"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 29 de dezembro de 2013

ALQUIMIA NA QUITANDA

A realidade é impermeável, enquanto a outra, feita de palavras, amolda-se a nossa insatisfação com o real

Pode ser que, no final das contas, isso que vou dizer aqui não interesse a ninguém, mas é que, numa crônica em que falava das poucas coisas que lembro, esqueci de mencionar uma das que mais me lembro: as bananas que, às vezes, ficavam sem vender e apodreciam na quitanda de meu pai.

Aliás, se bem me lembro, não era na quitanda dele e, sim, na de uma mulata gorda e simpática que, na rua de trás, vendia frutas: bananas, goiabas, tamarindo, atas, bagos de jaca e manga-rosa. Mas o que é verdade ou não, neste caso, pouco importa, porque o que vale é o momento lembrado (ou inventado) em que as bananas apodrecem. E mais que as bananas, o que importava mesmo era seu apodrecer, talvez porque o que conta, de fato, é que ele se torna poesia.

Essas bananas me vieram à lembrança quando escrevi o "Poema Sujo". Jamais havia pensado nelas ao longo daqueles últimos 30 anos. Mas, de repente, ao falar da quitanda de meu pai, me vieram à lembrança as bananas que, certo dia, vi dentro de um cesto, sobre o qual voejavam moscas varejeiras, zunindo.

Haverá coisa mais banal que bananas apodrecendo dentro de um cesto, certa tarde, na rua das Hortas, em São Luís do Maranhão? Pois é, não obstante entrei naquele barato e vi aquelas frutas enegrecidas pelo apodrecer, um fato fulgurante, quase cósmico, se se compara o chorume que pingava das frutas podres ao processo geral que muda as coisas, que faz da vida morte e vice-versa.

E essas bananas outras --não as da quitanda, mas as do poema-- inseriram-se em mim, integraram-se em minha memória, em minha carne, de tal modo que são agora parte do que sou.

Agora, se tivesse de dizer quem sou eu, diria que uma parte de mim são agora essas bananas que, no podre dourado da fantasia, me iluminaram, naquela tarde em Buenos Aires, inesperadamente, tornando-me dourados os olhos, as mãos, a pele de meu braço.

Entenderam agora por que costumo dizer que a arte não revela a realidade e, sim, a inventa? Pois é, as bananas de dona Margarida, apodrecendo num cesto, numa quitanda em São Luís --e que ela depois, se não as vendesse, as jogaria no lixo--, ganharam outra dimensão, outro significado nas palavras do poema e na existência do seu autor. Porque a banana real é pouca, já que a gente a torna mais rica de significados e beleza.

Veja bem, não é que a banana real não tenha ela mesma seu mistério, sua insondável significação. Tem, mas, embora tendo, não nos basta, porque nós, seres humanos, queremos sempre mais. Ou seria esse um modo de escapar da realidade inexplicável?

Se pensamos bem, a banana inventada pertence ao mundo humano, é mais nós do que a banana real. E não só isso: a realidade mesma é impermeável, enquanto a outra, feita de palavras, amolda-se a nossa irreparável insatisfação com o real.

Depois que as bananas podres surgiram no "Poema Sujo", numa situação de fato inventada por mim, e mais verdadeira que a verdadeira, incorporaram-se à memória do vivido, de modo que, mais tarde, elas voltaram, não como invenção poética, mas como parte da vida efetivamente vivida por mim.

Sim, porque criar um poema é viver e viver mais intensamente que no correr dos dias. Por isso, como se tornaram vida vivida, me fizeram escrever outros poemas, já que a memória inventada se junta à experiência real, quando novos momentos também se tornarão memória. Até esgotarem-se, e se esgotam.

Do mesmo modo que não sei explicar como a lembrança das bananas apodrecidas na rua das Hortas voltou inesperadamente naquela dia em Buenos Aires, nem por que, depois de cinco reincidências, a lembrança das bananas cessou, apagou-se, nenhum poema mais nasceu daquela experiência banal, vivida por um menino de uns dez anos de idade sob o calor do verão maranhense.

Foi o que pensei, mas o assunto não morrera. Ao ver uma folha de jornal suja de tinta, onde limpava os pincéis, pareceu-me ser a mesma cor das bananas podres. Recortei o papel em forma de bananas e fiz uma colagem. Logo me veio a ideia de fazer outras para ilustrar os poemas sobre elas. E disso resultou um livro de colagens, com os poemas que preferi escrever a mão.

 
29 de dezembro de 2013
Ferreira Gullar, Folha de SP

TÁTICA DE GUERRILHA (PARA HOMENS DISTRAÍDOS)

O que uma mulher mais reclama do homem é sua distração: esquece de observá-la, não valoriza os detalhes, não identifica surpresas e passa reto em datas importantes e comemorações amorosas.

Com objetivo de salvar casamentos e namoros, encontrei a saída do labirinto.

O homem deveria confessar que tem déficit de atenção já no primeiro encontro. Na verdade, déficit de atenção é um outro nome para egoísmo - ele só escuta o que quer e só faz o que deseja -, mas rebatizando o defeito terá uma nova vida sem atribulações e julgamento, sem críticas e implicâncias.

Tente, funciona perfeitamente.

Está começando uma relação, chame sua garota para perto, faça o olhar triste do Gato de Botas do Shrek, e puxe uma conversa séria:

— Antes de tudo, preciso expor algo, você tem o direito de não ficar comigo, eu entenderia, mas não desejo esconder nada: eu tenho déficit de atenção!

É óbvio que ela aceitará, todo mundo admite qualquer coisa que é dita na primeira semana de relacionamento (é a fase da tolerância e impunidade). Ela arregalará os olhos, lamentará a dificuldade, prometerá ajuda e não terá mais como cobrar absolutamente nada daqui por diante de seus lapsos e apagões. Será o paraíso fiscal, a redefinição mágica de sua rotina.

Você não reparou que ela cortou os cabelos, daí você diz:

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não lembrou que completam um ano de relacionamento, não comprou presente e flores.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você saiu com os amigos para beber, e não avisou.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não gravou quando ela avisou que não gostava de azeitonas e buscou servi-la.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não reconheceu o sogro de sunga e a sogra de biquíni.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você troca risos e bocas com uma estranha.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não notou que a casa está tomada de velas e que sua mulher dança sensualmente, e ligou a televisão no canal de esporte.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Mas, se ela se depilou e você não viu, por favor, não culpe o déficit de atenção, é o único caso que ele não pode ser usado. Vai voar um tabefe na sua orelha para voltar a ouvir. Ou para ensurdecê-lo de vez.

O QUE É BOM DURA POUCO


Um casal que sobrevive a uma reforma será feliz para sempre. Pois minha amiga, sua família e os dois gatos superaram isso e passam bem. Ninguém pediu a opinião felina do Quincas e da Frida, mas tenho certeza de que eles discordam da necessidade de ter feito tudo aquilo.

