"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 14 de setembro de 2013

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO!

            A apoteose da mediocridade

 
 
A economia brasileira continua sua trajetória de mediocridade. 
A atividade econômica voltou a cair em julho, prenunciando que o crescimento vistoso do PIB no segundo trimestre foi mesmo apenas um espasmo. Dilma Rousseff caminha para ser um dos três presidentes da República com pior desempenho neste quesito em mais de um século de história.

Nesta manhã, o Banco Central
divulgou seu índice de atividade econômica (IBC-Br). O resultado veio mais ou menos dentro do esperado: 
a economia brasileira caiu 0,33% em julho. 
Tudo indica que, quando os resultados oficiais do trimestre que acaba daqui a duas semanas forem conhecidos, o PIB do país terá sofrido retração no período.

O IBC-Br de julho espelha retração de 2% verificada na indústria naquele mês, queda apenas em parte compensada pelo bom resultado do varejo, que cresceu 1,9%, conforme divulgou o IBGE ontem. 
Foi a terceira queda mensal do indicador do BC neste ano: 
em fevereiro, já havia caído 0,39% e, em maio, 1,48%.

O IBC-Br funciona como espécie de antecedente do índice oficial das contas nacionais, aferido pelo IBGE e divulgado a cada três meses. Segundo o indicador do BC, a economia brasileira cresceu 2,11% nos últimos 12 meses, na série dessazonalizada.
 
É bem próximo à previsão média dos analistas de mercado para o desempenho da nossa economia neste ano: 
2,35%.

Para o próximo ano, a estimativa é praticamente a mesma (2,28%).
 A se confirmarem estes prognósticos, o Brasil terá crescido uma média de exatos 2,06% ao ano durante o período do governo da presidente Dilma. Será um dos piores desempenhos no mundo e também em toda a história republicana do país.

Segundo
estudo feito pelo professor Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, numa lista de 30 presidentes da República, somente Fernando Collor de Mello e Floriano Peixoto saíram-se pior que Dilma. 
Aquele, primeiro presidente a sofrer impeachment na nossa história, dispensa explicações; este, que governou entre 1891 e 1894, enfrentou séria crise institucional e política. No topo da lista elaborada por Gonçalves aparece Garrastazu Médici, que não é exemplo para nada nem para ninguém. 
Mas no quinto lugar está Juscelino Kubitschek, cujo governo democrático levou o Brasil a crescer 8,1% ao ano. 
Para se ter ideia do que isso representa, significa dizer que, mantido o ritmo do fim da década de 50, o PIB brasileiro teria duplicado em oito anos; com Dilma, levaria 35.
A presidente petista não faz feio apenas no cotejo com a história brasileira. Faz papel ainda pior quando o desempenho econômico de seu governo é comparado ao resultado que outros países vêm obtendo neste exato momento.


Enquanto o Brasil avançará somente 2% ao ano durante o mandato de Dilma, o mundo crescerá 3,5% em média, de acordo com levantamentos do Fundo Monetário Internacional. 
Os países em desenvolvimento – grupo de economias com padrão similar ao do Brasil – crescerão mais ainda: 
5,4%. Em todos os anos do período 2011-2014 foi ou será assim: estaremos sempre para trás.
"Na perspectiva histórica o governo Dilma é a apoteose da mediocridade. O crescimento econômico é medíocre pelos padrões internacionais atuais e pelos padrões históricos brasileiros”, escreve Gonçalves. "Durante este governo o Brasil fica para trás e isto não se explica pelo que acontece no mundo.” 
Não precisa dizer muito mais. 

Instituto Teotônio Vilela
14 de setembro de 2013

A CRISE CHEGOU AO BOLSO DO BRASILEIRO. SALÁRIO TERÁ O MENOR AUMENTO DESDE 2005


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Depois de dois anos seguidos de baixo crescimento e de inflação elevada, os trabalhadores começam a pagar a fatura da desordem econômica. A oferta de empregos esfriou e o peso da frustração com o Produto Interno Bruto (PIB) recai, agora, sobre a renda das famílias, até então o sustentáculo do país.

Cálculos do Bradesco mostram que o reajuste real médio dos salários em 2013 será de 2,5% — o menor ganho em nove anos. A instituição projeta ainda uma desaceleração do consumo para 2,7%. No ano passado, essa taxa havia sido de 3,1%.

Além de uma inflação persistente, o endividamento elevado das famílias e bancos mais seletivos na oferta de crédito são vistos como um quadro adverso que pode agravar as condições no país, que já enfrenta sérias dificuldades para encontrar uma taxa de expansão satisfatória. Não à toa, segundo os analistas, os ganhos dos trabalhadores e os empregos estão sendo afetados.


As empresas adiaram demissões o quanto foi possível, mas, com as margens de lucro estranguladas pela carestia e por uma economia aquém do ideal, o mercado de trabalho e a renda começam a esfriar. O sonho do pleno emprego, de acordo com os economistas, está ameaçado.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) reforçam a tese do Bradesco para a renda. Diminuiu o número de categorias que obtiveram ganhos salariais acima da inflação. Em 2012, 96,3% delas conquistaram reajustes capazes de vencer a carestia.

Este ano, o número caiu para 84,5%. O tamanho do ganho real também encolheu, passou de 2,3%, no ano passado, para 1,2%. Especialistas alertam que o processo de correção dos salários, em muitos casos acima da produtividade, deve se tornar cada vez mais raro.


Produtividade

“Os que têm salário próximo do mínimo receberam ganhos maiores que sua produtividade, não nos parece mais possível aumentos tão exagerados”, ponderou Nilson Teixeira, economista-chefe do Banco Crédit Suisse.


Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do Banco Central, ponderou que as empresas, em função do elevado custo de demissão e contratação, adiaram planos de cortar postos. “Houve um entesouramento de mão de obra.

