"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 29 de novembro de 2015

O BRASIL EM SEU LABIRINTO


evol

Dos repetidos rompimentos das barragens de contenção de rejeitos de mineração “a montante de comunidades” soterrando populações indefesas aos repetidos rompimentos das barragens de contenção de gastos públicos criminosos “a montante de economias nacionais” soterrando vidas inteiras de trabalho duro de uma ou mais gerações de inocentes; para todos os seus fracassos e para todas as suas catástrofes, seja qual for a área envolvida, o brasileiro, como um autômato com defeito no software, repete mecanicamente a mesma resposta: precisamos de mais leis, precisamos de mais regulamentos, precisamos de mais fiscalização, precisamos de mais verbas (e impostos)...
Precisamos, enfim, de mais Estado.
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Quatro meses antes do desastre de Mariana o Ibama ordenou o embargo da barragem do Fundão. Ha 14.966 “bombas” semelhantes espalhadas pelo território nacional, segundo a última contagem que encontrei na imprensa. 
Dezesseis delas, em 14 municípios de quatro estados diferentes, já oficialmente catalogadas como “de alto risco” ameaçando diretamente 540 mil pessoas nas bacias do Amazonas, do Paraguai e do moribundo São Francisco.
Entre todos os brasileiros que assistem ou mesmo que protagonizam as longas e circunspectas discussões televisivas sobre as “soluções” para os problemas crônicos que o desastre do dia traz eventualmente à tona, não ha um único que não saiba que fiscalização é só mais um bom negócio que se outorga aos amigos do rei no pais do petrolão; que tudo que os fiscais constatam ou determinam – da
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imposição de providências preventivas às multas pelas lamas derramadas e vidas perdidas – pode ser livremente comprado e vendido no mercado ou, no mais das vezes, não passa de jogo de cena pois, em tudo que diz respeito à grande mineração, às grandes inundações hidrelétricas, a toda a sujeira que o petróleo espalha na terra, no mar e no ar, aos futuros acidentes nucleares e a tudo que é grande o bastante para ser realmente ameaçador neste pais, o fiscal e o fiscalizado são a mesma pessoa; o mesmo onipresente Estado que se insiste em apontar como a solução dos problemas de que ele próprio é a causa.
Quem multa não cobra e quem é multado não paga porque os dois são a mesma pessoa jurídica, e todo brasileiro, sem uma única exceção, está careca de saber disso. 
Mas continuam todos, como se nada houvesse, comemorando as “multas milionárias” que nunca serão pagas, os "planos de recuperação ambiental” que nunca serão executados e os novos e “severos” regulamentos que – “agora sim” – vão “resolver” o problema.
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A questão é de um óbvio ululante e esta coleção rigorosamente “holística” de fracassos que o Brasil vem colhendo é a prova dela: quando o Estado e o Capital são uma só e a mesma entidade, todos e tudo o mais é só comida pra ser mastigada.
Mas como o mesmo Estado que miserabiliza é quem atira a migalha que mantém o nariz do miserável um centímetro acima da lama; como a mesma mineradora que desencadeia o tsunami e depreda o ambiente em volta até o esgotamento e a esterilidade absoluta transforma-se, por isso mesmo, na única alternativa de emprego; como o Estado que arrebenta a economia é o provedor da única ilha -- a do funcionalismo -- que nunca afunda na inundação, ninguém, o desafia; ninguém põe o dedo na ferida. 
A farsa continua porque a fera é vingativa e ninguém sabe o dia de amanhã...
E assim vamos, de desastre em desastre, em marcha batida para o desastre final.
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A região de Mariana e adjacências vem sendo selvagemente depredada pela mineração ha 300 anos. Foi impossível mostrar o desastre do dia sem deixar entrever, nas mesmas cenas aéreas, a paisagem lunar daquela coleção de crateras gigantescas e insanáveis. Nem um milênio de paz dará jeito naquilo. 

Os repórteres e os ambientalistas que há três semanas não saem da ribalta fazem parte dessa geração que se acostumou a pensar que eucalipto é natureza porque "é verde" e que a carne a venda nos supermercados não veio de animais que estiveram vivos. 
Mas muito pior que o avanço da lama por aquela corrente esquálida daquele esqueleto de rio que não sai da telinha ha três semanas, é o deserto que se enxerga até onde a vista alcança em ambos os lados do que foi o legendário Baixo rio Doce, o divisor de fauna entre os biomas da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica, recoberto, até ha pouco, pela mãe de todas as florestas deste paraíso luxuriante da botânica que já foi o continente sul americano; o habitat das mil e uma espécies de beija-flores de Augusto Ruschi, o herói esquecido de um Brasil que amava passarinhos.
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O mundo sabe; a História confirma: não ha remissão de nenhuma das nossas crises – a ambiental, a econômica ou a moral – fora da conquista e da submissão do Estado pela cidadania. Mas não ha nenhum sinal dessa virada no horizonte.
Os dicionários da internet definem assim a Síndrome de Estocolmo

Submetida por tempo prolongado a um stress físico e emocional extremo a mente da vítima inconscientemente fabrica uma estratégia para proteger sua psique em que qualquer sugestão de alivio por parte do sequestrador passa a ser supervalorizada a ponto de leva-la a sentir simpatia ou até mesmo amor pelo seu agressor”.
É uma descrição bastante precisa do presente estado da relação do povo brasileiro com o Estado que o sequestrou.
ma0
29 de novembro de 2015
vespeiro
http://lorotaspoliticaseverdades.blogspot.com/2015/11/o-brasil-em-seu-labirinto.html


PRISÃO DE SENADOR AMEAÇA A IMAGEM E O FUTURO DO GOVERNO



O que Dilma tinha na cabeça ao escolher Delcídio como líder?












