"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A NECESSIDADE DO OUTRO

 
Aos 11 anos, quando entrei no ginásio e ganhei do meu pai uma caneta Parker com meu nome gravado, senti que algo muito sério havia ocorrido comigo. Virei ginasiano , dizia o pai que, criado em Manaus, foi um orgulhoso aluno do Ginásio Amazonense Pedro II. Naquele tempo, era comum o uso do paletó e no seu inútil bolsinho de fora usava-se um lenço combinando com a gravata e, no canto do bolso, como enfeite e sinalizador social, enfiava-se uma caneta! Éramos um país de analfabetos antes de sermos um país de subletrados e de burros doutores ideologicamente pautados. A caneta de ouro compondo a figura do doutor (substituto do aristocrata) sugeria que o sujeito assinava o nome.

Compreendi o significado da caneta demarcadora de minha passagem para o curso secundário quando, já universitário e querendo ser revolucionário, um colega politizado relacionou a nossa geração aos privilégios e a contrastou com os oprimidos sem escola que escreviam de modo hesitante, desenhando as letras, traçando-as no papel ao contrário do que manda a caligrafia clássica.

Escrever à tinta , como se dizia, era algo ritualizado que ia da escolha do papel para o que se ia dizer, pois a caneta-tinteiro borrava e sua escrita não era facilmente apagada.

Escrever com a minha Parker preta listrada de dourado era fazer a passagem do transitório e barato lápis, cujas pontas gastavam e quebravam e cuja escrita não resistia a uma banal borracha, para o definitivo: para a escrita à tinta . Que responsabilidade eu tinha quando pegava essa caneta para escrever e foi com ela que tracei as sempre mal traçadas linhas da minha primeira carta de amor. Um amor a ser tão eterno quanto a tinta e que não durava mais do que um long-play de Frank Sinatra.

Ali eu vivi um inexorável sentimento de passagem do tempo. Estava ficando velho. E velho fui ficando quando alguma passagem ocorria na minha vida. Todas as primeiras e últimas vezes foram marcadas e eu só tive consciência delas porque algo ou alguém as assinalava.

A sensação de transitar por várias etapas críticas do meu ciclo existencial que começou com o nascimento e o batismo; seguiu para a infância do time de futebol e da primeira comunhão; prosseguiu para puberdade dos bailes, do primeiro namoro e beijo; desembocou no casamento; foi agraciado com a paternidade e um dia virá com a morte - o evento mais crítico de todos o qual, infelizmente, será o único que eu não vou poder compartilhar com vocês, meus queridos leitores - foram todos construídos por outras pessoas.

Foram todos urdidos de fora para dentro, por meio de conversas, presentes, admoestações, rituais, aprovações, elogios e reparos feitos por um outro. Acentuo esse outro porque, sem ele, eu não seria capaz de saber que tento ser simultaneamente um individuo autônomo e livre; e uma pessoa devedora de muitas pessoas e relações as quais despertaram os vários eus que convivem dentro de mim.

O individualismo do anglo-eurocentrismo, adotado com a santa ignorância de tudo o que chega de fora no Brasil, pensa que pode ficar preso ao velho e inconsciente solipsismo do só eu sei o que sei passou comigo e portanto ninguém melhor do que eu para falar da minha vida , como revelou com o viés dos censores o rei Roberto Carlos, numa entrevista recente. Mas o holismo que sustenta e legitima o individualismo e pretende proteger a vida pessoal dos que vivem se expondo por meio de seus talentos criativos diz que nós só sabemos quem somos quando ganhamos de presente uma caneta; quando um amigo nos corrige; ou quando somos atingidos por uma opinião cuja maior virtude é mostrar algo não visto ou oculto de nós mesmos.

Por isso as autobiografias são tão fantasiosas quanto as biografias. Pois elas só existem como artefatos construídos e qualquer compromisso com a liberdade de falar do outro com liberdade - como argumentou um mestre do gênero, Ruy Castro, na Folha de S.Paulo do dia 1º do corrente - não é só um dado básico da visão de fora (o ponto de vista do outro), mas da própria vida social que, em todas as suas dimensões, requer e precisa do outro. Seja como um aliado, seja como um advogado, seja como um contrário e, mais que isso, como um alternativo. Aquele que passou pelo que passamos e que, com os mesmos eventos e experiências, construiu um quadro diverso do nosso. Tentar controlar e reduzir a visão de fora é uma violência porque é um ato de negação do outro. Esse outro que é o sal e, como dizia Sartre, o inferno da vida.

Não fossem esses atos externos eu não mudaria de ideia e de hábitos. Jamais saberia que tenho sido muitos. Mas mesmo na dúvida e no sofrimento da revelação das minhas limitações ou da minha pusilanimidade eu sei que o outro é básico na produção da minha vida. Se eu fosse um cantor, eu saberia pela prática que é esse outro (o chamado público) quem me consagra e me dá como um dom a incrível relação chamada sucesso.
 

NOVILÍNGUA ÀS AVESSAS


O britânico George Orwell cunhou, no romance 1984, a expressão Big Brother (popularizada pelo reality show televisivo) para definir o sistema de fiscalização que observa tudo 24 horas por dia. O livro traz ainda outro neologismo menos conhecido, mas que entrou no vocabulário contemporâneo: novilíngua – idioma criado pelo Estado autoritário descrito no livro, que consistia na condensação ou extinção de palavras para alterar ou eliminar significados de determinados termos. A ideia da novilíngua era, ao modificar ou suprimir vocábulos, controlar o pensamento das pessoas. Se alguém não consegue conceituar uma ideia, ela deixa de ser debatida e, consequentemente, de existir.

Movido pelo marketing político, o Estado brasileiro parece desenvolver uma variação às avessas da novilíngua. Em vez de extinguir palavras para que os significados delas se percam, cria novos termos para definir aquilo que já existe, numa tentativa de mostrar ao cidadão-eleitor que o governo tem novidades a exibir. Se na ficção de Orwell o objetivo era suprimir o pensamento, na realidade nacional a meta é criar uma ideia que seja lembrada no dia da eleição.

E, assim, novos termos para definir o que já existe se proliferam, formando uma sopa de letrinhas. O posto de saúde, carinhosamente apelidado pela população de “postinho”, virou UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) na novilíngua federal. Veio a substituir o CMUM (Centro Municipal de Urgências Médicas). A creche agora é CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil).

Uma autoescola, ao menos para os legisladores de Brasília, não existe; ela tem de ser chamada de Centro de Formação de Condutores. A emissora de televisão do governo paranaense já foi TV Educativa. Depois, virou Canal Paraná. Voltou às origens ao ser rebatizada de Paraná Educativa. E, no atual momento, chama-se E-Paraná. O PAC do governo federal (Programa de Aceleração do Crescimento) nada mais é que uma variação do Plano Plurianual (PPA) – nomenclatura prevista em lei que define o planejamento estratégico que todas as gestões têm de obrigatoriamente fazer a cada quatro anos.

Alguns dos novos termos também estão sendo importados. Tem sido cada vez mais comum, por exemplo, que agentes públicos chamem de BRT (bus rapid transit) os já consagrados termos “canaleta” ou “ônibus expresso”.

Não há nada de novo sob o sol, a não ser a sanha cada vez mais voraz dos políticos e dos tecnocratas em renomear. Quem batiza, afinal, costuma se considerar o pai da criança – e das obras.

O PAPEL DAS EMPRESAS NO COMBATE À CORRUPÇÃO


A melhora da competitividade da economia brasileira no cenário global passa, obrigatoriamente, pelo combate à corrupção. Estudos de organismos internacionais deixam clara a relação direta entre esses dois fatores. Quanto menos corrupto é um país, mais atrativo é seu ambiente para negócios.

Entre as economias mais competitivas do planeta sempre estão países com baixos níveis de corrupção. É o caso de Cingapura, que nas últimas décadas adotou mecanismos eficientes de combate à corrupção. Hoje, o país asiático é o quinto menos corrupto do planeta, segundo o Índice de Percepção da Corrupção, da Transparência Internacional. E é o segundo com melhor ambiente para negócios, de acordo com o Relatório Global de Competitividade, do Fórum Econômico Mundial. No caso do Brasil, ocupamos apenas a 69.ª posição no Índice de Percepção da Corrupção. Ao mesmo tempo, em 2013 o país caiu para a 56.ª posição no Relatório Global de Competitividade. Outra pesquisa, do Banco Mundial, revela que o Brasil é apenas o 116.º colocado em um ranking que mede a facilidade para que pequenas empresas façam negócios em 185 nações.

