"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

POR QUE ESTA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NOS EUA É TÃO IMPORTANTE?


Clique sobre a imagem para vê-la ampliada. 

Creio que esta ilustração acima de Ben Garrison, postada no site Infowars, resume o que está em jogo nesta eleição presidencial nos Estados Unidos, que acontece nesta terça-feira, 8 de novembro de 2016.

O mais impressionante é verificar que toda a grande mídia nacional e internacional dedica-se a louvar Hillary Clinton e a demonizar Donald Trump.

Atribui-se ao legendário Nelson Rodrigues a frase: "Toda a unanimidade é burra". Mas vou mais além, desta feita não é apenas burra, mas criminosa porque mente sem qualquer pejo.

Durante a campanha eleitoral americana que culmina coma eleição presidencial nesta terça-feira se comprova o grau de aparelhamento de todos os grandes veículos de comunicação pelo esquerdismo delirante e bundalelê que são os principais "guerreiros" da dita "guerra cultural" formulada principalmente a partir dos anos 60. Os mais velhos lembram-se perfeitamente da célebre frase atribuída a Herbert Marcuse: "faça amor, não faça guerra". O alvo sempre foi os Estados Unidos que chega ao século XXI contaminado pela ideologia, porém não dominado completamente, o que já é um alento. Haja vista a performance de Donald Trump que até aqui lutou sozinho contra o establischment, essa trincheira nefasta contra a liberdade.

Até mesmo o tradicional Partido Republicano submeteu-se aos ditames dessa dita "nova ordem mundial", diferente dos conservadores britânicos que ao sentirem o cheiro de carne queimada resolveram pular fora da União Européia que, ao lado da ONU, promove a destruição da Civilização Ocidental.

Essa tentativa de esfacelar a Civilização Ocidental é tão clara e evidente que o único país europeu que não entrou para a União Européia, a Suíça, é talvez o que resta de pé na Europa. Por isso de lá não vêm notícias de atentados terroristas. Aliás, a Suíça praticamente saiu do noticiário internacional e lá não há invasão das hordas dos "ditos refugiados" articulada pela União Européia. Sobre isso nenhuma consideração da grande mídia, nenhuma menção a essa realidade, nenhuma análise.

Seja como for, o fato é que o debate suscitado pela eleição americana é providencial. Mas ele não se dá por meio da grande mídia mas ao nível da internet, das redes sociais e blogs independentes.

Como tenho me dedicado à análise do que vem ocorrendo no mundo nos últimos tempos acabei reunindo um acervo de informações. Pode não ser ainda suficiente, mas é o bastante para poder aquilatar o grau de lavagem cerebral coletiva que se dá por meio da mídia. Converso muito com as pessoas de todas as classes sociais. Mas o que assombra é o fato de que pessoas de bom nível cultural que jamais ouviram falar em 'globalismo', 'marxismo cultural' e conceitos análogos. Acreditam que o comunismo acabou. No final das contas, repetem como papagaios as análises formuladas pela grande mídia, especialmente a televisão. Interpretam os fatos políticos com base em estereótipos repetidos ad nauseam por ditos analistas e comentaristas principalmente das emissoras de televisão, veículo de mídia que por enquanto continua a ser a referência informativa para no mínimo 80% da comunidade global.

Dito tudo isto vale assinalar que a performance de Donald Trump, ganhe ou perca a eleição, se torna um referencial para compreender o que de fato está acontecendo. Afinal, Trump, mesmo boicotado impiedosamente pelos jornalistas da grande mídia - toda ela! - conseguiu ampliar o debate sobre o futuro da nossa Civilização Ocidental. No caso, a eleição presidencial americana não é apenas um evento doméstico.

Entretanto, todos esses vagabundos, picaretas e mentirosos de toda a grande mídia, sem qualquer exceção, continuarão atirando pedras em Donald Trump, porém não conseguirão calar as redes sociais e os blogs e sites independentes. Aliás, nos Estados Unidos há centenas de sites, think tanks e blogs conservadores de alto nível profissional que fazem um extraordinário contraponto à grande mídia em defesa dos valores da nossa civilização ocidental. Tio Sam, velho de guerra, é imortal e continua dando o tom e o combustível para a luta que se trava em defesa do Ocidente.



08 de novembro de 2016
in aluizio amorim

COMÍCIO DE DONALD TRUMP EM TRANSMISSÃO AO VIVO ESPECIAL

Transmissão ao vivo desde Manchester, New Hampshire do mega comício de Donald Trump que acaba de ser apresentado como o futuro Presidente dos Estados Unidos da América.


O comício foi encerrado mas a gravação ficará aqui para que todos possam dar pelo menos uma olhada. Amanhã, terça-feira, 8 de novembro de 2016, acontece a eleição presidencial dos Estados Unidos.


08 de novembro de 2016
in aluizio amorim

ALEXANDRE GARCIA EXPÕE ARMAÇ´~AO DE DIAS TOFFOLI PARA LIVRAR RENAN DA PRISÃO

DELAÇÃO DA ODEBRECHT VAI SER DEVASTADORA

VILLA EXPÕE A ROUBALHEIRA DA DUPLA APEDEUTA E DILMA

STF TENTARÁ ACABAR COM A LAVA JATO

O BRASIL VAI FICAR CHOCADO COM O QUE VEM POR AÍ!!!

É A SUA FAMÍLIA, SEU TROUXA!

