"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 9 de maio de 2015

QUEREMOS SABER QUEM ESTÁ MENTINDO: CUNHA OU JANOT?




É uma guerra de extermínio, entre Cunha e Janot
No explosivo noticiário sobre a guerra de extermínio entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é impressionante a falta de exatidão nas informações. Na sexta-feira, por exemplo, os sites dos jornais noticiaram que um depoimento do ex-diretor de Informática da Câmara, Luiz Antonio Eira, ouvido pela força-tarefa criada por Janot, teria reforçado as suspeitas de que Cunha foi o verdadeiro autor de dois requerimentos protocolados em 2011 para investigar empresas fornecedoras da Petrobras que pagavam propinas ao PMDB e haviam deixado de fazê-lo.
Como se sabe, o diretor Eira foi demitido semana passada pelo presidente da Câmara, que alegou a ocorrência de fraude no Departamento de Informática para lhe envolver no escândalo da Petrobras.
Na mesma ocasião, para demonstrar inocência, Cunha distribuiu a todos os membros da CPI da Petrobras documentos mostrando que os textos que registram como de sua autoria os requerimentos foram redigidos ou incluídos no sistema da Câmara um mês depois de a deputada Solange ter protocolado os pedidos de informações.
FORÇA-TAREFA
No início da semana, a força-tarefa criada por Janot, formada por dois procuradores, dois peritos e um oficial de justiça, esteve na Câmara e fez a apreensão de todos os documentos e registros referentes ao caso. A busca terminou terça-feira, mas ainda não se divulgou nada, apenas que a autoria dos documentos pelo login de Cunha foi atestada pela Secretaria de Pesquisa e Análise da Câmara, uma notícia velha e superada.
E agora surge a informação de que o depoimento do ex-diretor de Informática teria complicado a situação de Cunha, mas sem explicar os motivos, deixando tudo no ar.
Cá entre nós, é muito pouca informação para um assunto da máxima gravidade e que envolve duas das maiores autoridades do país. A opinião pública tem direito de saber quem está com a razão: o presidente da Câmara ou o procurador-geral da República?
E neste caso não há alternativa. Um dos dois está mentindo descaradamente, numa questão fácil de se saber a verdade.
CADÊ A RESPOSTA?
O que falta é apenas uma resposta técnica dos peritos, que esclareça – de forma clara e sem controvérsia – se o registro da autoria dos requerimentos por Eduardo Cunha realmente foi feito um mês após os pedidos da deputada Solange terem sido apresentados. Apenas isso. Todo o resto, como diria Roberto Carlos, são apenas detalhes.
O fato, que não admite discussão, é que o sistema de informática da Câmara pode fornecer esta informação a qualquer momento, diretamente e sem delongas, porque a data em que tudo é redigido fica registrada no rodapé do documento, a não ser que seja deletado sem salvar. O programa usado na Câmara é muito comum, praticamente todas as grandes empresas e corporações o utilizam, qualquer técnico de informática o conhece.
Então, por que tanta demora? A quem interessa este suspense? Queremos saber quem é o vencedor do troféu Mentiroso do Ano: Cunha ou Janot?
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PS Lula e Dilma não podem participar da disputa do troféu Mentiroso do Ano, por serem considerados “hors concours”.
09 de maio de 2015
Carlos Newton

LIBERAÇÃO FAZ MORTES POR TRÁFICO CAÍREM A ZERO NO URUGUAI



mujica maconha uruguai
O ex-presidente Mujica acha que o Congresso agiu certo
Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.
Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.
Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.
No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substância? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substâncias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.
Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.
Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, inclusive o álcool, também há riscos e efeitos colaterais negativos, o que requer regulação e controle pelo Estado.
09 de maio de 2015
Deu em O Tempo

POR QUE A CVM PROCESSA CONSELHEIROS E ESQUECE GRAÇA FORSTER?




