É fácil entender os danos que a corrupção causa para o desenvolvimento de um país. A corrupção eleva em até 10% os custos dos negócios globalmente, de acordo com outra pesquisa do Banco Mundial. Apesar da dificuldade de se mensurar o montante exato que essa prática movimenta no Brasil, alguns estudos mostram que ela tira dos cofres públicos e da economia algo em torno de R$ 85 bilhões a cada ano. Valor significativo para um país que sofre, por exemplo, com sérias deficiências de infraestrutura, que elevam o custo do produto nacional.

Os motivos que levam a esse cenário são muitos. A burocracia é um deles, graças ao excesso de trâmites e meandros que obriga o empreendedor a encarar um verdadeiro desafio para formalizar seu negócio. Outro é a carga tributária elevada, somada ao seu elemento causador – a sustentação de um aparato estatal gigantesco e, por vezes, ineficiente. Segundo dados recentes do Ipea, os tributos já respondem por 35,5% do PIB brasileiro. Como pano de fundo, um sistema político e partidário que coloca a troca de favores quase como norma e dá fôlego para a corrupção.

Neste assunto, porém, não se pode ser hipócrita e tratar o problema como exclusividade da esfera pública. Não existe corrupto sem que haja um corruptor. A mudança de postura, portanto, deve envolver toda a sociedade. E é fundamental que principalmente as empresas reflitam com seriedade sobre seu papel na prevenção e no combate a essa prática. Essas e outras questões serão debatidas por especialistas nacionais e internacionais e por empresários durante o Fórum Transparência e Competitividade, que o Sistema Fiep promove em Curitiba, em parceria com o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), e que termina hoje. O objetivo é oferecer uma análise qualificada em relação ao impacto da corrupção sobre a competitividade da economia brasileira.

Mais que refletir sobre o tema, é hora de a iniciativa privada tomar a frente nas ações contra a corrupção no Brasil. Não apenas cobrando medidas sérias do poder público para combater essa prática, mas também adotando como regra básica a gestão ética e correta dos negócios.

UEBA! MALUF TEM A ESFIRRA SUJA!

E o Maluf nunca mentiu: 'Eu não tenho dinheiro no exterior'. E não tem mesmo. O dinheiro é nosso!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Festival de Piadas Prontas! "Quadrilha dos fiscais da propina atuava no edifício Ouro Para o Bem de São Paulo". Rarará! E o edifício fica no Largo da Misericórdia! E esse Pina deve ser o homem mais rico do Brasil. Tudo vai pro Pina!

E essa direto do Pará: "Acusado de homicídio, o fazendeiro e empresário Carlos Solto foi preso". Que azar! Ele podia se chamar Preso e ser solto! Ou muda de nome pra Ex-Solto!

E essa manchete do jornal "O Dia": "Ex-militar acusado de tráfico é preso ao sair do cinema". Qual o filme que ele estava assistindo? "Meu Passado me Condena". Rarará!

E essa bomba: "Paulo Maluf é condenado e vira ficha suja". O Maluf tá com a esfirra suja! E o Maluf: "É mentira! Eu lavei a ficha junto com o dinheiro". Isso! O Maluf tem ficha lavada! Rarará!

Diz que ele superfaturou o túnel Ayrton Senna. Obra do Maluf é superfaturada, mas não cai, não dá problemas. Só dá problema no bolso do contribuinte e na Polícia Federal. Rarará.

E diz que ele vai ficar inelegível. Protesto! Eleição sem o Maluf não tem graça! Um amigo meu vota até hoje no Maluf por três motivos: rouba, mas faz. Mente, mas não convence. E é culpado, mas ninguém prova.

E o frango à Maluf: primeiro você rouba o frango, depois você faz como quiser! E o Maluf nunca mentiu: "Eu não tenho dinheiro no exterior". E não tem mesmo. O dinheiro não é dele, é nosso!

E a manchete do Piauí Herald: "Vasco e Fluminense desabam antes da perimetral", garante Eduardo Paes. E diz que ele contratou malabaristas do Cirque du Soleil e flanelinhas poliglotas pra entreter os cariocas presos no trânsito! É o ENGARRAFOLIA!

E contratou a nova secretária de Urbanismo, Aracy Balabanian. No personagem da dona Armênia. Lembra da dona Armênia, que ficava gritando: "Na chón! Quero tudo na chón"? O Eduardo Paes quer o Rio na chón! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados! É que um amigo foi para o urologista e sabe como ele se chamava? Carlos Picanço Costa! Rarará.

E em Porto Alegre tem um proctologista chamado Rabolini. Rarará. Mais direto impossível.

Nóis sofre, mas nóis goza

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

 
06 de novembro de 2013
José Simão, Folha de S.Paulo

O HUMOR DO DUKE

 
06 de novembro de 2013


FAZER JORNAL EM 1935

 

06 de novembro de 2013Vídeo enviado por Cecília Thompson

VALE TUDO

Marqueteiro digital de Dilma discursa na tribuna da Câmara como se estivesse no boteco da esquina

“Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”.
É isso que prega, com o status de cláusula pétrea, a Constituição Federal brasileira de 1988. Se isso está na Carta Magna, por certo deve valer na Casa legislativa que a redigiu, a Câmara dos Deputados. Mas não é bem assim que funciona em uma das casas do Legislativo federal. Dependendo do interesse dos donos do poder, alguns são mais iguais do que outros.
Ou seja, a própria Câmara dos Deputados confirma o que todos sabem de norte a sul: no Brasil as leis são feitas para serem descumpridas.

Considerando que a legislação vigente não é levada a sério, o regimento interno da Câmara não pode ter tratamento diferente. Qualquer cidadão devidamente autorizado que ouse adentrar ao plenário da Câmara dos Deputados, recinto de probos representantes do povo, precisa, pelo menos, estar usando paletó e gravata. Do contrário, a segurança da Casa impede o acesso ao plenário.

Apesar da rigidez da regra, há quem consiga burlá-la em nome disso e daquilo. Índios, por exemplo, podem frequentar o plenário com as vestes tribais, sem camisa e cocar na cabeça. Sindicalistas também podem ingressar no plenário usando camiseta, como se fossem seres especiais e diferenciados.

Nesta quarta-feira (6), o plenário da Câmara foi palco de reunião para discutir o polêmico Marco Civil da Internet, redigido de forma a contemplar o governo do Partido dos Trabalhadores, que busca cada vez mais cercear a livre manifestação do pensamento, apesar de discursos contrários e mentirosos. Um dos convidados a debater o tema foi Marcelo Branco, responsável pela campanha da então candidata presidencial Dilma Rousseff, em 2010, nas redes sociais.
Vestindo camiseta e um agasalho igualmente informal, Marcelo Branco ocupou a tribuna da Câmara dos Deputados para incensar o relator do projeto do Marco Civil da Internet, deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ).

O ucho.info tem certeza de que, como atesta a sabedoria popular, “o hábito não faz o monge”, mas se regras existem essas devem valer para todos, sem distinção de qualquer natureza.
Ou será que o fato de ter trabalhado para a presidente – quiçá ainda trabalha – é passaporte para o desrespeito às regras? O Brasil ainda é uma democracia, mesmo que apenas em tese, e o tratamento dispensado aos cidadãos deve ser isonômico, começando por uma das Casas fazedoras de leis.

Por certo alguém dirá que somos intransigentes e caretas, mas se respeitar as regras e exigir que isso ocorra de forma equânime for intransigência e caretice, que fiquem tranquilos os eventuais acusadores, pois somente à sombra da ordem é que uma nação avança.

Como disse certa feita, de maneira precisa, um conhecido comunista de botequim, “nunca antes na história deste país”. E depois ninguém compreende os motivos que levam os baderneiros de aluguel a depredarem cidades importantes como São Paulo e Rio de Janeiro.

06 de novembro de 2013
ucho.info

APÓS DEFENDER A ABIN, MINISTRO DA JUSTIÇA DEVERIA EXPLICAR A NOMEAÇÃO DO EX-ASSESSOR PEDÓFILO DE GLEISI

 

É bom falar – Bastou o jornal “Folha de S. Paulo” noticiar que o governo federal espionou, entre 2003 e 2004, diplomatas russos, iraquianos e iranianos para que palacianos surgissem em cena para derramar desculpas estapafúrdias.