Os empresários optaram por esperar o máximo possível na expectativa de que o crescimento do país melhorasse. Como essa recuperação é lenta, eles pararam de absorver perdas e o mercado de trabalho esfriou”, argumentou.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, faz avaliação semelhante. “Desde 2004, a demanda por mão de obra vinha crescendo acima da oferta. Agora, isso se inverteu, a disponibilidade de emprego desacelera a uma velocidade maior”, observou. Com a menor oferta de postos de trabalho, a possibilidade de ganhos acima da inflação se reduziu.


Na construção civil, até 2010, era comum um trabalhador migrar de uma empresa para outra, cooptado por rendimentos maiores.

Diante da desaceleração da economia, o número de obras caiu e a necessidade de operários, também, o que possibilitou às empresas manterem um empregado por mais tempo e com o mesmo salário.

A situação não se restringiu apenas à construção civil. A indústria amarga as piores condições. O setor parou de gerar postos de trabalho e o total de ocupados em fábricas está nos piores níveis desde 2009. O gasto com a folha de pagamentos, em alguns setores, também está menor, a exemplo dos ramos de transporte, papel e gráfica, produtos de metal, ma
deira e calçados e couro.

Círculo vicioso 

 “O crescimento mais fraco da economia influencia negativamente o mercado de trabalho. Não há como ser diferente”, disse José Pastore, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Quando se tem queda nas vendas, os segmentos de comércio e serviços sofrem e a indústria, por consequência, produz menos.

Tudo isso reflete, em algum momento, em desaceleração do aumento da renda”, explicou. Para Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, o Brasil entrou em um círculo vicioso. Na visão dele, os sinais são claros de que o mercado de trabalho está perdendo força. “Hoje, o país cresce abaixo do PIB potencial e, para reaquecer o emprego, é preciso de uma atividade mais dinâmica”, argumentou.


Com a renda dos trabalhadores crescendo a um ritmo menor, o varejo começa a se preparar para tempos de vendas em baixa. As projeções do Bradesco são de forte desaceleração no comércio. Enquanto, em 2012, o setor avançou 8,4%, a previsão para este ano é de 3,2%. Para 2014, o cenário piora mais, e o número cai para 3%.

A instituição também estima crescimento menor para o crédito em 2013 — expansão de 14%. No ano anterior, havia sido de 16,4%.

Para integrantes do governo, essa diminuição da oferta de empréstimos e financiamentos é influenciada, principalmente, pelos bancos privados, que perderam espaço para as instituições públicas. Depois da cruzada do Palácio do Planalto contra os juros altos, os particulares se viram obrigados a pisar no freio por não terem condições de concorrer no mesmo nível.

O endividamento das famílias, também em patamar elevado, deixou mais lento a tomada de crédito. “Tudo está ligado. Esse quadro afeta a economia e o crescimento”, observou Pastore.


» Aposta nas concessões 

A fim de minimizar a situação, tentar recuperar o dinamismo da economia, incrementar a renda do brasileiro e garantir a manutenção de postos de emprego, o governo colocou todas as fichas no programa de concessões de infraestrutura. O objetivo é ampliar os desembolsos para obras.

Depois de uma queda de 4% no total de recursos alocados pelos setores público e privado no ano passado, a expectativa dos economistas do Bradesco é de uma recuperação em 2013 — um avanço de 5,5%—, o que deve deixar a taxa de investimento em 19,2% do PIB. Se o programa de privatizações obtiver sucesso, esse indicador, até 2018, deve chegar a 22,2%. Caso ele falhe, a expectativa é de que ele fique em 20,7%.

VICTOR MARTINS Correio Braziliense
14 de setembro de 2013

A VERDADE, DOA A QUEM DOER... UM BRASILEIRO DECENTE! BASTA DE COVARDIA!!!

CONTRA FATOS NÃO ACEITAREI NENHUM ARGUMENTO A MAIS. OU O POVO TOMA UMA ATITUDE UNIDO, OU ALGUÉM COM CORAGEM E HONRA ACABARÁ POR TOMAR...
ASSISTA ATÉ O FINAL. O MELHOR DISCURSO QUE OUVI ATÉ O MOMENTO DE UM BRASILEIRO CONSCIENTE.



A FOTO MOSTRA O IMPEDIMENTO CONSTRANGEDOR DO MÉDICO ESTRANGEIRO

A foto mostra o impedimento constrangedor : O Ministério da Saúde proíbe médico estrangeiro de dar entrevistas em SP
 


Assessor de imprensa do Ministério da Saúde (camisa azul clara)
conduz médica formada no exterior para evitar entrevistas
 
 
O Ministério da Saúde proibiu os médicos formados no exterior de conversar com a imprensa nesta sexta-feira (13), em São Paulo. A alegação dada por um assessor da pasta, que não se identificou, é a de que isso poderia atrapalhar o grupo, que ainda vai fazer a prova de conhecimentos à tarde.

Durante a manhã, a primeira parte dos 54 médicos formados no exterior -- sendo dez brasileiros -- fez a prova. A Folha tentou conversar com um dos candidatos na calçada da Escola Municipal de Saúde, mas foi impedida.

A reportagem perguntou o que um médico estrangeiro achou da prova. Ele disse que estava "tranquila" e que não teve dificuldade. Nesse momento, o assessor disse que eles [os médicos] não poderiam falar mesmo após a prova. Procurado depois, o ministério disse que não tem a intenção de atrapalhar o trabalho da imprensa.

O ministro da Saúde, Alexadre Padilha, explicou que a prova é apenas de português, porque os participantes do programa já fizeram outras avaliações ao longo das últimas três semanas. Os aprovados devem seguir para os municípios definidos pelo governo brasileiro neste fim de semana. Na segunda-feira, eles já começam a atender a população.

O ministro afirmou que os médicos que não forem aprovados hoje na avaliação de português --que encerra período de curso e testes desses profissionais estrangeiros-- poderão ser desligados do programa ou passar por um processo de recuperação.

