"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 17 de maio de 2015

A VIDA DA MANADA É DIFÍCIL


Dia desses assisti a um daqueles documentários sobre a África, recheados de cenas de caça. O foco era exatamente este: os cuidados que a maioria dos bichos deve ter por conviver com espécies ferozes em um mesmo ambiente.

Achei muito interessante o ritual da hora de beber água, no final do dia. O primeiro a ir até o rio é o chefe da manada. Ele chega cauteloso, quase que furtivo. Verifica com cuidado o ambiente, certificando-se de que lá não está nenhuma besta feroz à espreita.

Se a barra estiver limpa, ele retorna e chama o restante da manada. Vão todos às pressas, em uma correria desesperada causada não pela sede, mas pelo medo. É assim que chegam na beira do rio e começam a beber água nervosamente, sempre olhando para os lados e controlando o ambiente. Ao redor, sempre vigilante, lá está o chefe da manada, pronto a dar o alarme caso alguma fera apareça.

Neste caso, cada animal sabe o que fazer: sair numa correria desesperada. O último é sempre o chefe - que, para salvar o restante da manada, acaba virando comida de alguma besta feroz.

Confesso que a cada vez que assisto um documentário desses choca-me principalmente a falta de dignidade imposta aos animais mais pacíficos, sempre obrigados a viver às escondidas ou correndo de um lado para o outro. As atividades mais banais, tais como pastar ou beber água, se transformam em momentos de risco, nos quais a dignidade vai cedendo espaço ao instinto de sobrevivência.

Pois é. Assim é a vida lá nas selvas da África. Mas, mudando de assunto, há alguns dias saí para jantar fora com um casal amigo. Eles resolveram levar os dois filhos, ainda crianças. Vivemos momentos agradáveis. Por volta das oito da noite fomos embora.

Impressionou-me, então, o treinamento da família. O primeiro a sair do restaurante foi o meu amigo. Olhou para um lado e para o outro, foi até o carro, contornou-o, certificando-se de que não havia ninguém perto e, de lá, fez um sinal de positivo para a esposa e os dois filhos.

Estes, então, disciplinadamente, saíram quase correndo rumo ao carro. Cada um já sabia o que fazer, abrindo sua porta e entrando apressadamente. Enquanto isso o motor estava sendo ligado e o veículo preparado para sair. Confesso que não cheguei a cronometrar quanto tempo durou esta operação, mas posso dizer que consumiu menos de 30 segundos.

Conversando depois com meu amigo, fui informado de que toda a família passou realmente por um treinamento. E acrescentou que em caso de emergência todos já estão preparados. Assim, ele deverá ficar e encarar a situação do jeito que for possível - e se não for possível, que se sacrifique pelos demais. Quanto à esposa e filhos, estes deverão sair correndo desenfreadamente, cada um para um lado, abanando os braços e gritando por socorro.

Mas, perdoem-me, ainda sobre a África aprendi algo interessante naquele documentário. Disseram que uma das maneiras de diferenciar um animal pacífico de outro violento é através dos olhos.

Eis aí algo curioso, que eu ainda não havia observado: os olhos dos animais mansos ficam na lateral da cabeça - posição que torna mais fácil controlar o ambiente ao redor. Em resumo, dá para vigiar melhor se alguma fera está se aproximando. Já quanto a estas, os olhos invariavelmente ficam na frente do crânio, possibilitando um maior foco nas vítimas e uma caçada mais eficiente.

E é assim, inspirado pela vida nas selvas, que fico a pensar se não deveríamos ter os olhos ao lado das orelhas...


