"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CORRUPÇÃO E PROTESTOS: CUIDADO COM AS BOAS INTENÇÕES


POR QUE A ODEBRECHT TENTA ENGANAR TODO MUNDO AGORA DIZENDO QUE "ERROU"? ESTE SITE EXPLICA.



Ai, ai…

Sempre é bom coletar evidências de nossas teses.

Este blog sempre afirmou que a direita brasileira possui dois flagelos: (1) a negação da política, (2) a fé cega na crença. A partir da fé cega na crença, o indivíduo começa a dizer que seu adversário socialista “errou” quando na verdade… ele acertou. O problema é que o acerto dele – mesmo que seja totalmente imoral – não é percebido. A partir daí, a conversa geralmente vira papo de maluco.

Por exemplo, quando alguém vende um bilhete premiado falso da loteria e engana sua vítima, isso não significa que o fraudador “errou no projeto de transformar o comprador num milionário”, mas acertou taticamente em sua intenção imoral de surrupiar o dinheiro de seu alvo. Quando um sujeito estupra mulher, ele não “errou no projeto de deixá-la com boas lembranças de uma sedução”, mas levou a cabo sua real intenção: praticar uma violência que traumatizaria sua vítima. Após a morte de Fidel Castro, sabemos que ele não “errou no projeto de criar uma sociedade próspera e sem classes”, mas acertou em sua intenção de criar um curral de gente para que ele pudesse se aproveitar do povo e viver como um nababo.

Sem a fé cega na crença, vemos as pessoas como elas são, ao invés de cairmos nas superfícies de discursos que normalmente nos levam à interpretação infantil dos fatos. Como diria Lênin, quem tem crença em discurso nem sequer participa de verdade da política.

Um dos fatores para compreender como podemos nos livrar da fé cega na crença é entender o que podemos chamar de segundo padrão do fraudador. É bem simples: todo fraudador possui dois modos de operação. No primeiro, ele aplica sua fraude. No segundo, após ser descoberto, ele tentará convencer o público de ter “errado”. E para que ele faz isso? É que ele compreende que as sanções morais e legais aplicadas a alguém que “errou” são muito menores do que aquelas aplicadas a quem tem dolo. Muito provavelmente por isso os socialistas tenham historicamente convencido algumas pessoas de direita a dizerem que eles “erraram” ou que “o socialismo errou”.

Mas não podemos cair no truque: não podemos ser vítimas de um fraudador, mas, quando ele é pego com a boca na botija, igualmente não podemos rotulá-lo de “enganado”. Precisamos apontar a fraude.

E eis que a Odebrecht estará publicando nesta sexta (2) um pedido de desculpas pelos atos de corrupção que praticou e que levaram a companhia a assinar o maior acordo de leniência já feito no mundo, no valor de R$ 6,7 bilhões. Levando em conta os juros que serão aplicados durante os 20 anos nos quais a multa foi parcelada, o desembolso vai superar R$ 8,5 bilhões.

O texto utiliza vários métodos de controle de frame, a começar pela substituição da palavra corrupção por “práticas impróprias”. Mas o frame mais importante (e desonesto) é a adoção do segundo padrão do fraudador. A nota tem o título: “Desculpe, a Odebrecht errou”.

Tem mais: “Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética. Não admitiremos que isso se repita”.

Claro que não foi erro. Assim como o socialismo não foi “um erro”. Acreditar que a Odebrecht “errou” é fé cega na crença, tanto quanto acreditar que “o socialismo fracassou”.

A Odebrecht sabia exatamente o que estava fazendo. Ela ganhou muita grana com a corrupção. Após ser pega e não ter mais escapatória, agora vem com a conversinha de “desculpe, erramos”, mas só poderíamos aceitar qualquer desculpa se eles não lançassem o segundo padrão do fraudador. Eles seriam honestos se dissessem algo do tipo: “Desculpe, nós aplicamos até o fim um padrão de corrupção, em alinhamento com um projeto totalitário de poder, que iria transformá-los em escravos. Vocês iriam ser condenados ao racionamento de alimentos, desemprego endêmico, destruição de sua liberdade e ao aprisionamento de divergentes. Tudo era parte do projetão. Não foi um erro. Tudo foi planejado. Se aconteceu um erro, ele foi apenas no nível tático, pois não conseguimos transformar vocês em gado dentro de um curral, como vivem os cubanos e venezuelanos. Agora pedimos desculpas, pois não faremos isso de novo, por que ficou mais difícil de fazer”.

Mas como tentaram enganar o povo com a narrativa farsesca dizendo “ah, eu errei”, eles não merecem perdão.

E que fique a lição: nunca, por hipótese alguma, chame seu oponente fraudador de “enganado” ou de alguém “que errou”. Isso é tudo que ele quer. Ele depende deste frame – quando é pego – para se sair bem.


02 de dezembro de 2016
in ceticismo político

O HUMOR DO SPONHOLZ...




CLIQUE PARA AUMENTAR

02 de dezembro de 2016

DARCY VERA, PREFEITA DE RIBEIRÃO PRETO, É PRESA NA OPERAÇÃO MAMÃE NOEL


. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
A prefeita Dárcy foi grampeada fazendo ameças a vereadores













A prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), foi presa nesta sexta-feira, 2, na Operação Mamãe Noel, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco). Segundo a PF, Dárcy foi presa a pedido da Procuradoria Geral do Estado. A nova operação apura crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, entre outros. O nome “Mamãe Noel”, é uma referência às evidências ainda de que a ex-advogada do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ribeirão Preto, Maria Zuely Librandi, repassou, entre 2013 e 2016, mais de R$ 5 milhões aos demais denunciados, em dinheiro e cheques, desviados da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.
O esquema de desvio no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais foi descoberto acidentalmente nas investigações da “Operação Sevandija” que envolveram interceptações telefônicas, análise de milhares de documentos e envolvia o pagamento de propina para a liberação de honorários advocatícios. Por conta do plano Collor, o Sindicato dos Servidores venceu uma ação de R$ 800 milhões contra o poder público.
PRISÃO E BLOQUEIO – A operação cumpriu mandados de prisão preventiva, de busca e apreensão e bloqueio de bens em três cidades do Estado de São Paulo, e é a segunda fase da “Operação Sevandija”, iniciada em 1º de setembro.
Ela estava em sua casa, no bairro Ribeirânea, quando foi surpreendida e levada para a delegacia da PF na cidade.
O pedido de prisão partiu da Procuradoria de Justiça do Estado e outros três investigados, ligados ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ribeirão, também devem ser presos. Todos devem responder a crimes como falsidade ideológica e corrupção.
A casa da prefeita e seu gabinete haviam sido alvo de busca e apreensão em outra fase da Sevandija, em setembro deste ano.
RECADO AMEAÇADOR – Grampo de Operação Sevandija, no início da investigação, pegou a prefeita de Ribeirão Preto mandando recado ameaçador a vereadores que não estariam apoiando sua gestão e seus projetos. O diálogo foi interceptado em 15 de junho.
A prefeita não esconde sua irritação com dois vereadores da base aliada, Jiló (PTB) e Maurílio Romano (PP). Ela queria a aprovação de um projeto para transferência de valores de um fundo municipal para os cofres do Tesouro.
“É fim. Chega. Vota contra. Pode votar contra. Fica a vontade. Mas tira todos os seus cargos do governo hoje. Cara, não votar algo? O cara tá cheio de gente no governo. Manda embora. Não é porque é meu genro, não. Tá asfaltando as ruas do Ipiranga (onde mora Jiló), eu vou mandar parar as ruas do Ipiranga. Quer medir força? Vamos medir. Maurílio diz que não tem um monte de interessado? Vou chamar ele prá ir na delegacia dar o nome dos interessados. Porque eu tenho a lista de todos os que você passou pela Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento. Você não brinca comigo, não, Maurílio. Eu não tenho medo de você.”
A prefeita sob suspeita da Sevandija prosseguiu. “Você enterra a minha carreira e eu enterro a sua. Eu tô com o saco cheio desse povo (vereadores). Eu não suporto mais. Eu cheguei no meu limite.”

02 de dezembro de 2016
Gustavo Porto e Rene Moreira
Estadão

ENTENDA COMO OS DEPUTADOS MUDARAM O PACOTE PARA CRIAR O PROJETO FRANKENSTEIN

Ilustração reproduzida do site Ideia Criativa

Na madrugada da votação do pacote anticorrupção na Câmara, PMDB, PT, PP, PR, PDT, PTB, PSC e PEN foram oficialmente contra o Ministério Público em todos os destaques importantes, que derrubaram ou alteraram vários pontos da proposta original. Na contramão, o PHS, que tem apenas sete deputados, foi o partido que mais ficou do lado do Ministério Público nas votações relevantes – ora a sigla liberou seus parlamentares e ora orientou pela manutenção do teor que chegou ao plenário da Câmara.

Originalmente levado ao Congresso pelo Ministério Público Federal na forma de um projeto de iniciativa popular que reuniu 2,4 milhões de assinaturas, o texto-base do pacote havia sido aprovado por quase unanimidade horas antes. Mas as modificações foram profundas na votação das emendas e destaques.

Comparado com as dez medidas sugeridas pelos procuradores, o texto que seguiu para o Senado manteve apenas o teor de uma delas – aumentar a pena mínima de corrupção para 4 anos e a pena máxima para 25 anos, segundo o valor do desvio de recursos. E aprovou também a limitação de recursos contra a sentença por corrupção, assim como a criminalização de caixa dois. Todas as demais propostas foram derrubadas.

PT E PP EM AÇÃO – As legendas que mais apresentaram destaques para derrubar ou modificar os textos originais (PT E PP) apresentaram três mudanças propostas por cada uma. Os pedidos do PT enterraram a possibilidade de dificultar a prescrição dos crimes, de regular acordos de leniência, de exigir que condenados por crimes contra a administração pública reparem danos causados antes de progredir de regime prisional ou receber indulto.

Já o bloco do PP (que inclui PTB e PSC) solicitou que fossem derrubadas as tentativas de acelerar processos civis relativos a corrupção, de confiscar o patrimônio sem origem lícita de um condenado e de permitir que juízes suspendam um diretório de partido.

ABUSO DE AUTORIDADE – Inclui possibilidade de juízes e membros do Ministério Público responderem por abuso de autoridade. Emenda apresentada por Weverton Rocha (PDT/MA), líder da bancada do PDT, Afonso Florence (PT/BA) e Jovair Arantes (PTB/GO). Apoiada por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSD, PSB, PRB, PDT, PTN, PT do B, PSL, SD, PC do B

PRESCRIÇÃO MANTIDA – Derruba a tentativa de tornar a prescrição dos crimes mais difícil. Emenda apresentada por Afonso Florence (PT/BA). Apoiada por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSB, PRB, PDT, SD, PC do B, PSOL.

DIREITO DOS ADVOGADOS – Estabelece que OAB pode pedir abertura de inquérito policial para apurar violação dos direitos de advogados. Emenda apresentada por Carlos Marun (PMDB/MS) e Baleia Rossi (PMDB/SP). Apoiada por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSD, PSB, DEM, PDT, PTN, PT do B, PSL, SD, PC do B.

DELATOR DO BEM – Retira a instituição do chamado “delator do bem”, que ganharia uma recompensa por denunciar crimes dos quais tenha conhecimento. Destaque apresentado pelo PSB. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PSDB, PR, PSD, PSB, DEM, PRB, PDT, SD, PC do B, PSOL, PV.

RECUPERAÇÃO DE DESVIOS – Rejeita instrumento para facilitar a retirada de bens adquiridos com a atividade criminosa. Destaque apresentado pelo PR. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSD, PSB, DEM, PDT, PTN PT do B, PSL, SD, PC do B, PSOL, PV.

REPARAR DANOS – Retira a exigência de que condenados por crimes contra a administração pública reparem danos causados antes de progredir de regime prisional ou receber indulto. Destaque apresentado pelo PT. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSD, PDT, SD, PC do B, PSOL.

CONFISCO ALARGADO – Derruba a iniciativa de criar o “confisco alargado”: tomar a diferença entre o patrimônio comprovadamente lícito e o patrimônio total de um condenado em definitivo. Destaque apresentado pelo PP. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSD, PDT, SD, PC do B, PSOL.

