"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

NOVO DELATOR MÁRIO GOES FAZ TREMER O PT E O PMDB

ACORDO DE DELAÇÃO DE MÁRIO GÓES TIROU O SONO NO PT E NO PMDB

MÁRIO GÓES É O 19º DELATOR NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO LAVA JATO. (FOTO: REPRODUÇÃO TV)


O acordo de delação premiada de Mário Góes tirou o sono de gente graúda no PT e no PMDB. Ele operava junto ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, o homem da cúpula do PT no afano geral da petroleira, e operava com o lobista Fernando Baiano, do PMDB.

Quem conhece o “operador” Mário Góes avisa que, inteligentíssimo, ele só dirá o que quer, e que seu acordo de delação pode ser uma maneira de “salvar os anéis” e preservar a grande herança do filho, Lucélio.



30 de julho de 2015
diário do poder

DILMA COGITOU PÔR ALMIRANTE PRESO NA CASA CIVIL

ALMIRANTE PRESO NA LAVA JATO ERA O PREFERIDO PARA CASA CIVIL
ALMIRANTE OTHON PINHEIRO DA SILVA (DE BONÉ) É CONDUZIDO PELA POLÍCIA FEDERAL. FOTO: FERNANDO FRAZÃO/ABR


Responsável pela escolha do almirante Othon Pereira da Silva para presidir a Eletronuclear, em 2005, quando era ministra de Minas e Energia do governo Lula, a presidente Dilma cogitou fortemente nomeá-lo para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil quando a titular, Gleisi Hoffmann, pediu demissão para se candidatar ao governo do Paraná. Na último momento, ela trocou Othon por Aloizio Mercadante.

Dilma e o almirante Othon se admiram. Têm em comum a forma rude de tratar subordinados. Essa característica os aproximou ainda mais.

Othon foi preso terça (28) na 16ª fase da Lava Jato, por receber R$ 4,5 milhões em propina de empreiteiras das obras da usina de Angra 3.

A Lava Jato avança definitivamente na corrupção da área de energia elétrica do governo, a favorita de Dilma, daí a alta a tensão no Planalto.

O almirante Othon tinha outro admirador: o ex-presidente Itamar Franco o condecorou com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.



30 de julho de 2015
diário do poder

A EXPLOSÃO DE JUROS

Taxa de juros explode e atinge o dobro da aprovação da Dilma: Selic chega a 14,25%.




(Congresso em Foco) Pela sétima vez seguida, o Banco Central (BC) reajustou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou nesta quarta-feira (29) a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Na reunião anterior, no início de junho, a taxa também tinha sido reajustada em 0,5 ponto.

Com o reajuste, a Selic retorna ao nível de outubro de 2006, quando também estava em 14,25% ao ano. A taxa é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em comunicado, o Copom indicou que os juros básicos devem ficar inalterados daqui para a frente. “O comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016″, destacou o texto.

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. No entanto, ao anunciar a nova meta de esforço fiscal, na semana passada, o governo estimou que o IPCA encerre o ano em 9%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 9,31% nos 12 meses terminados em junho. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, o IPCA encerrará 2015 em 9,23%. Este ano, a inflação está sendo pressionada pelos aumentos de preços administrados como energia e combustíveis.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo. De acordo com o boletim Focus, analistas econômicos projetam contração de 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2015. O governo prevê redução de 1,5% segundo as projeções enviadas pelo Ministério do Planejamento ao Congresso na semana passada.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.

