"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

INFLAÇÃO, A GRANDE COMPANHEIRA DOS GOVERNOS PETISTAS


 
Em 10 anos, a inflação chegou a quase 100 por cento. Até agora, o governo reincidente não anunciou nada contra a maldita companheira do petismo. Vem arrocho, vem aumento de impostos, mas a inflação continua com passe livre:
 
Os preços dos alimentos já subiram 99,73% nos últimos dez anos, muito acima da inflação oficial no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma taxa de 69,34% de 2005 a 2014. Ou seja, o custo para comer praticamente dobrou no período. 
 
Os problemas climáticos e o aumento da demanda pressionam os preços de alimentos, segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
 
"(Esse aumento) Vem sendo atribuído a problemas climáticos, às mudanças que vêm ocorrendo no clima e ao dólar, que sempre permeia a agricultura. A seca, tem prejudicado as lavouras não só no Brasil, mas no mundo todo. E também tem o aumento da demanda. Aqui no Brasil tem tido mais renda, mais emprego, e, consequentemente, mais procura por alimentos", justificou Eulina.
Nos últimos dez anos, os alimentos consumidos em casa subiram 86,59%. No entanto, a alta foi de 136,14% para os alimentos consumidos fora de casa.
"É renda, é o aumento do emprego, as mulheres trabalhando mais fora de casa, a maior dificuldade de ter empregada. As pessoas estão optando muitas vezes por comerem direto na rua", explicou Eulina. "E tem também a questão dos custos desses estabelecimentos, que é o próprio aumento dos preços dos alimentos, aumento do aluguel, os salários aumentando além da inflação, com ganhos reais. São vários custos que fazem esse grupamento ter aumento", completou.
O item refeição fora aumentou 141,05% em dez anos, o empregado doméstico subiu 181,89%, e o aluguel aumentou 100,49%.
O IBGE calculou ainda a inflação de serviços no período, que alcançou 107,56% em dez anos, e a de monitorados, com taxa de 50,41%.
 (Estadã0).
09 de janeiro de 2015
in orlando tambosi

PROJETO DE CARDOZO É UMA AMEAÇA À FEDERAÇÃO


 
A perigosa ideia de Cardozo, que continua no ministério da Justiça do governo reincidente, é aumentar o campo de ação da União na segurança dos Estados - uma verdadeira intervenção na ordem federativa. Editorial do Estadão vai ao ponto:
São preocupantes as ideias sobre segurança pública defendidas pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em entrevista ao Estado. Por trás da boa intenção manifestada pelo governo federal de ajudar a tornar mais eficiente o combate ao crime, está um plano destinado a interferir na autonomia dos Estados, de tal forma e com tamanha amplitude que, se ele vingar, os próprios fundamentos da Federação estarão ameaçados. É preciso, portanto, que todos os interessados no caso - a começar pelos governadores - prestem muita atenção tanto no que diz como no que sugere e deixa entender Cardozo.
O propósito do ministro é, no primeiro momento, convencer os governadores, como tentou com os do Sudeste - Geraldo Alckmin, de São Paulo, Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro, Fernando Pimentel, de Minas Gerais, e Paulo Hartung, do Espírito Santo -, de que as experiências de colaboração das polícias estaduais entre si e com a Polícia Federal, com destaque para a Copa do Mundo, devem levar à criação de uma estrutura permanente que possibilite sua repetição.
Isso prepararia o terreno para aprovar a grande mudança pretendida pelo governo, que será expressa numa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre segurança pública, a ser enviada ao Congresso no início do ano legislativo, em fevereiro. Embora ainda esteja em elaboração pelo Ministério da Justiça, já se sabe que ela tem dois pontos principais: aumentar o campo de ação da União, determinando os crimes em que ela pode intervir; e permitir que a União trace diretrizes comuns de ações para as várias polícias nos Estados. Só isso bastaria para mostrar aonde o governo quer chegar.
Para dissipar qualquer dúvida, o ministro Cardozo deu alguns exemplos: "Eu queria criar um procedimento comum da atuação das Polícias Militares em manifestações. Mas, hoje, não posso impor para a PM do Estado normas operacionais. Mas, se tiver uma competência concorrente, posso ter a União estabelecendo diretrizes gerais, sem suprimir a possibilidade de os Estados tratarem do mesmo assunto". Mais claro do que isso, impossível. A União quer ter o poder de determinar o que os Estados podem e devem fazer na área de segurança pública, deixando-lhes apenas a liberdade de cuidar dos detalhes da execução das "diretrizes gerais".
É forçoso concluir que é nos limites de tais diretrizes que se dará a cooperação das várias polícias - Civil, Militar, Rodoviária e Federal. Um dos principais instrumentos para tornar isso realidade são os Centros de Comando Integrado de Controle, a serem instalados em cada Estado e dotados, como promete o governo federal, de modernos e sofisticados equipamentos. Doze deles já funcionam, embora ainda não inteiramente nos moldes pretendidos. O que o governo deseja é uma mudança de vulto, que na prática aumentaria tanto o poder da União na segurança pública, uma área de vital importância, que a Federação se tornaria coisa "para inglês ver".
Como é muito difícil imaginar o Congresso aprovando uma proposta dessas, e o governo sabe disso, seu objetivo deve ser desviar a atenção da sua incapacidade de fazer a contento a parte que lhe cabe na segurança pública. Em vez de propostas descabidas como essa, ele deveria, portanto, cuidar melhor de suas atribuições, como a vigilância das fronteiras, notoriamente vulneráveis à entrada de drogas em grandes quantidades - para consumo interno e reexportação - e ao contrabando de armas. Esses são os pilares do crime organizado, que semeia a violência.
Além dessa tarefa, a União tem também, por exemplo, papel importante a cumprir na melhoria do sistema penitenciário - o estadual e o federal - e na cooperação entre os serviços de inteligência, seu e dos Estados. Para usar uma expressão a que recorreu o ministro em sua entrevista, o governo federal precisa "fazer a lição de casa".
Tomar as dificuldades na segurança pública, que é função dos Estados, como pretexto para esdrúxulas tentativas de atingir a Federação não é coisa séria e deve, portanto, ser rejeitada liminarmente.
09 de janeiro de 2015
in orlando  tambosi