17 de maio de 2015
Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo

A PERTINÊNCIA DA ATENÇÃO ÀS COMPOSIÇÕES DO COTIDIANO

                          Passeio público

Calçada 3Confesso minha ignorância no assunto. Sempre imaginei que a calçada – aquela faixa situada entre terreno privado e leito carroçável – fizesse parte do bem comum. Aliás, o nome passeio público, pelo qual é conhecido em parte do País, já diz o que tem de dizer: que o passeio é público. Mas é possível que eu esteja enganado.
Leio que a prefeitura paulistana decidiu multar todo proprietário de casa ou terreno em frente ao qual a calçada estiver deteriorada. Embutida nessa penalidade, está a ideia de que cabe a cada um consertar seu trechinho, cimentá-lo, calçá-lo, nivelá-lo.
Calçada 1É normal, compreensível e necessário que cada um mantenha sua propriedade dentro das regras municipais. Aspecto exterior da casa deve respeitar o que estiver estipulado. Também é certo que cada morador cuide de seu trecho de calçada seguindo as normas cidadãs aplicáveis a todo bem público: não sujar, não pichar, não emporcalhar, não esburacar, não deteriorar, não destruir.
O que me parece fora de esquadro é a obrigação feita ao particular de reparar bem público degradado por terceiros. Mal comparando, é como se o condômino do oitavo andar fosse obrigado a arcar com o conserto do elevador porque um defeito mecânico fez que a cabine ficasse bloqueada justamente no andar do infeliz. Não faz sentido. Se o ascensor é bem comum, conserto de rotina tem de ser arcado por todos.
Calçada 4Em rigor, seria admissível que a municipalidade cobrasse uma «taxa de manutenção de calçadas», destinada a angariar os fundos necessários. Todos contribuiriam para a conservação do que pertence a todos. Inatacável.
Calçada 2Exigir que cada um se ponha a refazer o passeio que lhe está à frente é medida descabeçada. Este fará um desnível mais acentuado, com duas pistas bem delineadas para passagem de seu automóvel. Aquele preferirá plantar uma árvore bem no meio do passeio, com o intuito de sombrear seu próprio jardim. Aquele outro pode optar por ladrilhar seu trecho com caquinhos de cerâmica – bonitos, mas escorregadios em dia de chuva. Uma casa de mãe joana.
Construir o bem público, renová-lo, reparar defeitos é atribuição do poder público e por ele deverá ser exercida. Sem isso, jamais será alcançada a uniformização que beneficia a todos – a quem anda a pé, a quem enxerga mal, a quem empurra carrinho de bebê, a quem se locomove em cadeira de rodas.
17 de maio de 2015
José Horta Manzano

O GOVERNO JÁ ACABOU,MAS DILMA INSISTE EM FINGIR QUE GOVERNA



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A situação política no Brasil chegou a um ponto extravagante. A presidente Dilma Rousseff finge não ter sido eleita pela PT e se comporta como se não pertencesse ao partido. O ex-presidente Lula faz o contrário – defende desesperadamente o partido e tenta transparecer que não tem culpa de nenhum dos erros e malfeitos do governo. E o PT completa o enigma, fingindo não ter elegido Dilma Rousseff, criticando decisões do governo e prestigiando Lula em todos os sentidos. Pode-se até dizer, sem medo de errar, que nunca antes, na História deste país, se viu bagunça igual.
É claro que esta estranhíssima composição política não pode dar certo, pois mantém o clima sempre instável e agitado, com pancadas repentinas a qualquer momento e sem a menor possibilidade de melhorar no decorrer do período.
Reclusa no pequeno percurso entre os palácios da Alvorada e do Planalto, a presidente Dilma simplesmente abdicou de governar. Terceirizou a articulação política para Michel Temer (PMDB) e a condução da economia para Joaquim Levy (PSDB), deixando o resto de lado, só se preocupa com a dieta e as operações plásticas que a cada ano vão modificando suas feições.
E não adianta a presidente Dilma aparecer no noticiário entregando casas populares, se reunindo com o Comitê Olímpico e visitando obras do metrô, numa patética tentativa de mostrar que o governo está funcionando, quando todos sabem que a administração pública ficou congelada pela crise, o imobilismo é contagiante.
SEM BASE ALIADA
O pior é tentar conduzir o governo sem maioria no Congresso. Isso jamais funciona. Foi assim que João Goulart, Jânio Quadros e Fernando Collor se estabancaram. É para isso que servem o PMDB, o PP, o PCdoB, o PTB, o PV e até o PDT. Eles sempre dão um jeito de apoiar o governo, qualquer governo, para arrancar a parte que julgam lhes caber no latifúndio administrativo. Mas quando o governo fica enfraquecido, a base aliada logo se desfaz. Não adianta esse festival de nomeações dos últimos dias. É nuvem passageira.
Lula sempre esteve ciente desta necessidade e foi por isso que mandou criar o mensalão, o petrolão e os demais esquemas de arrecadação de propinas e utilização de recursos públicos que chegaram a envolver praticamente toda a administração federal direta e indireta, conforme vai ficando cada vez mais claro nas denúncias reveladas diariamente pela mídia. Mas a fonte secou e nenhum governo consegue se sustentar em meio a uma crise tão corrosiva.
ENCONTRO MARCADO
A aceitação do advogado Fachin para o Supremo e a desajustada aprovação do ajuste fiscal pouco significam, apenas vitórias efêmeras. A realidade é que este governo acabou antes mesmo de começar, embora a oposição seja fraquíssima e até mesmo inoperante. Neste quadro, a ainda presidente Dilma Rousseff sabe que tem um encontro marcado com o fracasso. A única dúvida é saber por quanto tempo ela seguirá fingindo que está governando.
Dilma talvez esteja se mirando no exemplo da Bélgica, que recentemente ficou alguns anos sem governante. Ninguém sentiu falta e o país seguiu em frente, sem ter primeiro-ministro. Mas acontece que na Bélgica a administração pública funciona, cada um sabe que tem de cumprir seu dever, enquanto no Brasil…