Quando fui visitá-la para ver as melhorias prontas, a casa estava tão bonita e agradável, que imediatamente instalou-se o sentimento de que sempre fora assim. Comentamos que é uma pena, mas o período em que comemoramos as novidades boas passa demasiado rápido.
Também quando algo piora, estraga ou deteriora, aos poucos adotamos naturalmente os caminhos necessários para contornar o problema: a luminária queimada será evitada, a janela emperrada será menos utilizada, o liquidificador estragado decorrerá na eliminação das receitas que necessitem dele.

A vida é movimento e somos muito plásticos, adaptamo-nos às circunstâncias, expediente que permite a sobrevivência até em condições extremas. Mudamos o tempo todo, nem que seja pelo fato de que a cada dia vamos ficando mais velhos e carregamos a experiência, os temores e sucessos armazenados dos momentos anteriores. Por vezes, mudamos para muito melhor, por outras enfrentamos perdas ou mesmo a triste constatação de um esforço inútil, como diriam o Quincas e a Frida sobre as novidades na casa da minha amiga.

Mas nada é à toa, devo discordar dos gatos. Eles são uns ranzinzas e prefeririam que nada se alterasse nunca, tanto que existe a expressão “mais nervoso que gato em dia de faxina”. Queria lembrar àqueles dois gorduchos peludos que agora eles têm mais luz e espaço em vários cômodos da casa, mas eles vivem um eterno presente, assim como costuma acontecer conosco.
No fim do ano fazemos balanços. Até os que alardeiam que isso é ridículo, pois o primeiro de janeiro é exatamente igual ao trinta e um de dezembro, que nada recomeça, são atropelados pelas retrospectivas do ano na mídia, pelo ambiente de promessas e esperança.

O resultado dessa avaliação anual sempre é prejudicado pela dificuldade de perceber as mudanças e, principalmente, de comemorar as boas novas. Reagimos como um bebê: quando está com fome, berra como se nunca tivesse sido alimentado, e, ao ser bem cuidado, ronrona um prazer que parece contínuo.
Quando a felicidade chega, olhamos para ela como certos pais que recebem as boas notas dos filhos e, em vez de elogiar, dizem que ele não fez mais do que a obrigação. Pobre felicidade, a mais incompreendida e maltratada dos sentimentos. Depois de amanhã, último dia do ano, pode dispensar a lentilha, os fogos, mas não abra mão da gratidão pelo que melhorou. Por outro lado, se algo piorou, acredite, de algum modo vai passar.
 
29 de dezembro de 2013
DIANA LICHTENSTEIN CORSO, Zero Hora

"EM 2014, EU GOSTARIA..."

Olha aí, só falta você. Também vai reclamar da Copa? O Guilherme Tauil quer encontrar Jesus: "Preciso aprender aquele truque de transformar água em vinho".

Um desejo para 2014? A Clara diz que precisa pensar - embora saiba que os melhores desejos não combinam com reflexão.

"Meu desejo", diz o Ale Staut, "é diminuir o recheio adiposo da barriga de forma inversamente proporcional aos algarismos da conta bancária. Sejamos magros e ricos em 2014!"

A Inês gostaria que todos os homens se dessem as mãos - mesmo com o risco "disto aqui ficar parecendo uma colossal parada gay".

O Villas quer saúde para chegar firme e forte a 3 de agosto, data que vai comemorar ao som de When I'm Sixty-Four, de Lennon e McCartney.

A enigmática Teresa pede "coragem para deixar vir à tona, com sua força talvez destruidora, o 'amor de risco' que tenho por aquela criatura, da qual o bom senso me recomenda guardar distância". (Depois conte pra gente, moça!).

Convencido de que dificilmente vai encontrar num só endereço um menu que seja campeão em todas as etapas do repasto, o Marco Antônio quer montar uma "antologia gourmet": na mesma noite, comer aqui a entrada, ali o prato principal e alhures a sobremesa, pouco importando se o perfeccionismo lhe vai custar três mordidas de valet service.

"Que tal", propõe a Cris Guerra, "se em 2014 diluíssemos o Natal pelos 12 meses e fôssemos presenteando aos poucos as pessoas, sem data marcada? Espalharíamos a alegria pelo ano e as lojas venderiam bem o tempo todo, o que melhoraria a qualidade do atendimento, sem jogar os preços lá em cima".

"Com meio século de serviço público completado", suspira o Jaime, "só desejo que o processo de Kafka a que nós funcionários respondemos seja enfim remetido à única instância competente para condenar todos os burocratas a cumprir pena no Inferno: o Juízo Final."

Envergonhada de seu inextirpável sotaque caipira, a Rosa gostaria de chegar ao fecho de 2014 podendo dizer, sem provocar risinhos, que "a perna da bermuda tá larga, tem que apertar".

"Em 2014, só quero distância da Copa", diz (em paz com o tal sotaque) o Eugênio Bucci.

Doze meses atrás, a Ana fazia planos de "andar descalça e tomar chuva", ela e "um príncipe que nem precisaria ser encantado, bastando ser encantador". Só a chuva deu certo. Um projeto para 2014? "Sumir enquanto for Copa."

A Isabel adoraria tomar uma chuvarada sem guarda-chuva, desde que as gotas sejam moedas de 1. "Problema não, tenho fama de cabeça dura..."

"No novo ano", diz às margens do Sena o Luiz Horta, "espero sentir menos calor, ter mais outonos e invernos e menos verões, sem poesia ou metáfora, estações mesmo - e estar o mais distante da Copa que um voo possa alcançar."

"Meu desejo para 2014", revela a Vanessa Barbara, "é que tudo corra bem durante a Olimpíada e eu consiga parar com essa mania irritante de trocar as palavras. Também queria acordar canhota, mas acho que não vai ser desta vez."

"Que as sutilezas sejam plenas em 2014!", pede o sutilíssimo poeta Ademir Assunção.

"Quero ser menos rabugento", propõe-se o não menos poeta Donizete Galvão, "para sobreviver à gritaria patriótica da Copa e aos debates sobre a eleição."

"Quando chegarem a Copa e as eleições", diz a Nísia, "eu queria dormir e só acordar em 2015. As duas coisas ficam cada vez mais chatas e dividem o mundo mais do que deveriam."

Cansado de camelar sobre duas pernas, o Arthur Victor quer fazê-lo também sobre duas rodas: vai aprender a bicicletar.

A Wanda não pede muito mas quer tudo: "Continuar perto dos amigos, beber bons vinhos, comer boas comidas, ver bons filmes, ler bons livros, viajar. Se puder ter isso acompanhada de uma boa parceria..."

O Edu espera que o Legislativo aprove a ideia do escritor Cyro dos Anjos e nos dê direito a dois votos - um a favor, outro contra: "Tô muito a fim de deseleger alguém!".

A Lia não vê a hora de estrear seu passaporte húngaro, para, quem sabe, viver na terra dos antepassados uma rapsódia igualmente húngara.

Quanto a este cronista, ele se dará por satisfeito se for implantado um rodízio para chatos. Motorizados ou não, eles só poderiam circular uma vez por semana, e sem direito a chatear quem não seja um de seus semelhantes.

