"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

"DONO" DO SÍTIO DE LULA CONTRATA ADVOGADO PARA SE DEFENDER



Toron vai a Curitiba segunda-feira, para examinar os autos





















O advogado Alberto Zacharias Toron, que na Operação Lava jato já defendeu o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, assumiu a defesa do empresário Fernando Bittar, um dos sócios do sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família. O sítio Santa Bárbara, de 173 mil metros quadrados, é alvo de investigação da Lava Jato. A suspeita é que o imóvel tenha sido reformado e mobiliado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.
Fernando Bittar é filho de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas e amigo pessoal de Lula. Ele é dono do sítio em sociedade com Jonas Suassuna Filho.
Em discussões internas, o nome de Toron chegou a ser sugerido por dirigentes do PT para a defesa do próprio Lula. Parte da cúpula do partido avalia que a defesa do ex-presidente ainda carece de um “nome de peso” no meio jurídico.
“Estou trabalhando na defesa do Fernando Bittar. Acho que isso não tem maior significado no ponto de vista do ex-presidente Lula”, disse Toron à reportagem. “Não me inteirei do caso ainda. Segunda-feira vou para Curitiba examinar os autos.”
NA LAVA JATO
O criminalista foi o autor do habeas corpus que tirou da cadeia e levou para prisão domiciliar empreiteiros e executivos de empresas – entre eles Ricardo Pessoa e José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da OAS – acolhido em abril do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal. Essa foi considerada a primeira grande vitória das defesas sobre as decisões do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.
Na segunda-feira, 8, em pleno carnaval, Lula esteve na Baixada Santista, litoral paulista, para uma visita a Jacó Bittar. Conforme vizinhos, o ex-presidente chegou ao edifício localizado no bairro Ilha Porchat, por volta de 13h. A informação é que ele teria seguido para o sétimo andar e passado o dia no local, deixando São Vicente no final da noite. Durante a visita, um carro com seguranças permaneceu fazendo a escolta do petista no estacionamento.
A reportagem esteve na portaria dos edifícios Sanvi Porchat e Guarú Porchat nessa quarta-feira, 10. Ao serem questionados, os porteiros informaram que desconheciam a visita de Lula e também não sabiam dizer se Jacó Bittar residia no conjunto. Uma moradora, no entanto, confirmou que o ex-prefeito de Campinas reside no prédio. Segundo ela, Jacó sofre do Mal de Parkinson.
Procurado, o Instituto Lula, presidido por Paulo Okamotto, não respondeu aos contatos da reportagem.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A contratação do advogado famoso funciona como uma confissão de culpa. Somente quem está envolvido em algum crime precisa ser defendido na Justiça. O fato é que Fernando Bittar está fugindo da imprensa há várias semanas, enquanto seu sócio no sítio de Atibaia, Jonas Suassuna, já declarou a jornalistas que Lula só frequenta a parte do sítio que supostamente pertence a Bittar. Esta é a situação atual. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe(C.N.)

12 fevereiro de 2016
Eduardo Kattah, Pedro Venceslau e Elys Santiago
Estadão

LULA É INTIMADO A DEPOR NO PROCESSO CONTRA SEU AMIGO BUMLAI



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O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, marcou para o próximo dia 14 de março às 9h30 depoimento do ex-presidente Lula como testemunha de defesa do pecuarista José Carlos Bumlai – réu em ação penal por corrupção e gestão fraudulenta de instituição financeira. Bumlai e Lula são amigos desde 2002. O pecuarista foi preso em 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato.
Lula vai depor por vídeo conferência, ou seja, ele não vai ficar frente a frente com o magistrado da Lava Jato. Para agilizar os processos sob sua tutela, Moro tem realizado rotineiramente audiências por vídeo conferência.
Bumlai admitiu à Polícia Federal ter tomado empréstimo de R$ 12 milhões em outubro de 2004 junto ao Banco Schahin. Ele afirmou que o destinatário de todo o dinheiro foi o PT. Na ocasião, o partido estava com dificuldades de caixa, devendo para fornecedores da campanha que elegeu Lula presidente dois anos antes.
DOCUMENTO
A PF e o Ministério Público Federal sustentam que em troca do ‘socorro’ financeiro para o PT, o Grupo Schahin foi beneficiado com um contrato de operação do navio sonda Vitória 10000, sem licitação, ao preço de US$ 1,6 bilhão.
Em resposta à acusação da Procuradoria da República, a defesa de Bumlai afirmou ao juiz federal Sérgio Moro. “A proximidade entre Bumlai e Lula sempre foi muito explorada pelos que, maliciosamente, viam nela a oportunidade de encontrar malfeitos que pudessem ser atribuídos ao segundo, seja durante, seja depois de seus dois mandatos. Nesse período, não foram poucas as insinuações e por vezes até imputações de que o defendente seria um intermediário de negócios escusos de interesse do ex-Chefe do Executivo.”
“Na verdade – prosseguiu a defesa -, o crime é ser amigo de Lula e, pasme, Juiz, existe até fotografia de ambos numa festa junina, tornando irretorquível a consumação do delito do artigo 362 do Código Penal. Sua ameaça à ordem pública consiste em seu potencial de, no crescendo da indignação, delatar o ex-Presidente de alguma forma. Esta é a essência deste processo.”

