"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MILTON VALDAMERI: O JORNALISMO DECADENTE


Os grandes meios de comunicação no Brasil pouco conseguem apresentar além da previsão do tempo, jornalismo que é bom, virou raridade. A Revista Veja consegue ser uma exceção, mas também não é possível saber até aonde vai essa exceção, pois não há outro veículo semelhante para fazer uma comparação. O jornalismo no Brasil está sendo preservado através de alguns blogs, mas que algumas vezes não se envergonham de censurar os mais simples comentários.
Entre os jornalistas que fazem um trabalho diferenciado, está o Reinaldo Azevedo, mas que infelizmente pratica o “controle social da mídia” com a mesma desenvoltura dos “petralhas”. O ilustre jornalista, campeão de audiência no site da Veja, censurou um comentário onde afirmo que a Terra gira ao redor do Sol, algo que não foi censurado nem mesmo pelo Santo Ofício.
Antes de apresentar o comentário na íntegra, é importante mencionar a postagem onde o mesmo foi apresentado. O jornalista Olavo de Carvalho publicou recentemente um livro intitulado “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, que foi contemplado com uma excelente postagem do seu amigo Reinaldo Azevedo, apresentei um comentário sobre algo que considero como conhecimento mínimo para não ser um idiota, sem abordar o livro propriamente dito, que por sinal ainda não li, mas pretendo ler.
 
O livro, com mais de 600 páginas, é uma coletânea de textos do próprio Olavo de Carvalho. Embora eu não tenha lido o livro (ainda), posso apresentar o seguinte comentário sobre a obra e sua pretensão: o autor afirma que o mínimo que alguém precisa para não ser um idiota, é conhecer os textos escritos por ele. Não apresentei este comentário no blog do Reinaldo Azevedo, mas se tivesse apresentado deveria ser respeitado pela legitimidade lógica.
O comentário que apresentei foi o seguinte: “Comentar uma obra com título tão ousado é realmente desafiador. O melhor comentário que posso fazer é o seguinte: o mínimo que alguém precisa saber para não ser um idiota, é que a Terra gira ao redor do Sol e este é um fato de fácil demonstração”. Meu comentário foi sutil, mas foi direto e contundente, pois o Sr. Olavo de Carvalho afirma que nunca foi provado que a Terra gira ao redor do Sol, no entanto considera idiota todos aqueles que não conhecem seus textos. A censura ao meu comentário não deixa dúvidas, quem está ABAIXO da crítica não suporta nenhuma crítica.
 
 
Milton vai direto ao ponto que eu me bato sempre: os egos de Reinaldo e Olavo são bem maiores que as suas reais capacidades de conhecimento, que são enormes, diga-se de passagem. O medo de tê-los feridos faz dos dois uma parelha de censores de respeito. Logo eles que se dizem contra...
 
Ambos são covardes porque se valem das suas inteligências - relativas - e de seus conhecimentos, única e exclusivamente para bater em gatos mortos, à exceção do arranca-rabo que Olavo e Rodrigo Constantino protagonizaram há uns três anos, quando, sem dúvida, Rodrigo, sem se valer de xingamentos, corriqueiros nos pronunciamentos de Olavo, levou grande vantagem. Mas, via de regra, fogem da polêmica com quem tem QI um pouco acima de uma ameba como o diabo foge da cruz.
 
Assim é mole! Até eu, que sou muito mais burro que eles, encaro a parada e digo mais: baseado nessa “escolha de Sofia” encaro qualquer petralha que me venha pela frente - não há vida inteligente no PT. Quero vê-los argumentar com gente com algum estofo e não com pobres coitados ou com suas claques de olavetes e reinaldetes.
 
04 de setembro de 2013

MELHOR O SILÊNCIO...

Valdemar Costa Neto tem falado demais e não lhe compete escolher onde cumprir pena de prisão

Quando um réu em processo criminal começa a atacar o magistrado que o condenou é porque o gongo final está perto de soar. Assim tem se comportado o ainda deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), que sem esperança de reverter a pena de prisão passou a atacar o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal e relator da Ação Penal 470 (Mensalão do PT).

Decidido a cumprir pena em regime semiaberto na capital dos brasileiros, Valdemar Costa Neto, o Boy, atacou o presidente do STF durante entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, do jornal “Folha de S. Paulo”. Em primeiro lugar é preciso lembrar que não cabe ao condenado escolher o local do cumprimento da pena, mesmo que em regime semiaberto.
A Lei das Execuções Penais leva em consideração alguns fatores para a fixação do local da pena, que não os interesses terceiros do apenado. Sendo assim, Costa Neto deve aguardar a conclusão da Ação Penal 470 para depois falar sobre onde cumprirá a pena de prisão.

Na entrevista, o “deputado mensaleiro” disse que Barbosa é “recalcado, desequilibrado e mal educado”. Fora isso, Costa Neto afirmou que o ministro cometeu uma ilegalidade na compra de apartamento em Miami. Para adquirir o imóvel na cidade norte-americana, o presidente do STF constituiu uma empresa no estado da Florida, o que não configura ilegalidade, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

O único ponto passível de discussão da operação é o endereço da empresa, que no contrato consta como sendo o do apartamento funcional ocupado por Joaquim Barbosa. Fato é que uma empresa eminentemente norte-americana não pode funcionar fora dos Estados Unidos. Ou seja, o endereço que consta do contrato de constituição da empresa é mera formalidade e serve apenas para envio de correspondência.

No tocante a desequilíbrios, Valdemar Costa Neto não é a pessoa mais adequada para tratar do assunto. Em relação a ilegalidades, o homem forte do Partido da República, depois de um processo como o do Mensalão do PT, deveria adotar o chamado silêncio obsequioso. Até porque, há muito mais provas sobre o Mensalão que ainda não chegaram ao Supremo ou à Procuradoria-Geral da República. E para que isso aconteça basta a boa vontade de alguns poucos que conhecem os bastidores do maior escândalo de corrupção da historia brasileira que se tem notícia.

Que Valdemar Costa Neto quer tumultuar os derradeiros momentos do julgamento do Mensalão do PT todos sabem, mas esse comportamento é típico de quem começa a jogar a toalha diante do inevitável. Isso mostra que são cada vez menores as chances de o STF acolher os embargos infringentes, o que obrigaria a Corte à realização de um novo julgamento para um grupo de condenados.

04 de setembro de 2013
ucho.info

ANTECIPANDO OS FATOS

Remissão de pena de José Dirceu depende da boa vontade do juiz da Vara das Execuções Penais

A exemplo de Valdemar Costa Neto, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu de Oliveira e Silva já começa tomar decisões acerca da pena de prisão (10 anos e 10 meses) que terá de cumprir após a fase recursal da Ação Penal 470 (Mensalão do PT).

Acusado de ser o chefe maior dos mensaleiros, Dirceu, que inicialmente terá de cumprir pena prisão em regime fechado, em função da dosimetria da mesma, disse que reduzirá o período de encarceramento por meio de trabalho, possivelmente na cozinha ou na lavanderia da unidade prisional.
Essa declaração mostra que a defesa do ex-chefe da Casa Civil não tem certeza sobre o acolhimento dos embargos infringentes por parte do Supremo Tribunal Federal.

