"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 22 de outubro de 2016

O CAPITALISMO E AS VACAS

Ah, a criatividade sem limites dosumanos… Não sei quem saiu com essa, mas é bem assim mesmo.

Como funciona o capitalismo pelo mundo:

Capitalismo ideal: Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. O rebanho se multiplica e a economia cresce. Você vende o rebanho e aí pode aposentar… rico!

Capitalismo americano: Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

Capitalismo francês: Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

Capitalismo canadense: Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

Capitalismo japonês: Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

Capitalismo italiano: Você tem duas vacas. Uma é a tua mãe e a outra a tua sogra, maledetto!

Capitalismo inglês: Você tem duas vacas. As duas são loucas.

Capitalismo holandês: Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

Capitalismo alemâo: Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de qualidade, horário estudado, elaborado e previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Capitalismo russo: Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Agora conta de novo e são 12. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Capitalismo suíço: Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar as vacas dos outros.

Capitalismo espanhol: Você tem muito orgulho de ter duas vacas!

Capitalismo português: Você tem duas vacas… e reclama porque o seu rebanho não cresce.

Capitalismo chinês: Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

Capitalismo hindu: Você tem duas vacas. E ai de quem tocar nelas!

Capitalismo argentino: Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas a mugirem em inglês… As vacas morrem. Você entrega as vacas para o churrasco de fim de ano do FMI.

Capitalismo brasileiro: Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV – Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e autua porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas, e não pelo número de vacas reais. A Receita Federal, por meio de números presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões, presume que você tenha 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo…


22 de outubro de 2016
crônicas urbanas
postado por m.americo

DOCUMENTÁRIO - CONHEÇA O ESTADO ISLÂMICO - PARTE 1

DOCUMENTÁRIO - CONHEÇA O ESTADO ISLÂMICO - PARTE 2

Globo News - Conheça o Estado Islâmico - Parte 02 - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=6n2gLTghFpU

15 de jun de 2015 - Vídeo enviado por Jonathan Arruda
Documentário - Conheça o Estado Islâmico Exibido pelo Globo News no Dia:13/06/2015.

22 de outubro de 2016
postado por m.americo

DOCUMENTÁRIO - CONHEÇA O ESTADO ISLÂMICO - PARTE 3

DOCUMENTÁRIO - FUGINDO DO ESTADO ISLÂMICO

Documentário da GloboNews - Fugindo do Estado Islamico - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=521kASeVkUM
16 de nov de 2015 - Vídeo enviado por Jonathan Arruda
Reportagem exibida 14.11.2015 pela Globo News - Documentário -Fugindo do Estado Islamico.

22 de outubro de 2016

postado por m.americo

POSSÍVEL DELAÇÃO DE CUNHA "NÃO ESTÁ NA PAUTA" - DIZ PADILHA

PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DE UM MINISTRO DE TEMER SOBRE O CASO

COM RECEIO DE IMPACTO NA AGENDA DE REFORMAS DO AJUSTE FISCAL, A ORDEM DO PLANALTO É DE SILÊNCIO FOTO: ELZA FIÚZA/ABR


O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou na tarde desta sexta-feira, 21, que uma eventual delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) "não está em pauta". Foi a primeira vez que um ministro do governo do presidente Michel Temer se manifestou desde que o ex-presidente da Câmara dos Deputados foi preso, na quarta-feira, 19. Com receio de impacto na agenda de reformas do ajuste fiscal, a ordem no Palácio do Planalto é de silêncio.

A rápida declaração de Padilha foi feita a jornalistas, ao ser questionado se o governo não teme uma possível delação de Cunha. Ele compareceu a um evento em São Paulo sobre infraestrutura, promovido pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Chegou de helicóptero, discursou e foi embora.

Mais cedo, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também esteve no evento e defendeu o ajuste fiscal. Questionado se a prisão de Cunha poderia afetar a aprovação de medidas como a PEC do Teto, com votação prevista para a próxima terça, 25, o ministro disse apenas que "não é uma matéria da minha área, não acho que tenha a ver com orçamento". Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi muito aplaudido pela plateia, restringiu sua fala à área econômica e à PEC do Teto.

O evento teria a presença do presidente Michel Temer, do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), mas eles cancelaram suas participações.

Segundo o ministro da Casa Civil, o secretário não pôde vir, porque estava em viagem fora do País e não chegaria a tempo. No lugar de Moreira Franco, veio Tarcísio Freitas, secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Desafeto de Cunha, Moreira Franco foi acusado pelo deputado cassado de irregularidades na operação de financiamento do Porto Maravilha, no Rio, quando era vice-presidente da Caixa. Cunha afirmou que o programa de privatização conduzido por Moreira Franco no governo Temer "nasce sob suspeição".

PEC do Teto


Durante sua fala aos empresários, Padilha reforçou a importância da aprovação da PEC do Teto junto com a reforma da Previdência. Ele afirmou que Temer tem uma ampla base no Congresso para a aprovação das medidas, maior até que dos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Ao ser questionado sobre a prisão de Cunha, Padilha disse que o governo está "pensando na PEC do teto e na reforma da Previdência".

"Penso que a gente tem que trabalhar com os dados que a gente tem. Hoje a gente tem confiança absoluta que vamos ter mais que 308 votos", afirmou. Ele fazia referência ao segundo turno da votação da PC do Teto, que esta marcada para a próxima terça, 25.