30 de julho de 2015
in coroneLeaks

A INVOLUÇÃO MENTAL DO DEBATE ENTRE DIREITA E ESQUERDA



Há anos, escrevi aqui que um país em involução mental só consegue contar até dois. Seus debates organizam-se a partir de uma polaridade simplória na qual nenhum pensamento um pouco mais elaborado é possível.
Tudo deve encaixar em dois conjuntos, sendo que um deles serve apenas para ser sumariamente descartado e esconjurado. Este é um dos aspectos daquilo que Christian Dunker chamou recentemente de “lógica do condomínio” a organizar a vida intelectual do país.
De fato, há algo de cômico em ter que ouvir cada vez mais frases como “Vá para Cuba” ou “Aqui não é a Coreia do Norte” todas as vezes que alguém defende políticas esquerdistas de combate à desigualdade social e de regulação econômica.
Não passa na cabeça destas pessoas que é possível ser radicalmente de esquerda e contrário, por exemplo, ao Estado degenerado que acabou sendo implantado em Cuba. Não, isso é muito complicado para alguém que, no fundo, só consegue pensar com as dicotomias mais primárias da Guerra Fria.
JOGO DA DIREITA
Da mesma forma, é patético ter que receber afagos como “você faz o jogo da direita” todas as vezes que critica de forma dura os descaminhos do governo federal. Normalmente, tais afagos vêm de pessoas que procuram esconder sua capacidade de pensar criticamente sob a fantasia da luta constante e inglória contra as forças do atraso.
Há meses, apareceu em uma livraria um dos títulos mais inacreditáveis que um livro poderia ter: “10 livros que estragaram o mundo”. Entre eles estavam listados obras de Freud, Darwin, Lênin, Hitler, Nietzsche e Marx. Esta é a melhor síntese deste pensamento binário que nos assola nos dias atuais.
QUEIMAR OS LIVROS
Não se trata de dizer que você discorda do encaminhamento de certas ideias. Trata-se de dizer que tais ideias “estragaram o mundo”, que é melhor queimar os livros que as expressam, nunca mais lê-los, colocando-os ao lado de Hitler (que também gostava de falar de livros que estragaram o mundo e que mereciam ser queimados). Engraçado saber que livros que dizem que outros livros estragaram o mundo são o deleite de alguns.
Gilles Deleuze costumava mostrar a grandeza de seu pensamento fazendo algo que irritava mais de um de seus colegas. Mesmo sendo alguém vinculado à tradição do pensamento radical francês, ele não deixava de mostrar a genialidade de certos autores claramente conservadores, como Charles Péguy e Paul Claudel, ou de autores “moderados”, como Henri Bergson. Era uma maneira de mostrar verdadeira abertura ao pensamento e à criação, independentemente de onde ela viesse. Eis um bom exemplo a meditar nos dias de hoje.

30 de julho de 2015
Vladimir Safatle
Folha

TRE DE MINAS VOLTA A ANALISAR CASSAÇÃO DE FERNANDO PIMENTEL


Pimentel está tão enrolado que até a peruca se despenteou
Por três votos a dois, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais derrubou uma decisão que suspendia o processo de investigação eleitoral contra o governador Fernando Pimentel (PT). O processo foi proposto pelo Ministério Público Eleitoral e pede a cassação do governador por abuso de poder econômico na campanha de 2014. Suspensa desde março, a investigação volta a andar a partir desta semana.
Os magistrados, no entanto, aceitaram pedido de Pimentel para que sua defesa indique um perito que faça a análise das contas de sua campanha e tente provar que não houve irregularidade.
Esse pedido deve reduzir a velocidade de tramitação do processo. O último juiz a se manifestar, Virgílio de Almeida Barreto, disse que a análise permitirá “o direito ao contraditório e à ampla defesa” do governador.
CONTAS REPROVADAS
A Procuradoria entrou com a ação após o governador ter as contas de campanha reprovadas pela Corte em dezembro. O tribunal entendeu que o então candidato extrapolou em R$ 10 milhões seu limite de gasto, definido em R$ 42 milhões.
Durante a eleição, a campanha do petista fez transferências ao comitê financeiro único do partido no Estado, mas alegou que esses valores não poderiam ser considerados novas despesas –versão que não foi aceita pelos magistrados em dois julgamentos.
Após a rejeição, Pimentel pediu que o processo de investigação ficasse parado até que a instância superior, o TSE, julgasse em definitivo as suas contas. Em março, o juiz Wladimir Rodrigues dias concedeu a liminar ao governador. A Procuradoria recorreu e obteve vitória na corte.
Em nota, o PT disse que “aguarda a realização da perícia postulada, confiante que não há o que desabone a gestão financeira das contas de campanha das eleições 2014″.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A promiscuidade de Pimentel com seu amigo empresário Benedito Rodrigues chegou a tal ponto que o PT de Minas Gerais pagou R$ 150 mil nas eleições a uma empresa de contabilidade sediada em Porto Alegre e criada 48 horas antes, ligada a Bené. (C.N.)