Faz-se necessário lembrar que não cabe ao preso decidir sobre o processo de remição da pena, que depende da concordância do juiz da Vara de Execuções Penais. Ao apenado cabe apenas o direito de, existindo a possibilidade, escolher o trabalho a ser prestado no presídio e que garantirá a remissão da pena, na proporção de três dias trabalhados para um de pena.

Todos sabem que Dirceu, por sua notoriedade como político, terá regalias no cárcere, mas não se pode ignorar a figura do juiz responsável pela execução da pena, que pode suspender o processo de remissão a qualquer momento. Que não pensem os brasileiros que José Dirceu deixará de tirar proveito político do evento. A ideia é que, encerrado o período de cumprimento no regime fechado, o petista sairá nos braços do povo na condição de herói e injustiçado.

Fora isso, José Dirceu trabalha de forma reclusa e silenciosa em um projeto que pode, no momento da prisão, causar comoção entre seus seguidores. O plano está sendo observado com cautela inclusive por amigos, que, todavia, não duvidam do perfil frio e calculista do ex-comissário palaciano.

04 de setembro de 2013
ucho.info

FIM DO MONOPÓLIO

PEC de Rubens Bueno que altera escolha de ministros do STF ganha parecer favorável

A mudança na maneira com que são escolhidos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sugerida por meio de uma PEC de autoria do líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), teve importante desdobramento nesta semana com a decisão do deputado Alberto Filho (PMDB-MA) de votar pela admissibilidade da proposta que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O colegiado é responsável por analisar a constitucionalidade da medida, antes da instalação de uma comissão especial para debater o mérito. Alberto Filho é o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 17/2011 que, segundo ele, pode avançar porque não fere à Constituição. O relatório dele está pronto agora para entrar na Ordem do Dia da Comissão.

Atualmente, os onze ministros do Supremo são escolhidos pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Pela proposta, a aprovação pelo Senado será mantida, mas à Presidência caberá a escolha para somente duas vagas. As outras nove vagas serão divididas entre: o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Procuradoria Geral da República (PGR), a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Segundo o relatório de Alberto Filho, a PEC 17 “visa preservar o postulado da separação dos Poderes, pois a indicação pelos três Poderes de Estado e por instituições que exerçam funções essenciais à Justiça conferirá maior qualificação e equilíbrio às designações de ministros do Supremo Tribunal Federal”. O relator ainda afirmou que, com a nova forma de escolha dos magistrados, “a personalização comum às indicações feitas unicamente pelo Presidente da República será substituída pela impessoalidade que deve guiar o procedimento de nomeação dos juízes da Suprema Corte”.
Rubens Bueno argumenta que o STF exerce um papel não somente jurídico mas também político.

“Não se pretende aqui condenar as motivações políticas adotadas pela instância máxima do Poder Judiciário. Pelo contrário, há que se destacar a importância dessas motivações nas decisões jurídicas. Exatamente por isso é que se torna imperioso assegurar sua total independência”, disse.
De acordo com a proposta, a escolha dos ministros ficará dividida da seguinte maneira:

– três ministros indicados pelo STJ entre os próprios ministros do STJ;

– dois ministros indicados pela OAB entre os advogados com mais de dez anos de atividade profissional. Nesse caso, é proibida a indicação de quem ocupe ou tenha ocupado a função de conselheiro no período de três anos antes da abertura da vaga;

– dois ministros indicados pelo procurador-geral da República entre os integrantes do Ministério Público com mais de dez anos de carreira. Nesse caso, é proibida a autoindicação ou a indicação de quem tenha ocupado a função no período de três anos antes da abertura da vaga;

– um ministro indicado pela Câmara dos Deputados. Nesse caso, é proibida a indicação de um deputado da mesma legislatura;

– um ministro indicado pelo Senado Federal. Nesse caso, é proibida a indicação de um senador da mesma legislatura;

- dois ministros indicados pelo presidente da República. Nesse caso, é proibida a indicação de ministro de Estado, do Advogado-Geral da União ou de quem tenha ocupado tais funções nos três anos anteriores à abertura da vaga.
Ocupação das vagas

A PEC define que os cargos de ministro que forem sendo abertos serão ocupados, um a um, de acordo com a ordem descrita acima. Por exemplo: a primeira vaga será do STJ, a segunda, da OAB, a terceira, da PGR e assim por diante. Depois da primeira rodada, serão preenchidas as segundas vagas de cada órgão ou entidade, se houver. Após o preenchimento da terceira vaga do STJ, o ciclo ficará completo.

Quando todos os ministros do STF forem selecionados de acordo com a nova regra, a escolha passará a seguir uma norma-padrão: o posto vago será ocupado da mesma forma com que ele foi preenchido anteriormente.

04 de setembro de 2013
ucho.info

MANOBRA DE OCASIÃO

Mensalão do PT: desconexo, recurso de Breno Fischberg pode embolar julgamento do Supremo

Há no Supremo Tribunal Federal o desejo patente de alguns ministros de mandar o julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão do PT) pelos ares, como se tudo o que foi feito até agora nada valesse. E o estopim é Breno Fischberg, sócio de Enivaldo Quadrado, também condenado, na corretora Bônus-Banval.

Condenado pelo plenário da Corte, Breno Fischberg, por meio de seus advogados, usou o embargo de declaração para questionar a dosimetria da pena, tendo como base a condenação de outro réu no processo. Parte dos magistrados, ignorando a essência do embargo de declaração, aderiu à tese de Fischberg, atropelando até mesmo a mais frágil teoria do Direito. Embargos de declaração, como o próprio nome sugere, servem para dirimir eventuais dúvidas no título processual condenatório, sendo vedada qualquer mudança na dosimetria da pena por meio desse instrumento.

Vale ressaltar que acolher o recurso de Breno Fischberg, mesmo que fora de propósito, pois, como citado, embargos de declaração não servem para esse fim, significa atropelar o princípio da individualização da pena, uma dos balaustres do Direito Penal que em qualquer hipótese pode ser desrespeitado. O maior defensor do embargo de Fischberg, amparado pelo voto do ministro Luís Roberto Barroso, é Ricardo Lewandowski, revisor da Ação Penal 470 e que manifestou sua disposição de conceder um habeas corpus de ofício ao condenado.

O que se tenta, na verdade, é, na reta final do julgamento e com os mandados de prisão batendo à porta, colocar sob questionamento a forma como foram calculadas as penas, o que ensejaria um novo julgamento. Não pensem os brasileiros que os mensaleiros condenados jogaram a toalha, pois nos bastidores do Judiciário é grande a pressão para que uma saída surja em cena no minuto derradeiro da prorrogação. E usar a pena de um réu fora do núcleo político do Mensalão do PT é a estratégia adotada pelos advogados dos condenados.

Que o País, do Oiapoque ao Chuí, acompanhe com a atenção os momentos finais desse julgamento histórico, uma vez que está em jogo o resgate da moralidade na política, mesmo que em doses mínimas.

