tenha sido envenenado. Foi construída toda uma "história" que procura justificar tal ato com objetivo explícito de exploração política, numa nítida tentativa de reescrever a História.

O País vive uma extraordinária fase de normalidade institucional, estabilidade democrática e fortalecimento das instituições, fruto de todo um processo negociado de transição política que culminou na Constituição de 1988. Nossa Carta Maior tem demonstrado sua vitalidade até em processos de mudança de vários de seus artigos, conforme procedimentos e regras que exibem toda a sua força.

Nunca é demais lembrar que a Lei da Anistia foi instrumento central de todo esse processo, tendo como protagonistas a oposição liberal e democrática, encarnada por figuras notáveis como Ulysses Guimarães, Paulo Brossard, Teotônio Villela, Franco Montoro, Tancredo Neves e Mário Covas, entre outros; os dissidentes da Arena, que formaram o Partido da Frente Liberal; e os militares democráticos, que não só abriram esse caminho, como o sustentaram. A esquerda radical, derrotada, nada tinha a dizer senão reconhecer um processo de democratização de tipo liberal, levado a cabo contra suas convicções. Na linguagem marxista, teve de se resignar à "democracia burguesa", pois seu projeto socialista/comunista havia fracassado.

O Brasil foi e é um exemplo político para o mundo. Exemplo de concórdia e de negociação, sabendo deixar as sequelas do passado para trás, ciente de que o presente só vislumbra a esperança quando voltado para o futuro. Acontece que os derrotados estão agora tentando reescrever a História, procurando a vitória pela manipulação das ideias e de sua consequente exploração midiática.

Um episódio particularmente significativo ocorreu no reenterro do ex-presidente Goulart, com as honras devidas. Havia parlamentares e ministros presentes. O Exército Brasileiro esteve representado na figura do general Bolívar Goellner, comandante Militar Sul. Seguiu, enquanto soldado, o regulamento, conforme as determinações do Comando do Exército, subordinado à presidente da República. Atuou, portanto, como militar constitucionalista que é. Soube, no entanto, distinguir entre homenagem militar e suposto reconhecimento de um "erro histórico". Não havia nenhuma retratação em pauta, pela simples razão de que esse não era o significado das honras fúnebres, tampouco cabendo a ele refazer a História. A História é constituída por fatos que não podem ser reescritos, embora, evidentemente, possam servir de aprendizado para as futuras gerações, não importando o lado atingido.

A ministra Maria do Rosário, irritada, segundo a notícia, teria declarado que o assunto deveria ser levado ao Comando do Exército. Um parlamentar usou da ironia para dizer que nem sabia o nome do comandante Militar Sul e que este deveria apenas seguir o regulamento. Queria que ele o desrespeitasse? Trata-se de afrontas, totalmente desnecessárias, à instituição militar, que, sim, garantiu a transição democrática e foi sua garante em momentos difíceis.

Note-se que a exumação do cadáver para exames toxicológicos e outros deixou de ser a questão e o problema se deslocou para as honras militares do novo enterro. Já fora um despropósito a exumação, que foi seguida de um espetáculo político, cada partido e político procurando extrair o máximo de benefícios. Foi uma forma canhestra de reescritura da História. O recato desapareceu em proveito da ideologia.

E não se fala mais dos exames. Seus "resultados", conforme foi anunciado, podem demorar entre seis meses e um ano. Um dos especialistas, aliás, é um médico cubano, como se a ditadura comunista caribenha fosse um grande centro de medicina, contando com profissionais e laboratórios mundialmente renomados. Deveriam, isso sim, enterrar seu próprio regime político, exemplo de abolição das liberdades e da democracia.

O problema tornou-se o reenterro, como se a exposição do cadáver devesse ser seguida de atos de desrespeito à instituição militar, provocada na figura de seu representante. Sua resposta, contida e clara, mostra o amadurecimento do Exército precisamente quando confrontado com quem procura provocá-lo. Por que, aliás, a provocação?

É como se a exumação e o novo enterro tivessem como finalidade uma reescritura histórica, que poderia levar à abolição da Lei da Anistia. Já não bastou a Comissão da Verdade ter-se recusado a investigar os crimes da esquerda armada, num comportamento evidentemente parcial. Tampouco é suficiente que os que propugnavam estabelecer no Brasil uma ditadura comunista sejam agora apresentados como "combatentes da liberdade". Não prezam a estabilidade institucional do País?