A primeira delas coube ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), que em nota distribuída nas primeiras da última segunda-feira (4) classificou a “arapongagem” como um serviço de contrainteligência.

Como afirmou o ucho.info em matéria publicada na edição de terça-feira (5), espionagem e contraespiogaem não diferem, assim como informação e contrainformação, inteligência e contrainteligência. Em qualquer das situações é espionagem e ponto final.

A mesma cantilena foi repetida pelo ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, que cometeu o desvario de afirmar que a espionagem brasileira, realizada pela Abin, difere da norte-americana, a cargo da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês).
Com tantos integrantes do governo petista de Dilma Vana Rousseff prontos para defender a “arapongaem” da Agência Brasileira de Inteligência, que pelo menos alguém se digne a explicar como a Abin e o GSI não conseguiram detectar que Eduardo Gaievski, o pedófilo que foi assessor especial da ainda ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), responde a dezenas de processos por estupro, muitos deles cometidos contra vulneráveis, ou seja, meninas menores de 12 anos. A Abin e o GSI têm a incumbência de checar os antecedentes dos indicados para cargos de confiança na estrutura do governo federal.

Escolhido a dedo dentro das hostes do PT paranaense para coordenar a campanha de Gleisi ao Palácio Iguaçu, em 2014, Gaievski trabalhou a poucos metros da presidente Dilma. Na Casa Civil, onde transitava com muita desenvoltura, o predador sexual foi incumbido pela ministra de cuidar de programas destinados a jovens e também do “Mais Médicos”.

No rastro da nomeação do monstro da Casa Civil é possível concluir que alguém deu ordens para que o GSI e a Abin fechassem os olhos para os crimes hediondos cometidos pelo companheiro de legenda da ainda ministra Gleisi Hoffmann.

06 de novembro de 2013
ucho.info

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS BRICKMANN

PIMENTA NOS OLHOS

A espionagem americana era intolerável, tanto que a presidente Dilma cancelou a visita ao presidente Obama. Mas a espionagem do Brasil é boa e desejável, tanto que os brasileiros que vazaram sua existência serão severamente punidos, segundo nota do Governo.
“O vazamento de relatórios classificados como secretos constitui crime”, informa Brasília. Snowden, aqui como lá, iria a julgamento.
 
O Governo brasileiro tem razão nos dois casos; e não tem razão em nenhum dos dois. A espionagem deve ser combatida, deve haver protestos diplomáticos; mas sabendo-se que quem combate a espionagem também a faz. É dupla moral, sim. Faz parte do jogo internacional.
Espionagem é um fato da vida: existiu, existe e continuará existindo, entre inimigos e amigos.
Há que proteger-se, há que evitá-la, sabendo que sempre existirá. Há que monitorar amigos e inimigos, sabendo que, se descobrirem, haverá protestos e encenações de grande indignação. Só não se pode levar a sério as promessas de que essas coisas agora vão mudar.
 
Às vezes, espionar é vital. Richard Sorge, jornalista alemão a serviço da União Soviética no Japão, soube que a Alemanha declararia guerra a Moscou; Stalin não acreditou nele e foi surpreendido. Mais tarde, Sorge informou que o Japão não atacaria a URSS, permitindo que as tropas soviéticas fossem deslocadas para a frente alemã. Alguém acredita que algum país possa desistir dessas informações? O Brasil também as quer, claro.
 
Só não precisava passar pelo ridículo de ficar bravo com a espionagem de lá e com os vazadores da espionagem daqui.
Final infeliz

Richard Sorge foi capturado pelos japoneses, que o ofereceram à URSS em troca de espiões presos pelos soviéticos. Moscou rejeitou a proposta, alegando que nem sabia quem era aquele senhor. Sorge foi enforcado. Vinte anos depois, foi-lhe outorgado o título (merecido) de Heroi da União Soviética.
Destino de mensaleiros

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, marcou para a semana que vem o julgamento dos embargos de declaração de dez mensaleiros. Se os recursos forem rejeitados, o STF poderá determinar o imediato início do cumprimento das penas a que foram condenados – alguns em regime fechado, outros em semiaberto.
Os recursos dos demais mensaleiros, que puderam apresentar embargos infringentes, deverão ser julgados no ano que vem.
Auto-insuficiência

Lembra do presidente Lula, anunciando em 2005 que o Brasil tinha alcançado a autossuficiência em petróleo? Não era bem assim: nos primeiros nove meses de 2013, o déficit na conta-petróleo foi de US$ 10,9 bilhões.
É recorde: mais que o dobro do custo da transposição do rio São Francisco, ou da compra de caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira, que se arrastam ambos desde 2008.
Bom livro, boa hora

O procurador João Benedicto de Azevedo Marques, ex-secretário nacional de Justiça, lança hoje o livro “Violência e Corrupção no Brasil”. Não poderia haver momento mais adequado: o que não falta é violência, a habitual e a dos baderneiros, nem corrupção, nos mais diversos níveis administrativos e com ampla participação de grandes empresas.
Azevedo Marques reúne no livro 25 artigos sobre violência urbana, atuação das policias, políticas de segurança pública, maioridade penal, situação das prisões, ação do Ministério Público em investigações criminais.
Na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, SP, a partir das 18h30.
O próximo, o próximo!

Candidato é o que não falta: escolha o seu! Quem será o próximo empresário “campeão nacional”, com farto apoio publicitário do Governo, ampla divulgação pela imprensa, acesso a excelentes financiamentos a juros baixinhos, a seguir o caminho de Eike Batista? Envie o nome do candidato (seu nome, caro leitor, só será citado se houver autorização expressa)!
 
Não precisa ter McLaren exposto na sala: basta ser favorito dos homi, gostar de arriscar nosso dinheiro, prometer transformar-se em maior do mundo, ligar-se a mulher bonita e colunável (recomendado, mas não obrigatório) e, em sua opinião, ostentar o perfil típico de quem tem multidões de amigos quando oferece gratuitamente lugar em jatinhos e helicópteros particulares, bons passeios, bons jantares e bebidas bem caras.
Então é Natal

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está caprichando: depois de criar o vice-ministério da Suprema Felicidade (por que é “vice-ministério” e não “ministério”?), decidiu mudar por decreto a data tradicional do nascimento de Jesus. Na Venezuela, o Natal passou a ser comemorado no dia 1º de Novembro. “Queremos a felicidade para todo o povo, a paz”, disse Maduro. “O Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência”.
 
E – acredite – inaugurou em Caracas a Feira Natalina Socialista 2013.
Que o caro leitor não se assuste: Maduro já conversou com um passarinho, a quem considerou porta-voz do falecido presidente Hugo Chávez; e viu nas paredes de um túnel que está sendo escavado em Caracas a imagem de Hugo Chávez, que estaria ali para solidarizar-se com os operários. Maduro é assim mesmo.

06 de novembro de 2013
Carlos Brickmann é jornalista e consultor de comunicação.