04 de setembro de 2013
ucho.info

TIRO CERTEIRO

Jornal alemão confirma matéria do ucho.info sobre vínculo da Siemens com o governo do PT

Como já era esperado, o caso “Siemensgate” saiu do noticiário com o fim do vazamento seletivo de documentos, por parte do Cade, para setores da imprensa. Em mais um jogo sórdido, o PT manteve o assunto em pauta até o momento em que as investigações alcançaram o próprio governo federal, que tem a empresa alemã em muitos dos seus projetos.

Quando o caso começou a avançar, com petistas fazendo acusações contra o governo paulista, há anos nas mãos do PSDB, o ucho.info afirmou que o assunto cessaria no momento em que se aproximasse dos negócios da Siemens com a Copa do Mundo de 2014. Diante da necessidade de se manter um padrão de segurança nos estádios da Copa, o governo, por meio do Ministério da Justiça, encontrou na Siemens a empresa capaz de fazer a integração de todos os sistemas dedicados ao tema.

A exemplo do que sempre acontece, o Palácio do Planalto, que diariamente acompanha o nosso conteúdo jornalístico, não contestou a matéria, até porque não dá para negar o inegável. Para que o assunto saísse do foco, a presidente Dilma Rousseff despachou o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, para os Estados Unidos. Fazendo o papel de segundo chanceler genérico – o primeiro é o trotskista Marco Aurélio Garcia, Cardozo foi a Washington em busca de solução para as primeiras denúncias sobre espionagem realizada pela National Security Agency (NSA).

Com José Eduardo Cardozo fora da cena política, o caso da Siemens foi minguando no noticiário, mas um jornal alemão confirmou a nossa informação. De acordo com o Süddeutsche Zeitung, as irregularidades em negócios praticados pela Siemens no Brasil foram denunciadas à matriz em 2008, ou seja, depois da promessa de mudança por parte da diretoria da empresa e bem antes da denúncia às autoridades antitrustes brasileiras. O jornal da Bavária sugere que a multinacional não investigou os fatos à época para não ficar em desvantagem n

a disputa por contratos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016.
Resumindo, o telhado de vidro do PT no caso Siemens é enorme, além de ter sido proposital o vazamento de documentos relacionados à investigação de suposto cartel, liderado pela empresa alemã, para fornecimento de material metroferroviário aos governos de São Paulo e do Distrito Federal. O presidente do Cade, Vinícius Duarte de Carvalho – sobrinho de Gilberto Carvalho – nega o fato, mas o avanço do tempo e o recuo do PT têm provado o contrário.

04 de setembro de 2013
ucho.info

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

Evo, o Imorales



João Goulart tinha acabado de assumir a Presidência da Republica em setembro de 1961, depois da renúncia de Jânio e da quase guerra civil para impedir o veto dos ministros militares à sua posse. Estava exausto, uma noite, no Palácio da Alvorada, chamou o sábio Raul Ryff, assessor de imprensa e fiel e silencioso amigo de uma vida inteira:
- Vamos dar uma volta, Ryff. Estou cansado demais.
Pegou um fusca, saiu dirigindo pela adormecida solidão de Brasília. Deixou o Eixo Monumental, meteu-se pelas bordas das superquadras, as   margens do lago e os ínvios caminhos de Taguatinga. O céu unânime lá em cima e os dois rodando para aliviar a dura cangalha do poder.

DILMA

De repente pararam diante de um caminhão de faróis acesos. Estavam na contramão. Jango pôs o fusca sobre o meio fio, deu passagem. O motorista parou bem junto a ele :
- O senhor podia me fazer um favor?  Eu não sou daqui. Estou chegando de Pedra Azul, lá em Minas. Não conheço Brasília. Como é que eu faço para chegar à última quadra da Asa Norte?
- Desculpe, mas eu também não sei. Eu sou novo aqui.
E foi em frente, na noite, exausto do poder.
Dilma também está exausta do poder, coitada. Não é dali, de Brasília. Menina de Minas, professora do Rio Grande, caiu de paraquedas no Planalto. Contou ao ministro Lobão que em incerta madrugada pegou uma  moto e saiu rolando pelas distâncias de Brasília, para limpar a alma…

PALMERIO

Outras historias do poder. Mário Palmério, o romancista telúrico de “Vila dos Confins”, era embaixador do Brasil no Paraguai. Toca o telefone:
- Dom Mário, estava precisando falar com o senhor.  Pode passar aqui pela manhã? Às cinco.
- Da manhã?
- Sim. Chego sempre ao Palácio às cinco. É melhor para conversar.
- Presidente Stroessner, em nome da amizade do Brasil com o Paraguai essa conversa não podia ser às 11 da manhã?
Foi às onze.

STROESSNER

Mário Palmério, escrevendo romances geniais e compondo belas guarânias (“Saudade” é uma das três músicas mais populares do Paraguai), fez da Embaixada do Brasil em Assunção um asilo de políticos  da oposição. Uma tarde chega o então ministro do Exterior, Sapeña Pastor:

- Sr. Embaixador dom Palmério, nosso país deseja e precisa manter as melhores relações com o Brasil. Mas o senhor tem aqui na Embaixada, asilados, mais de 40 inimigos nossos e isto causa os maiores problemas para o governo. O senhor não podia tomar uma providência?

- Pois não, Sr. Ministro. Já estou tomando. Vamos lá em cima, no segundo andar, para o senhor ver a beleza de apartamento que estou preparando para asilados de luxo.
- Mas esta é uma brincadeira de mau gosto.

- Não é, não, Sr. Ministro. O general Stroessner, seu presidente, em outros tempos já foi hóspede desta Embaixada do Brasil.O senhor, em qualquer eventualidade, também pode contar conosco.
Sapeña Pastor saiu e nunca mais tocou no assunto.

ALVARO LINS

Em junho de 1957 Juscelino nomeou embaixador em Portugal o inesquecível pernambucano Alvaro Lins,  dos nossos  maiores intelectuais. Em janeiro de 1959 Alvaro deu asilo na embaixada ao general Delgado, que Salazar queria matar porque Delgado saiu  candidato a presidente da República. Salazar ameaçou invadir a embaixada. Alvaro Lins reagiu.

Quando o general deixou a embaixada para disputar, Salazar o matou.
Serra,  Weffort, Teotônio  Santos, Cesar Maia, José Maria Rabelo, tantos, poderiam ter sido mortos no Chile se não tivessem tido asilo dos EUA, França, Alemanha, México, contra  Pinochet que poderia matá-los. Metade do governo Dilma não existiria se não houvesse asilo político.

Dilma não pode desmoralizar a tradição de asilo do Brasil, punindo o bravo embaixador Saboia que salvou a vida do senador Molina, só para atender a um presidente que na Bolívia é conhecido como Evo “Imorales”.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA HELIO FERNANDES

Ninguém responsabilizará Toffoli? Onde estão o presidente e o corregedor do CNJ? 246 Planos de saúde roubam milhões dos ‘segurados’. O ministro Barroso jogou tempo fora, a Câmara pode CASSAR logo o Donadon-ladrão. O fim do voto secreto já é um avanço.