CALAFRIOS!!! 100 POLÍTICOS NA GIGANTESCA DELAÇÃO DA ODEBRECHT

PONDÉ DÁ 'SURRA ÉPICA' EM LULA E VÍDEO SE TORNA VIRAL NA WEB

SÉRGIO MORO DETALHA COMO CONFISCOU TODOS OS BENS DO TRAFICANTE FERNANDINHO BEIRA-MAR - UM GÊNIO

O CICLO DEPRIMENTE DA EDUCAÇÃO

O CICLO DEPRIMENTE DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA


08 de novembro de 2016
postado por m.americo

FRAUDADORES DO BOLSA FAMÍLIA CUSTAVAM R$ 2.4 BILHÕES AO ANO

O governo abriu prazo para que 60% deles se expliquem antes de o benefício ser cancelado

O governo Temer fez o que os governos Lula e Dilma, se sérios fossem, deveriam fazer corriqueiramente: cruzou informações de todas as bases de dados que conseguiu. Em especial, a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e o INSS. E descobriu que 1,1 famílias, ou mais de 4 milhões de brasileiros, recebiam Bolsa Família sem ter direito ao benefício.

Total do prejuízo: R$ 2,4 bilhões ao ano.


A gestão Temer já cancelou o benefício de 469 mil fraudadores. E bloqueou o de 654 mil para que se expliquem em no máximo 3 meses, ou também terão o cadastro cancelado. Ao todo, o Bolsa Família possui 13,9 milhões de beneficiados.

Segundo Osmar Terra, ministro do Desenvolvimento, o valor economizado com os fraudadores será reinvestido no programa.

08 de novembro de 2016
implicante

SOMADA AO CAIXA 2, CAMPANHA QUE REELEGEU DILMA TERIA CUSTADO R$ 1,3 BILHÃO EM 2014

Somada ao caixa 2, campanha que reelegeu Dilma Rousseff teria custado R$ 1,3 bilhão em 2014 

O caixa 2 seria três vezes maior que o caixa 1

Oficialmente, Dilma Rousseff queimou R$ 318 milhões para se reeleger em 2014. Mas isso é o que saiu no “caixa 1”. 
Vários delatores já entregaram a operações como a Lava Jato que ajudaram a alimentar um gordo “caixa 2”. Agora, especialistas acreditam se trate de um volume três vezes maior.

Ou seja… A campanha da petista teriam consumido ao todo R$ 1,3 bilhão.

Os dados foram observados em evento do qual participou Gilmar Mendes. Em 2017, o Brasil deve conhecer a verdade, uma verdade que justificaria a cassação da chapa Dilma/Temer e, sim, finaria por derrubar o segundo presidente brasileiro em dois anos.

É uma crise institucional que Brasília não quer prolongar e brechas constitucionais serão exploradas para evitar o estrago de uma eleição presidencial por voto indireto. 
Mas Mendes promete que, ao menos, será condenada a prática absurda que garantiu de forma tão injusta um segundo mandato a Dilma. Para que isso não se repita.


08 de novembro de 2016
implicante

DIANTE DE FATOS RECENTES E NOVAS PROVAS, PROCURADORES REQUER A ABERTURA DO CASO CELSO DANIEL

Impossível saber o que pode acontecer.


Edilson Mougenot Bonfim, Procurador de Justiça do MP de São Paulo, requereu a reabertura da investigação do Caso Celso Daniel, então prefeito petista de Santo André. 
Há uma série de circunstâncias mal explicadas envolvendo a história, e agora, ao menos segundo o procurador, há também novas provas. 
Ele alega que, nos últimos anos, surgiram fatos novos, como o depoimento de Marcos Valério (condenado pelo Mensalão).

Recentemente, três casos complicados para o PT foram reunidos. Celso Daniel, Mensalão e Lava Jato (que apurou o vínculo).

Caso realmente ocorra a reabertura, é impossível calcular seu impacto no mundo político, mas isso deve sempre ficar para segundo plano. 
Em primeiro lugar, por óbvio, está a justiça.
08 de novembro de 2016
implicante

SINDICATOS LIGADOS A PT, PCdoB, PSOL E PSTU ESTÃO POR TRÁS DAS INVASÕES DAS ESCOLAS, DIZ PM

Os próprios professores estariam recrutando militantes entre os menores

A nota não traz muitos detalhes, talvez porque o caso ainda esteja sendo investigado. Mas a Coluna Esplanada confirmou aquilo que basicamente todo mundo desconfiava: partidos de esquerda estão por trás das invasões das escolas do ensino médio. Para tanto, fizeram uso dos sindicatos de professores aparelhados por eles.

Nomes a alguns bois foram dados: PT, PCdoB, PSOL e PSTU. Até menores foram usados para despistar investigadores e causar comoção. As informações são atribuídas à inteligência da PM.

O fenômeno foi observado nos estados onde ocorreram o maior número de invasões. Neste exato momento, são Paraná e Minas Gerais.

Que os investigadores consigam explicar melhor essa história


08 de novembro de 2016
implicante

VACCARI, DUQUE, BARUSCO E MAIS 3 SÃO INDICIADOS EM OUTRO INQUÉRITO

CASO ENVOLVE CARIOCA ENGENHARIA EM CRIMES DE CORRUPÇÃO
ALÉM DE JOÃO VACCARI NETO, RENATO DUQUE E PEDRO BARUSCO, FORAM INDICIADOS O LOBISTA MÁRIO GÓES E OS EXECUTIVOS DA CARIOCA RICARDO PERNAMBUCO E RICARDO PERNAMBUCO JÚNIOR (FOTO: MONTAGEM/ AG SENADO, EBC E AE)


O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, e ex-gerente Pedro Barusco e mais três foram indiciados pela Polícia Federal num inquérito da Lava Jato que envolve a empresa Carioca Engenharia por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo a investigação, a Carioca engenharia teria feito pagamento de propina em obras como o Terminal Aquaviário Barra do Riacho (TABR) e GNL da Bahia.