Durante o discurso aos empresários, mais de uma vez o ministro falou que o País vive clima de "normalidade institucional". Padilha também elogiou Temer, responsável, segundo ele, por ter pacificado a Nação".(AE)



22 de outubro de 2016
diário do poder

O PÚBLICO E O PRIVADO, NO SUMIÇO DOS BENS DA PRESIDÊNCIA



Michel Temer vai informar a Lula e Dilma que todo o acervo presidencial levado quando deixaram o poder está embargado, pelo menos até a conclusão do inquérito para identificação, origem, natureza (se os bens são públicos ou privados) e eventual incorporação ao patrimônio da União.

O aviso para que se “abstenham de vendê-los ou doá-los” deverá ser encaminhado pelo gabinete pessoal de Temer — informou o Tribunal de Contas em correspondência enviada na tarde de sexta-feira passada ao Palácio do Planalto, ao responder um pedido de “esclarecimentos” da Secretaria de Governo.

4.564 BENS DESVIADOS
 


Há dois meses o governo tenta localizar 4.564 bens que desapareceram da Presidência — de forma “absolutamente inexplicável” na avaliação de auditores do TCU. 
Entre 2010 e 2016, a cada 24 horas sumiram dois bens do registro do patrimônio presidencial.

Estavam sob a guarda e responsabilidade dos gestores de 24 unidades e órgãos, entre eles, os palácios do Planalto e da Alvorada, a residência oficial da Granja do Torto, ministérios e secretarias como Casa Civil, Assuntos Estratégicos, Portos, Aviação, Imprensa, Mulheres, Igualdade Racial.

Não se conhece a listagem do que sumiu. Auxiliares de Temer resolveram mantê-la sob sigilo, apesar da posição contrária do tribunal. 



Sabe-se que dela constam seis obras de arte da Presidência e uma do Museu de Belas Artes (Rio).

“PRESENTES” RECEBIDOS 

Sabe-se, também, que Lula e Dilma guardam 697 peças classificadas como “acervos de natureza museológica e bibliográfica”, recebidas como presentes em reuniões com chefes de Estado e de governo. 
Lula ficou com 80%, como “mero guardião”, alegam seus advogados, ciente de que o proprietário é “o povo” e sua conservação e preservação “cabe ao poder público”.

Em março passado, ele disse à polícia não saber o valor e a exata localização dos bens: 

— Acho que (está) no sindicato nosso, dos metalúrgicos (de São Bernardo-SP). Tem coisa de valor que deve estar guardada em banco… 
Eu já tomei uma decisão, terminada essa porra desse processo, eu vou entregar isso para o Ministério Público. Vou levar lá e vou falar: “Janot, está aqui, olha, isso aqui te incomodou? Um picareta de Manaus entrou com um processo pra você investigar as coisas que eu ganhei, então você toma conta”.

O delegado insistiu: — O senhor disse que no sítio (de Atibaia-SP) foi colocada parte dos bens que foram retirados no fim do mandato…

— Eu falei tralhas, que eu nem sei o que é, mas é tralha — retrucou Lula.

— O senhor disse que tem coisa valiosa.

— Eu não sei onde está, mas tem muita coisa valiosa. Tem muita coisa valiosa…


MAPEAMENTO 


Parte do acervo mantido por Lula já foi mapeado pela polícia. Duas semanas atrás, o juiz Sérgio Moro autorizou uma comissão governamental a catalogar as peças encontradas num cofre do Banco do Brasil, em São Paulo.

O roteiro escrito no Planalto prevê que até janeiro se conclua a “minuciosa identificação dos bens” no cofre do banco. Idêntico procedimento seria adotado sobre o acervo mantido pela ex-presidente Dilma.

Permanecem desaparecidas outras 3.868 peças do patrimônio da Presidência. 

Ajudam a compor o retrato da resiliência de costumes arcaicos na política, cuja melhor síntese foi feita pelo Barão de Itararé, nos anos 40: 
“No Brasil, a vida pública é, muitas vezes, a continuação da privada”.

22 de outubro de 2016
José Casado
O Globo

QUINTA-COLUNA. OU, QUEM PROTEGE OS BANDIDOS?

Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH


Importado da Guerra Civil Espanhola e largamente usado durante a Segunda Guerra Mundial, o termo quinta-coluna designa quem, no desenrolar de um conflito, serve à causa do inimigo nacional comum. Não é outra coisa a zelosa proteção de malfeitores conduzida por proselitismo ideológico, estratégia política e administração da justiça. Assumida com motivações de esfumaçada nobreza, implica ações e omissões que colidem com a segurança e a defesa da sociedade, com elevados atributos do bem comum e com finalidades essenciais ao Estado.

Num tempo em que nossas sirenes mentais disparam ao colocarmos o pé na soleira da porta, ou pararmos num semáforo, ou escrutinarmos cada passageiro que embarca no coletivo em que nos aventuramos, a palavra paranoia tende a cair do vocabulário, substituída por duro e puro realismo. Há uma guerra declarada pelo crime contra a sociedade. E nós não somos militares ou policiais. Somos os desarmados objetivos de forças inimigas, que evitam se confrontar com o Estado pois este tem armas e tropas, reduzidas, mas treinadas. É conosco, é contra os civis, que tal guerra foi estabelecida.

COLABORACIONISTAS – Por isso, decidi alinhar nesta coluna, para adequada identificação, diversas posições e atitudes de colaboração com as forças inimigas. Podem, por isso, ser qualificadas como quinta-colunas. Você verá, leitor, sem surpresa alguma, que todas essas atitudes procedem do mesmo arraial ideológico onde se articulam ações revolucionárias.