A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo sancionador contra ex-conselheiros da Petrobras pelo descumprimento ao artigo 155, caput, da Lei n° 6.404/76, que diz que o administrador “deve servir com lealdade à companhia”. São acusados no processo: Guido Mantega, Miriam Aparecida Belchior, Francisco Roberto de Albuquerque, Luciano Galvão Coutinho, Marcio Pereira Zimmermann, Sérgio Franklin Quintella, Jorge Gerdau Johannpeter e José Maria Ferreira Rangel.
Dentre os acusados, apenas Coutinho, do BNDES, continua no conselho da empresa, renovado na semana passada.
Esse processo sancionador é resultado de três processos administrativos referentes à Petrobras abertos pela autarquia, o primeiro deles em 2013. A acusação formal é que os ex-conselheiros teriam induzido os investidores da Petrobras a erro ao aprovar a política de preços e o plano de negócios da petroleira para o período de 2014-2018 com a finalidade de atingir níveis objetivos de endividamento em datas pré-definidas e, em vez disso, terem optado por conduzir a política de preços da petroleira “de maneira a tornar o cumprimento dessas metas improvável.”
DEFESAS
Os acusados ainda deverão apresentar suas defesas à autarquia. No decorrer dos procedimentos, eles poderão propor à CVM termos de compromisso para encerrar o processo sem um julgamento. A autarquia deverá avaliar se cabe o acordo, ou se eles deverão ser julgados.
Os processos administrativos que embasaram esse processo sancionador foram instalados a partir de reclamações de investidores e de ex-conselheiros independentes da estatal.
O primeiro desses processos, o RJ 2013/9154, foi aberto em agosto de 2013, depois de uma reclamação da gestora Antares Capital, que apresentou à autarquia extensa queixa sobre a defasagem de preços dos derivados praticados no mercado brasileiro pela empresa, em comparação aos preços praticados no mercado internacional, além de questionamentos sobre a inviabilidade da Refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Os outros dois processos foram abertos em 2014.
A CVM, em outros processos administrativos, também investiga episódios da operação Lava-Jato, as apresentações de resultado da Petrobras, a divulgação da renúncia de Graça Foster e diretores, entre outros temas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A matéria do Valor, enviada pelo comentarista Mário Assis, está incompleta. A CVM tem o dever de informar por que está processando os conselheiros e esquecendo a presidente Graça Forster. Como pode acontecer algo assim num órgão sancionador. Graça seria inimputável, tipo Dilma Rousseff?(C.N.)
09 de maio de 2015
Anna Paula RagazziValor Econômico

DESINDUSTRIALIZAÇÃO É UMA AMEAÇA PERMANENTE



A indústria se manterá no fundo do poço por um longo período. Pelas contas de Luciana de Sá, economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o setor encolheu 2,8% em março na comparação com o mesmo mês de 2014. “O pior chegou. A queda da produção está batendo firme no emprego e na renda”, diz.
Com a indústria mergulhada na recessão, o governo deve se preparar para conviver com números bem negativos do comércio. Dados do setor mostram que o elevado nível de endividamento das famílias, a inflação rodando acima de 8% e o desemprego próximo de 7% estão derrubando as vendas para níveis considerados assustadores. A perspectiva para o varejo daqui por diante é de demissões e fechamento de lojas, reflexo do ano sombrio no qual 2015 se transformou.
Diante desse quadro desanimador, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu, em abril, o nível mais baixo da série histórica: 87,2 pontos. Em relação ao mesmo mês de 2014, o indicador que mede a percepção sobre o momento atual da economia desabou 25,1%, conforme será revelado hoje pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Foi o oitavo recuo consecutivo. Também as perspectivas futuras se deterioraram e, pela primeira vez, entraram no terreno pessimista, abaixo dos 100 pontos. Nesse caso, o Icec cravou 98,2 pontos, tombando 30,1% ante abril do ano passado.
SEM OTIMISMO
Na avaliação dos empresários, não há nada que os motive a vislumbrar um quadro positivo mais à frente, nem mesmo o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Por isso, os investimentos do comércio continuarão contidos. Antes de qualquer desembolso para a ampliação dos negócios, os varejistas querem se desfazer dos elevados níveis de estoques, sobretudo os que atuam nos ramos de automóveis e de material de construção.
Para o presidente do Conselho Federal de Economia, Paulo Dantas da Costa, não é surpresa que o comércio esteja sentindo o baque da forte retração da atividade. Nos primeiros quatro anos de mandato da presidente Dilma Rousseff, o Ministério da Fazenda insistiu no consumo como forma de estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), apesar de todos os sinais de que esse modelo estava esgotado.
“Foi uma opção errada. O certo seria o governo ter apoiado os investimentos produtivos. Se tivesse feito isso, certamente, o resultado da economia seria outro hoje”, diz.
APOIO ÀS MONTADORAS
A certeza de que a salvação do país estava no incremento do consumo aparece, por sinal, na base no processo de destruição das contas públicas promovido por Dilma. Ao reduzir impostos sobre automóveis, o governo abriu mão de receitas importantes para o ajuste fiscal. Não foi só. Dos quase R$ 500 bilhões que o Tesouro Nacional repassou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 200 bilhões foram destinados ao financiamento do setor automotivo, política sustentada na visão equivocada de que as montadoras puxariam os demais ramos da indústria.
Tanto não puxou que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria como um todo está há sete trimestres consecutivos em queda e fechará o segundo ano seguido com retração. “Trata-se de um processo perigoso”, afirma Costa. O pior, acrescenta ele, é que não se sabe se a indústria chegou ao fundo do poço. “É difícil prever quando começará a recuperação”, frisa.
09 de maio de 2015
Vicente Nunes
Correio Braziliense