Segundo a delegada responsável pelo indiciamento, Renata da Silva Rodrigues, a participação da Carioca na organização criminosa ‘frustrou o caráter competitivo de diversas licitações no âmbito da Petrobras’.

Ainda segundo a delegada, investigações aliadas à confissão de Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior ‘não eixam margem de dúvidas de que a Carioca, por meio de seus executivos, de fato integrou o cartel que, por longo período de tempo’.

Os indiciados são: João Vaccari Neto (corrupção passiva e associação criminosa), Renato Duque (corrupção passiva e associação criminosa), Pedro Barusco (corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa), Mário Góes, lobista (lavagem de dinheiro e associação criminosa), Ricardo Pernambuco, executivo da Carioca Engenharia (corrupção ativa, associação criminosa e crime contra a ordem tributária), e Ricardo Pernambuco Júnior, executivo da Carioca Engenharia (corrupção ativa, associação criminosa e crime contra a ordem tributária).

Investigação

Segundo a delegada, Vaccari teria ‘exigido e recebido vantagem indevida da Carioca, como intermediário do Partido dos Trabalhadores e em concurso com Renato Duque, em 2011, para influenciar em convite para a obra da Fábrica de Fertilizantes em Uberaba/MG’.

Segundo o relatório, os recursos foram pagos em espécie a Vaccari por meio de caixa 2 da Carioca. Ainda de acordo com o documento, Barusco recebeu, por meio de Mário Góes, vantagem indevida paga pelos executivos da Carioca entre 2008 e 2012 para influenciar em contratos do Gasoduto Coari-Manaus, Píer de GNL e Terminal Aquaviário de Barra do Riacho’. Os recursos também foram pagos em espécie e por meio de transferência para contas no exterior.



08 de novembro de 2016
diário do poder

CERVERÓ REITERA QUE LULA O NOMEOU COMO RECOMPENSA POR BENEFICIAR O PT

EX-DIRETOR CONFIRMA QUE DILMA ESTEVE NA TRAMA PARA SOLTÁ-LO

EX-DIRETOR REVELOU APADRINHAMENTO E DAS INTERVENÇÕES DE DILMA NA PETROBRAS. (FOTO: DIDA SAMPAIO)


Em depoimento prestado à Justiça Federal nesta terça-feira, 8, o ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró reiterou acusações contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele declarou ter sido indicado por Lula para diretor financeiro da BR Distribuidora, em 2008, como retribuição por ter ajudado a quitar uma dívida do PT com recursos de um contrato da estatal. Além disso, implicou Dilma numa suposta trama para livrá-lo da prisão.

A oitiva, por videoconferência, foi feita pela 10.ª Vara, em Brasília, para instruir ação penal que avalia a suposta atuação de Lula e outros réus num esquema para evitar que Cerveró fizesse acordo de delação premiada. Lula não está entre os réus.

O ex-diretor contou que, em março de 2008, foi destituído do cargo de diretor Internacional da Petrobrás. A demissão, segundo ele, se deu por pressão da bancada do PMDB na Câmara, que pretendia dar a cadeira a Jorge Zelada. Lula teria cedido ao pedido para que os parlamentares votassem contra o governo na sessão que decidiria sobre a CPMF.

Cerveró foi comunicado da decisão na reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, na manhã do dia 3 daquele mês. Ele chegou a arrumar suas coisas e a se despedir de sua equipe, quando o ex-presidente da BR José Eduardo Dutra, atualmente morto, o comunicou da indicação para a distribuidora.

"Já tinha sido tomada a decisão do presidente Lula de me indicar diretor financeiro da BR. A informação que me foi dada é de que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu teria feito da liquidação da dívida do PT em 2006", declarou Cerveró.

Empréstimo. O ex-diretor atuou na contratação do Grupo Schahin para operar, por US$ 1,6 bilhão, o navio Vitória 10.000 na Bacia de Santos. Conforme a Lava Jato, o contrato, de 2009 foi firmado para que o banco perdoasse dívida de R$ 12 milhões feita pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, com o partido.

Cerveró ponderou, contudo, que não soube por Lula que a indicação partiu do ex-presidente e se deu por "gratidão". "Na época, me foi dito pelo pessoal do Banco Schahin . Foi o que levou o presidente Lula a me indicar quando eu fui destituído da Diretoria Internacional."

Dilma. Cerveró falou por cerca de uma hora e meia. Durante o depoimento, reiterou os principais pontos de sua colaboração premiada. Explicou que, quando estava preso, seu advogado, Edison Ribeiro, levou a ele um recado do então senador e líder de governo, Delcídio Amaral (ex-PT), hoje cassado e sem partido, de que a então presidente Dilma Rousseff tratara de sua situação.

"Uma das informações que me foi dita pelo Edson é que o Delcídio, nesse período, teria mandado um recado dizendo que a presidente Dilma estava preocupada com os meninos e que precisava soltar os meninos. Os meninos, no caso, eram meu colega Renato Duque (ex-diretor de Serviços) e eu", contou Cerveró.

Preso no fim de 2015, depois desse suposto episódio, Delcídio fez acordo de delação e informou que o Planalto atuaria para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberasse Cerveró. "Estava acertado que o meu HC (habeas corpus) sairia, mas que isso não seria suficiente. Depois haveria uma nova ordem de prisão e que eu precisava sair do País", acrescentou Cerveró no depoimento desta terça.

Gravação. Tanto Ribeiro, o advogado, quanto Delcídio são réus da ação em curso na 10.ª Vara. Durante a audiência, o ex-diretor confirmou que os dois se articularam para tentar evitar sua colaboração. O filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, gravou reunião na qual ambos propuseram fazer pagamentos e ajudar na fuga do executivo para a Espanha. O áudio foi decisivo para que o então parlamentar petista e o criminalista fossem presos.

