"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 19 de novembro de 2016

VALEU, CARA!



Thank you, man! Valeu, cara! Em nome de bilhões de seres humanos de todas as partes do globo, venho expressar o agradecimento por tudo o que você fez para deixar seu país maior e menos prepotente para o mundo; e o mundo melhor e menos perigoso para todos.

Desculpe o tom de intimidade mas protocolos e formalidades definitivamente não combinam com seu jeitão despojado. O título de indivíduo mais poderoso do planeta não lhe cai bem. Você na presidência simbolizava a glorificação da simplicidade.

Um negro no poder? Não, você representava a diversidade de cores. O que se ressalta em você não é a cor da pele mas o sorriso no rosto. Um sorriso aberto e franco que condiz com seu estilo desprendido. Uma postura que nos permitia dormir tranquilos, sem antever ameaças de insanidades belicistas. Sua única obstinação era a de aproximar inimigos, resolver desavenças na base do diálogo, evitando conflitos e derramamento de sangue. Você não discriminava ninguém: iranianos, coreanos, cubanos, mexicanos. Todos manos.

O branquelo que vai, a partir de agora, ocupar sua cadeira pensa um pouco diferente. Ele não gosta muito de conversa. O negócio dele é erguer muros, ressaltar diferenças, propagar ódio. Nem por isso, você foi indelicado ao recebê-lo no salão oval da Casa Branca. Manteve o tempo todo o semblante sereno, sem perder a pose.

Imagino como será difícil para você ter de lhe passar a senha de acesso ao botão vermelho que aciona artefatos de exterminação em massa. O empresário magnata, agora também o senhor das armas, vai poder brincar de dizimar inimigos. Primeiro, o Estado Islâmico. Em seguida, a Coreia do Norte. E depois? O Irã? Cuba? Venezuela? Até onde vai a escalada macabra?

O soar das ‘trumpetas’ do apocalipse nuclear consagrará a supremacia da civilização cristã anglicana sobre os destroços do planeta. O deus loiro de topetes esvoaçantes vai perpetrar a grande cruzada para subjugar os ímpios selvagens do Islã, os negros arruaceiros da África subsaariana e os latinos traficantes, invasores pelo flanco meridional. O mundo, ou o que sobrar dele, vai ficar um lugar bem mais perigoso para se viver, não acha?

Fazer o quê? Efeitos dessa tal de democracia em que o voto de alguns milhares de brancos broncos do Texas e do Alabama determina o destino de 7 bilhões de indivíduos de todas as raças e credos. Essa eleição expôs a verdadeira face da sociedade americana, obscurantista, racista, xenófoba. Saudosa da época em que podia, sem culpa, exterminar índios, pretende redimir os tradicionais valores da cultura ianque, ameaçados pela globalização e pela invasão de produtos chineses. Para tanto, elege um “outsider” da política. Não! Um “Insider”, difusor da hegemonia branca ocidental retrógrada, exploradora dos fracos e devastadora do meio-ambiente... Você sim, humanista, pluralista, pacifista, ecologista, antiarmamentista foi um autêntico “outsider”. Uma ovelha negra em meio a uma alcatéia de lobos brancos.

Não sei dos caipiras do interior americano mas o resto do mundo certamente preferia um cara descolado como você. Líderes com seu perfil estão se tornando joias raras onde princípios como fraternidade, diálogo, tolerância estão tão escassos quanto os votos de Hillary nos confins do Oklahoma.

Seu adversário disse que vai fazer a América Grande de novo. Como assim? Se foi no seu governo que o país se recuperou da decadência e alcançou uma primorosa situação econômica e tecnológica...

Sem falar no campo diplomático onde seus esforços de paz e de aproximação entre os povos melhoraram como nunca a imagem do seu país. Entendemos sua dificuldade em lidar com cascas grossas como Kim Jong-un, Netanyahu, Bashar al-Assad. Gente do mal que só promove guerras e mortes. E, claro, o (Ras) Putin eurasiano. Parece que seu sucessor vai se dar bem com o ex-oficial da KGB. São aliados naturais, navegam no mesmo mar de mediocridade. O tirano russo vai ganhar de bandeja a Síria, a Ucrânia e sabe-se lá o que mais. Em troca, não se meterá com o resto da Europa e menos ainda com os grotões miseráveis da América Latina e da África que, para ambos, não passa de lixo.

That´s it! Talvez os Estados Unidos que elegeram Trump tenham mesmo se tornado pequenos demais para você. A gente se vê na próxima campanha daqui a quatro anos... se o mundo aguentar até lá.

Não vamos nos esquecer de você, brother! Já estamos com saudades. Vê se não some. Você sim é que é o cara!

Um beijo na Michelle

Sérgio Sayeg


19 de novembro de 2016
recebido por email

OLAVO DE CARVALHO FALA SOBRE O DEPUTADO TIRIRICA

LULECO DEVE SER DENUNCIADO

De acordo com o Radar, os procuradores da Zelotes "vão apresentar algumas denúncias até dezembro.

Estão na reta final inquéritos sobre o Santander e o Banco Brascan.

Luís Claudio Lula da Silva também está nessa leva"


19 de novembro de 2016
in libertatum

BICO NA CANELA DO CONTRIBUINTE

Com o encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro e, agora, terminadas as eleições, as autoridades governamentais, tanto estaduais como federais, já ensaiam desmontar o forte e bem sucedido esquema de segurança posto em prática em nossa cidade para atender tanto o "games time", como o pleito eleitoral, isto é, limitado pelo período dos dois aludidos eventos esportivos e das eleições, ocorridos praticamente em sequência.

O povo carioca, sobressaltado como sempre, já sente na pele o retorno da criminalidade de rua como um tsunami, que se aprofundará tão logo as forças federais levantem acampamento e retornem definitivamente aos seus postos de origem.

sociedade, os negócios e empreendimentos do Rio de Janeiro não mais se satisfazem com a efeméride de uma segurança destinada apenas aos "games times" dos inúmeros eventos internacionais aqui sediados; o Rio precisa sair da solução "para inglês ver" e dar ao seu cidadão a sensação perene de segurança, a saber, operar políticas de segurança pública corajosas e enfrentadoras que priorizem o "life time" em detrimento do "games time".

Desta feita já antevemos reprises de tragédias como o latrocínio brutal que vitimou o médico e ciclista Jaime Gold, em Maio de 2015, quando este pedalava na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais do Rio de Janeiro.

A pergunta é uma só: por que não se policiou efetivamente a Lagoa, se já se noticiavam inúmeros assaltos a faca, cometidos por jovens em bicicletas, contra pedestres e ciclistas? Qual a dificuldade que enfrentam os comandantes da polícia para colocarem seus homens maciçamente nas ruas, a serviço da sociedade?

Essa situação de medo e insegurança nos impõe trazer a discussão um assunto pouco abordado e que talvez seja uma das causas desta e de muitas outras tragédias anunciadas da crônica policial da nossa cidade.

Não precisa ser nenhum expert para perceber que a segurança pública enfrenta profunda crise no Brasil. É só acompanhar as últimas notícias e estatísticas. Estariam sendo assassinados seis brasileiros por hora no nosso país, conforme edição recente do Anuário de Segurança Pública.

Há inúmeras razões e dezenas de falhas no nosso modelo. Mas um dos problemas é bem conhecido e pouquíssimo comentado. Trata-se de um verdadeiro tabu para as próprias chefias de polícia. Há um aspecto, em especial, que não permite que as policias funcionem cem por cento e, registre-se, com pesar, a falta de determinação em mudar esse quadro em especial: a prática do “bico” nas policias civis e policias militares dos estados.

O contribuinte não faz idéia do número de policiais fazendo “bico” nos dias de hoje. O gestores da segurança pública, os secretários de segurança, os chefes de polícia e os comandantes das policias militares têm que pensar, antes de mais nada, na segurança dos contribuintes, que mantêm a polícia e pagam seus salários. A polícia existe não existe para si, mas para a sociedade.