São protetores de bandidos os adversários à posse e ao porte de armas. Eu mesmo me alinhei entre estes, até aprender de minhas sirenes mentais o quanto a prudente prevenção serve à nossa segurança e à de nossos familiares. Uma população civil desarmada vira pombinha branca para as armadilhas do banditismo, tão alva e tão ingênua quanto as dessas revoadas lançadas por manifestantes em favor de uma paz unilateralmente declarada. É bem assim que as forças inimigas querem ser recebidas. Elas desejam ser, sempre, o único lado com o dedo no gatilho.

São protetores de bandidos todos os que emitem a cantilena do “só isso não resolve” ante qualquer demanda racional por rigor contra o crime, a saber, entre outras: mais presídios, penas de reclusão mais longas, severas exigências para a progressão de regime e uso mais intenso do Regime Disciplinar Diferenciado nas execuções penais.

“PRESOS EM EXCESSO” – São protetores de bandidos os que proclamam, como se argumento fosse, o fato de já termos “presos em excesso”. E tudo se passa como se miragens e alucinações, não bandidos reais, andassem por aí todo ano, armas na mão, matando 60 mil brasileiros, roubando meio milhão de carros, praticando número muito maior de furtos diversos não notificados e algo como 520 mil estupros (estimativa feita pelo IPEA, levando em conta a subnotificação, a partir de 41 mil ocorrências registradas).

São protetores de bandidos os políticos, formadores de opinião, juristas e ideólogos cujas vozes, em pleno estado de guerra, mas longe do tiroteio cotidiano, só se fazem ouvir para recriminar ações policiais, promovendo a associação ideológica dessas corporações à repressão, autoritarismo, brutalidade, ditaduras e assemelhados. São protetores de bandidos os militantes de ideologias instalados nas carreiras jurídicas e ganhando acesso aos parlamentos. Para estes, os criminosos são agentes ativos da revolução social com que sonham sem terem a coragem de acionar com mão e gatilho próprios.

PLANTIO DIRETO – São defensores de bandidos todos que espalham as sementes do mal por plantio direto, lançando-as ao léu, com a afirmação de que os criminosos são seres humanos esplêndidos aos quais foi negada a realização de sua bondade natural por essa sociedade perversa (eu, você que me lê e os executados de ontem em atos de extrema frialdade).

Veem-nos – a nós, nunca a si próprios – como potenciais cenas do crime, corpos de delito com culpabilidade constatada e contas a ajustar.



22 de outubro de 2016
Percival Puggina

DOCUMENTO MOSTRA QUE GLEISI PEDIU VARREDURA CONTRA ESCUTAS UMA SEMANA APÓS PRISÃO DO MARIDO


Solicitação foi feita a Renan Calheiros. A Polícia Federal considera o procedimento ilegal. 


Paulo Bernardo foi preso em 23 de junho de 2016 pela operação Lava Jato. Murilo Salviano, da GloboNews, conseguiu uma cópia de um documento com assinatura de Gleisi Hoffmann. Nele, a senadora solicita a Renan Calheiros que seja feita uma varredura eletrônica na residência dela, em Curitiba. A data? Apenas seis dias após a o marido dela ter sido detido. Vale destaque o carimbo “confidencial” na solicitação.

Neste 21 de outubro, a Operação Métis prendeu quatro integrantes da Polícia do Senado que, em benefício de quatro senadores ou ex-senadores – Gleisi Hoffmann, Fernando Collor, Edison Lobão e José Sarney – estariam obstruindo os trabalhos da Justiça ao desativar as escutas da Polícia Federal. Um delator entregou todo o esquema.

https://twitter.com/murilosalviano/status/789504903454621696/photo/1

Gleisi diz que o procedimento é legal e feito há anos pela casa. A coincidência das datas conta contra ela. E o carimbo exigindo segredo da medida também.

Resta saber se a Justiça concordará com ela.



22 de outubro de 2016
implicante

LAVA JATO: CASOS LULA, COLLOR, CUNHA E PALOCCI SUPERAM MEIO BILHÃO DE REAIS EM BLOQUEIOS

Este volume de dinheiro foi pedido pelo Ministério Público como ressarcimento aos cofres públicos


Na denúncia que atinge Fernando Collor de Mello, a Lava Jato quer que sejam devolvidos R$ 154,75 milhões por reparação de danos materiais e morais, além de R$ 30,9 milhões decorrentes de lavagem de dinheiro. No caso envolvendo Eduardo Cunha, Sérgio Moro pediu o bloqueio de R$ 220,6 milhões, além de outros R$ 17,8 milhões da esposa dele. No que atinge Atonio Palocci, o bloqueio foi de R$ 128 milhões.

Perto deles, o caso que atinge Lula, Marisa Letícia e outros seis investigado soa até modetos, pois o bloqueio ficou em “apenas” R$ 87 milhões. E isso deve ser explorado pelo petista para provar que não fazia sentido apontá-lo como topo da organização.

Agora é pegar a calculadora e somar: apenas estes quatro senhores estariam à frente de prejuízos que somaram R$ 639,05 milhões.

É muita coisa para explicar à Justiça. Que expliquem.


22 de outubro de 2016
implicante

RENAN CALHEIROS ESTARIA SABENDO QUE A POLÍCIA DO SENADO DESATIVAVA ESCUTAS DA LAVA JATO




Pelo menos quatro senadores investigados pela operação tiveram as escutas desativadas

A operação Métis permitiu que a Polícia Federal entrasse nas dependências do Senado para prender quatro integrantes da Polícia do Senado. Eles teriam desativado escutas de pelo menos quatro senadores alvos da Lava Jato.

Segundo a Coluna Esplanada, o “comando do Senado sabia dessas operações externas da DEPOL“. Quem é o comando do Senado? Renan Calheiros.