A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. Os temores são múltiplos, não apenas pelo desastre de imagem de ver o líder do governo no Senado preso acusado de bolar um plano para tirar um suspeito de crime do país. O líder do governo no Senado foi preso nesta quarta-feira (25) no âmbito da Operação Lava Jato por tentar conturbar as investigações. Ele teria oferecido uma mesada de R$ 50 mil ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada com os investigadores. Além disso, queria que Cerveró fugisse do país.
Antes de tudo, as condições da prisão do senador e do banqueiro André Esteves. O governo avalia que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, não autorizaria operação de tal impacto se a contrapartida não fosse forte o suficiente: não apenas o plano de fuga oferecido a Nestor Cerveró, mas também a possibilidade de que a revelação dele seja parte da negociação da delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras.
Especulada e negada há meses, a delação de Cerveró, que agora foi fechada, é um dos pesadelos do governismo e do petismo, mas não só, já que o ex-diretor era uma indicação sustentada pelo PMDB – mais especificamente, apesar das negativas, do grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que oficialmente nega isso.
E há o senador preso. Delcídio, que adotou o “do” no sobrenome ano passado por dica de uma numeróloga, é um dos políticos com melhor trânsito na área de energia – foi rapidamente ministro do setor no governo Itamar Franco e ocupou a diretoria de Gás da Petrobras. Mais que isso, tinha pés em todas as canoas políticas relevantes.
Foi tucano e deixou o partido em 2001, aliando-se ao grupo do ex-governador Zeca do PT (MS). No Senado desde o início do governo Lula, em 2003, Delcídio ganhou fama de habilidoso operador político.
FARÁ DELAÇÃO PREMIADA?
Agora, tudo isso pode voltar-se contra ele. A ser confirmado tudo o que se diz nos meios judiciais em Brasília, Delcídio poderá se ver sem mandato e na cadeia por um bom tempo, o que levaria à questão da delação premiada.
Em um exercício de especulação, Delcídio poderia então falar sobre os meandros de diversas negociações potencialmente danosas ao governo e ao PT.
Ele foi, por exemplo, presidente da CPI dos Correios (2005), que investigou o mensalão – abundam insinuações, na oposição, de que ele ajudou a evitar a citação ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no texto final do relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ele sempre negou.
Além disso, Delcídio tinha a área internacional da Petrobras como uma de seus campos de influência na estatal, sendo co-patrocinador da indicação de Cerveró para a diretoria. Foi sob esta área que ocorreu a obscura compra da refinaria de Pasadena (EUA), em investigação na Lava Jato e que esbarra em decisões do Conselho de Administração da estatal, presidido então por Dilma Rousseff.

29 de novembro de 2015
Igor GielowFolha

UMA GRAVE DENÚNCIA, ENTRE TANTAS...

informações paramilitares, milícias, revolução no acordo ...

https://www.youtube.com/watch?v=8eJXHSYQn_k
13 de nov de 2014 - Vídeo enviado por Blogdelinks
INFORMAÇÕES PARAMILITARESMILÍCIASREVOLUÇÃO NO ACORDO ENTRE MST E VENEZUELA ...


29 de novembro de 2015
m.americo


http://lorotaspoliticaseverdades.blogspot.com/2015/11/uma-grave-denuncia-entre-tantas.html


"BIG BANG THEORY!

As instituições brasileiras estão funcionando. As investigações da Lava Jato não poupam ninguém, sejam políticos, empreiteiros e, agora, banqueiros.

Assim, aos poucos, num processo incremental de melhora institucional, estamos dando os passos necessários para tornar a corrupção não algo inexistente, já que isso é impossível, mas um fenômeno bem menos frequente na nossa sociedade.

Esse é o discurso em que gostaríamos de acreditar. Ele é sancionado por órgãos como ONU, FMI, Banco Mundial e por boa parte da literatura acadêmica sobre corrupção. O cientista social sueco Bo Rothstein, contudo, tem uma visão um pouco menos otimista do problema.

A maioria das pessoas, corruptos inclusive, admite que a prática é imoral e prejudica a sociedade. Ainda assim, não deixa de recorrer a ela, pois sabe que adotar um comportamento mais virtuoso em escala individual não adiantaria nada. A teoria dos jogos mostra que não faz sentido ser a única pessoa honesta na cidade.

Segundo Rothstein, é muito difícil quebrar essa lógica com passos incrementais, daí que ele defende o que chama de "big bang theory". Para um país mudar de patamar na questão da corrupção, é preciso que tome várias medidas em várias áreas e num curto espaço de tempo.

Ele reconhece que não há muita evidência empírica a sustentar sua tese, mas a ilustra com o caso da própria Suécia, que, até o início do século 19, era tida como um país particularmente corrupto -talvez não em níveis africanos, mas decerto comparável ao Brasil.

Em meados do século, porém, os suecos adotaram uma série de reformas que teriam produzido o tal do "big bang". Elas incluíram, entre outros itens, leis anticorrupção, educação pública obrigatória, liberdade de imprensa e de religião, fim das guildas, mudanças no sistema eleitoral e no recolhimento de taxas. Espero que Rothstein esteja errado, pois sua receita é mais difícil.



29 de novembro de 2015
Hélio Schwartsman

CASTELO DE AREIA

Certeira a previsão da então presidente da Petrobrás, Graça Foster, lá pelos idos de 2014 de que não ficaria “pedra sobre pedra” quando concluídas as investigações sobre as traficâncias cometidas por funcionários, políticos e empresários em nome e ao custo da empresa outrora símbolo de pujança na economia do Brasil.

Em fidelidade à exatidão, a executiva se referia à capacidade da Petrobrás de promover ela mesma o desmonte da corrupção. Fazia uma promessa vã, quase uma bravata. A afirmação, no entanto, revelou-se premonitória no tocante ao resultado, uma vez que nada mais fica em pé na rede de mentiras e ilicitudes montada pelo governo para de um lado sustentar e de outro patrocinar o financiamento do projeto de perpetuação do PT no poder.