VIOLÊNCIA DOS BLACK BLOCS É TÁTICA POLÍTICA


Em excelente artigo de hoje, Denis Rosenfield desmascara os Black Blocs. Cansa, para as pessoas minimamente inteligentes, escutar boa parte da mídia tratar essas “manifestações” como algo espontâneo. Não são! Até quando essa gente terá esse medo todo desses fascistas? Seguem trechos importantes do texto:
Logo, o efeito objetivo dos agentes da violência, os black blocs ou outros nomes que se lhes queira dar, foi o esvaziamento das manifestações autônomas e, mais do que isso, de suas bandeiras. Expulsaram da rua as bandeiras contra a corrupção, por um melhor serviço público e menos impostos. Eis a verdadeira consequência de suas ações. Ou melhor, eis o seu verdadeiro objetivo. A quem interessa isso?
Curiosamente, os que se dizem “anarquistas”, em tese os defensores da autonomia e da liberdade, são os que buscam diretamente tornar inviável toda manifestação livre e autônoma. Nada têm eles de anarquistas no sentido estrito da palavra, são meros representantes de uma esquerda que usa irrestritamente a violência segundo suas conveniências políticas.
Observe-se que muitas agremiações que participaram das jornadas de junho, como o Movimento Passe Livre, e outras posteriores, de certos sindicatos de professores, nutrem simpatia por esses “vândalos”, como se sua causa fosse a mesma, apesar de seus meios divergirem. Comportam-se como “companheiros”. Companheiros de quê, precisamente? Da desmobilização popular? Do abandono das bandeiras contra a corrupção, o desvio de recursos do erário e a péssima qualidade dos serviços públicos? Da desresponsabilização de seus responsáveis?
Expressão disso é o fato, politicamente inquietante, de que bradam contra a “criminalização dos movimentos sociais”. Traduzindo: a violência deveria ser permitida e defendida, pois seus agentes sustentam uma “causa social”. Seu objetivo consiste em deixar a impunidade reinar e as instituições democráticas se enfraquecerem.
Quem ainda tem olhos para ver e cérebro para raciocinar já constatou isso. Mas quem bebe apenas das “informações” da GloboNews e aceita a valor de face o que é dito ali, tem imagem completamente diferente da coisa. Manifestações legítimas acabam em violência, pois uma minoria mais agressiva acaba descambando para atos condenáveis. E essa falácia é vendida assim, como verdade, à luz do dia!
É muita desinformação. Nesse aspecto, até a presidente Dilma já se deu conta de que o tiro dado por seus colegas da esquerda pode sair pela culatra. Chamou os bandidos pelo nome, disse que os Black Blocs são antidemocráticos, e que não é possível tolerar suas práticas.
Falta explicar isso para os “aliados” do próprio partido e dos demais grupos da esquerda radical. Além, claro, de Caetano Veloso, Marcos Palmeira e companhia. Ou talvez eles já saibam, e exatamente por isso gostem tanto de defender os mascarados fascistas…

06 de novembro de 2013
Rodrigo Constantino - Veja Online
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ACADÊMICOS OU ASSASSINOS?


  Acadêmicos defendem morte de bebês depois do nascimento
 

A publicação de um artigo controverso a favor da morte de bebês após o nascimento colocou os nomes dos acadêmicos Francesca Minerva e Alberto Giubilini em evidência mundial.
Os dois assinam o texto na revista médica "British Medical Journal". Nele, defendem que os médicos deveriam ter o direito de matar recém-nascidos não desejados pelas mães ou que apresentassem algum problema de saúde.
A reação foi imediata. Francesca, que é pesquisadora associada à Universidade Oxford e desenvolve seus estudos no Centro para Bioética Humana da Universidade Monash, em Melbourne (Austrália), recebeu ameaças de morte desde que o artigo veio à tona, assinado em coautoria com Alberto Giubilini, do
Departamento de Filosofia da Universidade de Milão (Itália).
O artigo é intitulado "After-Birth Abortion: Why Should the Baby Live?" ("Aborto Pós-Nascimento: Por que o Bebê Deve Viver?", em tradução livre).
A morte de um feto e de um recém-nascido, defendem os autores do artigo, se justifica por eles "serem certamente seres humanos e pessoas em potencial", mas nenhum é uma "pessoa" no sentido de ter o "direito moral à vida."
Segundo o texto, não há diferenças entre matar um bebê que acabou de nascer e a prática do aborto.
A dupla diz ainda que os pais deveriam ter a opção de escolher se querem seu bebê morto, citando como exemplo que somente 64% dos casos de síndrome de Down na Europa são diagnosticados em testes de pré-natal.
Uma vez que essa criança nasça, não há "escolha para os pais a não ser mantê-la", escreveram.
Depois das ameaças de morte e mensagens raivosas, Francesca deu uma entrevista a um site. Ela disse que o assunto é "puramente acadêmico, uma discussão teórica" e não uma proposta de lei, e gostaria de explicar isso. Aqui
*****

PS: Não há nada que possa ser dito diante desta dupla acima que incita a prática do infanticídio, a não ser pagarem com uma boa prisão eterna. É lamentável que, as mãezinhas deles não tomaram aquele chazinho, seriam dois a menos a chegarem do inferno. É necessário tirar a VOZ e o MICROFONE dos insanos. Que todos os bebês sejam sempre bem-vindos nesta vida e acolhidos com muito amor.
 
06 de novembro de 2013
FOLHA DE SÃO PAULO
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QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

 
 
06 de novembro de 2013


VALE A PENA LER DE NOVO

 O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife

Vinte anos depois de escorraçado do cargo que desonrou, o primeiro presidente brasileiro que escapou do impeachment pelo porão da renúncia reafirmou, nesta segunda-feira, a disposição de engrossar o prontuário com outra façanha sem precedentes. Primeiro chefe de governo a confiscar a poupança dos brasileiros, o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a  prender o xerife.

Forçado a abandonar a Casa Branca em 1974, tangido pelas patifarias reveladas pelo Caso Watergate, o presidente Richard Nixon passou os anos seguintes murmurando, em vão, que não era um escroque. Perto do que faria a versão alagoana, o que fizera o original americano não garantiria a Nixon mais que a patente de trombadinha. Como isto é o Brasil, Collor não só se negou a pedir desculpas como deu de exigir que o país lhe peça perdão por ter expulso do Planalto um chefe de bando. Foi o que fez no discurso de estreia que colocou de joelhos os demais pensionistas da Casa do Espanto (leia o post reproduzido na seção Vale Reprise).

Neste outono, excitado com a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a apurar bandalheiras praticadas por Carlos Cachoeira e seus asseclas, o farsante sem remédio decidiu enxergar na CPMI as iniciais de um Comitê de Pilantras Magoados com a Imprensa. Caso aparecesse no Capitólio em busca de vingança contra o jornal The Washington Post ou a revista Time, Nixon seria, na mais branda das hipóteses, transferido sem escalas para uma clínica psiquiátrica. Nestes trêfegos trópicos, um serial killer da verdade articula manobras liberticidas com a pose de pai da pátria em perigo ─ e com o apoio militante de inimigos do século passado.

José Dirceu, por exemplo, embarcou imediatamente no navio corsário condenado ao naufrágio ─ ansioso por incluir entre os alvos da ofensiva a Procuradoria Geral da República. E Lula, claro, estendeu a mão solidária para reiterar que os dois ex-presidentes nasceram um para o outro. Em 1993, como se ouve no áudio reprisado pela seção História em Imagens, a metamorfose ambulante endossou, sempre em português de botequim, a opinião nacional sobre a farsa desmontada pouco antes: “Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões por terra”, disse Lula, caprichando na pose de doutor em ética. “Deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor”.

O parecer foi revogado por Lula, mas segue em vigor no país que presta. Entre os brasileiros decentes, a cotação do ex-presidente é mesma estabelecida em 1992: zero. Há quase 20 anos, Collor não vale nada.
( Direto ao ponto - 14 de maio de 2012)

06 de novembro de 2013
Augusto Nunes

EIKE BATISTA, DILMA ROUSSEFF E LULA SÃO GRATOS AOS BRASILEIROS SILENCIOSOS

Ninguém pode acusar Lula e Dilma de falta de ousadia. Parecem trotar em frente à ignara plateia desse Jockey Club de mulas.


O mundo ri de Eike. Da megalomania de quem queria ser o homem mais rico do mundo e hoje é o ex-rico que mais perdeu em menor tempo o que amealhou.

Pouco importa se Eike perdeu ou ganhou. Se houve quem acreditasse no fator Midas desse vendedor de pesadelos. Eike é a Rose da economia. A mim seria indiferente ─ em ambos os casos ─ o que fizeram no verão passado ao lado de Lula.

Problema deles. Mas meu dinheiro do imposto foi usado, mais uma vez, para bancar delírios e estelionatos e para custear viagens em jatinhos dos quais Lula usou e abusou. Estranha essa fixação de Lula com as coisas que voam… Aí está Rose como prova.

E mesmo no fundo do fundo do poço, com a mentira exposta e o golpe desmascarado, a Caixa Econômica Federal volta a emprestar NOSSO dinheiro para Eike Batista.

Hoje, mais R$ 460 milhões se somam aos R$ 7 bilhões já pendurados no prego do prostíbulo.
Não se fazem mais acordos espúrios nos esgotos de Brasília. Agora é necessário dar-lhes divulgação ampla, como uma espécie de aviso aos outros bucaneiros: “Vem que tem!” As burras serão usadas por pilantras, safados e incompetentes. Bastam que sejam Lula’s Boys!