Parece não haver limites. Agora, outra reescritura entra em pauta, a da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, apresentada como "assassinato político". Todos os especialistas que analisaram o fato se recusam a essa nova pantomima, reiterando o acidente que foi. Os cadáveres estão-se tornando protagonistas políticos graças a esses criadores de "mortos vivos". Pensam que o País deve seguir o exemplo da Argentina, que se enterra cada vez mais?

INCOMPETÊNCIA FUTEBOL CLUGE

BRASÍLIA - A CBF é uma entidade milionária e polêmica. Deveria zelar para que seu negócio, o futebol brasileiro, fosse um exemplo de eficiência e de jogo limpo. Dentro e fora das quatro linhas de campo.

Só que hoje, tal como nos últimos anos, um vergonhoso filme vai se repetir. Algo que a CBF já poderia e deveria ter eliminado do nosso futebol, mas não o fez por falta de vontade, incompetência ou coisa pior.

Difícil compreender que, depois de tantos casos, a Portuguesa corra o risco de ser rebaixada, em benefício do Fluminense, por ter escalado um jogador suspenso. Num jogo em que o resultado não valia mais nada.

Claro que os próprios clubes é que deveriam evitar tal situação, mas eles são um desastre administrativo. Diante disso e para salvar seu rico negócio, a CBF deveria ter tomado medidas há muito tempo.

Lá vai uma simples sugestão. Na era da banda larga e de sofisticados programas, um software nada complicado poderia ser desenvolvido pela entidade para criar um banco de dados, alimentado diariamente, com a situação jurídica de todos os jogadores do campeonato.

A cada partida, os times acessariam o sistema para checar, online, quem tem condições de jogo. O delegado da partida faria a checagem final horas antes de a bola rolar. Jogador irregular seria barrado ali.

Uma ação preventiva que nos pouparia desse vexame às vésperas de sediarmos a Copa do Mundo. Mas nossos dirigentes e juristas desportivos só reagem depois da cancela arrombada. Com soluções cada vez mais malucas e absurdas.

Agora estão propondo tirar os pontos de times cujas torcidas partam para o braço nos estádios. Parece a solução. Só que um time perde em campo, infiltrados provocam briga nas arquibancadas e, bingo, o vencedor pode ser o punido.

Enfim, o bom senso tem de prevalecer. Quem perdeu em campo, nele que se recupere. Seja quem for. Em defesa do futebol pentacampeão.

GOVERNADORES EM PERIGO


E m 2010, a eleição nos Estados apontou para a continuidade. Dos 27 governadores, 20 concorreram a um segundo mandato, e 13 deles foram reconduzidos ao cargo. Outros três elegeram seu candidato. Para 2014, a bússola virou de ponta-cabeça. Dos 15 governadores aptos à reeleição, só três podem confiar que estão no rumo certo para voltar ao palácio depois de passarem pelas urnas.

A pesquisa CNI/Ibope divulgada na sexta-feira forneceu o melhor mapa da sucessão estadual até agora. Pela primeira vez em três anos, todos os governadores foram avaliados simultaneamente. A sondagem não perguntou em quem o eleitor pretende votar, mas revelou o que os governados acham de seus governantes - e essa opinião é menos volátil que a intenção de voto.

A principal conclusão é que o ranking de 2013 é muito pior para a maioria dos governadores do que foi o de 2010:11 estão devendo, 9 estão numa zona que não pode ser chamada de conforto, e, dos 7 que estão realmente bem avaliados, 4 não são candidatos. A chave da pesquisa é o saldo de avaliação. Na eleição passada, ele mostrou-se o melhor fator para prever o resultado das urnas.

O saldo de avaliação é o que sobra, ou não, da popularidade do governador após levar-se em conta as opiniões negativas: é a taxa de ótimo e bom, descontada a de quem acha o governo ruim ou péssimo. Essa classificação é melhor do que a simples pontuação pela taxa de ótimo/bom porque considera também o tamanho e a intensidade da oposição ao governante avaliado. Carma pesa.

Em 2010, o saldo médio dos governadores era de 31 pontos positivos - uma festa. Agora, é de 4. Quase um velório.Na eleição passada, nove governadores tinham saldo igual ou superior a 45 pontos. Foi a nota de corte: todos se reelegeram (7) ou elegeram seus candidatos (2). Hoje, só três governadores estão nessa faixa de quase certeza.