Cerveró reiterou que, em diversas ocasiões, seu advogado o desaconselhou a delatar o esquema de corrupção na Petrobrás, supostamente por influência de Delcídio. Seria uma tentativa de evitar que o ex-diretor implicasse o senador no recebimento de propinas pela compra e pela modernização de Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), e pela aquisição de turbinas para usinas termelétricas.

Depois desses fatos, em sua delação, o ex-senador confessou o recebimento de suborno. Além disso, acusou o ex-presidente Lula de comandar a operação para "comprar o silêncio" de Cerveró.

"O doutor Edison, repetidas vezes, pediu que não implicasse Delcídio. Não sei se ele vislumbrou a oportunidade de negociações maiores. Ele dizia que (o senador) era a minha tábua de salvação. Era o contato mais forte que eu tinha junto ao governo", afirmou.

Cerveró disse que Bernardo chegou a receber R$ 50 mil de Delcício, via Ribeiro, mas pediu que o advogado ficasse com o dinheiro para cobrir despesas com a defesa.

Defesa. O advogado de Lula, José Roberto Teixeira, disse que nenhum dos depoimentos desta terça-feira, entre eles o de Cerveró, citou o ex-presidente de "forma direta". Acrescentou que, conforme o depoimento, o então diretor Internacional foi "sumariamente" demitido na gestão Lula. A nomeação para a BR Distribuidora, segundo ele, foi um ato do Conselho de Administração.

Cristiano Zanin, que também atua na defesa de Lula, comentou que nenhum dos depoimentos confirmou a tentativa de Lula de evitar a delação de Cerveró. Sobre o episódio da indicação para a BR, disse que o ex-diretor contou o caso por "ouvir dizer".

“Ele diz que alguém teria dito isso a ele. Ele diz que foi o Sandro Tordin, que era da Schahin e com quem tinha relacionamento. Ele diz que não veio nenhuma confirmação oficial do Lula sobre isso. Entre ser e ouvir dizer de alguém tão distante do ex-presidente Lula, como é o Tordin, mostra como não tem qualquer sentido essa afirmação”, afirmou Martins. (AE)



08 de novembro de 2016
diário do poder

O PAPEL ECONÔMICO DA EDUCAÇÃO

A crise educacional e a falta de competitividade do país. No recente ciclo de palestras da Academia Brasileira de Letras com o tema “Planejamento e Políticas Públicas”, sob coordenação da escritora Ana Maria Machado, houve uma feliz coincidência: três dos palestrantes, com abordagens diferentes, acabaram se dedicando especialmente a analisar a crise educacional brasileira e sua relação com a falta de competitividade do país.

O sociólogo José Pastore, uma das maiores autoridades em trabalho no país, Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, um dos técnicos por trás do Bolsa Família, e Samuel Pessoa, do Instituto de Economia da Fundação Getulio Vargas no Rio, mostraram como a deficiente estrutura educacional impede que o trabalhador brasileiro ganhe produtividade.

Como analisa Paes de Barros, “a produtividade brasileira cresceu menos do que o salário. Para reduzir a pobreza, é preciso crescimento salarial, que não existe sem crescimento da produtividade. Mas o cenário educacional é desastroso”.

Pastore diz que nós brasileiros vamos ter que escolher entre “muito trabalho e boa Educação ou pouco trabalho. Alta competência ou baixo salário”. Mas o Brasil está atrasado, lembra, fazendo comparações: “Nossa educação média ainda está em torno de 7 anos de escola, quando nos Tigres Asiáticos já passou dos 10 anos; no Japão está nos 12; nos EUA e na Europa já está entre 13 e 14 anos”.

Para Samuel Pessoa, da FGV, “demorou muito para os economistas entenderem o papel econômico da Educação. Nossa sociedade se atrasou na Educação, nosso maior erro histórico no século 20”.

Paes de Barros fez análise do que chamou de verdadeira revolução no combate à desigualdade: “A taxa de crescimento de renda per capita dos mais pobres cresceu acima da média nacional, e isso é inclusão social. No Brasil, 80% caminharam acima da média. Só dois grupos, que representam 15% da população, os mais ricos, cresceram abaixo da média, e têm metade da renda brasileira. Por 13 anos, o pobre cresceu quatro vezes mais rápido do que o rico. Para reduzir a desigualdade, precisa de desigualdade na taxa de crescimento”.

Infelizmente, lamentou Paes de Barros, é preciso fazer isso por mais 20 anos para que nos tornemos um país razoável. Mas o grande feito, salientou, é fazer com que o mais pobre consiga taxas de crescimento chinês via mais trabalho e mais remuneração.

Falando sobre a crise atual, o economista disse que, “mais do que nunca, a melhor política social é a política econômica, pois os pobres estão conectados à economia”. Para ele, o gasto público não é sustentável, e o gasto com o pobre é disso “minúscula porcentagem”. A explosão dos gastos “tem a ver com decisões erradas que põem em risco o que conseguimos”.

Paes de Barros vê “ares de insustentabilidade”, pois, embora os salários dos mais pobres precisem continuar crescendo, “não podem crescer mais rápido do que a produtividade. Quem vai pagar a conta?”.

Na análise de Ricardo Paes de Barros, “temos hoje a maior juventude de todos os tempos, de 15 a 29 anos — 50 milhões —, maior do que jamais tivemos e do que jamais teremos”, mas um sistema educacional atrasado dezenas de anos em relação a países que eram similares ao nosso há poucos anos.

“A escolaridade de quem nasceu nos anos 1930 era de 3,5 anos. O primeiro grupo que atingiu 4 anos de escolaridade foi o que nasceu em 40. Em 70, atingimos 8 anos de estudo. O novo adulto brasileiro, com 25 anos, se tiver um amigo chileno, este terá dois anos de escolaridade a mais — 10 a 12 anos. O pai do amigo chileno já tinha 10 anos. Estamos mais de 20 anos atrasados”.