FELIZ ANO TODO

 
Feliz mergulho no Arpoador dia 31, feliz longa lista de metas para ser toda descumprida

Assisti ao monstro de olhos azuis chamado Tônia Carrero, perguntada em entrevista sobre se era feliz, responder calmamente: “sou feliz e infeliz várias vezes ao dia”. Bingo. A felicidade vai e vem o tempo todo. Ou, convenhamos, seria um tédio de matar. É então nesse espírito, de estar feliz, significando que se estará infeliz daqui a pouco e feliz de novo e infeliz, e assim por diante vida afora, que desejo aos compadres felicidades no ano que vem.

Feliz mergulho no pôr do sol no Arpoador dia 31, feliz longa lista de metas para o ano para ser descumprida inteira. Feliz virada de ano uma hora antes da meia-noite, pobres ouvidos dos bichos, feliz fogos de artifícios. Feliz volta de Copacabana de metrô, feliz carteira batida, feliz ressaca no primeiro dia do ano. Feliz garis achando moedas, celulares, joias, amuletos e calcinhas na areia. Feliz alagamentos causados por bueiros entupidos pelo lixo que devia ser jogado no lixo, não no chão. Feliz leitura de “Fim”, o romance de estreia da Fernanda Torres. Feliz deslizamentos nas encostas durante o verão e o estaremos providenciando. Feliz quaresmeiras floridas, feliz andorinhas voando em direção ao Norte. Feliz esquenta de carnaval, feliz grito de carnaval, feliz carnaval, feliz saltos quebrados no carnaval, feliz ar-condicionado para não ouvir o carnaval lá fora. Feliz crise no relacionamento por conta do carnaval, feliz desfile das campeãs. Feliz, então, acho que agora sim, ano novo.

Feliz volta às aulas, feliz primeira ida para a primeira aula. Feliz de quem tem aulas para ir. Feliz palmas para os guerreiros professores. Feliz fotos de servidores públicos com maços de dinheiro sob roupas de baixo. Feliz despedida de uma misógina enrustida do comando da comissão dos direitos humanos. Feliz psicodélicas previsões de crescimento da economia, feliz contas públicas mais mal maquiadas do que aquelas velhinhas inglesas que não enxergam mais nada e aplicam a sombra verde acima das sobrancelhas e o batom vermelho no buço.

Feliz outono no Rio. Feliz cheiro de jasmim à noite. Feliz páscoa, feliz dieta pós-páscoa, feliz construção do Pavilhão da Esdi, feliz deslumbrante luz de maio, feliz tucanos nas palmeiras, que comem os filhotes dos outros pássaros, mas apanham do bem-te-vi. Feliz macacos-prego levando seu bolo de fubá árvore acima. Feliz tigre na cabeça no botequim da esquina. Feliz branquinha no balcão. Feliz inaugurações de piscinões binários. Feliz inaugurações de construções em ruínas. Feliz noites dormidas na rua sob marquise estreita com chuva forte tendo papelão e jornal como cobertor. Feliz mês das noivas, feliz provas de vestido, feliz provas de amor, feliz provas de fidelid… Feliz dia das mães. Feliz luz nos morros de manhã bem cedinho, feliz pedras no meio do caminho. Feliz imbecis pichando a estátua do poeta. Feliz explosão de bueiros. Feliz muros grafitados. Feliz esperança de que a Rita Lee venha morar no Rio. Feliz anúncio de banco vendendo mais endividamentos a “você, a pessoa mais importante do mundo para nós”. Feliz carga tributária. Feliz estádios com obras atrasadas precisando de mais e mais dinheiro.

Feliz chopinho na esquina, feliz nada pra fazer. Feliz festa na laje, feliz baile funk. Feliz chão, chão, chão, chão. Feliz sorriso do Nelson Sargento. Feliz feijoada da tia Surica. Feliz coalizações lisérgicas para disputar a presidência da pobre República. Feliz alianças que dão vergonha na gente. Feliz promessas humanamente incumpríveis, feliz direito de votar. Feliz voto. Feliz melhor projeto para o Brasil. Feliz água de coco no calçadão. Feliz multa por jogar lixo no chão. Feliz compre seu carro novo, compre seu carro novo compre seu carro novo. Feliz paciência no trânsito. Feliz trens e ônibus atrasados, abarrotados, feliz vagões femininos. Feliz cadeias piores que o inferno. Feliz salve a seleção. Feliz compre sua TV, compre sua TV, compre sua TV, compre sua TV, compre sua TV. Feliz Copa “do Mundo da Fifa”. Feliz seja lá o que tiver de ser. Feliz Lei Maria da Penha. Feliz Flip. Feliz crianças atingidas por balas perdidas e sumiços de trabalhadores sem qualquer explicação. Feliz pelada, feliz pedalada, feliz futevôlei na praia. Feliz biscoito Globo, feliz mate gelado. Feliz possibilidade de ver o Ferreira Gullar zanzando por Copacabana.

Feliz sequência de ondas verdes parecendo esmeralda líquida. Feliz ondas, feliz vacas, feliz caldos. Feliz fale mais, fale mais, fale mais, fale mais, fale mais. Feliz “este número de telefone não existe”. Feliz parada gay. Feliz feriado de Zumbi dos Palmares. Feliz turistas na favela, feliz meninos jogando bola. Feliz bicicletas roubadas. Feliz juiz filho da puta. Feliz dicas de livros da Cora. Feliz topless em paz. Compadres queridos, um feliz ano todo.

 
29 de dezembro de 2013
Adriana Calcanhoto, O Globo

POUCA ENERGIA

O poder de processamento dos eletrônicos dobra a cada dois anos. Sua capacidade de armazenamento cresce ainda mais rapidamente. O volume de dados transportados pelas redes móveis brasileiras quase dobra em um ano. A explosão dos tablets, smartphones e outros dispositivos móveis enfrenta, no entanto, um gargalo sério. Existe um componente importante cuja evolução não consegue acompanhar esse ritmo: as baterias.

Você compra o modelo mais recente de celular, contrata um plano caro da sua operadora e, no dia em que usa o aparelho de verdade, a bateria morre no meio da tarde. Os fabricantes de smartphones prometem oito, dez horas de uso, mas a prática não chega a alcançar essa promessa. Eles adaptam hardware e software para gastar menos energia. A própria tendência de se lançar aparelhos com telas cada vez maiores acaba criando mais espaço para baterias. Mas isso não é suficiente.

Como pode haver uma revolução móvel se estamos presos aos fios da tomada? As baterias de íon de lítio - usadas nos celulares, computadores portáteis e carros elétricos - são uma tecnologia que está há duas décadas no mercado. Sua capacidade tem aumentado, em média, somente 5% ao ano.

Existe bastante gente tentando melhorar isso. Por exemplo, o Laboratório Nacional Argonne, nos Estados Unidos, recebeu, no fim de 2012, US$ 120 milhões do Departamento de Energia do seu país para desenvolver novas formas de armazenar energia. O objetivo é desenvolver, em cinco anos, baterias cinco vezes mais poderosas, a um quinto do custo. Eles testam novos materiais, como magnésio e alumínio, e novas maneiras de construir as baterias.

