"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

BESTIÁRIO

Passados os Jogos Olímpicos, voltamos à dura realidade da bestialidade que nos aflige

Característicos da Baixa Idade Média, os bestiários eram textos recheados de belas iluminuras, catálogos detalhados de animais, em sua maioria, imaginários. Bestiário é também o título de uma das melhores coletâneas de contos de Julio Cortázar, o escritor argentino, um de meus favoritos. Como os catálogos da Idade Média, o Bestiário de Cortázar descreve em situações bizarras a condição humana tão próxima das bestas, do estado bruto dos animais.

Passados os Jogos Olímpicos, em que, por duas semanas, ludibriamo-nos com os feitos quase sobre-humanos dos atletas, imagens e histórias que fazem com que acreditemos que somos mais deuses do que bestas, voltamos à dura realidade da bestialidade que nos aflige. Das ignóbeis propostas do candidato republicano à presidência dos EUA ao êxodo de venezuelanos, mais de 300 mil refugiados rumo à Colômbia – sim, há uma crise humanitária em larga escala logo ali, crise ofuscada pelo drama brutal da Síria e do Oriente Médio. Como o Brasil haverá de lidar com a crise da Venezuela? Como enfrentaremos a escalada dos extremismos mundo afora e a bestialidade quase banal do noticiário brasileiro? Nesses primeiros dias pós-olímpicos a ressaca maior não é a ausência de competições e modalidades para acompanhar na TV, mas a constatação de que estamos mais para a estupidez do nadador Ryan Lochte do que para a leveza feroz da ginasta Simone Biles, aquela que voa com o salto que leva seu nome.

Em breve passagem pela cidade pós-olímpica, abro os jornais e leio sobre as afrontas adicionais ao ajuste fiscal pretendido – o possível reajuste dos salários dos ministros do STF. Leio sobre estudo que traça simulações a partir da PEC dos gastos, a proposta de emenda constitucional para limitar as despesas do governo, cuja conclusão é de que há diversos problemas na formulação da proposta.

Salta aos olhos a conclusão da análise preparada pela Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados: “O limite (dos gastos) previsto na PEC pode não ser suficiente para atender os aumentos (do funcionalismo público) já concedidos”.

Espanta-me que o governo fale com tanta desenvoltura sobre a reforma da Previdência quando a população que por ela será diretamente afetada sequer compreendeu por que urge aprovar essa reforma, e como ela haverá de impactar o futuro de milhões de brasileiros.

Fico igualmente surpresa com a tranquilidade com que se trata o impeachment iminente da presidente afastada. Não que eu guarde qualquer boa lembrança de seu desastroso governo – artigos escritos para este jornal ao longo da era Dilma Rousseff atestam minha aversão pelas políticas econômicas por ela postas em prática.

Contudo, impeachment não é coisa corriqueira, da vida, de todos os dias. É ferida que conosco permanecerá depois de Temer receber a faixa presidencial. Michel Temer, aquele que em breve assumirá a liderança definitiva do País. Que rumos dará ao Brasil? Terá pulso para enfrentar a bestialidade de nossa política, pergunta que já fiz em artigos anteriores? Conseguirá encontrar solução para a destruição das finanças estaduais e municipais que ameaça qualquer tentativa de ajuste fiscal e de reconstrução institucional?

No Bestiário de Cortázar há um conto curioso. Um homem escreve cartas para uma amiga que viajou para Paris. Ele está hospedado em seu imaculado apartamento, meticulosamente arrumado, tudo disposto milimetricamente em seu lugar. O problema é que o homem padece de patologia bestial: ele vomita coelhinhos. Os pequenos roedores destroem, pouco a pouco, tudo o que está no apartamento – os móveis, as roupas nos armários, os objetos de estimação da dona ausente.

Temer é homem que tomará conta do País que, ao contrário do apartamento da viajante do conto de Cortázar, nada tem de meticulosamente arrumado. Será ele capaz de feito olímpico, digno de deuses, para colocá-lo no lugar? Ou será ele como seus antecessores, mais um vomitador de coelhinhos? A trégua que lhe foi concedida acaba de se encerrar. Resta-lhe pouco tempo para mostrar a que veio.


24 de agosto de 2016
Monica de Bolle, Estadão
Economista, é pesquisadora do Peterson Institute For Internacional Economics e professora da Sais/Johns Hopkins University

AFINAL, O QUE SE PASSA NA CABEÇA DOS INTELECTUAIS QUE INSISTEM EM APOIAR O PT?




Fotomontagem da Época, reprodução do Arquivo Google


Em primeiro lugar, esse apoio irracional é falta de amor ao próximo, mostra indiferença pelos 13 milhões de desempregados que o PT deixou. Em segundo lugar, demosntra falta do senso de realidade, uma vez que é impossível que um escritor, vivendo no Brasil e não na Lua, ainda desconheça que o PT, junto com seus comparsas PCdoB, PMDB e PP, através de ações criminosas e em conluio com empresários e funcionários da Petrobras, saqueou a empresa-orgulho do Brasil, através de contratos de licitação viciada com recebimento de propinas pelo próprio Lula e os demais cabeças do PT, e tudo isso para enriquecimento próprio e para eternizar o partido no poder.

É impossível que um escritor que não vive na Lua tenha deixado de saber o que foi amplamente divulgado não só pela imprensa, mas pelo próprio ministro Henrique Meirelles. O fato é que Dilma, com seu governo corrupto, irresponsável e mentiroso, maquiou as contas públicas até não poder mais esconder que ela e sua gangue tinham tornado insolvente a economia do país.

Não se pode aceitar que um grande escritor e biógrafo, cujo dever de ofício é investigar, não perceba o que até as paredes do Palácio do Planalto já sabem: Dilma comprou a refinaria de Pasadena sabendo que isso iria dar prejuízo de mais de um bilhão de reais para a Petrobras. Ou seja, comprou um canivete e pagou pelo preço de um avião a jato.

A GERENTONA – Dilma, por seu temperamento centralizador, nunca deixou que outros decidissem por ela. Pelo contrário, sempre impôs a todos que dela seria a palavra final. Aí eu pergunto: além da falta de sensibilidade pelo drama que milhões de brasileiros estão passando por causa dessa pilhagem dos cofres públicos, como é que intelectuais como Fernando Morais , Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil podem continuar apoiando o PT?

Há até escritores de muito maior erudição, como Jair Ferreira dos Santos (“Breve, o Pós-Humano”, “Kafka na Cama”, “Histórias de Amor Infeliz”, “O que é Pós-Moderno”, “A Faca Serena”, “Cybersenzala” e outras obras), cuja agudeza coloca no chinelo Morais, Chico, Caetano e Gil , como ele pode apoiar essa quadrilha política? E logo Jair Ferreira dos Santos, que escreveu para o intróito de seu livro “A Faca Serena” uma quadrinha como nunca houve na literatura brasileira e portuguesa, nem pode haver igual (“Madura, fruto, o gume // escava. linguagem, o poema // acende, amor, o lume // de minha faca serena”….

INEXPLICÁVEL – Por que esses intelectuais ainda querem Dilma e Lula na Presidência da República? O que mais é preciso para convencê-los de que o PT deixou de ser um partido de esquerda? O que falta para que eles (indiferença aos desempregados e famintos, à parte) entendam que o PT não é a redenção de que o Brasil precisa?

Em todos estes anos como psiquiatra e psicanalista, analisando individualmente –e, depois, coletivamente – o comportamento humano, confesso que não consigo ter o menor entendimento sobre a mente desses intelectuais.