A briga promete ser boa. Porque, também segundo a Esplanada, “o regimento do Senado Federal autoriza a DEPOL a fazer varreduras antigrampo nas dependências do Congresso e afins – o que inclui as residências dos parlamentares“. Ao mesmo tempo, fica a questão da legalidade das escutas nos apartamentos dos senadores, uma vez que possuem o maldito foro privilegiado.

As cenas dos próximos capítulos serão animadas.


22 de outubro de 2016
implicante

A POLÍCIA DO SENADO TERIA SABOTADO AS INVESTIGAÇÕES CONTRA GLEISI, COLLOR, SARNEY E EDISON LOBÃO

Quatro integrantes da polícia legislativa foram delatados ao Ministério Público Federal


A imprensa finalmente descobriu o nome dos parlamentares (e ex-parlamentar) que teriam se beneficiado da sabotagem promovida pela Polícia do Senado contra a operação Lava Jato. Seriam eles: Gleisi Hoffmann, Fernando Collor de Mello, Edison Lobão e José Sarney. 

Quatro integrantes da polícia legislativas foram detidos após delação premiada acordada com o Ministério Público. E podem receber penas que somam até 15 anos de cadeia.

Os detidos foram usados para varrer escutas nos apartamentos funcionais ou mesmo residências fixas dos parlamentares e ex-parlamentares. 
Todos eles são investigados pela Lava Jato. Eles chegaram a se deslocar para o Maranhão e o Paraná para cumprir a missão. Tudo custeado pelos impostos recolhidos do povo brasileiro.

A senadora Gleisi Hoffmann emitiu nota confirmando que solicitou a varredura em seus endereços. E alega que tudo não passou de um procedimento formal sem a intenção de obstruir a Justiça.

Fica a palavra da petista contra a da Lava Jato.


22 de outubro de 2016
implicante

COMO EDUARDO CUNHA COMEÇOU NA POLÍTICA? IMPEDINDO SILVIO SANTOS DE SER PRESIDENTE O BRASIL

Sim, Silvio Santos, ele mesmo.


Hoje, todo mundo já sabe que Eduardo Cunha ingressou na política quando foi indicado por PC Farias para a presidência da Telerj, a estatal telefônica do Rio de Janeiro. Mas poucos se perguntam o motivo da indicação.

Um perfil do ex-deputado federal feito pela Folha de S.Paulo ainda em 2014 relembra o caso. A indicação nasceu do bom trabalho prestado por Cunha à campanha que levou Fernando Collor de Mello a presidir o Brasil, em 1989. Certo… Mas o que chamou atenção de PC Farias?

A votação ocorreria no feriado de 15 de novembro de 1989. Dias antes, Silvio Santos resolveu entrar na disputa como candidato do minúsculo PMB. A coisa foi tão em cima da hora que o apresentador do SBT não apareceria nas cédulas de votação, que já estavam impressas, mas sob o nome de Armando Corrêa, candidato substituído pelo empresário. Breves pesquisas mostravam um grande interesse do eleitor e analistas davam como certa a presença dele num segundo turno ainda indefinido.

Isso, claro, causou um alvoroço enorme no comitê de campanha de Collor. Mas a reação foi avassaladora. A candidatura de Sílvio Santos foi impugnada nas vésperas da votação. E o PMB findou extinto. Sim, extinto. Motivo: foram encontradas irregularidades no registro que criara o partido. O detalhe técnico explorado mostrava que as convenções, que deveriam ter sido realizadas em 9 estados, ocorreram em apenas 5 deles.

O nome do funcionário da campanha de Collor que apontou o caminho para a impugnação? Eduardo Cunha.

Sim. Cunha não só ajudou Collor a se tornar presidente, ou mesmo a derrubar Dilma Rousseff. Ele impediu que Silvio Santos se tornasse o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura.


22 de outubro de 2016
implicante

DELATOR DIZ QUE RENAN E JADER USAVAM SENHORA DE 64 ANOS PARA RECEBER MILHÕES EM PROPINA

Com o ex-presidente da Câmara preso, a Lava Jato parece finalmente se voltar à cúpula do Senado


Com o ex-presidente da Câmara na cadeia, o foco da Lava Jato parece finalmente se voltar ao Senado. E esse 21 de outubro pode ter sido um dos piores dias na já atribulada carreira política de Renan Calheiros. Porque a casa presidida por ele amanheceu com a prisão de quatro integrantes da polícia legislativa comandada por ele. E porque, ao final do dia, a Época trouxe detalhes de uma delação que o atinge em cheio.

Felipe Parente é o autor da denúncia. A revista o descreve como “o homem da mala do PMDB“. 
Ele alega ter tido mais ou menos 15 encontros com Iara Jonas, uma senhora de 64 anos, funcionária do gabinete de Jader Barbalho no Senado. 
Mas, segundo o delator, ela também recebia propina direcionada a Renan.

A grana saía de três empresas: Queiroz Galvão, UTC e Teekay Norway. Entre 2004 e 2006, os repasses somariam R$ 5,5 milhões – ou R$ 11 milhões em valores atualizados.

22 de outubro de 2016
implicante

EXTINGUIR A REELEIÇÃO COM PRORROGAÇÃO É OBSCENIDADE

Charge do Cláudio, reprodução do UOL

Extinguir o princípio constitucional da reeleição parece tendência majoritária no Congresso, no meio da reforma política, mas um obstáculo de razoáveis proporções ameaça deixar tudo como está. Não podendo prefeitos, governadores e presidentes da República permanecer dois mandatos no poder, ou seja, quatro mais quatro anos, muita gente acha que seria natural a fixação de seus períodos de governo em cinco anos.