ACORDO PENAL – Retira a possibilidade de que Ministério Público e denunciado fechem acordo penal que prevê confissão e aplicação imediata de pena. Destaque apresentado pelo PSOL. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSB, PRB, PDT, SD, PC do B.

RETARDAR PROCESSOS – Rejeita a tentativa de acelerar o andamento dos processos civis relativos a corrupção. Destaque apresentado pelo PP. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PSDB, PR, DEM, PRB, PDT, SD, PC do B.

ACORDO DE LENIÊNCIA – Derruba a regulamentação de acordos de leniência, nos moldes da delação premiada. Destaque apresentado pelo PT. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PR, PSB, PRB, PDT, SD.

PENA AO PARTIDO – Derruba a possibilidade de juiz ou Tribunal Eleitoral determinar suspensão de diretório de partido por um ano. Destaque apresentado pelo PP. Apoiado por PP, PTB, PSC, PMDB, PEN, PT, PSDB, PR, PSD, PSB, DEM, PRB, PDT, PTN, PT do B, PSL, PC do B, PPS, PSOL.

###

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Nota-se que o PSDB, no estilo “Soninha Toda Pura”, não apoiou nenhuma modificação ao projeto original das 10 Medidas contra a Corrupção. Mas na hora de votar… E no Senado o PSDB participou diretamente da desesperada tentativa de votar o projeto Frankenstein em regime de “urgência urgentíssima”. Os tucanos ainda pensam que irão conseguir enganar eternamente a opinião pública. Quando sair o listão da Odebrecht, terão de rasgar as fantasias.(C.N.)



02 de dezembro de 2016
Paula Reverbel
Folha

EM RESPOSTAS A CRÍTICAS, O RELATOR ONIX LORENZONI CHAMA RENAN DE 'BANDIDOS'


Resultado de imagem para senado rejeita urgencia
Lorenzoni foi ao Senado para impedir a manobra de Renan











Em resposta às críticas feitas nesta quinta-feira pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), relator do pacote anticorrupção na Câmara, chamou o peemedebista de “bandido” e afirmou que ainda hoje vai oficializar um processo contra Calheiros, que o acusou de ter recebido dinheiro de caixa dois da indústria de armas.
“Bandido a gente enfrenta na delegacia e no tribunal. No caso dele, como tem foro privilegiado, vai ser no tribunal. Já assinei procuração e até o fim da tarde vou fazer uma interpelação judicial para que ele apresente provas da acusação que me fez. Ele, que já tem 12 ações no Supremo, talvez tenha a décima terceira” – afirmou o deputado, nesta quinta-feira.
Lorenzoni negou qualquer recebimento de dinheiro de caixa dois e disse ao GLOBO que nas últimas quatro eleições que concorreu abriu os sigilos fiscal e bancário às autoridades.
SIGILO ABERTO – “- As nossas biografias são autoexplicativas, é só comparar. Essa foi a quarta eleição em sequência que disputei com meu sigilo fiscal e bancário aberto para as autoridades. Faço isso na rotina, duvido que ele possa fazer” – alfinetou.
O deputado acredita ter despertado a ira do presidente do Senado nesta quarta-feira, quando Renan tentava votar a urgência do pacote anticorrupção para apreciar o mérito ainda ontem, o que foi derrotado pela maioria dos senadores. Lorenzoni foi ao plenário do Senado e conversou com vários senadores, na tentativa de dissuadi-los de aprovar a urgência. Segundo Lorenzoni, Renan queria fazer votação simbólica, mas a votação nominal inibiu os senadores.
“Ele deve ter me visto ontem, quando comecei a falar para os senadores meus amigos, Caiado, Randolfe, Ana Amelia, Ferraço, Lasier, e todos começaram a impedir que houvesse votação ontem simbolicamente, como ele queria, e na nominal ele perdeu. Talvez tenha ficado muito bravo porque viu que eu estava lá trabalhando para impedir que essa barbaridade acontecesse”, salientou.
CARTA NA MANGA – Para o deputado, Renan queria chegar ao dia do julgamento em que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma “carta na manga”, mas chegou “nu com a mão no bolso”.
Além de chamar Lorenzoni de Onyx “Lorenzetti”, ao dizer que ele tinha nome de marca de chuveiro, o presidente do Senado ironizou o fato de a Câmara não ter aprovado o chamado teste de integridade, afirmando que o deputado poderia ter se beneficiado do instrumento para dizer que nunca recebera dinheiro de caixa dois de empresas de armas, fortes no Rio Grande do Sul.
“Antes de encerrar, eu queria dizer apenas que não houve aqui agressão ao Relator da matéria na Câmara dos Deputados, ao Onyx Lorenzetti. Parece nome de chuveiro, mas não é nome de chuveiro” – disse Renan aos demais senadores.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A piada do chuveiro foi boa, mas Renan acabou levando uma ducha fria do deputado, que é um homem digno, defende suas ideias abertamente e está construindo uma biografia, enquanto o senador se ocupa em preencher uma extensa folha corrida. (C.N.)

02 de dezembro de 2016
Leticia Fernandes
O Globo

MARCELO ODEBRECHT DENUNCIA DILMA, QUE VAI CAIR NAS MÃOS DO JUIZ SÉRGIO MORO


Charge do Regis Soares, reprodução do Arquivo Google


Conforme se esperava, foi só Emílio e Marcelo Odebrecht assinarem os acordos de delação e leniência com a Procuradoria-Geral da República para começar o vazamento de informações sobre o teor dos depoimentos iniciais que os dois já prestaram à força-tarefa da Lava Jato. 

Em matéria divulgada na manhã desta sexta-feira pela Agência Estado, o empresário Marcelo Odebrecht, que presidia o grupo empresarial da empreiteira e se relacionava diretamente com a então presidente Dilma Rousseff, já prestou depoimento revelando que ela sabia do esquema de corrupção na Petrobras para distribuição de propinas à base aliada do governo, embora nunca tenha pedido recursos para ela mesma.