MAIS UMA: GOVERNO REPASSOU ILEGALMENTE MAIS DE R$ 500 BILHÕES AO BNDES


















No dia 14 de abril, o economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, esteve no Senado para explicar os empréstimos do maior guichê do capitalismo de Estado brasileiro.
Duas semanas após a tranquila exposição do economista, a oposição conseguiu as assinaturas suficientes para criar uma CPI destinada a investigar os bilionários empréstimos secretos do BNDES. Suspeita-se que algumas das operações tenham sido excessivamente camaradas – e algumas empresas especialmente privilegiadas.
Ademais, a oposição quer investigar os indícios de que o ex-presidente Lula, conforme revelou Época em sua última edição, tenha feito tráfico de influência junto ao BNDES, de modo a favorecer a Odebrecht, uma das empresas que mais obtiveram dinheiro do banco.
LULA INVESTIGADO
O núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu investigação para descobrir se Lula atuou em favor da Odebrecht não apenas no BNDES, mas também junto a governos amigos do PT, os quais contrataram a empreiteira com dinheiro do banco brasileiro – algumas vezes após visitas do petista, bancadas pela Odebrecht, aos presidentes desses países. Lula, o BNDES e a Odebrecht negam qualquer irregularidade.
Os senadores também aprovaram o fim do sigilo nos empréstimos do banco. A presidente Dilma Rousseff pode vetar a medida – e o Congresso, cada vez mais hostil à petista, ainda pode derrubar um possível veto. Na Câmara, uma CPI com o mesmo objetivo estará na praça no segundo semestre, após o fim da comissão que investiga o petrolão. A Procuradoria da República no Rio de Janeiro, sede do BNDES, também investiga os empréstimos. A cada dia, crescem as suspeitas sobre as operações do banco.
GASOLINA BATIZADA
Hoje, boa parte da economia brasileira roda com dinheiro das empresas que enchem o tanque no posto do BNDES. É gasolina batizada, segundo o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. Numa representação inédita obtida por Época, o MP afirma que o BNDES recebeu de maneira irregular do Tesouro Nacional cerca de R$ 500 bilhões, que incharam o banco nos últimos seis anos. A representação contém uma avaliação prévia do MP, que solicita investigação por parte do TCU.
Segundo o MP, o dinheiro público pode ter ido parar nas contas das empresas que receberam os empréstimos no Brasil e no exterior. “A operação foi desenhada como um subterfúgio para lançar mão de recursos que, por lei, não poderiam ser destinados a empréstimos ao BNDES (…) Configura verdadeira fraude à administração financeira e orçamentária da União”, diz o documento do MP, que aponta os fatos como “graves”.
REPASSES ILEGAIS
Os repasses considerados irregulares pelo MP começaram em 2008, no segundo mandato de Lula, e prosseguiram até o ano passado, no primeiro mandato de Dilma. Naquele ano, o governo passou a usar dinheiro da conta única do Tesouro – uma espécie de cofrinho de emergência do país – para financiar as operações do BNDES. A conta única é abastecida com dinheiro de operações feitas pelo Banco Central.
Quando, por exemplo, o BC tem lucro com a compra ou a venda de moedas, esse dinheiro vai para a conta única. O cofrinho só pode ser quebrado, segundo o MP, para que o governo pague suas dívidas. Para quebrá-lo, o governo fez uma malandragem: passou a emitir títulos de dívida ao banco estatal. Com eles, o BNDES conseguia pegar o dinheiro e emprestá-lo às empresas.
Assim, segundo o MP, o BNDES virou credor; e o Tesouro, devedor, o que é proibido, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O certo, ainda de acordo com o MP, seria o Tesouro captar recursos no mercado ou arrecadar impostos com os contribuintes e repassar esse dinheiro para o BNDES, contabilizando em seu orçamento. Mas não foi o que ocorreu. “O governo federal criou desse modo uma operação insólita”, diz a representação, assinada pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira no dia 6 de maio.
RASTREAR O DINHEIRO
No documento, ele pede ao ministro Raimundo Carreiro que autorize os auditores do TCU a seguir o rastro do dinheiro que abasteceu o BNDES. O procurador também quer que os técnicos do Tribunal identifiquem o fluxo financeiro entre o banco estatal e o Tesouro. As diligências deverão ter sete principais frentes de atuação. Entre elas, está a apuração dos responsáveis pela arquitetura da transação. Será avaliado se a administração atual do BNDES foi conivente com esse tipo de operação, que, segundo o MP, foi “esdrúxula”.
(matéria enviada pelo comentarista Virgilio Tamberlini)
09 de maio de 2015