A semana passada foi exemplar: começou com a prisão do amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, sobre quem pesam várias acusações, entre as quais a de ter intermediado pagamento de propina para calar testemunha que ameaçava revelar fatos sobre o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André morto por ter descoberto esquema de corrupção na prefeitura.

No dia seguinte, foram presos o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, e o banqueiro André Esteves por tentativa de obstrução da Justiça. Na sexta-feira, a empreiteira Andrade Gutierrez se comprometeu a pagar multa de R$ 1 bilhão depois de confessar ser uma pagadora contumaz de subornos: na Petrobrás, nas obras da Copa do Mundo, na usina nuclear de Angra 3, em Belo Monte e na ferrovia Norte-sul.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, corre o risco de ser cassado por quebra de decoro, está denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal e começa a temer que seu destino seja o mesmo do senador Delcídio, depois de estabelecido o precedente. Isso sem falar no presidente do Senado, Renan Calheiros, cuja denúncia por peculato e falsidade ideológica já foi aceita pelo STF.

Se disso tudo decorrerá algum tipo de ruptura, seja em relação ao mandato da atual presidente ou na consolidação da falência ao modelo político em vigor, os acontecimentos é que continuarão ditando o rumo. Mas, o cenário da demolição está posto, independentemente do que virá em substituição.

Não há escapatória. Um dado é preciso levar em consideração: Delcídio Amaral não é um senador qualquer. Era líder do governo, escolhido pelo Planalto (não pela bancada do PT no Senado) para em seu nome atuar e falar. Estava de posse dessa delegação quando se prontificou a interceder por Nestor Cerveró no Supremo e a proporcionar condições de fuga ao ex-diretor da Petrobrás. Em troca de um silêncio que, se quebrado, não prejudicaria apenas o senador, mas a todos os que nos últimos dois anos insistiram que nada de errado havia na Petrobrás.

Ladeira abaixo. O PT entrou numa trajetória “água de morro abaixo” que não tem volta. Erra até quando acerta. Acertou na recusa de emprestar solidariedade ao senador Delcídio Amaral – não obstante devesse tê-lo feito em relação a petistas de “raiz”, cujas ilicitudes levaram a condenações e prisões –, mas errou feio na justificativa.

Segundo a nota do presidente do partido, Rui Falcão, diferentemente dos outros, Delcídio não estava em “atividade partidária” e daí seu erro. Não foi um ato falho. Foi, antes, a manifestação explícita e consciente de que o PT governa em causa própria.



29 de novembro de 2015
Dora Kramer

PRESIDENCIALISMO DE COLISÃO

Em fevereiro, aqui mesmo, no Estado, eu alertava para o prosseguimento de uma grave crise, iniciada ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff, no presidencialismo de coalizão – sistema que deveria tornar viável e assegurar a governabilidade.

No primeiro mandato, a distribuição de cargos não correspondia à base de sustentação no Congresso. Quando se fazia isso, apenas se manipulava a distribuição das verbas orçamentárias para construir maiorias ocasionais. No início do segundo mandato, a prática desandou totalmente, por uma mistura de incompetência política, crise econômica e efeitos colaterais da Operação Lava Jato.

Os sintomas da perda de controle do governo sobre sua base se tornaram claros com a aprovação da execução impositiva das emendas orçamentárias dos parlamentares e com a retomada, após 12 anos, da votação dos vetos presidenciais. Nove meses após a publicação do meu artigo, a situação política do governo só piorou, com a agenda do ajuste fiscal avançando lentamente em meio a grandes dificuldades.

Em outubro foi feita uma minirreforma ministerial, com resultados duvidosos. E aqui e ali pautas-bomba ameaçam explodir no colo do governo. A cada votação relevante é um deus-nos-acuda. E o governo corre da cozinha para a sala tentando apagar focos de incêndio. Ao mesmo tempo, sofre com intenso fogo amigo, altamente desestabilizador. Enfim, não é um governo de coalizão, pois carece de unidade de propósitos, unidade de comando e coesão operacional. É um presidencialismo de colisão!

Tudo seria mais simples se existisse uma sólida maioria a favor do Planalto. Não é o caso. Ao contrário de Fernando Henrique Cardoso e Lula, Dilma Rousseff não conseguiu criar uma supermaioria. Tanto pelas características doentias do sistema partidário nacional quanto pela notória incapacidade política de seu governo.

Temos, no momento, o Congresso mais fragmentado da História do País. São 28 partidos com representação legislativa. Na base governista há pelo menos 14 partidos, além de algumas outras nanolegendas. Na oposição são cinco partidos.

Além dessa fragmentação, nociva para o sistema partidário, temos um problema ainda mais grave: a falta de lideranças. Na ausência de líderes que possam construir consensos, resta outro tipo de fragmentação: a pulverização de microlideranças no Congresso. Vejamos o fenômeno nos principais partidos da base.

O PMDB, por exemplo, está cindido na Câmara em, pelo menos, três polos, sendo que um deles é assumidamente a favor do impeachment. No PT temos também três polos: a maioria pró-Lula, um pequeno grupo dilmista e cerca de 20 deputados envergonhados com a crise ética do partido e que não sabem como sair da enrascada.

Detalhando a base governista, temos cerca de dez blocos de lideranças! Sem seu consenso nada anda. O pior é que as lideranças que existem não estão adequadamente representadas no governo, o que causa insatisfação e sentimento de não comprometimento.

Para piorar, as investigações em curso na Lava Jato limitam a ação de algumas das principais lideranças do Congresso, que estão sendo investigadas. Assim, temos uma fragmentação aliada à fragilidade das lideranças partidárias. É um cenário ideal para a paralisia.

A combinação de fragmentação partidária, pulverização de microlideranças e efeitos da Lava Jato transforma num grande exercício de paciência o avanço legislativo de qualquer medida mais polêmica. É o que estamos vendo: governo e Congresso não reagem na rapidez que o País precisa hoje.