A classe desclassificada (perdão pela proposital incongruência) , apoiada na podridão oficial, privatiza a corrupção e o uso de nosso dinheiro. Qual “generosidade” deve ser pedida como contrapartida?

Obviamente, nenhuma que atenda aos brasileiros com vergonha na cara, pois a única que admitimos é NÃO AUMENTAR o rombo provocado pelas brocas da OGX e congêneres (agora a OSX, empresa que transportaria o óleo da OGX, que NÃO EXISTE!) e pela desfaçatez do lobista-mor de malandros e corruptos (corruptores idem).

A CEF ─ tão enaltecida em comerciais pela bela Camila Pitanga, que corre o risco de se transformar em um emblema do oportunismo ─ abriu os cofres. E sequer viu que ao agir assim, abria também as celas. Quem sabe um dia para que os bandidos de hoje possam entrar.
Não escondem mais nada. Cometem crime à luz do sol, certos da impunidade. Que, infelizmente, é a regra.

Lula conseguiu fazer do Banco do Brasil um entreposto de corrupção ─ como no mensalão. Quebrou a Petrobras. E agora usa a Caixa como meio de ajudar a quadrilha.
Eike agradece. Lula agradece. Dilma agradece.
São gratos ao nosso silêncio.

06 de novembro de 2013
REYNALDO ROCHA

LABORATÓRIO DE NICOLELIS FAZ MACACOS CONTROLAREM O MOVIMENTO DE DOIS BRAÇOS VIRTUAIS SÓ COM O PENSAMENTO

Capacidade de mover dois membros virtuais ao mesmo tempo deve ajudar no desenvolvimento de novas interfaces cérebro-máquina, como o exoesqueleto que o neurocientista pretende demonstrar na abertura da Copa do Mundo

 
Miguel Nicolelis
A pesquisa de Miguel Nicolelis mostrou que os movimentos do corpo são criados a partir da atividade de um grande conjunto de neurônios. Nesse estudo, foi necessário o registro de mais de 500 — o maior número analisado até hoje (Gilberto Tadday)
         
Em um novo estudo divulgado nesta quarta-feira, pesquisadores descrevem como conseguiram fazer com que macacos aprendessem a usar apenas a mente para controlar o movimento de duas mãos virtuais, exibidas na tela de um computador. O feito foi atingido por uma equipe de cientistas liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Eles conseguiram, pela primeira vez, registrar a atividade cerebral dos animais de forma tão detalhada que eles foram capazes de controlar, não apenas um, mas dois braços.

CONHEÇA A PESQUISA
Título original:
A Brain-Machine Interface Enables Bimanual Arm Movements in Monkeys

Onde foi divulgada: periódico Science Translational Medicine
Quem fez: Miguel Nicolelis, entre outros pesquisadores
Instituição: Universidade Duke, nos Estados Unidos, entre outras
Dados de amostragem: Dois macacos rhesus, que tiveram quase 500 neurônios analisados pelos cientistas

Resultado: Os macacos aprenderam a controlar o movimento de dois braços virtuais apenas com seu pensamento

Os movimentos bimanuais, como o ato de digitar em um teclado ou abrir uma lata, são fundamentais na rotina humana, mas, até agora, os cientistas não haviam conseguido registrar a atividade cerebral responsável por eles. Em pesquisas anteriores, Nicolelis já havia criado interfaces cérebro-máquina-cérebro que permitiram a um macaco mover e sentir uma mão na tela de um computador. Mas o procedimento para fazer com que o animal mova dois membros ao mesmo tempo é mais complicado.

Segundo o cientista, a atividade cerebral responsável pelo movimento bimanual não corresponde à simples soma do movimento de ambas as mãos — ela é muito mais complexa. "Em nossa pesquisa, descobrimos que o cérebro faz a computação desse movimento de uma maneira não linear. Ou seja, não bastava somar os sinais das duas mãos", diz o Miguel Nicolelis, em entrevista ao site de VEJA. "Para desenvolver um modelo que levasse em consideração o movimento simultâneo dos dois braços, tivemos que registrar a atividade de quase 500 neurônios — o maior número analisado em qualquer estudo publicado até agora."

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Exoesqueleto — A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, é parte importante do Projeto Andar de Novo, no qual Nicolelis pretende construir um exoesqueleto que poderá ser operado por tetraplégicos apenas com seu pensamento. O cientista quer fazer a primeira demonstração do equipamento durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no ano que vem. Para o exoesqueleto funcionar, no entanto, é necessário que os voluntários sejam capazes de controlar o movimento de vários membros ao mesmo tempo.

Saiba mais

INTERFACE CÉREBRO-MÁQUINA-CÉREBRO
São sensores capazes de captar a atividade elétrica dos neurônios, decodificá-la, remetê-la a artefatos robóticos e depois de volta para o cérebro por meio de sinais visuais, táteis ou elétricos. Na prática, as ICMCs transformam os pensamentos em comandos digitais que as máquinas podem entender.

No novo experimento, os pesquisadores analisaram a atividade de quase 500 neurônios espalhados por diferentes áreas dos dois hemisférios cerebrais de uma dupla de macacos rhesus. Os animais foram colocados de frente a uma tela de computador, na qual podiam enxergar os braços e mãos de um avatar de macaco. A partir de um algoritmo, os cientistas transformaram a atividade elétrica captada em seus cérebros em comandos para controlar os membros virtuais.

Durante o período de treinamento, os animais foram encorajados a colocar essas mãos virtuais dentro de alvos quadrados que apareciam na tela. Depois de alguns instantes em contato com os quadrados, estes desapareciam, e surgiam dois círculos, para os quais os macacos deveriam mover novamente suas mãos. A cada vez que realizavam o movimento de maneira correta, ganhavam um gole de suco como prêmio.



Conforme o tempo passava — e os macacos aprendiam a controlar as mãos virtuais —, os cientistas observaram que o próprio cérebro dos animais estava se alterando. Segundo Nicolelis, isso confirma os resultados de um experimento anterior de sua equipe, que havia mostrado que o cérebro é capaz de integrar objetos externos à imagem que tem de seu próprio corpo. "Nesse caso, o avatar passou a fazer parte da representação de corpo criada pelo cérebro do animal. O macaco literalmente assimilou os braços artificiais como se fossem seus", diz Nicolelis.

Centro de Neuroenenharia de Duke

Após o treinamento, o cérebro dos macacos assimilou os braços do avatar virtual como se fizessem parte de seu corpo real

Sem as mãos — Ao fim do estudo, os dois macacos tinham se tornado capazes de controlar de forma satisfatória o movimento conjunto das duas mãos virtuais. E eles podiam fazer isso enquanto estavam parados, sem que os movimentos na tela do computador fossem acompanhados por movimentos de suas mãos reais — usando apenas seu cérebro.

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Segundo os pesquisadores, isso é importante porque um dos principais objetivos das interfaces cérebro-máquina é criar próteses ou exoesqueletos que possam restabelecer o movimento de pacientes amputados ou paralisados. Se movimentos reais fossem necessários para a operação desses equipamentos, seu próprio objetivo estaria comprometido. "Isso é muito importante para nossa pesquisa, pois essa é exatamente a estratégia de treinamento que iremos usar nas salas virtuais que construímos em Natal e em São Paulo, para o Projeto Andar de Novo", diz Nicolelis.