AO DEFENDER ACORDOS COM EMPREITEIRAS CORRUPTAS, AGU DEMONSTRA O IMENSO CARTEL QUE DOMINA AS OPERAÇÕES DA PETROBRAS



É espantoso que 51 mil empresas dependam de 23 empreiteiras nas operações da Petrobras. Estas 23 empreiteiras foram transformadas em empresas de fachada que, com  contratos cheios de aditivos e comissões espúrias, subcontratam e terceirizam os trabalhos para empresas menores. São estas empresas que a AGU defendem, em vez de promover a expansão daquelas que efetivamente trabalham, de forma mais econômica e sem, os custos da extorsão e da corrupção. A matéria abaixo é de O Globo.

O Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams, disse nesta quinta-feira, em São Paulo, estar preocupado com o fechamento de pelo menos 51 mil empresas que dependem das 23 empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato, que podem a ter as atividades extintas em função do envolvimento com as irregularidades no escândalo da Petrobras. 

— O governo está comprometido em potencializar os instrumentos de combate à corrupção. Está buscando fortalecer as instituições para que se elimine a corrupção como realidade do país, criando um estado mais eficiente para a sociedade e para o cidadão brasileiro. Mas o que não é possível é que a dinâmica da implementação dessa legislação de combate à corrupção leve ao fechamento em série de diversas empresas. No caso da Lava-Jato, o conjunto de 23 empresas que são objeto de investigação compõe um quadro de 51 mil CNPJs, que são empresas fornecedoras, são investidores, prestadores de serviços, empresas que seriam afetadas pela restrição ou fechamento das 23 empreiteiras. É óbvio que elas vão se recuperar depois, mas persiste o trauma do fechamento das empresas — disse Adams.

Segundo o chefe da Advocacia Geral da União (AGU), a empresa tem que ser objeto de preocupação do Estado, embora ele prefira que as empresas se adaptem às novas leis de combate à corrupção. — Muitos me acusaram de estar defendendo as empresas. Eu defendo a preservação da atividade empresarial como um todo. Se a empresa, tendo os instrumentos para fazer essa mudança, não o faz ou não deseja fazer, vai sofrer as consequências da lei. Vai ser punida. Fechar os olhos para esse impacto, no entanto, se torna um verdadeiro absurdo — disse Adams, durante seminário promovido pelo jornal Valor, que debateu a Lei Anticorrupção, a 12.846, implantada em janeiro do ano passado. 

Para Adams, o grande desafio no caso da Lei de Combate à Corrupção é a concorrência com outras legislações, como a lei da improbidade, a legislação de defesa da concorrência, a legislação do Tribunal de Contas da União (TCU), gerando uma sobreposição da atuação desses órgãos sobre a mesma matéria, "criando uma verdadeira babel de línguas que muitas vezes não se entendem".

O chefe da AGU disse também que a burocracia no Brasil estimula a corrupção.— O escopo da formação do processo de corrupção está na sobreposição de entidades de órgãos na regulação da atividade empresarial. Como exemplo, no processo de licenciamento ambiental. Só recentemente viemos a regular a sobreposição, com a Lei Complementar 140, para eliminar essa sobreposição. No passado, havia uma sobreposição que forçava a necessidade das empresas a fazerem múltiplas interlocuções com diversos entes da federação. Isso se dá ainda em várias áreas da administração pública, o que é um motor claro nas ações corruptivas. Quanto mais necessidade você tem de resolver os impasses com o Estado, que se sobrepõe em diversos órgãos, mais a busca de atalhos por empresários acontece, como é o caso do processo corruptivo. Recentemente liberei um parecer sobre o assunto na questão do licenciamento ambiental. O processo de geração de energia que era liberado com três ou quatro anos, desrespeitando legislação do Conama, que prevê um ano, e isso inviabilizava o investimento.

Já o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão, informou que o órgão foi procurado por quatro empreiteiras envolvidas no escândalo da Lava-Jato, interessadas em negociar acordos de leniência, mas adiantou que não pode revelar o nome das empresas interessadas nos acordos.