Como pode o aparelho policial funcionar, se pelo menos cinqüenta por cento de seu corpo estaria entregue a uma prática que desfoca a tropa do interesse central, isto é, de servir ao público contribuinte? O “bico” cooptaria policiais de todas as classes e patentes, do soldado ao coronel, do detetive ao delegado.

Poderíamos começar a consolidar uma interessante teoria, a de que “uma coisa leva a outra, em looping”. A segurança pública é falha, e por isso diversas empresas privadas e algumas famílias abastadas contratam policiais da ativa para que funcionem como seus seguranças privados. Tal prática enfraqueceria mais ainda a segurança pública. Funcionaria, então, como um perfeito círculo vicioso. Essa ausência, ou desatenção, dos policiais para com suas missões oficiais (que paga mal) geraria uma demanda para os próprios policiais, na atividade privada (que paga bem).

Os “coronéis-delegados” negligenciariam seus “quartéis-delegacias”, pois estariam com a cabeça nos vultosos pagamentos privados. Daí a segurança pública naufraga, o que aumenta exponencialmente o mercado para atuação privada desses agentes da lei. A lógica é tão simples quanto cruel; seria uma roda que se retro-alimentaria.

Esse mercado de segurança privada deveria focar nos policiais aposentados e, também, buscar formação de alto nível, criando faculdades e cursos superiores de segurança pública e privada. Mas ao que parece, é mais fácil a cooptação dos policiais da ativa.

É certo que há um concerto de culpados e responsáveis, e não podemos nos eximir de nossas respectivas responsabilidades. Nós mesmos, enquanto sociedade, geramos essa roda solta da segurança pública. O policial que desejar trabalhar em caráter privado tem que largar a polícia, de maneira definitiva. Hoje em dia a polícia passou a ser o "bico".

Os salários são baixos quase que propositadamente, pois a sociedade é hipócrita; paga mal a sua polícia para poder comprar o guarda na esquina. No dia em que o guarda ganhar bem e der valor ao seu uniforme de polícia, a madame e a patricinha vão se surpreender. No Chile não passa pela cabeça das pessoas dar uma “cerveja” para um carabineiro. O problema é sistêmico por aqui.

O “bico” é, também, um fator de desmotivação para aqueles valorosos oficiais que não se engajam nessa atividade. Os que se dedicam exclusivamente às suas instituições, enxergam a si próprios como injustiçados do sistema vigente, pois resistem com as dificuldades financeiras impostas por baixos salários. Tudo é muito injusto para quem procede corretamente.

Outra balela que os defensores desse anacronismo vivem a repetir, é que tal prática seria adotada nos Estados Unidos. A permissão lá é relativa, e ocorre por parte de alguns departamentos, e várias polícias não a autorizam em hipótese alguma, como a de Los Angeles e de Nova Iorque. No nosso caso, quem leva a mordida é o cidadão comum que não tem dinheiro para comprar o seu policial particular.

É algo – aparentemente – tão difícil de ser enfrentado pela própria administração policial, que algumas secretarias de segurança pública começam a ensaiar a sua autorização expressa, contra todo o interesse público que envolve a questão. Definitivamente é difícil fazer o que é certo neste país.

Se estivéssemos vivendo na Finlândia, e se a nossa cidade fosse Helsinque, tudo bem, contudo, aqui, no Rio de Janeiro, perder o foco da missão oficial é algo extremamente prejudicial. Ser permissivo com isso é não querer comprar a briga com uma turma grande de colegas da polícia, em detrimento de milhões de pessoas que compõem a sociedade.

A primeira medida administrativa a ser tomada para mitigar a prática do “bico” seria a extinção, ou a drástica diminuição, das escalas de plantão, que viabilizam as folgas diárias de milhares de policiais. Deixar em casa, sem ter o que fazer, homens e mulheres jovens, e com necessidade de complemento de suas rendas, é um convite para tal desvio de conduta.

Não me assustaria se soubesse que todos esses atentados que alvejam policiais militares e civis, de folga, nada mais fossem do que situações que ocorrem durante o curso do abominável “bico”. O “bico” desfoca, distrai e, ademais, é o primeiro degrau para problemas mais sérios. O policial começa fazendo “bico” para um empresário do ramo farmacêutico, e um dia aceita trabalhar para contraventores.

Aparentemente o “bico” não seria algo tão sério, entretanto, as suas consequências são muito mais profundas do que a sociedade pode imaginar, pois acaba permeando a conduta dos agentes da lei, no seu dia-a-dia, na força policial.



19 de novembro de 2016
Jorge Pontes é delegado federal e foi diretor da Interpol do Brasil.

CALERO ACUSA GEDDEL DE ASSEDIÁ-LO POR OBRA EM REGIÃO TOMBADA

RESISTIU À PRESSÃO
MINISTRO EXPÕE PRESSÃO DE GEDDEL POR OBRA EM ÁREA TOMBADA

CALERO REVELOU QUE GEDDEL QUERIA PARECER TÉCNICO PARA FAVORECER SEUS INTERESSES PESSOAIS (FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM E VALTER CAMPANATO/ABR)

Ao justificar sua saída da pasta da Cultura do governo de Michel Temer, o ministro demissionário Marcelo Calero acusou o ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima de assediá-lo moralmente para que produzisse parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais junto ao setor imobiliário da capital de seu reduto político, na Bahia.

Segundo Calero foram mais de cinco investidas do articulador político do governo Michel Temer, por telefone e pessoalmente, para tentar convencê-lo de atuar junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para aprovar o projeto do empreendimento imobiliário La Vue Ladeira da Barra, que prevê o erguimento de cerca de 30 andares nos arredores de uma área tombada em Salvador.

Em entrevista à Folha, Calero denunciou que Geddel teria dito em pelo menos duas dessas conversas que possuía um apartamento no empreendimento que dependia de autorização do órgão subordinado à pasta da Cultura. 
A autorização havia sido concedida pelo Iphan da Bahia, comandado por indicação de Geddel, depois foi vetada pelo Iphan Nacional, presidido por Kátia Bógea, que adequou o projeto para 13 andares.

"[Geddel] me repetiu no dia 31: 'Já me disseram que o Iphan vai determinar a diminuição dos andares. E eu, que comprei um andar alto, como é que eu fico?'. 
No evento da Ordem do Mérito Cultural, ele disse: 'E as famílias que compraram aqueles imóveis? Eu comprei com a maior dificuldade com a minha mulher'. 
Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo”, afirmou, ao justificar o pedido de demissão, cujo destinatário, Michel Temer, teria pedido para que fosse reconsiderado.

Calero será substituído pelo o deputado paulista Roberto Freire, presidente nacional do PPS.

O Diário do Poder procurou a assessoria de imprensa de Geddel e aguarda a manifestação do ministro.



19 de novembro de 2016
diário do poder

COM MEDO DE SER PRESO, LULA AFRONTA A JUSTIÇA E SE RECUSA A SER INTERROGADO

Charge do Nani (nanihumor.com)


As repentinas e rumorosas prisões de dois de seus maiores aliados políticos (Anthony Garotinho e Sérgio Cabral) levaram o ex-presidente Lula da Silva ao desespero. Sem a menor condição de enfrentar o juiz federal Sergio Moro, que o intimara a prestar depoimento na semana que vem (dias 21, 23 e 25 de novembro), sobre as acusações de corrupção passiva e lavagem dinheiro no esquema de cartel e propinas na Petrobras, Lula jogou a toalha. Com medo de ser preso, pediu que seus advogados o representassem nos interrogatórios a serem conduzidos pelo magistrado, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba.

A defesa do ex-presidente imediatamente divulgou que Lula não vai comparecer e será representado pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira nas audiências previstas para a próxima semana.