Se a evolução das baterias é importante para os celulares, para os carros híbridos e elétricos ela é essencial. Atualmente, a gasolina armazena seis vezes mais energia por quilograma que as baterias de íon de lítio. A competitividade dos carros elétricos depende da redução dessa diferença.

A Tesla Motors - montadora criada por Elon Musk, que era o principal acionista do PayPal - tem conseguido avanços importantes nessa área. O Tesla Model S tem autonomia de mais de 400 quilômetros, sem precisar recarregar baterias, mais que o triplo dos concorrentes produzidos por grandes montadoras. Mas o Model S ainda é um carro de luxo, que custa entre US$ 70 mil e US$ 100 mil nos Estados Unidos.

Alguns postos criados pela Tesla, chamados "superchargers" (supercarregadores), conseguem recarregar as baterias de um carro em meia hora. Ainda não é a mesma coisa do que encher o tanque de gasolina ou etanol, mas é bem melhor que alternativas de concorrentes, que exigem horas para recompor a carga. No caso do Model S, toda a base do carro, das rodas dianteiras às traseiras, é formada por baterias.

O EXEMPLO URUGUAIO

 
Foi o que entendeu o governo uruguaio, e devemos aplaudi-lo por isto. Esperemos que outros aprendam a lição e sigam seu exemplo. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

A GRANDE DERROTA

 
 
29 de dezembro de 2013
Paulo Vinicius Coelho, Folha de SP

NADA SERÁ COMO ANTES

 
 
29 de dezembro de 2013
Tostão

VÔ SÉRIO

O vovô era um homem sério. Não carrancudo, mas sério. Tanto que os netos fizeram uma aposta: ganharia quem fizesse o vovô rir. O local da competição seria a mesa do almoço, aos domingos, quando toda a família se reunia, com a vovó numa cabeceira e o vovô na outra. Foram estabelecidas certas regras. Para ganhar, seria preciso provocar uma gargalhada no vovô. Um sorriso não bastaria. O objetivo era uma risada. Ou - para não haver duvida do que se buscava - uma BOA risada.

***

Algumas dúvidas tiveram que ser esclarecidas, antes de começar a disputa.

- Cócegas, vale?

Ninguém imaginava que o vovô sentisse cócegas, mas, de qualquer maneira, cócegas foram vetadas. E anedota? Se o vovô risse de uma anedota, a vitória seria do contador ou da anedota? Decidiram permitir anedotas. Quem soubesse contar uma anedota tão bem que fizesse o vovô dar uma risada, uma BOA risada, mesmo que não fosse seu autor, mereceria ganhar.

***

No primeiro domingo depois da aposta, o Marquinhos - segundo o consenso geral na família o mais palhaço dos netos - sentou-se à mesa fantasiado de mico, fazendo ruídos e gestos de mico e pedindo banana. Todos riram muito - menos o vovô. O vovô disse: "Muito engraçado, Marquinhos, agora tire essa roupa e coma direito". Mais tarde o Marquinhos argumentaria que o vovô dizer "Muito engraçado" equivalia a uma risada, mas seu protesto foi ignorado.

***

No domingo seguinte, o Eduardinho contou uma anedota.

- Sabem aquela do cara que tirou uma radiografia e o médico disse que ele precisava ser operado? O cara perguntou quanto custaria a operação e o médico deu o preço. O cara achou muito e perguntou quanto custaria um tratamento sem precisar operar. O médico deu o preço, que o cara também achou muito. Aí o médico disse: se o senhor preferir, pela metade do preço, eu retoco a radiografia.

Todos riram muito - menos o vovô. O vovô disse que aquela história envolvia questões muito sérias, como a saúde de um ser humano e a ética médica, e não era assunto para ser tratado na mesa, na frente das outras crianças. O Eduardinho protestou:

- Era uma anedota, vovô.

- Muito sem graça - disse o vovô.

***

Nas semanas seguintes, todos os netos tentaram, de um jeito ou de outro, fazer o vovô rir. Apelaram para mímica, imitações (o Tico fazia um Silvio Santos impagável), números musicais, concurso de quem chupava o espaguete mais ligeiro, tudo. E o vovô sério. Finalmente desistiram. E no último domingo aconteceu o seguinte: a vovó sentou-se na sua cadeira na cabeceira, depois de trazer a travessa de frangos da cozinha e colocá-la sobre a mesa - e caiu da cadeira. E o vovô explodiu numa gargalhada. Uma BOA risada que não parava mais, enquanto a vovó era atendida e dizia que estava bem, que não tinha se machucado, que não se incomodassem com ela.

***

Depois houve controvérsia. Uns netos achavam que a vovó cair da cadeira tinha sido mesmo um acidente, outros achavam que a vovó tinha caído de proposito. Depois de tantos anos sabia o que faria o vovô rir e dera uma mãozinha para os netos.
 
29 de dezembro de 2013
Luis Fernando Veríssimo

DETALHES, DETALHES

Diferença do status do negro nas sociedades americana e brasileira, uma racista e outra pretensamente não, pode ser encontrada na quantidade de pianistas negros

Há muitas maneiras de se medir progresso, ou pelo menos mudanças históricas, além dos frios números de uma economia ou além da sociologia convencional. Muitas vezes o detalhe que não é notado é o mais revelador.

O Marshall McLuhan (lembra dele?) construiu uma tese inteira em cima da importância da invenção do estribo de cavalo na história do Ocidente. O estribo significou que o aristocrata também passasse a participar das batalhas junto com o pobre soldado a pé, com tudo que isso implicava de novo em questões como relações hierárquicas — e de mortandade entre aristocratas.
A história das armas de guerra, que no fim é a história da civilização, pode ser medida em detalhes como o aumento da distância possível para se matar um inimigo, começando com o olho no olho e o tacape na mão do tempo das cavernas, passando pela espada, a lança, o arco e flecha, a catapulta, o mosquete, o fuzil, o canhão, o bombardeio aéreo, etc. e culminando no drone teleguiado, o mais longe que se pode chegar do inimigo sem precisar olhar no seu olho.

Ainda não foi tema de nenhum tratado sociológico, que eu saiba, mas a diferença entre o status do negro nas sociedades americana e brasileira, uma evidentemente racista e outra pretensamente não, pode ser encontrada em um detalhe, a quantidade de pianistas negros nos Estados Unidos em contraste com quase nenhum no Brasil.

O jazz teve duas vertentes, três se você contar os blues: as bandas de rua, que desfilavam, obviamente, sem pianos, e o ragtime, que era jazz exclusivamente de piano, já tocado, lá nas origens, por músicos negros como Jelly Roll Morton. Pianistas negros pressupõem piano em casa, dinheiro para pagar as aulas, tempo para praticar — ou seja, pressupõem uma classe média.
Em Nova Orleans e em outras capitais do Sul dos Estados Unidos, em meio ao apartheid oficial, à discriminação aberta, aos linchamentos e outros horrores, desenvolveu-se uma classe média negra, paralela à branca, com identidade e poder econômico próprios. No Brasil do racismo que não se reconhece como tal, e talvez por causa disto, não aconteceu nada parecido.