Marcelo Odebrecht livrou Dilma de participação em crime mais grave, porém a delação premiada do empresário comprova que ela cometeu crime de responsabilidade, pois se beneficiou diretamente do produto da corrupção, cujas propinas ajudaram a bancar sua campanha eleitoral e a manter a união da base parlamentar de seu governo.

PUNIÇÃO – Como presidente, Dilma estaria submetida ao art. 85 da Constituição, que, em seu inciso V, considera crime de responsabilidade “a improbidade na administração”. Que, na prática, é uma das definições da prevaricação.

Na prática, a chefe do governo cometeu crimes continuados de prevaricação, por permitir a instalação de um esquema criminoso na administração pública federal e terá de ser processada e levada a julgamento pela força-tarefa da Lava Jato.

Dilma já é investigada no Supremo por obstrução da Justiça no caso da tentativa de nomear Lula para a Casa Civil e também por haver tentado libertar Marcelo Odebrecht com apoio do ministro Marcelo Navarro Dantas, nomeado por ela para integrar o Superior Tribunal de Justiça. O inquérito corre no Supremo, porque o ministro Navarro Dantas tem foro especial.

NAS MÃOS DE MORO – No tocante à gravíssima acusação de Marcelo Odebrecht, a investigação sobre Dilma vai tramitar n Justiça Federal de 1ª instância, porque Dilma não tem mais foro privilegiado. Por ter cometido prevaricação, terá de ser investigada e julgada como cidadã comum na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, presidida pelo juiz Sérgio Moro.

E não adianta mais Dilma alegar que não participou de nada, jamais levou propina e nunca abriu conta no exterior. As provas estão se acumulando contra ela, porque Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, já havia declarado em depoimento que a então ministra da Casa Civil sabia de tudo sobre a negociata da Refinaria de Pasadena. Traduzindo: “Soninha toda pura”, criação de Ilclemar Nunes, nunca existiu no Planalto; quem andou por lá foi a “Bonitinha mas ordinária”, de Nelson Rodrigues.



02 de dezembro de 2016
Carlos Newton

"PEDIDO DE DESCULPAS" DA ODEBRECHT ESTÁ ENVOLTO NUMA DESFAÇATEZ INACEITÁVEL

Resultado de imagem para odebrecht pede desculpas

A nota de duas páginas “Desculpe, a Odebrecht errou”, que a empresa estampa hoje nos jornais, é uma lástima. A nota é dirigida a quem? A pergunta faz sentido, porque a nota não tem destinatário. E acima deste título está escrito “Expressão de Opinião”, o que estraga e desmerece ainda mais a nota. É mera “Expressão de Opinião”, e não um Ato de Contrição. E a primeira frase desta nota sem destinatário contém uma mentira que não tem mais tamanho. Uma mentira tão gigantesca quanto o tamanho da empresa e o estrago que ela cometeu por causa da corrupção.
Começa assim: “A Odebrecht reconhece que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial”. E desde quando crimes reiterados contra o erário nacional, contra o dinheiro do povo brasileiro, contra a Nação Brasileira podem ser etiquetados como “práticas impróprias”? Ou seja, a empresa demonstra querer abrandar o que não pode ser abrandado. Tornar leve, suave e suportável o que é monstruosamente pesado e insuportável.
PRESSÕES EXTERNAS? – E prossegue: “Não importa se cedemos a pressões externas, tampouco se há vícios que precisam ser combatidos ou corrigidos no relacionamento entre empresas privadas e o setor público”.
Importa, sim. E como importa! Ou vocês da Odebrecht acham que o povo não sabe o que é cidadania, que o povo brasileiro detesta a desonestidade, sabe o que é decência e não aceita a corrupção?. E mais: “Vícios”? Quer dizer então que os crimes que a empresa e seus dirigentes cometeram contra o povo foram meros “vícios”? Vício é prática repetida de mau hábito. É conduta imprópria.
É de se reconhecer que os senhores usaram um substantivo suave para se referir aos hediondos crimes de lesa-pátria que cometeram, sejam como corruptores e/ou corrompidos ou as duas coisas juntas.
AGRESSÃO A VALORES – “Foi um grande erro, uma violação dos nossos princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética. Não admitiremos que isso se repita”.
Que saiba esta empresa, que apesar de sua inegável tradição e dos relevantes serviços prestados, os crimes cometidos jamais poderiam ter ocorrido, no passado, no presente e no futuro. Logo, prometer que daqui para frente os crimes não mais se repetirão não é uma virtude, mas comezinho dever no relacionamento da empresa com o setor público, relacionamento que a empresa desprezou e deu no que deu.
E essa frase “Por isso, a Odebrecht pede desculpas, inclusive por não ter tomado antes esta iniciativa” não externa arrependimento. Muito menos arrependimento eficaz. O pedido era para ser de perdão. Pedir desculpas é muito pouco. Desculpas se pede quando alguém, sem querer esbarra na outra pessoa, na rua, no ônibus, quando dá um encontrão no outro… Para se redimir da reiterada prática de atos criminosos contra o povo, o mínimo que se espera é pedir perdão. Pedir perdão por toda a vida. E pedido de perdão tendo o povo brasileiro como destinatário.
VÁRIAS LIÇÕES – E acrescenta a nota: “A Odebreccht aprendeu várias lições com os seus erros. E está evoluindo. Estamos comprometidos, por convicção, a virar essa página”.
Se vê que do início ao fim a empresa rotula os crimes que cometeu como meros “erros”. E garante que está evoluindo, que está comprometida, por convicção a “virar essa página”. Não, senhores, não foram “erros”, mas crimes hediondos. E nem era preciso dizer que está evoluindo… que está comprometida, por convicção, a virar essa página. São garantias que não precisam ser prometidas.
E aqueles 10 compromissos que os senhores assumem no verso da página da nota nem precisavam estar escritas. “Não tolerar a corrupção”, “dizer não à desonestidade”… e os demais compromissos deveriam ter sido sempre rotineiramente praticados. É obrigatório. É civilidade. É ordem. É da lei. É da moral.
Por fim, o pior da nota: “A sociedade quer elevar a qualidade das relações entre o poder público e as empresas privadas”. Que barbaridade afirmar isso! Deixa a impressão que nós, a sociedade, o povo brasileiro, é que baixamos a qualidade das relações, quando, na verdade, quem as tornaram promíscuas e imundas foram os senhores e os administradores públicos. Não fomos nós, o povo brasileiro.