Por esperteza ou pela lei das compensações, mas em nome da coincidência das eleições, deputados reivindicam a mesma extensão, sendo que por analogia aos senadores caberiam mandatos de dez anos.

Aqui as coisas passam a cheirar mal. Mesmo havendo equidade, não haverá quem deixe de estranhar a prorrogação de mandatos. Assim, logo surgirão propostas para os mandatos legislativos permanecerem como se encontram, aumentados apenas os executivos, indo para o espaço a coincidência de mandatos. Claro que as opiniões vão divergir, sobrevindo então a fórmula bem brasileira: deixar tudo como está, inclusive a reeleição…

REELEIÇÃO GARANTIDA – Não tem limite o mal feito às nossas instituições pela permissibilidade de um mandatário poder disputar um segundo período ainda no exercício do primeiro, sem precisar desincompatibilizar-se. É preciso ser muito incompetente para perder uma eleição assim, quando o cidadão dispõe da caneta e do diário oficial, além de diversas mordomias. Tem acontecido, registrado-se que nem Dilma Rousseff perdeu a reeleição.

Tamanha aberração foi instituída por Fernando Henrique, acusado de haver comprado votos no Legislativo em pleno primeiro mandato. Não perdeu o segundo, assim como o Lula e a já referida Dilma.

Numa projeção ainda indefinida, fica obvio que Michel Temer também não perderia, mesmo por enquanto valendo seu juramento de que não concorrerá. Esse talvez seja o maior argumento para o fim da reeleição, não obstante a obscena prorrogação já engendrada.



22 de outubro de 2016
Carlos Chagas

INVESTIGAÇÕES FEITAS SOBRE EDUARDO CUNHA REVELAM CRIMES EM SÉRIES

Charge do Kacio (kacio.art.br)


O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi preso em processo que investiga corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em fatos relacionados à aquisição de um campo exploratório de petróleo em Benin, na África. Além dessa ação, o ex-deputado é alvo de outros processos e inquéritos.

O peemedebista teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados no dia 12 de setembro deste ano e, com isso, perdeu direito ao foro privilegiado. Consequentemente, as ações que tramitavam no STF envolvendo Cunha estão sendo encaminhadas para a Justiça Federal.

Os processos que investigam o ex-deputado na Operação Lava Jato já estão sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e também no Tribunal Regional Federal, da 2ª Região, no Rio de Janeiro.

1) NAVIOS-SONDA – Na ação em que Cunha virou réu pela primeira vez na Lava Jato, ele foi acusado de receber ao menos US$ 5 milhões em propinas na contratação de dois navios-sonda pela Petrobras.

A denúncia pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi acolhida por unanimidade pelo Supremo em março deste ano. Depois que o ex-deputado teve seu mandato cassado, a ação foi transferida para o Tribunal Regional Federal, da 2ª Região, sediado no Rio de Janeiro.

O processo foi enviado para o Rio – e não para Sérgio Moro – porque, na mesma ação, a ex-deputada e prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Almeida (PMDB-RJ), foi acusada de ter atuado em conjunto com Cunha para achacar uma empresa que não estava pagando propina ao parlamentar. A prefeita tem foro privilegiado no Rio de Janeiro, portanto a ação foi deslocada para aquela região.

Segundo a PGR, os contratos para a compra dos navios foram firmados entre 2006 e 2007, sem processo de licitação. O negócio foi feito pela Diretoria Internacional da estatal, então sob comando de Nestor Cerveró.

2) CAMPO PETROLÍFERO NO BENIM – Em junho, Cunha virou réu pela segunda vez na Lava Jato sob a denúncia de que teria recebido 1,3 milhão de francos suíços, o correspondente a R$ 5,2 milhões de reais, oriundos de propina na compra, pela Petrobras, de um campo petrolífero no Benim (África), em 2011. O negócio teria sido intermediado pela Diretoria Internacional da estatal.

Foi por essa ação que o ex-parlamentar foi preso preventivamente nesta quarta-feira (19). Segundo as investigações, os recursos foram mantidos de forma oculta em contas bancárias em nome de Cunha na Suíça.

Parte do dinheiro também teria sido repassado para contas no exterior da esposa do peemedebista, Cláudia Cruz. As contas dela também são alvo de outra ação na Justiça.

Além disso, uma das filhas do casal, Danielle Dytz, também está na mira da Operação Lava Jato. Ela e a mãe teriam movimentado mais de um milhão de dólares, oriundos dos crimes praticados por Cunha, em compras no exterior.

3) PORTO MARAVILHA NO RIO – Denúncia protocolada pela PGR no STF acusa Cunha de cobrar propinas para favorecer empresas ligadas às obras viárias do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (RJ), e de lavagem de dinheiro. A suspeita é que ele teria faturado R$ 52 milhões com os desvios.

De acordo com as investigações, Cunha teria solicitado e recebido a propina de um consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia em troca de liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS na Caixa Econômica Federal.

O próprio ex-presidente da Caixa Fábio Cleto confirmou a existência dos pagamentos de propina para a obra do Porto. Vale lembrar que Cleto foi indicado ao cargo pelo peemedebista.

4) DESVIOS NA CAIXA ECONÔMICA – Outro inquérito instaurado pelo STF contra o deputado cassado apura crimes envolvendo desvios de fundos de investimentos administrados pela Caixa Econômica Federal.

A denúncia oferecida pela PGR envolve também a participação do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e outros dois aliados, o corretor Lúcio Bolonha Funaro e seu assessor, Alexandre Margotto. A investigação corre em segredo de justiça.