— O Tribunal de Contas da União (TCU) precisa se manifestar favoravelmente à realização dos acordos de leniência. Somente após essa etapa é que vamos negociar as bases de eventual acordo com as empresas que já manifestaram interesse nos acordos de leniência.
Simão disse que as empresas desejam evitar serem declaradas inidôneas e com isso serem impedidas de continuar a se relacionar com a União.

— Essa é a punição mais grave. Então vamos analisar caso a caso e só vamos fechar acordos se houver reparação do dano público e quando estiver preservado o interesse público no processo. As empresas também precisam confessar os crimes e apresentar documentos que auxiliem nas investigações.

09 de maio de 2015
in coroneLeaks

MENSALÃO: LULA CONFESSA QUE ÚNICA FORMA DE GOVERNAR O BRASIL ERA COMPRANDO APOIO POLÍTICO



(Com informações de O Globo) Um livro-reportagem lançado no Uruguai esta semana, e que conta os cinco anos do governo de José Mujica a partir do ponto de vista dele, traz à tona uma “confissão” que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe teria feito em 2010. Em “Una oveja negra al poder” (Uma ovelha negra no poder, em tradução livre), escrito pelos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz, ainda sem data para chegar ao Brasil, Mujica relembra um dos encontros que teve com Lula. Relata que, ao falarem sobre o escândalo do mensalão, que consistia na compra de apoio político, o petista lhe teria dito que aquela era “a única forma de governar o Brasil”.  

"Lula teve que enfrentar um dos maiores escândalos da História recente do Brasil: o mensalão, uma mensalidade paga a alguns parlamentares para que aprovassem os projetos mais importantes do Poder Executivo. Compra de votos, um dos mecanismos mais velhos da política. Até José Dirceu, um dos principais assessores de Lula, acabou sendo processado pelo caso.

'Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros', disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. 'Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens', disse Lula, aflito, a Mujica e Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. 'Essa era a única forma de governar o Brasil', se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação."

Para quem tinha dúvida sobre quem foi o Pai do Mensalão, não restam mais dúvidas. É não é um testemunho qualquer. É um ex-presidente da República de um país irmão, tido como amigo e companheiro de Lula. Juntem-se aos autos da investigação movida contra Lula pelo Ministério Público Federal. 