Passemos, para sermos mais pão, pão, queijo, queijo, a uma figura nada metafórica. Você está andando numa estrada rural e, ao virar a curva, vê uma manada de bois vindo na sua direção, em disparada. A conduta instintiva humana é pular fora da estrada e evitar ser pisoteado. Pois bem, estes intelectuais estão vendo uma manada de bois investindo em sua direção, mas insistem em prosseguir o caminho como se não estivesse acontecendo nada.



24 de agosto de 2016
Ednei Freitas

TOFFOLI NEM SE DEFENDE, DEIXA TUDO POR CONTA DE RODRIGO JANOT E GILMAR MENDES


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O silêncio do ministro Dias Toffoli é ensurdecedor
A poeira está baixando e fica cada vez mais visível que Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, cometeu um erro bizarro ao suspender a negociação do importantíssimo acordo de delação premiada do réu Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS e que vem a ser o empreiteiro que se tornou pessoalmente mais próximo aos políticos envolvidos nos principais esquemas de corrupção montados no país.
ATUAÇÃO PESSOAL – Ao contrário dos demais empresários do setor, Pinheiro sempre fez questão de se tornar íntimo das autoridades, prestando favores, presenteando, celebrando aniversários, frequentando eventos sociais e distribuindo propinas.
De repente, Janot decide sepultar todo esse acervo de informações sobre o crime organizado nos mais altos escalões da República, e o faz sob a justificativa de que Pinheiro poderia (?) ter vazado a informação sobre o ministro Dias Toffoli, para forçar que sua delação fosse logo aprovada.
Trata-se, é claro, de uma mera suposição de Janot, porque o fato concreto, sem a menor possibilidade de contestação, é que o procurador-geral tomou essa decisão importantíssima sem consultar ninguém e sem ter a menor prova ou a mínima evidência de que teria sido Léo Pinheiro o responsável pelo vazamento. Portanto, Janot agiu de forma açodada e intempestiva, sem a cautela e a prudência que seriam recomendáveis ao procurador-geral da República numa situação tão relevante e delicada.
TOFFOLI NA DEFENSIVA – Enquanto Janot agia com tamanha imprudência, o ministro Dias Toffoli fazia exatamente o contrário. Ouvido pela reportagem do jornal Valor no fim de semana, ele fez uma defesa decepcionante. Quando se esperava que demonstrasse indignação e anunciasse que processaria a revista Veja, o ministro do Supremo apenas confirmou ter relações sociais com o empreiteiro Léo Pinheiro, que realmente o ajudou na reforma da casa, mas a obra teria sido paga com recursos dele, Toffoli. E afirmou que não pretende processar a revista Veja.
O ministro do Supremo realmente tem de jogar na defensiva. As relações entre ele e o empreiteiro existem desde 2012, pelo menos, quando Pinheiro teria passado a enviar presentes de aniversário para Toffoli. Em agosto de 2013, mensagem captada pela Lava Jato mostra Léo Pinheiro mencionando uma reunião com Toffoli em Brasília sobre o “assunto dos aviões”. Na mesma data, Pinheiro indaga a um executivo da OAS sobre outra mensagem a respeito de Toffoli: “Vou precisar do material para AGU”, disse.
UM MINISTRO AMIGO – Em 13 de novembro de 2014, sem saber que horas depois seria preso pela Polícia Federal , Pinheiro trocou mensagens com outro amigo do Judiciário, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Estou indo para a África na segunda. Você vai ao aniversário do ministro Toffoli no domingo?” Benedito respondeu que ainda não sabia se compareceria à festa.
O ministro do STJ então marcou encontros com Pinheiro no Rio de Janeiro e São Paulo, mas a prisão impediu o presidente da OAS de comparecer. Segundo a revista Veja, existia uma relação “escabrosamente promíscua” do empreiteiro com Benedito Gonçalves.
Quanto à proximidade de Toffoli com o então presidente da OAS, agora levanta-se suspeita também sobre um voto do ministro do Supremo, em abril do ano passado, que foi  decisivo no julgamento do habeas corpus concedido ao empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, e o benefício foi então estendido justamente a Léo Pinheiro. Por mera coincidência, é claro.
JANOT MEIO TONTO – Como o pugilista atingido por um cruzado, o procurador-geral Janot está meio grogue. No plenário do Conselho Nacional do Ministério Público, nesta terça-feira, alegou que não houve vazamento na Procuradoria, pelo fato de o anexo citado pela reportagem da Veja jamais ter sido encaminhado a qualquer dependência do Ministério Público Federal em Brasília.
“Não houve nenhum anexo, nenhum fato enviado ao Ministério Público que envolvesse esta alta autoridade”, afirmou, referindo-se a Toffoli. Segundo Janot, trata-se “de um quase estelionato delacional”. E acrescentou: “Se você não tem a informação, você vaza o quê? Não sei a quem interessa essa cortina de fumaça. Posso intuir que tenha o intuito indireto para sugerir a aceitação pelo MPF de determinada colaboração”, disse, tentando continuar atribuindo o vazamento ao empresário Léo Pinheiro, sem ter a menor prova de que isso realmente tenha ocorrido.
LEVIANAMENTE – Não há a menor dúvida de que Janot está agindo levianamente. Não tem a menor condição de isentar o Ministério Público Federal pelo vazamento, pois a força-tarefa da Lava Jato é comandada em conjunto pelos procuradores da República e pela Polícia Federal.
Para se justificar, Janot alega que a Procuradoria-Geral em Brasília não recebeu nada contra Toffoli, mas é óbvio que isso ainda não poderia ter acontecido, até porque nenhum ministro do Supremo sequer pode ser investigado pela República de Curitiba, porque tem foro privilegiado no Senado (em crimes de responsabilidade) ou no próprio STF (em crimes comuns).
Quer dizer, é normal que a Procuradoria-Geral em Brasília ainda não tenha sido informada sobre Toffoli, mas isso não exclui a possibilidade de um dos integrantes do Ministério Público Federal no Paraná ter vazado a informação sobre Toffoli, colhida pela força-tarefa, uma possibilidade que Janot estranhamente tenta desconhecer.
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PS
 – A inocência é sempre diretamente proporcional à indignação. Quanto mais inocente, mais revoltado se manifesta o acusado. A passividade de Dias Toffoli, portanto, torna-se altamente reveladora. É o mínimo que se pode dizer. Quanto ao esperneio solitário de Gilmar Mendes, que nos últimos anos se tornou uma espécie de “padrinho” de Toffoli no Supremo, esse tipo de reação somente Freud explica. E vamos em frente(C.N.)


24 de agosto de 2016
Carlos Newton

O RACISMO DA ESQUERDA E A FALÁCIA DA DIVERSIDADE

Já dissemos em artigos e ensaios anteriores do Crítica Nacional que no âmbito da esquerda política a esquerda não mede esforços para empregar todo tipo de manipulação linguística para levar adiante seus propósitos. Essa manipulação inclui a deturpação do sentido das palavras e também a criação de termos desprovidos de conteúdo ou significado real, e que na maioria das vezes expressam práticas políticas que correspondem exatamente ao oposto do que o termo sugere.

Um exemplo dessa manipulação linguística é a palavra diversidade. O vocábulo foi colocado no repertório político por intelectuais de esquerda para, a partir de seu significado original, servir de justificativa e legitimação das concepções e da práticas racistas e sexistas que a esquerda sempre adotou, mas que passariam a estar devidamente legitimadas e justificadas em nome desta diversidade. Assim, políticas públicas excludentes, segregacionistas, sexistas e racistas destinadas a experimentos de engenharia social e que sempre fizeram parte das concepções autoritárias da esquerda, tais como cotas étnicas ou raciais ou sexuais ou mesmo de orientação sexual em locais de trabalho e no meio acadêmico, passaram a ser justificadas em nome da suposta diversidade.