O professor de saúde publica João de Deus Gomes da Silva disse que a prova é uma "simulação de atendimento". No teste em português, os profissionais devem simular o atendimento a um paciente, preencher um prontuário e escrever um e-mail para o supervisor. Caberá aos professores avaliar casos em que médicos com baixo desempenho deverão passar por um curso de recuperação para aprimorar o conhecimento do idioma.

Os testes estão sendo aplicados em sete capitais brasileiras. O primeiro grupo que fez a prova em São Paulo chegou por volta das 8h. A última pessoa deixou a escola às 12h30.
O Ministério da Saúde disse que os profissionais brasileiros deixaram o local antes dos estrangeiros. Isso ocorreu porque todas as questões aplicadas na prova de hoje são em português.

OUTRO LADO
 
Por telefone, a assessoria de imprensa do ministério disse que "não há por parte do Ministério da Saúde qualquer orientação no sentido de os médicos estrangeiros não falarem com a imprensa. Os médicos têm o livre e arbítrio para falar com a imprensa, porém muitos não querem falar neste momento".

14 de setembro de 2013
FOLHA DE SÃO PAULO

EXEMPLO DO ARGUMENTO INFANTILOIDE...


            “Ah, queria só ver se fosse com a sua mãe…”

 

Quase deixo de comentar um momento, vamos dizer, infantiloide do ministro Roberto Barroso no julgamento desta quinta. Ao evidenciar como ele se preocupa com as pessoas, lembrou na Marco Aurélio que as pessoas que cobram severidade da Justiça logo mudam de ideia se um parente seu é réu.

Ulalá! Quando eu era professor de redação e temas polêmicos suscitavam debates, não raro um aluno indagava: “Reinaldo, você é a favor ou contra a pena de morte?”. E eu: “Contra!”. Quase fatalmente vinha a suposta contradita: “Ah, mas se um parente seu fosse vítima…”.
Aí vinha o longo percurso para explicar a diferença entre justiça e vingança; entre um julgamento feito segundo as regras do estado de direito e o linchamento; entre a pena de morte e a legítima defesa… Mas notem: eu lidava com adolescentes.

Barroso deve ter lido “Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão”, de Schopenhauer, e deve ter adotado os 38 estratagemas como táticas virtuosas. A resposta de Marco Aurélio foi excelente:
“Não me impressiona o transporte da situação enfrentada para o campo familiar, mesmo porque, se parente até o terceiro grau (fosse), eu não poderia julgar. (…)”

Assim caminhamos… Ainda haverá a hora em que alguém da suprema corte brasileira vai dizer: “Ah, queria só ver se fosse com a sua mãe…”.
Para registro: Marco Aurélio é primo distante de Collor — de quarto grau, acho. Mesmo assim, já ministro do Supremo, declarou-se impedido de participar do julgamento do ex-presidente, em 1994.

14 de setembro de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja Online

SONHANDO COM OS INFRINGENTES...


Advogados pedem impeachment de Dias Toffoli. Justificativa é a de que ele teria ligações com réus do caso mensalão
 
 
BRASÍLIA - Dois advogados, um deles ligado ao PSDB, protocolaram nesta quarta-feira, na presidência do Senado, pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, por sua ligação com réus do mensalão e com o PT. Toffoli não se declarou impedido e participa do julgamento.

. “Os denunciantes requerem respeitosamente seja esta denúncia devidamente recebida e processada por esse Senado Federal para fins de ser proclamada sentença que condene o denunciado à perda do cargo de ministro do STF”, diz a denúncia de crime de responsabilidade assinada pelos advogados Guilherme Abdalla e Ricardo de Aquino Salles.
 
Compete ao Senado, que aprovou a indicação de Toffoli para o tribunal, processar e julgar ministros do Supremo.
O presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), utilizou o Twitter no final da tarde de hoje para afirmar que a ação não foi estimulada ou pedida pela legenda. “Aproveito para esclarecer que o PSDB não está patrocinando a ação que questiona a participação de Dias Toffoli no julgamento do mensalão”, escreveu em sua conta do microblog. “O PSDB não organizou, estimulou e nem tem qualquer responsabilidade por eventuais ações contra qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal”, declarou Guerra. AQUI

14 de setembro de 2013
O GLOBO
movcc

O TEMOR DE MARCO AURÉLIO MELLO


Marco Aurélio Mello teme impunidade e frustração em resultado final do mensalão

 

 
O ministro do Supremo Tribunal Federal (SFT) Marco Aurélio Mello afirmou nesta sexta-feira (13) no Jornal da Manhã, da JOVEM PAN , que haverá uma sensação de impunidade e frustração na sociedade caso a Corte decida admitir os embargos infringentes no processo do mensalão. 

“Eu costumo sempre citar um autor americano John Steinbeck*. Num certo romance ele termina apostando que quando uma luz se apaga é muito mais escuro do que se ela jamais houvesse
brilhado.
Nós sinalizamos a sociedade quanto à correção de rumos. Como eu disse ontem, para termos pelo menos para os nossos bisnetos um Brasil melhor. Agora, se admitidos os embargos eu já posso vislumbrar que cairão (configurações do crime de formação de) quadrilhas, cairão as cassações dos mandatos quanto a diversos acusados. Isso não será bom, gerará uma frustração”, disse o ministro.

“Eu costumo dizer que a divergência que maior descrédito causa para o judiciário é a divergência interna, é a divergência intestina. (...) Isso é muito ruim em termos de crença do cidadão em geral no judiciário e no Supremo Tribunal Federal. O Supremo avançou numa época que as instituições estão fragilizadas e obteve a confiança do povo brasileiro. Mas está a um voto de perder essa confiança”, completou.

Mello votou contra os embargos infringentes que, caso sejam aceitos, obrigarão o STF a fazer novos julgamentos de 12 dos 25 condenados no processo. Com o parecer dele, a votação ficou empatada por cinco a cinco e a palavra decisiva caberá a Celso de Mello na próxima quarta-feira (18) – o decano, em entrevista coletiva após a sessão de ontem, deu a entender que o votará a favor dos embargos infringentes.