02 de dezembro de 2016
Jorge Béja

DEFESA AVISA AO JUIZ QUE LULA VAI A CUBA PARA HOMENAGENS A FIDEL

Lula leva Dilma para a cerimônia final neste final de semana

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira (dia 1º) ao juiz Sérgio Moro que o petista viajará para Cuba neste fim de semana para acompanhar as cerimônias em homenagem à memória do ex-líder Fidel Castro, morto na semana passada. 
Lula viajará para a ilha ao lado da também ex-presidente Dilma Rousseff.

Atualmente réu na Justiça Federal em Curitiba, acusado de receber R$ 3,7 milhões em propinas da OAS por meio de obras em um tríplex no Guarujá (SP) atribuído pela Lava Jato ao petista e pelo aluguel de um galpão para guardar presentes que recebeu enquanto era presidente, Lula não está proibido de viajar. Pela lei, ele só é obrigado a notificar sobre sua eventual saída do País, indicando onde vai ficar, caso viaje por mais de uma semana.

Apesar disso, a defesa do ex-presidente optou por avisar a Moro e aos outros juízes responsáveis pelos processos envolvendo o petista, que responde ainda a outras duas ações penais na Justiça Federal no DF e a um inquérito no Supremo Tribunal Federal.

OUTRAS AÇÕES – Nas ações que correm no Distrito Federal, Lula responde a uma ação acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato no episódio envolvendo a tentativa de barrar o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e a uma ação, acusado de tráfico de influência e corrupção envolvendo fraudes no financiamentos do BNDES para obras da Odebrecht na África.

A defesa de Lula rechaça as acusações e nega o envolvimento do ex-presidente em todos estes casos.


02 de dezembro de 2016
Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

FALIDO, FEDIDO E VINGATIVO

O ‘AI-5 do crime organizado’ foi aprovado na Câmara para amordaçar a Justiça e salvar parlamentares da Lava-Jato

Renan Calheiros, presidente do Senado
(Foto: Divulgação)

Chega a ser comovente, mas não pelos motivos que ele imagina, ver Renan Calheiros, de olho rútilo e lábio trêmulo, falando na OAB que o nosso sistema político está “falido, fedido e caquético”, como se não tivesse nada a ver com isso, como se o sistema tivesse chegado à podridão por si mesmo, sem a colaboração decisiva dos parlamentares e, principalmente, dele.

Mas ele diz que a culpa é da legislação, não dos que a avacalharam: são vítimas do sistema perverso... Como alguém no poder há tanto tempo, com 12 processos no STF, pode falar isso sem rir ou avermelhar? Não é só o sistema que está falido, fedido e caquético...

Com tantos escândalos e privilégios indecentes, sempre às custas do contribuinte, Renan deve saber como chegamos tão baixo. E como ele contribuiu para isso. São os mesmos que corromperam e aviltaram o sistema que vão reformá-lo? Ensandecido com a reação da Lava-Jato, Renan tentou até votar com urgência no Senado o “AI-5 do crime organizado” aprovado na Câmara para amordaçar a Justiça e salvar os parlamentares, mas o que resta de bom senso e dignidade na Casa o impediu.

No Brasil, os bandidos querem julgar os xerifes. Depois de tratar os juízes e procuradores com tanto desprezo e hostilidade, esperamos que Renan seja acusado e julgado por eles com o desprezo e a hostilidade que merece. Que se faça justiça e ele apodreça na cadeia. Já o deputado baiano Aleluia é radicalmente contra a instituição do “reportante do bem”, chamado whistleblower nos Estados Unidos, que permite a qualquer cidadão denunciar crimes e receber recompensas.

O deputado diz que vamos virar uma “República de delatores” (os Estados Unidos viraram uma?), ele prefere que continuemos como uma “República de ladrões”, e se esqueça de que só existe delator se houver crimes a delatar... agora só falta propor uma lei que torne a omertà obrigatória.

Em uma de suas últimas entrevistas, Paulo Francis dizia não acreditar em reencarnação, “mas, se houver, vou levar meu ectoplasma para Brasília e infernizar essa canaille.” Domingo, o ectoplasma de Francis vai estar gritando na rua.


02 de dezembro de 2016
Nelson Motta, o Globo

SE O FETO NÃO É UM SER HUMANO, ENTÃO O QUE ELE É??

Quem defende o aborto costuma dizer que o feto não é um ser humano (ou que só se tornará humano depois de determinado período de tempo). Entao resta uma pergunta: se o feto não é um ser humano, então o que ele é?

Vejamos: em bilhões de casos, distribuídos ao longo de séculos, todo feto que teve a chance de se desenvolver resultou num ser humano. Isso não é uma opinião, isso é um fato. Será que isso não é evidência suficiente? Alguém conhece um único exemplo na história da humanidade onde uma mulher grávida deu à luz a algo diferente de um ser humano?

A evidência é clara: todo feto, se tiver a chance de se desenvolver, dará origem a um ser humano único e diferente de seus progenitores. Matar o feto significa impedir o nascimento de um ser humano.

Muitos dizem que essa deve ser uma escolha da mulher. Contudo se esquecem que tal escolha já foi feita. Quando um casal resolve fazer sexo, sempre existe a chance da mulher engravidar. A gravidez é uma consequência de um ato voluntário (o estupro é certamente uma exceção a essa regra).

Muitos dizem que o corpo é da mulher, logo ela deve ser soberana para escolher. Contudo isso esconde o fato óbvio de que a criança em seu ventre NAO PERTENCE ao corpo da mulher. O feto, o futuro ser humano, é o começo da vida de um novo e único ser humano. Matar o feto implica necessariamente em matar esse futuro ser humano (quanto a isso não restam dúvidas).

A vida é o princípio mais importante de nossa civilização. Sem o direito a vida inexistem o direito a propriedade ou a liberdade.