MENTIRA PLANTADA POR MEIO DA FOLHA CONTRA ANASTASIA SERÁ DESMENTIDA POR YOUSSEF


 
O  “envolvimento” de Antonio Anastasia com a Lava-Jato pode estar com os seus dias contados. Na segunda-feira, Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, fará um pedido de esclarecimento à Justiça Federal informando que o seu cliente nunca pediu ao policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, para entregar qualquer quantia ao ex-governador de Minas Gerais. Youssef não citou o nome de Anastasia em sua delação premiada.(Radar Online, VEJA)

Observação: qualquer mentira na delação premiada faz com que o delator perca as vantagens obtidas na negociação. Youssef nunca negou que tenha citado, por exemplo, os senadores Humberto Costa e Gleisi Hoffmann, do PT.

CUSTO DA COMIDA E DO ALUGUEL DOBRA EM 10 ANOS DE PT


 
 
(O Globo) Os preços de alimentos dobraram entre 2005 e 2014, com alta de 99,73%, enquanto a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 69,34%. O maior aumento nesse período ocorreu na alimentação fora de casa, com aumento de 136,14%, enquanto os alimentos consumidos em casa subiram 86,59%. Se considerada apenas a refeição fora de casa, o aumento acumulado em dez anos foi de 141,05%.

Segundo Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, esse aumento contínuo dos alimentos tem sido atribuído às condições climáticas em todo o mundo, ao dólar e também ao aumento da demanda.

— No Brasil, temos mais emprego, mais renda e mais procura por alimentos.Ao mesmo tempo, a alimentação fora mostra o aumento da renda, do emprego, das mulheres trabalhando mais fora de casa e da maior dificuldade de ter empregada doméstica.

Outras altas de preços significativas de preço no período, acima da inflação geral, foram em aluguéis, de 100,49%, e em empregados domésticos, de 181,89%.

A inflação de alimentos pressionou o IPCA de 2014, que fechou em 6,41%, abaixo do teto da meta do governo, mas superior ao índice de 2013 (5,91%). Os preços do grupo subiram 8,03% no ano passado. Quase um quarto (24,86%) do orçamento das famílias é destinado às despesas com alimentação. O maior impacto individual no IPCA do ano foi o item carnes, com alta de 22,21% e peso de 0,55 ponto percentual.
 
09 de janeiro de 2015
in coroneLeaks

PRESENTE DE PAPAI NOEL


 
     
Como bom Flamenguista, acredito em Papai Noel, e lhe mandei um e-mail, um zap-zap e uma mensagem telepática: "Peço algo especial para 2015, que nem sei se pode me trazer. Faça a Dilma começar a governar de verdade, a partir da nova posse. Será pedir demais? Será muito difícil de me atender, caro Bom Velhinho. Acho que a própria Dilma e o Brasil inteiro curtiriam o presentinho que eu lhe imploro, humildemente. Caso não possa me atender, manda uma camisa da Flalemanha que fica tudo quite entre nós".

A resposta veio em velocidade relâmpago, como que trazida por renas movidas a Jato em tempos surpreendentes de Operação Lava Jato. Recebi o manto sagrado rubro negro da Adidas com aquela inscrição "Deutscher Fussball-Bund" no círculo que tem a águia no meio. "Detalha" importante, para sacanear brasileira e tornar inesquecível aquele 7 a 1 da Alemanha na Copa do Mundo da 2014, a camisa do Deutschmengão já tinha a quarta estrelinha. Sorte de quem tem competência para vencer!

Na hora que vesti o presentão, me lembrei que dei bobeira. Devia ter pedido ao Papai Noel que transformasse o Flamengo em um time tão competente quanto a Seleção da Alemanha. Mas isto seria igual a pedir que a Dilma governe direito... Muita utopia para um Natal tão recessivo no Brasil sob governança do crime organizado...

Segundos depois da autocrítica, recebo a contra-mensagem do Bom Velhinho: "Da próxima vez, peça algo mais fácil, como: políticos honestos no Brasil, judiciário que funcione direito ou uma humanidade que entenda a mensagem de Jesus... Vá comer seu bolinho de Batatalhau, tome sua cachacinha regulamentar e não encha mais o meu saco, que já está lotado! Assinado: Papai Noel da Silva".

Tratei de seguir os conselhos do bom Kamarada que veste a roupinha vermelha Coca Cola...

  
Dica para a Korn Ferry

A empresa norte- americana de recrutamento de executivos Korn Ferry poderia colocar um nome qualificado para ocupar a nova diretoria de governança corporativa da estatal.

Trata-se do empresário Romano Guido Allegro, de Salvador, que desde 2005 é autor de várias denúncias à Comissão de Valores Mobiliários apontando falhas gritantes no modelo de governança da Petrobras.

Ex-conselheiro fiscal de várias empresas, inclusive da transnacional brasileira Odebrecht, Romano cairia como uma luva para indicar soluções imediatas para problemas antigos, em nome dos acionistas minoritários da estatal de economia mista.

Se a Dilma e a Graça realmente querem seriedade no combate à corrupção e no aprimoramento da governança, deviam ter coragem de nomear alguém como Romano Allegro para o cargo na Diretoria de Governança Corporativa - que vai substituir a Diretoria Internacional...

Rouboduto

Vazou, sem muita repercussão, a notícia de um roubo de diesel em oleoduto da Petrobras, na cidade Duque Caxias, na Baixada Fluminense.

A polícia civil encontrou, dentro de um galpão abandonado, um túnel que dá acesso a um oleoduto no qual foi acoplado um registro que abastecia caminhões tanques.

Como a quantidade desviada de óleo diesel, diariamente, não ultrapassava a porcentagem que a Petrobras considera perda normal (eventuais vazamentos), o roubo não era percebido.