Sobre o aprendizado de crianças de 15 anos, verificado pelo teste Pisa, Paes de Barros ressalta que 67% dos brasileiros “sabem nada ou quase nada em Matemática”. A Coreia do Sul tem três vezes mais conhecimento, e 93% dos países têm mais conhecimento do que os brasileiros.

Mas temos ilhas de excelência que deveriam ser copiadas. “500 escolas brasileiras já alcançaram a meta do Plano Nacional de Educação para daqui a 10 anos, e a maior parte delas está no interior do Nordeste”. Que país é este, pergunta o economista, lamentando: “Não sabemos valorizar quem sabe fazer Educação”.

Ele cita como exemplo a cidade de Brejo Santo, na fronteira tríplice entre Pernambuco, Paraíba e Ceará, na base da Chapada do Araripe, com renda per capita inferior a R$ 10 por dia, e que está na liderança na Educação. (Amanhã, o novo mercado de trabalho)



08 de novembro de 2016
Merval Pereira, O Globo

ESQUERDA INVESTE NO CAOS REVOLUCIONÁRIO CONTRA ADOLESCENTES

Atribui-se a Lênin, dentro da estratégia de agitação e propaganda comunista, a seguinte incitação à militância: "Acuse-os do que você faz; xingue-os do que você é".

O procedimento está sendo fielmente seguido pela esquerda brasileira, no processo de invasão de escolas e universidades, a pretexto de derrubar a PEC 241, a PEC da Responsabilidade, que estabelece um teto para o gasto público, arruinado pela gestão petista.

Aprovada com folga em dois turnos na Câmara, a PEC está agora sendo examinada pelo Senado, que a votará ainda neste ano. É vital para que o país dê início ao reerguimento de sua economia.

Enquanto estimula o "Fora, Temer" e conspira contra a paz pública, desestabilizando o ambiente educacional, a militância esquerdista proclama que, ao contrário, a educação está sendo ameaçada é pelo governo federal, que insiste em chamar de golpista.

A PEC, como já demonstrei em artigos anteriores, não impõe corte algum e até permite, por meio de manejo orçamentário, acréscimos tanto em educação como em saúde.

Dentro da verba existente, a ser reajustada nos limites da inflação, nada impede que as prioridades sejam mantidas. Basta que haja critérios de gestão, algo que inexistiu ao longo da era petista.

Antes de deixar a Presidência, Dilma Rousseff cortou R$ 10,2 bilhões da educação, sem que houvesse protesto da esquerda. E há duas semanas os partidos de esquerda atrapalharam duas propostas que injetaram R$ 1,1 bilhão para a educação, mostrando em que medida de fato se preocupam com ela.

Sem o menor pudor, o petismo agora faz de adolescentes do ensino secundário massa de manobra de seus interesses, expondo-os à violência, à lavagem cerebral e à interrupção do calendário escolar.

Chega a ser constrangedor ver garotos monitorados por marmanjos arruaceiros a respeito da causa a que estão sendo criminosamente arrastados, em prejuízo próprio –e do país. A bagunça compromete o Enem e cerca de 200 mil dos estudantes, já que muitas das escolas em que estava previsto se realizar estão ocupadas. O prejuízo financeiro, por baixo, é de R$ 12 milhões, mas o maior, o educacional, não é contabilizável.

Depois de reduzir as universidades a células ideológicas, rebaixando o nível do ensino superior e colocando o Brasil na retaguarda dos índices internacionais de avaliação de desempenho, a esquerda investe contra o ensino secundário. Mas atribui ao governo federal a pecha de conspirador contra a educação. É o mandamento de Lênin em ação.

Pouco importa que a tese de que o impeachment foi um golpe tenha sido amplamente derrotada e desmoralizada nas eleições municipais, em que o PT e seus satélites (PSOL, Rede, PCdoB) receberam o maior revés popular da história. Insistem em falar em nome do povo, mesmo este tendo lhes virado as costas.

As eleições confirmaram a legitimidade do ato parlamentar, elegendo maciçamente as forças que, nos termos da Constituição, tiraram Dilma e colocaram Michel Temer na Presidência. Se fosse democrática, como se proclama, a esquerda absorveria a sentença soberana das urnas e faria sua autocrítica. Mas ela faz da democracia rito de passagem, como se vê na Venezuela, em que o aparelhamento das instituições impôs uma ditadura sangrenta.

É disso que escapamos; e é a isso que o povo brasileiro disse um sonoro "não" nas urnas. Mas, indiferente ao povo –e sob a inspiração de Lênin–, a esquerda fundamentalista, uma seita predatória e corrupta, investe mais uma vez no caos revolucionário, aliciando agora nada menos que estudantes adolescentes.


08 de novembro de 2016
Ronaldo Caiado, Folha de SP

REFLEXÕES AMARGAS

Cabe ao PSDB responder à vitória reafirmando o social de seu nome, opondo-se, portanto, às ondas reacionárias entre nós

H á poucos dias, em Lisboa, assustei-me vendo o noticiário da TV. Surgiu na tela um porta-aviões russo deslizando nas costas europeias, cercado por navios patrulheiros. Que mal haveria, pensei depois, em mostrar o garbo de um navio russo? Nada e tudo. Fossem normais os dias e seria tão banal quanto ver o desfilar de um porta-aviões da armada americana cercado por poderosos navios protetores. Por que, então, o susto? Porque as coisas estão mudando, há cada vez mais riscos e medos no ar.