“Com o empate e o tribunal dividido ele [Celso de Mello] terá o papel de fiel da balança. Evidentemente precisa guardar a Constituição da República e decidir de acordo com a legislação. Sabemos todos que essa é a primeira vez. Por isso, não há qualquer casuísmo. (...) Agora acaba a admissibilidade desses embargos contrariando o principio básico, que é o princípio do tratamento igualitário (...) Vamos aguardar a palavra do nosso Celso, que ele traga o remédio, o remédio verdadeiro que possa desaguar na preservação da ordem jurídica e no atendimento dos anseios da sociedade”, ressaltou.

Se a Corte acatar os recursos, um novo ministro será escolhido para relatar a nova fase do julgamento, e os advogados terão 15 dias, após a publicação do acórdão (o texto final), para apresentar os recursos. Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, relator e revisor da ação penal, respectivamente, não poderão relatar os recursos.

Dos 25 condenados, 12 tiveram pelo menos quatro votos pela absolviação: João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg (no crime de lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado (no de formação de quadrilha); e Simone Vasconcelos (na revisão das penas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas). No caso de Simone, a defesa pede que os embargos sejam válidos também para revisar o cálculo das penas, não só as condenações.

* Diferente do que foi publicado anteriormente nesta notícia, o ministro Marco Aurélio Mello cita o autor John Steinbeck, e não o diretor de cinema John Stalberg.
A informação foi corrigida às 10h54. 
 
14 de setembro de 2013
JOVEM PAN - ONLINE
MOVCC

A HERANÇA CULTURAL DO MENSALÃO


Filmes à mancheia com dinheiro público. Ou ainda: Tudo bem Zé de Abreu como Lewandowski no cinema; o que não pode é Lewandowski vir a se tornar o Nilo do Supremo
 
 
Ele vai ser Lewandowski no cinema: verei esse filme com gosto


Pois é… O bom mesmo do mensalão vai ser a herança cultural, entendem? Como vocês viram, a cineasta Tata Amaral pode contar com dinheiro público para realizar a hagiografia cinematográfica de José Dirceu. Obteve autorização para captar R$ 1,530 milhão pela Lei Rouanet. Mônica Bergamo informa em sua coluna que Luiz Carlos Barreto, amigão de Dirceu, pretende recorrer à lei de incentivo para captar recursos para fazer um filme intitulado “Os 60 Anos que Abalaram o Brasil”, a partir de 1954.
Suponho que comece com a morte de Getúlio Vargas, talvez o único evento à altura da eventual prisão de José Dirceu, não é mesmo? Tenham paciência! Barreto quer convidar cineastas diferentes para dirigir cada uma das décadas — Tata está entre eles (cuidado ou vai se intoxicar, moça!) — e já avisou que vai tratar do mensalão. Vejam bem: se alguns cineastas brasileiros aproveitarem o mensalão para ganhar uns trocos, não vai ser novidade. Afinal, alguns deles ganharam uma grana preta durante a ditadura também, né?
Mas a coisa não para por aí. O ator petista José de Abreu diz que pretende produzir o filme “AP 470 – O Golpe Jurídico”. Uau! É, como se vê desde o título, um cinema de tese. Abreu pensa, informa a colunista, em fazer o papel de Lewandowski. Entendo. Um ator representar um personagem da vida real é do jogo. O que não pode é alguém da vida real resolver encarnar um dos papeis de um ator. Ao fim do julgamento, seria muito bom que Lewandowski não fosse visto como o Nilo do Supremo. Torço para que não. Não seria bom para a instituição.
Imaginem se, no segundo mandato de FHC, cineastas tivessem recorrido a Lei Rouanet para captar recursos e fazer um filme em defesa do Plano Real. Entre outros episódios, seriam mostradas as múltiplas tentativas do PT de sabotar o plano. O que vocês acham que aconteceria? Se o Ministério Público ainda não perdeu a vergonha, é o caso de agir desde já: resta evidente que a concessão da autorização para Tata captar recursos tem orientação ideológica e político-partidária.
E QUE SE NOTE: QUEM FIZESSE UM FILME SOBRE O REAL ESTARIA FALANDO SOBRE ALGO QUE INEQUIVOCAMENTE FEZ BEM AO BRASIL. QUEM EXALTA JOSÉ DIRCEU ESTÁ A CANTAR AS GLÓRIAS DE ALGUÉM QUE A JUSTIÇA CONSIDERA CRIMINOSO. Ainda que o pior aconteça e que ele se livre da pena de formação de quadrilha, é bom não esquecer que ele é, também, segundo decidiu o STF, um corruptor.
Seus amigos têm o direito de achar que é um santo e um mártir. Mas não com o nosso dinheiro. Se José de Abreu usar apenas a sua própria grana, ninguém tem nada com isso. O que é escandaloso é contar com facilidades da Lei Rouanet.
Se os três filmes realmente forem feitos, dispensarei a dois deles o tratamento habitual a obras oriundas de tais lavras: ignorar solenemente. Mas a um vou assistir com gosto. Não resistirei à tentação de ver José de Abreu encarnando Lewandowski. Essa, eu não perco por nada. A homenagem é merecidíssima!
14 de setembro de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja Online
 

ALLENDE E PINOCHET: O MITO E A REALIDADE


          Internacional - América Latina  
      
pinochetallendeO dia 11 de setembro de cada ano é sempre lembrado pelas esquerdas do mundo inteiro como o dia do “martírio” de Salvador Allende.
(O 11 de setembro de 2001 será também lembrado pela mesma esquerda como o ataque bem sucedido contra o coração financeiro do capitalismo americano, com a derrubada das duas torres gêmeas do World Trade Center.)
 
Em seu maniqueísmo vesgo e primário, o 11 de setembro é lembrado como o dia em que o “bem” foi vencido pelo “mal”. No caso, o “mal” sendo encarnado pelas Forças Armadas do Chile, com Augusto Pinochet à frente.