Omar Aziz (PSD-Amazonas) tem 67 pontos de saldo de avaliação, mas não pode se candidatar, mesmo estando há apenas quatro anos no cargo: era vice de Eduardo Braga, e teve que assumir o governo em 2010. Concorreu e se elegeu para o segundo mandato. Divide-se, agora, entre apoiar seu vice ou seu antecessor.

Tião Viana tem o 2º maior saldo, 48 pontos, e deve concorrer à reeleição. Tenta uma façanha: o quinto mandato seguido do PT no governo do Acre. Eduardo Campos (Pernambuco) está em 3º lugar no ranking, com 45 pontos. É o candidato do PSB, mas a presidente.

A seguir aparecem quatro governadores com saldos entre 31 e 38 pontos. Dois deles não podem se recandidatar: André Puccinelli (PMDB), no Mato Grosso do Sul, e Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais. Os outros dois disputam a reeleição: Beto Richa (PSDB) no Paraná, e Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo.

Em 2010, havia sete governadores nessa situação: cinco se reelegeram, um perdeu e o terceiro não influiu. Ou seja, Richa e Casagrande têm boas chances de voltar ao governo, mas, como João Cahulla provou em 2010, imprevistos acontecem. Junto com Viana, são, hoje, os três governadores mais perto de se reelegerem.

A terceira faixa tem nove governadores com saldo de aprovação entre zero e 18 pontos. É uma zona arriscada. Na eleição passada, dos sete que estavam nesse patamar, só um se reelegeu. Estão nessa zona de perigo os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT).

Abaixo deles no ranking há 11 governadores com saldo negativo - dos quais seis poderiam se candidatar à reeleição, pois estão no primeiro mandato. Mas eles correm alto risco de fracasso: nenhum governador devendo popularidade se reelegeu em 2010. Aos 11, só lhes resta mudar a imagem de seus governos em poucos meses. Para eles o tempo urge mais do que para os outros.

 
16 de dezembro de 2013
José Roberto de Toledo, O Estado de S Paulo

A DELICIOSA NUDEZ CASTIGADA

Se um dia não existir mais mulheres que cobram por sexo, a violência no mundo será maior

A repressão ao sexo mudou de lugar, agora ela está ali onde se situa o discurso "por um mundo melhor". As antigas "freiras" e senhoras protestantes de preto, que falavam de pecado e babavam de ódio das mais gostosas, agora propõem a extinção do sexo pago em nome da "justiça social". Ou seja, a puta, a garota de programa, deve deixar de existir. Antes era o pecado, agora é a "exploração do corpo".

O conceito de pecado implica em desejo reprimido (o que dá tesão), o de "exploração" não pressupõe o desejo, mas sim o papo-furado do "capital malvado". Gente chata essa que fala de "controle político do corpo".

Meu Deus, quando é que nos tornamos tão incapazes de entender um mínimo da natureza humana? Já sei: desde que criamos essa noção autoritária de "lutar por um mundo melhor".

Se um dia não existir mais mulheres que cobram por sexo (de modo direto e sem rodeios), a violência no mundo será ainda maior. Sexo e amor sempre custam dinheiro, além de outras coisas. Aliás, a garota de programa é a mulher menos cara do mundo, custa só dinheiro.

Outras relações custam vínculos, jantarzinhos, longas conversas, "DRs", incertezas quanto à retribuição do investimento de desejo, tempo e dinheiro. Entre essas meninas que trocam dinheiro por sexo, as melhores são aquelas que o fazem porque gostam do que fazem. Aliás, como em toda profissão.

Na Antiguidade, em muitos lugares, essas mulheres generosas faziam parte do processo de transformar um menino num homem. Mesmo em rotinas religiosas e espirituais. Na Bíblia, o numero de personagens prostitutas importantes é razoável. Dirão algumas pessoas mais nervosas que isso é "machismo", mas elas não entendem nada de sexo nem de mulher.

Nelson Rodrigues falava de "uma vocação ancestral". Diria eu, um arquétipo. O mundo fica mais pobre cada vez que esta vocação se torna muda. Tranque-a num quarto e seu perfume atravessará as paredes. Seu desejo escorrerá por debaixo da porta. Esconda-a sob véus, ela ressurgirá nos olhos, nos lábios, nos fios de cabelo. Seja nas roupas, na maquiagem, no modo de andar, de se sentar, de cruzar as pernas, de pensar, de sonhar, as melhores mulheres exalam cheiro de sexo como um dos modos de se relacionar com o mundo. Na filosofia se chama isso de erotismo.