Claro, a história econômica dos dois países explica o contraste, mais do que racismo declarado ou disfarçado, mas neste detalhe a diferença fica clara. No Brasil, como nos Estados Unidos, existem grandes músicos saídos de todas as classes sociais. Mas ainda não produzimos pianistas negros em número suficiente para desmentir a nossa hipocrisia racial.

 
29 de dezembro de 2013
Luis Fernando Veríssimo, O Globo

ANO DE FARTURA NA DISNEYLULA

O ano de 2014 é um dos mais previsíveis dos últimos tempos. Dá até para começar a pensar em 2015. Como a opinião pública brasileira está cada vez mais anestesiada, vale lembrar aos distraídos o que, daqui a 12 meses, terá sido 2014.

Ano de eleição presidencial, portanto festa na DisneyLula. Cada rincão onde aterrissar a companheira Dilma será uma apoteose. Prefeitos e aliados por todo o território nacional, devidamente abastecidos com a dinheirama que arrombou os gastos federais em 2013, farão bonito para receber a presidente-candidata, retribuindo-lhe toda a sua bondade.

Dilma será reeleita com tranquilidade. A campanha será para evitar o aborrecimento de um segundo turno e liberar logo em outubro o Romanée-Conti para a companheirada. Quem preferir Dom Pérignon também poderá se servir à vontade. O governo popular é plural e não discrimina as minorias.

A oposição ganhará novamente o prêmio de melhor coadjuvante do petismo.

Os adversários de Dilma tentarão desesperadamente parecer humildes, amigos dos pobres e estatizantes. Tentarão, enfim, com seus modernos marqueteiros, reproduzir a demagogia do PT para ganhar o eleitorado - e darão com os burros nágua mais uma vez, porque o eleitor não é bobo e sabe distinguir um demagogo autêntico de um imitador.

Em 2014, o Brasil sofrerá mais ainda com a pressão inflacionária, fruto da orgia populista. Mas esse e outros problemas reais do país não entrarão no debate eleitoral. O que se discutirá na campanha será o programa Mais Médicos - um truque de marketing fajuto que, sabe-se lá por quê, os brasileiros resolveram achar que é uma genial solução humanitária. A oposição, que só lê pesquisa e não pensa, já viu que a jogada deu certo e aparecerá com alguma versão incrementada da tolice, talvez o programa Muito Mais Médicos (substituindo os doutores cubanos por haitianos).

Como todos sabem (mas já esqueceram), a última coisa séria feita no Brasil foi o Plano Real. De lá para cá, só remendo e esparadrapo. Por isso, um país de 200 milhões de pessoas acredita que precisa de funcionários de Fidel Castro para cuidar da saúde da população carente.

O Mais Médicos ajudará na reeleição de Dilma e, principalmente, na eleição do ministro da Saúde - que está há três anos em campanha - para o governo paulista. Depois de eleger prefeito um ex-Ministro da Educação que não sabia aplicar provas do ENEM, São Paulo não se deu por satisfeito e propiciará ao PT a tríplice coroa. Com o Palácio do Planalto, a prefeitura e o governo de São Paulo nas mãos, o PT mostrará ao país o que é bom para a tosse.

Lula terminará 2014 declarando - com mais ênfase do que nunca - que é preciso "democratizar os meios de comunicação". Com a tríplice coroa no papo, o PT vai com tudo para o controle da mídia - a plataforma chavista em que o governo popular está mais atrasado, já tendo sido ultrapassado de longe pela companheira Cristina K., a viúva-negra.

O mensalão não será o menor problema para o PT no ano eleitoral. Lula até já disse "estamos juntos" ao condenado José Dirceu. Continua aparecendo nas pesquisas como o único capaz de vencer Dilma. Não tem jeito, eles mentem como ninguém, e o povo adora. Possivelmente, o Brasil ainda termine 2014 com pena dos "presos políticos" do valerioduto. Se o mensaleiro João Paulo Cunha se comparou a Nelson Mandela e não caiu no ridículo definitivo, o caminho está livre para o heroísmo parasitário.

Um mês depois da Copa do Mundo -que terá passeatas de manifestantes lunáticos contra tudo, menos contra quem torra seus impostos para se eternizar no poder -, o PT sentirá que a fatura da reeleição de Dilma está liquidada. E partirá para resolver Minas Gerais. Lula e Dilma gastarão todo o querosene necessário sobrevoando a Serra da Mantiqueira e pousando em cada palanque do ministro Fernando Pimentel, o consultor fantasma.

E ainda será o caso de queimar algum querosene no Rio de Janeiro. Num cenário cheio de candidatos mal-assombrados, o aventureiro Lindbergh Farias será o azarão do PT. E, se essa turma da pesada fizer Rio, São Paulo e Minas, além do Planalto, a grande noite dos vampiros estará longe de terminar. Mas não reclame: duas décadas passam voando (de AeroDilma).

 
29 de dezembro de 2013
Guilherme Fiuza, Época

O BURACO É MAIS EMBAIXO

 

a8
 
Acompanho a comemoração na imprensa em torno da votação do Supremo Tribunal Federal que caminha na direção de “proibir” o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas e bate-me um desânimo ancestral.
 
Alguém acredita que de fato vai cessar a roubalheira na construção de estradas, de metrôs, de hidrelétricas; na saúde pública, na construção de escolas, na escolha dos livros didáticos comprados pelo governo, na merenda escolar, na compra de remédios e ambulâncias, na expedição de alvarás para construções privadas, na fiscalização de feiras, bares e restaurantes, do guarda que troca a multa por 50 paus – vá lá! escolha você mesmo! – se o Supremo Tribunal Federal proibir o financiamento de campanhas eleitorais com doações de empresas privadas?
 
Alguém acredita que o horário eleitoral gratuito se tornará menos mentiroso e nefasto se o direito que os político se outorgam de mentir pela gorja sem contraditório em rede nacional em horário nobre  for financiado só com dinheiro público?
 
a11
 
Alguém acredita que as próprias doações de campanha cessarão apenas porque os meritíssimos assim decidiram? Que foi por falta de alguém ter essa boa ideia que vimos sendo roubados ha 513 anos?
 
E o PT, que levantou esta bandeira exatamente a partir do minuto em que chegou “” e nem um segundo antes, fê-lo para que o país deixe de “ser”, ou para ficar sozinho distribuindo bolsas, isenções de impostos, quebrando a Petrobras pra encher o tanque da freguesia a preço eleitoralmente conveniente, destruindo a indústria nacional a custa de aumentos de salário sem aumentos de produtividade, sustentando o consumo contratando dívida e inflação futuras e o mais que a gente sabe, sem mais ninguém na raia?
 