Conclusão: a turma do Propinoduto devia tomar umas lições táticas com a equipe do rouboduto...

A Preferida da Marinha


Pela oitava vez, Dilma Rousseff e seus familiares curtirão o descanso de final de ano nas mordomias da praia de Inena, na Base Naval de Aratu, na Bahia.

A Presidenta chega na quinta acompanhada da mãe, Dilma Jane; da tia, Arilda, da filha Paula, do genro Rafael, e do neto, Gabriel, de 4 anos.

Só volta ao batente dia 28, quando deve completar a lista de ministros. 

Pegaram pesado...


O menino Jesus não merecia esta charge...

Esforço Inválido?



Presentinhos úteis



Loteadora



Foi fundo...



 09 de janeiro de 2015
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

MAU HÁLITO



Hierão I, tirano de Gela e Siracusa ao longo da primeira metade do século V antes de Cristo, se espantou quando, um tanto constrangido, alguém do seu séquito advertiu:
“Rei, tens um terrível mau hálito”.
E Hierão: “Mas como? Minha mulher nunca reclamou?”.
E ela, que estava por perto, observou:
“Pois eu sempre achei que os homens tivessem esse cheiro”.

Às vezes, as esquerdas brasileiras se comportam como Hierão e sua mulher. São incapazes de reconhecer o mau cheiro proveniente de comportamentos éticos condenáveis. Sempre viveram enorme confusão quando se tratou de entender o que pode e o que não pode. E é, em grande parte, o que explica a enorme propensão a se apropriar dos recursos públicos, de corromperem e se deixarem corromper ou de fazer acordos com o diabo, sabe-se lá com qual objetivo.

A classificação entre direita e esquerda vem dos tempos da Revolução Francesa, quando a Assembleia Nacional se dividia entre os defensores do rei (à direita) e os defensores da Revolução (à esquerda). Essa classificação já não serve para muita coisa, porque não há muito como definir esses conceitos, especialmente depois da queda do Muro de Berlim e da dissolução da União Soviética. Em todo o caso, as esquerdas brasileiras compõem-se, digamos, de segmentos políticos que defendem desde alguma forma de socialismo e de social-democracia até movimentos trabalhistas e democratas-cristãos.

A ética socialista derivada da filosofia hegeliana colocou como foco principal o determinismo histórico ou a utopia a ser inexoravelmente conquistada. O que importava aí era a ação voltada para o objetivo e não os meios usados para isso. Foi esse o tipo de justificativa apresentada para defender (ou esconder) os horrores da época de Stalin, que não vacilou em massacrar o campesinato ucraniano nem em assinar o pacto Molotov-Ribbentrop, que atropelou os interesses dos trabalhadores dos dois países que, desde o Manifesto Comunista (1848), se esperavam unidos. Aqui no Brasil esse comportamento serviu para justificar, em nome da segurança do Partido, certos justiçamentos comandados pelas lideranças.


Essa ética ignora os princípios republicanos que exigem rigorosa separação entre o interesse individual e o interesse público. Ou, quando muito, apenas os observa episodicamente, quando, por exemplo, foi conveniente firmar e manter uma aliança com a “burguesia nacional”. Daí por que, se para cumprir determinados objetivos do grupo partidário é preciso mentir, roubar e corromper, que se minta, roube e corrompa, sem se deixar tomar por escrúpulos pequeno burgueses.

Se uma organização guerrilheira puder tirar proveito de acordos com narcotraficantes e com movimentos do crime organizado, como os que aconteceram com as Farc, com quem o governo do PT manteve estreitas ligações, por que não fazê-lo? Quando chegar o paraíso do proletariado ou quando a sociedade igualitária se impuser, nada disso terá importância. Eventuais excessos são o preço a pagar para alcançar o fim da história, como a destruição dos ovos para quem quer a omelete. A Revolução Francesa não teve sua inevitável fase de terror?

Esvaiu-se a utopia, sobrou a ocupação do Estado, em nome do exercício do poder pelo poder. Mas ficou a velha cultura da ação “em nome da causa”. É o que explica, também, por que o PT encara os condenados pela Justiça como vítimas do sistema elitista, neoliberal ou o que seja. Explica, também, por que seu tesoureiro João Vaccari Neto, sobre quem recaem pesadas acusações de desvio de recursos públicos, é aplaudido de pé em assembleia do partido. Ou por que o ex-ministro José Dirceu se deixa fotografar à porta da prisão com o punho cerrado estendido, como um guerreiro atacado por hordas reacionárias. Ou, então, por que o ex-presidente Lula argumenta que “essa história da corrupção é coisa da direita”.

O desmanche da Revolução Russa, a opção da China pelo capitalismo de Estado e o reatamento entre Estados Unidos e Cuba, anunciado na semana passada, já não deixam espaço para esse tipo de ética. Quem estiver disposto a assumir a defesa dos ideais republicanos e democráticos, não pode exalar o hálito de Hierão I.

09 de janeiro de 2015
Celso Ming é Jornalista. Originalmente publicado no Estadão em 25 de dezembro de 2014.

O ANIVERSÁRIO DA MORTE DE LENIN


“A ditadura do proletariado é a dominação não restringida pela lei e baseada na força” (Lenin, em “O Estado e a Revolução”)
               

Todos os anos, no mês de janeiro, as esquerdas nacional e internacional de todos os matizes recordaram o aniversário da morte de Lenin, organizador do golpe de Estado bolchevique em outubro de 1917 e fundador do Estado soviético. Em janeiro de 2015 serão 101 anos. Será que os comunistas ainda o recordarão?

Nessa oportunidade, os comunistas certamente recolheram e publicaram opiniões sobre ele, emitidas por personalidades em todo o mundo. Opiniões que em sua grande maioria apareceram falseadas pelo desconhecimento da verdadeira História, seja pela propaganda, seja pelo oportunismo político. Nessas circunstâncias é propício recordar o que pensavam de Lenin e seus métodos no partido e no governo aqueles que o conheceram, seus companheiros, os velhos bolcheviques, os marxistas de outras tendências e personalidades diversas da política e da cultura russa de sua época.

A revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, que em tantas batalhas políticas atuou junto a Lenin, também o criticou severamente em diversas questões, como a ultra-centralização do partido, as depredações, os assaltos e as chamadas expropriações. Depois de sua morte, em janeiro de 1919, em Berlim, foi canonizada pelos comunistas porém, na União Soviética, pelo menos até a morte de Lenin, nunca se conheceu a sua última e definitiva opinião sobre a revolução bolchevique, escrita em 1918:

“Certamente, toda instituição democrática tem seus limites e defeitos, características compartilhadas com todas as demais instituições humanas. Porém, o remédio encontrado por Lenin e Trotsky, que foi a eliminação da democracia como tal, foi pior que a enfermidade que supostamente iria curar, porque obstruiu a verdadeira fonte viva, a única da qual pode surgir a retificação de todos os defeitos naturais das instituições sociais. Essa fonte é a vida pública ativa, livre e vigorosa das grandes massas populares(...). A liberdade somente para aqueles que apóiam o governo, somente para os membros de um partido, por mais numeroso que seja – não é liberdade em absoluto. A liberdade é sempre e exclusivamente para aquele que pensa diferente. E não devido a um conceito fanático de ‘justiça’, e sim porque tudo o que é educativo, beneficente e purificador depende dessa característica essencial, e sua eficácia se desvanece quando a liberdade se transforma em um privilégio especial” (“A Revolução Russa”, Rosa Luxemburgo, Berlim, 1922).

O pai do marxismo russo e professor de Lenin, Guiorgui Plekanov, rompeu com seu discípulo totalitário e profetizou o que seria a futura vida do partido baseado nos princípios organizativos de Lenin. Plekanov, em março de 1904, escreveu que se o Comitê Central outorga a si próprio o direito de eliminar qualquer membro do partido, então, com um Congresso em perspectiva “o Comitê Central liquida todos os elementos que lhe desagradem, localiza suas próprias criaturas, preenchendo todos os comitês com esses indivíduos, assegura uma maioria totalmente submissa no Congresso. O Congresso, assim constituído, aprova todos os seus êxitos e fracassos e aplaude todos os seus planos e iniciativas”. Anos mais tarde, em seu jornal “Yedinstvo”, Plekanov denunciou a estreita convivência de Lenin com agentes alemães e as somas recebidas pelos bolcheviques para realizar propaganda derrotista no Exército e organizar a revolução.

Também são conhecidas as opiniões de Trotsky, organizador, junto com Lenin, do golpe de Estado bolchevique e criador do Exército Vermelho. Já em 1904 ele percebeu claramente as características negativas da personalidade política de Lenin, a quem descreveria como “um déspota e terrorista que trata de converter o Comitê Central do partido em um Comitê de Saúde Pública, com a finalidade de poder desempenhar o papel de Robespierre”.

Trotsky assinalou que se algum dia Lenin subisse ao Poder “todo o movimento internacional do proletariado seria acusado de ‘moderado’ por um tribunal revolucionário e a primeira a cair na guilhotina seria a cabeça de Marx”. Foi também profético ao advertir que quando Lenin falava da ditadura do proletariado, na realidade queria referir-se a “uma ditadura sobre o proletariado”.

O bolchevique Vlacheslav Menzhinsky, que mais tarde seria Comissário das Finanças e chefe da OGPU, polícia secreta soviética, uns 15 meses antes do golpe de Estado bolchevique, escreveu que “Lenin é um jesuíta político que desde muitos anos vem adaptando o marxismo a seus objetivos do momento (...). Lenin, esse filho ilegítimo do absolutismo russo, não apenas se considera o sucessor natural ao trono da Rússia, quando ele fique vago, como também é o único herdeiro da Internacional Socialista. Se algum dia chegar ao Poder, o dano que poderá fazer não será menor que o de Paulo I” (referência ao Czar louco, anterior a Alexandre I).

O Comissário de Educação Lunarcharsky, por sua vez, já nos primeiros dias do regime bolchevique, previu que a ditadura do proletariado levaria a uma ditadura unipessoal. Em um discurso ao Comitê do partido de Petrogrado, em 1 de novembro de 1917, expressou: “Nós temos nos afeiçoado muito à guerra, como se não fossemos operários e sim soldados, um partido de militares (...). No partido nos entregamos à polêmica e continuaremos assim, porém, restará um homem: um ditador” (citado por Trotsky em “A Escola Stalinista da Falsificação”, Berlim, 1932). Anos mais tarde, em um longo artigo, Lunarcharsky escreveu com certa ironia: “Lenin trabalha de maneira intensa, não porque lhe goste o Poder, e sim porque está certo de não se equivocar (...). Seu amor ao Poder nasce de sua tremenda segurança e da correção de seus princípios (...) da incapacidade de ver desde o ponto de vista de seus adversários”(“Retratos Revolucionários”, Moscou, 1923).

O dirigente bolchevique Alexander Lozovsky, que viria a ser o dirigente máximo da Internacional Sindical Vermelha, escreveu em novembro de 1917, dias depois do golpe de Estado bolchevique: “Não posso calar, em nome da disciplina do partido, quando vejo a liquidação da imprensa dissidente, batidas, prisões arbitrárias e perseguições (...). Não posso calar e fazer-me moral e politicamente responsável, quando o chefe da fração do partido declara que por cada um dos nossos mataremos cinco inimigos (...). Não posso calar em nome da disciplina do partido, quando o Comitê Militar Revolucionário decide arbitrariamente o destino da Nação, quando publica decretos fantásticos estabelecendo tribunais especiais, quando intervém na administração do país, além dos assuntos militares” (Rabochaya Gazieta, periódico operário, 18 de novembro de 1917).