A psicologia evolucionista considera a mulher que troca sexo por dinheiro um salto adaptativo. Elas mantêm o poligenismo masculino sob controle porque não exigem investimento afetivo em troca. Antes uma delas do que uma colega de trabalho. Não se pode falar isso, mas todo mundo sabe disso. Com a colega vem o risco da semelhança de interesses, da convergência de gostos, e o pior, a possível sensibilidade compartilhada.

Mas, eis que o Monsieur Normal, leia-se, o chato do François Hollande, presidente da França, resolveu multar quem for pego com uma dessas mulheres generosas. Não vai adiantar, só vai aumentar a violência, o crime, a distancia geográfica entre o homem e a mulher que querem fazer sexo sem complicações.

Mas, seguramente, vai aumentar a arrecadação do Estado, única coisa que socialista entende de economia. No resto, são analfabetos que só atrapalham o mundo. O que alimenta o socialismo como visão de mundo é a inveja dos que não conseguem ganhar dinheiro contra os que conseguem. De novo, o pecado (a inveja), ilumina melhor nossa natureza do que o blá-blá-blá da política como redenção do mundo.

Os "corretos" falam em "profissional do sexo", porque consideram a expressão puta ou garota de programa um desrespeito com essas mulheres. Pura hipocrisia, como sempre, quando se fala de pessoas que querem "um mundo melhor". Como dizia o filósofo Emil Cioran, vizinhos que são indiferentes são melhores do que vizinhos que têm uma "visão de mundo".

Mas, graças a Deus (que nos entende melhor do que esses santinhos de pau oco), essa lei não vai adiantar porque quanto mais se castiga a nudez paga da mulher, mais deliciosa ela fica. Ao final, a mulher que troca sexo por dinheiro, sempre é mais desejada quando encontrá-la fica ainda mais caro.


16 de dezembro de 2013
LUIZ FELIPE PONDÉ, FOLHA DE SP

O QUE É O DINHEIRO?



Transacionar com bitcoins, mais do que um investimento, é um voto de confiança no sistema

O mundo digital mediu grandezas que não podiam ser quantificadas e criou estruturas de valores que colocaram em crise a ideia que se tinha do valor do dinheiro.

Atenção, reputação, fidelidade e intenção de compra hoje são tão mensuráveis e tangíveis quanto títulos e derivativos --e tão voláteis quanto eles. As novas transações deixam claro o que o acordo de Bretton Woods tinha esclarecido aos economistas: que o dinheiro não precisa ter lastro em ouro ou outra commodity, até porque o valor dessas mercadorias é aleatório.

Moedas alternativas não são novidade. Na forma de ações, ouro, pedras preciosas, terras, arte ou influência, quantias gigantescas são trocadas diariamente, nem sempre às claras. Nos aeroportos de paraísos fiscais, contêineres guardam pedras brilhantes, trocadas por seus donos em um sistema que beira o escambo, oculto ao governo.

Mesmo entre os comuns, cuja demanda por liquidez não permite que o patrimônio seja imobilizado em mercadorias, o papel-moeda é rapidamente substituído por cartões de plástico. Os créditos do vale-refeição e do bilhete único são comercializados abertamente. Para quem não tem condições de participar do sistema bancário, moedas alternativas estimulam trocas e o empreendedorismo social. Em países africanos, serviços de transferências de valores e pagamentos digitais via SMS são populares.

Uma das moedas alternativas mais recentes é o bitcoin. Seu lastro é matemática pura, na forma de criptografia. Um código muito complexo foi disponibilizado na internet, gerando moedas virtuais (bitcoins) para máquinas que se dediquem a resolvê-lo. Esse processo, chamado de "mineração", também é usado para validar as transações.

O desafio é logarítmico: começou fácil, gerando muito com pouquíssimo esforço, e se complicou com o tempo. De um total máximo de 21 milhões que estarão disponíveis em 2140, quando o último pedaço for decodificado, 57% já foram criados. Em 2017, a fatia chegará a 75%.

Ao contrário do que se diz, o bitcoin não é sigiloso. Existem várias formas de identificar transações, mesmo que o sistema seja criptografado. Seu maior benefício é o de criar uma moeda descentralizada, livre dos bancos centrais.

Por ser independente, não há quem o controle. Por isso ele oscila tanto. Nos últimos meses valorizou mais de 700%, chegando a um pico de US$ 1.242 por unidade --próximo ao valor da onça de ouro.