O fato é que em primeiro lugar não há evidência científica alguma de que a tal diversidade étnica ou sexual (que a esquerda chama eufemisticamente de “de gênero”) em qualquer ambiente, seja ele acadêmico, empresarial, político governamental, ou artístico, produza melhores resultados, sob quaisquer critérios. A própria noção de que a diversidade seja agregadora em termos de melhores resultados para um grupo é por sim só racista e sexista, pois pressupõe diferentes tipos de habilidade cognitivas associadas diretamente ao sexo, ou a orientação sexual ou ao grupo étnico a que um individuo pertence. O que é evidentemente falso, pois não há evidência científica alguma da existência de diferenças de habilidades cognitivas entre seres humanos associadas a estes traços.

Portanto, a noção de que diversidade seja um valor intrinsicamente bom e de benefícios autoevidentes não passa de mais uma tese pseudo-acadêmica, como o aquecimento global antropogênico ou ambientalismo, que serve para ser usada como pretexto para fins de engenharia social destinada a levar adiante a agenda ideológica da esquerda, às custas de práticas racistas e sexistas. O fetiche pela diversidade, que se insere no escopo da hipocrisia do politicamente correto, acaba portanto se prestando a ser legitimador de práticas racistas e sexistas supostamente justificáveis por motivos nobres, como sempre ocorre nas práticas políticas da esquerda.

Esse racismo e sexismo ideologicamente motivado induzido pela esquerda ficou evidenciado essa semana, quando a BBC de Londres anunciou a abertura de vagas de emprego destinadas unicamente a negros, asiáticos e outros grupos étnicos não brancos. Nesse caso, o termo “asiáticos” foi talhado para designar muçulmanos originários do Paquistão, Turquia e de outros países asiáticos que formam o gigantesco contingente de muçulmanos que vivem no Reino Unido.

O argumento da direção da emissora estatal britânica é a de que para que a imprensa possa refletir a sociedade, é necessário que a sociedade esteja refletida na imprensa. Um argumento que não passa de um clichê e jogo de palavras para tentar justificar uma prática racista exercida em nome da falácia da diversidade. Obviamente se a mesma BBC ou outra empresa anunciasse vagas de emprego destinadas somente a pessoas brancas, ela seria acusada de racismo pela mesma mentalidade esquerdista que não se furta em praticar o racismo em nome da diversidade.


24 de agosto de 2016
paulo enéas

A VACA INDECENTE DE BRASÍLIA


Clique sobre a imagem para vê-la ampliada

A foto acima mostra um carro alegórico em uma das mega manifestações #anti-PT #ForaDilma ocorrida no Brasil. Retrata com precisão o que sempre aconteceu no Brasil e que foi turbinado de forma irrefreável no governo petista que haverá de evaporar até o final desta semana depois que Dilma for despachada para catar coquinhos numa praia cubana.
Em que pese toda essa barbaridade as pesquisas eleitorais que medem tendências para as eleições municipais de outubro deste ano apontam diversos comunistas e outros vagabundos e vagabundas oportunistas na liderança.
O número de psicopatas e loucos de todos os gêneros é uma coisa assombrosa. Se os números dessas pesquisas se confirmarem nas urnas chega-se a uma conclusão inescapável: o Brasil não é um país, mas um viveiro de débeis mentais.
Depois de tudo que veio e continua vindo à luz com a explosão do petrolão, o mega escândalo das roubalheiras levado a efeito por Lula, Dilma e seus sequazes, o povaréu ainda continua acreditando que a vaca de Brasília é inesgotável. Todos querem mamar. Afinal, a maioria que pontua alto nas pesquisas eleitorais perfila-se ao lado da maluca teoria comunista que garante o céu na Terra por conta dos cofres estatais, precisando apenas rodar as máquinas da Casa da Moeda.
O resultado está aí: inflação, retração econômica, desemprego, instabilidade e violência, os ingredientes de uma receita macabra que transformam qualquer Nação num submundo como Cuba e Venezuela, onde imperam a fome, a miséria e a morte.

24 de agosto de 2016
in aluizio amorim

A LONGA GUERRA PETISTA CONTRA OS COLÉGIOS MILITARES



Antes de publicar o artigo de Percival Puggina, faço questão de dizer que os colégios militares são os que escaparam à lavagem cerebral petista, praticada em nome do grande idiota Paulo Freire, que destruiu o ensino em todo o país, seja o público, privado ou confessional. Estes colégios abraçaram a ideologia em detrimento do conhecimento, formando uma geração de parvos. A guerra travada lá atrás pelo bigodudo petista Olívio Dutra - que fez o Rio Grande do Sul regredir - já era o prenúncio do que viria a acontecer na execrável Era petista:

Quando Olívio Dutra elegeu-se governador do Rio Grande, sua vitória foi entendida como evento culminante de uma empreitada revolucionária. Olívio e seus companheiros chegaram ao Palácio Piratini, em 1º de janeiro de 1999, mais ou menos como Che Guevara e Camilo Cienfuegos haviam entrado em Havana exatos 40 anos antes - donos do pedaço, para fazer o que bem entendessem e quisessem. Só faltou um velho tanque de guerra para os bigodudos e barbudos do PT se amontoarem em cima.

Foi com esse voluntarismo que o primeiro governador gaúcho petista, posteriormente conhecido como "O Exterminador do Futuro I" (haveria uma segunda versão com outro ator), despachou a montadora da Ford para Camaçari, na Bahia. "Nenhum centavo de dinheiro público para uma empresa que não precisa!", explicava o governador incandescendo sua mistura de vetustos ardores messiânicos e antiamericanismo adolescente. E o PIB gaúcho, por meia dúzia de tostões, perdeu mais de um bilhão de dólares por ano pelo resto de nossas vidas. Foi assim, também, que se instalaram pela primeira vez entre nós a tolerância, as palavras macias, o aconchego e os abraços aos criminosos, seguidos de recriminações e restrições às ações policiais. Foi assim que o MST e as invasões de terras ganharam uma secretaria de Estado. Foi assim, também, que o PT gaúcho inventou uma Constituinte Escolar, instrumento ideológico concebido para, sob rótulo de participação popular, permitir que o partido estabelecesse as diretrizes de uma educação comunista no Rio Grande do Sul.

A essas alturas já era gritante o contraste entre a qualidade da Educação prestada pelo Colégio Tiradentes, sob orientação da Brigada Militar, e o decadente ensino público estadual. A insuportável contradição não comportava explicações palatáveis, mas sua notoriedade exigia completa eliminação. E o governo transferiu o tradicional Colégio para a já então ultra-ideologizada Secretaria de Educação. O Colégio Tiradentes foi condenado à morte, executado e esquartejado. No mesmo intento de combater a quem defende a sociedade e de afrontar a tudo que pudesse parecer militar, Olívio Dutra retirou o comando da Brigada Militar do prédio onde historicamente funcionava e fez a Chefia de Polícia mudar-se do Palácio da Polícia. Sim, sim, parece mentira, mas é verdade pura.