Esse o motivo de Pinochet estar sendo demonizado até hoje pelos comunistas e socialistas do Chile, e pelo juiz Baltasar Garzón, ex-deputado socialista espanhol, o qual começou a caçada a Pinochet em Londres.

Devido a essa perseguição, Pinochet respondeu, até sua morte, em 2006, a mais de duas centenas de processos no Chile e em outros países, enquanto muitos líderes assassinos da esquerda mundial andam leves e fagueiros pelo mundo sem que nada lhes aconteça – a começar por Fidel Castro –, já que têm garantido as bênçãos e a defesa do juiz Garzón e de toda a corja que o segue nessa campanha revanchista.

As esquerdas até hoje não aceitam a derrubada de um mito que haviam criado para si: nenhum país socialista jamais foi derrubado por forças “reacionárias”. No Chile, esse mito ruiu no dia 11 de setembro de 1973, quando o governo socialista de Allende foi para o beleléu.

 
Mas, afinal, que governo foi esse implementado no Chile por Salvador Allende? A leitura de alguns livros básicos, como o Libro Blanco e Chile: Objetivo del Terrorismo, nos ajudam a elucidar o que foram os anos do governo Allende, de 1970 a 1973, ou seja, a preparação do Chile para um governo comunista. E os “anos da matraca” que se seguiram após o contragolpe de Pinochet.
Os fatos e os números apresentados abaixo são contundentes, desmascarando totalmente a mitologia difundida pelas esquerdas, que sempre posaram de vítimas “frágeis” frente à propalada “ferocidade” de Pinochet. Felizmente, para a população chilena, o sonho do Kerensky dos Andes foi abortado pela reação firme das Forças Armadas, com total apoio de sua população. O mais é mitologia latino-americana que a esquerda  escreve nos jornais e ensina nas escolas.
 
GAP
 
Os Grupos de Amigos Personales (GAP) eram a guarda pretoriana de Salvador Allende. Antes de Allende, os Carabineiros faziam a segurança da guarda do Presidente. Contra todas as leis do país, os GAP passaram a constituir uma Força Armada, incluindo agentes e espiões cubanos, que seria a base do “Exército Popular” que os marxistas estavam formando com as brigadas “Ramona Parra” (do PC), “Elmo Catalán” (do PS) e o “MCR” (do MIR). “Entre os seguranças que protegiam as residências de Allende, havia cubanos, argentinos radicais membros dos montoneros e uruguaios do grupo tupamaro, todos terroristas. Os treinamentos do GAP ocorriam nas propriedades do presidente com instrutores cubanos” (NARLOCH, 2011: 267). Sem formação profissional, sem disciplina e sem responsabilidade, os GAP tinham impunidade para assaltar, tomar reféns e assassinar - inclusive próprios companheiros. A organização do “Exército Popular” acelerou-se com a formação dos “Cordões industriais”, organização paramilitar composta por operários e camponeses marxistas das indústrias estatizadas.
 
MIR
 
O Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) foi criado em 1965, com a meta de alcançar o poder político via luta armada. Participou do governo Allende, para implantação do comunismo. O sociólogo brasileiro Emir Simão Sader foi “militante” do MIR.
Em 1989, o MIR participou do sequestro do empresário brasileiro Abílio Diniz, junto com a FPL de El Salvador. Os terroristas foram presos e receberam visita de solidariedade de notórios petistas, com as bênçãos de D. Paulo Evaristo Arns.
Na República Federativa dos Bandidos, eles não poderiam ficar muito tempo presos e foram soltos alguns anos depois.
 
Frente Manuel Rodrigues
 
O Grupo terrorista Frente Manuel Rodrigues era chamado de hijo natural del Partido Comunista. O mesmo que Frente Patriótica Manuel Rodriguez. Braço armado do Partido Comunista do Chile, a FMR iniciou as atividades terroristas em 14/12/1983, com explosões em vários pontos de Santiago e interferências radiofônicas. O nome advém do herói da independência do país contra a Espanha. Desde 1987, a FMR dividiu-se nas seguintes facções: Frente Manuel Rodriguez - Autónomo, Movimiento Manuel Rodriguez, Ejército de Liberación Nacional e Destacamento Raul Pellegrin.
 
A FMR utilizava empresas de fachada, como pesqueiros (Chompalhue, Astrid Sue) e viveiros flutuantes de pescado para contrabandear armas, explosivos e munições para o Chile, ao custo de 25 milhões de dólares, repassados por Cuba e Nicarágua ao PC chileno e FMR, dinheiro esse oriundo de países que fomentavam o terror, como URSS, Alemanha Oriental, Bulgária e Líbia.
 
Os arsenais de guerra encontrados em agosto de 1986 em poder da FMR foram os maiores já vistos na América Latina. Locais dos arsenais: Carrizal (o maior de todos), Palo Negro, mina abandonada de Cerro Blanco, Paine, Pintana (Santiago) e periferia de Santiago (Calle Tucapel no. 1635). Entre 6 e 21 de agosto, foram encontrados: 3.118 Fz NA M-16, 114 Lç foguete antiblindagem soviéticos RPG-7, 102 Fz de assalto belgas FAL, 6 Mtr NA M-60, 167 foguetes antiblindagem NA LAW, 5 Fz Lç Gr M-79, 1 escopeta de repetição cal 12, 1.959.512 car para Fz M-16, 4.205 car para FAL, 2.700 car para Mtr M-60, 965 car para Fz AKA, 1.979 granadas de mão soviéticas, 1.859 bombas para Mrt M-79, 2.204 kg de TNT em cubos, 796 kg de explosivos plástico T-4, 100 rolos de estopim, 4.700 detonadores, 10.140 “tirafrictores” para cargas explosivas, 1.514 carregadores sobressalentes para Fz M-16, 521 carregadores sobressalentes para FAL, 716 cargas de projeção para RPG-7 e 54 cargas de projeção para Mrt 81 mm - além de barcos, veículos, botes de borracha, equipamentos de comunicações e material de campanha (Cfr. LONFAT, 1988: 55).
 