30 de julho de 2015
JOSÉ MARQUES
Folha

A PERGUNTA DE US$ 1 MILHÃO (SOBRE ECONOMIA)

O quadro abaixo resume como os ciclos econômicos costumam funcionar. Já os gráficos organizados em formatos de letras, os tipos de recessão que as economias tendem a enfrentar.

O encaixe nesse triste alfabeto depende de vários fatores. Infelizmente, a atual recessão brasileira pode ficar distante do V e do W. Está cada vez mais com cara de U. O pior seria o L.
Ou seja, queda acentuada da atividade e um período relativamente longo de crescimento nulo ou negativo até a recuperação (U). Ou pior, sem grande perspectiva de recuperação à frente (L).
Muito conspira para isso: o país não fará tão cedo o ajuste fiscal necessário para neutralizar a péssima dinâmica de sua dívida e conter gastos. Nesse ponto, a meta de economizar 1,1% do PIB já foi abandonada e pode ficar perto de zero ou negativa
A inflação continua elevadíssima (9,31% em 12 meses) e espraiada por toda a economia. Não somente restrita a tarifas corrigidas fortemente há seis meses (energia, combustíveis etc.)
O desemprego acelera mais rápido do que o previsto e a renda cai. Com impactos diretos nas vendas das empresas, comércio e, principalmente, na arrecadação de impostos para viabilizar o ajuste fiscal
SEM INVESTIMENTOS?
Os investimentos empresariais, que poderiam suprir a falta de demanda dos consumidores, também pararam. Investir para quê, sem perspectiva de vendas e mercado futuro?
Os investimentos públicos caíram e sofrem novos cortes. Seus realizadores, as maiores empreiteiras do país, estão afogados em escândalos
Na política, o Executivo está atônito, mal avaliado e sem comando. Refém da cúpula de um Legislativo investigado por corrupção e capaz de qualquer chantagem para tentar salvar a própria pele
Um dos pontos brilhantes em outras crises como a atual costumava vir da área externa. Como o real se desvalorizou frente o dólar, produtos “made in Brazil” ficam mais baratos lá fora e a indústria poderia dar impulso a segmentos da economia exportando mais.
INDÚSTRIA EM QUEDA
Ocorre que nos últimos dez anos a participação da indústria de transformação como proporção do PIB caiu de 20% para cerca de 10%. Ou seja, sua recuperação terá um efeito bem mais limitado desta vez do que em outras crises.
Mas é de esperar que o ciclo recessivo no qual ingressamos agora (com seus efeitos sobre o emprego e a renda) acabe derrubando a inflação de forma consistente. Permitindo ao Banco Central diminuir a taxa de juros (Selic; 13,75% a.a.), aliviando a pressão de crescimento da dívida pública e o garrote sobre a demanda.
O cenário externo também parece estar se firmando na Europa e nos EUA. Apesar da crise grega, que acabou obliterando uma série de boas notícias recentes nos dois lados do Atlântico Norte (em termos de emprego e crescimento).
CENÁRIO POLÍTICO
Aos poucos, também é de esperar uma mudança no cenário político. Com “expurgos” e políticos inviabilizados pela Lava Jato, com as eleições municipais de 2016 e a presidencial se aproximando em 2018.
O esgotamento do modelo baseado no consumo, na rápida expansão do crédito e de incentivos às expensas das contas públicas também deixou marcas indeléveis. É de esperar, portanto, que a nova configuração política que venha por aí, qualquer que seja, tenha aprendido com os erros recentes e se fie mais na ortodoxia.
Mas isso levanta a pergunta de US$ 1 milhão: com o país e seus consumidores já endividados, a indústria minguada, o setor público sem capacidade de investir e os empresários desanimados e demitindo, de onde virá nossa recuperação no médio prazo?