A tecnologia avanca a cada dia, em breve saberemos de doenças do bebe antes mesmo que este nasca. Será que iremos apoiar a eugenia? Será que daremos o direito aos futuros pais de matarem crianças que não estejam de acordo com as características que estes queiram? Liberar o aborto é apenas o começo. Defender a vida desde sua concepção é nossa garantia de que toda vida é preciosa e deve ser protegida.



02 de dezembro de 2016
Adolfo Sachsida

ENQUANTO O BRASIL CHORAVA

No Brasil os bandidos é que determinam como e o que pode ser feito contra eles

Na madrugada, como costumam sempre fazer, os deputados votaram um texto destinado a golpear a Lava Jato e intimidar os procuradores e juízes. Dessa vez uma madrugada de luto pela queda do avião da Chapecoense, desastre que impactou o mundo.

Temer prometeu vetar a anistia para o caixa 2 e outros crimes. Mas não mencionou o tema da represália à Justiça, uma das grandes aspirações de Renan Calheiros.

O Brasil está diante de uma afronta espetacular: deputados investigados por corrupção determinam os limites dos próprios investigadores. Denunciar sua manobra não significa conciliar com abuso de autoridade, mas apenas enfatizar que legislaram em causa própria. No Brasil são os bandidos que determinam como e o que pode ser feito contra eles.

O que existe mesmo, como ação central, é uma tentativa de neutralizar a Operação Lava Jato, sobretudo às vésperas da divulgação dos depoimentos da Odebrecht. O caminho foi interferir nas “10 Medidas Contra a Corrupção”.

Interferir na proposta, na verdade, é um atributo do Congresso. Assim como não deve simplesmente carimbar medidas do governo, o Congresso não pode apenas carimbar medidas que se originam na sociedade.

Não há nenhum problema em cortar exageros, em adequar ao texto constitucional, etc. A crise começa quando decidem confrontar a Lava Jato e outras investigações. Em primeiro lugar, com manobras sobre uma anistia impossível; em segundo lugar, aprovando uma lei de controle de autoridade que não pertencia à proposta original.

Aliás, esse tema pertence a Renan Calheiros, com 12 investigações no Supremo Tribunal Federal. A Câmara dos Deputados antecipou-se a ele porque, com o êxito da Lava Jato, a contraofensiva parlamentar tornou-se a principal tarefa para bloquear as mudanças.

Não dá. Assim como não deu para o governo transformar-se num grupinho de amigos do Geddel e pressionar para que o prédio La Vue fosse construído com 30 andares.

Renan Calheiros segue sendo a maior ameaça. É curioso como um homem investigado 12 vezes coloca como sua tarefa principal controlar a Justiça. Com a votação da Câmara ele recebeu um alento. Renan e os deputados caminham para impedir que o Brasil se proteja dos assaltantes que o levaram à ruína.

Renan tem influência. Há os que pensam, como ele, que é preciso torpedear a Lava Jato e há os que não ousavam combatê-lo, mas agora começam a perceber que foi longe demais. E o derrotaram no plenário do Senado, impedindo a urgência na lei da intimidação.

Renan desenvolve o mesmo estilo de Eduardo Cunha, o cinismo, e usa o cargo para se proteger da polícia. Enfim, Renan delira, como Cunha delirava. A melhor saída é eles que se encontrem em Curitiba. Na ânsia de sobreviver, não hesitam em agravar a situação do País, já em crise profunda.

A votação escondida num momento de luto, tudo isso é muito esclarecedor sobre a gravidade do desafio que lançaram. O sonho dourado dos políticos corruptos ainda em liberdade não é apenas deter as investigações. Eles querem reproduzir o momento anterior, em que assaltavam os cofres das estatais, vendiam artigos, emendas, frases, às vezes até um adjetivo.

Romero Jucá é um craque nessa arte. Ele conseguiu passar uma lei que permite a repatriação do dinheiro de parentes de políticos. E não se expôs. Jogou apenas com a incompetência da oposição.

Os membros da apodrecida cúpula do PMDB precisam ser julgados. Enquanto estiverem no poder, estarão tramando uma volta ao passado, porque é esse o território em que enriqueceram. Eles sabem que nada é tão fácil como antes, caso contrário Sérgio Cabral estaria em Paris aquecendo o bumbum em privadas polonesas.

O problema no Brasil é julgar para gente com foro especial. O Supremo é um órgão atravancado por milhares de processos.

Uma razão a mais para julgar os políticos investigados com urgência é que estão legislando em causa própria. Depois de tantas investigações, tanta gente na rua, é incrível que o Brasil continue sendo dirigido pelo mesmo grupo que o assaltou.

É inegável que houve avanços, muito dinheiro foi restituído. Dirigentes do PT estão na cadeia, assim como alguns do principais empreiteiros do País. Entretanto, quem conseguiu escapar até agora organiza a resistência, prepara-se para o combate e só descansará quando puder de novo roubar em paz.

Esta semana me lembrei do Glauber Rocha. Num de seus diálogos mais geniais, um personagem dizia: “Já não sei mais quem é o adversário”. Se a sociedade e a Justiça tiverem dúvidas sobre quem é, podem pagar caro por essa hesitação.

O movimento inspirado por Calheiros e iniciado com êxito na Câmara é, no fundo, uma provocação irresponsável. O Congresso, recentemente, já foi invadido por gente indignada com a corrupção. Toda a luta pelo impeachment foi conduzida de uma forma pacífica. Todavia se torna mais difícil evitar a radicalização, uma vez que deputados e senadores já mal podiam andar pelas ruas antes mesmo de golpearem a Lava Jato.

Será preciso muita habilidade e paciência para julgá-los e prendê-los. Se isso não for feito logo, o Brasil merecerá o nome que Ivan Lessa lhe dava nos seus textos bem-humorados: Bananão. Não nos deixam outro caminho senão lutar com todas as forças, como se tivéssemos sido invadidos por alienígenas de terno e gravata.

Depois de nove anos, o primeiro inquérito em que Renan Calheiros é acusado finalmente entrou na pauta do Supremo para ser julgado. O silêncio dos ministros ao longo de todos esses anos contribuiu para que ele se sentisse impune. Se escolheram esta semana para absolvê-lo, então aí terão, ainda que involuntariamente, se tornado numa força auxiliar do crime político. Se condenado na primeira ação, Renan começará a arrumar as malas para Curitiba. Lá nasceram os demais inquéritos e lá já estão outros que deliram com riqueza e poder. Como Eduardo Cunha.