Até agora, todas as iniciativas adotadas foram parciais e/ou tiveram timinginadequado. A cada dia que o governo atrasa a construção de uma nova maioria, sua viabilidade política vai sendo consumida. O palácio parece acreditar que o tempo vai resolver seus problemas e no fim tudo vai acabar bem. Entretanto, um ano do mandato já se foi e aconteceu muito pouco.

O que fazer? Temos de construir uma nova maioria que se baseie em pontos claros de políticas públicas e reformas estruturais. O ponto inicial de uma nova maioria poderia partir de um programa de governo tecido com apoio dos partidos no Congresso. Seria um conjunto de propostas com a adesão formal das legendas da nova maioria.

O governo tem no ajuste fiscal o seu programa. Mas isso é insuficiente. E o ajuste não deveria ser apenas fiscal, mas embutir medidas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, abrir a economia brasileira, simplificar o sistema tributário, atacar a questão previdenciária e buscar uma reforma política ampla e séria.

O segundo passo seria amarrar a nova maioria ao programa de governo com deveres e responsabilidades no Gabinete de ministros e no Congresso Nacional. Os partidos da base não deveriam agir de forma independente nem como aliados de ocasião, e sim ser o sustentáculo do governo.

O terceiro passo é anunciar um cronograma de votações dos temas constantes do programa de governo com votações alternadas na Câmara e no Senado. As propostas seriam assinadas por todos os líderes da base governista e submetidas ao rigor da fidelidade partidária.

Sem uma adequação entre governo, programa de governo, Ministério e base parlamentar, o modelo não vai funcionar. Ou funcionará parcialmente, como agora, ao sabor dos humores das microlideranças e dos arranjos de última hora.

A fórmula proposta é simples e não há grande mistério em sua concepção. Difícil é pô-la de pé com a qualidade de líderes que temos no momento. Complexa também é a vontade de romper o círculo vicioso e ter a coragem de enfrentar os desafios de agregar uma nova maioria que possa liderar o Brasil no caminho da retomada do desenvolvimento econômico e social. Simples e complexo ao mesmo tempo, mas é o caminho que deveria ser seguido.



29 de novembro de 2015
Murillo de Aragão

A LAMA TÓXICA DA POLÍTICA

A pergunta é recorrente: depois dos milhões do mensalão, dos bilhões do petrolão, da lama tóxica que escorre pelo rio Doce, matando a vida marinha, das prisões do senador Delcídio Amaral e do banqueiro André Esteves, com origem na lama moral que escapa dos dutos da Petrobras, correremos o risco de ver nova enxurrada de corrupção? Para sermos mais precisos, a campanha eleitoral de 2016, voltada para a eleição de 5.568 prefeitos e cerca de 60 mil vereadores, usará, mais uma vez, recursos ilegais, dinheiro por baixo do pano, falcatruas e outros meios tradicionalmente manipulados por candidatos? Infelizmente, a resposta é sim. Mesmo que a batelada de candidatos tenha a porteira fechada para doações de recursos por parte de pessoas jurídicas.

A confirmação do uso de Caixa 2 se ancora em alguns fatores. Primeiro, não se muda a cultura política por decreto. Não será da noite para o dia que sairemos da barbárie em matéria de campanha eleitoral para um avançado estado civilizatório. Segundo, o Judiciário e o Ministério Público, mesmo com seus sistemas de controle, investigação e decisão mais apurados e tempestivos, não serão suficientes para barrar as correntes de corrupção que se espalham nas três instâncias da Federação. Como bem lembra o juiz Sérgio Moro, sem a consciência da representação política, o que a Justiça faz para conter a corrupção equivale a uma pregação no deserto. Ele está certo. A corrupção é mazela arraigada no ethos nacional, desde os tempos primeiros da colonização. Pode diminuir, como se espera, mas não será extirpada in totum. Haverá sempre um amigo aqui, outro acolá, dispostos a ceder meios de transporte, combustível, a ajudar os amigos candidatos com material gráfico etc.

Portanto, as campanhas municipais ainda contarão com a alavanca de empuxo principalmente nas áreas de logística, trabalho de campo (cabos eleitorais) e materiais gráficos. O que se pode garantir é a maior transparência dos processos, um poder crítico mais agudo, que deverá transparecer na denúncia de campanhas ricas e exuberantes, no apontamento de exageros nas estruturas e equipes que trabalharão para os candidatos. Teremos uma campanha mais curta, em um tempo de 45 dias, com 35 dias de propaganda eleitoral. Esse encurtamento já será um passo adiante, eis que os postulantes poderão aproveitar melhor o tempo( curto) para expor seu pensamento e cortar os trololós da linguagem tatibitate( monocórdica, onomatopéica, evasiva) geralmente adotada.

Em suma, no centro dos lamaçais que escorrem pelos vãos da República, continuaremos a conviver, apesar de em quantidades menores, com manobras espúrias e incestuosas entre protagonistas da política. Norberto Bobbio, em seu clássico “O Futuro da Democracia”, já dizia que o poder invisível é uma das promessas não cumpridas pelos sistemas democráticos. Esse poder consiste nas ações incontroláveis de grupos que agem nas entranhas da administração pública, dando formato a um duplo sistema de poder, chegando, em certos momentos, a “peitar” a estrutura formal de mando. Exemplo ocorre quando a presidente da República ou seu antecessor dizem que nunca souberam de corrupção na esfera da Petrobras.

