"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 30 de maio de 2015

"PADRÃO FIFA" AINDA É O MODELO DA DILMA

Brasília - A Dilma não dá uma dentro. Depois de dizer na campanha que o seu governo adotaria o “Padrão Fifa”, agora vê desmoronar o maior antro de corrupção do mundo na área do futebol. A blitz realizada em um hotel de luxo da Suíça, onde os mafiosos estavam hospedados, levou a reboque o José Maria Marin, corrupto conhecido, a exemplo de Paulo Maluf, mas solto e fagueiro no Brasil. Preso pelo FBI, ele será extraditado para os Estados Unidos onde certamente terminará seus anos de vida na cadeia.

No Brasil, esses corruptos posam de ilustres personalidades ao lado de presidentes como Dilma e Lula, também envolvidos em maracutaias já comprovadas de recebimento de propina para suas campanhas. Paulo Maluf, hoje parceiro do Lula nas campanhas paulistas, é procurado em mais de cem países no mundo por corrupção mas continua dando as cartas na Câmara Federal e na política de São Paulo, onde foi convocado para uma parceria com o PT para eleger Haddad prefeito da cidade.

A prisão de José Maria Marin e dos corruptos da FIFA, a quem Dilma copia o padrão de administração, envergonha a Justiça brasileira. Alguns desses personagens anacrônicos e carcomidos pela corrupção, já deveriam estar encarcerados aqui. Muitos deles, exercendo mandatos, continuam roubando porque têm a certeza da impunidade. Veja os mensaleiros: passaram pouco tempo no xadrez e agora já pensam em deixar o país para morar no exterior, como anunciou o José Dirceu que pretende se mudar para Portugal.

Com os bolsos cheio de dinheiro, produto do roubo da Petrobrás e de outras empresas estatais, os mensaleiros chegaram a conclusão de que o crime compensa. Certamente não está compensando para o Marco Aurélio o intermediário do PT nas extorsões nas empresas estatais e privadas saqueadas por ele e sua quadrilha. Hoje abandonado pelos seus parceiros petistas.

Só no exterior Marin seria preso pela turma do FBI que esperou uma reunião da quadrilha da FIFA para algemar uma dezena deles, eleitores de Blatter , o presidente da organização criminosa. Aqui, no Brasil, solto, o ex-presidente da CBF era recebido pelas autoridades como um homem acima de qualquer suspeita, mesmo depois do flagrante dele roubando medalhas de atletas mostrado em rede de TV. Até a CBF na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro, mantinha o nome dele na fachada da sede que custou 100 milhões de reais, despesa nunca auditada por ninguém.

Infelizmente, na última década, a única coisa que o Brasil vem produzindo com muita eficiência é corrupto. Eles estão em toda parte: nas empresas estatais, no futebol, nos jogos olímpicos, nas prefeituras, nos governos estaduais, no Congresso Nacional e até escamoteados nos pequenos delitos praticados por garçons que adulteram as contas dos bares e restaurantes.

O Brasileiro começa a se envergonhar do seu país e de seus mandatários atolados na lama podre da bandidagem. O PT, que apregoava a ética na política, transformou-se no partido mais corrupto da história do pais. Seus dirigentes, muitos já presos e condenados, ainda vivem aboletados no poder sugando o que resta do dinheiro púbico de um país que vive a pré-falência econômica e desce rapidamente a ladeira da indecência administrativa.

Com a prisão de Marin, os torcedores brasileiros lavam a alma pelos 7x1 da Alemanha, agora acrescido de mais 1 no pijama listrado do ex-presidente da CBF atrás das grades: 171.



30 de maio de 2015
Jorge Oliveira

CADÊ O CARTÃO CORPORATIVO DA ROSE DO LULA???

PLANALTO IGNORA LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO PARA PROTEGER ROSE
GOVERNO ESCONDE GASTOS COM CARTÃO CORPORATIVO DE ROSE, DO LULA



AMIGA ÍNTIMA DE LULA, FOI CHEFE DE GABINETE DELE
E HOJE É PROCESSADA POR TRÁFICO DE INFLUÊNCIA,
CORRUPÇÃO PASSIVA E FORMAÇÃO DE QUADRILHA.
(FOTO: FERNANDO CAVALCANTI/VEJA)


O Planalto optou por ofender a Lei de Acesso à Informação, que Dilma sancionou, para esconder o relatório de gastos do cartão corporativo utilizado pela ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, amiga íntima de Lula. Após 45 dias enrolando, o Planalto alegou ontem, em resumo, que a farra de gastos de Rosemary virou caso de “segurança da sociedade e do Estado”.

Rosemary foi alvo da operação Porto Seguro, da Polícia Federal, e denunciada pelo Ministério Público por improbidade administrativa.

Acusada de tráfico de influência, corrupção passiva e formação de quadrilha, Rose ficou conhecida como “facilitadora-geral da República”.

Quase sempre presente em viagens internacionais nas ausências de d. Marisa, Rose Noronha até fez indicações para cargos importantes.

Mesmo sob a Lei de Acesso à Informação, o Planalto não mostrou valores, datas, locais e transações de Rose com cartão corporativo.



30 de maio de 2015
diário do poder

OS POLÍTICOS ESTÃO EM SEUS CURRAIS, DE COSTAS PARA A SOCIEDADE

Com uma reforma política que nada reforma em andamento no Congresso – em breve os deputados votarão sobre voto facultativo e tempo de mandatos – reforça-se a sensação de que os partidos políticos estão alheios aos anseios da sociedade.