Passadas décadas do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China comunista e os Estados Unidos (pasmem! sob Nixon e Kissinger), em meados dos anos 70, e do fim da União Soviética, no início dos anos 90, nos damos conta do que esses fatos significaram: a Pax Americana. Terá ela chegado ao fim? Pode ser. Os russos, com sua ingerência na Síria, tentam forçar o Ocidente a dar-se conta de que, por mais que seu poderio bélico haja diminuído, ainda são uma potência atômica. Os novos tzares se dão ao luxo de ocupar a Crimeia e de ameaçar a Ucrânia sem que a Otan, ou quem seja, limite suas aspirações restauradoras do que historicamente pertenceu à Rússia.

Também a China depois de décadas de relações estáveis com os Estados Unidos se ouriça com o Tratado Transpacífico (TTP), e mostra disposição de definir como “suas” ilhas remotas situadas no Mar do Japão e de reivindicar soberania sobre águas presumivelmente internacionais no Mar do Sul da China. Ao mesmo tempo, desenvolve projetos de integração viária e econômica com a Europa, quem sabe sentindo-se mais segura na Eurásia do que no Pacífico. E começa a ser mais amiga da Rússia, de quem sempre foi rival.

A Europa fragmentada, mais ainda depois do Brexit, não é capaz de responder aos desafios da imigração crescente dos desesperados da terra, nem de outorgar nova legitimidade ao pacto social de pós-guerra que a manteve una e próspera. Como responder aos novos tempos de desemprego e baixo crescimento, e evitar a onda direitista e reacionária?

Não escrevo isso por diletantismo geopolítico. Em Paris, de onde envio este artigo, segui as notícias das eleições brasileiras. As urnas confirmaram o que se previa: a derrocada do PT, os êxitos do PSDB e a emergência da antipolítica, que se expressou nas abstenções, nas anulações de voto e na vitória de candidatos de não partidos. Ganhamos, diria como eleitor do PSDB, mas para o que fazer?

Qual é a proposta, não só do PSDB, mas dos dirigentes políticos em geral, para o Brasil como nação, mais do que como simples economia, e como país que é parte de um mundo desafiador, no qual coexistem os avanços da globalização e as dificuldades dos Estados nacionais para lidar com as demandas dos perdedores dela e das organizações internacionais para evitar a escalada de conflitos geopolíticos?

Nesse contexto, tenho a sensação de que os que temos responsabilidades públicas ainda não sentimos com força a urgência do que é preciso fazer para reconstruir o tecido social de um país com 12 milhões de desempregados, em situação fiscal falimentar e com suas formas tradicionais de coesão política desarticuladas. O estrago que o lulopetismo e o milenarismo esquerdista fizeram foi sentido pelo povo, como as urnas mostraram. Mas nós, líderes políticos, temo ainda não termos percebido que acima de nossas bandeiras partidárias temos que reconstruir a economia, refazer as bases da convivência política, tragadas moralmente pela permissividade e pela corrupção, e engatar novamente o Brasil no mundo em que vivemos.

Talvez não tenhamos nos dado conta de que as classes sociais hierarquizadas em cujas diferenças amarrávamos nossas ideologias e nossos partidos, sem se dissolverem, estão fragmentadas em múltiplos interesses, valores e lealdades num caleidoscópio de fios que se tecem e se desfazem graças às novas formas de comunicação (cada vez mais instantânea) que quebram as referências políticas tradicionais.

Teremos discernimento para vislumbrar onde ancorar o interesse nacional num mundo de predominância financeiro-tecnológica, bélico e com riscos de incêndio? Saberemos refazer alguma solidariedade, pelo menos sul-americana, e, a partir dela, nos posicionarmos sem a afetação de que somos uma potência, e ao mesmo tempo sem sermos subservientes às nações poderosas nem prisioneiros de um “terceiro mundo” que não funciona mais como periferia colonial do capitalismo competitivo, como foi no passado?

Não estaremos à altura dos desafios se não afirmarmos que precisamos de uma trégua nacional, não para conciliar elites, mas para pactuar o futuro e pensar sobre ele. Será preciso coragem para o STF deixar a Lava-Jato cumprir seu papel de restaurador da moral pública, mas também manter vivo o respeito aos direitos individuais. E o governo federal, que bem fez em buscar a harmonia dos Poderes a despeito da figura dos titulares, precisa encaminhar soluções jurídicas que mantenham as empresas ativas, salvaguardando os empregos e nossa capacidade produtiva, sem prejuízo da punição dos dirigentes que a Justiça julgar cabível aos responsáveis por crimes. Caso contrário, não faltam capitais globais dispostos a adquirir na bacia das almas o que caro custou construir.

Tais desafios requerem vozes. No vazio político das sociedades contemporâneas, paradoxalmente, precisamos que os líderes se comprometam, explicitem suas posições, tomem partido sem tanta preocupação com seus “partidos” e que ao propor soluções se recordem de que a voz não ouvida, a dos que se sentem deslocados pelo “progresso”, se não encontrar um lugar digno na sociedade do futuro se tornará inimiga dela. Cabe ao PSDB responder à vitória reafirmando o social de seu nome e acompanhando as transformações dos valores e da cultura, opondo-se, portanto, às ondas reacionárias não só na Europa, mas também entre nós.



08 de novembro de 2016
Fernando Henrique Cardoso, O Globo

ANTES QUE SEJA TARDE

Cientistas políticos costumam manifestar ceticismo diante de propostas de reforma eleitoral. Argumentam, e é difícil negar-lhes razão, que os congressistas não têm interesse genuíno em modificar as regras de que se beneficiaram.

E, no entanto, o Senado prepara-se para votar uma proposta de emenda à Constituição que promove duas mudanças significativas: institui uma cláusula de desempenho e decreta o fim das coligações em eleições proporcionais.