O fato é que esse poder age nas sombras da administração. Sua origem se localiza nos Estados absolutos, quando as decisões eram tomadas pelos arcana imperii, autoridades ocultas que se amparavam no direito de avocar as grandes decisões políticas, evitando a transparência do poder. Um dos princípios basilares da democracia é o jogo aberto das ideias, o debate, a publicidade dos atos governamentais, formas de controlar os limites do poder estatuído. No absolutismo, o princípio consistia na tese de que é lícito ao Estado o que não é lícito aos cidadãos. Nossas democracias representativas conservam contrafações do autoritarismo, entre as quais a capacidade de confundir o interesse geral com o interesse individual ou de grupos, a preservação de oligarquias e as redes invisíveis de poder.

Os fenômenos se expandem criando novos tipos de ilegalidade, desenhando uma aética nas relações políticas, fomentando o clientelismo e a apatia das massas. Sempre foi assim por nossas bandas, mas, nos últimos tempos, a tecnologia sofisticada tem conseguido driblar as afinadas lâminas dos controles. Não por acaso, as taxas de credibilidade na política e nos governantes decrescem, os valores éticos se estiolam, os fundamentos morais da sociedade se abalam e o resultado se mede pelo atraso no processo de modernização política e social.

Em suma, iremos conviver, por bom tempo, com o poder invisível e suas nefastas consequências. Estamos vendo gente graúda na cadeia. Mas tal visão não significa expurgo completo dos conluios. Não será surpresa se, mais adiante, batermos de frente com novos escândalos. Estamos abrindo o corpo putrefato da política. Os órgãos de controle e o Judiciário funcionam, nesse momento, como pinças e agulhas que lancetam tumores malignos. Esses cancros serão eliminados quando atingirmos estágio civilizatório elevado. Coisa para duas ou três gerações. Para tanto, o ponto de partida é a revolução educacional. Que pode elevar a condição de povos dóceis, indiferentes, ignorantes, passivos (preferidos pelos governantes) para um patamar avançado de democracia, que abrigará cidadãos ativos, conscientes, participativos.

Carecemos de cidadania ativa, aquela que John Stuart Mill defendeu em suas Considerações sobre o Governo Representativo. Não adianta fazer reforma política - mudar sistema de voto, de representação, fidelidade partidária, - se os súditos se assemelham a um bando de ovelhas pastando capim. A promessa da democracia - de educar os cidadãos - é o compromisso prioritário para que o Brasil possa sair do estágio pré-civilizatório que se encontra em matéria de cidadania política. Quando todos os brasileiros estiverem comendo do mesmo prato cultural, inseridos no banquete da Consciência cidadã, o nosso ethos terá orgulho do país.



29 de novembro de 2015
Gaudêncio Torquato

BRASIL ADOTOU O MODELO QUE FALIU ARGENTINA

Economistas e cientistas políticos têm na América Latina um rico laboratório de experiências em escala real — infelizmente, as vítimas do experimentalismo excessivo no continente, em termos de política econômica e modelo político, também são reais.

No momento, testemunha-se, na Argentina, com a derrota do kirchnerismo nas eleições presidenciais de domingo, o início de mais uma reviravolta de modelo na economia, desta vez para consertar estragos sérios. Pois, além do estilo belicista de fazer política seguido por Cristina Kirchner e seu grupo, uma facção do peronismo, foi derrotada uma administração ruinosa da economia. E neste aspecto, a Argentina dos Kirchner (Néstor e Cristina) não está isolada.

O receituário econômico, em alguns pontos básicos, seguido por Néstor Kirchner, ao assumir a Casa Rosada em 2002, e mais ainda por sua mulher e sucessora, Cristina, reuniu alguns ingredientes do modelo populista e intervencionista cultuado por parte da esquerda latino-americana.

Controle de preços, intervenções no câmbio, incentivos generalizados em nome da “justiça social”, juros mantidos artificialmente baixos por um Banco Central sob controle do Executivo, e assim por diante.

Não é coincidência que esta política se assemelhe ao “novo marco macroeconômico” que Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, com Guido Mantega na Fazenda, induziu Lula a começar a seguir no segundo mandato dele, e que ela, presidente, aprofundou. E o resultado está aí.

A estirpe do pensamento econômico kirchnerista tem o mesmo DNA do “desenvolvimentismo" de Dilma e PT. E vice-versa. O saldo da aplicação dos modelos aparentados foi desastroso, como era previsto. No Brasil, a tentativa de controlar a inflação com o congelamento de tarifas — como na Argentina — foi um fracasso e ainda criou a necessidade de uma rápida atualização desses preços, na forma de um tarifaço. Problema que o novo presidente, Mauricio Macri, terá de enfrentar.

Como a Argentina comete erros de política econômica há mais tempo, suas mazelas são maiores que as brasileiras: a inflação se aproxima dos 30% — medida por índices privados, porque os oficiais são manipulados —, as reservas cambiais estão no chão, também porque o país resolveu ser beligerante com credores e, por isso, se tornou um pária no sistema financeiro internacional.

Houve taxas altas de crescimento na era dos Kirchner, como em 2010 no Brasil. É natural um boom econômico neste tipo de política econômica populista, ainda mais num ciclo de crescimento mundial. Depois, vem a ressaca. A Argentina já estava nela quando o Brasil de Dilma 2 também deu entrada na enfermaria.

Os vizinhos têm a vantagem de contar com um governo novo, eleito para fazer as reformas. No Brasil, é a responsável pela crise que precisa conduzi-las. Mas aqui há instituições republicanas mais fortes. No ano que vem vai-se ver quem obterá melhores resultados.



29 de novembro de 2015
O Globo

O FAROESTE É GLOBAL

Pouca atenção se prestou à notícia divulgada esta semana sobre mercenários latino-americanos atuando no Iêmen a serviço dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Compreende-se. São guerras em demasia para acompanhar. E com protagonistas bélicos da musculatura e retórica de um Vadimir Putin, François Hollande, Barack Obama ou Recep Erdogan, a existência de uma brigada de 1.800 latino-americanos suando no deserto empalidece.