Porque a imprensa se presta a dar ares de seriedade a tapeação tão evidente e antiga? Ela não consulta os seus próprios arquivos? Os livros de história pra se lembrar de ha quanto tempo a gente que nos explora vive de remexer o acessório para manter como está o principal?
 
a6
 
Não, o vício é nacional; não é só dos políticos. Mais que isso, o vício é cultural. Irmana meia humanidade.
 
Regulamentar o irregulamentavel. Encher bibliotecas inteiras de leis e leis sobre leis sem perder um minuto sequer com considerações praticas sobre a factibilidade de aplica-las. Discutir infindavelmente sobre o nada com uma retórica grandiloquente. Fazer revoluções em palanques, em tribunas e em mesas de bar.
Eis as marcas do DNA latino!
 
Até as mensagens do Twitter já se propôs regulamentar nos espasmos legisferantes da presente temporada. O que virá depois? O Facebook e o resto da internet? E então a definição das conversas e sussurros regulares e irregulares nas praças públicas?
 
a3
 
E que tal começar pelo final, como fizeram os países onde de fato existe democracia? Que tal declarar todo mundo – a começar pelo “rei” – igual a todo mundo perante “A Lei”? Ter um único foro de julgamento para todos? Uma única prisão para quem quer que queira pisar deliberadamente no tomate?
Um ou no máximo dois recursos de julgamento?
A doença degenerativa do Brasil chama-se impunidade.
 
De modo que acabar com a impunidade faria mais pela cura da nossa chaga política e de todas as outras que ela abre e infecciona do que mais 50 decisões do STF sobre a periferia da regra eleitoral.
Ah, mas se formos esperar o Congresso a reforma política não sai nunca”!
Não sai mesmo.
 
a10
 
Mas a função do Judiciário não é tomar o lugar dos legisladores sob esse pretexto. A função do Judiciário é enquadrar os legisladores na lei que eles próprios escrevem. Na única lei que deveria viger no país, igual para todos.
É fazer isso que o resto acontece sozinho!
 
E impunidade não é só a dos ladrões e dos outros criminosos que nos mantêm trancados e acuados porque com eles o Judiciário é tão mole quanto é largo o bolso de advogados e juízes com poderes para decidir a seu bel prazer quem vai e quem não vai para a jaula.
 
Impunidade é também a do representante que trai o seu representado e vende o seu mandato para quem e quantas vezes quiser.
 
a12
 
Para essa vertente da doença nacional existe o remédio do voto distrital com recall, que amarra cada político eleito a um grupo claramente identificado de eleitores, e dá a esses eleitores o direito de cassar-lhes essa representação quando quiserem e pelo motivo que quiserem, como prescreve a Constituição que diz que “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”.
 
O problema”, eu não me canso de repetir com Theodore Roosevelt, “não é haver corrupção, condição inerente ao ser humano. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo”.
 
O problema, vale dizer em termos mais focados no caso em discussão, não é a exposição dos agentes públicos ao poder econômico, o que é absolutamente inevitável; o problema é não poder punir quem é pego abusando dele. E ninguém sabe disso melhor que este STF que tenta, ha oito anos, enfiar e manter meia dúzia de salafrários na prisão e não consegue.
 
a7
 
Faria muito mais por nossa remissão esse Supremo Tribunal se tratasse de olhar para o próprio umbigo e acabar com os “embargos infringentes”, a meia dúzia de “tribunais especiais” para “pessoas especiais” e os outros 20 mil recursos que mantém à disposição dos bandidos comuns com carteira recheada que provam todos os dias a cada brasileirinho e cada brasileirinha, desde que nasce, seja na Vieira Souto, seja no Morro do Alemão, que sim, o crime compensa.
 
E vale repetir: as sociedades funcionam como cadeias de transmissão de forças nas quais o elemento mais próximo do povo, a fonte de onde emana a legitimidade dos demais poderes, é a imprensa.
 
Enquanto ela seguir obrigando-se, por um suposto “imperativo ético” inventado em nossas escolas aparelhadas, a amplificar as iniciativas dos poderes constituídos emprestando-lhes ares de seriedade, eles seguirão tão confortavelmente refesteladas na mentira quanto estão hoje.

a9
 
29 de dezembro de 2013
vespeiro
Artigo publicado em O Estado de S. Paulo de 21/12/2013

AS NOVAS VERSÕES DE UM VELHO FILME

 

O professor Fabio Barbieri da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-USP), está lançando o livro “A Economia do Intervencionismo”, que torna mais fácil entender o Brasil e o mundo de hoje.
 
Alinho trechos que achureei de um artigo que ele próprio publicou na internet – “A Maré Estatista na América Latina e a Teoria do Intervencionismo” – acrescidos de alguma “costura” desses pedaços de minha autoria, para explicar a sua tese.
 
Veja lá se não faz sentido:
A teoria econômica de ciclos intervencionistas é inspirada na obra do economista austríaco Ludwig von Mises que desnudou as “contradições internas” do intervencionismo.
 
a3
 
A coisa consiste em analisar o intervencionismo como um sistema econômico em si: substituir a dicotomia “capitalismo-socialismo” pela dicotomia “economia pura de mercado—economia planificada centralmente” e em reconhecer que os países do mundo real não são capitalistas ou socialistas, mas economias mistas situadas entre os extremos de estado zero e estado máximo.
 
O mecanismo funciona assim: o poder de “legislar” sobre assuntos econômicos abre a caixa de Pandora da atividade de se dedicar à busca de privilégios legais.
Essa possibilidade de “pilhagem legal“, de que ja falava Bastiat no século 19, gera uma tendência ao crescimento do estado e de sua interferência nos mercados, situação que, por sua vez, aumenta o ganho de se dedicar à atividade de busca de renda em comparação à atividade de produção.
 
a8
 
O abuso desse círculo vicioso vai gerando distorções cada vez maiores: políticas keynesianas que pretendiam estabilizar as economias geram déficits crônicos que perpetuam os desequilíbrios macroeconômicos; a construção do estado de bem-estar falha em resgatar a população da pobreza e acaba causando dependência, e assim por diante.
 
As falhas de governo, entretanto, geram demanda por mais intervenção, na medida em que a ideologia intervencionista joga a culpa de seus próprios fracassos no “capitalismo” e não no próprio intervencionismo. Veja-se o exemplo recente da reação-padrão à crise econômica iniciada em 2008 em que novas intervenções são adotadas para corrigir o que na verdade é fruto de intervenções anteriores.
 
a5
 
Os intelectuais, por sua vez, buscam uma mítica “terceira via“, ignorando o fato de que nossos males são causados justamente por vivermos numa terceira via.
 
Bem olhados os fatos, portanto, a conclusão é de que o intervencionismo (ou mercantilismo) não é transitório, mas sim a forma de organização social mais estável da história, levando em conta as sociedades que avançaram além de um estágio tribal.
 