30 de julho de 2015
Fernando Canzian
Folha

NESSE JOGO DE FANTASIA, FALTA A BOLA


O embate entre a presidente Dilma e seu governo, de um lado, e as oposições, de outro, lembra uma partida de futebol onde os craques se esfalfam, entre correrias, chutes na canela, cabeçadas, pulos e dribles sem conta. A torcida, quer dizer, nós, a tudo assistimos entusiasmados, gritando slogans e distribuindo palavrões a torto e a direito. Até o juiz e os bandeirinhas suam a camisa, distribuem cartões amarelos e impõem sua autoridade.
Só que, na arquibancada, um menininho surpreende o pai, comentando estar faltando a bola. De repente, dão-se todos conta de que o pimpolho tem razão: não há bola em campo. Todo aquele esforço se faz por nada.
No caso, a imagem se aplica à tertúlia verificada há meses no país: governo e oposições se digladiam, ofendem e acusam, mas para que? Falta a bola, ou seja, o que pretendem para a sociedade, com tamanha algazarra?
Nem Madame apresentou até hoje um programa de metas e realizações para tirar-nos do sufoco, nem seus adversários revelam o que pretendem, se guindados ao poder. É claro que de um lado alegam a necessidade do ajuste fiscal, aumentam impostos e reduzem direitos trabalhistas. Do outro, denunciam o festival de corrupção que assola estruturas administrativas e instituições e acentuam que o adversário não sabe governar. Não sabemos, porém, quais as propostas de que dispõem para interromper a marcha do desemprego, recuperar as empresas privadas, evitar a inflação e retomar o desenvolvimento.
CADÊ A BOLA?
Falta a bola, capaz de dar sentido à farsa encenada pelos dois times. Inexistem proposições concretas e sucintas, em condições de dar sentido ao espetáculo. De lá e de cá, que obras públicas poderiam ser iniciadas de pronto, ampliando o número de empregos? Que sacrifícios exigir dos setores privilegiados, do tipo aplicação de parte do lucro dos bancos em atividades sociais? Imposto sobre grandes fortunas e estabilidade nos empregos? Proibição de remessa de lucros para o exterior, por tempo determinado? Duplicação do salário mínimo?
Em suma, inexiste um elenco de medidas de sacrifício para todos, com ênfase a categorias até agora beneficiadas pela crise. Estaria definido um objetivo para as partes em confronto. A bola, afinal, estaria em campo…

30 de julho de 2015
Carlos Chagas

O HUMOR DO ALPINO...

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30 DE JULHO DE 2015

EDUARDO CUNHA VAI COMEÇAR A AQUECER O FORNO DO IMPEACHMENT



Os gênios do Planalto até passaram alguns dias mais aliviados, apesar da expansão das investigações da Operação Lava Jato para o setor elétríco. Eles julgam que conseguiram colocar o deputado Eduardo Cunha nas cordas, como se diz no linguajar do box, e agora a tendência é o presidente da Câmara ir perdendo força. Sonhar ainda não é proibido. A força de Cunha está justamente no seu cargo, que ele recupera semana que vem, com o final do recesso parlamentar, e ainda ganhará ainda mais visibilidade ao assumir a presidência da CPI do BNDES, que vai ter resultados estarrecedores.
Em Brasília, especula-se que o Planalto estaria pressionando o procurador-geral Rodrigo Janot para que apresente ao Supremo as denúncias contra Cunha e o senador Fernando Collor (PTB-AL) antes das manifestações de 16 de agosto, para arrefecer a campanha pelo impeachment de Dilma, como se uma coisa dependesse da outra, vejam até onde vai a incompetência dessa gente.
O Planalto faz um cálculo primário e diz que Cunha só tem 255 votos. Na hora do impeachment, os partidos de oposição e os indecisos se bandeiam para a parte vencedora, isso é mais do que sabido.
MÃOS À OBRA
Denunciado ou não por Janot, Cunha colocará mão à obra de demolir o governo Dilma para que o PMDB chegue logo ao poder. Ele aproveitou esses dias para fazer contatos políticos e preparar a pauta de votações da Câmara, garantindo que a organizou exclusivamente com base no interesse público, que nada tem a ver com o interesse do Planalto, muito pelo contrário.
Realmente, vai colocar em votação um projeto da maior relevância, destinado a aumentar os juros do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, para eliminar prejuízos diretos sofridos pelos trabalhadores há pelo menos 25 anos.
A Lei 8.036/1990 determina que todo dia 10 haja atualização monetária mensal, além de juros de 3% ao ano. À primeira vista, nada mal, pois haveria rendimento acima de inflação. Mas a atualização monetária é uma peça de ficção. Em 2013, por exemplo, o rendimento do FGTS foi de apenas 3,19% e em 2012, de 3,39%, sempre muito abaixo da inflação. Portanto, não é um investimento criado para o trabalhador, mas um prejuízo programado. Isso tem de acabar, e Cunha vai faturar mais essa em cima do governo, com apoio de todos os sindicatos e centrais.
Outro projeto a ser votado é uma emenda à Constituição que permite ao poder público o uso de 30% dos depósitos judiciais privados, para quitação de precatórios. A proposta é importantíssima. Uma das maiores vergonhas brasileiras é justamente o atraso no pagamento de precatórios. O cidadão ganha uma ação contra o poder público, mas o dinheiro fica retido por décadas e só é recebido por seus netos. Isso também precisa acabar, e Cunha tem faro para esse tipo de iniciativa.
IMPEACHMENT
Quanto ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, Cunha mandou serem atualizados os 12 pedidos encaminhados à Mesa Diretora. Ou seja, já ligou o forno crematório da Câmara, onde pretende assar as batatas presidenciais, embora saiba que vingança é prato que se deve comer frio. Saboreando.