17 de maio de 2015
Carlos Newton

CPI FUNDOS DE PENSÃO PODE DESCOBRIR ALTAS FALCATRUAS



O Senado ganhou uma oportunidade para mexer num vespeiro que interessa diretamente a milhões de brasileiros. É a CPI dos Fundos de Pensão, que deverá ser instalada nos próximos dias.
A comissão foi criada para investigar prejuízos em instituições que cuidam da aposentadoria dos servidores de estatais. Estão na mira gigantes como a Petros, da Petrobras, o Postalis, dos Correios, e a Funcef, da Caixa Econômica Federal.
Os fundos reúnem 557 mil servidores aposentados e 2,7 milhões na ativa. É gente que reservou parte dos salários para garantir um futuro tranquilo e agora teme perder o que aplicou devido a decisões estranhas e negócios esquisitos.
Só o Postalis acumula rombo de R$ 5,6 bilhões. No mês passado, os poupadores foram avisados de que teriam que pagar uma contribuição extra superior a um quarto do salário para tapar o buraco. O fundo é controlado por dirigentes indicados por políticos do PT e do PMDB.
Na Petros, que tem 128 mil participantes e mais de R$ 66 bilhões de patrimônio, as perdas no ano passado foram estimadas em R$ 6,2 bilhões. E-mails interceptados pela Polícia Federal indicam que João Vaccari, o ex-tesoureiro do PT, influía na administração do bolo.
LOTEAMENTO SELVAGEM
“O loteamento político e sindical dos fundos foi selvagem. Isso está na origem de muitos investimentos temerários”, diz o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos autores do pedido de criação da nova CPI.
Em abril, o governo pressionou senadores a retirar assinaturas de outro requerimento, o que adiou o início das investigações. Agora o Planalto cochilou, e a comissão terá que ser instalada nesta semana.
Há muita coisa a se investigar no mundo dos fundos, que tem atraído pouca atenção dos órgãos de controle. Um dos caminhos será ouvir quem acompanhou os negócios de dentro. Entre conselheiros e servidores, muita gente pode ser convencida a contar o que sabe

17 de maio de 2015
Bernardo Mello Franco
Folha

DEUS-REI NUM MUNDO SEM REIS


Antes de enveredar pelo assunto desta crônica, conferi em fontes confiáveis o conceito de realidades envolvidas no texto. E para não derrapar nos comentários, copiei esses conceitos e os tenho ao meu alcance enquanto escrevo. Não complicarei a sua leitura, transcrevendo tudo o que anotei. Tanto mais que, somando e subtraindo, cruzando e descruzando dados e conceitos, são definições não muito definitivas.