Por acaso esta semana tive acesso a uma pesquisa qualitativa feita com centenas de grupos culturais, formados principalmente por jovens, da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro. É uma região pobre: a maior parte de seus municípios tem índices sociais e educacionais abaixo da média nacional. E como é vista a política? 
Na visão de muitos jovens, e isso é preocupante, a política local é vista como barreira para seu auto-desenvolvimento: querem nos manter como que em um “curral eleitoral”, alguns disseram.

Ou seja: aos políticos locais interessa manter um estado de precariedade, no qual eles, os agentes políticos, possam ser os intermediários de verbas, de ajuda etc. Na visão desses jovens, o desenvolvimento pessoal, econômico, cultural do cidadão é visto como ameaça a um sistema político que se equilibra na troca de favores e votos.

Quando as forças políticas hegemônicas agem na Câmara para nada mudar, agem para manter o status quo; pensam segundo a lógica dos currais eleitorais. Como sair da lama assim?

Tirando o fim da reeleição, que nos faz retornar ao que era antes de 1997, e uma pífia cláusula de barreiras (que vai penalizar apenas partidos inexpressivos), a semana se encerra com votações que não mexem em nada essencial. O sistema eleitoral resta intacto e o financiamento privado de campanha foi aprovado ou “constitucionalizado” (lembrando que as medidas serão votadas ainda pelo Senado).

Depois das manifestações de junho de 2013, de uma campanha presidencial na qual os principais candidatos enfatizaram a necessidade de uma reforma profunda e das seguidas pesquisas de opinião que mostram um pico de rejeição aos partidos em geral, a Câmara não conseguiu parir, sequer, um rato. Os parlamentares não se mostraram interessados em encarar de frente a grave crise de representatividade que assola o sistema político; a nau parlamentar, fragmentada em 28 legendas, decidiu não embicar para lugar algum.
Como se a política tal qual está hoje não fosse parte do nó-Brasil. Vai desatar um dia?

30 de maio de 2015
Rogério Jordão

O HUMOR DO DUKE...

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30 de maio de 2015

SIGAM O DINHEIRO

RIO DE JANEIRO - No filme "Todos os Homens do Presidente" (1976), Bob Woodward e Carl Bernstein são os repórteres do "Washington Post" que expuseram a conspiração (real) armada pela Casa Branca em 1972 –o famoso Caso Watergate– para sufocar o Partido Democrata. Os repórteres tinham um informante secreto, que chamavam de "Garganta Profunda". Quando se viam embatucados, sem saber como continuar, "Garganta Profunda" aconselhava: "Sigam o dinheiro".

Queria dizer que, se seguissem a trama de depósitos, saques e propinas envolvendo alguns suspeitos, chegariam aos cabeças e talvez ao mandante-mor –o que aconteceu e levou à renúncia do presidente Nixon. O filme reflete a história como ela aconteceu, exceto num ponto: "Garganta Profunda" nunca disse a frase "Sigam o dinheiro".

Ela foi uma criação do brilhante roteirista William Goldman, já respeitado então pelos roteiros de "Butch Cassidy" (1969) e "Maratona da Morte" (1976). Talvez sem querer, foi o que Woodward e Bernstein fizeram: seguiram o dinheiro e foram dar nas entranhas do caso. Desde então, a frase de Goldman se tornou um mote para esse tipo de investigação. O mundo fica lhe devendo esta.

Há anos, muitos repórteres e agentes da lei têm tentado seguir o dinheiro que circula nas monumentais negociatas da Fifa. Mas foi preciso que essas se dessem em território americano para que o camburão do FBI saísse para recolher os primeiros implicados. O aprofundamento das investigações revelará um esquema que não operava apenas para render milhões a alguns aqui ou ali, mas para perpetuar-se como uma estrutura de poder –como um sistema que não dependesse dos operadores.

No passado, os corruptos eram avulsos e equivaliam aos ladrões de galinha. Hoje, eles usam um supergalinheiro como frente para os bilhões escusos que movimentam.


30 de maio de 2015
Ruy Castro

ESTADO CORRUPTO E ESTADO VIOLENTO: A CONJUNÇÃO

Hora de mudar hábitos e trocar rotinas: acostumados a acompanhar os escândalos nas páginas de política, a violência urbana no noticiário local e os desmandos no futebol nos cadernos de esporte, agora se tornou impossível escapar do confronto com a totalidade.
Estamos condenados ao holismo, não há alternativas: o tamanho e concomitância das nossas desgraças nos obriga a encará-las como aberração única, expandida e integrada. A complacência e, sobretudo, a impunidade colocaram ao lado do gigante adormecido outro gigante, desperto e esperto que maliciosamente juntou num único pacote aquilo que por comodismo sempre tratamos de forma descuidada e fragmentada.

Os assombrosos resultados da Operação Lava Jato, o pavoroso crescimento da delinquência nas ruas e, agora, o encarceramento na Suíça de um dirigente máximo do nosso futebol não são ficções, esta consolidação dos ilícitos não é casual, não estamos nos capítulos finais de uma telenovela com pretensões planetárias nem diante de uma fábula catastrofista.


A realidade, ela sim, assume conotações apocalípticas porque perversamente nos distrai com querelas secundárias – maioridade penal, distritos eleitorais, shopping no parlamento etc. – e nos faz esquecer de mazelas descomunais: o presidente da Câmara dos Deputados assim como o seu colega, presidente do Senado e chefe do Legislativo, não têm no momento legitimidade para propor, debater e votar emendas à Constituição. Incluídos nas investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República, no chamado petrolão, estão sob suspeita.


Em sociedades onde impera a decência e a compostura, incriminados em qualquer ação de improbidade se afastam voluntariamente de funções onde sua atuação possa ser eventualmente questionada. Aqui, ao contrário, a praxe é agarrar-se ostensivamente ao poder até como prova de inocência. E, assim, assistimos impassíveis ao deprimente espetáculo – digno do Coliseu Romano – de uma Carta Magna sendo emendada por representantes do povo com idoneidade ainda não comprovada.