Em novembro de 1917, apenas um mês após o golpe de Estado, dez dirigentes comunistas abandonaram o governo em protesto pelo terror que havia começado desde os primeiros dias. Em sua declaração propuseram um acordo com todos os partidos socialistas e o fim imediato da guerra dentro da “democracia revolucionária”. A declaração expressava: "Pensamos que, ao contrário, só há um caminho possível: a manutenção de um governo exclusivamente bolchevique por meio do terror político. Esse é o caminho eleito pelo Conselho de Comissários do Povo. Nós não podemos seguí-lo. Parece-nos que esse caminho conduz a que as organizações de massa proletária se afastem do controle da vida política, ao estabelecimento de um regime irresponsável e à ruína da revolução e do país” (citado por Trotsky em “Obras”, Moscou, 1924).

O chefe indiscutível da fração menchevique do Partido Social Democrata Russo, Julius Martov, em 1920 denunciou o terror leninista ante os delegados, inclusive soviéticos, reunidos em sessão especial do Partido Socialista Independente da Alemanha. Dirigindo-se à assembléia, Martov expressou: “Uma evidência suficiente da amplitude do terror é constituída pelo fato de que as esposas dos opositores políticos e seus filhos são tomados como reféns e que em muitos casos esses reféns têm sido fuzilados em vingança pelos atos de seus maridos e pais (...). Porém, o sistema de terror não se limita apenas aos assassinatos. Há prisões em massa, supressão de toda liberdade de imprensa e reunião, condenações a trabalhos forçados sem julgamento prévio, castigos diários por greves ou quaisquer tipos de ações coletivas empreendidas pelos operários e, finalmente, como o reconhece o próprio Zinoviev, condenações ao exílio de operários pertencentes ao Partido Comunista pelo fato de atreverem-se a criticar seus dirigentes” (Atas do Congresso Extraordinário do Partido Socialista Independente, Berlim, 1920).

O pai do anarquismo revolucionário russo, Piotr Kropotkin, em dezembro de 1920 escreveu a Lenin: “É possível que você não saiba que um refém é um homem que não está preso por um crime que tenha cometido e sim porque a seus inimigos lhes convém exercer chantagem sobre seus companheiros? (...) Se você admite esses métodos, então um dia você usará a tortura, como na Idade Média (...). Os governantes dos países onde existe a monarquia abandonaram, há muito tempo, os meios de defesa agora introduzidos na Rússia com a tomada de reféns (...). Que futuro terá o comunismo quando um dos seus mais importantes defensores pisoteia dessa forma todo o honrado sentimento humano?” (citado por Lazar Volin em “Kropotin e seus Ensinamentos”, Chicago, 1931).

Dirigente da velha guarda bolchevique e membro da Oposição Operária dentro do partido, coordenada por Lenin em 1921, Myasnikov escreveu em um livro publicado anos depois no estrangeiro: “Os operários e camponeses sem partido foram proibidos de criticar a toda poderosa burocracia; quer dizer, não podem publicar jornais, revistas e nem livros em desacordo com as doutrinas da burocracia ou a linha do partido. Tampouco podem efetuar reuniões e nem se organizar em grupos. Porém, os membros do partido também estão proibidos de fazer críticas. Se eles tentam defender seus próprios pontos de vista, buscando persuadir a maioria do partido, são tratados com tanta ferocidade e selvageria que inclusive torna humano o torpe tratamento dado aos comunistas nos tribunais fascistas italianos. Nós temos tribunais abertos para ladrões, assassinos, violadores, dilapidadores, guardas brancos, generais, capitalistas e seus agentes porém, os membros dissidentes do proletariado, os camponeses e os intelectuais, desaparecem secretamente nos sótãos da GPU” (“O Engano de Turno”, Paris, 1931).

Esse é o regime que alguns, disfarçados de trabalhadores, ainda tentam implantar em nosso país.

09 de janeiro de 2015
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

PROCURADORIA PEDE CASSAÇÃO DO VICE-PRESIDENTE DO PTB



Benito Gama: incriminado pela própria prestação de contas

Vice-presidente nacional do PTB, o deputado federal eleito Benito Gama foi alvo de um pedido de cassação do diploma e do mandato pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) da Bahia por abuso de poder e irregularidades na prestação de contas.
 
A ação, assinada pelos procuradores Ruy Mello e Mário Medeiros, teve como base reportagem da Folha publicada em setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral.
 
A reportagem revelou que Gama contratou aliados políticos como prestadores de serviços e distribuiu entre eles R$ 2,2 milhões, dinheiro da campanha. Estão na lista ex-vereadores, ex-prefeitos e pastores evangélicos.
 
Cada um recebeu até R$ 300 mil para subcontratar serviços para a campanha. Essa contratação indireta de serviços, porém, é vedada pela legislação, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
 
NA PRÓPRIA PRESTAÇÃO
 
Os dados foram obtidos na prestação de contas parcial do candidato. Na prestação final, divulgada em outubro de 2014, o deputado divulgou gastos de R$ 6 milhões, sendo 75% desse valor com “contratação de serviços de terceiros”.
 
Mesmo com a campanha mais cara entre os deputados federais eleitos pela Bahia em 2014, Gama obteve 71.372 votos e foi o último dos 23 eleitos em sua coligação.
O deputado federal eleito foi procurado pela reportagem, mas não atendeu as ligações.
 
SUBCONTRATAÇÃO ILEGAL
 
Os procuradores argumentam que Gama adquiriu bens e serviços da campanha por meio de terceiros e não os declarou na prestação de contas.
 
Segundo eles, o candidato “burlou, sem reservas, os ditames legais” para “fugir do controle” dos gastos eleitorais. “A campanha do candidato repassou a lideranças políticas […] vultosas quantias, a fim de obter apoio e retorno eleitoral, tudo sob o pretexto de prestação de serviços”, argumentaram os procuradores na ação.
 
A apuração da Procuradoria identificou 30 pessoas que confirmaram ter recebido dinheiro para a campanha do candidato em vários municípios baianos.
 