O voto do ministro Luis Roberto Barroso sobre o ladrão Donadon, insosso, inseguro, inócuo, incipiente, até contraditório, nenhuma importância. Prolixo (cuidado com a leitura da palavra), complicado, tentativa de exibir cultura ou erudição, puro desperdício de tempo. Aquela elocubração, vá lá, cálculo de 1/6 da pena “maior do que o resto do mandato”, data vênia, não merece nem gargalhada.

A frustração fica mais do que visível, quando afirma: “Quem devia CASSAR o deputado presidiário (textual) era a Mesa da Câmara e não o plenário”.

Ora, ministro, o PLENÁRIO É SOBERANO. A Mesa, mais vulnerável, incompetente, maleável. Provavelmente livraria o deputado com muito mais facilidade, irresponsabilidade e até incredibilidade.

O relator Luis Barroso é que não podia deixar com mandato um cidadão (?) que teve os direitos políticos suspensos. Sem direitos, alguém pode disputar qualquer cargo? O próprio Barroso diz que não.

Mas apenas SUSPENDEU a sessão vergonhosa. O que é uma SESSÃO SUSPENSA? Pelo menos podia ANULÁ-LA, mais racional, compreensível e objetiva.

A Câmara logo se apressou em colocar na pauta uma das emendas à Constituição que acabam com todas as votações secretas no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, na Câmara Legislativa do Distrito Federal e nas câmaras municipais. A escolhida foi a PEC 349, que recebeu 452 votos favoráveis à proposta. Apenas o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se absteve, por questão regimental. A proposta segue agora para a apreciação do Senado Federal.

Mas a discussão do caso Donadon prossegue no Supremo, onde surgiu um desentendimento de certa gravidade entre dois ministros, Gilmar Mendes e Luis Barroso, que se aborreceu com as críticas à sua contraditória decisão.

Gilmar Mendes disse que Barroso criou o “mandato-salame” e reclamou da criatividade do mais novo ministro do Supremo. Barroso logo protestou, dizendo que o Supremo não deve debater suas decisões na imprensa, e sim no plenário. Hoje, os dois estarão frente a frente, votando o mensalão (Ação Penal 470), os ânimos estão exaltados e podem voltar a se desentender.

MINISTRO TOFFOLI INSUSPEITO

O Estadão, do alto de seus 5 mil anos de jornalismo, fez denúncias seriíssimas sobre a conduta do ministro Toffoli. E criticou o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, por não denunciar Toffoli.

1 – Toffoli comandou a Advocacia-Geral da União, antes de surpreendentemente ir para o mais alto tribunal do país.

2 – Adams, que agora ocupa o cargo, não quer quebrar o silêncio. Também foi acusadíssimo no caso das ilhas de São Paulo, ninguém sabe a razão de não ter sido demitido.

Explicação desnecessária-necessária: como coloquei no título dessas notas, “Toffoli insuspeito”, muita gente me perguntaria: por que apoio Toffoli? Nada disso, apenas respeito ao vernáculo: se ninguém acusa Toffoli de ser SUSPEITO, então ele é INSUSPEITO.

O Brasil é tão contraditório que Toffoli poderia até tentar ser incluído no magistral filme do italiano Elio Petri, “Um cidadão acima de qualquer suspeita”. Comprometidíssimo.

A EXTORSÃO DOS PLANOS DE SAÚDE

O governo suspendeu 246 “planos” de saúde, por excesso de irregularidades (centenas de milhares de possuidores desses planos, passando da casa dos milhões, pagam e não têm direito a coisa alguma. Levam semana e até meses para conseguirem atendimento, e muitas vezes são mandados para o SUS, que é estatal).

É um sistema criminoso, altamente rentável. E se os clientes não pagam no dia do vencimento, imediatamente são “desatendidos”, uma redundância, pois sempre foram desprezados. Esses “planos” custam caríssimo, os mais baratos (?) ficam entre 360 e 400 reais mensais, quase um salário mínimo.

O QUE FARÁ O GOVERNO?

“Proibiu” de contratarem novos clientes, POR 3 MESES. Explicam: “Os clientes atuais continuarão sendo atendidos”. Ninguém pode viver sem um plano de saúde, já que o SUS (uma boa ideia) não cumpre suas funções.

Esses planos (246 foram suspensos, mas 142 acabam de ganhar o direito de voltar a fazer vendas, através de liminar aceita pela Justiça) voltam mais ricos do que nunca. E muitos são multinacionais, vieram para o Brasil, sabem que somos a oitava maravilha do mundo em matéria de corrupção e subserviência.

APENAS DOIS EXEMPLOS

1 – Um riquíssimo e poderoso plano de saúde dos EUA mandou representantes para cá, compraram uma empresa, que na ordem de importância nem existia. Logo começou a comprar tudo, ficou importante. O Hospital Samaritano, o Pró-Cardíaco e outros passaram à sua propriedade.
Criminosa, irresponsável e impunemente, fizeram remanejamento entre os clientes. Quem havia comprado plano com 3 ou 4 hospitais, ficou com 1, e outro que ninguém sabe onde será.

2 – A cumplicidade é total entre médicos, hospitais e os que se dizem empresários. O grande cineasta americano Michael Moore (que havia feito “Tiros em Columbine” e faria o terrível libelo sobre as criminosas “SUB-PRIMES”, que deram início à crise atual, que começou no governo de George W. Bush) revelou que milhões perderam suas casas enriquecendo mais de 5 mil donos de bancos (Isso mesmo, MAIS DE 5 MIL).

O CRIME DOS PLANOS DE SAÚDE

“Sicko – SOS Saúde” é um filme que todas as autoridades do setor deveriam ver pelo menos uma vez por semana, até saber tudo de cor. O que Moore conta é vergonhoso. E não é só nos EUA, aqui também.

Só para que ninguém se engane: A Amil, que não existia no Brasil, depois de comprar tudo o que queria, foi “vendida” para os EUA por 2 BILHÕES.

Mas continua aqui, explorando milhões de brasileiros, que não têm quem os defenda. Os planos NÃO SERÃO PUNIDOS, o governo dirá: “Não houve IRREGULARIDADE, apenas IMPOSSIBILIDADE de atendimento”.

E continuarão roubando, é de ROUBO que se trata, os incautos e indefesos trabalhadores, M-I-L-H-Õ-E-S.

PS – Afirmação provada e comprovada por Moore: “Os EUA têm 300 milhões de habitantes, 150 milhões não têm plano algum. E os outros 150 milhões têm planos, mas não conhecem seus direitos. São frustrados pelos donos dos planos, com a COLABORAÇÃO dos médicos”.
Não foi refutado, desmentido ou processado.
 
AGNELO, GOVERNADOR DO
PCdoB, PERDÃO, DO PT

 
Acusado de irregularidades, mas protegido, muitos falavam de seus bens, da linda mansão, restrições gerais. Queria ser governador do DF, pediu ajuda a Lula. Resposta: “Você é do PCdoB, não posso apoiá-lo”.
 
Rapidíssimo, falou: “Eu entro no PT imediatamente”.
 