A defesa afirma que a representação por advogados pode ser feita com base em decisão de Moro proferida em outubro, “que dispensou o comparecimento de todos os acusados, desde que as respectivas defesas concordassem em receber as intimares para as próximas audiências.”

DESAFIO À JUSTIÇA – “Na condição de advogados de Lula, informamos, no processo, que ele não iria comparecer, sendo, portanto, improcedentes as notícias sobre a existência de decisão em contrário do juiz de primeiro grau de Curitiba”, diz nota encaminhada pelos advogados.

A decisão representa um desafio à Justiça, porque na verdade o juiz Moro não abriu essa possibilidade de Lula não ser interrogado, apenas pediu que as defesas se encarregassem da intimação dos réus. No caso, nem houve intimação através dos advogados, porque o juiz Moro fez questão de determinar que Lula fosse notificado diretamente pela Justiça Federal de São Bernardo do Campo, onde ele mora.

O interrogatório é a fase derradeira da instrução criminal e o réu dela não pode se esquivar, como Lula está fazendo, com a conivência de seus defensores. Note-se que advogado principal, o criminalista José Roberto Batochio, não assinou essa chicana judicial.

SEMI-REVELIA – A recusa do réu, se propositadamente deixa de obedecer a uma intimação criminal, funciona como admissão de culpa, é uma semi-revelia, embora ele esteja representado por seus advogados, que não podem ser interrogados no lugar dele. Trata-se de uma versão jurídica do “Samba do Crioulo Doido”, de Sérgio Porto, na fase pré-politicamente correto (hoje, o título seria “Samba do Afrodescendente com Necessidades Especiais”).

O presidente Michel Temer, sem dúvida, tem responsabilidade nessa postura de Lula, pois espantosamente afirmou em rede nacional que o ex-presidente não deve ser preso. Como jurista que alega ser, Temer revelou-se um rábula da pior categoria, pois defendeu o descumprimento da regra constitucional de que todos são iguais perante a lei. Na democracia, é assim que funciona. Mas na cleptocracia, como diz o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, parece que as coisas são um pouco diferentes.

CONTRA LULA – Não se sabe como reagirá o juiz Sérgio Moro. O mais importante é que na próxima semana ele vai interrogar 10 testemunhas de acusação contra Lula. Na segunda-feira, os executivos Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Hermelino Leite, ligados à Camargo Corrêa, e o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS). Na quarta-feira, o ex-deputado Pedro Corrêa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da área Internacional da estatal Nestor Cerveró e o ex-gerente executivo da companhia Pedro Barusco. E na quinta-feira, o doleiro Alberto Youssef, o operador de propinas Fernando Baiano, o lobista Milton Pascowitch e o pecuarista José Carlos Costa Marques Bumlai.

Como diz o músico e compositor Pepeu Gomes, em breve haverá Lua cheia, tudo pode acontecer.

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PS – Para tumultuar o processo, ao mesmo tempo os advogados de Lula entraram diretamente no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, ao qual está vinculada a 13ª Vara Criminal de Curitiba, com uma “queixa-crime subsidiária” contra o juiz Moro, por abuso de autoridade, pedindo a prisão do magistrado. Era só o que faltava. (C.N.)


19 de novembro de 2016
Carlos Newton

JUÍZES FEDERAIS DEVERIAM TER MANDADO PRENDER CLAUDIA CRUZ E ADRIANA ANCELMO

Charge do Kacio (kacio.art.br)


Comentário de um amigo, promotor de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, aposentado, a respeito da atuação da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, nos governos de Sérgio Cabral, e também sobre a atuação de Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha:

“Casal de safados. Ela escolhia quem seria desembargador nas vagas do quinto constitucional do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ela sabia muito bem das propinas e, por certo, também comandava o esquema. Vou ver se consigo o pedido de prisão preventiva dela feito pelo Ministério Público Federal e quais as razões do indeferimento pelo juiz Marcelo Bretas.

Com todo respeito, sem embargo dos brilhantes trabalhos do Moro e do Bretas, eles ficam com receio de prender as esposas. 
A Cláudia Cruz, no seu interrogatório, não respondeu a nenhuma indagação do Moro. Só respondeu às perguntas feitas pelo seu advogado, já acertadas antes. As respostas são as mais infantis possíveis. 
E olha que seu advogado criminalista, embora ainda sem nome na área, vem se destacando em outros casos. 
Moro deve está arrependido de não tê-la prendido.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Realmente, os casos de Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo são bem diferentes da situação da mulher de Al Capone, que não tinha como ser incriminada pelos crimes do marido, pois não participava de nada. 
Nos casos de Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo, não há dúvida de que participaram diretamente dos crimes dos maridos e deles usufruíram. Agiram como Bonnie em companhia de Clyde. Na forma da lei, merecem pelo menos pena mínima. (C.N.)

19 de novembro de 2016
Mário Assis Causanilhas

SUPREMO ABRE MAIS UM INQUÉRITO SECRETO CONTRA RENAN E A MÍDIA JÁ PERDEU A CONTA


Charge do Paixão, reprodução da Gazeta do Povo

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito para investigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) à Corte em fevereiro, mas houve demora na definição de quem seria o ministro relator responsável pelo caso. Com isso, Renan é oficialmente investigado em 12 casos – sendo que em um já há denúncia oferecida.

Em despacho desta sexta-feira, Toffoli autorizou a realização de diligências solicitadas pela PGR. Os investigadores querem mais informações sobre uma movimentação financeira de 5,7 milhões de reais de Renan, considerada incompatível com a renda do parlamentar.

O caso tramita em segredo de justiça no STF. A partir da abertura do inquérito, Polícia Federal e Ministério Público podem fazer diligências de investigação, como pedir novos depoimentos e solicitar quebra de sigilo bancário. Renan se torna investigado, neste caso, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

EM OUTRO CASO – A movimentação financeira suspeita foi identificada no curso de outra investigação, pela qual Renan já foi denunciado ao STF por uso de documento falso e peculato. Na época, em 2007, o senador foi alvo de investigação por recebimento de propina para pagamento de despesas pessoais. Segundo a apuração, a construtora Mendes Júnior teria arcado com a pensão de uma filha em relacionamento extraconjugal do peemedebista com a jornalista Mônica Veloso.

Na ocasião, o peemedebista apresentou ao Conselho de Ética no Senado recibos de venda de gado em Alagoas para comprovar um ganho de 1,9 milhão de reais – as notas foram consideradas frias pela Procuradoria. O escândalo fez Renan Calheiros renunciar à presidência do Senado em 2007, mas a denúncia ainda não foi analisada pelo STF. O caso foi recentemente liberado por Fachin para o julgamento, no qual os ministros do Supremo terão de decidir se tornam Renan réu em ação penal. Até o momento, a denúncia não entrou na pauta de julgamentos do plenário.

OPERAÇÃO SUSPEITA – Durante as investigações, procuradores e polícia federal identificaram a movimentação financeira suspeita e pediram a abertura de uma nova frente de investigação. Inicialmente, o caso foi encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da denúncia contra Renan no STF. Investigadores consideram que os dois casos são desdobramentos de uma mesma situação, apesar de oriundos de fatos diferentes. No STF, no entanto, o inquérito foi redistribuído para Dias Toffoli.

Além das duas apurações que remontam ao escândalo da propina envolvendo despesas pessoais de relacionamento extraconjugal, Renan Calheiros é alvo de 8 inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato, incluindo a investigação por suposta formação de quadrilha para montar o esquema de corrupção na Petrobras. Além disso, o presidente do Senado é alvo de um inquérito no âmbito da Operação da Zelotes e de mais um por suposto recebimento de benefícios indevidos por desvio nas obras da usina de Belo Monte.