30 de julho de 2015
Carlos Newton

AO CONVOCAR GOVERNADORES, DILMA REDUZ SEU ESPAÇO POLÍTICO


Exatamente isso. Ao convocar os governadores para um encontro em Brasília, hoje, dia 30, a presidente Dilma Rousseff reduz mais ainda seu espaço político nas decisões nacionais e tenta diretamente incluí-los na esfera de atuação do governo federal. Reportagem de Marina Dias e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de 28, expõe nitidamente o quadro que a presidente da República pretende criar. Uma divisão de responsabilidades, sem dúvida. Responsabilidades que a ela pertencem, e não pode dividi-las com chefes de executivos estaduais. A divisão constitucional de poderes é um fato intransponível.
A ideia teria partido dela própria ou de alguns auxiliares diretos? Não se sabe, mas pouco importa. É totalmente negativa. Como se tornou a iniciativa de propor um diálogo reunindo Dilma, Lula e Fernando Henrique, rejeitado por FHC, e agora condenado por ela própria, conforme acrescentam, em matéria complementar, Andreia Sadi e Mariana Haubert, na mesma edição da FSP.
Marina Dias e Valdo Cruz dizem que um dos objetivos superficiais do encontro seria um apelo para que cada governador pudesse influir nas bancadas federais respectivas para evitar a aprovação, no Congresso nacional, de projetos que aumentam despesas públicas, ou então para evitar a derrubada de vetos que, segundo o Planalto, alterariam a economia do país.
INCAPACIDADE
De tão absurda, custa a crer que tal colocação tenha sido levada a efeito. Pois traduz, em seu conteúdo, um sinal de incapacidade de o governo federal poder exercer seus próprios deveres legais. A aceitação seria uma forma de realizar uma pressão indireta sobre os senadores e deputados. Com isso, analisando-se bem a matéria, criar-se-ia uma maneira pouco velada de uma renúncia parcial, através da inegável transferência de atribuições. A política de reunir governadores (interventores de 37 a 45, período ditatorial de Vargas) acabou com sua deposição a 29 de outubro, que antecipou as eleições presidenciais de 2 de dezembro e, sobretudo, com a Constituição de 1946. Como se observa do desenrolar da história do Brasil, política de governadores pertence ao passado. Hoje estamos em 2015. A distância é muito grande.
Além do mais, no momento em que escrevo, não se sabe se a ideia permanece de pé e também se os governadores aceitaram o convite. Pode ser que a adesão ao convite não venha a ser integral. Ou se, durante o encontro, quais os que poderão tecer restrições ao esquema traçado por Dilma Rousseff. Como se vê desenha-se uma situação de risco político no trajeto entre as diversas sedes estaduais e o Palácio do Planalto. Situação absolutamente desnecessária, pois dela quais resultados concretos poderia ou poderão surgir? Nenhum.
TEMPO PERDIDO
Até porque, sabendo das dificuldades existentes, deputados e senadores vão logo avisar aos governadores que não poderão aceitar o papel totalmente secundário de que a proposta, no fundo, se reveste. Eles sabem disso tão bem quantos próprios governadores, ambos tendo a opinião pública como testemunha. Tempo perdido, portanto. E tem mais um aspecto essencial em matéria política: o poder não se divide. Até hoje, todas as falsas tentativas falharam. Essa, do encontro da presidente com governadores, fatalmente, será mais uma na extensa relação de exemplos.
Falei em tempo perdido. Pois é. A presidente deveria melhor aproveitá-lo na tarefa, que cabe exclusivamente a ela, de reerguer o governo e a economia do país. A população está pagando um preço muito alto pelas contradições e erros acumulados.