O presidente disse que assim “talvez” fosse possível. Foi, se elegeu. Mas quase naufragou na CPI mista que começou barulhenta, acabou silenciosa para salvar o próprio Agnelo, Serginho (Cavendish) e o governador de Goiás Marconi Perillo.
 
Agora, Serginho não sabe o que fazer, atormentado pelo “fora Cabral”. O de Goiás tenta fingir que não existe nada contra ele. Agnelo volta às manchetes negativas. Pedem seu impeachment. Se conseguissem, que maravilha viver.
 
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PS – João Batista, tua pergunta sobre os 92 milhões de processos na Justiça precisa ser repetida e retumbada: “Onde está a Corregedoria do CNJ?”.
 
PS2 – João, foi o próprio presidente do CNJ que criou o sistema de redução da morosidade, quer que pelo menos 50% deles tenham solução, mas não toma a iniciativa.
 
PS3 – Com a proibição de esconderem o rosto, os manifestantes reagiram carnavalescamente. E promoveram na Cinelândia, ontem à noite, concorrido e entusiasmado baile de máscaras.

04 de setembro de 2013
 Helio Fernandes

O HUMOR DO DUKE

Charge Super 03/09
 
04 de setembro de 2013


LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR...

 
04 de setembro de 2013
Millôr Fernandes


RELIGIÕES EM MUTAÇÃO: DA CONSTATAÇÃO À INTERPRETAÇÃO E À CONTESTAÇÃO


1
 
As religiões têm que se adaptar à mentalidade das pessoas do terceiro milênio. As ideias teológicas de hoje não podem mais ser as mesmas do passado, pois a evolução cultural torna superados os conceitos antigos de Deus, e mesmo porque alguns deles foram impostos a ferro e fogo, e não pelo bom senso, a lógica e a razão. Daí os conflitos e a separação que surgiram entre a ciência e as religiões.

Os cientistas diziam que a ciência cuidava do estudo da matéria, e que as religiões e os teólogos cuidavam do espírito. Foi Kardec que deu o primeiro passo para acabar com essa divisão entre a ciência e as religiões. Cientista que era, interessou-se por estudar os fenômenos que envolvem espíritos, que, com exceção dos espíritas, são denominados errada e supersticiosamente de sobrenaturais.

O espiritismo prega uma imortalidade dinâmica dos espíritos que, exatamente por serem imortais, se comunicam conosco. Já o cristianismo tradicional, de mãos dadas com o materialismo, age como se enterrasse não só os corpos dos que morrem, mas também os seus espíritos, pois têm horror por esse assunto! Mas eles só saem do corpo que volta ao seu pó (Gêneses 3: 19; e Eclesiastes 12:7). A Bíblia e as outras escrituras sagradas ensinam a realidade da comunicação dos espíritos dos mortos com os vivos. E se Moisés, não Deus, em Deuteronômio capítulo 18, proíbe o contato com os espíritos dos mortos, é porque tal contato existe mesmo, ou Moisés era doido de proibir o que não existe?

PROIBIÇÃO

Essa sua proibição se deve ao fato de as pessoas do seu tempo, de um modo geral, não estarem preparadas para a prática da mediunidade, ou faziam comércio com ela. E o próprio espiritismo recomenda, hoje, que não se pratique a mediunidade sem um conhecimento profundo do assunto.

Mas Moisés até elogia os profetas (a partir de Kardec, se diz médiuns) Medade e Heldade, os quais estavam recebendo espíritos que profetizavam através deles (Números 11: 24 a 30).
Diz a Bíblia (Eclesiástico 46: 20) que Samuel profetizou até depois de morto, ou seja, já desencarnado! E Jesus e os médiuns ostensivos ou especiais Pedro, João e Tiago receberam a comunicação de Elias e Moisés que tinham vivido, já havia séculos, aqui na Terra. São Paulo nos mostra também essa prática da mediunidade: “Ó Deus, Senhor da glória, enviai-nos um espírito de sabedoria” (Efésios 1: 17). Prezados leitores, confiram esse assunto, também, nos capítulos 12, 13 e 14 de 1 Coríntios.

Mas os padres e, mais tarde, os pastores, usurparam o lugar dos médiuns,
endemoninhando-os, perseguindo-os, anatematizando-os, e até os condenando à morte. É que esses dirigentes religiosos queriam e querem ser os maiorais perante as suas comunidades!

EM MUTAÇÃO

As religiões, no terceiro milênio, estão em mutação, pois as pessoas de hoje, cada vez mais, querem, como se diz, o preto no branco. Elas querem constatar o que é mesmo a sua crença, interpretando-a bem, e não raro, passam a contestá-la e a adotar outras crenças mais racionais.
E assim é que, hoje, muitas pessoas não se contentam com uma só religião, o que, aliás, é até bom!

PÉ NA PORTA, FACA NO PESCOÇO


O que mais coloca grilo em um parlamentar? A expectativa de não ser reeleito. E o que leva a essa funesta expectativa? Uma crise de imagem, seja individual ou coletiva. Difícil crer, portanto, que a “absolvição” de Natan Donadon pelo plenário da Câmara, na semana passada, tenha tido todos os riscos calculados. Melhor supor que os colegas que se abstiveram naquela triste noite e os outros que se compadeceram da condição do preso sentenciado apenas gostariam de dar o recado deles. O resultado saiu pior do que a encomenda.
 
Fazia só 60 dias que o Congresso andava cercado por milhares de manifestantes, o terror no rosto dos vigilantes, e os deputados se prestam a um papel daqueles! Manter o mandato de um cidadão preso em regime fechado! É caso do mais completo absurdo jurídico. Donadon está na impossibilidade de exercer o mandato porque não pode ir à Câmara, ora. Nonsense à brasileira: “Vossa Excelência pode se recolher na carceragem por favor?”

Constata-se que as excelências que ainda gozam do direito de ir e vir só funcionam bem com o pé na porta e a faca no pescoço. Elas têm um prisma especial pelo qual enxergam e se relacionam com a realidade porque são especiais. Multidões na cola dos parlamentares atraem o constrangimento de câmeras, holofotes e, a partir deles, mais “hordas de cidadãos”.

O preocupante é o marasmo, é o aparente bom andamento das Casas, a quase certeza de cassação de um condenado pelo Supremo. O que nasce desses momentos? Surpresas desabonadoras para o Legislativo, para a democracia e para o país. Sobre moleques, a vigília deve ser constante para se evitarem molecagens. Ah, nossos representantes são incansáveis.

REFORMA POLÍTICA???

O tema da vez, desde os protestos de junho, é a reforma política, clamor dos mais audíveis nas ruas. Trata-se de um cipoal complexo, difícil até de se avaliar? Sim. Logo, é compreensível estar em discussão há duas décadas, quase sem sair do lugar? Sim, mas falta vontade também.

Não resta mais dúvida de que qualquer medida a ser tomada para conferir mais moralização à prática política não é espontaneamente desejada pela maioria. Se não fosse um projeto popular com 1,5 milhão de assinaturas, sairia a Lei da Ficha Limpa? Claro que não. Da mesma forma, se não tiver pressão, não teremos nem reforma, nem emenda, nem nada.