5) EXTORSÃO DE ADVERSÁRIOS – Cunha também é investigado em um inquérito que apura um suposto esquema de extorsão de adversários do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, apontado como o operador de propinas de Cunha.

6) EMENDAS PARA FAVORECER BANCOS – O ex-deputado federal ainda é alvo de investigação de supostos crimes de corrupção passiva para favorecer bancos e instituições financeiras por meio de emendas parlamentares.

Um bilhete encontrado na casa do chefe de gabinete do senador Delcídio de Amaral (PT-MS) teria apontado, nas investigações, um esquema de atuação no Congresso para mudar ou criar leis com o objetivo de favorecer bancos em liquidação judicial.

Segundo a apuração, Cunha teria participação direta nesse esquema. Entre os bancos favorecidos, estaria o BTG Factual, do banqueiro André Esteves.

7) CORRUPÇÃO EM CONTRATOS DE FURNAS – Por um pedido da PGR, foi aberto um inquérito contra o ex-presidente da Câmara para apurar supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos da estatal de energia Furnas.

O pedido foi feito a partir de acusação feita na declaração premiada do senador Delcídio de Amaral no âmbito da Lava Jato. Segundo Delcídio, Cunha teria se beneficiado de um esquema de propinas de Furnas, estatal em que o peemedebista exercia influência em uma de suas diretorias. Ele também afirmou que o esquema foi o início do conflito entre a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o peemedebista.



22 de outubro de 2016
Bárbara Ferreira Santos e Valéria Bretas

CUNHA INDICOU A TEMER O MINISTRO QUE COMANDA A PASTA MAIS CORRUPTA DO GOVERNO

Maurício Quintella votou contra a cassação de Cunha

Ao pedir a prisão preventiva do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba reiterou todos os argumentos já apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, perante o Supremo Tribunal Federal (STF), e acrescentou que, mesmo após ter seu mandato cassado em setembro, o peemedebista “ainda mantém influência nos seus correligionários, tendo participado de indicações de cargos políticos do Governo Temer”.

MINISTRO QUINTELLA – Treze procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba subscrevem o requerimento de prisão de Eduardo Cunha. Os investigadores citam, como exemplo, a nomeação do deputado líder do PR Maurício Quintella, aliado de Cunha, para o Ministério dos Transportes no governo Temer. Na época em que ocupava o cargo de deputado, Quintella votou contra a cassação de Cunha no Conselho de Ética.

“Não há que se falar que seu afastamento do cargo de deputado federal seja suficiente para inibir as atividades obstrutivas do representando, pois mesmo afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha ainda mantém influência nos seus correligionários, tendo participado de indicações de cargos políticos do Governo Temer”, diz o pedido de prisão acatado pelo juiz Sergio Moro.

EM 44 PÁGINAS – Além da nomeação de Quintella, os procuradores da Lava Jato listam em 44 páginas do pedido de prisão e de buscas na residência de Cunha todos as investigações e suspeitas já levantadas contra o peemedebista e seus familiares, incluindo as três denúncias já apresentadas e os sete inquéritos abertos contra ele no Supremo Tribunal Federal como desdobramento da Lava Jato.

Esses inquéritos apuram desde propinas milionárias que Eduardo Cunha teria recebido na Petrobras, na Caixa e em Furnas, como também sua atuação na Câmara junto ao lobista Lúcio Bolonha Funaro para achacar empresas e inimigos políticos.

“Há elementos que apontam que durante todo o seu período de vida pública Eduardo Cosentino da Cunha utilizou-se do cargo para obter vantagens indevidas com a finalidade de possibilitar uma vida de gastos vultuosos para o deputado federal e para a sua família”, segue o pedido de prisão apontando ainda que, durante todo o período em que foi investigado, o peemedebista “não poupou esforços para embaraçar as investigações”.

PARLAMENTARES LARANJAS – “Não suficiente, demonstrou que atuava de forma dissimulada, utilizando de parlamentares laranjas para tomar medidas que visavam o favorecimento pessoal do ex-presidente da Câmara dos Deputados, que sempre apresentavam falsas justificativas de um pretenso interesse público para legitimar os atos de obstrução”, assinalam os procuradores da República.

“Todo esse conjunto de fatos demonstram que estão presentes os fundamentos da prisão preventiva para a conveniência da instrução processual”, cravam os procuradores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quintella, afilhado de Cunha, comanda o ministério mais tradicionalmente corrupto do país, que inclui o DNIT, que antigamente respondia pela sigla DNER, paraíso dos empreiteiros. O Departamento mudou de nome, mas a corrupção continua a mesma. (C.N.)



22 de outubro de 2016
Deu em O Tempo
(Agência Estado)

CUNHA ESPERAVA SER PRESO E REUNIU UM ARSENAL CONTRA POLÍTICOS E PARTIDOS

Antes de ser preso, Cunha fez uma advertência aos ex-amigos


Não foi exatamente uma surpresa. Eduardo Cunha (PMDB) já havia conversado com pessoas próximas sobre a expectativa de ser preso. Viveu o auge dessa tensão nos dias que sucederam sua renúncia à presidência da Câmara, em julho, e, com ainda mais intensidade, depois de ter o mandato cassado pelos colegas, em setembro. Sabia que estava vulnerável. Entre a sombra da prisão e o isolamento político, dedicou todo o seu tempo a duas tarefas: sua defesa na Justiça e o livro que prepara sobre o impeachment de Dilma Rousseff e a crise política.

A obra é vista como uma espécie de “delação informal”. Nela, Cunha será autor e protagonista. Vinha escrevendo “enlouquecidamente”, segundo aliados.