Quando o abuso dessa “pilhagem legal” vai ao paroxismo e a economia se desorganiza, recorre-se a reformas liberalizantes. Mas assim que elas aliviam os males causados pelo acúmulo de intervenções, aumenta novamente a demanda pelas mesmas intervenções.
 
a11
 
A teoria esboçada no livro, conclui Barbieri, se assemelha a um modelo biológico de parasita-hospedeiro, empregado para explicar a dinâmica do intervencionismo.
A atividade parasitária mina a vitalidade do hospedeiro, de forma que no longo prazo o parasita é enfraquecido, gerando a necessidade, por assim dizer, de hospitalizações liberalizantes, o que caracteriza o sistema de ciclos de intervenção alternados com hiatos liberalizantes.
 
Os efeitos desses ciclos numa realidade globalizada onde as economias nacionais funcionam como vasos comunicantes são de longo alcance.
 
Eis como Barbieri explica o que vem acontecendo na América Latina:
A inundação de crédito orquestrada pelos bancos centrais dos países desenvolvidos, em especial o americano (Fed), responsável pelo ciclo de crescimento artificial que resultou na crise econômica recente, influenciou diretamente a dinâmica do ciclo interventor na América Latina.
 
No Brasil, a abundância de crédito externo alimentou o crescimento do estado intervencionista, virtualmente silenciando as vozes que apontam para a urgência de reformas.
 
a1
 
O mesmo boom artificial inflou o preço do petróleo, que sustentou a recente experiência socialista na Venezuela, restando saber, sobre esse país, se a presente estagnação com inflação e escassez de produtos básicos levará ao abandono do chavismo e a uma fase de contração do estado, ou se teremos um empobrecimento secular, como ocorre na Argentina, que não consegue se livrar da herança peronista.
 
É o mesmo horizonte, acrescento eu, que se desenha para o Brasil se ele se entregar de corpo e alma ao lulopetismo, condição de que de modo nenhum o país está distante neste momento.
 
Barbieri, aliás, é um economista “estranho” no ninho das universidades que fizeram do Brasil este fenômeno inédito no mundo que é um país com 32 partidos políticos, todos “de esquerda”, disputando os votos de uma sociedade onde, dos comedores de caviar aos comedores de calangos, os primeiros se afirmando mais radicais que os últimos, todos também se declaram “de esquerda”.
 
E como tal, fotografa nos termos precisos e polidos da academia sem aspas a realidade que a “academia” com aspas tenta esconder, pelo mundo afora, mantendo vivas as ideias mortas dos séculos 19 e 20 para distrair as plateias acostumadas a tragar produtos similares made in Hollywood.
Já é coragem demais para quem está na posição dele.
 
?????????????????????????????????????????????????????????????????
 
Faltou registrar, nessa sua objetiva leitura da realidade que vivemos, que de Vladimir Putin às “aposentadocracias” da velha Europa ha diversas gradações de brutalidade no uso desse expediente, que é sempre de dominação.
 
Ele persiste e se universaliza porque é a mais eficiente ferramenta de aquisição e perpetuação no poder à disposição daquela parcela dos grandes predadores que se entregam mais complacentemente à sedução do tipo de eflúvio cuja sintética descrição celebrizou lord Acton: “O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente“.
 
Se já não é mais possível cortar cabeças e sujar praças de sangue impunemente para se manter no poder como se fazia antigamente, continua sendo perfeitamente possível assassinar economicamente os dissidentes e premiar com as blandícias da abundância fácil os que vendem sua alma ao “rei”.
 
Faz-se hoje com o dinheiro sujo o que antigamente fazia-se com a espada e o machado mas, essencialmente, trata-se da mesma coisa. É apenas uma reedição  “XX rated” (ou apenas “X rated” na Europa e outras praças de pele mais sensível do que estas curtidas nos trópicos) do mesmo velho feudalismo “XXX rated” de ontem.

aa1

29 de dezembro de 2013
vespeiro

UMA LISTA QUE SE REPETE A CADA ANO

 


 
No fim do ano passado, essa coluna apresentou uma lista de pedidos para 2013, tendo em vista a política brasileira. Infelizmente eles não foram concretizados.

O primeiro: nunca mais na história deste país ouvir um político brasileiro falar que não sabia desse ou daquele escândalo de corrupção.

O segundo: nunca mais na história deste país tomar conhecimento de casos de corrupção exclusivamente porque um caseiro, um porteiro, uma ex-mulher ferida ou uma assessora insatisfeita decidiu fazer uma denúncia.

O terceiro: nunca mais na história deste país ter que ouvir que desvio de dinheiro público para caixa 2 de campanha é mais ou menos grave do que para compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional.

O quarto: nunca mais na história deste país ouvir como justificativa para a corrupção argumentos do tipo “os outros sempre fizeram assim e nunca foram penalizados”.

O quinto: nunca mais na história deste país ouvir um presidente da Câmara dos Deputados dizer que não descarta a possibilidade de dar abrigo político a quem foi condenado por um tribunal livre e democrático.

O sexto: nunca mais na história deste país, ter que entender que a violência e o crescimento do número de assassinatos são acontecimentos incontroláveis e imprevisíveis e que, por isso, a população continuará exposta.

O sétimo: nunca mais na história deste país, ter que entender que os desastres, inclusive a perda de vidas, causados pela chuva são fatalidades, embora aconteçam todos os anos e nos mesmos lugares.

O oitavo: nunca mais na história deste país ter que aceitar que a seca no Nordeste e no Norte de Minas somente será resolvida com muitos recursos financeiros, o que o país e os Estados não têm.

O nono: nunca mais na história deste país ouvir autoridades policiais afirmarem que o crescimento da violência contra a mulher é consequência natural da postura “mais moderna” adotada pelas
próprias mulheres.

O décimo: nunca mais na história deste país ter que aceitar que a miséria, em algumas regiões do país, mata mais do que uma guerra civil.

O décimo primeiro: nunca mais na história deste país ter que assistir a famílias sendo destruídas pelo crack.

O décimo segundo: nunca mais na história deste país ver centenas de pessoas morrendo no trânsito.

O décimo terceiro: não ter que fazer a mesma lista no fim de 2014, como ocorreu em 2013.

29 de dezembro de 2013
Carla Kreefft

ESBULHO SALARIAL

 

http://1.bp.blogspot.com/_h77BLo4MRuM/S8ZTF_hlKmI/AAAAAAAAFb4/GWwhmZNATyI/s320/charge_mantega_aposentado.jpg
O governo federal, o governo da sra. Dilma Roussef, o governo petista, o governo dos defensores de bandidos nacionais e estrangeiros, brindou-nos com uma inflação oficial de 5,85% e um crescimento de apenas 2,3% da Economia.
Os números são dos piores dentro do grupo de países com os quais o Brasil costuma ser comparado.

O mundo que enxerga um palmo além do bolsa-família já compreendeu que esse governo não merece confiança e está exigindo responsabilidade fiscal e superávit primário.
O ministro Mantega, sentindo a pressão, já encontrou a maneira de produzir isso num ano politicamente sensível como será o ano eleitoral de 2014: promoverá um esbulho nos salários dos brasileiros!