No dia 7/9/1986, a FMR promoveu atentado contra o presidente Augusto Pinochet, que escapou ileso. Na ocasião, morreram 5 militares, e 7 militares e 1 detetive ficaram feridos - todos da comitiva presidencial. Em 1993, promoveu dois atentados à bomba a lojas da McDonald’s e uma tentativa de ataque a bomba a uma lanchonete Kentucky.
A FPMR fez, no Brasil, pelo menos 3 assembleias anuais clandestinas, que ocorreram em algum dos três Estados do Sul, em 1990, 1992 e 1994.
 
O chileno Maurício Hernández Norambuena comandou o sequestro do publicitário brasileiro Washington Olivetto, ocorrido no dia 11/12/2001, e foi preso com mais 5 comparsas em São Paulo. Norambuena foi um dos dirigentes da FPMR, é acusado de ter sido um dos atiradores no atentado ao general Pinochet e de ter planejado o assassinato de vários agentes chilenos, como Roberto Fuentes Morrison. Atualmente,
Norambuena é um dos chefes da Frente Patriótica/Dissidentes (FPMR/D). Condenado no Chile à prisão perpétua, pelo sequestro e assassinato do Senador Jaime Guzmán, Norambuena fugiu de um helicóptero do presídio de segurança máxima de Santiago, o CAS (Cárcel de Alta Seguridad).
A operação foi batizada no Chile como a “fuga do século”. Outros três “frentistas” fugiram na operação: Ricardo Palma Salamanca, Patrício Ortiz Montenegro e Pablo Muñoz Hoffmann. Entre os 10 foragidos do Caso Abílio Diniz (sequestro, realizado por integrantes do MIR em 1989), havia membros da FPMR.
 
A FPMR também é acusada de ser responsável pelos sequestros do banqueiro Beltran Martinez, do Bradesco, em 1986, e do publicitário Luiz Sales, em 31/7/1989, sequestrado durante 65 dias e libertado após o pagamento de US$ 2,5 milhões. No dia 8/12/1992, foi sequestrado o publicitário Geraldo Alonso Filho, solto após 36 dias e o pagamento de US$ 3 milhões. A FPMR edita a revista trimestral El Rodriguista e tem um site, www.fpmr.org.
 
Libro Blanco
 
O Libro Blanco del Cambio de Gobierno en Chile, de 11 de setembro de 1973, foi impresso e editado por Editorial Lord Cochrane, S.A., Santiago, Chile. O livro documenta toda a prática revolucionária ocorrida no Chile, sob o governo de Salvador Allende (1970-1973), que preparava um autogolpe para implantar o socialismo no país, já que havia conquistado apenas 36,5% dos votos e não detinha controle sobre o Congresso, a Justiça e as Forças Armadas;
 
documenta a estreita ligação de Allende com o regime de Fidel Castro, as escolas de guerrilhas no país (há uma foto em que Allende faz treinamento de tiro com uma metralhadora .30 em sua residência oficial de El Cañaveral - um centro de guerrilha -, escudado por um “conselheiro” ou guerrilheiro cubano);
 
documenta a política de “expropriação” de fazendas e indústrias (no final do governo Allende, 80% da economia do país estava nas mãos do Estado);
 
documenta a ligação de Allende com a UP, o MIR, o MAPU, o Partido Comunista e o Partido Socialista, libertando, logo que assumiu a Presidência, líderes do MIR: Luciano Cruz, Miguel e Edgardo Enriquez, Bautista Van Schouwen, Humberto Sotomayor, Sergio Zorrilla, Joel Marambio e Andrés Pascal Allende (sobrinho do ex-presidente Allende, filho de sua irmã e ex-Deputada socialista, Laura Allende), que haviam sido presos por atos de violência e delitos comuns (principalmente roubos a bancos), cometidos no governo anterior;
 
documenta que os responsáveis pelas escolas de guerrilhas de Guayacán (Santiago) e Chaihuín (Valdivia), presos no governo anterior, foram soltos, e que um dos guerrilheiros, Adrián Vasquez, ocupou de imediato a vice-presidência do INDAP (Instituto de Desarrollo Agropecuario) e outro, Rolando Calderón, chegou a ser Ministro da Agricultura de Allende em 1972 e ocupou importantes cargos em seu Partido e na CUT (Central Única de Trabajadores);
 
documenta que uma das filhas de um sobrinho de Allende, líder do MIR, casou-se com graduado membro da embaixada cubana, Luís de Ona, que era responsável pelo Escritório de Havana para a coordenação da expedição de Che Guevara à Bolívia;
 
documenta que no período de 1/11/1970 a 5/4/1972, 1.767 fazendas foram “expropriadas” por bandos armados do MIR;
 
documenta que as principais minas de cobre foram controladas pelo Partido Comunista (Mina de Chuquicamata, na Província de Antofagasta - maior mina de cobre a céu aberto do mundo; e a Mina El Teniente, na Província de O’Higgins - a maior mina de cobre subterrânea do mundo);
 
documenta que após o contragolpe de Pinochet foram encontradas vultosas somas de dinheiro com ministros de Allende, e que entre 1970 e 1973 o Chile se tornou o principal fornecedor de cocaína da América do Sul;
 
documenta que antes do contragolpe de 1973 aproximadamente 100 pessoas perderam a vida durante o governo Allende em seu nada pacífico “caminho chileno para o socialismo”;
 
documenta que no início do Governo Allende 1 dólar equivalia a 20 escudos e que em agosto de 1973, 1 dólar equivalia a 2.500 escudos - uma inflação de mais ou menos 12.000% no período; em 1972, a economia chilena estava em ruínas, dos 3.000 produtos domésticos básicos, mais de 2.500 não estavam disponíveis; em janeiro de 1973 começou um racionamento, as filas eram tão grandes que impediam o povo a ir ao trabalho; em 7/9/1973 (4 dias antes do contragolpe militar), Allende anunciou publicamente que havia farinha para pão somente para mais 3 dias;
 