30 de julho de 2015
Pedro do Coutto

PARA A FRENTE, DEPOIS DA ERA DO CONSUMO



Li um interessante artigo publicado no jornal “Valor” desta semana, de autoria do presidente de FCA, Cledorvino Belini, que chama atenção para a “inovação” como forma mais direta e valiosa de sobreviver ao atropelo da crise. Ainda mais neste momento de provações enfrentadas pelos setores econômicos que sustentam o sistema e alimentam diretamente o erário, o estômago das pessoas, e garantem “ordem e progresso”. Para isso Belini chama a atenção para a “educação” como chave e panaceia da sociedade.
No jornal O Tempo do último sábado, uma entrevista do instituidor do projeto Inhotim, Bernardo Paz, aponta “sua” saída pela quebra de paradigmas sociais, uma revisão plena do “modus vivendi” marcada pela volta ao “natural”, ao lado artístico da vida que a humanidade deixou fora da “urbis”. Um resgate da tribo deixada atraente pela tecnologia.
Os avanços, especialmente da comunicação, deixam em segundo plano a necessidade de se aglomerar entre as muralhas de concreto. Paz, provavelmente influenciado pelas teorias da Era de Aquário, pelo esoterismo insurgente, se lança no espaço inexplorado do “pós-moderno”, da superação do trivial, que, aliás, é o norte do próprio projeto “Inhotim”.
DESEJO DO CONSUMO
A sociedade chegará ao momento em que o desejo do consumo estará saturado, e a mola mestra de hoje terá que ser substituída por outras fórmulas. Quais? Aí na bola de cristal temos duas visões: aquela do homem de indústria, que movimenta as engrenagens da economia, e a do outro, o colecionador de arte, o mecenas, vislumbrando uma saída dos paradigmas. Da fórmula do progresso pelo crescimento econômico. Bernardo Paz, que sabe conviver com o apelido de “louco” que se aplica com facilidade ao “profeta que nunca será reconhecido em sua pátria”, enxerga o futuro distante, mas já insurgente numa minoria.
Os discursos, aparentemente distantes, se entrelaçam na preocupação do enfrentamento da situação desfavorável, social e econômica.
Meu guru escrevia na década de 60 que chegaríamos ao ponto em que os valores que movem a humanidade nos últimos milênios se exauririam por uma parte da sociedade, mas seriam ainda necessários para outra, por meio do apaziguamento das necessidades ancestrais provocado pelo acesso ao consumo em larga escala.
Dessa maneira, os instintos de sobrevivência mais grosseiros e animalescos, com sua rudez e ferocidade, deixariam superadas as lutas com unhas e dentes para encher o estômago.
PÓS-FARTURA
Encontrando a fartura, deixará de disputar seu abastecimento como uma fera que se vale de tudo. A prole amenizaria os instintos, deixaria de caçar e passaria a ter disposição e tempo para procurar dentro de si valores que transcendem a cruel disputa. Isso se apercebe agora no despertar de pessoas que enxergam a vida não só como uma luta, mas como uma pacífica convivência.
O vidente teósofo Charles Leatbeater, no livro “O Homem, de Onde Vem e para Onde Vai”, profetizou, em 1900, a televisão e a internet, descreveu também formas de vidas para as épocas atuais e futuras que deixam para trás o modus vivendi dos últimos séculos. Haveria, assim, já uma sociedade mais sábia, moderada e feliz à procura da superação do mero materialismo. Mas, se uma parte evoluiu, outra tenderia a se extinguir na estreiteza de sua compreensão. Assim como o homem de Cro-Magnon sobreviveu ao Neandertal.
Belini enxerga na inovação a “via”, e esta se dará em sintonia com a procura de novos valores, auspicados por Paz. A inovação deve se dirigir a um norte, sinalizado pela necessidade de conversão de métodos impróprios para os sustentáveis e limpos.
A sociedade civil, tanto no mundo empresarial como no artístico-cultural, vem apresentando propostas muito valiosas. Acendendo luzes na escuridão que deveriam ser aproveitadas pelo mundo oficial.