 

“Estamos dentro do prazo para o exoesqueleto ser apresentado na abertura da Copa”

Miguel Nicolelis
Chefe do laboratório de neuroengenharia da Universidade de Duke, EUA, e diretor científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal

Em uma pesquisa anterior, seu grupo de pesquisa havia conseguido fazer com que um macaco controlasse o movimento de uma mão virtual usando seu pensamento. Qual a diferença para a pesquisa atual, na qual os macacos moveram duas mãos? Desta vez foi muito mais complicado. Muita gente pensava que só precisávamos saber como os neurônios se comportam quando o braço direito e o esquerdo se movem de forma independente, e somar o resultado. Mas mostramos que não é assim. O cérebro faz a computação desse movimento de maneira não-linear — a atividade dos neurônios responsáveis pelo ação bimanual não é uma simples soma das atividade das duas mãos.
E como vocês superaram essa dificuldade? Nós tivemos que descobrir outra maneira de usar os neurônios para prever o movimento conjunto das duas mãos — essa é a grande sacada deste trabalho. Medimos quase 500 neurônios, distribuídos em várias áreas do lóbulo frontal e parietal. Em nosso artigo, publicamos um gráfico que compara o número de neurônios que conseguíamos registrar com a acurácia dos movimentos das mãos virtuais. Ela é uma escala logarítmica: ao analisar menos neurônios, reduzíamos em muito a performance da interface.
Como foi o processo de aprendizado desses macacos? Outra novidade desse trabalho é que, pela primeira vez, nós treinamos um animal que não precisou se mexer para aprender a controlar a interface. O primeiro macaco usado no estudo começou usando suas mãos, e depois só o pensamento. Mas o segundo nem precisou usar as mãos. Ele só observou a trajetória das mãos virtuais na tela do computador e aprendeu o que era necessário fazer para controlar os braços do avatar só com o cérebro. Isso é muito importante para nossa pesquisa, pois essa é exatamente a estratégia de treinamento que iremos usar nas salas virtuais que construímos em Natal e em São Paulo, para o Projeto Andar de Novo. Nós usamos toda a informação que aprendemos durante esse estudo para construir os equipamentos que já estão operando no Brasil.
Como essa pesquisa se insere no processo de construção do exoesqueleto do Projeto Andar de Novo? Ela foi muito importante, pois o regime de treinamento do segundo macaco, que só observa seus movimento pela tela do computador até aprender a controlá-los, é a estratégia  que decidimos usar para treinar os nossos pacientes. Antes de vestir o exoesqueleto, os voluntários vão interagir com avatares deles próprios, para treinarem como usar a atividade de seu cérebro de modo a controlar o equipamento. A pesquisa também será importante para uma segunda fase do desenvolvimento do exoesqueleto, onde iremos colocar braços no equipamento. Depois da Copa, devemos começar a trabalhar nisso.
Os testes no Brasil já começaram? Nossos cientistas já testaram o aparelho neles mesmos. Usaram o eletroencefalograma para controlar o avatar em uma sala virtual que simula um ambiente de estádio de futebol, com barulho de torcida, flashes de câmera fotográfica. O equipamento funcionou: eles conseguiram controlar o avatar. Nesse momento nós já terminamos a construção do laboratório na AACD, em São Paulo, e estamos começando a testar os voluntários. Estamos dentro do prazo para que o exoesqueleto seja apresentado durante a abertura da Copa
06 de novembro de 2013
Guilherme Rosa
 

JUTIN BIBA PIXA MURO NO TELL DE JANEIRO


E o "cantor" huáhuáhuá!!! Justin Biba, foi flagrado pixando um muro no Hell de Janeiro.

O "cantor" huáhuáhuá!!! de 19 anos virou uma espécie de Bad Boy, vive fazendo presepada, anda com moças de vida fácil, putas, e agora deu para pixar muros.

Indiferente se ele tinha ou não autorização de quem quer que seja para fazer a pixação, a situação mostra apenas que os exemplos são os piores possíveis. 

O idiotinha veio atrás da grana dos otários Tupiniquins e de legado deixou apenas um comportamento bizarro que muito provavelmente será copiado pelos micos amestrados da terrinha, foi visto saindo de um puteiro, foi convidado a se "desospedar" do Copacabana Palace por conta de seu comportamento, e ainda ajudou a sujar a cidade "maravilhosa". encheu os bolsos de dinheiro e tocou o phoda-se para a Brasucada.

Em São Paulo teve um ataque de bicha quando foi atingido por uma garrafa d'água atirada por alguém da platéia, abandonou o palco e não acabou o show, agora, a grana do público ninguém falou em devolver. Sem contar que a imprensa alegou que ele meteu um "Play Back" nos fãs.

É impressionante o servilismo da imprensa Tupiniquim quando mostraram a imagem do "cantor" huáhuáhuá!!! pixando o muro ao lado de uma viatura da PM que, segundo o batalhão, a guarnição não fez nenhum tipo de comunicação do flagrante de pixação.

No mínimo os coxinhas da PM ficaram de babação de ovos com a celebridade e esqueceram de suas funções, coisa comum em um país de terceiro mundo. Esses policiais merecem punição por serem babacas.
Será que um dia veremos o povo deste país se comportar de forma digna e cidadã? 

Não é possível o comportamento da imensa maioria do povo diante de alguma celebridade, se comportam como debilóides, se jogam aos pés, menosprezam ao amor próprio em nome do nada.

Bem, quem tem Feicebuqui conhece esse comportamento, é impressionante o que os sem noção colocam de fotos ao lado de alguém famoso. Isso, para mim, é de uma idiotia sem precedentes.

E depois, quando um Stallone diz que os Brasucas são macacos, o povaréu se ofende e pede a cabeça do ator em nome da cidadania e do orgulho Tupiniquim...

Certa vez o presidente da França Charles De Gaulle disse sobre o Brasil, “Le Brésil n'est pas un pays serieux“.  Trocando em miúdos, O Brasil não é um país sério....e olhem que isso foi lá na década de 1963 do século passado....E o tempo passou e a seriedade do Brasil é carnavalesca e o povo ainda se comportando como os índios quando viram Pedro Alvares Cabral.

Uma pena, poderiamos estar entre os melhores do mundo, mas, a nossa sociedade ainda se comporta feito criança mimada e birrenta, não atingimos a maturidade social nem a cacete.
Enquanto isso, a gringaiada continua chegando e fazendo o povo de palhaço.

Então...
 
06 de novembro de 2013
omascate

ARCO DO TRIUNFO, ARCO DO FRACASSO

           
          Artigos - Governo do PT 
Quem poderia imaginar, em 1992, que o chefe dos caras-pintadas, Lindberg Farias, passados 18 anos, eleito senador pelo PT, estaria trocando afagos com Fernando Collor, seu parceiro de fé na base do governo Dilma?
 
Na agitada vida estudantil dos anos 60, em Porto Alegre, primeiro naquela usina de lideranças que era o Colégio Júlio de Castilhos e, depois, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nunca tive alinhamentos políticos automáticos. Ainda que me faltassem bases filosóficas, gostava de pensar por conta própria. Jamais aceitei ser liderado pelos antagonismos em confronto. Mas se tivesse que eleger um grupo para valorizar sob o ponto de vista cultural, sem dúvida essa turma seria a da esquerda.

Vocês não imaginam o quanto os caras eram sabichões. O que liam! Traziam sempre, embaixo do braço, livros da Editora Civilização Brasileira, da Paz e Terra e se reuniam em pequenos grupos para trocar ideias sobre temas cuja profundidade eu sequer arranhava.

Aliás, todo estudo não acadêmico a que posteriormente me dediquei na área das ciências humanas teve como motivação a tentativa de alcançar um nivelamento intelectual com a esquerda do meu tempo de estudante. Eu precisava estar preparado para desarmar as bombas filosóficas que arquitetavam.

Há dois motivos para esta crônica das minhas primeiras ignorâncias. Hoje tenho ignorâncias novas, maiores e muito melhores. Um é sublinhar o fato de que a esquerda brasileira daquele período, embora equivocada nos seus pontos de partida, nos meios e nos fins (isso eu intuía com correção), tinha gabarito intelectual e tinha ideais.

Os esquerdistas que conheci não eram aproveitadores nem negocistas. Muitos estão por aí e são pessoas respeitáveis.

A história evidenciou, posteriormente, que seus mitos e referências internacionais foram uns pervertidos e que o seu marxismo é uma usina de equívocos, mas suponho que eles não tivessem como discerni-lo nos emaranhados dos esquemas de formação, informação e desinformação em que se moviam durante a juventude.

O segundo motivo deste relato é mostrar o quanto a esquerda brasileira afundou sob o ponto de vista intelectual e moral. Frei Betto, cuja vida e obra se caracteriza por primeiro fazer os estragos e, depois, observar os danos de longe, poeticamente, escreveu assim em artigo de setembro de 2007, ao desembarcar do governo Lula: "A sofreguidão esvaziou projetos, a gula cobiçosa devorou quimeras.
O pragmatismo acelerou a epifania dos avatares do poder. Pois é. Não fosse intelectual o frei poderia dizer simplesmente que deu m...