É preciso denunciar, leitor, que se a inflação foi de 5,85%, o ato de corrigir a tabela do Imposto de Renda em apenas 4,5% representa um esbulho de 1,35 pontos percentuais no salário de cada trabalhador ou aposentado do país. O governo petista da sra. Dilma Rousseff tomará para si mais 1,35% de todos os salários pagos no Brasil.

Que governo miserável, esse, que tem a coragem de tributar (vale dizer, de se aproprias) de 27,5% dos suados ganhos de quem recebe mais de parcos R$ 4,4 mil reais!

29 de dezembro de 2013
Percival Puggina

DEBATE IMPERDÍVEL

Quem não assistiu a entrevista, na GloboNews, comandada por William Waak, com Bolívar Lamounier, Luiz Felipe Pondé e Reinaldo Azevedo, não sabe o que está perdendo.

Quatro cabecinhas privilegiadas discutindo sobre direita e esquerda no Brasil, que fizeram 40 minutos ou mais parecerem cinco, devido à clareza das ideias, ao mesmo tempo que valem por dois dias seguidos, se formos considerar a importância do que foi dito.
 
No entanto, é importante frisar que o programa não é recomendado para esquerdistas até 238 anos, já que eles, que não leem, não estudam e têm a sua capacidade limitada a apenas repetir palavras de ordem, não vão entender bulhufas.
 
Depois de assistirem os dois blocos, aqui e aqui, imaginem um convescote desses comandado por Paulo Henrique Amorim, com Leonardo Boff, Marilena Chauí e Emir Sader como debatedores.
 
E chorem, porque esses mentecaptos são maioria...
 
29 de dezembro de 2013

"A FARSA DOS ESPÍRITOS"

(Livro: “A Farsa dos Espíritas” por Milton Valdameri)

Bom, eu vou dar uma de crítico literário, mas acrescento que não é a minha especialidade. Vai ser apenas uma opinião muito pessoal e sem rasgação de seda, apesar do Milton Valdameri, o autor do livro em questão, ser um grande amigo aqui da internet desde os tempos do falecido Observador Político.
 
Não esperem de mim coisas como “o poeta trabalha na dobra: um conhecer que é, ao mesmo tempo, desconhecer”, como escreveu ontem o crítico José Castello ao se referir à obra de Mário Quintana, seja lá o que isso quiser dizer. Não sou chegado a firulas nem a encher linguiça.
 
 
Para começo de conversa, “A Farsa dos Espíritas” é muito específico, pois trata da vida e da obra de Allan Kardec, ou melhor, da desconstrução de ambas, mostrando uma vida e uma doutrina que foram embasadas em erros sobre erros, a começar pela ligação íntima que Kardec teria tido com Johann Heinrich Pestalozzi, o notável educador pioneiro de uma grande reforma educacional. No caso, Kardec, aliás, Hippolyte Léon Denizard Rivail, chega a ser tratado por alguns biógrafos como um geninho que teria até mesmo substituído Pestalozzi na direção de sua escola de Yverdon, na Suíça, onde Kardec estudava, coisa meio impossível, já que, segundo consta, Kardec deixou a escola em 1822, com apenas 18 anos, estabelecendo-se em Paris. Na verdade tal ligação entre ambos nunca ocorreu, como Milton comprova ao analisar várias correspondências e documentos de Pestalozzi.
 
O livro passa também pela fascinação à primeira vista, em 1854, de Kardec pelo “fenômeno” das mesas girantes, bastante difundido à época, como objeto de curiosidade e divertimento, em especial nos salões nobres e burgueses europeus, e virou habitué de tais convescotes. Por delírio ou esperteza (ou ambos), Kardec resolveu que aquilo era obra de espíritos, tal como a psicografia, que também havia conhecido recentemente e elaborou o Livro dos Espíritos, uma baboseira inacreditável e contraditória em si mesma, já que Kardec desce o pau na Ciência quando lhe convém e apela para ela da mesma maneira, na maior cara de pau.
 
E esse foi, para mim, o grande erro de Kardec: se ele tivesse se limitado a afirmar suas bobagens sem tentar explicá-las através da razão, batendo de frente com a Ciência e com a Lógica, o kardecismo (ou espiritismo) passaria impune como apenas um questão de fé e não compraria uma briga impossível de ser vencida.
 
Milton, nesse sentido, faz também uma análise minuciosa do aspecto doutrinário do kardecismo através das obras de Kardec, apontando suas inúmeras impossibilidades e absurdos, para, no final, relatar e comentar um processo contra os espíritas, mais precisamente os responsáveis pela divulgação e venda de fotos supostamente mediúnicas. Farsa provada, deu cana para três. Ficou barato.
 
Se meu interesse por alguma coisa serve como parâmetro, eu digo que um sintoma particular de que um livro é interessante é a minha velocidade de leitura - no “Inferno” do Dan Brown eu demorei duas semanas para ler cem páginas, e desisti -, e eu li as 311 páginas de “A Farsa dos Espíritas” de um fôlego só, em quatro horas. Como eu disse antes o livro é específico e eu gosto do tema, mas mesmo para quem gosta menos do assunto, é uma leitura perfeitamente palatável.

*O mais importante eu esqueci, mas faço questão de colocar nesse adendo: Milton Valdameri frisa muito bem na introdução que o livro não trata da existência de espíritos, de comunicações deles com os vivos, de encarnações ou de Deus, portanto, o tema é puramente a parte documental - o que foi escrito e o que deixou de ser, em relação ao kardecismo. E sou testemunha disso pelo privilégio que tive de ler o livro antes da maioria dos mortais.
Mas, já que nem tudo são flores, há três coisas que, embora não comprometam significativamente a obra, precisam ser registradas.
 
A primeira são os erros de digitação. Não, não são erros gramaticais, mas em muitos trechos há a falta ou excesso de caracteres, típicos da pressa.
 
A segunda é o excesso de referências a sites, o que polui o texto desnecessariamente, dados que podem perfeitamente ser mencionados nos pés das páginas ou no final dos capítulos.
 
E o terceiro é um certo exagero na documentação que, ao mesmo tempo que dá credibilidade à obra, pode ser um motivo para o desinteresse do leitor que não é muito afeito ao tema. Quanto a isso, eu lembro do livro do Jô Soares, “Xangô de Baker Street”, que eu deixei de lado por causa do começo, cheio de referências documentais - onde o Jô chegou ao requinte desnecessário de dar o número de pedras gastas para o calçamento de uma rua do Rio de Janeiro antigo -, até que uma amiga me recomendasse ler da página tal para frente.
 
No mais, meus parabéns ao Milton Valdameri pela pesquisa refinada e pela obra em si.

29 de dezembro de 2013
Ricardo Froes

P.S.: Milton, você fica devendo uma continuação com dois assuntos que eu acho que fazem parte: um é a, vamos dizer, mecânica do espiritismo, ou seja, como, quando e por quê se dão as “incorporações” dos espíritas, e o outro é sobre como o espiritismo chegou ao Brasil e por que ele sumiu da França.
 
Abração
29 de dezembro de 2013