O grupo de trabalho da Câmara que se debruça (tomara) sobre o tema já sentenciou que não vislumbra mudança para valer no ano que vem. E assim a banda toca. Vamos esperar o sábado: no 7 de Setembro, o grito não vai ser só dos excluídos, mas de milhões de insatisfeitos.

Mas tem um senão: se a reforma política só sai com o pé na porta, é imprescindível o mínimo de conhecimento. As propostas requerem entendimento, parcimônia e muita discussão mesmo. A combinação da vontade com ciência seria imbatível.

(transcrito de O Tempo)

MAIS MÉDICOS, MENOS PACIENTES, ZERO POLÍTICA


Palavra de um ex-médico: nessa confusa história da extrema-unção da saúde no Brasil, vale aquele antigo ditado: “Em casa em que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão”. A pergunta então, seguindo esse raciocínio, é a seguinte: que “pão” é esse que falta na área da saúde? Seria o pão nosso de cada dia? Ou seja, médicos humanos, atenciosos, bem-formados por faculdades de primeira linha? Profissionais médicos que tenham realmente vocação, desprendimento, que dediquem tempo na escuta de seus pacientes? Ou centros bem-equipados, com funcionários preparados para lidar com o público, onde equipamentos possam complementar um exame clínico bem-conduzido?

Pergunto: num hospital, quem fica 24 horas com o paciente? Os enfermeiros e técnicos de enfermagem. Quem mais ouve um paciente, o médico ou um psicólogo? Quem mais partilha a recuperação de um paciente com AVC, o neurologista ou o fisioterapeuta? Somos um só time, e querer monopólio sobre o paciente é não ver que a sobrecarga que o médico tem deveria levá-lo a interagir com todos os profissionais e querer o melhor para o paciente. Buscar partilhar seus conhecimentos e aprender com outras profissões da saúde. Como então brigar pelo Ato Médico, que nos isola ainda mais da medicina e das outras 13 profissões da área da saúde?

Que tristeza ter visto nas galerias do Congresso uma batalha de classes e entidades médicas contra enfermagem, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e outras que na verdade são complementares e deveriam se dar as mãos e lembrar que, quando o corporativismo impera, quem é punido e perde é o paciente!

POLÍTICA E SAÚDE

Política e saúde são duas palavras que nunca combinarão. Onde há política, nunca haverá saúde! Pois política é partidária, significa que um partido briga com outro, um faz, e outro boicota ou desfaz. Política significa que verbas serão desviadas, ou mal-aplicadas, ou profissionais não serão escolhidos por mérito, e sim por indicação ou interesse. Médicos de gabinete nunca frequentam o inferno dos hospitais públicos ou periferias distantes.

Nós, maltratando os médicos estrangeiros, vaiando, boicotando, esquecemos que há muito nossa formação é péssima, a ponto de o Cremesp em São Paulo ter feito, ano passado, uma prova de proficiência: quase 60% perderam, e olha que eram diagnósticos básicos.
Ora, no Estado mais evoluído, só quatro em cada dez médicos têm habilidade mínima para exercer a profissão! Mas todos recebem seu carimbo e vão para o mercado. E o dom, e a vocação? Na minha conta, só 30% são realmente médicos. Outros 30% esforçam-se muito. Mas 40% são técnicos em medicina, sem alma, sem talento, com visão mercantilista.

Nossa imagem está no pior momento junto à população e junto aos outros profissionais de saúde, e o governo atual, de forma esperta e desleal, está desviando seus imensos erros e conseguindo jogar a população contra os movimentos da classe médica. E tem conseguido: não é de hoje que piadinhas do tipo metade dos médicos acha que é Deus, a outra metade tem certeza.

RECICLAGEM

Por que não aproveitar o péssimo momento para reciclar? Fiscalizar as péssimas faculdades, obrigar um teste vocacional antes de entrar num curso de medicina, obrigar todo recém-formado a fazer o Revalida (e não dar o CRM até que passem)? Abrir o mercado para todo estrangeiro que passar no Revalida, ou ainda obrigar que residências sejam feitas nas periferias e nas cidades do interior, com professores que ganhariam um belo salário para, uma vez por semana, ir até tais localidades?

Colocar, a partir do décimo período do curso médico, um estágio rural ou periférico para atender a atenção primária? Exigir consultas clínicas de, no mínimo, 30 a 40 minutos, e investir na relação médico-paciente?

E o essencial: colocar o estudo de neurociências no curso básico de medicina, pois somos seres em que corpo, cérebro, mente e alma são inseparáveis. Esse cartesianismo de pesquisar exaustivamente o físico, com exames complexos, é fazer uma medicina sintomatológica, americanizada, com baixa resolutividade.

Afinal, em medicina, o que é normal é normalíssimo, o que é raro é raríssimo; nunca busque o raríssimo no comuníssimo, pois haverá exames demais, resultado de menos, despesas imensas e pacientes insatisfeitos. Lição de mestres da UFMG dos anos 70. De lá para cá, só piorou…

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


               

Sponholz e o voto secreto

BRASIL DO PT DESABA NO RANKING GLOBAL DA COMPETITIVIDADE.

Só caímos menos do que a Argentina.
 
Os avanços graduais nos ambientes regulatório e econômico do Brasil levaram o país a encerrar 2012 entre as 50 economias mais competitivas do mundo, mas essa "conquista" se reverteu neste ano. No ranking de competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil perdeu oito posições em 2013, ao passar de 48º para o 56º lugar, e voltou a ficar atrás de México, África do Sul e Costa Rica, entre alguns exemplos.
 
Realizado em parceria com a Fundação Dom Cabral no Brasil, o Relatório Global de Competitividade, liderado pela Suíça, é baseado em 12 pilares. Um terço dos quesitos avaliados depende de dados qualitativos, coletados por meio de entrevistas realizadas entre fevereiro e abril deste ano com cerca de 2 mil executivos.Dentre as doze competências avaliadas, o Brasil perdeu posições em onze. Embora a piora tenha sido generalizada, Carlos Arruda, coordenador da pesquisa no Brasil, ressalta os maus resultados observados em três pilares.
 
A posição dos fatores macroeconômicos, que mede a evolução de variáveis fiscais e da inflação, declinou 13 degraus em comparação com outros países, para o 75º lugar. "De 2000 para cá, esta foi uma das piores colocações neste quesito" diz. No caso da eficiência do mercado de bens e de trabalho, nos quais o país caiu 19 e 23 lugares, respectivamente, Arruda avalia que o desempenho ruim reflete velhos problemas, como a elevada carga tributária e a rigidez das leis trabalhistas. A taxação sobre a mão de obra, por exemplo, coloca o Brasil no fim da lista, apesar das medidas tomadas pelo governo, como a desoneração da folha de pagamentos para alguns segmentos da indústria e de serviços. "Esse tipo de medida, só para alguns setores, não surte efeito sistêmico. O que tenho observado é que o governo age experimentalmente".
 