Em fevereiro, quando a PGR pediu a nova investigação ao Supremo para apurar a movimentação financeira de 5,7 milhões de reais, Renan afirmou que o inquérito era um filme “velho e repetido” e disse ter interesse em “esclarecer” os fatos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Certamente, trata-se de um recorde mundial. Ninguém se compara a Renan Calheiros. Já são tantos inquéritos que a imprensa perdeu a conta. No DataIbope da Tribuna da Internet, já tínhamos contabilizado onze inquéritos e uma denúncia, mas a Veja parece ter “cassado” um deles. Na verdade, nem mesmo Renan sabe a quantos inquéritos responde. E nem se interessa em saber. (C.N.)


19 de novembro de 2016
Deu na Veja

O HUMOR DO SPONHOLZ...



19 DE NOVEMBRO DE 2016

AÇÃO DE LULA CONTRA MORO PODE SER NOVA TENTATIVA DE OBSTRUÇÃO

NOVA OBSTRUÇÃO
LULA CRIA CASO CONTRA O JUIZ MORO PARA DEPOIS ALEGAR 'SUSPEIÇÃO'

JURISTAS VEEM PROCESSO CONTRA MORO COMO NOVA OBSTRUÇÃO DE LULA


A nova jogada do ex-presidente Lula, entre malandragem e desespero, de processar o juiz federal Sérgio Moro por “abuso de autoridade”, pedindo até sua prisão, pode ser interpretada nos tribunais como uma nova tentativa de obstruir a Justiça. 

A avaliação é de juristas ouvidos pela coluna. A intenção de Lula é caracterizar a “suspeição” de Moro para julgá-lo, alegando que a ação judicial os coloca em lados opostos. 

Lula já é réu em vários crimes, inclusive por obstrução à Justiça, quando fez Dilma nomeá-lo ministro para fugir do alcance de Moro.

O crime de obstrução da Justiça, considerado um dos mais graves, pode render sentenças de até oito anos de prisão.


Outro objetivo de Lula, no processo contra Moro, é dar novo discurso à militância religiosa que ainda o segue, e fazê-la pressionar a Justiça.

A estratégia de Lula é acuar a Justiça por meio de ações como essa, contra Moro, com militantes na rua e criando factoides no exterior.



19 de novembro de 2016
diário do poder

POLÍCIA ESPANHOLA PRENDE ADVOGADO QUE ERA FORAGIDO DA LAVA JATO

ELE TRABALHOU NO 'DEPARTAMENTO DE PROPINAS' DA ODEBRECHT

O ADVOGADO RODRIGO TACLA DURAN ESTAVA NA LISTA VERMELHA DE FORAGIDOS DA INTERPOL.


O advogado Rodrigo Tacla Duran, alvo da Operação Lava Jato, que estava foragido, foi preso nesta sexta-feira (18) em Madri pela polícia espanhola. 
Duran tem dupla cidadania (brasileira e espanhola) e integrava a Lista Vermelha de procurados da Polícia Internacional (Interpol). A informação é da Polícia Federal.

Duran foi alvo da 36ª fase da Operação Lava Jato. Ele trabalhou no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, chamado pelo Ministério Público Federal (MPF) de "Setor de Propinas", e é suspeito de haver operado ao menos 12 contas no exterior.


19 de novembro de 2016
diário do poder

PREÇO DA CORRUPÇÃO

STF CONDENA LUIZ ESTEVÃO A PAGAR R$ 1,1 BILHÃO POR DESVIOS
MONTANTE É RELATIVO AOS DESVIOS NA CONSTRUÇÃO DE FÓRUM EM SP


LUIZ ESTEVÃO (FOTO: ERNESTO RODRIQUES/AE)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (18), que o empresário e senador cassado Luiz Estevão terá de pagar R$ 1.130.769.524,55 pelo desvio de recursos da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, no período de 1992 a 1998. O caso é o mesmo que levou o ex-senador a ser preso em 8 de março deste ano, após dez anos de sua condenação.

O ministro Edson Fachin foi o relator do processo, que superou 36 recursos da defesa de Estevão e teve decisão unânime no Supremo. A decisão é um desdobramento da condenação do ex-senador pelo Tribunal Regional Federal, em 2006, a 31 anos de prisão pelos crimes de peculato, estelionato, corrupção ativa, formação de quadrilha e uso de documento falso.

A informação é do Correio Braziliense, que ouviu do advogado de Luiz Estevão, Marcelo Bessa, a alegação de que o recurso transitou em julgado e que não há novidade. “O valor está praticamente todo pago”, disse Bessa.

Há oito meses, Luiz Estevão foi finalmente preso, 24 anos após o crime, e cumpre pena em regime fechado, no Complexo Penitenciário da Papuda. Sua prisão foi consequência da mudança na jurisprudência brasileira, provocada por decisão do STF, que passou a permitir que réus condenados em 2ª instância sejam presos, enquanto recorrem da sentença.


19 de novembro de 2016
diário do poder

A DITADURA DAS MINORIAS

Além dos diversos problemas político-policiais que afetam nosso país, nossa população enfrenta ultimamente questões que a prejudicam diretamente. 



Isso pode alterar os comportamentos de pessoas. Nossa sociedade, conhecida por sua característica baixa capacidade de indignação, que em sua maioria procura contornar os problemas e conflitos com o famoso "jeitinho", já demonstra a perda desse aspecto de sua cultura.

Os recentes episódios em que alguns mequetrefes obedecendo orientações dos quadrilheiros dirigentes de bandos de malfeitores - que já deveriam ter sido banidos da vida pública brasileira - invadiram prédios públicos, com a conivência das ditas autoridades, e impediram que milhares de jovens prestassem exames para o ENEM, provocaram algumas reações movidas por cidadãos.

Historicamente, a omissão dos corretos que "não querem se incomodar" - a conhecida maioria silenciosa - alimenta o ativismo de uma minoria de canalhas que domina a cena.

Tudo com o apoio dos canalhas de sempre. Líderes partidários e de entidades que vivem às custas do erário e que tem por objetivo a destruição do "status quo", visando a implantação da revolução que acreditam criará um "mundo novo".

A mesma utopia criada em 1917 e que se mostrou inviável em 1989.

Foram líderes covardes e sem vergonha, do tipo desses calhordas, que convenceram meia centena de jovens - imbecilizados pelos discursos dos patifes - a irem para a selva "fazer a revolução" nos idos anos 70 do século passado.

Resultado: os jovens morreram, quase todos, na aventura idiota e os "líderes" morreram de velhice, confortavelmente instalados em suas cidades. E os seguidores daqueles pulhas seguem sua rotina, discursando com valentia para os jovens, convencendo-os de que estão formando novos "líderes" e que estes devem "assumir a frente da revolução".

À primeira reação, renegam o que disseram, fogem como galinhas assustadas (normalmente para o exterior) e escondidos sob as saias das mães e esposas, clamam por "justiça por serem perseguidos políticos".


Em resumo: NÃO PASSAM DE CHORUME HUMANO!!

Tivemos mostra disso no ainda recente episódio do ENEM, quando indignos "líderes" de invasões de algumas escolas as abandonaram no dia das provas, e as foram realizar em outras escolas.


As citadas invasões de escolas é somente um dos muitos tipos de abusos cometidos contra a população em geral. Invasões de outros prédios públicos, greves imotivadas e selvagens, impedimento do trânsito em vias urbanas e estradas são outras violências cometidas contra a maioria passiva, sem que as autoridades tomem a devida providência, temendo repercussões políticas, leia-se perda de votos no futuro.

E o pior, todo esse movimento é orquestrado com a conivência de velhacos empoleirados em cargos públicos - poder judiciário, inclusive - e nos meios de comunicação, que agem mais como militantes do que como profissionais do ramo em que atuam.