documenta o ingresso de estrangeiros extremistas no país, calculado entre 10.000 e 15.000, muitos dos quais ocuparam cargos em empresas estatais, outros engajaram-se em diversos tipos de atividades revolucionárias, sob a proteção do serviço de investigação estatal; muitos destes foram mortos em ações de roubos ou se mataram com seus próprios explosivos; entre estes, havia asilados ou refugiados vindos do Brasil, Uruguai, Argentina, Peru, São Domingos, Nicarágua, Honduras etc.; “estudantes” ou “técnicos” vindos de empresas estatizadas da URSS, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental; e “diplomatas” cubanos e norte-coreanos;
 
documenta o contrabando de armamento, adquirido em “viagens internacionais” do presidente Allende, principalmente com a ajuda da empresa aérea estatal Lan, sem fiscalização da aduana no retorno ao país;
 
documenta os comandos comunales, agrupamento territorial de organismos revolucionários, e os cordones industriales, redes de trabalhadores de indústrias usurpadas ou estatizadas por Allende, também com base territorial para a violência política;
 
documenta que em agosto de 1973, 1 mês antes do contragolpe de Pinochet, Fidel Castro mandou ao Chile dois de seus maiores “especialistas” em organização de violência política: o 1º ministro-substituto, Carlos Rafael Rodriguez, e o chefe da temida polícia secreta, Manuel Piñero, o “Barbarroxa”, com a seguinte carta (tradução do capitão José Acácio Santos da Rocha, ex-auxiliar do adido do Exército Brasileiro no Chile):
Havana, 29 de julho de 1973
Querido Salvador
 
Com o pretexto de discutir contigo questões referentes à reunião de países não-alinhados, Carlos e Piñero realizam uma viagem para aí. O objetivo real é informar-se contigo sobre a situação e oferecer-te, como sempre, nossa disposição de cooperar frente às dificuldades e perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estada deles será muito breve, porquanto têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrificar seus trabalhos, decidimos que fizessem a viagem.
 
Vejo que estão, agora, na delicada questão do diálogo com a D. C. [Democracia Cristã] em meio aos graves acontecimentos, como o brutal assassinato de seu ajudante-de-ordens naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino a grande tensão existente devido a isso e teus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para o caso de que comece a luta e, se possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário sem guerra civil, junto com salvar tua responsabilidade histórica por aquilo que possa ocorrer.
Estes são propósitos louváveis.
 
Mas, no caso da oposição, cujas reais intenções não estamos em condições de avaliar daqui, empenhar-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de pagar pela Unidade Popular e a Revolução, o qual é, inclusive, bastante provável, não esqueças, por um segundo, da formidável força da classe trabalhadora chilena e do forte respaldo que te ofereceram em todos os momentos difíceis; ela pode, a teu chamado, ante a Revolução em perigo, paralisar os golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma vez, se for preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber de que dispões do necessário para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na Capital a teu favor, inclusive, quando outras circunstâncias sejam desfavoráveis.
 
Tua decisão de defender o processo com firmeza e com honra, mesmo com o preço da própria vida, que todos te sabem capaz de cumprir, arrastarão a teu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Teu valor, tua serenidade e tua audácia nesta hora histórica de tua pátria e, sobretudo, teu comando firme, decidido e heroicamente exercido, constituem a chave da situação.
Faz Carlos e Manuel saberem em que podem cooperar teus leais amigos cubanos.
Te reitero o carinho e a ilimitada confiança de nosso povo.
Fraternalmente,
Fidel Castro
 
O Libro Blanco documenta o “Plano Z” para a tomada do poder, onde constavam três hipóteses de ação revolucionária (Z-A: início do autogolpe para impor a ditadura do proletariado; Z-B: morte de Allende em atentado; e Z-C: invasão externa com tolerância ou cumplicidade das Forças Armadas); o emprego de forças populares, princípios básicos para desencadear o plano: assassinato do Alto Comando das unidades das Forças Armadas (no dia da Independência do país, haveria um banquete oferecido ao Alto Comando, ocasião em que os chefes militares seriam assassinados pelo GAP - a guarda pretoriana de Allende), controle das unidades militares com auxílio de oficiais esquerdistas infiltrados, controle das estações de telecomunicações, de rodovias, ferrovias e aeronaves com destino aos aeroportos de Santiago, Valparaíso, Concepción e Antofagasta, ocupação e defesa de centros estratégicos, além da busca, prisão e aniquilamento de todos os focos de resistência;
 
documenta que Cuba foi o principal fornecedor de armamento a Allende, que o “presente” de Fidel Castro encontrado no apartamento do Diretor do Serviço de Investigação, Eduardo “Coco” Paredes, superava uma tonelada de armamento sofisticado e munição; além do contrabando, o arsenal era aumentado com roubo de armamento do Exército e outras fontes, e guardados em local oficial “seguro”, como as residências oficiais do Presidente ou distribuídas a grupos paramilitares;
 
documenta a enorme quantidade de armamento apreendida na residência oficial de El Cañaveral e no Palácio de La Moneda, a saber: 147 fuzis semi-automáticos, 10 carabinas semi-automáticas, 10 carabinas Mauser, 1 carabina Winchester, 54 pistolas automáticas, 13 rifles, 28 pistolas semi-automáticas, 11 revólveres, 2 pistolas para disparo de bombas de gás lacrimogêneo, 3 metralhadoras, 9 lançadores de foguetes (modelo soviético), 2 canhões sem recuo, 1 morteiro, 58 baionetas para fuzis, 58 granadas de mão, 625 bombas caseiras, 832 bombas com alto poder explosivo, 68 lança-granadas, 236 minas antitanque, 432 bombas de gás lacrimogêneo, 12 lança-gás paralisante (tipo spray), 25.000 detonadores elétricos, 1.500 detonadores a mecha, 22.000 metros de estopim, 3.600 m de cordão detonante, 625 kg de cloreto de potássio, 50 caixas de dinamite, 250 kg de TNT, 750 coquetéis molotov, 230 litros de éter sulfúrico (elemento incendiário), mais de 80.000 carregadores de todos os tipos, e outros tipos de equipamentos.
 