Eleito governador em 2002, Germano Rigotto, tratou de reverter o aviltamento das instituições policiais. Fez com que seus comandos retornassem às sedes tradicionais e decretou a volta do Colégio Tiradentes à Brigada Militar. Ao se pronunciar durante a solenidade de assinatura desse decreto, o governador afirmou algo que não pode sumir nas brumas do esquecimento porque define muito bem a natureza totalitária de seu antecessor: "Não raro, por escassez de recursos ou limitações de qualquer natureza, a comunidade quer algo e o governo não pode atender. O que raramente acontece é o governo fazer algo contra o manifesto desejo da comunidade. Foi o que o aconteceu e é o que sendo retificado neste momento. O Colégio Tiradentes volta para onde deve estar. O Quartel General da Brigada Militar, retornou ao seu QG. A Polícia Civil voltou para o Palácio da Polícia".

Três atos marcantes, revogando providências que o governo petista impôs à sociedade gaúcha, contrariando-a intensamente, apenas para expressar seu antagonismo a tudo que fosse ou seja policial e militar.

Decorridos 13 anos, podemos ler no episódio aqui narrado as preliminares de um antagonismo que não se extinguiu. Persiste ainda hoje, entre as esquerdas, com apoio da burocracia do Ministério da Educação, uma absoluta intolerância em relação à "indisciplina pedagógica" dos colégios militares.



24 de agosto de 2016
in orlando tambosi

O BRASIL IRREAL DE TEMER

Maceió - Não vamos nos deixar iludir: a nossa tímida recuperação econômica deve-se principalmente ao fato do banimento do PT do poder que deixou a classe empresarial e o povo em geral mais esperançosos e otimistas quanto ao futuro do país. Contribuem também para isso o afastamento da Dilma da presidência, a operação Lava Jato – que intimida os corruptos – e a perspectiva do fim da influência do PT na máquina pública. Portanto, ainda não podemos atribuir ao Temer e a sua equipe essa reação discreta da economia. Até agora, o presidente só gastou. Gasta bilhões com o aumento dos salários do servidores públicos e ameaça gastar – veja só! – muito dinheiro com a publicidade estatal no próximo ano.

É espantoso saber que o governo projeta torrar em 2017 mais 20% em publicidade institucional, como apurou o jornalista Ivanir Bortot, do site “Os divergentes”. Isto quer dizer o seguinte: Temer vai liberar para divulgação oficial a bagatela de 350 milhões de reais. É isso mesmo, 350 milhões de reais! Em um país em crise, não deixa de ser uma afronta ao contribuinte que um governo, que pretende economizar e enxugar as empresas estatais, destine mais recursos à publicidade do que a administração corrupta da Dilma que fez a festa das agências e da mídia com 290 milhões de reais e, mesmo assim, está sendo apeada do poder.

Nesse pacote de bondades, o governo vai destinar R$ 800 mil à capacitação dos servidores da Secom. Analisando assim, friamente, parece uma quantia irrisória, mas não é. É o seu dinheiro, contribuinte, que vai ajudar o pessoal da secretaria de Comunicação a se qualificar, como se o órgão fosse uma escola de ensino profissionalizante. É assim, pingando um real aqui e outro acolá, que o governo perde a noção dos gastos. Afinal de contas quem paga por tudo isso é o idiota do brasileiro que vê seus impostos irem para o ralo no entra e sai de governo.

Temer precisa agir com mais rigor quanto aos gastos públicos. Com pulso e determinação para evitar escorregar nas armadilhas dos burocratas que derretem o dinheiro do contribuinte com a mesma frieza dos ar-condicionados de suas salas refrigeradas. Não conheço nenhum país do mundo que gaste tanto em publicidade oficial como o Brasil para alegria da mídia e das agências de publicidades, muitas internacionais, que se instalam por aqui de olho nas verbas públicas milionárias. O culto à personalidade é típico de déspotas de terceiro mundo que gastam somas milionárias para mostrar um país irreal.

O dinheiro da publicidade e dos cartões corporativos bem que poderia estar em outras rubricas para ajudar o país a sair da crise econômica e recuperar os empregos na faixa perigosa de mais de 11 milhões de desocupados. Limitar os gastos públicos que cresceram mais de 50% acima da inflação ao longo das duas últimas décadas, como quer Meirelles, não vai isoladamente resolver o problema do déficit fiscal, enquanto o governo não cortar na carne. E cortar na carne significa reduzir o número de comissionados, acabar com os cartões oficiais, reduzir as passagens aéreas dos servidores privilegiados, acabar com ministérios inúteis, auditar e fiscalizar todas as obras superfaturadas da administração petista, incentivar a indústria e o comércio e reduzir impostos para gerar mais emprego e renda.

Até agora o governo não mostrou austeridade para conter seus gastos. Não se sabe até hoje qual a economia gerada com o fim de alguns ministérios, não se conhece uma decisão ousada de Temer para colocar o país nos trilhos. O que existe de verdade é um oba-oba de reuniões políticas incansáveis para gerar factoides otimistas sobre o país. Ah, você há de dizer: ainda está cedo. Não, um bom administrador se conhece em 48 horas. Se ele não se mostrar eficiente nos primeiros dias, certamente caminhará à sombra da incompetência e da má gestão.

O Brasil pós-Dilma precisa mostrar a sua cara.



24 de agosto de 2016
jorge oliveira

PRECILÉGIOS: GILMAR CHAMA REGALIAS DE JUÍZES DE "GAMBIARRAS INSTITUCIONAIS"

MINISTRO DISSE QUE HÁ DESEMBARGADORES GANHANDO O TRIPLO DO TETO

MINISTRO DISSE QUE HÁ DESEMBARGADORES GANHANDO O TRIPLO DO TETO. FOTO: NELSON J


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, voltou a criticar o excesso de vantagens recebidas por juízes de instâncias inferiores. Nesta terça-feira, 23, ele havia dito que o Judiciário se aproveita da autonomia financeira e administrativa para fazer "seu pequeno assalto". Nesta quarta-feira, 24, em visita ao Senado Federal, Mendes classificou o excesso de benefícios como um "modelo de gambiarras institucionais".

Mendes defendeu que a proposta que eleva o vencimento dos ministros do STF e o teto do funcionalismo dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil precisa ser discutida no Congresso para fixar a remuneração do Judiciário. O projeto está atualmente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Hoje, após se reunir com Mendes, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai acelerar a tramitação para que o projeto seja votado no dia 6 de setembro.

"A gente precisa encerrar na esfera do Judiciário esse modelo de gambiarras institucionais. Nós temos problemas, e aí criamos um auxílio moradia, com base em liminares e regulação do Conselho Nacional de Justiça, e acho que nós devemos ter remuneração fixada com base na lei", afirmou Mendes.

Segundo o ministro, muitos desembargadores estão ganhando mais do que o triplo do teto do STF, chegando a ganhar R$ 100 mil por mês. "Eles estão descumprindo a Constituição e isso precisa ser ajustado", defendeu.

Questionado sobre a nota de repúdio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) contra ele, Mendes não quis comentar. A AMB acusou o ministro de se aproveitar de um "momento fundamental para a democracia para buscar espaço midiático".

"É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento", diz a nota da AMB. Ontem, Mendes também criticou os procuradores do Ministério Público e o pacote das dez medidas anticorrupção.

No texto, o presidente da Associação, João Ricardo Costa, fez diversas insinuações contra Mendes. "A AMB repudia que autoridades se aproveitem de um momento tão fundamental para a democracia para buscar espaço midiático, desrespeitando as instituições", declarou. "Sustentamos outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento, não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado", continuou.

Os juízes alegam que possuem "limitações legais" que os impedem de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos. "A AMB considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário. Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância."