Tudo de acordo com os ensinamentos de seus ídolos e filósofos de estimação. Quem se der ao trabalho de ler (e entender) os Programas dos partidos socialistas/comunistas de hoje (PT, PSol, PCO, PCdoB, PSB, PSDB, e outros) verá que os velhos objetivos desses infames ainda persistem. Mas quem se dá ao trabalho de ler?? Nem mesmo a grande maioria dos seus militantes. É muito mais fácil se deixar engambelar pelas mentiras bonitas e os "programas sociais"!

Mas, no fundo, tais Programas não passam de outro tipo de enganação pois, as ações dessa quadrilha que tomou conta do Brasil depois de 1995 não são típicas de comunistas, mas sim de reles larápios que se mascaram sob essa ideologia idiota, morta e enterrada sob o Muro de Berlim, em 1989. Eu temo o que virá pela frente, com esse Congresso tomado por canalhas!

Daí aos incontáveis episódios de queima de ônibus e outros vandalismos - destruição de fachadas de estabelecimentos comerciais, contentores de lixo, etc. - é um simples detalhe.

O inacreditável aumento nos índices de criminalidade e violência gratuita dos criminosos, incentivado pela impunidade e pela legislação extremamente benévola, e animado pelos apoios de entidades com objetivos espúrios, está transformando o cidadão brasileiro.

E quando digo cidadão, me refiro às pessoas que agem corretamente no seu dia a dia, pagam suas dívidas em dia, seus impostos corretamente, não vivem em busca da obtenção de ganhos desonestos, evitam prejudicar seus semelhantes, e por aí vai.



Já dizia o estulto Nelson Jobim que os canalhas haviam perdido a modéstia. Temos visto coisas inacreditáveis nos últimos tempos, como um condenado a prisão domiciliar residente em Goiás que vai cumprir sua pena em Copacabana, outro que pede para cumprir pena em Angra dos Reis, já tínhamos um outro "lalau" ordinário cumprindo pena em sua mansão, e até mesmo uma "doleira" (quem disse que isso é profissão???) que decidiu mostrar seus dotes físicos, e falta de dotes morais, ornados com uma tornozeleira que deveria ser símbolo de vergonha.


Há que se concordar com o Cachaceiro Maldito quando ele disse que temos um judiciário covarde, pois essa instituição se preocupa muito com o bem estar dos delinquentes em detrimento dos cuidados que deveria ter para com a sociedade a quem deveria servir.

Coroando o festival de canalhices, vemos hoje que 21 das 24 pessoas alçadas a cargos de relevância no atual governo (ministros) utilizaram aviões da Força Aérea Brasileira 781 vezes nos últimos cinco meses, sendo que em 238 delas não houve sequer justificativa adequada nas agendas oficiais para as viagens, que tiveram como destino ou origem suas cidades de residência, destacando-se o ministro da Justiça Alexandre de Moraes, José Serra (Itamaraty), Gilberto Kassab (Ciência e Comunicações), Henrique Meirelles (Fazenda) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

Com isso, os ministros desrespeitaram duas normas legais. Um decreto de 2015 que restringe o uso de aeronaves por ministros, proibindo-os de viajar pela FAB para seus domicílios, e ainda uma lei de 2013 que determina que os ministros deverão divulgar diariamente, na página eletrônica do ministério, suas agendas oficiais. A maioria dos ministros afirmou que não podia revelar os motivos das viagens por razões de segurança.

Segurança do que ou de quem, PATIFES??Os desonestos perderam, realmente, a modéstia, e o Brasil já não pode dizer que tem futuro!

Isso tudo me fez refletir sobre essa covardia generalizada que se apoderou da parte sadia da nossa sociedade mas que já demonstra algumas atitudes de reação.

Me parece que é reflexo da podridão que vemos escoar nos altos escalões da administração nacional. Chegamos ao ponto de alguns crápulas tentarem justificar suas cafajestagens alegando que quem joga um papel no chão ou fura a fila é tão corrupto quanto governantes que roubam bilhões deixando de investir em saúde, segurança e educação... matando pessoas com a corrupção... Me desculpem, mas tenho que discordar.

O jeitinho Brasileiro é um problema crônico sim, mas não justifica a maior corrupção da história da humanidade feita pelos governantes brasileiros nos últimos vinte anos. Parar de colocar a culpa no povo pela falta de caráter da elite seria um bom começo para acabar com a corrupção ética.

Acabado o período de Governo Militar - concordo que ele se estendeu mais do que o recomendável! - instalou-se no Brasil uma corrida em direção à libertinagem, mascarada de liberdade. Em nome da tão destorcida Democracia, os poucos princípios éticos existentes nos meios políticos foram abandonados. Até mesmo as ideologias foram trocadas pela busca do "dar-se bem acima de qualquer coisa".

A falsidade do que denominamos Democracia se verifica quando as quadrilhas, ops, partidos, nos iludem, empurrando goela abaixo da população os candidatos escolhidos previamente por eles mesmos, os safados de sempre. É só observar as eleições presidenciais.

São sempre as mesmas moscas. Só "permitem" novatos que não tenham possibilidade de vitória. É o que se chama "jogada ensaiada". E há quem acredite que isso é democracia. Não é o povo que escolhe, ele só ratifica o que foi previamente determinado.

E como fazer a sociedade acatar essa farsa pacificamente? Temos uma população estimada em cerca de 200 milhões de viventes, com aproximadamente 25 milhões economicamente ativos (45 milhões em idade economicamente ativae 40 milhões destes recebendo UM Salário Mínimo) e mais 17 milhões de famílias - sendo otimista, depreende-se desse número um mínimo de 34 milhões de pessoas, uma mãe e um(a) filho(a) - dependentes da Bolsa Família.

Tirando as crianças, temos praticamente uma maioria populacional - não necessariamente produtiva - "tirada da pobreza" pelos governantes populistas das últimas duas décadas. Considerando que a "zelite" (banqueiros e empresários amigos da realeza) é de menos de 5% da população, temos que essa maioria está sobrevivendo às custas da quase extinta "classe média" (aquela, odiada pela vaca uspiana).

Até quando? Parece que já há um consenso de que, pelo menos no aspecto econômico, a farra está acabando. Não por um reavivamento milagroso da virtude e da honra, mas pela simples constatação de que a "galinha dos ovos de ouro" está à beira da morte.

Encerrando, verifica-se algumas reações contra essa situação de minorias ativas sobreporem-se à grande maioria. Ainda tendo por mote as invasões de escolas, houve grupos de pais e alunos que, mesmo de forma tímida, enfrentaram os baderneiros e, em alguns casos, assumiram o comando das escolas ilegalmente invadidas (na maioria das vezes, por gente que sequer tinha alguma ligação com elas).

As diversas manifestações públicas em prol da destituição da presidente deposta recentemente e o próprio resultado das recentes eleições municipais parecem mostrar uma retomada dos valores que possam conduzir o Brasil à rota das grandes nações.

É o que se espera!


19 de novembro de 2016
in mujahdin cucaracha

PCC, O CARTEL DO 'NARCOSUL'

Ao longo das últimas décadas o Primeiro Comando da Capital (PCC) converteu-se no cartel do “Narcosul”.

Nascido da reação contra o massacre do Carandiru (1992), o PCC já domina a maior parte dos presídios brasileiros. E dessa posição passou a dominar o tráfico de drogas no Brasil e na região do Mercosul. Daí o nome dado pelos meliantes à organização: “Narcosul”. É o que revela a pesquisa publicada pela revista Veja sob o título: O Carandiru e o PCC" (edição 2498, de 5/10, páginas 84-97).

Era questão de tempo o Brasil ter o seu grande cartel das drogas. Acontece que, em política, se falta a perspectiva estratégica (que, infelizmente, está longe da mente dos nossos políticos), fica aberta a porta para eventos negativos. É o que está acontecendo com a força demonstrada pelo PCC em matéria de narcotráfico.