Todas declararam que receberam o dinheiro para exercer a função de coordenadores da campanha e contratar pessoas para ações como pintura de muros, afixação de publicidade e distribuição de santinhos.
 
TESTEMUNHAS CONFIRMAM
 
As testemunhas ouvidas também confirmaram gastos com aquisição de materiais de campanha, sendo que essas informações foram omitidas na prestação de contas do candidato, segundo a PRE.
Segundo os procuradores, os gastos de campanha de Benito Gama “desequilibraram o pleito, pois o aporte financeiro irregular colocou o candidato eleito em posição vantajosa aos demais concorrentes”.

09 de janeiro de 2015
João Pedro Pitombo
Folha

HÁ 12 ANOS NO PODER, O PT AINDA NÃO SABE O QUE FAZER

 




O problema na maioria dos países não é esquerda ou direita. O problema maior chama-se governos. São todos irresponsáveis. Não começou agora. No Brasil, nenhum governo jamais teve respeito pela população. Gastam o dinheiro dos impostos, tributos, taxas e multas, como se ele desse em árvore, no quintal do Palácio. Isto sem falar no que roubam.

E para mudar esta nossa Monarquia Republicana, é preciso aperfeiçoar o sistema político, caso contrário, depois de arrumarem novamente a casa, às custas da população, aparecerá outro irresponsável e bagunçará tudo de novo. Lógico, cada vez com alguns espertalhões bem mais ricos. Desta vez são os sindicalistas a enriquecerem. Sem contar os de sempre: os fornecedores e financiadores dos governos.

Veja-se o governo FHC. Se não levarmos em conta a continuidade do Plano Real, as privatizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal, também pouco fez, salvo a compra de votos para a reeleição, que o beneficiou, mas o feitiço acabou virando contra o feiticeiro. Mas é preciso reconhecer que FHC prejudicou menos o país que a atabalhoada Dilma.

AJUSTE ECONÔMICO

O problema agora são as medidas que o novo ministro Joaquim Levy terá que forçosamente tomar para corrigir uma situação criada por inteira má fé.

Sabemos que a Dilma mente ao dizer que entende de economia, mas é impossível aceitar o fato de que no seu governo ninguém soubesse que as medidas eleitoreiras que ela tomou (ou eles tomaram) causariam sérios problemas ao país.

Acompanho as crises desde 1966, E a dose de erros da gerentona – antes de aterrissar em Brasília, era diretora de uma estatal falida no RS, a CRT – superou todas as más expectativas. E a reeleição dessa quadrilha vai custar muito caro ao país. O ano está apenas começando. Já passei por isso em governos anteriores.

SALVAGUARDAS

A democracia, se fosse exercida na sua plenitude, precisaria ter salvaguardas para defenestrar com mais facilidade pessoas que exercem a governança com tanta má fé. Se os candidatos – quase todos, uns bandidos impostos pelos partidos políticos – fossem escolhidos pelos eleitores, e já com cláusulas que preservassem as instituições, não teríamos crises periódicas, quase cíclicas.

Vinte e dois anos na oposição – e que oposição, se há governo sou contra. Mais 12 anos com a chave do cofre na mão, e eles ainda não sabem o que fazer. Incrível. Agora então, Dilma misturou alhos com bugalhos na composição dos “40” ministros, para ver se não lhe fazem tanta cobrança, e eles nada farão, além de brigar entre si.

A única coisa prevista para os próximos dois anos será tentar consertar as merdas feitas nos quatro anos anteriores. Nem vou falar das empresas privadas que fecharão as portas em função do arrocho que vem por aí.

Haja saco para aguentar os próximos quatro anos – se Dilma durar tanto… Agora, vai inundar o país de propaganda do governo (paga por nós) sobre o que ela vai fazer pela educação no Brasil. Aprendeu com o “padrinho”, o capo Lula “Ninefingers”.

09 de janeiro de 2014
Martim Berto Fuchs

NA FRANÇA DOIS SUSPEITOS E QUATRO REFÉNS SÃO MORTOS


François Mori/Associated Press
A situação é confusa, um caso pode nada ter a ver com o outro
 
Duas ações policiais conjuntas mataram três homens que faziam reféns em locais distintos da França. Dois deles, os irmãos Said Kouachi, 34, e Chérif Kouachi, 32, são suspeitos de participar do massacre ao jornal satírico “Charlie Hebdo”.

O terceiro suspeito morto, Amedy Coulibaly, 32, invadiu um mercado judaico em Porte de Vincennes, em Paris, e também fazia reféns no local. Segundo a Reuters, o sequestrador e mais quatro reféns foram mortos.
Segundo a agência AFP, Coulibaly seria ligado a um dos irmãos Kouachi. Coulibaly era suspeito do assassinato de uma policial municipal francesa nesta quinta-feira (8), em Montrouge.

A suposta namorada de homem que mantinha reféns em mercado em Paris continua foragida. Hayat Boumeddiene, 26 anos, é suspeita de estar ligada ao ataque que matou uma policial na quinta-feira (8) na capital francesa. Ela teria escapado do mercado onde eram mantidos reféns.

A situação ainda é confusa. Segundo a agência France Presse, a situação em Montpellier se trata de um assalto a mão armada e não tem nenhuma ligação com os ataques que ocorreram em Paris

09 de janeiro de 2015
Deu na Folha

JORNAL CHARLIE HEBDO LUTA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DESDE A SUA FUNDAÇÃO

 

Alta voltagem – O jornal satírico francês Charlie Hebdo, cuja redação foi atacada nesta quarta-feira (7) por dois homens armados que mataram 12 pessoas, tem uma história cheia de polêmicas desde a sua criação em 1970, como sucessor do jornal “Hara-Kiri”. 

O Charlie Hebdo conservou o tom satírico do predecessor e continuou a criticar os poderespolíticos e religiosos, usando caricaturas mordazes, crônicas e reportagens investigativas. François Cavanna (1923-2014), um dos fundadores do veículo, dizia que “o jornal não toleraria obstáculos a sua insolência”.