Normal, ninguém estrila ou esperneia. A sociedade se esgoela na discussão sobre a maioridade penal enquanto alguns cidadãos encanecidos sentem-se no direito de gozar de imunidades indevidas.


A impunidade é o cimento que junta os malfeitores da Petrobras com os delinquentes de rua e a bandidagem que rodeia os gramados de futebol. A extrema elasticidade na punição de certos pecados, ao longo dos séculos criou uma sociedade desatenta às infrações, conivente. O fenômeno da cartolagem não se restringe ao âmbito do nobre esporte bretão, todos se consideram imunes e inimputáveis, certos de seus privilégios.

Além de vulneráveis à tempestade perfeita na esfera socioeconômica estamos sendo convocados para uma tarefa urgente, inédita, no âmbito moral e político: o despertar para as dimensões do fenômeno sem colocar em risco o sistema que escolhemos para viver: a legalidade democrática.

O Estado corrompido é naturalmente violento. Nosso desafio é acabar com a causa e com o efeito, sem ferir o paciente. Coisa de adultos


30 de maio de 2015
Alberto Dines

QUEM AINDA ESCUTA DILMA?

A ida da presidente Dilma Rousseff ao Congresso do PC do B, realizado em São Paulo, foi mais uma oportunidade que ela teve para se pôr na contramão da maioria da Câmara dos Deputados, que começou a votar a reforma política.

Trata-se de alguma manobra de Dilma que, de tão inteligente, poucos conseguem entender a que veio.

Nesta semana, por larga maioria, a Câmara aprovou emenda à Constituição que permite o financiamento privado de campanhas. Empresas poderão continuar doando a partidos. Candidatos só poderão receber doações de pessoas físicas.

O PT defende o financiamento público. Talvez para fazer média com ele, foi como procedeu Dilma no Congresso do PC do B.

Faria algum sentido ela ficar contra uma decisão da Câmara se tivesse esperança de revertê-la. Mas não é o caso. Poucos deputados ainda se preocupam em votar de acordo com Dilma. Poucos fazem questão de saber o que o governo pensa a respeito.

PT e PC do B pensam o que Dilma defendeu. Mas os dois partidos não são suficientes para garantir uma mudança de posição da Câmara.

Recomenda-se a algum assessor capaz de ser ouvido por Dilma que a aconselhe a pensar bastante antes de falar. Para não perder seu tempo. Para não perder o tempo dos outros. Para não se desgastar de graça.

Com frequência, ela dá a impressão de viver num mundo que não existe. Ou que deixou de existir.


30 de maio de 2015
Ricardo Noblat

FACA, TESOURA, ESPADA


A linguagem popular chama de dolorosa a cobrança que chega, ao final de uma noitada com os amigos num bar. Desgraçadamente, os últimos dias têm nos lembrado a quanta dor essa metáfora pode aludir. Sabemos todos, inclusive quem finge esquecer, que não há almoço grátis. Acontecimentos recentes confirmam que a conta a pagar, quando chega, pode mesmo vir envolta em outra metáfora, a de cortar na própria carne, como tantas vezes governantes convictos de seus acertos fingem prometer, em tom de valentia e bazófia, logo antes de passar adiante a fatura para que outros a saldem.

Tesouras e facas nos chamam agora à realidade.

Um ajuste fiscal cheio de cortes é fundamental para viabilizar o futuro e corrigir os erros do passado — como sabe qualquer pessoa minimamente lúcida e informada. Certamente o sabiam durante a campanha eleitoral os governantes, mais informados do que todos. Calaram por falsidade e esperteza marqueteira.

A tesoura era indispensável, exigida por equívocos na condução da economia. Despesas de custeio exageradas, descontrole fiscal, contenção de preços administrados, desonerações irresponsáveis, projetos megalômanos que não saíram do papel, incompetência gerencial, desperdício generalizado, crescimento pífio, alto endividamento público, deterioração do mercado de trabalho, decisões mais baseadas na ideologia do que na razão, tudo se somou à queda nos preços internacionais e contribuiu para que a situação econômica chegasse a esse ponto. Sem falar na corrupção, que, embora gigantesca, foi responsável apenas por 10% das perdas anuais da Petrobras, ficando os outros 90% por conta de erros de gestão — segundo o relatório da empresa. Por despreparo, teimosia ou disciplina partidária. Erros que se repetem agora no front político, quando não se planeja reduzir gastos correntes ou governistas se recusam a apoiar o ajuste inevitável, na hora da conta a pagar. E suas lideranças abdicam da responsabilidade de assumir seu papel pedagógico e explicar as razões dessa necessidade inescapável. Um estadista abandonaria os adjetivos desqualificadores contra quem pensa diferente e traria números e razão ao debate. Mas estadista parece ser animal em extinção. A ser combatido, como parte do risco de se valorizar alguma pretensa elite.

No meio do alarido selvagem de xingamentos, falsidades e agressões de todo tipo que, mesmo após meses do fim da campanha, ainda se mantém atuante no bate-boca entre políticos e na superficialidade vazia e rasteira dos comentários nas redes sociais, perde-se um tempo precioso. E não é de hoje. Talvez a perda de tempo seja o maior prejuízo nacional. Responsável por que não se saia do lugar e que nem ao menos se consiga enxergar direito o que deve ser examinado.