Hoje ele é a principal organização criminosa brasileira, que rivaliza, em lucros, com as maiores empresas do País, chegando a ocupar a 16ª posição, com ganhos da ordem de R$ 20,3 bilhões por ano, à frente de grandes empresas como a Volkswagen e a JBS Foods.

Como se chegou a isso, depois de termos conhecido as desgraças patrocinadas na Colômbia pelo cartel de Medellín, de Pablo Escobar, nos anos 80 e 90 do século passado? A resposta é: descaso e populismo.

Esse perigoso binômio nos levou a menosprezar a lição dada pela Colômbia após sofrer a dura guerra do narcotráfico e da narcoguerrilha, com os seus mais de 250 mil mortos. Lembro que no final dos anos 90 fiz uma palestra no Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, no Rio de Janeiro, acerca das desgraças produzidas pelo narcotráfico na “Cidade Maravilhosa”, que se tornou incontrolável depois do ciclo populista dos dois governos de Leonel Brizola.

Alertava, na época, para o risco de o Brasil se tornar palco do crescimento de grandes cartéis de drogas em decorrência do vácuo que o populismo abriu em matéria de segurança pública e também como consequência do vazio econômico provocado pela insegurança jurídica ensejada pelo “socialismo moreno” do caudilho gaúcho, que fez mais de 800 empresas abandonarem o Rio de Janeiro quando da primeira administração brizolista, que começou em 1983, à sombra da retórica socialista das “perdas internacionais” que o capitalismo teria trazido ao País.

Brizola, efetivamente, deu o grande passo em matéria de abrir espaço para o crime organizado, ao pregar que a polícia não subia em morro. Os traficantes ocuparam rapidamente o vácuo aberto e, orientados pelos meliantes colombianos, começaram a adquirir armamento pesado. Data daí a explosão da violência que o narcotráfico ainda impõe aos cidadãos cariocas.

O empurrão inicial dado pelo brizolismo ao narcotráfico no Rio veio ser potencializado, em nível nacional, pelos 13 anos de populismo lulopetista, que simplesmente abriram as portas para o mercado de tóxicos no Brasil.

Lula, no palanque em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, com Evo Morales, no início do seu primeiro governo, ostentando no peito um colar feito de folhas de coca: foi essa a imagem que percorreu o mundo do narconegócio, indicando o “liberou geral” dos petistas para a produção e a distribuição das drogas. Rapidamente o Brasil viu aumentar de forma fantástica a entrada de pasta-base de coca boliviana. O cocalero Evo Morales não fez por menos: ao longo dos governos petistas, simplesmente duplicou a extensão que os bolivianos dedicavam ao cultivo da folha de coca, a fim de destinar a maior parte da produção ao mercado de tóxicos brasileiro.

Resultado: viramos mercado para a droga, ao mesmo tempo que nos firmamos como corredor de exportação de narcóticos para a Europa. Do mercado americano, cada vez mais próspero, os nossos meliantes deixaram que cuidassem os mexicanos, que ocuparam rapidamente o vácuo deixado com a morte de Pablo Escobar, em 1993.

As coisas facilitaram-se enormemente para os traficantes da América do Sul com a instauração, na Venezuela chavista, de um autêntico narco-Estado, que passou a proteger a narcoguerrilha colombiana das FARC e intermediou a compra de armas (lembremos que Fernandinho Beira-Mar era um dos elos da cadeia de aquisição de armas em troca de cocaína no mercado americano e também no Brasil).

O corredor brasileiro de exportação de cocaína transladou-se do Centro-Sul do País para as desguarnecidas cidades do Norte e do Nordeste, carregando consigo a sua procissão de assassinatos e violência generalizada, que explodiu nessas regiões.

A África Ocidental, ocupada por narco-Estados, passou a ser a nova fronteira a ser atingida pelos traficantes brasileiros. Mas o Brasil virou também, como previam os mafiosos italianos no final dos anos 1980, um próspero mercado para o consumo de entorpecentes.

Segundo a pesquisa divulgada pela revista Veja (na edição citada no início deste artigo), o Brasil tem 2 milhões de viciados em cocaína, 1 milhão de dependentes de crack e 1,5 milhão de usuários de maconha. Esses consumidores regulares de tóxicos garantem ao PCC um lucro que, como frisei anteriormente, chega hoje aos R$ 20,3 bilhões por ano.

Vai ser difícil nos desfazermos dessa indústria da morte, hoje plenamente estabelecida e que funciona pelo País afora, dinamizada pela enorme e abandonada população carcerária (que já chega a 550 mil indivíduos), dominada em sua maioria pelo PCC. Um verdadeiro exército da morte, que espalha assassinatos nos presídios e em todos os cantos do Brasil! Mais uma herança perversa do populismo brasileiro.

Abre-se, pois, nova frente para desmontarmos o descaso aberto no País pelo populismo. Mas é melhor agirmos enquanto é tempo. O PCC já mostrou que tem bala na agulha.

Ricardo Vélez Rodríguez
Coordenador do Centro de pesquisas estratégicas da UFJF,
professor emérito da ECEME, é docente da Faculdade Arthur Thomas, Londrina

Fonte: Estadão

19 de novembro de 2016
in mujahdin cucaracha

PIADA DO ANO: JORGE PICCIANI GARANTE QUE CABRAL PROVARÁ SUA INOCÊNCIA... (KKKKKK)


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Também enriquecido ilicitamente, Picciani defende Cabral
Após a prisão do ex-governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB-RJ), nesta quinta-feira, caciques do PMDB trataram de colocar panos quentes na situação. Eles encararam a operação como uma ação localizada e avaliaram que não deve causar efeitos negativos para o partido, muito menos para os governos do estado e federal. Destacaram, ainda, o direito de defesa de Cabral antes de julgamentos prévios.
O deputado Jorge Picciani (RJ), presidente do PMDB do Rio, saiu em defesa de Cabral. Antes de presidir a sessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na tarde desta quinta-feira, o presidente da Casa, Picciani, falou rapidamente à imprensa sobre o assunto:
“Decisão judicial não se discute. Ele terá a defesa dele e provará sua inocência”, disse Picciani.
REAÇÃO DO PLANALTO – Já o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco (PMDB-RJ) — um dos principais auxiliares do presidente Michel Temer — disse que a prisão não traz preocupação para o governo e é um problema localizado. Além disso, destacou, quando Cabral foi governador, era muito ligado à gestão petista e ao ex-presidente Lula, principalmente.
— Não há nenhuma preocupação em relação ao governo — disse Moreira Franco ao Globo.
Mais cedo, ao abrir um seminário sobre infraestrutura, ele afirmou que o país vive um momento de “limpeza”, defendendo apoio às construtoras de médio porte, diante do envolvimento das grandes empreiteiras na Operação Lava-Jato.
— Estamos vivendo um momento de limpeza, de uma série de práticas, de governança, de transparência que estavam presentes na vida empresarial e, sobretudo, no relacionamento entre o poder público e as empresas.
DIREITO DE DEFESA – O presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), disse nesta quinta-feira esperar que seja dado ao ex-governador Sérgio Cabral direito de defesa e que seria injusto fazer comentários sobre sua prisão sem saber os motivos que levaram a ela.
Jucá também acrEdita que a prisão não afeta o partido por ser algo restrito ao peemedebista.
— O partido não afeta, Sérgio Cabral é algo restrito. É importante que se dê a ele direito de defesa. Não vamos personalizar nem no partido, nem no Rio de Janeiro. É importante que os fatos sejam investigados com profundidade e, a partir daí, se tire uma convicção, um julgamento na Justiça. Seria injusto antecipar qualquer julgamento se a gente desconhece os motivos da prisão— afirmou Jucá.
PRISÃO DESNECESSÁRIA – Deputados do PMDB também procuraram minimizar os impactos para o futuro do partido no estado. Paulo Melo, que já foi presidente da Alerj, disse considerar a prisão de Cabral “desnecessária”:
— É algo que nos entristece. Não vi provas de que ele (Cabral) tivesse obstruído a Justiça. A prisão preventiva se tornou rotina. É mais fácil para um criminoso conseguir um habeas corpus do que alguém ligado à política.
O único líder a sair pela tangente foi Renan Calheiros. Ele se esquivou de opinar:
— Não vi ainda, não sei. Eu sinceramente não quero comentar esse assunto porque não tomei em profundidade conhecimento dele.
MÁ POLÍTICA – O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE) também se pronunciou e demonstrou a mesma opinião que Jucá, acrescentando que a ação representa uma demonstração da solidez das instituições e só prejudica a “má política”
— Garantido o direito de defesa e a presunção daqueles que foram atingidos, é parte do jogo democrático e só atesta a higidez e a solidez das nossas instituições — disse Jungmann.
— O que (a investigação em torno de Cabral) pode afetar seria, efetivamente no caso de serem fundadas as acusações, a má política, aí eu espero que ela continue sendo bastante afetada, porque precisamos passar a política brasileira, e falo como parlamentar, a limpo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Apesar de ser candidata ao Troféu Piada do Ano, a declaração de Picciani não causa surpresa. Ele e Cabral transformaram a presidência da Assembléia num grande balcão de negócios. Foi nesse cargo que os dois começaram a enriquecer ilicitamenteSe for investigado seriamente, Picciani vai fazer companhia a Cabral em Bangu 8. (C.N.) 