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mendes veio ao Senado para o lançamento da Cartilha "Condutas Vedadas aos Agentes Públicos Federais nas Eleições 2016", da Advocacia-Geral da União.


24 de agosto de 2016
diário do poder

OPERAÇÃO DECANTAÇÃO

PF PRENDE PRESIDENTE DA SANEAGO E DO PSDB-GO POR DESVIO DE VERBAS
AFRENI E TAVEIRA, OS PRESOS, SÃO LIGADOS A MARCONI PERILLO



AFRENI GONÇALVES É PRESIDENTE DO PSDB-GO E JOSÉ TAVEIRA ROCHA PRESIDE A ESTATAL SANEAGO


Uma quadrilha acusada pelo desvio de R$ 4,5 milhões em recursos federais por meio da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) foi desarticulada nesta quarta-feira (24) pela Operação Decantação, da Polícia Federal,, com a prisão dos presidentes da empresa, José Taveira Rocha, e do PSDB de Goiás, Afrêni Gonçalves. Ambos são muito ligados ao governador goiano Marconi Perillo (PSDB). As verbas eram usadas para o pagamento de "dívidas políticas".

A operação policial cumpre 120 mandados judiciais nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Formosa e Itumbiara, em Goiás, além de São Paulo e Florianópolis (SC). Entre os detidos está o presidente estadual do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB),.

Cerca de 300 policiais participam dos trabalhos, que que conta com apoio do Ministério Público Federal e do da Transparência, Fiscalização e Controle, evitou um prejuízo de quase R$ 7 milhões.

No total são cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão na sede de empresas envolvidas e do PSDB em Goiânia, além de residências e outros endereços relacionados aos investigados.






24 de agosto de 2016
diário do poder

14 VOTOS A DOIS

ATÉ A CÚPULA DO PT REJEITA PROPOSTA DE DILMA SOBRE CONSULTA
EXECUTIVA É CONTRA A LOROTA DE 'PLEBISCITO' QUE ELA PROPÕE


SEGUNDO FALCÃO, A PROMESSA DE UM PLEBISCITO NÃO TERIA CAPACIDADE DE ATRAIR SENADORES CONTRA O IMPEACHMENT (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A proposta de Dilma Rousseff pela convocação de plebiscito sobre a antecipação de eleições no Brasil foi rejeitada pela cúpula do PT. Foram 14 votos a dois. A Executiva Nacional do partido esteve reunida nesta terça-feira (23) e votou contra a publicação de um documento que endossaria a sugestão de Dilma, conforme publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Apresentada pelo secretário de Formação do PT, Carlos Henrique Árabe, a emenda reproduzia um trecho da carta de Dilma, em tentativa de reverter o impeachment no Senado. Essa foi a primeira vez que o comando do PT se manifestou formalmente sobre a proposta de Dilma.

Segundo avaliação de Rui Falcão, presidente da legenda, a promessa de um plebiscito não teria capacidade de atrair senadores contra o impeachment. No entanto, Falcão nega que a rejeição seja sinal de afastamento


24 de agosto de 2016
diário do poder

PORTO DE MARIEL: AVANÇA PROJETO QUE ABRE A CAIXA PRETA DOS EMPRÉSTIMOS DO BNDES A GOVERNOS ESTRANGEIROS

AGORA O TEXTO SERÁ APRECIADO PELO PLENÁRIO DO SENADO FEDERAL

PARA FERRAÇO AS CONDIÇÕES DE EMPRÉSTIMOS DEVERÃO SER DE CONHECIMENTO PÚBLICO FOTO: FÁBIO MOTTA/ ESTADÃO


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou esta manhã (24) o PLS 26/2014, relatado por Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que põe fim ao sigilo bancário das operações de instituições públicas de crédito do país com outros países. O texto será agora apreciado pelo plenário.

A proposta visa impedir casos nebulosos, como a assinatura de financiamento, com cláusulas secretas, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a governos estrangeiros. Entre os episódios polêmicos está o envolvendo o porto cubano de Mariel.

“As condições de empréstimos feitos por instituições financeiras oficiais a estados estrangeiros deverão ser de conhecimento público, como sublinha princípios constitucionais de transparência e respeito ao contribuinte”, argumentou o senador.

Para ele, a sociedade tem o direito de saber para onde vai o seu dinheiro, “sobretudo quando operações dessa natureza do BNDES trouxeram tantas controvérsias”.


24 de agosto de 2016
diário do poder

MENDES, TOFFOLI, JANOT E STF: IMPOSSÍVEL ESCOLHER QUEM REAGIU PIOR À CAPA DA VEJA

A reação dos envolvidos apenas piorou a imagem da Suprema Corte no noticiário

A relação de Dias Toffoli com investigados pela Lava Jato foi colocada em questão quando a Veja estampou na capa que o ministro do STF havia sido delatado. Mas, antes que alguma resposta dele reverberasse, com desculpas sem sentido, Rodrigo Janot veio a público dizer que suspendeu o acordo negociado com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. No dia seguinte, Gilmar Mendes chutou o balde, chamou os procuradores de cretinos, deixou no ar que a vida dos investigadores corria perigo e voltou a defender o projeto que, acredita-se, será usado para melar a operação de vez. Quanto ao STF, até o momento da redação deste texto, seguia em um silêncio constrangedor.

A Justiça brasileira está doente. E não há sintoma mais evidente do que a reação destes senhores à acusação estampada na capa da revista.

Se a intenção era melhorar a imagem da Suprema Corte brasileira, passaram bem longe disso.



24 de agosto de 2016
implicante

LAVA JATO: AO FALAR DEM "ESTELIONATO DELACIONAL", JANOT COMPROMETE DECISÃO DE ANULAR DELAÇÃO


Enquanto a opinião pública bambeia entre informações diversas sobre o vazamento de informações que supostamente integram o acordo de colaboração premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, a queda de braços entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) aumenta.

Ministro do STF, Gilmar Mendes disse na terça-feira (23) que é preciso colocar “freio” no Ministério Público Federal, cujos integrantes, em especial os que atuam na Operação Lava-Jato, creem ser o “ó do borogodó”. “Ninguém pode se entusiasmar, se achar o ‘ó do borogodó’ porque vocês [imprensa] dão atenção a eles. Cada um vai ter o seu tamanho no final da história. Então, um pouco mais de modéstia. Calcem as sandálias da humildade. O País é muito maior do que essas figuras eventuais e cada qual assume sua responsabilidade”, disse o magistrado.

Gilmar Mendes defende uma imediata investigação sobre o suposto vazamento, começando pelos próprios integrantes da força-tarefa da Lava-Jato. A suposta informação de que o ministro Dias Toffoli (STF) teria consultado o ex-presidente da OAS sobre como solucionar problema de infiltração na sua casa, em Brasília, acabou recheando reportagem publicada na mais recente edição da revista Veja. A matéria jornalística não traz qualquer informação comprometedora em relação a Toffoli, podendo-se afirmar que no máximo trata-se de um detalhe constrangedor, mas que não permite juízo de valor.

A sugestão do ministro irritou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que no último domingo (21) determinou a imediata suspensão do pré-acordo de colaboração premiada de Léo Pinheiro. Falando em defesa dos procuradores que atuam na Lava-Jato, Janot classificou o episódio como “estelionato delacional”.

Segundo o procurador-geral, não há nos anexos do pré-acordo de delação de Léo Pinheiro qualquer referência ou menção ao nome do ministro Dias Toffoli ou de qualquer outro ministro do STF. Janot fez tal afirmação ao tentar explicar as razões que o levaram a determinar o encerramento das negociações para um acordo de colaboração premiada com o ex-presidente da OAS.