Ao que parece, o texto será aprovado pelos senadores. Depois, seguirá para a Câmara, onde os deputados tendem a levantar maior resistência. Ainda assim, há bons motivos para esperar que, desta vez, não deixarão tudo como está.

É que as normas em vigor começaram a incomodar parte dos políticos tradicionais. Os diversos estímulos à criação de legendas resultaram numa fragmentação partidária que dificulta a formação de blocos coesos e aumenta demais os custos da governabilidade.

Estabelecer uma cláusula de desempenho constitui um passo crucial para sanear esse ambiente cada vez mais caótico.

Como acontece em outros países, agremiações incapazes de obter apoio popular deveriam conhecer restrições severas em seu funcionamento parlamentar, bem como no acesso ao fundo partidário e ao horário gratuito na TV e no rádio.

Pela proposta em tramitação, tal piso corresponderia, na disputa para a Câmara dos Deputados de 2018, a 2% de todos os votos válidos (3% a partir de 2022), distribuídos em ao menos 14 unidades da Federação, com um mínimo de 2% dos votos válidos em cada uma delas.

Partidos nanicos consideram a medida antidemocrática, como se fossem necessárias 35 siglas. Nada mais inverídico: se esse número caísse a um terço ainda estariam representadas as principais correntes ideológicas da sociedade.

Somado a essa cláusula, o fim das coligações em eleições proporcionais (para deputado federal e estadual e para vereador) desestimularia a fabricação de siglas de aluguel, interessadas apenas em vender tempo midiático às campanhas de legendas robustas.

Além disso, coligações dessa natureza confundem o eleitor, que com frequência escolhe um nome de uma agremiação e, sem saber, impulsiona um candidato de outra.

Uma verdadeira reforma político-eleitoral, todavia, não deveria se circunscrever a essas duas iniciativas. Esta Folha há muito defende pelo menos outras quatro.

Uma delas é o estabelecimento de um limite absoluto para doações, seja de pessoas físicas, seja de empresas. A ausência de um teto, ou sua fixação em termos proporcionais à renda ou ao faturamento, sempre permitiu influência desmedida por parte de certos agentes ou grupos econômicos.

Por outro lado, como se viu nos pleitos municipais deste ano, proibir a contribuição de empresas gera distorções de outro tipo. Destacam-se candidatos ricos ou associados a corporações (de sindicatos a igrejas) e, muito pior, ganham força as fontes ilícitas (do crime organizado ao caixa dois).

O objetivo deveria ser atrair as contribuições para a legalidade, dar máxima transparência à conexão entre doador e candidato e facilitar a fiscalização em tempo real.

Outra medida que o Brasil parece pronto para adotar é o voto facultativo. Aplicado por aqui desde 1932, o sufrágio compulsório tem sido defendido como antídoto para uma suposta alta nos índices de abstenção entre as parcelas populacionais mais desfavorecidas.

Desse argumento, contudo, resta apenas o viés paternalista, vez que votos brancos e nulos ou o simples não comparecimento se impõem na prática. Melhor seria que o Brasil seguisse as democracias desenvolvidas e aceitasse o sufrágio como direito, não dever.

Este jornal também sustenta que o país deveria migrar para o modelo distrital misto, semelhante ao da Alemanha. Deputados e vereadores não disputariam com todos os candidatos de uma cidade ou Estado, mas apenas de um distrito, com dimensões muito menores.

Tal sistema contribui para aproximar os políticos dos cidadãos, facilitando a cobrança de promessas e barateando o custo da campanha.

A fim de preservar a representação de causas ou segmentos dispersos territorialmente, cada eleitor teria direito a dois votos: um para um candidato específico dentro do distrito, o outro para um partido.

Por fim, seria importante corrigir a distorção entre as bancadas na Câmara. Hoje, são necessários menos votos para se eleger em Estados menos populosos —e, embora seus deputados representem um contingente populacional menor, têm o mesmo peso no Congresso.

Nada mais prioritário, entretanto, do que conter a proliferação de partidos de aluguel —do contrário, suas bancadas, somadas, inviabilizarão qualquer reforma política voltada aos interesses da sociedade.



08 de novembro de 2016
Editorial Folha de SP

REDUZIR A FRAGMENTAÇÃO PARTIDÁRIA TEM ATRASO DE DÉCADA

A reforma política em debate no Senado pode resultar na redução no número de legendas, algo que já poderia ter acontecido no final da década de 90

Se o preço do avanço institucional é passar-se pelas mesmas experiências já malsucedidas de outras países, que assim seja. Caso típico é o da chamada “cláusula de desempenho”, para que partidos obtenham o índice mínimo de votos e possam ter representação nas Casas legislativas, acesso a fundos partidários, horário dito gratuito de rádio e TV etc. Já passou da hora de adotá-la, como já foi feito no exterior.

Caso tramite como se espera a proposta de emenda à Constituição (PEC) dos senadores tucanos Ricardo Ferraço (ES) e Aécio Neves (MG), o Brasil passará a ter um sistema minimamente razoável de filtro contra o excesso de legendas, com dez anos de atraso.

Regras como esta vigoram há muito tempo em democracias maduras. Foi na Alemanha que legisladores brasileiros se inspiraram para, em 1995, aprovar uma cláusula pela qual um partido para ter bancada no Congresso precisaria atrair pelo menos 5% dos votos nacionais, dados na escolha dos deputados federais, e no mínimo em nove estados, para barrar legendas preponderantemente regionais. Ficou estabelecido que ela entraria em vigor em dez anos.

Foi quando legendas sem condições de atender às normas recorreram ao Supremo com o argumento de que preceitos constitucionais sobre representatividade e direito das minorias haviam sido atropelados, e, assim, em 2006, quando a cláusula deveria entrar em vigor, a Corte a suspendeu.