Contudo, a notícia é relevante para se entender o faroeste global em que vivemos. Guerreiros de aluguel existem desde a Idade Média, contratados por monarcas ou cidades-estado, poderosos e papas. Só foram perdendo utilidade com a formação das nações-estado e a criação dos exércitos a serviço da pátria. Ressurgiram com força em tempos recentes depois que muitos países aboliram o serviço militar obrigatório.

Os Estados Unidos, por exemplo, foram buscar no setor militar privado metade do pessoal deslocado para a zona de combate no Iraque. No Afeganistão, essa proporção já está mais próxima dos 70%. Também a Nigéria recorre a mercenários para enfrentar o grupo terrorista Boko Haram e a Arábia Saudita paga sudaneses para lutar no Iêmen. Há quem garanta a presença de combatentes de aluguel atuando na Ucrânia, sob contrato da Rússia. Além disso, a indústria militar privada protege oficialmente empresas petrolíferas em zonas de conflito e faz as vezes de escudo bélico ou policialesco em países onde forças regulares são omissas, escassas ou sem apetite para morrer.

É o caso dos sete Emirados Árabes Unidos, cuja população é rarefeita e tem em Abu Dhabi e Dubai as vitrines mais ofuscantes de seus petrodólares. Segundo o “New York Times”, data de 2010 a fundação da primeira base a abrigar e treinar tropas estrangeiras de aluguel. Essa legião estrangeira incluiria panamenhos, salvadorenhos e chilenos, mas, ao que se saiba, nenhum brasileiro por enquanto. 
Os mais eficazes seriam os colombianos, pela experiência de décadas de enfrentamento com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) de seu país. Egressos do Exército colombiano regular, embolsam nos Emirados um salário de cinco a dez vezes maior do que o soldo que recebiam em casa.

“A indústria militar privada tornou-se global, legitimada pelos Estados Unidos”, explica o americano Sean McFade, autor de “O mercenário moderno”, “e a contratação de latino-americanos sinaliza para onde caminham as guerras”. McFade serviu na 82ª Divisão Aerotransportada do Exército americano antes de migrar para a Dyn Corporation International, uma das maiores do setor privado.

Conhece bem os dois lados, portanto, e se insurge contra a péssima reputação do setor. Meio ano atrás, quatro seguranças da temida Blackwater, cuja extensa folha corrida de abusos obrigou-a a mudar de nome para Academi, foram condenados a 30 anos de prisão por terem assassinado 17 civis iraquianos em Bagdá, no ano de 2007. Estavam a serviço das tropas americanas, e sua condenação nos tribunais dos Estados Unidos foi recebida com alívio pelos liberais.

Dois anos antes, porém, ocorrera outro tenebroso massacre, também no Iraque, só que praticado por um esquadrão da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais dos EUA. Eles teriam surtado com a morte de um companheiro explodido por uma mina em Haditha, e se puseram a vingá-lo. 
Ali, na hora.
Primeiro fuzilaram os cinco pedestres mais próximos. Em seguida, foram de casa em casa e assassinaram outros 19 civis, alguns com vários disparos à queima-roupa. Entre as vítimas, de 3 a 76 anos de idade, havia um cadeirante.

Julgados em tribunais do Pentágono, todos os envolvidos no massacre foram inocentados — exceto um, penalizado com redução da patente e corte no soldo. Conclusão do ex-soldado, ex-mercenário e ex-aluno de Harvard Sean McFate: decorridas quase duas décadas de guerras coalhadas de abusos, nenhum oficial americano até hoje recebeu pena severa.
Há, porém, um aspecto mais sombrio do que a aplicação de códigos de honra, justiça e ética distintos para membros das Forças Armadas e “terceirizados”: o fato de práticas comumente atribuídas a mercenários terem contaminado as fileiras dos exércitos regulares. Nesta guerra global contra o terrorismo que a revista “Foreign Policy” define como “custosa, autoperpetuante, sem rumo e sem fim”, os desvios só tendem a se multiplicar.

Na França recém-saída dos múltiplos atentados terroristas de duas semanas atrás, registra-se um surto de fervor patriótico. As filas de jovens nos postos de recrutamento quintuplicaram: a média de 300 voluntários antes da sexta-feira 13 saltou para 1.500 por dia. Afirmam que o inimigo a abater é o Estado Islâmico, mas poucos saberiam definir o que é, onde fica, o que quer e como vencer esse inimigo. Pior: seus comandantes e o chefe da nação também tateiam.

Saudade dos tempos igualmente ferozes, porém mais simples, da Guerra Civil espanhola. Quisera o mundo de hoje ser tão compreensível como o descrito por George Orwell em “Homenagem a Catalunha”, no qual o escritor relata seu engajamento naquele conflito de ideais do final dos anos 1930. Para lá acorreu uma legião estrangeira desarmada com apenas uma certeza na cabeça: a de se juntar à “luta do povo contra a tirania”. “Era a única coisa concebível a fazer”, escreveu o autor.
Eles vieram de todos os cantos do mundo, trazendo seus nomes consagrados — além de Orwell, Arthur Koestler, André Malraux, John dos Passos, Ernest Hemingway, entre tantos outros. Chegaram e pegaram em armas por uma causa.

Todos, em graus variados, emergirem da luta profundamente desiludidos com o que testemunharam nas próprias fileiras. Orwell nunca se arrependeu de ter combatido, apesar da desilusão com o comunismo e do tiro que lhe furou a nuca e por pouco atingiu a carótida.
No atual faroeste de alianças letais e interesses mercenários, é torcer para que esse estado de guerra permanente e sem fronteiras não engula uma geração a mais da que já engoliu.

29 de novembro de 2015
Dorrit Harazim

DUAS NOTAS INTERESSANTES




29 de novembro de 2015
in blog do beto

O HUMOR DO SPONHOLZ...