Voltando à pauta. Quem poderia imaginar a esquerda brasileira em prontidão para defender pessoas como Fidel Castro, seus métodos e seus sicários; abraçando caudilhos e brutamontes como Hugo Chávez; reverenciado primatas como Evo Morales; dando vivas a Saddam e cortejando Ahmadinejad; adotando Lula como seu estadista de referência; assumindo, como suas, causas que solapam os valores universais; proferindo juras de amor aos maiores vilões da política brasileira e fornecendo tantos e tantos prontuários e fotos aos arquivos da polícia e do ministério público? Quem poderia? Quem poderia imaginar, em 1992, que o chefe dos caras-pintadas, Lindberg Farias, passados 18 anos, eleito senador pelo PT, estaria trocando afagos com Fernando Collor, seu parceiro de fé na base do governo Dilma?

Quando eu me lembro daqueles terríveis anos 60 e 70, marcados por severíssimos conflitos ideológicos e do quanto lhes sobreveio em violência e sofrimento, não posso deixar de pensar que essa mesma decadência é a marca registrada de todas as hegemonias políticas.

A esquerda brasileira leu Gramsci. Aprendeu dele as técnicas de construção da hegemonia. Construiu-a. Mas com ela perdeu o que de melhor dispunha. Seu arco do triunfo é, também, o seu arco do fracasso.

É o que, há alguns anos, se lê, com os olhos da vida vivida, logo abaixo das manchetes de todos os jornais, ainda que eles não digam isso.

06 de novembro de 2013
Percival Puggina

O PODER SEM RESPONSABILIDADE

            
          Artigos - Governo do PT 
A ausência de hierarquia explícita nos coletivos de manifestantes é uma forma de isentar seus líderes de qualquer responsabilidade – o que pode ser proveitoso para os que desejam uma reforma política bolivarista.

Até a sexta-feira, as manifestações já tinham matado, direta ou indiretamente, pelo menos 16 pessoas no país, contando com as vítimas do recente protesto dos caminhoneiros. Mas a imprensa, a academia, as autoridades e os organizadores da baderna continuam dizendo que tudo não passa de manifestações pacíficas e democráticas.

Espécie de decano da imprensa brasileira, o jornalista Elio Gaspari foi convidado pelo jornal “New York Times” para explicar ao leitor norte-americano as manifestações que estão ocorrendo no Brasil. Com o título “Let Them Eat Soccer” (“Deixe-os comer futebol”), o artigo foi publicado em 25 de junho último pelo jornal nova-iorquino e faz referência à famosa frase atribuída à Maria Antonieta, mulher do rei Luís XVI, que, diante das reclamações do povo faminto às vésperas da Revolução Francesa, teria dito: “Se não têm pão que comam brioches”. Gaspari observa que a indignação das ruas não é apenas com o preço das passagens de ônibus e, seguindo a opinião corrente na imprensa de que os vândalos são minoria nas manifestações, afirma: “A grande maioria dos manifestantes não é desordeira, nem devem os desordeiros ser confundidos com os manifestantes. Na verdade, é seguro dizer que o percentual de vândalos entre os manifestantes é inferior ao número de ladrões que negociam contratos governamentais”.
 

Elio Gaspari é colunista dos jornais “O Globo” e “Folha de São Paulo”. No ano passado, o UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha), recebeu do governo federal R$ 9,7 milhões em publicidade – a segunda maior verba publicitária do governo na internet, logo atrás do Portal Terra, que lidera a lista com R$ 9,8 milhões. Já o complexo digital da Rede Globo, que envolve o jornal “O Globo”, recebeu R$ 7,7 milhões, a quarta maior verba, logo atrás do MSN, o terceiro colocado, com R$ 9 milhões. Somados, os gastos publicitários do governo federal com os grupos Folha e Globo na internet (patrões de Gaspari) totalizam R$ 17,4 milhões de reais. São contratos governamentais. Gaspari quis dizer, então, que há mais ladrões negociando esses contratos do que vândalos nas manifestações? Levan­do em conta que, nos grupos Folha e Globo, há vários anunciantes privados que fazem grandes negócios com todas as esferas de governos, podemos concluir que Elio Gaspari – a se crer em suas próprias palavras – escreve para ladrões e é pago por ladrões.

Se Elio Gaspari acredita mesmo no que escreveu, deveria abandonar as redações e ir para as ruas vestir a máscara do Anonymous e lutar por uma revolução total, que não deixe pedra sobre pedra. O jornalismo, especialmente o impresso, deveria ser o lugar da razão; a demagogia é que se coaduna com as ruas.

O artigo de Gaspari no “New York Times” ilustra uma doença incurável do Brasil – a terceirização da ética.
O povo brasileiro é o mais sartreano do mundo: para ele, o inferno são os outros. O brasileiro, em média, nunca se sente responsável por nada. É um saci existencial, saltitando alegremente na perna dos direitos, sem o pé dos deveres no chão. Para o brasileiro, a culpa é sempre da história, do ambiente, dos políticos. O que ajuda a explicar, inclusive, o vandalismo das manifestações. Os promotores da baderna – que marcam os protestos, fecham as ruas, desafiam a polícia e atacam a imprensa – nunca se sentem culpados por nada. Todas as depredações são atribuídas à “minoria de vândalos”, com o estímulo da própria imprensa e o aval das autoridades, que também referendam esse discurso.

Sociedade em rede

 Até a sexta-feira, as manifestações já tinham matado, direta ou indiretamente, pelo menos 16 pessoas no país, contando com as vítimas do recente protesto dos caminhoneiros. Mas a imprensa, a academia, as autoridades e os organizadores da baderna continuam dizendo que tudo não passa de manifestações pacíficas e democráticas, como se fosse democrático impedir uma pessoa de chegar ao trabalho, voltar para casa ou buscar socorro num hospital. Mesmo se não houvesse nenhuma depredação de patrimônio público ou privado, o movimento já não poderia ser considerado democrático, pois cerceia o direito de ir e vir e, ao fazê-lo, conduz inevitavelmente ao quebra-quebra. A não ser que a polícia abdicasse de sua missão constitucional e deixasse os manifestantes sequestrarem as cidades. O que, aliás, ocorreu no ápice das manifestações, quando as polícias se limitaram a proteger os prédios públicos e os estádios de futebol, deixando o resto da população, pagadora de impostos, à mercê dos manifestantes e dos vândalos – seus cúmplices.

Essa conduta leniente das autoridades constituídas, induzida pela imprensa e pela academia, facilita a proliferação de um mito da pós-modernidade – o mito da horizontalidade dos novos movimentos sociais, que se autodenominam “coletivos” e funcionam de forma descentralizada, constituindo redes sociais e virtuais dinâmicas. O espanhol Manuel Castells, um dos mais conceituados sociólogos da atualidade, ao lado do inglês Anthony Giddens, é o principal teórico dessa “sociedade em rede”, expressão que serve de título ao primeiro volume de sua ambiciosa obra “A Era da Informação”, em três volumes, publicada em 1996. A obra consumiu 12 anos de trabalho do autor e a nova edição, revisada e ampliada no segundo semestre de 1999, foi publicada em 2000, já com um balanço das transformações que ocorreram na década. No Brasil, o livro foi publicado com um prefácio do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República, que ressalta a ousadia de Castells em pensar a sociedade de modo integral.

Castells proferiu palestra no Brasil, no Projeto Fronteiras do Pensamento, em São Paulo, justamente no dia 11 de junho, quando as manifestações estavam atingindo o ápice na cidade e iriam se espalhar por todo o País. No evento, promovido pela empresa Brasken, com o apoio de outras empresas e instituições, inclusive a “Folha de S. Paulo”, Castells observou que “os movimentos sociais na história são sobretudo emocionais” e falou sobre o perfil das manifestações contemporâneas: “O que muda atualmente é que os cidadãos têm um instrumento próprio de informação, auto-organização e automobilização que não existia. Antes, se estavam descontentes, a única coisa que podiam fazer era ir diretamente para uma manifestação de massa organizada por partidos e sindicatos, que logo negociavam em nome das pessoas. Mas, agora, a capacidade de auto-organização é espontânea. Isso é novo e isso são as redes sociais. E o virtual sempre acaba no espaço público. Essa é a novidade. Sem depender das organizações, a sociedade tem a capacidade de se organizar, debater e intervir no espaço público”.