09 de maio de 2015
In coroneLeaks

EM TRÁFICO DE INFLUÊNCIA, PALOCCI FATUROU MUITO MAIS QUE DIRCEU



O ex-ministro Antonio Palocci virou alvo das investigações da Operação Lava-Jato após o delator Paulo Roberto Costa declarar às autoridades que em 2010 foi procurado pelo petista para providenciar 2 milhões de reais para o comitê da então candidata Dilma Rousseff. O dinheiro, segundo ele, sairia dos do esquema de corrupção da Petrobras. O inquérito contra Palocci corre na Justiça Federal do Paraná, sob o comando do juiz Sergio Moro. Em Brasília o ex-ministro é investigado pelas consultorias milionárias prestadas após deixar a cadeira de ministro da Fazenda no governo Lula. As duas investigações tendem a se cruzar.
Veja teve acesso à lista de todos os clientes que contrataram a Projeto Consultoria desde que ela foi fundada, em 2006. São 73 empresas. Há de tudo um pouco: bancos, empresas da área médica, shoppings, escritórios de advocacia, usina de açúcar, empresas do ramo imobiliário, financeiras. Até uma associação de estilistas figura entre os pagadores. Ao todo, eles renderam ao ex-ministro 36,5 milhões de reais.
Um desses pagamentos merece atenção redobrada. Entre 2008 e 2010, Palocci recebeu 2 milhões de reais da Unipar e da Carbocloro, empresas do ramo petroquímico que hoje formam uma só empresa e que, àquela altura, tinham interesses importantes na Petrobras. Em depoimento prestado à Justiça, o doleiro Alberto Youssef revelou que a Unipar pagou 18 milhões de reais em propina ao esquema de corrupção que operava na estatal em troca de vantagens. Um e-mail ao qual Veja teve acesso mostra que, em 2007, a petroquímica encontrava dificuldades em levar seus negócios à frente – e pedia ajuda à então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rouseff, que também acumulava o cargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
“ATUALIZANDO” DILMA
A mensagem foi enviada por Frank Geyer Abubakir, presidente da Unipar, a Giles Azevedo, então chefe de gabinete da Casa Civil, pedindo para “atualizar a ministra Dilma sobre as negociações entre a Petrobras e a Unipar que encontram-se em estágio avançado”. Abubakir foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef como responsável pelo pagamento da propina. Além de pedir ajuda à então ministra para apressar o processo, ele informa que os executivos da Petrobras estavam criando dificuldades – segundo as investigações da Lava Jato, o homem das dificuldades era Paulo Roberto Costa.
“Tal fato nos deixou preocupados pois entendemos ser crítico o fechamento das operações em paralelo, conforme combinado anteriormente”, escreve Abubakir. Ele não deixa claro o que seriam as tais ‘operações em paralelo’.
A sociedade entre a Unipar e a Petrobras fazia parte de um projeto do governo para fortalecer o setor petroquímico nacional. Em 2010, junto com a empreiteira Odebrecht, também investigada no petrolão, a estatal anunciou a compra da parte que ainda restava à Unipar no negócio. A transação, de 870 milhões de reais, foi anunciada como o pontapé para a criação da maior petroquímica da América Latina. Nesta época, Palocci faturava com as consultorias e, simultaneamente, coordenava a campanha de Dilma Rousseff.
TREMENDA COINCIDÊNCIA
Uma curiosidade: a maior parte dos 36 milhões de reais da receita da consultoria caiu na conta da Projeto no ano em que o ex-ministro foi escolhido como coordenador da campanha de Dilma, em 2010. E a concentração de pagamentos se deu quando a campanha já estava na rua e Palocci em plena ação como o chefe do comitê central. Dos 20,5 milhões recebidos em 2010, 14 milhões — ou 70% do total recebido no ano — foram depositados a partir do mês de agosto.
O ex-ministro não foi localizado. O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, diz que os pagamentos recebidos pelo ministro são legais e que, embora não seja possível revelar detalhes de cada contrato por causa de “cláusulas de confidencialidade”, as consultorias foram devidamente prestadas.
No caso dos pagamentos recebidos da Carbocloro e da Unipar, Batochio afirma que eles nada têm a ver com a Petrobras. “Não há nenhuma conexão”, diz.
09 de maio de 2015
Rodrigo Rangel e Hugo MarquesVeja

CHEFÃO DO CLUBE DAS EMPREITEIRAS CONFESSA QUE DEU R$ 12,3 MI PARA LULA, HADDAD E DILMA

Por dentro e por fora. Para Vaccari e Edinho Silva. Dirceu pegou R$ 3,1 mi.


(Folha) O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse a procuradores da Operação Lava Jato que doou R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras se não ajudasse o PT. 

Segundo Pessoa, a contribuição da empresa foi tratada diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva. Preso desde novembro do ano passado e hoje em regime de prisão domiciliar, o empresário negocia desde janeiro com o Ministério Público Federal um acordo para colaborar com as investigações em troca de uma pena reduzida. 

Nos contatos com os procuradores e no documento em que indicou as revelações que está disposto a fazer caso feche o acordo, Pessoa descreveu de forma vaga sua conversa com Edinho, mas afirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobras. O empreiteiro contou ter se reunido com Edinho a pedido do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como o principal operador do partido no esquema de corrupção descoberto na Petrobras e hoje preso em Curitiba. 

As doações à campanha de Dilma foram feitas legalmente. Segundo os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram três: duas em agosto e outra em outubro de 2014, dias antes do segundo turno da eleição. 

Se Pessoa fechar o acordo de delação premiada com os procuradores, ele terá então que fornecer provas e detalhar suas denúncias em depoimentos ao Ministério Público e à Polícia Federal. Em janeiro, Pessoa já havia indicado sua disposição de falar sobre a campanha de Dilma Rousseff em documento escrito na cadeia e publicado pela revista "Veja". "Edinho Silva está preocupadíssimo", escreveu o empresário.

CAIXA DOIS
Pessoa também afirmou aos procuradores que fez contribuições clandestinas para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em 2006, e a do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012. 

O empreiteiro disse que deu R$ 2,4 milhões à campanha de Lula, via caixa dois. O dinheiro teria sido trazido do exterior por um fornecedor de um consórcio formado pela UTC com as empresas Queiroz Galvão e Iesa e entregue em espécie no comitê petista. 

Pessoa afirmou também que, a pedido de Vaccari, pagou outros R$ 2,4 milhões para quitar dívida que a campanha de Haddad teria deixado com uma gráfica em 2012. O doleiro Alberto Youssef, outro operador do esquema de corrupção na Petrobras, teria viabilizado o pagamento. 

Segundo o empreiteiro, o valor foi descontado de uma espécie de conta corrente que ele diz ter mantido com Vaccari para controlar o pagamento de propinas associadas a seus contratos na Petrobras. 