O tamanho do mercado seguiu como principal ativo do Brasil. É o pilar no qual o país aparece na melhor posição, em 9º lugar, mesmo resultado observado em 2012. Arruda ressalta que não necessariamente houve retrocessos absolutos nos quesitos avaliados, mas os avanços se deram em escala inferior ao observado em outros países próximos no ranking, o que explica a perda em termos relativos. É o caso, por exemplo, da infraestrutura, no qual o país perdeu uma posição e agora aparece em 71º lugar. Houve melhoras nas notas para os portos e aeroportos, por exemplo, mas não na velocidade necessária para levar o Brasil a ultrapassar outras nações.
 
No geral, este não foi um bom ano para os emergentes. Entre os Brics, a China continua a ser o país mais competitivo, na 29ª colocação, mesmo resultado de 2012. A África do Sul e a Índia perderam uma posição, o México duas e a Argentina despencou dez lugares.
 
(Valor Econômico)

ESCÂNDALO NO NINHO PETISTA

Petista denuncia compra de 600.000 votos na eleição do Presidente do PT

 

Rui Falcão, o favorito. Henrique Fontana, o acusador.

Compra de votos no PT - Esta é a denúncia mais grave desde o mensalão. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) acusa que há compra de votos na eleição para presidente do PT. "Desconfio de pagamento coletivo. Uma pessoa pagou para um grupo e isso é voto de cabresto" diz. Ele conta: "184.893 filiados estavam aptos a votar em 28/8. Ontem, eram 780 mil os filiados que estavam em dia com a tesouraria".
 
(Coluna Panorama Político, O Globo)
 
04 de setembro de 2013
in coroneLeaks  

VALDEMAR AFIRMA QUE MENSALEIROS DO PT CONTAVAM COM APOIO DE MINISTROS DO STF


 
04 de setembro de 2013
in coroneLeaks

CONSTITUIÇÃO AOS PEDAÇOS?


 
Os últimos acontecimentos exigem uma reflexão sobre as consequências da condenação penal transitada em julgado. A Constituição federal possui dois dispositivos que tratam do assunto e necessitam ser interpretados e aplicados ao mesmo tempo.

O artigo 15, inciso III, vai dispor que os direitos políticos são suspensos, enquanto durarem os efeitos de uma condenação criminal transitada em julgado. 
 
Por outro lado, o artigo 55, § 2?, afirma que a perda de um mandado eletivo é competência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que devem deliberar sobre a matéria, com voto secreto e maioria absoluta.

Como então aplicar ao mesmo tempo os dois dispositivos constitucionais, uma vez que essa é uma necessidade imperiosa da interpretação e aplicação da Constituição?

Não é possível tecnicamente fazer uma interpretação por tiras, ou em pedaços do texto constitucional. Não é possível também aplicar o artigo 15 desprezando a existência do artigo 55, e vice-versa.

O Congresso Nacional possui a competência para declarar a perda de mandato, mas, quando se trata de condenação penal transitada em julgado, não cabe ao congresso fazer um novo julgamento da causa, mas tão apenas efetuar o controle extrínseco do julgamento, e não o intrínseco.

A ele cabe verificar se o julgamento respeitou o devido processo legal e se esse foi efetuado por um Tribunal constitucional, ou seja, se trata de uma garantia do Parlamento de não cumprir uma ordem judicial passada por um tribunal de exceção, ou adotada sem respeitar as garantias processuais do cidadão.

Este é o controle que compete ao Congresso.
Nesse caso ele sequer necessita deliberar sobre a cassação do mandato, mas tão apenas reconhecer que o mandato já está cassado por conta de uma decisão transitada em julgado.

Exatamente por isso o mais adequado é a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2013, que tramita no Congresso Nacional, já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, relatada pelo deputado Eduardo Braga (PMDB-AM), no sentido de que ocorra a cassação automática do mandato parlamentar nos casos de condenação penal transitada em julgado.

Esta é uma decisão que põe termo ao impasse jurídico que ora se verifica. Importante registrar que no sistema republicano não há espaço para o segredo, e se trata de uma importante medida do Congresso Nacional o voto aberto para todas as suas deliberações, de tal modo que o cidadão tenha o direito de controlar os atos de seus representantes.

Esta é a pedra de toque da democracia.
É a transparência que possibilita o controle.
Com essas duas medidas legislativas o Congresso Nacional estará não apenas suprimindo esta aparente contradição do texto constitucional, como também acolhendo as manifestações da população, ocorridas recentemente em nosso País.

Não é possível que se faça pouco caso da opinião da sociedade, especialmente por parte daqueles que têm função de expressar as legitimas aspirações do povo.
Marcus Vinicius Furtado Coelho é presidente do Conselho Federal da OAB
04 de setembro de 2013

MERCADO PREVÊ QUEDA DO PIB NO 3o. TRI

E A DEPENDÊNCIA DA EXPECTATIVA X REALIDADE E A INSUSTENTÁVEL NÃO LEVEZA DO CRESCIMENTO ! Com produção fraca em julho, mercado passa a prever queda no PIB do 3º tri
http://4.bp.blogspot.com/-sCuXQRSnOVA/TWvEWwbXrBI/AAAAAAAAENE/_gqU3lpT6oA/s1600/dinheiro-como-lucrar-em-tempos-de-crise-br.jpg
Estoques elevados e confiança dos empresários em baixa somados ao temor de mais custo, mais inflação e menos consumo provocados pela alta do dólar levaram a produção da indústria a cair mais que o previsto em julho.

O setor industrial recuou 2% em relação a junho, e a expectativa de um novo recuo em agosto são o prenúncio de que o PIB favorável do segundo trimestre ficou para trás.

Com pátios lotados, as montadoras, por exemplo, produziram 5,4% menos de junho para julho. Foi o setor que mais contribui para a queda da indústria.

O resultado fez consultorias e bancos revisaram suas projeções para o terceiro trimestre. Relatório de Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco, diz que a produção industrial em julho reforça expectativa de retração do PIB. O banco prevê queda de 0,5% de junho a agosto.
O Itaú também passou a estimar um recuo de 0,5% antes, a projeção era de estabilidade. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, porém, afirma que é precipitado falar em retração no terceiro trimestre.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) havia chegado a declarar que "o fundo do poço foi superado", ao comemorar a alta de 1,5% do PIB no segundo trimestre. "Daqui para frente é expansão."

Esse "efeito gangorra" da indústria é explicado, em parte, pelo fato de que no primeiro semestre ela ficou muito dependente de setores estimulados pelo governo.

É o caso de veículos (IPI reduzido) e máquinas e equipamentos (com juros do BNDES abaixo da inflação).


Tal ação do Estado, diz Aurélio Bicalho, economista do Itaú, explica que a produção suba muito num mês e recue no outro: 
consumidores e empresários antecipam suas compras para não
perder o benefício. O efeito negativo é que se formam estoques, já que é difícil prever como o consumo vai se comportar.

"É um ano de uma volatilidade muito grande, como não se via nos últimos dez anos", disse André Macedo, economista do IBGE.

Macedo cita como causas da piora da indústria o consumo mais fraco (pela desaceleração da renda e do emprego e pela inflação) e o crédito mais escasso e caro.