Definições não definitivas – não lhe parece contraditório isso? De um ponto de vista, sim, mas não de outros. Explico-me por meio de um desafio. Tente delimitar (definir) com precisão, sem superposições nem imbricamentos, três realidades do nosso dia a dia: Estado,país, nação. Estou mesmo pensando em instituir o Prêmio Jacinto (talvez uma flecha de ouro) para quem consiga definir essas três realidades de modo imutável (definitivo), que exclua confusões na linguagem. Não ignoro que Nação refere-se mais à população, e Paísidentifica mais o território; mas não existe país sem população, nem nação sem território. O conceito de Estado é ainda mais complexo. Pode ser entendido como a estrutura administrativa de um país ou nação, mas não tem limites claros nem é fixo, perene (definitivo). Como encontrar definições delimitadoras, imutáveis, perenes, precisas, seguras?


Não é de estranhar essa imprecisão de linguagem, pois o homem é composto de corpo e alma, uma realidade ao mesmo tempo material e espiritual. E mutável, muito mutável, bem mais do que países, nações, estados. Corpo e alma agem em conjunto, não se pode atribuir uma ação humana exclusivamente ao corpo ou à alma. Também as realidades organizativas da sociedade envolvem o homem inteiro, portanto corpo e alma, ora predominando o corpo, ora a alma.

Cada um de nós se lembra de exemplos e cenas que nos emocionaram, nas quais geralmente predominou a alma. O esforço heroico de uma pessoa para salvar a vida de outra; o modo carinhoso e desinteressado da mãe ajudando o filho; a dedicação do professor ao aluno menos inteligente, que lhe dá mais trabalho; o irmão cedendo ao outro um órgão para transplante e prolongando-lhe a vida; operários sacrificando-se para solucionar a situação financeira da firma onde trabalham; o soldado arriscando a vida para os outros transporem um obstáculo. Há sempre aspectos materiais, mas predomina uma atitude de alma e servem de exemplos para outros.

Quando o exemplo parte de um chefe de estado, influencia uma população muito ampla – toda a nação, ou mesmo além das fronteiras – e pode mover uma multidão a agir do mesmo modo. Os atos de um governante são acompanhados pelo povo, daí sua maior influência sobre a sociedade. Para não ficar só em teorias, basta examinar a origem histórica do militarismo alemão, com todas as consequências de ordem, rigor, disciplina, seriedade. Se o governante é exemplo de honestidade, dedicação, bondade, essas virtudes crescem naturalmente na população. E crescem os vícios, quando eles predominam nos governantes. Não nos faltam exemplos.

Um aspecto pouco divulgado é que as próprias formas de governo influenciam para o bem ou para o mal a nação. Cada forma de governo produz efeitos pessoais e sociais diferentes, maiores até do que os resultados materiais da ação governativa.

Nos antigos regimes monárquicos, o chefe da nação era vitalício, confiável, estável, sólido. O chefe de família era também vitalício, confiável, estável, sólido, daí ser voz corrente: O rei é o pai dos pais, o pai é o rei dos filhos.

Pais e reis eram ótimas referências e símbolos de Deus, contribuindo assim para o povo conhecê-lo, amá-lo e servi-lo. Os atributos de pai e de rei sempre foram reconhecidos em Deus, e não é raro afirmar que Deus é o rei dos reis. Mas chegamos à situação lamentável em que pais e reis se tornaram uma espécie em extinção.

Os governos democráticos modernos não têm estabilidade e representatividade suficientes. A começar pelo presidente (a palavra identifica quem está presidindo): não é vitalício, não é o eleito de todos, não é o dono do cargo.

Seguindo o modelo dos governos, as famílias também se fragmentaram, instabilizaram, perderam a coesão. O chefe de família é hoje uma sombra do que foi, tornou-se o presidente de uma entidade transitória, frágil, instável, tanto quanto os governos. 

Como consequência, chefes de governo e de família contribuem pouco ou quase nada para entendermos o verdadeiro significado de Deus – eterno, bondoso, estável, majestoso.