Pessoa também promete revelar às autoridades detalhes sobre seus negócios com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que hoje cumpre prisão domiciliar por seu envolvimento com o mensalão. O empreiteiro, que pagou R$ 3,1 milhões à empresa de consultoria de Dirceu entre 2012 e 2014, diz que o contratou para prospectar negócios no Peru, mas afirmou aos procuradores que a maior parte dos repasses foi feita após a prisão do ex-ministro, para atender a um pedido de ajuda financeira da sua família, em razão de sua influência no PT.

09 de maio de 2015
in corone

EMPRESA QUE PAGOU R$ 2 MI DE CONSULTORIA PARA PALOCCI ENVOLVE DIRETAMENTE CHEFE DE GABINETE DE DILMA, QUE ERA MINISTRA CHEFE DA CASA CIVIL E PRESIDENTE DO CONSELHO DA PETROBRAS


Clique na imagem para ampliar.

O ex-ministro Antonio Palocci virou alvo das investigações da Operação Lava-Jato após o delator Paulo Roberto Costa declarar às autoridades que em 2010 foi procurado pelo petista para providenciar 2 milhões de reais para o comitê da então candidata Dilma Rousseff. 
O dinheiro, segundo ele, sairia dos do esquema de corrupção da Petrobras. O inquérito contra Palocci corre na Justiça Federal do Paraná, sob o comando do juiz Sergio Moro. 

Em Brasília o ex-ministro é investigado pelas consultorias milionárias prestadas após deixar a cadeira de ministro da Fazenda no governo Lula. As duas investigações tendem a se cruzar. VEJA teve acesso à lista de todos os clientes que contrataram a Projeto Consultoria desde que ela foi fundada, em 2006. São 73 empresas. 
Há de tudo um pouco: bancos, empresas da área médica, shoppings, escritórios de advocacia, usina de açúcar, empresas do ramo imobiliário, financeiras. Até uma associação de estilistas figura entre os pagadores. Ao todo, eles renderam ao ex-ministro 36,5 milhões de reais.

Um desses pagamentos merece atenção redobrada. Entre 2008 e 2010, Palocci recebeu 2 milhões de reais da Unipar e da Carbocloro, empresas do ramo petroquímico que hoje formam uma só empresa e que, àquela altura, tinham interesses importantes na Petrobras. 

Em depoimento prestado à Justiça, o doleiro Alberto Youssef revelou que a Unipar pagou 18 milhões de reais em propina ao esquema de corrupção que operava na estatal em troca de vantagens. Um e-mail ao qual VEJA teve acesso mostra que, em 2007, a petroquímica encontrava dificuldades em levar seus negócios à frente - e pedia ajuda à então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rouseff, que também acumulava o cargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

A mensagem foi enviada por Frank Geyer Abubakir, presidente da Unipar, a Giles Azevedo, então chefe de gabinete da Casa Civil, pedindo para "atualizar a ministra Dilma sobre as negociações entre a Petrobras e a Unipar que encontram-se em estágio avançado". 
Abubakir foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef como responsável pelo pagamento da propina. Além de pedir ajuda à então ministra para apressar o processo, ele informa que os executivos da Petrobras estavam criando dificuldades - segundo as investigações da Lava Jato, o homem das dificuldades era Paulo Roberto Costa. "Tal fato nos deixou preocupados pois entendemos ser crítico o fechamento das operações em paralelo, conforme combinado anteriormente", escreve Abubakir. Ele não deixa claro o que seriam as tais 'operações em paralelo'.

09 de maio de 2015
in coroneLeaks

LULA , MUY AMIGO DE CHÁVEZ. MP INVESTIGA ROMBO DE R$ 500 BI NO BNDES


No dia 14 de abril, o economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, esteve no Senado para explicar os empréstimos do maior guichê do capitalismo de Estado brasileiro. Citou o apoio a 91 dos 100 maiores grupos nacionais, o financiamento à metade de todos os investimentos em infraestrutura no país e o estoque de empréstimo da ordem de R$ 263 bilhões, correspondente a 11% do PIB. Foi chamado 44 vezes de presidente. Chamou meia dúzia de senadores de Vossa Excelência. Talvez para mostrar quem está acima de quem no poder político brasileiro.