Rendido no palácio de La Moneda, Allende concordou em sair com as filhas, porém elas saíram primeiro, ocasião em que Allende teria se suicidado com um tiro debaixo do queixo com uma metralhadora presenteada por seu amigo Fidel Castro; tal fato teria sido presenciado por seu médico particular, Patricio Guijon Klein.
 
Sem o apoio da massa de trabalhadores, paramilitares estrangeiros extremistas organizaram sua própria revolta contra o novo governo militar; depois de alguns meses, 1.261 pessoas perderam a vida (sendo 82 membros das Forças Armadas). Apesar do apoio cubano - confirmado por Fidel Castro mais tarde em um comício-show -, a esquerda foi severamente derrotada, já que não teve apoio popular.
 
Dado que 2.279 pessoas (incluindo 254 vítimas do terrorismo de esquerda) devam ter sido mortas em todo o período de 17 anos de regime militar, a metade dessas mortes ocorreram na curta guerra civil após a queda de Allende, não na subsequente “repressão”. Leia o texto de Robin Harris, A Tale of two Chileans: Pinochet and Allende (http://blogs.middlebury.edu/modernlatinamericaspring2012/files/2010/02/harris.pdf ), que discorre sobre o conteúdo do Libro Blanco.
 
Em 2011, o corpo de Allende foi exumado e não se chegou a uma conclusão, se teria se suicidado ou se foi executado. O espião cubano Juan Vivés, pseudônimo de Andrés Alfaya, no livro El Magnífico - 20 ans au service secret de Castro, afirma que Allende foi morto por guarda-costas cubanos, por ordem de Fidel Castro, por julgá-lo fraco e querer se refugiar na embaixada da Suécia - cfr.
http://www.jornalopcao.com.br/colunas/contraponto/livro-de-espiao-cubano-mostra-padres-da-teologia-da-libertacao-a-servico-de-fidel-castro. Com esse embuste, Fidel conseguiu criar mais um mito esquerdista, um “mártir” da causa comunista.

14 de setembro de 2013
Félix Maier

Notas:

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. Leya, São Paulo, 2011.
LONFAT, Pedro Varas. Chile: Objetivo del Terrorismo. TT. GG. Instituto Geográfico Militar, Chile, 1988.

MENSALÃO, STF E SENSO DE JUSTIÇA

                        
          Artigos - Governo do PT        

Após o encerramento da sessão do STF desta quarta-feira, José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares devem ter posto na geladeira as garrafas de champanhe para a festa da semana que vem, após a leitura do mais provável voto do ministro Celso de Mello. Salvo surpresas, as rolhas espocarão.
Enquanto isso, tive a infeliz ideia de examinar as penas aplicadas aos réus na primeira fase do processo do Mensalão.

Reduzindo a uma sequência linear com começo, meio e fim os acontecimentos que deram causa à ação penal, tem-se o seguinte: a) tudo começa com uma estratégia petista; b) tudo se desenrola com a prática dos delitos mediante articulação de lideranças do partido; e c) tudo se consuma produzindo os convenientes resultados ao PT, segundo inicialmente projetado.
Ou seja, é impossível negar o elevadíssimo e decisivo grau de responsabilidade que tiveram, nos acontecimentos, os dirigentes do partido incluídos no processo. Sem essas pessoas, os crimes simplesmente não teriam ocorrido.


Observe, então, leitor, o que foi definido, até aqui, para os diversos réus nesse crime de motivação política, nesse crime de conveniência do governo federal e seu partido, nesse crime cujo objetivo era a compra de votos parlamentares. Pela lei brasileira, nenhum dos réus será efetivamente recolhido à prisão se a soma das penas a ele aplicada for inferior a oito anos.
Esse sinuoso e redondo número oito sempre esteve presente nas aritméticas do julgamento. E quem recebeu essas penas mais pesadas, superiores a oito anos? Pois é, as sete maiores sanções penais do processo do Mensalão incidiram sobre réus que atuavam no setor privado, integrantes dos assim chamados núcleos publicitário e financeiro! Réus que agiram nas atividades-meio.
Haverá exagero em dizer que foram réus "pagãos", réus sem padrinho? Pergunto: afora Marcus Valério, o publicitário que teve grande cobertura da mídia, agraciado com inacreditáveis 40 anos de prisão, quem conhece e quem sabe o que fazem na vida Ramón Hollerbach, Cristiano Paz, José Roberto Salgado, Kátia Rabello, Simone Vasconcellos e Henrique Pizzolato (o obscuro catarinense, ex-diretor do BB, petista que recebeu a mais pesada condenação - 12 anos e sete meses)?

Quase ninguém os conhece. Pois esses são os réus mais duramente fulminados! "É o que se extraiu da aplicação do Código Penal aos fatos", objetarão alguns. Tá certo, tá certo. Já o núcleo político, formado por altas autoridades da República, núcleo que pensou o crime, que agiu para que o crime acontecesse e que dele se beneficiou, vem depois, claro. Claro?
Não deveria ser tão claro, mas é. A lista por ordem decrescente das penas aplicadas ao núcleo político começa com José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares. Todos com condenações um pouco superiores a 8 anos, mas tendo em favor de sua virginal inocência os necessários quatro votos que eventualmente lhes permitirão os embargos infringentes ora em discussão, claro. Claro? Claro, sim, esses quatro votos podem ser a chave que lhes abre a porta do semi-aberto.

Não parece difícil extrair do que se disse acima uma robusta evidência de que o PT está conduzindo à ruína a credibilidade do STF. Será difícil dissimular o tipo de relação estabelecida entre as penas aplicadas a cada réu e os manejos de bastidor necessários à formação das dissidências e das novas maiorias. Desenha-se, no plenário do Supremo, um escândalo que arrastará para discreto segundo lugar o próprio Mensalão!
 
14 de setembro de 2013
Percival Puggina