A pessoa do rei, cercada de respeito, honra, pompa e majestade, possibilitava percebermos algo do que existe e acontece no Céu.

Imaginar Deus-Rei com coroa, manto real, majestade, era muito esclarecedor, estimulante, enriquecedor.

Será que a sua fé e a minha sairiam fortalecidas, imaginando-O como um deus-presidente? Com faixa presidencial, paletó e gravata?! Não, não pense que estou fazendo piada...

Não lhe parece muita ingenuidade atribuir ao acaso a proliferação de governos democráticos em todo o mundo? E a consequência disso nas famílias lhe parece mera coincidência?

Não, prezado leitor, há muitos interesses e interessados nisso. E os maiores interessados são exatamente os inimigos de Deus.

Sem reis governando como pais, sem pais respeitáveis como reis, como entender e adorar a Deus, pai e rei?


17 de maio de 2015
Jacinto Flecha

PARECER A FAVOR DO IMPEACHMENT SERÁ ENTREGUE QUARTA-FEIRA



O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, deverá entregar na próxima quarta-feira seu parecer jurídico, encomendado pelo comando nacional do PSDB, sobre a possibilidade do partido ingressar com pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
O prazo foi dado em encontro na quinta-feira, na capital paulista, entre o jurista e o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP). Na reunião, o tucano levou ao jurista informações levantadas pela CPI da Petrobras e conteúdo de depoimentos do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.
Com a finalização do parecer, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, deverá marcar na semana seguinte reunião com os partidos de oposição ao governo federal para definir se ingressarão com o pedido.
Lideranças tucanas têm dúvidas sobre a possibilidade de o impeachment da petista ser justificado por uma condenação por crime de responsabilidade pelas chamadas “pedaladas fiscais” no mandato anterior.
AVALIAÇÃO
A sigla decidiu avaliar melhor a questão devido à manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que a petista não pode ser processada por crime cometido antes do atual mandato.
Além do crime de responsabilidade, Reale Júnior estuda a possibilidade de ser ingressada ação penal contra Dilma por crime comum em decorrência do escândalo da Petrobras, o que a levaria a perder o mandato caso fosse condenada.
Ainda que seja discutida dentro do partido, a questão do impeachment enfrenta resistências no próprio PSDB. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra (SP) já se manifestaram contra um pedido de afastamento da petista neste momento.
A bancada tucana na Câmara dos Deputados, no entanto, insiste na tese do impeachment e ameaça ingressar isoladamente com o pedido se não tiver apoio da sigla.
O partido pretende ter uma decisão tomada sobre a questão até o dia 27 de maio, quando movimentos contrários à presidente, como MBL (Movimento Brasil Livre) e Revoltados Online, pretendem se reunir com líderes da oposição no Congresso Nacional.

17 de maio de 2015
Gustavo Uribe
Folha

LADRÃO QUE COMOVEU POLICIAIS JÁ ARRANJOU TRABALHO



O eletricista Mário Ferreira está, oficialmente, empregado. Ele trabalhará nas obras da Gois Construtora. A empresa está no mercado imobiliário desde 2000, focada em empreendimentos residenciais para população de baixa renda. Segundo o proprietário da Gois, Nertan Gois, Mário apresentou todos os certificados de qualificação e começará na segunda-feira (18/5). 
“Ele precisava de um emprego e a gente de um funcionário. Não é uma ajuda. É uma oportunidade”, disse Nertan.
Depois de comover policiais civis do Distrito Federal após ter furtado 2 kg de carne para alimentar o filho, Mário tem recebido doações de comida e algumas oportunidades de emprego. A entrevista na Gois foi na tarde desta sexta-feira (15/5). Mário fez testes em obras, conversou com outros funcionários e foi aprovado para a vaga.
Mário chegou a ser preso na última quarta-feira (13/5), quando seguranças de um mercado de Santa Maria o viram colocar o alimento em uma bolsa. O homem foi levado à 20ª Delegacia de Polícia. Durante depoimento, ele passou mal e disse que só queria alimentar o filho. Agentes e delegado se comoveram com a história e pagaram a fiança para que ele voltasse para casa.
Mário é eletricista, mora no Jardim Ingá (GO) com o filho de 12 anos. Ele ficou desempregado há 1 ano e 3 meses depois que a mulher sofreu um acidente de moto e ficou 18 dias em coma. Para cuidar dela, Mário precisou sair do emprego. Desde então, a rende familiar se resume a R$ 70 e ao auxílio do Bolsa Família.