Em recente conversa com a Folha, Cunha disse que tinha mais de cem páginas prontas. Buscava um profissional para auxiliá-lo a formatar o texto e deixá-lo de modo publicável.

DOAÇÕES AO PMDB – Para colocar suas “memórias” no papel, levantou agendas antigas de compromissos públicos e privados. Há meses vinha também esquadrinhando todas as doações que capitaneou para o PMDB, um levantamento que delegou ao corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, que acabou preso em julho. Antes, porém, Funaro relatou a aliados que havia juntado “quilos de papéis”.

Mas Cunha não se dedicou apenas às contas do PMDB, sigla para a qual atuou como um esmerado arrecadador. Ele também fez uma série de estudos sobre o caixa petista.

“O PT cobrava até comissão das doações. Repassava 95% [para os candidatos] e ficava com 5%. É só você olhar as entradas e saídas”, disse à Folha ainda em setembro.

Questionado se havia feito o estudo pessoalmente, respondeu: “Fiz”. E por que dedicava tempo a isso? “A gente tem sempre a curiosidade para ver o financiamento dos partidos. Montante e origem. É informação. Faço para os meus argumentos.”

POSSÍVEL DELAÇÃO – Todos os dados seriam usados no livro, ou, especulavam aliados, em uma possível delação premiada –hipótese que ganhou agora força.

Cunha foi informado de que era alvo de um pedido de prisão pouco antes das 13h desta quarta (19). Disse aos advogados que iria se entregar. De terno azul e gravata, preparava-se para ir à sede da Polícia Federal em Brasília. Não deu tempo. Os agentes já estavam na garagem de seu prédio quando decidiu sair.

O peemedebista tratou dos direitos da publicação de sua obra com três editoras: Planeta, Matrix e Geração. Manifestou certa insatisfação com as propostas financeiras que recebeu. Pensava em bater o martelo esta semana. Pode não ter dado tempo.

ATÉ TEMER – Para a obra, além da papelada, rememorou conversas privadas e diálogos com diversos colegas de parlamento, ministros, ex-ministros, a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer.

Decidiu, porém, expor alguns de seus alvos antes mesmo de fechar o roteiro. Um dia depois de ser cassado, foi questionado por um de seus últimos aliados “por onde começaria”. “Moreira Franco e Rodrigo Maia.”

Semana passada, em reunião com uma das editoras, Cunha se negou a antecipar detalhes da obra, o que causou preocupação. Decidiu ser direto: disse que tudo o que colocaria no papel poderia comprovar. Com documentos, ou gravações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Antes de ser preso, Cunha foi bastante claro sobre suas intenções. “Não vou sozinho. Vou carregar muita gente comigo”, disse ele, fazendo uma advertência a seus ex-amigos – os caciques do PMDB e de outros partidos. Mas ninguém podia ajudá-lo, porque o destino de Cunha já estava nas mãos do juiz Sérgio Moro, não havia mais foro privilegiado nem a lentidão prescricional do Supremo. (C.N.)



22 de outubro de 2016
Daniela Lima e Marina Dias
Folha

PERSONALIDADE "INCONTROLÁVEL" DE CUNHA PROVOCA PÂNICO NO PLANALTO




Oficialmente, nada a comentar. Reservadamente, muita apreensão e dúvidas sobre os próximos capítulos da novela da prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pela Operação Lava Jato. Tão logo foi divulgada a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados e, até pouco tempo, um dos principais aliados do presidente Michel Temer, a ordem dentro do Palácio do Planalto foi não fazer comentários públicos sobre o episódio.

Internamente, porém, assessores presidenciais admitiam que a prisão de Eduardo Cunha gera um clima de incerteza porque ele é considerado um político “incontrolável” e sempre se mostrou disposto a qualquer coisa para tentar salvar a própria pele.

Nos últimos dias, Cunha já vinha, lembram interlocutores de Michel Temer, enviando recados para o governo atirando em Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias do Investimento e um dos mais próximos amigos do presidente.

ANTES DA PRISÃO – O deputado cassado fazia isso quando ainda não acreditava que seria alvo de uma autorização de prisão do juiz Sergio Moro. Agora, preso, o temor do Palácio do Planalto é que ele seja estimulado a avançar nas acusações contra Moreira Franco.

Eduardo Cunha chegou a dizer que, caso investigações avançassem sobre a atuação de Moreira Franco quando foi vice-presidente da Caixa, seria muito difícil a permanência dele no governo. O amigo-ministro de Temer nega as acusações e diz que elas não têm nenhum fundo de verdade.

O problema, reconhecem governistas, é que se Eduardo Cunha resolver abrir sua caixa preta, ele vai envolver outros nomes do PMDB e ligados ao presidente. Podendo revelar, inclusive, episódios relacionados a Temer, já que os dois eram muito próximos até pouco tempo. Só se distanciaram depois que o peemedebista assumiu interinamente a Presidência da República e Cunha foi, primeiro, afastado do comando da Câmara e, depois, cassado pelos colegas.

DELAÇÃO PREMIADA – O Planalto reconhece, porém, que a prisão pode levar o ex-deputado a optar por uma delação premiada para tentar reduzir o período que deve passar na prisão por causa das contas secretas na Suíça e acusações de usar votações na Câmara para obter contribuições financeiras.

Além do receio de que uma eventual delação atinja nomes próximos a Temer, inclusive o próprio presidente, governistas temem que ela acabe prejudicando as votações de interesse do Planalto na Câmara dos Deputados.