Compreender esse imbróglio exige conhecer as entranhas do poder e como se dá essa guerra de vaidades que opõe autoridades. De igual modo, não se pode aceitar qualquer decisão do MP como sendo a última palavra ou a maior das verdades. Parte da culpa por esse comportamento destemperado dos procuradores é de parte da imprensa, que no afã de conseguir informações exclusivas acaba incensando os integrantes da força-tarefa da Lava-Jato.

Não há razão para Rodrigo Janot encerrar as negociações para acordo de colaboração com Léo Pinheiro, que já duravam seis meses, pois situações idênticas ocorreram em outras delações, sem que as mesmas tivessem sido suspensas ou anuladas.

Fato é que no rastro desse imbróglio alguém se beneficiou. Léo Pinheiro, como é de conhecimento de todos, comprometeria sobremaneira o ex-presidente Lula se contasse o que sabe sobre o sítio em Atibaia e o apartamento triplex em Guarujá.

Alegar que o vazamento foi uma forma da defesa do ex-presidente da OAS forçar a homologação do acordo de colaboração é algo descabido, típico de quem não tem como justificar os próprios atos. Se Janot diz que o vazamento não é obra dos procuradores e que no pré-acordo de colaboração nada há contra Dias Toffoli, o melhor a se fazer é retomar as negociações com o delator, provando que esse tinha interesse na confusão.

Ademais, se Janot decidir manter sua decisão, o que seria pura vaidade, o acordo de delação premiada poderá ser negociado diretamente com a Justiça, sem e interveniência do Ministério Público Federal, já que a homologação se dá apenas no âmbito do Judiciário. Em suma, essa epopeia está mais para missa encomendada do que indignação.


24 de agosto de 2016
ucho.info

DILMA: UMA PROPOSTA QUE NINGUÉM PODE RECUSAR


Dilma Rousseff faz uma proposta ao Senado que ninguém poderia recusar. Mas quem recusou antes foi o PT. Por 14 a 2. Um 7 a 1 dobrado.


O PT recusou uma proposta da própria Dilma Rousseff, a presidente afastada, por 14 votos a 2, na Executiva Nacional do partido. Dilma Rousseff e seus dois votos pretendiam publicar um documento propondo um plebiscito por novas eleições.

A proposta de Dilma não é por novas eleições, mas criar um plebiscito para averiguar perante a população se o povo quer novas eleições. As pessoas, então, votariam para definir se gostariam de votar de novo.

O PT, portanto, estava votando para definir se proporia uma votação para o povo, então, votar.

Dilma Rousseff, dentro do PT, perdeu por fragorosos 14 a 2 (montante que é exatamente o dobro de 7 a 1). Ao contrário da análise costumeira, portanto, a presidente afastada Dilma é mais bem tratada e levada a sério na imprensa, na academia, na sociedade, na Lava Jato, no TSE, no STF e até no Twitter do que dentro do PT.

A proposta irrecusável de Dilma de haver novas eleições é retirada ex nihil, como se uma cartola mágica de funcionamento político e institucional do país fosse controlada, por coincidência cirúrgica, pelo que querem os petistas. Ou ao menos era assim, antes de a proposta de Dilma ser rechaçada acachapantemente até por seus apaniguados.

O PT sempre chama o impeachment de “golpe”, mas sabe que tal narrativa tem o mesmo valor de uma nota de 3 reais, e a mesma capacidade de convencer a população (sobretudo, a mesma parcela população). O impeachment segue a Constituição, rito a rito. “Novas eleições” não seguem nada, senão o idioma de Dilma Rousseff. Qualquer presidente eleito por “novas eleições” entraria, portanto, por um golpe.

A mudança se deu porque o PT tem uma narrativa a ser vendida de que representa o povo, e tal confirmação se daria por suas seguidas vitórias “nas urnas” – ainda que as sejam as urnas da Smartimatic ou eleições com “recursos” advindos de propina, troca de favores multimilionários com empreiteiras e contas recusadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Pedir por novas eleições seria uma forma de atacar o vice de Dilma, hoje muito menos recusado pela população do que a própria Dilma – o famoso “efeito Itamar” do PMDB. Contudo, apesar do desejo do PT de ser adorado, bendito e glorificado pelo povo, Michel Temer é muito mais benquisto pela população, que nem sequer votou nele, do que Dilma Rousseff ou qualquer petista. Incluindo Lula.

Como o PT concorreria em tais eleições, se a popularidade de Lula hoje não transcende as fronteiras dos militantes petistas mais ortodoxos, e mal teria chance de segundo turno? Como ficaria sua narrativa?

“Disputa de narrativas” foi o nome do artigo que o blogueiro Leonardo Sakamoto escreveu para a Caros Amigos deste mês, justamente conclamando por uma operação abafa, um apagar de incêndio, sobre uma esquerda envergonhada de ter votado em Dilma e Temer, para continuar mandando e desmandando no imaginário coletivo brasileiro mesmo assim. Sakamoto, por sinal, é um dos que recebem dinheiro de George Soros para influenciar a opinião pública brasileira.

Dilma, crendo que ao menos seus acólitos poderiam sustentar suas vontades, acabou derrotada pela realidade: nem mesmo o PT tem coragem de se associar à sua triste e macambúzia figura. É o que fazem os candidatos às prefeituras do PT: fingem que nada têm a ver com Dilma Rousseff.

O PT tem como plano de ação, hoje, sobreviver e não ir parar na cadeia. Para isso precisa de uma narrativa com alguma capacidade de chegar a um capítulo 2. O malogro do partido e de figuras como Dilma e Lula é que precisariam de força para isso. Atualmente, os petistas estão em peso apostando que a melhor chance de sobrevivência futura é ser lembrado ao menos como o último a abandonar o barco antes de ter afundado.



24 de agosto de 2016
Flávio Morgenstern

APRENDA A NÃO CAIR NO "TRUQUE DO ESPECIALISTA", SEMPRE APLICADO PELA IMPRENSA


Aprenda a não cair no “truque do especialista”, sempre aplicado pela imprensa

É uma tática velha, manjada e já desmascarada algumas vezes. Mas eles não param. Então, sigamos desmascarando. Aprenda a identificar esse truque furado.

De repente, em meio a um tema em voga, surge uma entrevista com algum especialista. Ora bolas, ele é um ESPECIALISTA, então certamente sabe do que fala, certo? Nem sempre. Na verdade, bem raramente.

É comum, por exemplo, chamarem um “especialista em segurança pública” que, vamos saber depois, é na verdade sociólogo – algo próximo de um vegetariano especialista em churrasco.

Mas por que chamam esse cara? O truque é justamente esse. A imprensa, por princípio, precisa ser imparcial, de modo a exprimir opinião nos editoriais e nas colunas assinadas. Mas reportagens não podem ter nada além dos fatos. Ou… Pois é: ou OPINIÕES DOS ENTREVISTADOS.

Assim, sacam da manga aqueles “especialistas” cujas opiniões até nossas bisavós conhecem. Em muitos (muitos!) casos, aliás, é figura carimbadíssima, dessas de aparecer em tudo que é abaixo-assinado.

Aprenda, portanto, a SEMPRE DUVIDAR DOS “ESPECIALISTAS”. Sempre. De verdade. Dica: comece a fazer uma busca simples a partir de agora e perceba o quanto determinados veículos possuem viés exagerado para este ou aquele lado. Por uma dessas coincidências do destino, SEMPRE a opinião “especializada” vem de gente de uma mesma trincheira.