Mobilização na selva

 Com a disseminação da internet e o advento das redes sociais, não resta dúvida que a tarefa de mobilizar pessoas foi muito facilitada, dispensando os dispendiosos meios impressos, radiofônicos e televisivos do passado. A propalada “Primavera Árabe”, prenhe de fundamentalismo islâmico, e a “Primavera Brasileira”, muito próxima da patuscada, talvez nem tivessem se iniciado se não fosse o Facebook. Mas a dimensão que alcançam, especialmente no caso brasileiro, se deve, sobretudo, ao trabalho da imprensa, que, ao dar destaque à mobilização nas redes sociais, faz com que as manifestações físicas ganhem mais e mais adeptos. A imprensa, especialmente a Globo News, conclamou os jovens a participar das manifestações de rua, gravar vídeos e mandar para as redações. Que jovem não quer ser repórter por um dia? Ainda mais que, hoje, na escola básica, é muito comum a transformação das disciplinas tradicionais, como história ou geografia, em pautas de programas de rádio ou TV, desenvolvidos pelos alunos. O próprio MEC incentiva essa prática, que tende a reduzir o mundo a um eterno presente midiático.

É certo que as sociedades contemporâneas se articulam em torno da informação, tornando obsoletas as antigas instituições que surgiram com a Revolução Industrial. Com a automação e a terceirização, a indústria deixou de concentrar grandes massas de trabalhadores num só lugar, como ocorria no passado. A agricultura também substituiu o trabalhador braçal pela máquina, reduzindo os empregados na lavoura. Hoje, o comércio e os serviços são os setores da economia que mais geram empregos. Mas nunca foi fácil mobilizar seus trabalhadores, dada à pulverização de sua mão-de-obra. A única área do setor de serviços que tinha características industriais, sob o aspecto trabalhista, era o mercado financeiro, representado pelos bancos. Mas, com a automação, sua mão de obra encolheu e os sindicatos bancários perderam grande parte de sua força. Ou seja, o capitalismo atual é um terreno pantanoso para os sindicatos tradicionais, especialmente para o sindicalismo brasileiro, dependente do próprio Estado, por meio do imposto sindical e de outras benesses.

Foi nesse contexto que surgiram movimentos alternativos de mobilização, que tentam se diferenciar de sindicatos, associações e grêmios estudantis. São os chamados “coletivos”, mais próximos do anarquismo do que do marxismo tradicional. Todavia, por mais que as redes sociais facilitem o trabalho desses coletivos, as mobilizações que ocorrem no Brasil e no mundo estão longe de ser espontâneas, como parece acreditar Manuel Castells. No livro “O Anarquismo no Século XXI e Outros Ensaios” (Rizoma Editorial, 2013), o antropólogo anarquista de esquerda David Graeber conta que o grande protesto contra a Organização Mundial do Comércio (OMC), deflagrado em Seattle, nos Estados Unidos, em 30 de novembro de 1999, que se espalhou em mais de 100 cidades no mundo e é considerado um marco nas mobilizações atuais, foi organizado pela AGP (Ação Global dos Povos). Essa entidade surgiu em agosto de 1996, no Encontro Internacional pela Humanidade e Contra o Neolibe­ra­lismo, realizado com a lama nos joelhos dos participantes, em plena selva de Chiapas, no México, tendo como anfitrião o Subcomandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional, promotor do evento.

Extremistas e fisiológicos

No Brasil, as manifestações foram organizadas por coletivos como Movimento Passe Livre, Revolta da Catraca, Catraca Livre, entre outros. Aparentemente, esses coletivos não têm uma direção hierárquica. Pregam a “horizontalidade” e dizem que todos os seus membros são iguais. Mas, se até em centros de excelência, como institutos de pesquisa e orquestras de virtuoses, sempre é necessário um líder, como acreditar que um bando de jovens inexperientes e impulsivos são capazes de dividir equitativamente a racionalidade e a responsabilidade de suas decisões? É óbvio que todos esses coletivos têm líderes. Eles vêm da esquerda acadêmica, com o aval de professores. E são ligados a partidos de esquerda, como PSol, PSTU, PCO, PPL e até o PT. Os coletivos fingem não ter hierarquia para escapar da lei. Um sindicato tradicional, com diretoria reconhecida e endereço físico, precisa cumprir uma série de requisitos legais para deflagrar uma greve, sob pena de pesadas multas. Já um coletivo, que só existe virtualmente, não tem como ser responsabilizado por seus atos. Como seus líderes se escondem na irresponsabilidade do anonimato, fica fácil atribuir qualquer problema à ação de vândalos. Essa estratégia nem é nova – sempre foi usada com muito sucesso pelo MST, que também não existe legalmente.


A princípio, o PT e a própria presidente Dilma Rousseff viam com bons olhos os protestos. Achavam que poderiam canalizá-los contra os governos tucanos, especialmente o de São Paulo. Quando as manifestações saíram de controle, o alvo dos petistas mudou – passou a ser o Congresso Nacional. Dilma, no embate com o peemedebista Michel Temer, seu vice-presidente, mostrou que não desistirá facilmente da ideia golpista de reforma política por meio de plebiscito. Mas antes terá que lidar com os estragos das manifestações, sobretudo em sua popularidade. Na semana passada, com o rosto cada vez mais tenso, ela resolveu apelar para o lema da Bandeira Nacional e disse que seu governo, para garantir o progresso, não abrirá mão de manter a ordem. O que não é verdade. Ela foi a primeira a flertar com o caos, ao tentar jogar os manifestantes contra os governos de oposição, além de receber em palácio os estudantes de passeata que acenderam o estopim da baderna. Já o PT – provavelmente a serviço de Lula e não de Dilma – decidiu, em reunião de sua executiva nacional na última quinta-feira, convocar o “Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações”, marcado para a próxima quinta-feira, 11 de julho.

Manifestação terá rédeas?

 Resta saber se o PT conseguirá pôr rédeas nas manifestações que ocupam caoticamente as ruas. Essa é a indagação mais comum. Mas existe outra, mais sutil: o PT quer mesmo pôr rédeas nesse movimento? Desde a “Carta ao Povo Brasileiro”, apresentada por Lula em junho de 2002, durante a disputa presidencial que o levou ao poder, o PT se tornou um partido da “ordem e progresso”, mas sem esquecer o “quanto pior melhor”, dependendo da conveniência. A expulsão de Heloísa Helena e outros dissidentes petistas no final de 2003 deu a impressão de que o PT abandonara seu viés revolucionário. Mas a aparente guinada à direita do partido foi para inglês ver – Lula precisava dar satisfação aos mercados, mostrando-se capaz de conduzir o bem-sucedido Plano Real que herdara de Fernando Henrique Cardoso. A prova de que o PT nunca abandonou seu viés revolucionário é o fato de que o próprio Lula passou seus oito anos de governo satanizando as elites, mesmo fazendo parte delas nos conchavos de gabinete. Lula manteve as ruas como um permanente exército de reserva, o que provavelmente o salvou de uma possível cassação.

Os dissidentes do PT, que fundaram o PSol e se espalham por outras agremiações de esquerda, como a Rede de Marina Silva, fazem parte do exército de reserva petista. Na política brasileira, infelizmente, só há lugar para o fisiologismo desavergonhado e o radicalismo de esquerda. Não há uma sólida ideologia de centro. Prova disso é que o PSDB e seu esquerdismo moderado, representado pela social-democracia, só foi viável eleitoralmente enquanto durou o Plano Real. Hoje, o partido só existe fora de São Paulo às custas de chefes regionais, como Aécio Neves, em Minas Gerais, e Marconi Perillo, em Goiás. Talvez, por isso, os três mais novos partidos do País, fundados entre 2010 e 2011, oscilem entre a fisiologia desbragada (PSD), o ex­tremismo de esquerda (PPL) e a irrelevância cartorial (PEN). Todos gravitam ao redor do governo petista – a exemplo de sindicatos, em­prei­teiras, fundos de pensão, movimento estudantil, universidades, ONGs, etc. O que, sem dúvida, aumenta o risco de uma reforma política bolivarista no País – feita com o po­der irresponsável das ruas e seu anonimato de conveniência.
 
06 de novembro de 2013
José Maria e Silva é jornalista e sociólogo.
Publicado no Jornal Opção, de Goiânia.