A próxima visita de Coutinho ao Senado será provavelmente diferente. Duas semanas após a tranquila exposição do economista, a oposição conseguiu as assinaturas suficientes para criar uma CPI destinada a investigar os bilionários empréstimos secretos do BNDES. Suspeita-se que algumas das operações tenham sido excessivamente camaradas – e algumas empresas especialmente privilegiadas. Ademais, a oposição quer investigar os indícios de que o ex-presidente Lula, conforme revelou ÉPOCA em sua última edição, tenha feito tráfico de influência junto ao BNDES, de modo a favorecer a Odebrecht, uma das empresas que mais obtiveram dinheiro do banco. 

O núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu investigação para descobrir se Lula atuou em favor da Odebrecht não apenas no BNDES, mas também junto a governos amigos do PT, os quais contrataram a empreiteira com dinheiro do banco brasileiro – algumas vezes após visitas do petista, bancadas pela Odebrecht, aos presidentes desses países. Lula, o BNDES e a Odebrecht negam qualquer irregularidade.

09 de maio de 2015
in coroneLeaks

QUANDO A GUERRA ACABAR...


Um parêntese: há momentos – felizmente raros – em que a história pessoal se impõe às percepções conjecturais e o relato na primeira pessoa, embora singular, parcial, às vezes suspeito, sobrepõe-se à narrativa impessoal, ampla, genérica.
O silêncio e os indícios de esquecimento que na sexta-feira rodearam os 70 anos do fim da fase europeia da Segunda Guerra Mundial me sobressaltaram. O ano de 1945 pegou-me com 13 anos e a data de 8 de maio incorporou-se ao meu calendário íntimo e o cimentou definitivamente às efemérides históricas que éramos obrigados a decorar no ginásio.
Seis anos antes, a invasão da Polônia pela Alemanha hitlerista e, logo depois, pela Rússia soviética empurrou a guerra para dentro de casa através dos jornais e do rádio: as vidas da minha avó paterna, tios, tias, primos e primas dos dois lados corriam perigo. Em 1941, quando a Alemanha rompeu o pacto com a URSS e a invadiu através de fulminantes ataques, inclusive à Ucrânia, instalou-se a certeza: tinham sido exterminados.
A capitulação da Alemanha tornara-se inevitável, não foi surpresa, sabíamos que seria esmagada pelos Aliados. Nova era a sensação de paz, a certeza de que começava uma nova página da história. A prometida quimera embutida na frase “quando a guerra acabar” tornara-se desnecessária.
A guerra, parecia, acabara para sempre, inclusive para nós, brasileiros, os únicos latino-americanos que foram ao Velho Mundo ensinar que o ódio não era a solução, sobretudo ódio aos diferentes e inferiores. Enquanto os destacamentos da Força Expedicionária Brasileira e da Força Aérea Brasileira retornavam da Itália, delirantemente recebidos na Avenida Rio Branco, da ex-capital, matutinos e vespertinos – mais atentos do que a mídia atual – nos alertavam que a guerra continuava feroz não apenas no Extremo Oriente, mas também na antiquíssima Grécia, onde guerrilheiros de direita e de esquerda, esquecidos do inimigo comum – o nazifascismo –, se enfrentavam para ocupar o vácuo de poder deixado pela derrotada barbárie.
Sete décadas depois – porção ínfima da história da humanidade –, aquele que foi chamado Dia da Vitória e comemorado loucamente nas ruas do mundo metamorfoseou-se em Dia das Esperanças Perdidas: a guerra não acabou. Está aí, espalhada pelo mundo, camuflada por diferentes nomenclaturas, inconfundível, salvo em breves hiatos sem hostilidades, porém intensos ressentimentos. A Guerra Fria foi quentíssima, continua acesa, sem ideologias, mas com bandeiras tacanhas e esfarrapadas. As Guerras Santas acirraram-se.
Se aquela fugaz promessa e a brevíssima paz não mereceram ser devidamente comemoradas, a certeza de que as guerras são contínuas, infindáveis, deveria ser constatada. Como advertência de que não basta suspender tiroteios ou obrigar vencedores e vencidos a sentarem-se juntos para assinar papelada inútil.
Indispensável extirpar os motivos que levam à loucura nações e civilizações aparentemente sábias. França e Alemanha são admiráveis exceções que não podem ser esquecidas. Compreenderam que conflitos entre nações são projeções de conflitos internos que democracias desleixadas permitem ser magnificados. Pivôs centrais de cinco catástrofes europeias e mundiais (do século 17 até o 20), deveriam servir de modelo para construir a paz efetiva, real, funcional.
“Quando a guerra acabar” é o título de um sonho cabível, perfeitamente realizável. Exige apenas a obrigação de lembrar e esperar.
09 de maio de 2015
Alberto Dines