Em resumo, como admitiu um assessor presidencial, o jogo só começou e quem vai ditar os próximos passos será Eduardo Cunha, um político visto como imprevisível e ousado, que terá de lutar por sua liberdade e, principalmente, evitar que sua família acabe tendo o mesmo destino: seja alvo de um pedido de prisão da Lava Jato.

Aí, dizem amigos de Cunha, ela será capaz de qualquer coisa. A dúvida é se ele realmente tem munição suficiente para negociar uma delação. Um deputado governista lembrava nesta quarta-feira (19) que o ex-presidente da Câmara tentou intimidar muitos aliados para evitar sua cassação. O placar final mostrou que não teve sucesso, apenas 61 deputados, incluindo ausentes, ficaram do seu lado na hora final.



22 de outubro de 2016
Valdo Cruz
Folha

NO DESESPERO, NÚCLEO DURO DO GOVERNO PROÍBE DECLARAÇÕES SOBRE CUNHA

Charge do Ricardo Tigre (Arquivo Google)



A prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) causou apreensão entre auxiliares e assessores do Palácio do Planalto, para os quais o episódio aumenta o risco do peemedebista fazer um acordo de delação premiada para deixar a cadeia. Com a preocupação de uma retaliação de Cunha, a ordem no Palácio do Planalto é para que ministros evitem fazer comentários ou declarações públicas sobre a prisão do peemedebista.


A avaliação no governo federal, antes da prisão realizada nesta quarta-feira (19), era que a chance de um acordo com o Ministério Público e a Justiça Federal era pequena. Com o despacho do juiz Sergio Moro, contudo, o diagnóstico é que o quadro mudou e a possibilidade tornou-se real.

PROXIMIDADE – O entorno de Michel Temer não acredita que o peemedebista tenha elementos para comprometer o presidente em uma eventual delação premiada, mas demonstra receio com a relação de proximidade do ex-presidente da Câmara dos Deputados com o núcleo duro do Palácio do Planalto.

Nas palavras de um auxiliar presidencial, o que preocupa é o fato de “Eduardo Cunha ser incontrolável” e ter feito críticas públicas nas últimas semanas ao secretário-executivo Moreira Franco, um dos aliados mais próximos de Temer. A avaliação é que, caso Cunha aceite fazer a delação premiada, Moreira deve ser o primeiro alvo do peemedebista. Em conversas reservadas, quando anunciou a intenção de escrever um livro, Cunha já havia antecipado que revelaria informações envolvendo o secretário-executivo.

ALIADOS TEMEM… – A avaliação do aumento do risco de um acordo de delação premiada também é compartilhada por deputados federais aliados do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Segundo eles, Cunha foi pego de surpresa com a prisão. Em conversas por telefone, ele achava que ela demoraria mais tempo, uma vez que ele foi notificado para apresentar sua defesa na semana passada.

A prisão e a busca foram autorizadas pelo juiz federal Sergio Moro nesta terça-feira (18), que passou a tratar do caso do ex-parlamentar depois que ele perdeu o foro privilegiado com a cassação de seu mandato. Moro pediu a prisão do ex-deputado afirmando que sua liberdade representava risco “à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro)”, afirma em nota a Justiça Federal do Paraná.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No Planalto, o primeiro-ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o assessor de imprensa Márcio Freitas Gomes tentam passar impressão de que não acreditam que o peemedebista tenha elementos para comprometer o presidente em uma eventual delação premiada, mas o clima é justamente o contrário. Cunha detém informações capazes de destruir o chamado núcleo duro do governo e o próprio presidente Temer. O Planalto entrou em situação de pânico, esta é a realidade, daqui a pouco voltaremos ao assunto.(C.N.)



22 de outubro de 2016
Gustavo Uribe, Débora Álvares e Valdo Cruz
Folha

CASO DECIDA PARTIR PARA A DELAÇÃO, CUNHA PODE DE FATO ABALAR O NOVO GOVERNO

Charge do Nani (nanihumor.com)

A prisão preventiva de Eduardo Cunha, efetivada nesta quarta-feira num prazo vertiginoso desde que o caso do deputado cassado chegou às mãos do juiz Sérgio Moro é um revés para o governo Michel Temer, pelo potencial estrago que uma eventual delação do ex-todo poderoso presidente da Câmara pode causar no coração do PMDB.

É, ao mesmo tempo, um cala-boca definitivo nas teorias conspiratórias difundidas pelo PT de que a Lava Jato estaria empreendendo uma “caçada” ao ex-presidente Lula, cujo objetivo final seria exterminar o projeto político petista. Se assim fosse, como explicar que o inimigo número um do petismo tenha sido colhido pela Lava Jato antes de Lula? Ou bem Moro age de acordo com as leis para prender Cunha — e então o mesmo valerá para as medidas relativas a Lula –ou é arbitrário em ambas.

OPERAÇÃO ABAFA – Justamente por colocar o governo ainda mais na mira, a queda de Cunha deve acelerar as tratativas pluripartidárias que já estão em curso para tentar conter a Lava Jato, como um projeto do senador Romero Jucá que endurece as punições e muda os conceitos de abuso de autoridade.

Cunha foi, por muito tempo, uma espécie de caixa único do PMDB, responsável por arrecadar recursos com empresas e repassá-los a candidatos do partido país afora.

Esse “serviço” ajudou a galvanizar sua enorme influência no partido e junto a grupos empresariais poderosos, cujos interesses ajudava a encaminhar na Câmara.

Caso decida partir para a delação, agora que está preso sem perspectiva de sair, Cunha pode de fato abalar o novo regime.



22 de outubro de 2016
Vera Magalhães
Estadão