Nesse quadro, as facadas que se multiplicam em ataques covardes pelas ruas chamam a atenção para outras dores e outros cortes. Toda a discussão sobre redução da maioridade penal, por exemplo, se desvia do que devia estar em foco. Não se trata de saber se o ECA protege demais ou de menos, ou se cadeia aos 16 anos ajuda ou atrapalha. A pergunta que está no fundo é outra, não formulada: você é contra ou a favor da impunidade de criminosos? Sejam eles assassinos ou ladrões. Esclarecido isso, quais as sugestões? Ficamos de braços cruzados batendo boca? Ou definimos as punições, quando necessárias? É outro patamar de debates, sem prejuízo do exame de medidas preventivas e da análise do arcabouço penal.

Juristas, educadores e psicólogos estão certos: é melhor construir escolas que presídios. Mas hoje no Rio o que falta não são prédios escolares, podemos deixar as construtoras em paz por algum tempo. Dá para ir mais rápido rumo ao futuro. Precisamos é formar e apoiar concretamente os professores que nelas trabalham — quando há. Garantir que as crianças e os adolescentes as frequentem, sem zanzar pelas ruas em bandos, em busca de algo que, entregue a receptadores, possa ser transformado em grana para adquirir uma roupa descolada ou umas pedras de crack, e ainda traga a admiração da galera, sobretudo das meninas. Evitemos que repitam sua própria situação, em famílias onde o pai sumiu no mundo há anos, ou foi morto ou preso, enquanto a mãe que engravidara adolescente está às voltas com companheiros que espancam, e a avó faz o que pode — o que raramente é mais do que chorar e rezar. Isso vem de longe e está sendo construído há muito tempo. Tempo que se perdeu em discussões intelectuais bizantinas ou em exploração política da desgraça alheia.

Na hora em que chega a dolorosa conta a pagar, dói mesmo. Muito. Dor que aumenta a cada dia. Se não começarmos a pagar já, ficará insustentável. O mínimo que se exige das cabeças pensantes é responsabilidade e compreensão da urgência para distinguir as prioridades.

Essa é a espada que pesa sobre todos nós. Muito mais séria do que a espada do impeachment, olimpicamente descartada esta semana pela presidente em sua entrevista no México.


30 de maio de 2015
Ana Maria Machado

RECESSÃO NO BRASIL PIORA MAIS RÁPIDO DO QUE O MERCADO IMAGINAVA

BRASÍLIA - A recessão é grave e se aprofunda a cada semana, muito mais rapidamente do que imaginavam economistas das principais instituições financeiras do Brasil. Eles próprios admitem, em conversas reservadas.

Oficialmente, a projeção de mercado para o desempenho do PIB este ano é de -1,24%. Mesmo tendo piorado significativamente nos últimos seis meses, ela ainda é boa demais para ser verdade, segundo a maioria dos economistas entrevistados pela Reuters em condição de anonimato.

Nesta semana, Itaú e Bradesco, os dois maiores bancos privados do Brasil, transpareceram publicamente essa preocupação. Segundo o economista-chefe do Itaú e ex-diretor do Banco Central Ilan Goldfajn, -1,5% “parece otimista”. O Bradesco divulgou relatório esperando recuo de 2% este ano.

Longe dos microfones, colegas de Goldfajn de outras instituições financeiras não poupam palavras para descrever a situação atual. A economia está “paralisada”, “estrangulada”, “desmilinguindo”, segundo relatos de profissionais que acompanham diariamente as condições econômicas.

Todas as expectativas para o resultado do PIB do primeiro trimestre eram abaixo de zero. E o recuo frente ao último trimestre de 2014 foi de 0,2%, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira. As projeções para o segundo trimestre são ainda piores.

A evidência mais recente foi o indicador de criação de empregos em abril, divulgado semana passada. Quase 100 mil postos de trabalho foram fechados no país, muito além do que os mais pessimistas temiam. Há muitos outros indícios, alguns triviais: o salário de admissão caiu 1,8% sobre abril de 2014 e o consumo de diesel recuou 3%.

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Poderia ser pior: até o começo do ano, o medo era de que o Brasil fosse rebaixado pelas agências de risco e entrasse em uma crise financeira com disparada do dólar e quebradeira geral. O ajuste fiscal da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, contornou esse problema e deve equilibrar as contas públicas nos próximos anos, segundo economistas, embora esse equilíbrio seja mais precário do que o da década passada.

Ainda assim, a recessão é grave. A aposta generalizada de que a economia bateria no fundo do poço no segundo trimestre já é questionada por muitos, que procuram (e não acham) razão para uma melhora no segundo semestre.

A economia brasileira já surpreendeu pela força no passado, mas normalmente contava com aumento dos preços das commodities no exterior e desvalorização cambial. O dólar subiu, é verdade, mas a inflação corroeu parte dos ganhos reais e ele agora opera perto do equilíbrio, segundo economistas e o próprio BC.

O consumo deve recuar ainda mais com o aumento do desemprego, que caminha para 10% se os dados do Caged mantiverem a tendência horrível de abril. Os investimentos seguem paralisados, com construtoras de todo o Brasil lutando para sobreviver ou reaprendendo a fazer negócios com o Estado após a Operação Lava-Jato. As concessões de infraestrutura ainda estão no papel.

O aumento de juros pelo Banco Central, por ora, mais atrapalha do que ajuda na retomada da confiança prometida por Levy com seu ajuste fiscal. Para muitos, o BC já fez o suficiente.

Ainda assim, mesmo que a confiança se recupere, por que investir se a capacidade ociosa é tão ampla e se os estoques continuam elevados?

No lado externo, o dólar mais caro ainda deve levar mais tempo para ajudar as exportações; se houver algum benefício no curto prazo, será mais pela piora intensa das importações.

A esperança é de que os investidores estrangeiros dobrem a aposta no Brasil e repitam a entrada de capitais vista no mês passado. Economistas de duas instituições disseram que esse pode ser o caminho: o Brasil ainda desperta interesse lá fora, e parece cada vez mais barato em dólares.