29 de novembro de 2015

DILMA VAI A PARIS TORRAR O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE

Brasília – Quando o Lula mandou a Dilma passear e deixar o governo por conta dele e de seus parceiros, poderia até estar brincando mas a presidente levou a sério. Ela chegou ontem a Paris cercada pelos áulicos de sempre, onde deverá permanecer o fim de semana na Cidade Luz. Afinal de contas, ninguém é de ferro. Essas viagens, por conta do contribuinte, são armadas pelo staff da Dilma que aprecia bons vinhos, hotéis e restaurantes sofisticados na Europa. Quando levanta voo do Brasil, o Aerodilma deixa um rastro de despesa tão grande que humilha até os maiores ricaços brasileiros que trafegam em seus aviões pelo mundo. O encontro em Paris é importante, não resta dúvida. Mas o Brasil, depois do desastre ambiental de Mariana e dos escândalos políticos, não pode se considerar representado por um chefe de estado rejeitado pelo seu povo. E mais: envolvida até o Gogol em corrupção.

Em um país em crise, que acabou de engaiolar o líder do governo e um de seus principais banqueiros, amigo do ex-presidente Lula, não deixa de ser estranho que a presidente se ausente de Brasília coincidentemente no final de semana de feriado prolongado. A Dilma, novamente, se encastela em bons hotéis e come em restaurantes que normalmente não frequentaria se tivesse que pagar a conta. A entourage também vai pegar uma carona e aproveitar para fazer compras – e quem sabe – dar uma passadinha na porta da Bataclan como se representasse o sentimento de todos os brasileiros à tragédia que matou dezenas de pessoas no fatídico dia 13, sexta-feira de novembro.

O contribuinte é que sustenta a mordomia da presidente que inventa conversa com chefes de estado para se ausentar do país. Você que viaja pelas companhias aéreas brasileiras e que já comeu aquele sanduiche frio ou o pacotinho de bolachas mofadas servido à bordo, veja: o serviço do avião presidencial custa por ano aos cofres públicos 2 milhões de reais. Isso mesmo, 2 milhões de reais! Um escárnio para um país que vive na pindaíba e que não consegue fechar as contas. Já foi mais. Em 2006, Lula chegou a gastar R$ 3,7 milhões. Agora que você mastigou a torradinha de botequim da TAM e ainda botou as mãos para o céu, veja se não é de dar água na boca o cardápio no Aerodilma.

O padrão é internacional: carnes variadas (coelho assado, costeleta de cordeiro, rã, pato, picanha e peixe). O café da manhã é uma bandeja de frutas, canapés e caviar; camarão ou salmão defumado. Dilma tem horror ao contato humano, por isso prefere hotéis luxuosos às embaixadas brasileiras. “Em junho, por exemplo, passou três dias numa suíte do St. Regis, em Nova Iorque, decorada por joalheiros da Tiffany. Depois passou um dia em São Francisco, Califórnia, no hotel Fairmont, cuja suíte principal tem um mapa estelar em folhas de ouro contra um céu de safira. O custo médio das diárias nos EUA foi de R$ 36 mil”, segundo relatou o jornalista José Casado em artigo para O Globo.

Casado escreveu ainda que “para servi-la e à comitiva foram contratados 19 limusines, 15 motoristas, dois ônibus e um caminhão para transportar bagagens. Custou R$ 360 mil. Em Atenas, na Grécia, em 2011, a presidente gastou R$ 244 mil numa “escala técnica” de 24 horas – mais de 10 mil por hora”. Isso quando não para em Portugal para comer um bacalhau no seu restaurante preferido em Lisboa. E você, que se lambuza com os cascalhos da torrada da TAM ou na rodoviária comendo aquela coxinha requentada, o que acha disso?

Pois é, a presidente encurtou na última hora a extensão da sua viagem. Para frustração da sua comitiva que iria às compras, ela desmarcou o passeio para o Japão e Vietnã, depois que descobriu que não teria nada importante para fazer nesses países.

O custo da presidência da república é um dos mais altos do mundo. Na última década foram gastos R$ 9,3 bilhões para manter vivo esse agrupamento burocrático de secretarias, órgãos e fundos que se mantém como ninho de ratos destroçando o dinheiro público.



29 de novembro de 2015
Jorge Oliveira

MAIS UMA PIADA: OAB DIZ QUE NÃO HÁ RAZÕES PARA IMPEACHMENT



Charge de Genildo (reprodução de humorpolitico.com.br)










A comissão especial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que analisou se caberia o impeachment da presidente Dilma Rousseff por causa da reprovação de suas contas no Tribunal de Contas da União concluiu, por três votos a dois, contra o pedido de afastamento sob essa argumentação. O entendimento majoritário foi que as contas de 2014 se referem a práticas ocorridas em mandato anterior ao atual, o que não poderia justificar o processo político do impeachment.
O parecer diz ainda que não há comparação entre os fatos atuais e os que levaram ao impeachment do então presidente Fernando Collor em 1992, porque não se atribuem a um “comportamento pessoal ou direto” da presidente. Segundo o relatório, os “deslizes administrativos” apontados pelo Tribunal de Contas da União, no caso as chamadas pedaladas fiscais, “não têm o sentido de comportamento pessoal indigno, com a marca de imoralidade”.
O Conselho Federal da OAB deve analisar o parecer na próxima quarta-feira (2) e pode ou não seguir a recomendação da comissão. Isso não impede, também, que a ordem analise fatos novos que venham a aparecer embasando novos pedidos de impeachment.
VOTO DIVERGENTE
Os dois conselheiros da comissão, porém, que discordaram do entendimento majoritário produziram um voto divergente apoiando o pedido de impeachment.
Para eles, a presidente pode responder por crimes do mandato anterior e as irregularidades fiscais sujeitariam a presidente a sanções, como previsto na Constituição.
Argumentam, ainda, que a presidente reconheceu sua responsabilidade em coibir as pedalas ao editar neste ano um decreto sobre o assunto (Folhapress).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O voto majoritário da OAB se baseia numa norma constitucional ultrapassada, anterior à aprovação da reeleição. Foi com base nesta mesma norma que o procurador-geral Rodrigo Janot impediu que a presidente Dilma fosse investigada. O ministro Teori Zavascki já deu entrevista demolindo esse conceito caduco e ardiloso, mas parece que a maioria dos membros da Comissão da OAB não teve interesse em tomar conhecimento dessas declarações do relator no Supremo. (C.N.)