O dólar valorizado, diz, não mostrou ainda seu potencial de melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. 
Bicalho prevê tal efeito só em 2014.

Um possível primeiro sinal negativo da alta do dólar, porém, pode ser a queda de 10,7% da indústria farmacêutica, segundo Macedo. 
Trata-se de um ramo que depende muito de matérias-primas e insumos importados, cujos custos subiram. 
 
Editoria de arte/Folhapress  




PARA REGISTRO (VÍDEO) EXCELENTE. UMA AULA!

Entrevista do economista Samuel Pessoa (FGV-IBRE)
http://2.bp.blogspot.com/-2OHyNN4aIJI/UWHM_Gh-SgI/AAAAAAAAp2g/gAXBAFiYcZI/s400/fggggggg.jpeg 

Sempre que assistir alguma entrevista interessante, vou passar a indicar aqui. Confesso que, apesar de conversar com ele com frequência, não sabia dessa entrevista do economista Samuel Pessoa à jornalista Mônica Teixeira ao programa Complicações da UNIVESP TV. Não a conheço, mas ela faz boas perguntas e deixa o entrevistado à vontade para desenvolver os argumentos. Já havia indicado aqui neste blog uma entrevista que ela fez com o economista Edmar Bacha.
 


Nessa entrevista com o Samuel, em fevereiro deste ano, ele faz um bom diagnóstico da transição demográfica no Brasil, o efeito das reformas no crescimento econômico, como o excesso de intervenção do Estado na economia atrapalha o crescimento e ainda o por que da nossa elevada carga tributária. E ao longo da entrevista Samuel fala coisas interessantes como, por exemplo, o fato de os EUA terem se tornado uma economia rica por cresceram por vários anos de forma consistente e não porque tiveram um período de “milagre econômico” ou vários milagres. Sobre esse assunto, vale a pena comparar os gráficos abaixo – a renda per capita real dos EUA cresce quase continuamente desde a década de 1960, a renda per capita do Brasil passa duas décadas (décadas de 1980 e de 1990) oscilando entre US$ 6.000 e US$ 7.000, volta a crescer de forma consistente no sec. XXI, mas apenas recentemente (a partir de 2005) consegue aumentar novamente em relação à renda per capita dos EUA. Essa relação já foi perto de 30% e, em 2010, havia recuado para 21%.
PIB per capita dos EUA – 1960-2012 – US$ 1.000
FRED01
PIB per capita dos Brasil – 1950-2010 – US$ 1.000
FRED02
Relação entre PIB per capita do Brasil e PIB per capita dos EUA – 1950-2010
FRED03
 
De quem foi a culpa do nosso baixo crescimento entre 1980 e 2000? De nós mesmos. Como lembra Samuel, enquanto 7 de cada 10 crianças estavam nas ruas e sem acesso à educação estávamos construindo Brasília. O ruim de decisões erradas que afetam o crescimento do longo prazo é justamente isso, a conta, muitas vezes, chega muito depois.

A decisão de crescer a qualquer custo, abertura da conta capital com controle do comércio, e ainda proteger nossa indústria na década de 1970 nos levou a duas décadas de baixo crescimento. Vamos ver se agora não repetimos o mesmo erro lá de trás. Tenho medo quando Samuel começa a fazer comparações do Brasil de hoje com aquele da década de 1970. Assistam a entrevista do Samuel porque é uma boa aula de economia brasileira e, mesmo que você não concorde com o diagnóstico dele, é um bom “food for thought”.

Via
Mansueto Almeida
04 de agosto de 2013

"MENTIRA DESLAVADA" - DIZEM MILITARES SOBRE MUDANÇA DE POSTURA DE O GLOBO

 
O Clube Militar publicou o comunicado em seu site Foto: Reprodução
O Clube Militar publicou o comunicado em seu site
Foto: Reprodução


O Clube Militar divulgou uma nota na qual faz uma análise sobre uma recente declaração emitida pelas Organizações Globo sobre o Golpe Militar de 1964. No último sábado, o jornal O Globo divulgou um texto no qual admite que errou ao apoiar a tomada do poder por parte dos militares. “Não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio (ao golpe) foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original”, diz o texto, que pode ser  lido na íntegra no site Memória, que reúne a história de O Globo.04 de setembro de 2013Terra

NOSSA HISTÓRIA EM 2 MINUTOS

Nossa história em 2 minutos
24/01/2013 15:30


04 de setembro de 2013

COMISSÃO DO SENADO DOS ESTADOS UNIDOS APROVA INTERVENÇÃO NA SÍRIA

A Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (4) uma resolução que autoriza o presidente Barack Obama a intervir militarmente na Síria.
 
Após ouvirem o secretário de Estado, John Kerry, o de Defesa, Chuck Hagel, e o general Martin Dempsy, chefe do Estado-maior conjunto norte-americano, em uma audiência realizada ontem (3), os senadores aprovaram a ação por dez votos a sete.
 
Essa autorização agora precisa passar por votação no plenário do Congresso, que volta às atividades na próxima segunda-feira (9).
 
A resolução aprovada determina que a ação dos EUA na Síria tenha duração máxima de 60 dias –com possível prorrogação de 30 dias—e que não sejam usadas tropas americanas em solo durante as operações.
 
A autorização é mais limitadora do que a proposta original de Obama, mas ainda assim é um ponto ganho para o presidente.
 
A autorização agora precisa passar pelo Congresso, que volta às atividades na próxima segunda-feira (9), e também deve ter respaldo da Câmara dos Representantes.
 
Caso o Congresso venha a aprovar a retaliação à Síria pelo suposto uso de armas químicas contra civis em Damasco, os EUA poderão dar início ao ataque limitado, de acordo com a proposta de Obama, como represália ao regime de Bashar Assad. Segundo relatórios da inteligência americana usados como sustentação para a ação militar, mais de 1.400 pessoas morreram (centenas de crianças entre elas) no dia 21 de agosto de 2013.
 
Nesta quarta-feira, os secretários Kerry e Hagel e o general Dempsy responderam a perguntas da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes sobre os planos dos EUA para a Síria, os motivos de entrar em uma guerra com o país e quais serão as possíveis retaliações.
 
O intuito dos secretários e do general é conseguir o apoio dos legisladores para que o presidente Obama ganhe o apoio do Congresso.
 
"Eu não acredito que estamos indo para a guerra", disse Kerry no encerramento da audiência. "Estamos pedindo permissão para fazer uma ação limitada, mas que não vai colocar os americanos no meio do conflito".
 
O secretário de Estado alega que a segurança norte-americana estará em risco se os EUA não tomarem uma atitude em relação ao uso de agentes químicos pela Síria (país com grande estoque de armamento desse tipo).
 
"Se não querem mais extremismo, vocês devem aprovar isso [a intervenção militar]. Não enviem a pessoas como Assad a mensagem de que ele vai ficar impune. Alguém em algum lugar vai colocar as mãos naqueles materiais, de alguma maneira [caso os EUA não reajam]", disse Kerry.

04 de setembro de 2013
Do UOL
(com CNN e agências internacionais)