Outra possibilidade é que a inflação menor em 2016 incentive o consumo. Mas, para isso, o desemprego não pode ser muito alto.

Ambas, no entanto, são apostas prematuras. Para o economista de um grande banco, sem um socorro externo, o mais provável é que a economia doméstica só volte a gerar riqueza daqui a vários anos, após um longo processo de redução de custos. Em outras palavras, com desemprego e salários abaixo da inflação.


30 de maio de 2015
Silvio Cascione

ASCENSÃO E QUEDA DE UM MITO

Vou começar por onde Fernando Gabeira terminou, com o brilho habitual, seu artigo de 22 de maio: “O Brasil não precisa apenas de um ajuste fiscal, mas de rever todo o modelo que nos jogou no buraco.” Bravo! Mas o Brasil precisa também se livrar do governo do PT, que não é o único, mas é certamente um enorme obstáculo à modernização política, econômica e social. E é o principal responsável pelo buraco.


Livrar-se do PT é, bem entendido, uma maneira de dizer. Não há de acontecer com Lula & Cia. nada além do que têm feito por merecer desde que optaram por trair os princípios pelos qual vieram à luz e se transformaram no símbolo de tudo aquilo que se propunham a combater na política. Fraudaram a boa-fé dos brasileiros, que agora lhes viram as costas. É o que merecem.

A trajetória do PT da esperança ao descrédito é a história da ascensão e queda de um mito. Gestado, nos anos derradeiros da ditadura militar, a partir da bem-sucedida mobilização dos operários fabris da Grande São Paulo em torno da reivindicação de seus direitos trabalhistas, desde sua origem esse movimento, o chamado sindicalismo autêntico, esteve declaradamente focado não nos interesses do País como um todo, mas na defesa dos interesses dos assalariados. Principalmente daqueles que integravam a elite da massa operária: os empregados na indústria automobilística e de autopeças. O líder mítico que surgiu então não foi “Lula, o trabalhador”, mas “Lula, o metalúrgico”.

Desde que começou a se destacar na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Lula, o metalúrgico, sempre fez questão de manifestar desdém pela atividade política e a firme determinação de jamais disputar eleições. A posterior influência de intelectuais de esquerda e outros apoiadores acabou convencendo Lula e seus liderados da necessidade de participarem da luta político-partidária, o que supunha conquistar o apoio de um eleitorado mais amplo do que o operariado fabril.

Dois anos depois da fundação do PT Lula era candidato a governador de São Paulo, no pleito vencido por Franco Montoro. E então já não falava apenas em nome dos metalúrgicos, mas de “milhões de brasileiros” decididos a “intervir na vida social e política do País para transformá-la”. O manifesto de criação do PT, como que pedindo desculpas pelo fato de os petistas se entregarem ao sacrifício de participar de um jogo político-eleitoral viciado, já explicara que a “participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”.

Uma das poucas coisas que nunca mudaram no PT é exatamente o tom populista que já permeava o manifesto divulgado por ocasião do lançamento da legenda, em fevereiro de 1980. Um texto obviamente destinado também a explorar o sentimento nacional de resistência a uma ditadura no poder havia mais de 15 anos. Contra um regime “de direita” o PT proclamava generalidades “de esquerda”, tais como “é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares” e que “esses interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular”. Uma questão para a qual, como se vê hoje, os petistas não conseguem dar resposta.

Por um bom tempo, pelo menos até a primeira eleição presidencial disputada por Lula, em 1989, contra Fernando Collor, o discurso petista, repetindo enunciado do seu manifesto de fundação, insistia em que “a democracia plena é exercida diretamente pelas massas”. Uma colocação contraditória, porque uma democracia jamais será “plena” quando o conceito de massas exclui, por exemplo, a classe média não operária ou as tão odiadas “elites”. Ou seja, pura retórica populista a serviço de um projeto de poder que foi gradualmente se transformando num fim em si mesmo.

Trinta e cinco anos depois de sua fundação, o PT não tem mais nada que ver com a legenda que sindicalistas “autênticos” fundaram, com o apoio de intelectuais de esquerda e dirigentes católicos progressistas, para combater a ditadura militar e transformar “a vida social e política do País”. Os intelectuais de esquerda verdadeiramente idealistas foram aos poucos se afastando, por uma questão de coerência, depois de Lula ter chegado ao poder disposto a qualquer concessão para lá permanecer. A Igreja Católica está hoje mais preocupada em manter seu rebanho a salvo da sedução dos evangélicos. Sobraram no partido, com honrosas exceções, os oportunistas, que se dividem agora entre os que apoiam o governo e os que lhe fazem oposição, de acordo com seus próprios interesses.

Assim, hoje totalmente convertido à prática de um sistema político conveniente a seu projeto de poder, o PT não tem interesse em reformá-lo em profundidade, como o demonstra o fato de que em 12 anos não mexeu uma palha nessa direção.

Sobre a modernização da economia em benefício da criação de riquezas que beneficiem todos os brasileiros, a evidência de que hoje o País anda para trás se revela em indesmentíveis números e cifras. Mais do que de incompetência, porém, esse fiasco resulta da teimosia de quem, como Dilma Rousseff, não acredita na iniciativa privada para a produção de riquezas e entende que o Estado provedor é a solução para todos os problemas.
Consequentemente, as conquistas sociais em que o governo do próprio PT avançou nos dois mandatos de Lula estão agora ameaçadas de retrocesso, pois a cornucópia do governo se exauriu.