29 de novembro de 2015
Deu em O Tempo

TERREMOTO EM BRASÍLIA



O senador Delcídio do Amaral encontrou seu destino de pijama. Ele vinha em papel, nas mãos dos policiais federais que batiam à porta do flat onde o senador se hospeda, em Brasília, ao raiar daquele dia que o Brasil jamais esquecerá.

Os agentes carregavam uma ordem judicial inédita na história do país. Eleito ao cargo pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul, líder no Senado do combalido governo Dilma Rousseff, confidente da presidente da República, articulador do cada vez mais difícil ajuste fiscal, Delcídio do Amaral Gómez, de 60 anos, recebeu com resignação, sonolento, sua sentença política de morte. 
Guiou a equipe da força-tarefa da Lava Jato pelos aposentos. Imediatamente, foi informado de que o local seria alvo de uma busca e apreensão. “Tudo bem, podem olhar”, disse.

Abriu gavetas e até mencionou o conteúdo de alguns documentos às autoridades. Após a devassa, foi comunicado sobre a prisão. Reagiu com duas perguntas. Queria saber se a prisão era preventiva, que pode se estender por meses. Sim, era. Ato contínuo, perguntou sobre sua imunidade parlamentar. “Ordens do Supremo”, responderam os policiais, de posse do mandado judicial.

Delcídio se aprumou, vestiu terno e gravata, entrou numa caminhonete que o aguardava no estacionamento do hotel e, às 8h15, já estava na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. 
Tornava-se o primeiro senador no exercício do mandato a ser preso. Começava ali o dia 25 de novembro de 2015, um dia que soltou perigosamente o parafuso da política brasileira – mas, ao mesmo tempo, um dia que demonstrou a blindagem de aço da República contra pancadas institucionais.

O dia 25 de novembro começara cedo também no Rio de Janeiro. Lá, a PF prendia um dos maiores banqueiros do Brasil, André Esteves, controlador do BTG Pactual, acusado de integrar com Delcídio a organização criminosa que tentou melar a delação do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró – e até planejar a fuga do país do executivo. A Lava Jato prendeu também Diogo Ferreira, chefe de gabinete de Delcídio, e, dias depois, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro.

Um dia antes, na terça-feira, a Lava Jato, desta vez sob ordens do juiz Sergio Moro, prendera o pecuarista e operador do PT José Carlos Bumlai, acusado pelo delator Fernando Baiano de participar do petrolão usando o nome do ex-presidente Lula. A sequência de prisões neste ano, culminando com as do dia 25 de novembro, rumo a uma ordem hierárquica cada vez mais poderosa, assombra o Brasil.

Estão presos, além do líder do governo no Senado, o operador do PT, o nono homem mais rico do país, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, o ex-diretor do PT na Petrobras Renato Duque, o presidente da maior empreiteira da América Latina, Marcelo Odebrecht… Faltam beliches na PF para tanta gente VIP
29 de novembro de 2015

O HUMOR DO DUKE...

Charge O Tempo 28/11


29 DE NOVEMBRO DE 2015

PF VAI OUVIR ADVOGADO SOBRE VAZAMENTO DA DELAÇÃO DE CERVERÓ


Rieira agora é advogado de Renato Duque















O advogado carioca Sérgio Riera, que negociou o acordo de delação premiada entre Fernando Soares, o “Baiano”, e a Procuradoria-Geral da República, será ouvido no inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o vazamento da minuta da colaboração de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.
Riera é apontado pela PF como um dos principais suspeitos pelo vazamento do acordo. Cerveró chegou a fazer duas reuniões com Riera para contratá-lo, segundo a Folha apurou. O advogado recebeu por e-mail cópias dos termos que Cerveró discutia na delação. O ex-diretor, no entanto, desistiu de contratá-lo por julgar que ele não acrescentaria muito a sua estratégia.
Atualmente Riera negocia a delação premiada de outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que era responsável pela área de Serviços da estatal.
Uma cópia da minuta da delação estava nas mãos do banqueiro André Esteves, segundo o ministro do Supremo Teori Zavascki, e foi citada como um dos motivos da prisão do sócio do banco BTG, decretada pelo Supremo na quarta-feira (25).
CORRUPÇÃO NA BR
O senador Delcídio do Amaral foi preso no mesmo dia. Eles são acusados de sabotar as apurações da Lava Jato, tentativa que foi documentada pelo filho de Cerveró, Bernardo, com gravações, posteriormente entregues ao Ministério Público.
No documento da delação, que continua sob sigilo, Cerveró narra que o banqueiro e o senador participaram de atos de corrupção em contratos da Petrobras e da BR Distribuidora, respectivamente, o que ambos negam.
O inquérito para investigar o vazamento da delação de Cerveró foi aberto na quinta (26) pela Polícia Federal de Curitiba.
DELAÇÃO PREMIADA
As apurações, no entanto, foram suspensas até a próxima semana devido a um pedido da Procuradoria para que, primeiro, o acordo de Cerveró seja homologado pelo Supremo, o que deve acontecer nos próximos dez dias. O acordo precisa da aprovação do Supremo porque cita políticos com foro privilegiado.
Além de Riera, a PF também convocará os envolvidos na gravação feita pelo filho de Cerveró que resultou na denúncia contra Delcídio e Esteves.

29 de novembro de 2015
Bela Megale, Mario Cesar Carvalho e Graciliano RochaFolha