Foi um erro, como sabem hoje ministros do Supremo. Há 35 partidos no Brasil, 28 com bancadas no Congresso e outros tantos na fila para se lançar. Muitas são legendas de aluguel, especializadas em negociar tempo de propaganda eleitoral, entre outras “mercadorias”. Há famílias que vivem do Fundo Partidário, do qual 5% são rateados entre todas as agremiações. Um rendimento mensal e tanto.

Virou um negócio escuso, e que ainda prejudica o funcionamento da democracia, por dificultar a formação de maiorias no Congresso para dar sustentação ao governo de turno. Mais um indutor a esquemas como os do mensalão e do petrolão, do lulopetismo.

Neste projeto, já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o limite é mais baixo: em 2018, os partidos terão de receber o mínimo de 2% dos votos nacionais do conjunto dos deputados, índice a ser obtido em pelo menos 14 estados. Em 2022, ele sobe para 3%.

Outra medida saneadora, na mesma direção da cláusula: fim da coligação entre partidos nas eleições proporcionais (deputados, vereadores), pela qual sobras de votos elegem parlamentares sem que o eleitor saiba. A antítese da República e da democracia.

Levantamento feito pelo GLOBO com base no resultado das eleições municipais constatou que, dos 35 partidos, 26 perderiam as salvaguardas plenas para atuar. Avanço indiscutível.

É necessário intenso trabalho de convencimento dos deputados, em prol da melhoria da qualidade do sistema de representação política, bastante degradado.

Os partidos que não alcancem os índices de votos não são extintos. Nem deixam de lançar candidatos. Poderão, inclusive, constituir federações de legendas. Nada mais democrático do que depender do voto.



08 de novembro de 2016
Editorial O Globo

O TSUNAMI ESTÁ CHEGANDO

É hora de delações da Odebrecht e de Lava Jato, não de brincar com fogo

Na superfície, o Congresso discute a PEC dos gastos e as eleições para as presidências de Câmara e Senado e para as lideranças de blocos e partidos. Nas profundezas, sofre, sem saber (e sem ter) o que fazer, diante do tsunami que começa nesta segunda-feira, 7 de novembro: a meia centena de delações da Odebrecht sobre as relações promíscuas com o mundo político.

Para agilizar os trabalhos e ir logo ao ponto, a sistemática mudou. Os 50 delatores vão apresentar amanhã suas revelações por escrito, depois serão chamados para confirmar o que escreveram e a força-tarefa da Lava Jato pretende ter a homologação das delações da Odebrecht em mãos até 20 de dezembro, quando o Judiciário entra em recesso. Aliás, o Congresso também, por volta da mesma data.

Pelo que foi vazado, serão listados de 150 a 300 políticos de praticamente todos os partidos. Isso abre uma nova era na Lava Jato, que não só deixa estressados deputados, senadores, governadores, prefeitos e seus antecessores, como também exige uma enorme responsabilidade da Justiça, MP e PF.

Se os investigados estarão alvoroçados, os investigadores – e a mídia – estarão entre duas pressões políticas e psicológicas: de um lado, a acusação de que a Lava Jato é uma armação demoníaca só para eliminar o PT; de outro, o pânico nos três Poderes de que todos os políticos e partidos sejam jogados na fogueira, arrastando o Congresso, pilar da democracia, para o quinto dos infernos.

Juízes, procuradores e policiais não raciocinam (ou não deveriam raciocinar) subjetivamente, com base em consequências políticas, mas sim objetivamente, atentos a fatos, crimes e criminosos. Mesmo assim, é preciso frieza e maturidade para se equilibrar entre essas duas pressões e com a opinião pública querendo sangue e linchamentos.

O ponto zero é uma pergunta: alguém neste País não sabia que a Odebrecht fazia doações para campanhas majoritárias (Presidência, governos e Senado) e muitas proporcionais (especialmente Câmara)? Isso é público, notório, parte da paisagem. Até aí, morreu Neves. O complicado é identificar quem é quem, o que é o quê. Quem usou dinheiro da Odebrecht (ou de que doadora for) para aumentar patrimônio e enriquecer contas particulares na Suíça e em paraísos fiscais; quem usou o pretexto da campanha para levar uma parte por fora; quem negociou doação à custa de corrupção em órgãos públicos e estatais; quem efetivamente usou o dinheiro em campanhas, mas com caixa dois; quem recebeu recursos para sua campanha conforme a lei em vigor.

Fazer carnaval, ou manchete, com o fato de fulano(a), beltrano(a) e sicrano(a) receberem financiamento da Odebrecht para concorrer a algum mandato não ajuda o processo, não clareia o mundo no mínimo nebuloso das campanhas e não educa a opinião pública para a importância da política limpa e para os perigos da corrupção. Logo, é um desafio e tanto, com a patrulha na cola e as estruturas do Congresso tremendo.

Um adendo: quem alardeia essas ideias pirotécnicas, ou piromaníacas, de derrubar Michel Temer para pôr Fernando Henrique no lugar já pensou em quem, como, onde e por quê? O colégio eleitoral seria o Congresso, onde, logo, logo, mais de uma centena de camaradas estarão na fila da Lava Jato. A reação automática seria que o PSDB tirou Dilma e pôs Temer para, aí, sim, dar um golpe. E a economia, a política, a imagem do País e a paciência da sociedade explodiriam de vez.

O Brasil passa por uma real faxina de métodos e costumes, tentando pavimentar uma política mais ética, um futuro mais digno e FHC, além de ter mais de 80 anos e um marca-passo, é um homem de bom senso e um sociólogo com responsabilidade histórica. Sabe que a hora é de Lava Jato, não de brincar com fogo.


08 de novembro de 2016
Eliane CAntanhede, Estadão