02 de dezembro de 2016
Fernando Gabeira, Estadão

A REINVENÇÃO DO BRASIL

Por que, de repente, tudo que andava mal parece ir ainda pior? Por quê?

Nos tempos ingênuos do primeiro reinado, o virtuoso conselheiro Chalaça via nas pulgas e pernilongos os males do Brasil. Muita saúva, pouca saúde, os males do Brasil são, cantaria mais tarde, no carnaval de 1986, o enredo da São Clemente, inspirado no Macunaíma, romance quase centenário de Mário de Andrade.

Nada mal para esses tempos modernos de zikas e coceiras, em que os problemas agravados tornaram-se maiores do que as soluções.

Ai, que preguiça, diria agora o herói de nossa gente. Há quanto já se fala em marajás, mordomias e corrupção... A diferença é que, no tempo dos “santinhos”, se sabia quem era ladrão. Hoje, nesse vasto mundo imundo das falsas aparências, já não se sabe quem não o é.

O samba avisara: se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.

Noutro dia, alguém constatou desanimado: nessa terra arrasada que restou não dá para plantar nada. Chegamos ao ponto em que remendos de pinguela já não servem para a travessia republicana. As instituições estão em crise, seus representantes não têm respeitabilidade; já não podem sair às ruas. Descrente do deus brasileiro, o povo desesperançado, nervos à flor da pele, busca respostas e não encontra sequer um aceno, um consolo. Já não acredita na luz ao fim do túnel. Já não tolera sacrifícios para salvar a pele de corruptos sem brio e sem vergonha.

A chapa andava quente; agora, o caldeirão está fervendo e já, já, o caldo vai entornar.

É hora de se discutir a reinvenção do Brasil, começando talvez pela revisão do capítulo das disposições gerais da Constituição:

Revoga-se o emaranhado de leis, regulamentos, dispositivos e portarias caducas e inúteis. As leis devem ser simples, compreensíveis, compreendidas e eficazmente aplicáveis na sua boa forma.

A justiça deve ser rápida e justa.


Decreta-se o fim da anarquia monetária (v. “A Anarchia Monetaria e suas Consequencias”, Carlos Inglez de Souza, 1924) e da farra fiscal. Em economia política, há muito que aprender e pouco que fazer.

Ficam proibidos o compadrio, o nepotismo, o corporativismo, os interesses inconfessos e as chicanas. A burocracia será punida.

Restaura-se o respeito do outro pelo outro, inclusive de cada um por si mesmo.

Fica proibido perder tempo com bobagem.


02 de dezembro de 2016
Eduardo Simbalista

AÇÃO QUE PEDIA PROIBIÇÃO DE RÉUS NA SUCESSÃO SÓ CHEGOU A TOFFOLI HOJE

AÇÃO QUE PROÍBE RÉUS NA SUCESSÃO PRESIDENCIAL EMPACOU NO STF

O MINISTRO DIAS TOFFOLI PEDIU VISTAS DO PROCESSO HÁ MÊS. FOTO: JEFFERSON RUDY/SENADO


A ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 402, que pede a proibição de réus na linha sucessória da Presidência da República, nem sequer havia chegado às mãos do ministro Dias Toffoli, segundo confirmou o próprio ministro ao Diário do Poder. 

Ele pediu vistas da ação no último dia 3 de novembro, o que suspendeu o julgamento. Apesar de a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal já ter votado favoravelmente à proibição a réus na sucessão, a decisão só passa a valer após a publicação do acórdão do STF. 
A ADPF demorou um mês para chegar às mãos do ministro que pediu vistas.

O assunto voltou à tona já que o afastamento do réu Renan Calheiros do cargo de presidente do Senado só pode ser realizado após o STF concluir o julgamento da ação que obrigaria o afastamento.

Segundo as regras em vigor, mesmo réu Renan Calheiros pode permanecer no cargo de presidente do Senado até o fim do mandato, já que a lei não força sua saída. Ainda.

O recesso do judiciário começa no próximo dia 15 de dezembro e só volta em fevereiro. Renan só deve ser afastado se o STF concluir o julgamento ainda este ano. 
Em fevereiro o mandato de presidente de Renan chega ao fim. E ele não pode ser candidato à reeleição.

O ministro Antonio Dias Toffoli confirmou ao Diário do Poder que não recebeu os autos da ADPF, o que significa que nem sequer se iniciou o prazo para a devolução da ação.



02 de dezembro de 2016
Tiago de Vasconcelos
diário do poder

SE COMEÇARMOS A MATAR BEBÊS, O QUE NOS IMPEDIRÁ DE MATAR VELHOS E DOENTES?


Se não existe nenhum argumento, nenhum preconceito, nenhum elemento de sacralidade na vida humana, nenhuma regra de natureza inviolável, nenhum princípio fundado na dignidade, enfim, nenhuma verdade moral capaz de nos impedir de matar nossos próprios filhos, o que poderá nos impedir de assassinar os nossos idosos, deficientes e doentes?

O aborto é o primeiro passo na direção da consolidação da cultura da morte. Mais alguns passos nessa direção e estaremos eliminando nossos velhos e doentes com a mesma desenvoltura de quem coloca o lixo para fora de casa.

Estou exagerando? Pense nos exemplos que darei neste texto.

A cultura da morte já predomina em países como Holanda e Bélgica, onde idosos e doentes estão cada vez mais na mira de burocratas-assassinos-bem-intencionados que fazem do Estado um instrumento moderno de “correção” dos “erros da natureza” ou “erros de Deus”.

Os defensores da cultura da morte sempre baseiam sua agenda no mais tosco utilitarismo (vide Peter Singer) e apresentam suas propostas como se, generosamente, assumissem o ponto de vista dos que são doentes demais para continuar existindo.

Exterminando os doentes

Na Bélgica, por exemplo, foi institucionalizada a eutanásia sem limite de idade. Ora, “eutanásia sem limite de idade” é simplesmente um nome técnico para infanticídio.