Transacionar com bitcoins, mais do que um investimento, é um voto de confiança no sistema. Mas é preciso utilizá-lo. De nada adianta guardar um título sem garantia ou valor de revenda. E é aí que reside o problema. O volume de transações ainda é muito pequeno.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que quase dois terços dos bitcoins nunca foram gastos. Dos comercializados, um grande volume foi para um site de apostas. Outro foi para a Silk Road, site fechado em outubro.

Mesmo assim o BC dos EUA dá sinais de regulá-lo, e a China se manifestou contrária à moeda. Ambos são passos para sua legitimação.

Bitcoin é só uma das novas moedas digitais. Mesmo que não dê muito certo, outras surgirão. E podem fazer com que as economias do mundo finalmente se comportem.
 
16 de dezembro de 2013
 LULI RADFAHRER, FOLHA DE SP

FELIZ 2016? NADA DISSO.


A economia brasileira chega ao final de 2013 com lamentável desempenho. A persistência de uma elevada taxa de inflação, apesar do rígido controle de preços administrados pelo governo, foi um mau sinal. E o baixo ritmo de crescimento, apesar das desonerações fiscais e da ampliação do crédito pelos bancos públicos, foi outro péssimo sinal. O ano que se encerra marcou nossa transição de "nova fronteira de crescimento da economia mundial", no início da grande crise contemporânea, para a atual posição de desfavorecimento entre as opções dos investidores globais.

As expectativas quanto ao desempenho futuro de nossa economia são ainda mais preocupantes.

Não se espera a queda da inflação em um ano eleitoral como 2014. Sem maior controle sobre a expansão dos gastos públicos, resta ao Banco Central correr atrás de expectativas inflacionárias desfavoráveis, derrubando o crescimento com a alta dos juros. As nuvens do baixo crescimento e da inflação elevada em 2014 começam a projetar sombras adversas também para 2015.

Haveria novo salto inflacionário pelo desrepresamento dos preços administrados e outra rodada de elevação dos juros logo no início do novo mandato presidencial. Tudo isso ainda sem falar na redução dos estímulos monetários pelo banco central americano.

A desaceleração das economias emergentes e as perspectivas de recuperação americana e de estabilização europeia explicam o baixo desempenho das bolsas emergentes diante dos mercados acionários das economias avançadas.

Mas as razões de ficarmos para trás mesmo entre as bolsas emergentes estão na deterioração gradual da qualidade de nossas políticas macroeconômicas, de nossos fundamentos fiscais e nossos desacertos nos marcos regulatórios dos setores de energia e petróleo.

O que fazer? Dormir e acordar apenas em 2016? Nada disso. Habituado a navegar contra ciclotímicas expectativas, reafirmo duas hipóteses básicas. Sim, não havia mesmo nenhum "perigo" de a situação melhorar, pois somos prisioneiros da armadilha social-democrata do baixo crescimento. Mas somos, por outro lado, uma sociedade aberta em construção. Extrapolações simplistas de mais dois anos de crise são impróprias. Ou a equipe econômica muda sua política, ou Dilma muda sua equipe econômica, ou o Brasil vai mudar de presidente.

16 de dezembro de 2013
Paulo Guedes, O Globo

ZOOLÓGICO DE POBRES FASCINAM TURISTAS

Desde meus primeiros dias de Europa, nos anos 70, observei prática que nunca entendi, a atração dos europeus pelas favelas do Rio. Jamais visitei uma favela e jamais me ocorreria visitá-las. Da miséria e do tráfico só quero distância. Mas já vi alemães, suecos e franceses encantados com uma visita aos morros. Na última Veja, leio entrevista com a antropóloga Bianca Freire-Medeiros, autora do livro Gringo na Laje - Produção, Circulação e Consumo da Favela Turística. Segundo a pesquisadora, a violência é o que mais seduz os turistas. "Ela é um atrativo. O filme Cidade de Deus, por exemplo, vende a imagem de que a favela é um lugar extremamente violento, de alto risco: os turistas querem ir lá motivados por isso", diz Bianca.

Grossa bobagem. A atração pelas favelas antecede em muito o filme. Atração não só por favela, como por tudo que é pobre e miserável no Brasil. Certa vez, nos anos 70, fui a um terreiro de umbanda. Mais precisamente, no Belfort Roxo, uma das mais conflagradas zonas do Rio de Janeiro. Obviamente, não fui por conta própria. Fui a convite de um diplomata francês. Que acreditava piamente que aquelas malucas girando sobre si mesmas estavam possuídas por alguma entidade. Curiosamente, entramos no terreiro com as bênçãos de um bispo católico.