Atendida a urgência do ajuste fiscal, será preciso lutar, portanto, pela revisão de todo o modelo que nos jogou no buraco. E também dar um basta a quem o cavou. O meio para isso é o voto. E a primeira oportunidade para usá-lo se oferece já em outubro do próximo ano.
30 de maio de 2015
A.P.Quartim de Moraes

ESTÁ EXPLICADO...

AGORA ENTENDEMOS.....




"Finalmente entendi o que Dilma quis dizer quando afirmou que seu governo era padrão Fifa..."

 
Rodrigo Constantino


30 de maio de 2015

MAIS UM ESCÂNDALO DO PT.

OPERAÇÃO DA PF INVESTIGA CAIXA PARALELO QUE TERIA ALIMENTADO CAMPANHA ELEITORAL DE PIMENTEL.


Na primeira foto, Pimentel condecorando Stédile, o chefete dos terroristas do MST. Na sequência Pimentel com Nicolás Maduro e aspone Top Top Garcia. Em seguida, com Maduro e Elias Jaua, o ministro bolivariano para implantação de "comunas". Fechando, como não poderia deixar de ser, de mãos dadas com José Dirceu.
Documentos constantes do inquérito da Operação Acrônimo mostram que vai muito além da amizade a relação do empresário Benedito Oliveira Neto, operador do PT preso nesta sexta-feira, com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Obtidos com exclusividade por VEJA, os documentos levantam a suspeita de que Bené operava uma espécie de caixa paralelo na campanha de Pimentel ao governo. Além disso, indicam que a mulher de Pimentel, Caroline Oliveira, seria dona de uma empresa fantasma utilizada pela organização criminosa.

A PRIMEIRA-DAMA: Ministério Público Federal levanta a suspeita de que a mulher de Pimentel, Caroline Oliveira (foto acima), seria dona de uma empresa fantasma ligada à organização criminosa comandada por Bené - Clique sobre a imagem para vê-la ampliada
A PF investiga se dinheiro proveniente de contratos públicos foi desviado, como no escândalo do petrolão, para campanhas políticas. Há a suspeita de que as empresas de Bené, que receberam cerca de meio bilhão de reais do governo federal desde 2005, tenham bancado gastos de campanhas eleitorais petistas. O termo de busca e apreensão da PF lista documentos que ligam Bené a um suposto esquema de caixa dois na campanha do petista ao governo de Minas.
“CAMPANHA PIMENTEL”: o termo de busca e apreensão da PF lista documentos que ligam Bené a um possível caixa paralelo na campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais. Clique sobre a imagem para vê-la ampliada
Bené, como se sabe, é um generoso pagador de contas do PT. Em 2010, bancou as despesas de uma casa que era usada como comitê de campanha da candidata Dilma Rousseff. Também financiou o grupo de arapongas arregimentado para produzir dossiês contra os adversários políticos dos petistas. Naquela ocasião, o empresário lidava diretamente com Pimentel, que era um dos coordenadores da campanha de Dilma.

Quem abriu as portas do PT para o empresário foi o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, o mesmo que apresentou Marcos Valério, o notório operador do mensalão, ao partido. Segundo os investigadores, Virgílio mantém uma "sociedade dissimulada" com Bené e recebeu pelo menos 750 000 reais do parceiro. Matéria e facsímiles dos documentos do site da revista Veja
VIRGÍLIO GUIMARÃES, O ONIPRESENTE: o ex-deputado petista apresentou Marcos Valério ao PT no mensalão; agora, ele aparece, segundo os investigadores, em “sociedade dissimulada” com o operador Bené - Clique sobre a imagem para vê-la ampliada
30 de maio de 2015
in aluizio amorim

DILMA ESTÁ FAZENDO UM HARAQUIRI FISCAL







A canetadas, Dilma pode estar cavando a cova do próprio partido. E o pior: para sepultar, inclusive, o legado pelo qual o PT reivindica ser responsável. Desde que chegou lá, em 2003, Lula deixou claro qual parcela da população deveria ser o alvo prioritário das políticas de Estado: os mais pobres.
Por meio do estímulo de políticas desenvolvimentistas, o desemprego caiu, a miséria quase se extinguiu, ampliou-se o consumo por uma classe média inflada, e o acesso à educação demonstrou-se a caminho da universalidade. Foi esse estado de premente transformação que garantiu três reeleições do PT, apesar dos vários escândalos no caminho e do empenho diuturno de nossa fatia aristocrata (de fato ou pseudo) e exclusivista em tentar, em vão, obscurecer a face real da mudança social em curso.
Pois o ciclo petista no Planalto atinge um estágio especial imediatamente após a reeleição de Dilma. O desemprego cresce, bate em nossas portas, e os índices de inflação resistem, vão superar o teto da meta apesar das elevações da taxa Selic mês a mês – o que confirma a tese de que há formas mais eficazes de se praticar política monetária contracionista em cenários de estagnação ou recessão.
SEM CONSUMO
Fato é que a baliza mestra do lulismo, a inclusão pelo consumo, trincou-se. O povo anda com dinheiro curto, com crédito mais caro na praça, e quem tem emprego percebe que é o momento de lutar para mantê-lo. O governo petista está perdendo, portanto, o público cativo que provou e aprovou seu “modus”. Perdendo essa massa, que armas restarão para Lula, Dilma e o PT contra uma crise de sete cabeças?
Qual o próximo capítulo? A retração nas políticas sociais. Dilma e os ministros garantem que não, que o ajuste fiscal é implementado justamente para garantir o orçamento das ações de transferência de renda. Mas alguém ainda acredita no que ela diz?
A presidente cantou o valor de R$ 70 bilhões para contingenciamento nos ministérios, sendo esse outro nome para arrocho. O Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, é exemplo de iniciativa que não sairá ilesa do facão. Trata-se de um programa com força para fazer girar um segmento poderoso e multiplicador da economia, que gera uma cadeia de empregos formais, especialmente para trabalhadores menos capacitados. A próxima sequela recairá sobre o Bolsa Família? Quem garante que não?
SOBRAM BANANAS
Dilma, Levy, Barbosa, Mercadante e cia. perpetuam a velha sina dos países em desenvolvimento, ou subdesenvolvidos: quando seu povo mais precisa do Estado é quando o Estado mais se nega a atendê-lo. Duro é saber que, ainda hoje, há muito mérito próprio retratado nos desmandos que acorrentam nosso país a seu fado histórico.
Dependente desde sempre de vender suas bananas ao mundo, o Brasil entra em recessão quando sobram bananas, ou porque a safra foi inesperadamente boa, ou porque se enjoou delas no hemisfério Norte. O resultado é que as políticas sociais, financiadas pela venda de nossas bananas, não se expandem ou retraem em contrafluxo ao andamento desse comércio internacional, como deveriam.