Devido a problemas financeiros, o Charlie Hebdo deixou de circular em dezembro de 1981 para ser relançado apenas em 1992, unindo chargistas veteranos e uma nova geração – que incluía Tignous e Charb, dois dos jornalistas mortos no ataque desta quarta-feira.

O partido francês Frente Nacional, de extrema direita, e todos os extremistas se tornaram os alvos favoritos do jornal. Devido às críticas irreverentes, o Charlie Hebdo foi processado diversas vezes na Justiça, mas era quase sempre absolvido, como em abril de 2010, em um processo movido por uma associação de extrema direita contra a edição “Spécial pape” (especial Papa).
Caricaturas de Maomé

Mas é em 2006 que estoura o maior escândalo do jornal, com a publicação de caricaturas do profeta Maomé, que já haviam sido publicadas pelo jornal dinamarquês “Jyllands-Posten”, em 2005, e que provocaram uma grande onda de violência no mundo muçulmano. Processado por diversos grupos, cujos maiores representantes foram a Grande Mesquita de Paris e a União de Organizações Islâmicas da França, o jornal foi absolvido. Para a corte, as caricaturas não representavam uma “injúria” contra os muçulmanos, mas uma crítica aos terroristas.

Em 2009, o jornal comemorou a sua 900ª edição com o novo título “Charlie 3” (terceira geração) e uma nova equipe, com Charb, morto no atentado, como diretor de redação. “Nos perguntamos o que temos que fazer para não indignar as pessoas”, afirmou ele, antes do lançamento do número “Charia Hebdo” com “Maomé como redator chefe”, em 2011.

A edição provocou a ira de grupos islâmicos e a sede do jornal foi alvo de um incêndio – com o lançamento de um coquetel molotov – sem vítimas.
Os outros dois jornalistas mortos no atentado foram Georges Wolinski, 80 anos, chargista mítico para toda uma geração, e Cabu, 76 anos, criador do personagem Grand Duduche. (Com RFI)
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09 de janeiro de 2015
(Jacky Naegelen – Reuters)

TSE ENFIM LIBERA DADOS PARA PSDB APURAR FRAUDE NA ELEIÇÃO DE DILMA

      


Somente esta semana, dois meses e meio depois da eleição presidencial, o Tribunal Superior Eleitoral enfim liberou os dados das urnas eletrônicas, para que o PSDB possa fazer a auditoria. A informação foi confirmada pelo advogado dos tucanos e coordenador dos trabalhos, Flávio Henrique Costa, que espera apresentar o relatório final dentro de 60 dias.

Reportagem de José Roberto Castro e Letícia Sorg, no Estadão, revela que os integrantes da equipe montada pelo PSDB se mostravam incomodados com a demora na liberação dos dados pelo TSE. Segundo o advogado do PSDB, a justificativa era de que “detalhes técnicos” estariam impedindo que a divulgação dos gráficos eleitorais pudesse ser feita antes.

Isso é muito estranho, porque todo o processo trafega eletronicamente por computadores. Que “detalhes técnicos” impeditivos seriam esses? O TSE, presidido pelo assumido petista Dias Toffoli, não os revela, o que dá margem a muitas especulações, já que todo processo eleitoral precisa ter a maior transparência possível, e isso jamais aconteceu, desde a própria eleição até a apuração, pela primeira vez realizada a portas fechadas, com Toffoli proibindo até mesmo a entrada dos demais ministros do TSE, fato nunca antes registrado na História deste país.

SUGESTÕES DA TRIBUNA

O comentarista José Moreira, que conhece profundamente o assunto, já escreveu aqui na Tribuna da Internet que, sejam quais forem os dados que as urnas eletrônicas apresentarem numa auditoria, isso não significa que o resultado final esteja certo.

É preciso verificar o algoritmo do sistema de totalização. E isto tem que ser feito é nos computadores do TSE e por uma empresa idônea e fora de qualquer suspeita, que não seja daqui. É necessário confrontar também, é lógico, a data das últimas modificações neste algoritmo. Se tiver havido alterações, que se faça recontagem dos votos com auditores externos” – salientou Moreira.

APARÊNCIA DE LEGALIDADE

O comentarista acrescentou que “o algoritmo pode ter sido programado para ir alterando pouco a pouco o resultado da totalização à medida que a apuração fosse caminhando para o final, visando conseguir resultado favorável à candidata quando atingisse 100% concluído, ainda que a vantagem fosse de 1% a 3% para dar a aparência de legitimidade”.

Moreira explicou que não existe sistema infalível nem inviolável, e uma alteração como esta, visando à fraude, é muito fácil de fazer. “Qualquer programador mais avançado pode fazer isso” – comentou, indagando: “Porque não se transmitiu toda a evolução da apuração? Qual seria o problema? Se a região Sul/Sudeste/Centro-Oeste é muito maior em número de eleitores, como pode a vantagem que Aécio tinha até os 88% da apuração ser “anulada” nos 12% restantes?”

FORMAÇÃO GRÁFICA IRREGULAR

Já o comentarista Prentice Franco assinalou que o confronto da configuração gráfica versus o tempo despendido na apuração pode mostrar uma formação irregular, típica de uso de algoritmos robóticos que padronizam um movimento, que deveria se aleatório caso eles não fossem usados.

Tem uma empresa expert no uso de algoritmos robóticos que vem denunciando uso de informações privilegiadas no mercado financeiro, e o faz somente pela análise dos gráficos. Essa empresa seria ideal para uma auditoria, pois eles são especialistas em movimentações gráficas programadas”, recomenda Franco.

Por fim, o PSDB deveria pesquisar com atenção a apuração em Minas Gerais. No dia da eleição, a Veja denunciou que Toffoli não somente proibira a transparência da totalização no TSE, mas também obrigara o TRE mineiro a fazer apuração em sigilo total, sem nenhuma troca de informações os com os demais TREs.

Detalhe: se Aécio tivesse tido 60% dos votos em Minas e Dilma apenas 40%, venceria a eleição. Mas, inexplicavelmente, os mineiros teriam preferido a candidata do PT. Será mesmo?