17 de maio de 2015
Camila Costa
Correio Braziliense

DELAÇÃO DE RICARDO PESSOA ENVOLVE ATÉ LULA E DILMA



Pessoa vai liquidar com o esquema do PT
O empresário Ricardo Pessoa, dono das empreiteiras UTC e Constran, disse aos procuradores da Operação Lava Jato que as doações que fez à campanha do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), no ano passado eram parte da propina paga para manter seus contratos na Petrobras.
Filho do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o governador recebeu R$ 1 milhão da UTC. A empreiteira repassou o dinheiro para o diretório estadual do PMDB em duas parcelas, em agosto e setembro.
Apontado como líder do cartel de empresas associado ao esquema de corrupção descoberto na Petrobras, Pessoa fechou na quarta-feira (13) acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, comprometendo-se a contar o que sabe para obter pena menor.
TRINTA EPISÓDIOS
O empreiteiro apresentou uma relação com cerca de 30 episódios que promete detalhar em seus depoimentos nos próximos dias, e entregou também vários documentos que, segundo ele, poderão ser úteis para as investigações.
A Procuradoria-Geral da República conduz investigações sobre 48 políticos suspeitos de envolvimento com a corrupção na Petrobras, entre eles o próprio Renan.
Segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também fez acordo para confessar seus crimes e passou a colaborar com as investigações, Renan e outros líderes do PMDB garantiram o apoio político necessário à sua permanência na estatal e receberam parte dos recursos desviados pelo esquema.
O presidente do Senado nega qualquer tipo de envolvimento com corrupção. Por meio de sua assessoria, Renan Filho disse que as doações recebidas por sua campanha em Alagoas foram feitas conforme a legislação.
DILMA, TAMBÉM
Nas negociações com os procuradores, Pessoa afirmou também que suas doações à campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, no valor total de R$ 7,5 milhões, foram feitas porque ele temia prejuízos em seus negócios com a Petrobras se não colaborasse com o PT.
Ele disse que tratou das contribuições com o tesoureiro da campanha, Edinho Silva, hoje ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Pessoa afirmou que procurou Edinho a pedido do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, hoje afastado do partido e preso em Curitiba.
OUTRAS CAMPANHAS
O empreiteiro apontou aos procuradores os nomes de pelo menos dez congressistas e de outro governador, além de Renan Filho, como beneficiários do esquema. Pessoa também indicou o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC), que já é alvo de um inquérito em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal).
Além da UTC, seis empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato fizeram doações ao diretório do PMDB em Alagoas e à campanha de Renan Filho no ano passado. Ao todo, as empresas sob suspeita doaram R$ 7,7 milhões, o equivalente a 40% do que o governador gastou para se eleger.
Colaboraram com Renan Filho as construtoras OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e Serveng Civilsan, todas investigadas por suspeita de participar do cartel investigado pela Lava Jato.
No ano passado, a UTC e a Constran distribuíram R$ 54,5 milhões em contribuições eleitorais. As duas empresas ajudaram a financiar a campanha de 11 deputados federais e dois senadores eleitos, de acordo com as prestações de contas oficiais dos partidos.