30 de julho de 2015
Vittorio Medioli
O Tempo

COM TODO O RESPEITO, UMA BOBAGEM



Dilma afirmou que a Lava Jato é que fez o PIB cair
Tanto faz se de público ou em privado, a presidente Dilma costuma surpreender com opiniões esdrúxulas. Na segunda-feira, reunida com ministros, declarou dever-se à Operação Lava Jato a queda de pelo menos um ponto percentual, dos dois perdidos no Produto Interno Bruto. Como a reunião não estava sendo transmitida pela mídia, presume-se que algum ministro deu o serviço para os jornalistas. Deve ser admoestado, menos por ser boquirroto, mais por não ter tido a noção de que Madame falava uma bobagem. Resultado: fez a festa na oposição. E deixou os setores governistas de cabelo em pé.
Onde já se viu dizer que prejudica o desenvolvimento nacional uma iniciativa destinada a investigar ladroagens e roubalheiras? Só progrediremos com o Ministério Público e a Polícia Federal apurando as lambanças e encaminhando seus responsáveis à Justiça, para as devidas providências. Na verdade, quem fez cair os índices do crescimento econômico nacional foram a Petrobras e seus variados saqueadores, políticos e empreiteiros.
A presidente tem muito mais responsabilidade na queda do PIB do que procuradores e policiais. Afinal, sabia ou não sabia do jabá? Que providências tomou para evitar o assalto aos cofres da maior empresa pública do país? Apesar de dois ministros apontados como tendo participado da lambança, nenhum foi afastado. Muito menos parlamentares da base oficial.
Não é a primeira vez que Dilma se perde com as palavras, mas agora foi demais.Seu diagnóstico, além de lamentável, é falso. Estivesse o Congresso reunido e montes de pronunciamentos de protesto tomariam os trabalhos. Dizem que ela cursou Economia. Haverá um professor, sequer, capaz de endossar essa tese?
DÚVIDAS
Com o passar dos séculos, o poder da riqueza superou o privilégio do nascimento? Parece que sim, mas o berço ainda constitui fator importante nas diversas atividades. Na política e na atividade privada, funciona ser filho de senador ou neto do fundador da empresa. Às vezes, porém, é prejudicial. Aí estão os empreiteiros presos na Operação Lava Jato. Vamos aguardar os políticos…

30 de julho de 2015
Carlos Chagas

ADOTAR A REELEIÇÃO CUSTOU MUITO CARO AO BRASIL



Sabemos que o Brasil, hoje, vive um terrível inferno astral. Nesta premissa, vamos nos lembrar do grande filósofo alemão Immanuel Kant (1724 -1804) em seus dois livros mais importantes: “A Crítica da Razão Pura” e “A Crítica da Razão Prática”.
Todos brasileiros, minimamente esclarecidos, sabem que são os legisladores, deputados e senadores, que formulam as leis a partir das demandas da sociedade. Kant dizia algo assim: “Age de tal forma que a máxima de tua vontade possa sempre valer ao mesmo tempo como um princípio das Leis Universais”.
O que se tem visto no Brasil é produção de leis que, logo depois , são desrespeitadas por aqueles que a criaram.
Parece que o livro “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, é a cartilha da política brasileira. Ele dizia que o resultado, imediato, poderia justificar os meios. Os limites da decência têm sido ultrapassados por parte considerável dos políticos brasileiros. Não há que citar nomes nem tampouco vertentes ideológicas.
QUASE LÁ…
O Brasil esteve muito próximo de chegar a uma condição de desenvolvimento igual à dos países mais avançados, mas, de repente, degringolou.
Volto, então, a Kant: “Princípios práticos são proposições que encerram uma determinação universal de vontade, subordinando-se as diversas regras práticas”. A quebra das regras e a manutenção do poder de qualquer forma é o preço do caos. O Brasil, no meu modesto pensamento, não estava preparado para o instituto da reeleição para cargos majoritários. Custou caro para todos nós.
Este semestre que se avizinha na esfera política será de uma tendência complexa. Deveremos seguir uma cartilha econômica ortodoxa com políticos heterodoxos que precisam firmar posições com emendas parlamentares para regar as pequenas ou grandes árvores das suas ambições . E aí?

30 de julho de 2015
César Cavalcanti