19 de novembro de 2016
Deu em O Globo

PRECISAMOS FALAR SOBRE O "CAPITALISMO DE QUADRILHAS"

Este câncer tem de ser extirpado - e só há uma maneira


É fácil definir ou entender as políticas estatizantes.

Aumento de impostos é quando políticos pegam uma maior fatia do seu dinheiro — afetando suas decisões de poupança, investimento e consumo — e o direcionam ou para o inchaço da máquina pública ou para bancar seus grupos de interesse favoritos. (Grandes empresários, funcionários públicos e pessoas no assistencialismo).

Protecionismo é quando políticos utilizam tarifas de importação e outras barreiras não-tributárias para restringir sua liberdade de comprar bens e serviços produzidos em outras nações.

Lei do salário mínimo é quando políticos criminalizam contratos de emprego voluntariamente acordados entre adultos, proibindo que pessoas de baixa qualificação consigam um trabalho que lhes pague de acordo com sua produtividade, condenando-as ao desemprego.

Pacotes de estímulo são quando políticos tomam dinheiro de uma parte da economia e gastam em outra parte da economia e, com isso, fingem todos estão mais ricos. Equivale a tirar água da parte funda da piscina, jogá-la na parte rasa e, com isso, acreditar que o nível geral de água na piscina aumentar.

A lista é potencialmente infinita. Mas há um tipo específico — e extremamente abrangente — de política estatista que não possui uma definição simples. Na literatura econômica anglo-saxã, tal política é conhecida como "crony capitalism" ou simplesmente "cronyism". No Brasil, ela passou a ser traduzida como "capitalismo de estado", "capitalismo de compadrio" ou mesmo "capitalismo de quadrilhas".

A palavra "crony" vem do grego "khronios" e significa "de longa duração". Nos países anglo-saxões, ela se tornou uma gíria para designar amigos, afilhados, capangas, comparsas, apaniguados, membros de uma quadrilha ou irmãos no crime.

Quando o termo "crony" é acompanhado do termo "capitalism", tem-se então a referência ao "capitalismo crony" ou "capitalismo de compadrio", "capitalismo de estado", "capitalismo corporativista" ou mesmo "capitalismo de quadrilhas", uma alusão a um arranjo econômico dominado pelo favoritismo, pela arbitrariedade e pela corrupção.

Neste arranjo, há apenas uma aparência de mercado; na prática, todas as transações são conduzidas pelo estado. Tem-se um capitalismo dirigido e deturpado por políticos em prol de seus empresários favoritos.

Subsídios representam um capitalismo de estado? Sim. Pacotes de socorro a empresas? Sim. Protecionismo? Sim. Mas há muito mais do que isso.

Generalizando, pode-se dizer que o capitalismo de estado (ou de quadrilhas) ocorre quando políticos criam privilégios que os governos então concedem a empresários e empresas específicas.

O capitalismo deturpado e manchado

Uma das características mais deletérias do cronismo é o fato de ele dar ao capitalismo uma má reputação. Por causa do cronismo, várias pessoas leigas não mais conseguem fazer uma distinção entre "mercado", "negócios" e "negociatas". Assim, quando grandes empresários recebem privilégios e favores especiais do governo, as pessoas acabam concluindo que o capitalismo é um sistema manipulado. Eles associam o termo 'capitalismo' a monopólios, a privilégios, e a ricaços poderosos manipulando a economia para proveito próprio.

Mas nada poderia ser mais falso. Comecemos do básico.

Foi Marx quem deu nome ao modelo de organização econômica capitalista. O capitalismo, entretanto, não foi criado por algum cérebro brilhante, nem gerado em saraus de intelectuais que queriam mudar o mundo ou a natureza humana. Ao contrário, surgiu como resultado natural dos processos sociais de divisão do trabalho e trocas voluntárias, realizados num ambiente de liberdade até então poucas vezes visto ao longo da história.

Os economistas clássicos chamavam-no de laissez-faire. O governo era um mero coadjuvante, cujo papel limitava-se a fazer cumprir os contratos, proteger a vida e a propriedade dos cidadãos.

As maiores virtudes desse modelo, na visão de Adam Smith, eram a liberdade de empreendimento e o governo limitado — este último um antídoto contra as arbitrariedades, os desmandos e as falcatruas inerentes ao poder político.

Em resumo, o sistema pouco dependia das virtudes dos bons governantes, enquanto os danos causados pelos maus eram mínimos.

Por conta de um desses grandes paradoxos da vida, no entanto, o livre mercado, embora tivesse trazido volumes de riqueza inéditos aos países que o abraçaram, foi sendo paulatinamente substituído, principalmente no decorrer do século XX, por um novo arranjo institucional: sim, o capitalismo de estado.

O processo de substituição foi bastante facilitado pelo fato de que muito poucos estavam dispostos a defender, politicamente, o capitalismo liberal. Não é de se admirar. O liberalismo, afinal, é muito arriscado, pouco previsível e totalmente incontrolável, seja por empresários, políticos ou acadêmicos. Tal modelo, embora possibilite uma acumulação coletiva extraordinária de riqueza, está longe de ser um caminho seguro para o sucesso individual.

No capitalismo de estado, por outro lado, o governo é capturado por grupos de interesse, que o utilizam para promover a transferência de riqueza e status. Por meio de um processo lento, mas ininterrupto, castas influentes e bem articuladas obtêm privilégios especiais, contratos, empregos, reservas de mercado, créditos baratos e proteções diversas, sempre à custa do dinheiro alheio.

Há o capitalismo de estado legal e há o ilegal - e ambos são imorais

No capitalismo de estado, o mercado é artificialmente moldado por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas e os grandes sindicatos. Políticos concedem a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado.

Por meio do capitalismo de estado, o governo acintosamente cria e protege monopólios, oligopólios, cartéis e reservas de mercado por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), por meio de subsídios a empresas favoritas, por meio do protecionismo via obstrução de importações, por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

O governo, em prol das grandes empresas já estabelecidas e contra os interesses dos consumidores, utiliza seus poderes para cartelizar os setores bancário, aéreo, telefônico, internet, elétrico, postos de gasolina etc., restringindo a concorrência por meio de agências reguladoras para proteger as empresas já estabelecidas e prejudicar a liberdade de escolha dos consumidores.