17 de maio de 2015
Estelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira
Folha

AJUSTE VISCAL DE JOAQUIM LEVY SÓ BENEFICIA O SISTEMA FINANCEIRO



O ajuste fiscal do Joaquim Levy não contempla as necessidades de criação de empregos do setor produtivo. Segundo todas as análises que li sobre o assunto, o único setor realmente beneficiado com esse ajuste é o financeiro. Para pagamento de compromissos das dívidas do governo federal, o ajuste corta gastos sociais que penalizarão os trabalhadores e aposentados.
Uma coisa que me preocupa profundamente sobre o futuro do Brasil é como vai se comportar a economia daqui para frente. O que temos é crescimento do desemprego, inflação em alta, falta de perspectivas de investimentos que gerem empregos e a derrocada de toda uma classe social que ascendeu nos últimos 12 anos (a chamada nova Classe C, conforme reportagem publicada neste site em março).
O pior é que não existe perspectiva de quando tudo isso começar a mudar. A carga tributária é crescente todos os anos, mas vivemos em déficit público permanente porque o governo gasta mais do que arrecada e isso não muda.
PREVISÕES TENEBROSAS
O jornal Valor Econômico faz previsões tenebrosas sobre os índices de desemprego que poderemos ter ainda esse ano, dobrando o número de desempregados atuais. Afinal, para onde vamos? O que farão centenas de milhares de trabalhadores que perderão o emprego? Qual futuro teremos quando mais de 40% do Orçamento Federal são destinados à rolagem de dívidas e pagamento de juros sobre as dívidas interna e externa. E os bancos estão batendo recordes de lucratividade a cada balanço divulgado.
Isso tudo junto é muito preocupante. Não temos mais uma perspectiva de crescimento consistente nos próximos anos que gere os milhões de empregos que o Brasil precisa criar todos os anos para aqueles que ingressam no mercado de trabalho. Os juros daqui são os maiores do mundo e o real já completa 21 anos em julho sem que vejamos nada disso mudar, pois quem aplicou milhões de reais no mercado financeiro não investe no mercado produtivo, preferindo deixar o dinheiro no banco.
EM FEIRA DE SANTANA
Aqui em Feira de Santana, na Bahia, cidade de 600 mil habitantes e a maior do interior do Estado, a oferta de empregos já se reduziu à metade em relação ao ano passado, conforme reportagem exibida no telejornal local da afiliada da Tv Globo, a Tv Subaé.
A maior preocupação que vejo por parte dos empresários do setor produtivo é a inação do governo em fazer as coisas acontecerem. O Brasil desta década parece ter perdido a perspectiva de crescimento do PIB – o que pode continuar na próxima década. Teremos um PIB negativo este ano. E nos próximos anos poderemos ter um PIB medíocre, com crescimento de 1 ou 2 por cento, o que, repetindo o que já disse, não garante a geração dos empregos que nossa economia precisa criar para os milhões de jovens que tentam ingressar no mercado de trabalho.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Na condição de funcionário do Bradesco, que o licenciou para exercer a função de ministro (ninguém sabe se mantendo ou não a remuneração), Levy sabe muito bem a quem servir preferencialmente. E não adianta fazer como Francelino Pereira e preguntar que país é esse… (C.N.)

17 de maio de 2015
Luis Hipolito Borges

JEFFERSON NÃO PODE DENUNCIAR O QUE SABE SOBRE A PETROBRAS



Ex-deputado Roberto Jefferson deixa o Instituto Penal Francisco Spargoli Rocha, em Niterói, Rio de Janeiro
“Se falar, serei preso pelo Barroso”, alega Jefferson
O ex-deputado federal Roberto Jefferson, condenado a sete anos de prisão pelo mensalão, deixou neste sábado Instituto Penal Francisco Spargoli, em Niterói (RJ), e vai cumprir o resto da pena em prisão domiciliar. Logo após deixar instituição penal, Jefferson deu uma rápida entrevista.
Questionado se sabia alguma coisa sobre a Operação Lava-Jato, que investiga os casos de corrupção na Petrobras, o ex-deputado deixou transparecer que sabe sim. “Está aqui [gesticulando como se algo estivesse em sua garganta], mas eu não posso falar. Se eu disser, o Barroso me prende”, afirmou, rindo.
O benefício de cumprir o resto da pena em casa foi autorizado ontem pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), por Jefferson ter cumprido um sexto da pena em regime inicial semiaberto. O ex-deputado ficou 14 meses preso e conseguiu completar um sexto da pena com desconto dos dias trabalhados em um escritório de advocacia como auxiliar de escritório.
VAI SE CASAR
Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jefferson disse estar aliviado e que pagou pelos crimes que cometeu. “Está pago, ainda tem algum tempo a cumprir, mas está pago”, disse a jornalistas na saída do prédio. Operado em 2012 para a retirada de um tumor no pâncreas e de partes de outros órgãos do sistema digestivo, Jefferson disse que vai aproveitar a saída da prisão para cuidar da saúde e “namorar muito”. O ex-deputado deve se casar no fim deste mês.
“Não há prisão que seja boa, mas tirei com toda a serenidade. Evoluí, melhorei, estou melhor que ontem. Tive o tempo de ler, de conhecer o sofrimento das pessoas que passam por isso”, disse. O ex-deputado deixou o presídio dirigindo e disse que iria para um apartamento na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro.