REFLEXÕES SOBRE O ATENTADO NA FRANÇA E A LIBERDADE DE IMPRENSA



A Virgem, violada pelos Reis Magos

Deixando de lado a violência, que vitimou doze pessoas neste atentado ao jornal Charlie Hebdo, os tais cartunistas tão elogiados pelo mundo provocaram em demasia a ira dos muçulmanos. Muito mais com os católicos, que, devido a sua índole alienada com relação à Igreja, jamais protestaram a respeito das aberrações em formas de charge contra Deus e o Papa.

Fala-se muito em liberdade de expressão, no entanto, é para esta finalidade? Deboche, escárnio, desprezo pelos valores alheios? Ora, isto não é jornalismo, mas abuso, falta de respeito, patifaria e da grossa!

A capa que ostenta uma relação sexual entre Deus, seu Filho e o Espírito Santo, deveria ser sumariamente censurada, pois não pode ser publicada uma imagem com tamanha desconsideração para bilhões de fiéis católicos.

ATENTADO ABOMINÁVEL

Repito: o assassinato dessas doze pessoas, dois policiais entre elas, é injustificável, abominável, execrável, porém, quer queiram ou não, há limites que devem ser preservados, mas a tal liberdade de expressão os ignora, não os aceita, o que me obriga a perguntar o seguinte:
Se qualquer pessoa ofende gratuitamente outra, e esta pode interpelar seu ofensor em Juízo e com chances de condená-lo por calúnia, injúria ou difamação, por que a imprensa tem esta regalia de poder publicar o que bem entender e querer ficar impune?

Os franceses exageraram, cuspiram na dignidade de milhões de cidadãos, abusaram da liberdade de poder publicar qualquer besteira, por pior que fosse, achando que era arte quando, na verdade, não passava de lixo, em função de seu conteúdo de péssimo gosto.

Se é assim, então vou pintar cartazes com imagens pornográficas e agressivas de quem não gosto e sair pelas ruas mostrando a minha “arte”, o meu talento e minha vocação.

Duvido que eu ande uma quadra antes de ser preso, merecidamente. Por que essa pornografia e essas ofensas podem ser publicadas em jornais? Qual é a diferença? Provocação? Ironia? A título de quê?! Rebeldia? Anarquismo?


A História do Menino Jesus

LIBERDADE DE IMPRENSA
Acredito que está sendo misturada propositadamente a importante liberdade de imprensa com liberalidade para alguns jornalistas, e o espírito de corpo da categoria, que é muito unido, hoje lamenta o atentado terrorista. Mas esse é o resultado de se querer fazer o que se quer, e não o que se deve!

Reitero: Prisão perpétua para os assassinos desses cidadãos, mas a imprensa precisa reciclar seus métodos. Ela não é a dona da verdade, não detém direitos sobre religiões, política, sociedade, indivíduos, e deve estabelecer limites, sim, da mesma forma como qualquer cidadão e entidade ou, então, rasguemos os códigos que estipulam e definem ofensas e agressões verbais e escritas, e passemos a escrever e dizer o que nos vêm à cabeça!

E se formos presos ou ameaçados de prisão, que justifiquemos tratar-se de arte, de liberdade de expressão, ora, e mandemos o Delegado de Polícia à m…!

DILMA NÃO ACEITA TRANSPARÊNCIA NOS GASTOS PÚBLICOS E NO BNDES

   


Na contramão dos discursos que marcaram sua campanha à reeleição, a presidente Dilma Rousseff rejeitou uma série de iniciativas aprovadas pelo Congresso que aumentava a transparência e o controle dos gastos públicos.

Entre os 32 vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, Dilma desobrigou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a divulgar na internet todas suas operações, incluindo aquelas com governos estrangeiros, assim como rejeitou a criação de um cadastro único de obras centralizado com os principais empreendimentos públicos em curso.

As mudanças haviam sido incluídas pelo ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) no parecer que apresentou no fim do ano passado como relator da LDO de 2015, e foram aprovadas por deputados e senadores em plenário. A presidente barrou as medidas na sexta-feira, dia em que foram divulgados os vetos dela às iniciativas chanceladas pelos parlamentares. A partir de fevereiro, quando voltado recesso, o Congresso deverá analisar os vetos.

DERRUBAR VETOS?

Nos bastidores, a aposta é que alguns partidos da base, como o PMDB, insatisfeitos com a montagem do segundo governo da petista, devem trabalhar para derrubar os vetos da presidente. A oposição criticou a iniciativa de Dilma.

Uma das principais modificações introduzidas por Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, garantia acesso irrestrito às informações do BNDES e de órgãos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Todos teriam de publicar, bimestralmente, um demonstrativo discriminando financiamentos a partir de R$ 500 mil concedidos a Estados, Distrito Federal, municípios e governos estrangeiros.

Em janeiro de 2014, o Estado revelou que o BNDES “sonega” informações a órgãos de fiscalização, como TCU, Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União, dados sobre operações de financiamentos sob a alegação de que tais informações estão protegidas pelo sigilo bancário.
Em agosto, a Justiça Federal em Brasília condenou o Banco a tornar públicas todas as operações de empréstimos e financiamentos feitos pela instituição que envolvam recursos públicos nos últimos dez anos. O Banco recorreu da decisão judicial.

CADASTRO É VETADO

Dilma também vetou outras iniciativas importantes do Congresso: a criação de um cadastro único de obras públicas com recursos federais; a adoção de um sistema de referência de preços para os custos de obras e serviços de engenharia com recursos da União; e a permissão dada pelo Legislativo para que recursos para a área de segurança pública e outras nove ações sejam liberadas de corte orçamentário. Nas justificativas para barrar as medidas, a presidente alegou, entre outros motivos, que as iniciativas podem desarranjar a política fiscal e dificultar o cumprimento da meta de superávit primário.

(reportagem enviada por Celso Serra)

09 de janeiro de 2015