30 de maio de 2015
João Gualberto Jr.
O Tempo

TV GLOBO DIZ QUE NÃO SABIA DE NADA E A MÍDIA NÃO ESTÁ ENVOLVIDA



A Rede Globo, através de seus telejornais, vem registrando alguns pontos em que a investigação do escândalo da Fifa poderá se refletir na própria emissora.
Anota, como no “Jornal da Globo” desta quarta (29), que “não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão”, caso da Globo. Ou, já em versão enxuta no “Bom Dia Brasil” e “Hoje” de quinta, “sobre essas empresas de mídia não pesam acusações ou suspeitas”.
Em breve editorial lido por William Bonner no “Jornal Nacional” de quarta, citou-se a si mesma: “A TV Globo, que compra os direitos de muitas dessas competições, só tem a desejar que as investigações cheguem a bom termo e que o ambiente de negócios do futebol seja honesto”.
E Bonner completou: “Isso só vai trazer benefícios ao público, que é apaixonado por esse esporte, e às emissoras do mundo todo que, como a Globo, fazem esforço enorme para satisfazer essa paixão”.
UMA DAS AFILIADAS
A emissora também citou a si mesma, de passagem, ao tratar de José Hawilla, pivô do escândalo na América Latina, no “JG” e no “BDB”: “Hawilla também é acionista da TV TEM, uma das afiliadas da TV Globo”.
A relação com Hawilla é mais extensa do que pode parecer, não só pela aquisição dos direitos de transmissão e pela TV TEM, mas em outros negócios.
No caso da TV TEM, trata-se da maior rede de afiliadas da Globo no interior paulista, em extensão, cobrindo metade do Estado, com base em cidades como São José do Rio Preto e Sorocaba e canais adquiridos junto à própria Globo, 12 anos atrás.
COMO A BAND…
Tem um faturamento anual de cerca de US$ 300 milhões, segundo estimativas de mercado, aproximando-se de redes nacionais como a Band.
Como Hawilla declarou em entrevistas à época da criação da rede, a Globo foi sua sócia da TV TEM, com 10% do negócio, ao menos nos primeiros anos.
Entre outros negócios, o vínculo da Globo com Hawilla se estende à própria programação nacional da rede.
A produtora TV 7, que é parte da Traffic do empresário, realiza entre outros programas o “Auto Esporte” e o “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”.
Ambas as atrações são transmitidas aos domingos pela Rede Globo.

30 de maio de 2015

DO SHOPPING AO MOTEL, A POLÍTICA VAI DESPENCANDO



Escárnio. Abuso. Estupro. Afronta. Tragédia. Vergonha. Essas foram algumas das palavras ouvidas nesta quinta no plenário do Senado. O tema dos discursos era o chamado shopping dos deputados, projeto de Eduardo Cunha para construir três edifícios com gabinetes, restaurantes e lojas na Câmara.
O ímpeto empreendedor do peemedebista forjou uma aliança incomum no Senado. Adversários políticos se uniram contra a inclusão do artigo que abriu caminho ao “parlashopping” em uma medida provisória sobre a tributação de importados.
“É um estupro que se coloca, um escárnio. É um deboche”, protestou Cristovam Buarque (PDT-DF). “É um desmantelamento completo, um insulto”, emendou Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “É uma verdadeira tragédia legislativa”, disse Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). “É uma bomba, fonte de escândalos futuros garantidos”, avisou José Serra (PSDB-SP).
MERCADO PERSA
“Aquela Câmara dos Deputados, que já é de muito tempo um balcão de negócios pela prática do governo do PT, vai se transformar agora num mercado persa”, sintetizou Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Outros senadores atacaram a profusão dos “jabutis”, artigos incluídos em MPs sobre outros temas. A do “parlashopping” reuniu mais 16, distribuindo incentivos a produtores de leite, igrejas, fábricas de bebidas. A palavra “negociata” foi pronunciada seis vezes antes do meio-dia.
“Daqui a pouco, nós vamos ter que fazer uma CPI sobre tramitação de medida provisória”, disse Jorge Viana (PT-AC). “Há anos, estamos vendo acontecer algo, negociatas, um balcão de negócios, em que parlamentares fecham acordos para pagar dívida de campanha, para financiar novas campanhas, para enriquecer.”
Diante da ousadia de Cunha, até Jader Barbalho (PMDB-PA) se sentiu autorizado a protestar. “Só está faltando mesmo, me desculpem, proporem aqui no Congresso a construção de um motel”, disse.
Do jeito que a coisa vai, é melhor não duvidar.