17 de maio de 2015
Deu na Veja

ONDE MORA O PERIGO



Bom dia! Como está o seu café da manhã? A manteiga já deu lugar à velha margarina? Os planos de viajar nas férias estão de pé? A conta de luz subiu assustadoramente? A faculdade do filho ficou inviável por falta de financiamento?
Já sei: casa própria, agora só para os netos; está cada vez mais difícil conseguir empréstimo. Cartão de crédito, nem pensar. Com esses juros que não cessam de subir, o negócio é apertar o cinto. Até o bilhete da loteria ficou mais caro, e o prêmio emagreceu.
Mais do que a indicação de um novo nome para o Supremo Tribunal Federal, a conquista de votos para apertar o garrote nos gastos públicos e as negociações para segundo, terceiro e quarto escalões – mais do que tudo isso, as condições de vida da maioria esmagadora da população deveriam ocupar a agenda de quem se credencia a governar o Brasil.
Não é o que se vê.
NOTÍCIAS RUINS
A cada momento, uma nova má notícia é oferecida ao público que esperava dias melhores. Os juros decolam. O Fies definha. Enquanto o desemprego cresce, as regras de proteção aos demitidos tornam-se mais severas.
O sonho de comprar imóvel vira pesadelo com as novas taxas da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Minha Casa, Minha Vida atualmente vale tanto quanto um slogan eleitoral de ocasião, e nada mais do que isso.
As demissões vêm a galope. O pé no freio das montadoras indica um efeito dominó que não se sabe onde vai parar.
A crise na Petrobras engessa uma parte significativa do PIB nacional; é como se a sede do Ministério da Fazenda tivesse se transferido de Brasília para o Paraná.
E o governo de turno assiste a tudo isso com uma mistura de empáfia e desorientação. Cancela pronunciamentos em dias-chave, vide o 1º de Maio, foge de cerimônias oficiais como prisioneiro em um bunker, evita contato com o povo.
Ah, mas a propaganda na televisão pode resolver o problema.
Não se sabe se é o caso de chorar ou de rir, ou de chorar de tanto rir. Nem uma palavra sobre a distribuição justa do ônus de uma crise mundial que atinge o conjunto do planeta. Como sempre, a conta é espetada no lombo dos trabalhadores.
FESTAS NOS BANCOS
Coincidência ou não, na mesma época somos informados dos resultados dos principais bancos do país.
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 5,733 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O ganho é recorde para o período levando em conta o resultado dos bancos brasileiros, segundo a consultoria Economática.
Um pouco antes, o Bradesco anunciou ter fechado o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido de R$ 4,244 bilhões, 6,3% acima do resultado do quarto trimestre de 2014 e 23,3% maior que o mesmo período do ano passado.
Os trabalhadores penam, a indústria resmunga, o comércio reclama. Já o capital financeiro comemora. Será que é tão difícil saber de onde tirar?
PARA INGLÊS VER
A elite conservadora festejou a vitória de David Cameron no Reino Unido. Seria a prova de que a redução de gastos públicos e o corte de direitos sociais mostram o caminho da redenção.
Detalhe: a renda média da população caiu 2,4% entre 2010 e 2014, ficando abaixo do patamar de antes da crise de 2008! Quem perdeu mesmo foram os institutos de pesquisa e a incompetência da oposição.

17de maio de 2015
Ricardo Melo
Folha