Esses são os privilégios legais, os quais também incluem até mesmo coisas mais paroquiais, como a obrigatoriedade do uso de extintores e do kit de primeiros socorros nos automóveis (o que traz altos lucros para as empresas que os fabricam e fornecem) e a obrigatoriedade do uso de canudinhos plastificados (devidamente fornecidos pela empresa lobbista) em bares e restaurantes.

Mas há também os privilégios ilegais. E estes vão desde fraudes em licitações e superfaturamento em prol de empreiteiras (cujas obras são pagas com dinheiro público) a coisas mais simples como a concessão de bandeiras de postos de combustíveis para empresários que pagam propina a determinados políticos (bandeiras essas negadas para empresários honestos e menos poderosos).

Em troca, os empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e propinas.

A criação destes privilégios pode ocorrer ou abertamente, por meio de lobbies e da atuação de grupos de interesse, ou na surdina, por meio do suborno direto.

Tanto nos exemplos legais quanto nos ilegais, empresários poderosos e grupos de interesse conseguem obter privilégios, extraídos de toda a população, mediante o uso do aparato estatal.

E isso só é possível porque há um estado grande que a tudo controla e tudo regula.

Um estado grande sempre acaba convertendo-se em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas).

A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.

Conclusão

Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais os empresários poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios; e mais brechas ele abrirá para que empresários poderosos se beneficiem à custa dos concorrentes e da população como um todo.

O cronismo — ou o "capitalismo de estado" ou, melhor ainda, o "capitalismo de quadrilhas — é um câncer que compromete e definha o genuíno capitalismo, o qual nada tem a ver com privilégios, proteções e reservas de mercado, mas sim com competição, abertura e liberdade de empreendimento.

O cronismo nada mais é do que uma variação do mercantilismo. Trata-se de um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos reguladores, e contra os interesses do povo.

Eis o caminho para lutar contra os grupos de interesse, contra os lobbies empresariais e contra toda a corrupção que eles geram: reduzir ao máximo o tamanho do estado para que se reduza ao máximo as chances de privilégios. Não há outro jeito. Com estado grande, intervencionista e ultra-regulador, lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra.

Como bem frisou Jonah Goldberg, no excelente "Fascismo de esquerda", muitos esquerdistas estão corretos quando lamentam a cumplicidade entre governos e grandes corporações. O que eles não compreendem é que tal sistema convém justamente aos governos intervencionistas da nova esquerda, dita democrática. Uma esquerda que não pretende expropriar os empreendimentos privados, mas, ao contrário, usá-los para implantar sua agenda política — exatamente como testemunhamos no Brasil.

Essa é a grande diferença entre os verdadeiros liberais/libertários e os esquerdistas/desenvolvimentistas e até mesmo alguns conservadores que defendem estado e suas políticas "desenvolvimentistas": Nós somos pró-mercado. Eles são pró-negócios.

19 de novembro de 2016
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Leia também:

Política industrial, campeãs nacionais e a Lava-Jato: não há política de favorecimento sem corrupção

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João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

Daniel Mitchell é membro-sênior do Cato Institutee especialista em política fiscal e o fardo representado pelos gastos do governo. É também membro do quadro editorial do Cayman Financial Review.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

FÁTIMA BERNARDES E O DILEMA DO SALVAMENTO DO TRAFICANTE

Fátima Bernardes perguntou quem deve ser salvo: um policial levemente ferido ou um traficante em estado grave. A pergunta é viciada. Literalmente.


No programa Encontro Com Fátima Bernardes de ontem, a apresentadora global apresentou uma versão, digamos, carioca do famoso dilema que une a filosofia moral, a biologia e a teoria da complexidade: quem você salvaria, um conhecido com pouco risco ou um desconhecido com risco de vida iminente?

Na versão de Fátima Bernardes, o dilema se torna: quem deveria ter prioridade em um hospital, um “traficante em estado grave” ou um “policial levemente ferido”.

O dilema é válido e curioso: com ele, muitos psicólogos conseguiram descobrir padrões de comportamento e axiologia que permanecem ocultos dos observadores que, felizmente, não precisam tratar de situações tão complexas na vida comum.

Sua solução comum revela algo na raiz da organização humana, o que os gregos chamam de endofilia, ou seja, o apreço e o sentimento por quem é aparentado, familiar, muito maior do que por desconhecidos. Algo natural, que explica por que a estrutura familiar é tão importante (e tanta falta faz quando fraturada), ou como funcionam laços de amizade duradoura, ou ainda por que sociedades tribais consideram uma vergonha infinita um matrimônio entre tribos e clãs distintos.

Entretanto, o que Fátima Bernardes acabou por fazer, ainda que raros saibam colocar em palavras tal desenlace técnico, foi revelar os vícios que seu conjunto de dados apresenta. Ao invés de algo que pudesse ser comparado a uma rudimentar pesquisa científica, o que saltou aos olhos dos telespectadores brasileiros foi tão somente os preconceitos embutidos na mentalidade brasileira.

A Rede Globo, em seu afã progressista, é pródiga em fomentar uma mentalidade que tenta hoje, desesperadamente, “vencer preconceitos”, como tentar fazer meninos brincarem com bonecas, defender o uso indiscriminado de “drogas recreativas”, uma quase onipresença entre seus atores, uma agenda de crítica mordaz a valores religiosos e qualquer âncora moral da sociedade independente de uma visão de mundo planificadamente secular.

Ao contrário do discurso corrente da esquerda nas últimas décadas, a Rede Globo e Igor Fuser ou Marilena Chaui pensam de maneira rigorosamente indiscernível.

Neste cenário, é natural que toda a sua platéia, a mesma que enaltece Leandro Karnal (presente no programa) como intelectual e ouve hip hop hedonista como “salvação”, tenha um ódio mortal da polícia. Ao invés de se analisar um conflito entre endofilia e alguma “lógica” de salvamento, todo o espetáculo que se desencadeou, com um ominoso 7 x 1 dos participantes, foi uma descrição de ódio espumante o mais irrefletido destilado sobre a polícia. É fácil notar que, para os freqüentadores do Projacstão, salvar um Playmobil de ser atropelado é uma prioridade mais urgente do que a vida de um policial.

Não há dilema nenhum à baila: apenas um verniz de pseudo-pesquisa para disfarçar a ojeriza que um segmento selecionado da população nutre por qualquer noção de ordem e ordenamento.

Aprofundando o disparate, o dado é ainda mais viciado, e neste caso, em sentido literal: simplesmente parece que freqüentadores do Projacstão e traficantes não são exatamente adversários. Parece mesmo que estamos falando de gente com programa de milhagem com os aviõezinhos locais.

Neste cenário, como é que o conflito entre “traficante em estado grave” versus “policial levemente ferido” fará algum sentido? Não há nem um dilema de fato aí, um paradoxo entre o desejado com pouco risco e o adversário em sério risco (tema tratado de maneira brutalmente avassaladora em Jogos Mortais 3): há apenas a defesa dos cupinchas contra uma raça considerada inimiga de seu projeto de hedonismo e vida niilisticamente progressista.

O problema, obviamente, não é Fátima Bernardes e os ouvintes de hip-hop em sua platéia – chamá-los de casos perdidos é uma ofensa aos casos. O problema não é nem a lacrosfera no Twitter replicando o conteúdo com uma frase de efeito ou aqueles com carteirinha de filiação no CV comemorando o resultado.

O problema é a dona de casa honesta e humilde, acostumada a deixar os filhos assistindo TV Colosso ou vendo receitas de bolo e avisos para não deixar água parada nos vasos do quintal, tendo de reiteradamente receber tal conteúdo como “prova científica” de que quem mais merece saúde, educação, segurança e aquela papagaiada que ouvimos de políticos porque sabem que terão um contingente enorme de votos fáceis se prometerem isso são os traficantes, e não os policiais.

Na Globo ou no PSOL, no Projac ou no Leblon, quem ganha é sempre quem tem a melhor carreira a oferecer.



19 de novembro de 2016
Flávio Morgenstern