Segundo a reportagem, o turismo em favela começou com a ECO 92, quando se passou a levar estrangeiros à Rocinha - pessoas ligadas em ecologia e interessadas em alternativas ao turismo de massa. É possível. Mas a atração fatal dos europeus do norte pelas favelas em muito antecede 92. Disse europeus do norte. Espanhóis e portugueses não são tão naïves, a ponto de sair a viajar para ver miséria.

Para a antropóloga, o turista busca situações de risco. Quer ver gente armada. “Mas, na maior parte das vezes, o turista não vê ninguém armado, porque as agências procuram evitar os locais de venda de drogas, que são menos seguros. Ninguém passa na "boca", por exemplo. Vale dizer que, para o turista, isso não faz muita diferença. Para ele, basta saber que há pessoas armadas na favela e que ele está numa situação de risco, para que haja excitação”.

Mais outra bobagem de pesquisador de gabinete. No Afeganistão, na Palestina, na Chechênia, armas e situações de risco é o que não falta. Mas europeus não fazem turismo por lá. Europeus gostam mesmo é da miséria dos trópicos. E turismo rende grana. Os turistas da miséria sabem que as armas dos traficantes estão lá para protegê-los. Afinal, não vão matar a galinha de ovos de ouro. Não é o mesmo na Palestina ou Afeganistão, onde há uma perigosa animosidade contra ocidentais.

Em meio a tantas bobagens, a antropóloga diz algo inteligente. É a chispa da ferradura quando bate na calçada, como diria Agripino Grieco. “Acho que a grande questão é explicar a transformação da pobreza em atração: os turistas estão em busca de uma situação de precariedade que eles desconhecem”. Bingo! Nunca fiz pesquisas científicas sobre essa atração mórbida, mas tenho quase certeza de que o turista europeu ou americano, ao contemplar uma favela, se regozija: feliz de mim que não vivo nestas condições.

A meu modo, até que gosto de favelas. Mas de outras favelas. Se você viajar pela Costa Amalfitana, na Itália, verá a mesma estrutura urbana do Rio em Positano, Amalfi, Ravello, Capri. Casas subindo morro acima. Mas casas de quem tem alto poder aquisitivo. Os ricos, na Itália, não foram idiotas como os ricos brasileiros. Subiram o morro antes que os miseráveis o tomassem. Uma outra cidade que tem esta mesma estrutura é Fira, na ilha de Santorini, na Grécia. Mas... é um dos recantos mais lindos do mundo. Nada de tráfico, quadrilhas armadas, miséria. Apenas beleza (de sufocar), magia, luxo, exotismo. Sobe-se até Fira com mulas. Os cariocas estão planejando teleféricos para facilitar a visita aos redutos de traficantes. Ora, mula é muito mais barato. E tem mais charme.

“Todo turista sabe que pode ser acusado de fazer algo de mau gosto, de participar de um zoológico de pobre. Mas, entre aqueles que entrevistei, não houve um que tenha saído insatisfeito do passeio” – diz a antropóloga. Claro que não. Visitar zoológico de pobre revigora a alma de um europeu. Um francês tem em Paris algo análogo à favela, e subindo um morro, Montmartre. É a Goutte d’Or, reduto de árabes logo abaixo da basílica de Sacré-Coeur. Parisiense evita a Goutte d’Or. À medida em que a mancha árabe se expande, cai o preço do metro quadrado. Miséria só tem charme ailleurs. Là-bas, como se diz por lá.

Segundo a antropóloga, “há coisas que não podem faltar. Não pode faltar a laje, onde os turistas tiram foto da paisagem e ouvem um discurso explicativo, coisas como "Ali embaixo, você vê a escola americana, que custa tão caro, e isso mostra como esse país é desigual. A laje é um momento pedagógico, impactante para o turista, que dali vê um oceano de casas, com o mar azul ao fundo."

Laje por laje, prefiro as de Santorini. Ou Positano. Quanto a oceano de casas, prefiro um oceano de águas. Tampouco viajo para contemplar do alto a finada luta de classes. Os turistas de zoológicos de pobres parecem não se dar conta de que, ao visitar favelas, estão financiando – e legalmente – os redutos de traficantes.

No fundo, o que em francês se chama de mauvaise conscience. Má consciência. Como isto é coisa que jamais alimentei, prefiro as favelas do Tirreno ou do Egeu.


16 de dezembro de 2013
janer cristaldo