Chega a ser quase divertido constatar isso. Mas no fim é mesmo trágico. Ou tragicômico.

ps – a imagem em destaque deste post, que aparece nas redes, é uma imagem do economista francês Thomas Piketty, celebrado geralmente por jornalistas de esquerda e demais pessoas de viés ideológico não muito famosas pelo talento com as contas. Pois bem: ele foi refutado por um estudante e também por Bill Gates (e esse é um exemplo até mesmo NOBRE de esquerdista “especializado”; por aqui, o nível é bem mais baixo).



24 de agosto de 2016
implicante

DESEMPREGO CRESCENTE ESTÁ DESCAPITALIZANDO O FGTS E O INSS AO MESMO TEMPO


Resultado de imagem para previdencia charges
Charge do J. César, reproduzida do Arquivo Google
















O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como todos sabem, tem sua arrecadação à base de 8 por cento das folhas salariais dos empregados regidos pela CLT. Contribuição dos empregadores, portanto, dedutível do imposto de renda. Dessa forma, quanto mais alta estiver a taxa de emprego e o nível de remuneração, mais elevada estará a receita. Mas vem acontecendo exatamente o contrário. Desemprego crescente, arrecadação declinante.
Na edição de 19 de agosto do Diário Oficial, a Caixa Econômica Federal publicou o relatório sobre o desempenho do FGTS no exercício de 2015. Houve decréscimo em relação à receita de 2014. Em 2014,a diferença entre a arrecadação e os saques foi de 18,45 bilhões , em 2015 desceu para 14,4 bilhões de reais. A perda terá sido de 4 bilhões? Nada disso. Temos que incluir, no ano passado, a inflação de 10,6 por cento, registrada pelo IBGE.
A queda nominal ficou em 4 bilhões , mas a perda real alcançou , em inúmeras  redondos, 6 bilhões de reais.
EM BAIXA – A arrecadação, portanto, não acompanhou os desembolsos. Os saques, decorrentes das demissões sem justa causa, atingiram nada menos que 99,1 bilhões de reais. No final de 2015, o salário ficou na escala de 364 bilhõesde reais.
A liberação de recursos do FGTS não se encontra condicionada às demissões, tem origem também nas aposentadorias. Porém, neste caso, não entra a multa rescisória de 40 por cento a ser paga pelos empregadores sobre os saldos existentes. Mas esta é outra questão. O que é fundamental destacar é que a fonte da arrecadação, tanto do FGTS quanto do INSS, depende do mercado de trabalho. Se este se retrai , escolhem as receitas do FGTS  e do INSS. E, também em consequência, declina o consumo, numa primeira fase, e o Imposto de Renda no final da ópera. Pois quanto menos se recebe, menos se pode comprar e pagar o IR.
PREVIDÊNCIA – No caso do INSS, a perda decorrente da alta do desempenho é bem maior que a do FGTS. Isso porque o INSS tem contribuição dos empregados e também quanto a das empresas, sendo que estas têm de recolher 20% sobre a folha de salários. Os empregados, 11% até o teto de 5,1 mil reais por mês, valor máximo das aposentadorias e pensões.
Além de tudo isso, existem centenas de milhares de episódios de sonegação e de trabalhos sem carteira assinada, especialmente no setor de serviços e, sobretudo, no meio rural.
SONEGAÇÃO – As dívidas para com a seguridade Social elevam-se á estratosfera de 1 trilhões e 800 bilhões de reais . Relativamente ao FGTS, revela o relatório da CEF, existem 1 bilhão e 800 milhões inscritos na dívida ativa. Será o único setor de endividamento existente? Fica a dica. Não importa no caso.
O importante é que há que atinja nível mensal de renda mais de 100 vezes maior do que o salário mínimo. Porém, os que se encontram nos andaresmais altos não consomem cem vezes mais do que aqueles em patamares abaixo. Por aí, pode-se dimensionar a importância decisiva do trabalho na economia brasileira.
Portanto, o Brasil somente poderá sair da crise atual se o projeto econômico financeiro levar em conta o valor real do emprego e do salário. Dentro da dualidade eterna: o capital empreende, o trabalho consome. Esta roda gira sem cessar. É preciso atenção para a problema. É o que tem faltado.

24 de agosto de 2016
Pedro do Coutto

O ÚLTIMO ATO DE DILMA

“Golpe é uma palavra um pouco dura, que lembra a ditadura militar”
Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo

A partir da próxima semana, fora a jabuticaba, haverá outra coisa para chamarmos de nossa: a presidente da República afastada por um golpe que comparece ao último ato do seu julgamento para se defender diante de golpistas. Se for absolvida, dirá que derrotou o golpe. Se for condenada, dirá que foi vítima dele. Em seguida, embarcará para uma temporada de férias no exterior porque ninguém é de ferro.

A ÚNICA invenção brasileira reconhecida em fóruns internacionais é a duplicata mercantil. Data da época em que Dom João VI transferiu para o Rio de Janeiro a sede do império português. Nem o avião é reconhecido como uma invenção do brasileiro Santos Dumont, que morava em Paris e que, ali, fez sua geringonça decolar pela primeira vez no início do século passado.

NA VERDADE, não há registro confiável de que a jabuticaba tenha primeiro brotado aqui antes de se espalhar por outros países de clima tropical. De forma tal que a presidente, capaz de acreditar na força dos seus argumentos para convencer os golpistas a não golpeá-la, poderá, e com justa razão, passar, sim, à História da política universal como algo originalmente brasileiro.

NÃO SÓ A presidente. Também o golpe, transmitido pela televisão e comandado no seu desfecho pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do país. Previsto na Constituição que a presidente jurou defender, o golpe é chamado ali de impeachment e serve para destituir do poder o governante que tenha cometido crime de responsabilidade.

DILMA ACHA que não cometeu crime algum. E para abortar o golpe, valeu-se de todos os recursos lícitos e ilícitos. Empenhada em preservar o mandato e seus direitos políticos, bateu à porta da Justiça algumas dezenas de vezes, sem sucesso. E também sem sucesso à porta de deputados e senadores oferecendo cargos, liberação de dinheiro para obras públicas e outras vantagens.

PODERIA NÃO ter feito nada disso, uma vez que se tratava de um golpe, não de um processo de impeachment regulado pela Constituição e acompanhado de perto pela Justiça. Debitemos tamanho equívoco, porém, à sua ingenuidade. Deve ter imaginado que seria possível vencer o golpe participando ativamente de todas as suas fases. Não estava só. Procederam igualmente assim todos os que a apoiam.

SUA IDA AO Senado para depor e ser interrogada pelos senadores investidos da condição de juízes será a prova definitiva para quem ainda carecia de alguma de que Dilma jamais foi alvo de um golpe. Como Fernando Collor não foi. Como Itamar Franco e Fernando Henrique não teriam sido, tantas foram as vezes que o PT quis derrubá-los pela mesma via usada para se derrubar Dilma agora.

COLLOR CAIU sob a suspeita de ser corrupto. Depois foi absolvido pelo Supremo, voltou à política e aliou-se a Lula e a Dilma. Está sendo investigado pela Lava-Jato sob a suspeita de ser corrupto. Dilma cairá porque desrespeitou a Lei Fiscal e gastou muito além do que estava autorizada a gastar pelo Congresso. Deve celebrar a sorte de cair antes de novas delações que acabarão por comprometê-la.