A Bélgica legalizou o direito à eutanásia para adultos em 2002. Em 2014 o Parlamento belga achou por bem ampliar o “direito” à eutanásia para crianças e adolescentes.

Na época 160 pediatras belgas se mobilizaram contra a lei, divulgando uma carta aberta ao Parlamento no qual questionaram, entre outras coisas, como se poderia esperar maturidade de crianças doentes diante da dilema de acabar ou não com a própria vida.

Uma reportagem da época revelou:

Um ponto bastante debatido no país foi como definir se a criança tem discernimento ou não. O texto [da lei] determina uma avaliação do médico responsável e também de um psiquiatra infantil para atestar a maturidade do paciente.

O que os belgas fizeram foi dizer a crianças confusas e em sofrimento “veja, você pode acabar com esse sofrimento quando quiser”. A pergunta que fica é: a eutanásia infantil foi uma demanda das crianças gravemente doentes ou de seus pais?

Um trecho da mesma reportagem dá uma pista:

A enfermeira belga ouvida pela Reuters, Sonja Develter, que já cuidou de cerca de 200 crianças em fase terminal, se opôs à lei. ‘Na minha experiência, eu nunca tive uma criança pedindo para acabar com sua vida’, disse.

Os pedidos de eutanásia muitas vezes vieram de pais que estavam emocionalmente exaustos depois de verem seus filhos lutarem por tanto tempo.

É óbvio que pais aflitos por não poderem mais viver como antes, talvez saudosos da vida social de outrora, projetaram seu egoísmo nos filhos e o reinterpretaram como uma “decisão soberana” de suas crianças ainda imaturas, confusas e em sofrimento.

Exterminando os velhos

Bélgica e Holanda estão na vanguarda da cultura da morte no mundo. Ambos os países começaram com a legalização do aborto e hoje já discutem as propostas mais bizarras que se pode imaginar.

Na Holanda a eutanásia é legal para crianças com mais de 12 anos caso elas tenham “o consentimento de seus pais”. E, como já especulamos acima, a eutanásia infantil interessa muito mais aos pais que cuidam de crianças doentes do que elas mesmas.

Os holandeses deram um passo além e permitiram que familiares de idosos severamente comprometidos pudessem solicitar a eutanásia em nome deles. Uma notícia bizarra da época da aprovação das leis holandesas narrou uma fuga de idosos da Holanda:

A eutanásia não desejada virou o pesadelo dos holandeses, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle […] O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, virou refúgio de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte.

Segundo a Universidade de Göttingen, 41% dos sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda foram a pedido da família, que queria liberar-se do “incômodo”. 14% das vítimas estavam totalmente conscientes na hora em que foram liquidadas.

De acordo com Eugen Brysch, presidente do Movimento Hospice, a lei deixa os médicos de mãos livres para praticá-la de acordo com a sua própria interpretação do texto legal.

Brysche luta contra a legalização da eutanásia na Alemanha, onde ainda existe um forte tabu que dificulta a agenda da morte, afinal de contas, os nazistas praticaram eutanásia em larga escala contra deficientes físicos e mentais, judeus, ciganos e outras minorias.


O problema do precedente


Depois de legalizar o aborto, a eutanásia e o infanticídio, a Bélgica já não tinha mais como impedir qualquer tipo de precedente, por mais bizarro ou absurdo que fosse.

Uma reportagem de junho deste ano narrou o caso de um jovem belga de 16 anos que pediu autorização para praticar a eutanásia “por não se aceitar gay”:

Sébastien diz ter feito terapia durante 17 anos, além de tomar remédios, e acreditar não ter outra opção. Ele afirma sentir atração por homens jovens e adolescentes e ter traumas de infância.

Por mais absurda que pareça a justificativa, Sébastien pode conquistar seu direito em breve, afinal de contas, “a lei belga estabelece que, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico” .

É claro que, movidos por compaixão e empatia para com doentes terminais ou vítimas de sofrimento crônico, podemos manifestar simpatia pela descriminalização da eutanásia para adultos, por exemplo. Eu mesmo já tive muita simpatia pela proposta.

Mas, nestes casos, devemos fazer uma simples pergunta: o que vem a seguir?

Pois um fato escapa da nossa atenção quando nos envolvemos em dilemas morais que podem ser resolvidos com mudanças profundas: não existe decisão política isolada e cuja repercussão se encerra em seu próprio tópico.

Na esfera jurídica cada decisão gera uma jurisprudência. Na esfera política, cada decisão produz uma tendência. A eutanásia para adultos na Bélgica, por exemplo, abriu as portas para a eutanásia infantil. Ninguém sabe quais serão os próximos precedentes.

Cada decisão abre precedente para outra decisão. É como se estivéssemos em um labirinto sem fim no qual cada caminho leva a outro caminho desconhecido, e assim por diante.

Todas as decisões em favor da cultura da morte foram baseadas em uma versão moderna da postura filosófica conhecida como utilitarismo, advogada nos nossos dias por Peter Singer. Grosso modo, os utilitaristas defendem que devemos sempre buscar o prazer e evitar o sofrimento, o que é a negação da própria essência da vida.

Peter Singer é um dos líderes do movimento moderno de defesa dos direitos animais, e seu livro “Libertação Animal” é a obra máxima do movimento. Singer defende o fim de uso de animais em pesquisas médicas e, ao mesmo tempo, é estridente defensor da legalização do aborto.

Tudo isso usando critérios utilitaristas.

São portadores dessa esquizofrenia moral que nos pedem para abrir a porta do aborto, sabendo que em seguida abriremos outras portas, e chegaremos ao mundo bizarro sem sofrimento com o qual eles sonham.


Em algum momento a eutanásia autorizada pelo paciente abre as portas para a eutanásia ativa, aplicada por médicos convictos de que sabem o que é melhor para o paciente.

Com o precedente em favor do aborto, o Brasil já deu o primeiro passo na direção da desvalorização da vida e da consolidação da cultura da morte. Se começarmos a matar bebês, o que nos impedirá de matar velhos e doentes?

Nada, absolutamente nada.


02 de dezembro de 2016
Publicado em 2 de dezembro de 2016 por Thiago Cortes
in arca reaça