30 de maio de 2015
Bernardo Mello Franco
Folha

PF VASCULHA APARTAMENTO ONDE A PRIMEIRA DAMA DE MINAS MOROU



Equipe da Policia Federal cumpre mandado de busca e apreensão em Gráfica Brasil de Brasília
Agentes fizeram busca também na Gráfica Brasil, em Brasília



















Um endereço utilizado até o ano passado como residência da atual mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT-MG), e a casa do ex-deputado federal pelo PT mineiro Virgílio Guimarães foram alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Acrônimo, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (29).
A operação, que prendeu o empresário Benedito Rodrigues – ligado ao PT, ele manteve R$ 525 milhões em contratos com órgãos do governo federal de 2005 a 2014 e estava em um avião apreendido pela PF em outubro de 2014 com R$ 113 mil em espécie –, busca localizar documentos que possam esclarecer a suspeita de que os valores que circulavam nas contas de investigados vinham da “inexecução e de sobrepreço praticados pelo grupo em contratos com órgãos públicos federais”.
Morando em Belo Horizonte (MG) desde que Pimentel venceu a campanha eleitoral do ano passado, Carolina Oliveira até 2014 ocupava um apartamento da Asa Sul, em Brasília. Foi esse o imóvel objeto de um dos 90 mandados de busca e apreensão expedidos a pedido da PF pela Justiça Federal de Brasília e executados em Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
De acordo com a revista Época do ano passado, Carolina montou uma empresa, a Oli Comunicação, e mantinha amizade com a mulher do empresário detido, conhecido como Bené e que atua no ramo de gráficas e organização de eventos. A Oli, segundo a revista, foi contratada pelo PT.
A Folha apurou que também foi preso na operação desta sexta o ex-assessor na área de comunicação da campanha eleitoral de Pimentel em 2014, Marcier Trombiere, ex-assessor do Ministério das Cidades. Ele também estava no avião apreendido no ano passado.
Além dele e de Bené, também estão presos na Superintendência Regional da PF, em Brasília, Pedro Augusto de Medeiros e Vitor Nicolatto. Um quinto preso foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma.
MONTOU 30 EMPRESAS
Bené, segundo as investigações da PF, montou cerca de 30 empresas que estão relacionadas a diversos contratos com o governo federal. Duas de suas empresas receberam da União por esses contratos, entre 2005 e 2014, um total de R$ 525 milhões – a Gráfica Brasil, com R$ 465 milhões, e a DUE, com R$ 60 milhões.
De acordo com o delegado da PF Dennis Cali, da área de combate ao crime organizado, o faturamento das empresas de Bené registrou um salto a partir de 2005. Antes disso, ainda segundo a PF, faturavam cerca de R$ 400 mil mensais.
O delegado disse que nenhum partido ou político é alvo das investigações.

30 de maio de 2015
Rubens Valente e Natuza Nery
Folha

FICARÁ O MAIS DO MESMO






No fim, a montanha gerou um rato. Da reforma política tão decantada pela presidente Dilma, o Lula, deputados e senadores de todos os matizes, sobrou apenas a extinção do direito de reeleição para presidentes da República, governadores e prefeitos no período seguinte a seus primeiros mandatos, sem necessidade de desincompatibilização. Provavelmente terão, semana que vem, seus mandatos estendidos de quatro para cinco anos, além da data de suas posses passar do esdrúxulo primeiro dia do ano para dez dias depois. Discute-se outra desimportante proposta, da coincidência num só dia de todas as eleições nacionais, estaduais e municipais, mudança que afastará o eleitorado das urnas, ficando em aberto, apenas, se os senadores disporão de cinco anos, como os deputados, ou se dobrarão para dez o seu período de sacrifícios para a nação.
No mais, tudo ficará como antes, ou seja, o sistema eleitoral permanecerá o mesmo, meio proporcional e meio majoritário. As empresas continuarão dominando as eleições através de empréstimos-doações aos partidos, por sua vez canalizando-os aos candidatos, que pagarão os vultosos investimentos na forma da aprovação de leis e benesses favoráveis aos doadores.
Em suma, nada de novo sob o sol. A Câmara dos Deputados deixou passar a oportunidade de aprimorar as instituições, assim como o Senado manterá os mesmos postulados político-eleitorais, retornando-se apenas à nossa tradição histórica de proibir reeleições. Uma experiência canhestra que não deveria ter sido intentada, não fosse pela ambição desmedida dos tucanos no período em que galgaram o poder.
BALAIO DE JABOTIS
Sequer uma das maiores aberrações jurídicas dos tempos modernos foi suprimida. No caso, as medidas provisórias próprias do parlamentarismo e impostas ao presidencialismo, quando governo e Congresso esquecem seu caráter, que deveria ser de urgência e relevância, para transformá-las num balaio de caranguejos, ratos e jabotis.
Não se dirá que a população frustrou-se com a reforma política em vias de escoar pelo ralo, já que a maioria dos cidadãos pouca ou nenhuma atenção deu às reuniões parlamentares da última semana. Mesmo assim, perdeu-se mais uma oportunidade de passar o Brasil a limpo. Ficará o mais do mesmo, para satisfação das elites e econômicas e políticas.
MAIS UM MONUMENTO
Um monumento deverá ser erigido na já arquitetonicamente conturbada Praça dos Três Poderes: um centro comercial cheio de lojas, lanchonetes, restaurantes, biroscas e luxuosos gabinetes para deputados, ao preço mínimo de um bilhão de reais.
Ainda sobre a reforma política, deve-se ressaltar momentos de baixaria explícita verificados no plenário da Câmara durante debates onde deputados demonstraram péssimas relações com o vernáculo e as boas maneiras.
Se uma imagem fica da semana que passou, deve ser buscada nos versos de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que “alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca cavalgada. Para quê? Para nada…”

30 de maio de 2015
Carlos Chagas