NA RAIZ DA queda de Collor e de Dilma está a perda de apoio político para que seguissem governando. Perderam apoio porque infelicitaram o país a tal ponto que as ruas se voltaram contra eles e, sob o ronco delas, os partidos. Demos graças a uma democracia tão repleta de defeitos como a nossa, mas mesmo assim capaz de garantir pelo voto a troca de governantes.


24 de agosto de 2016
Ricardo Noblat, O Globo

POR LULA, PT DIFAMA O BRASIL


Partido não se peja de tentar vender no exterior a falácia de que Lula é vítima

A “mais violenta campanha de difamação contra um homem público em toda a história do País”, da qual Lula da Silva se diz vítima, é denunciada por uma “cartilha” impressa em quatro línguas – português, inglês, francês e espanhol – que o PT vai distribuir a personalidades e órgãos de comunicação no exterior. Para compensar o fato de, segundo alegam, Lula estar sendo difamado no Brasil, os petistas decidiram ampliar a campanha de difamação do Brasil no exterior, apresentando seu líder máximo como vítima de toda sorte de violência por parte das autoridades policiais e judiciais que, no cumprimento de suas responsabilidades constitucionais, estão há mais de dois anos expondo as entranhas do maior esquema de corrupção da história do País, armado por Lula e seus asseclas. O chefão petista, que já apelou ao comitê de Direitos Humanos da ONU contra o juiz Sergio Moro, demonstra estar cada vez mais atemorizado com a possibilidade de fazer companhia aos ex-dirigentes do PT – até agora, dois ex-presidentes e três ex-tesoureiros do partido.

No mesmo dia em que o PT anunciou o lançamento da publicação A caçada judicial ao ex-presidente Lula – que reproduz material divulgado pelo site do Instituto Lula, no dia 20 de julho –, o empresário José Carlos Bumlai, réu condenado da Lava Jato, colocou mais um cravo na coroa de espinhos do amigo do peito ao declarar, em depoimento à Polícia Federal em São Paulo, que recebeu da ex-primeira-dama Marisa Letícia da Silva, em fins de 2010 – último ano do segundo mandato presidencial de Lula –, insistente pedido para que ajudasse a acelerar as obras então em andamento no famoso sítio de Atibaia, que os Da Silva negam de pés juntos ser de sua propriedade, mas que passaram a frequentar regularmente a partir de 2011.

É difícil saber o que é mais cínica, se a campanha que o PT tem promovido no exterior para difamar as instituições brasileiras depois que se viu desmoralizado no próprio País ou se a tentativa de Lula de garantir que não existe no Brasil ninguém mais honesto do que ele próprio. O fato é que denegrir a imagem do País na tentativa de criar a pressão externa para beneficiar os interesses políticos do lulopetismo e promover a imunidade criminal de seus líderes é um comportamento sórdido e irresponsável. Mas era o que se podia esperar dos inspiradores e autores materiais do mensalão, do petrolão e de outros delitos.

Durante os anos em que seu governo surfava na onda de prosperidade internacional e dispunha de recursos para propagandear índices econômico-sociais positivos e fazer marketing político no exterior, Lula acabou granjeando, principalmente nos círculos da esquerda terceiro-mundista e bolivariano, algum prestígio. Isso explica as manifestações de apoio ao lulopetismo por parte de quem acompanha a crise brasileira a distância e tende a, por afinidade ideológica, considerar com indulgência as tropelias de Lula & Cia.

Com a causa perdida, o PT não se peja de tentar vender no exterior a falácia de que Lula é vítima de agentes do Estado brasileiro que tentam usar as instituições para atingi-lo: “Agentes partidarizados do Estado, no Ministério Público, na Polícia Federal e no Poder Judiciário, mobilizam-se com objetivo de encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e levá-lo aos tribunais”. Ou seja, a Operação Lava Jato, que conquistou o apoio e a admiração dos brasileiros pela importância da colaboração que está dando para o saneamento da vida pública, para o PT não passa de uma conspiração para impedir a volta de Lula ao poder. Enquanto a operação atingia apenas dirigentes do partido de segundo plano, os petistas se permitiam encenar manifestações de apoio ao combate à corrupção.

Agora, porém, a Lava Jato virou conspiração. Com o apoio do STF, está definitivamente nos calcanhares do ex-presidente, o que significa a possibilidade de ferir de morte o PT com a cassação dos direitos políticos de seu maior líder e símbolo. Risco que passa a ser real quando até os amigos do peito de Lula resolvem contar a verdade.



24 de agosto de 2016
Editorial Estadão

TEMPO DE CONTRARIAR INTERESSES

A Olimpíada do Rio acabou, fizemos bonito, foi um sucesso. Por aqui, o julgamento do impeachment de Dilma entra na reta final. Seja o que for, é hora de o Brasil sair do campo da indefinição.

Não dá para esperar a eleição municipal acabar. O momento é de encontrar soluções para o país voltar à normalidade. O problema é fazer o Congresso cair na real e pensar menos nos seus interesses paroquiais.

A classe política parece sonhar com mágicas na economia, tal como já foi tentado diversas vezes, para que seja poupada de tomar medidas impopulares, como a reforma da Previdência, mas necessárias.

Dilma, por sinal, deve ser afastada em definitivo, salvo surpresa de última hora, porque inventou a contabilidade criativa a fim de esconder o rombo das contas públicas. Não enfrentou a realidade, cometeu irregularidades e deu o argumento jurídico para seu impeachment.

Repetir o mesmo erro da petista será fatal. O ritmo explosivo do deficit público não permite remendos, mas consertos definitivos. A equipe econômica de Temer já montou o roteiro para tirar o país da crise. A bola, agora, está com o Legislativo.

O teto dos gastos públicos e a reforma da Previdência são o caminho para reequilibrar as contas públicas. As privatizações e concessões vão ajudar a impulsionar o investimento. Conjugadas, estas medidas garantem a saída da recessão e a volta do crescimento econômico.

Confirmado no cargo de presidente, Michel Temer terá a tarefa de forçar o Congresso aprovar sua agenda econômica. Na interinidade, o peemedebista exercitou muito mais sua capacidade de conciliar interesses em vez de enfrentá-los.

Uma vez efetivado, terá de passar a contrariá-los. Não poderá mais recuar a cada pressão de corporações e aliados. Caso contrário, será candidato ao fracasso, a um final de mandato bem melancólico, como o do colega José Sarney. De economia em crise e baixa popularidade.



24 de agosto de 2016
Valdo Cruz, Folha de SP

A VITÓRIA CONTRA A ALEMANHA, NELSON RODRIGUES E O "COMPLEXO DE VIRA-LATA"



Reprodução do Blog do Eliomar (Arquivo Google)



















Nelson Rodrigues todos os domingos ia ao estádio para ver os anjos e os demônios de sua devoção. Ele sempre pregou que o brasileiro precisa acabar com o complexo de vira-lata. Sob a visão de Nelson, nossa vitória sobre a Alemanha na Olimpíada teria sido celestial, porque ele elogiava muito qualquer  vitória apertada e sofrida. Quando o Brasil ganhou de 1 x 0 o País de Gales, em Gotemburgo, na Suécia, rumo à primeira Copa, o genial cronista escreveu: “O povo queria que enviássemos uns seis ou sete. Eis a nossa tragédia – a pura e simples vitória não basta. Mas eu vos digo, aqui, foi a maior vitória brasileira
Naquela época, Nelson Rodrigues criou a história sobre o complexo de vira-latas, que perdura até hoje:
Temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.
Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.
Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo.
Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos. (…)
O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. (Nelson Rodrigues, em “À sombra das chuteiras imortais”, pág. 55).

24 de agosto de 2016
Carmen Lins