12 de fevereiro de 2016
Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Estadão

PROCURA-SE UM BRASILEIRO DECENTE, PREPARADO E NACIONALISTA



Muitas universidades deram títulos a um doutor de araque




















A cada dia aumentam as notícias desabonadoras sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja imagem pública hoje é apenas uma pálida lembrança de quem se tornou um dos líderes mais conhecidos e importantes da História contemporânea, cuja carreira despertava interesse internacional e inspirava esperanças de uma renovação política em prol de uma maior justiça social. Cinco anos após deixar o poder, hoje Lula é um líder acuado, que não pode sair às ruas nem ser entrevistado por jornalistas independentes. Suas raras aparições públicas são planejadas para que a imprensa faça cobertura à distância, apenas transcrevendo seus discursos. Nenhum repórter tem autorização para ficar frente à frente com ele.
A derrocada de Lula afeta não só o Brasil, mas também muitos outros países, onde estavam surgindo lideranças populares que se inspiravam nele, que parecia ser uma espécie de Rei Midas político. Agora, pelo contrário, tudo o que Lula toca vira lama, ganhar o apoio dele poderá ser fatal para qualquer candidato.
DESCENDO A LADEIRA
Sua sucessora Dilma Rousseff está descendo a ladeira, em termos de popularidade. A pesquisa do Instituto Ipsos, pouco conhecido no Brasil, mas que atua em 87 países, mostra que 60% dos entrevistados se dizem favoráveis ao impeachment da presidente, apenas 22% são contrários e 18% estão indecisos. Para 79% dos entrevistados. sua gestão é considerada ruim ou péssima, 15% a classificaram como regular e apenas 5% como ótima ou boa.
E o pior: para 92% dos entrevistados, o Brasil está no rumo errado.
LULA FOI UM FARSANTE
Como todos sabem, Lula foi uma invencionice do general Golbery do Coutto e Silva para evitar que Leonel Brizola chegasse ao poder. Quem o conheceu sabe que Golbery era um mestre nos bastidores da política, o cineasta Glauber Rocha o chamou de “o gênio da raça” e quase foi crucificado por essa frase de efeito.
Conforme o comentarista Antonio Santos Aquino tem contado aqui na Tribuna da Internet, Lula foi um filhote da ditadura, que fez até curso na Johns Hopkins University, em Baltimore, assistido por um tradutor. O general Golbery jamais imaginou que sua cria chegasse ao poder, mas a vida é muito mais imaginosa do que a ficção.
Não há a menor novidade sobre o caráter de Lula, sua trajetória já foi dissecada em três livros arrasadores, escritos por Ivo Patarra, José Nêumane Pinto e Romeu Tuma Jr. Há também as declarações dos criadores do PT que se afastaram dele. É tudo público e notório.
Até mesmo a prisão de Lula na ditadura foi uma farsa, conforme mostra a célebre foto do camburão, com Lula fumando um cigarro e interpretando o papel de “Barba”. O então agente federal Romeu Tuma Jr. estava lá e não deixa ninguém mentir, porque também aparece em outra fotografia do ato da prisão. Ele tinha intimidade com Lula, que costumava dormir no sofá da casa do temido Romeu Tuma pai.

Lula “preso” pela ditadura, fumando no camburão
ENGANOU TODO MUNDO
O fato é que Lula enganou todo mundo, até mesmo Golbery. Criou o PT, viu que poderia substituir Brizola na disputa pelo poder, candidatou-se três vezes, até que saiu vitorioso na quarta tentativa, derrotando um candidato fraco e sem carisma, o tucano José Serra.
O resto é mais que sabido. Isolou os intelectuais do PT e livrou-se deles, dilatou e sindicalizou a máquina administrativa, usou as estatais como fonte inesgotável de recursos pessoais e eleitorais, ampliou ao máximo os programas sociais, sem fiscalizá-los, e criou projetos educacionais eleitoreiros, como o Pronatec, com seus supostos cursos técnicos, e o Prouni (Universidade para Todos), que fez a festa das faculdades particulares, com as bolsas totais e parciais custeadas pelo MEC para estudantes sem a menor condição de ingressar no ensino superior.
Essa farra custou muitos recursos públicos, elegeu e reelegeu uma candidata mambembe e patética como Dilma Rousseff, e o resultado está aí – vamos ter três ou quatro anos de recessão, na hipótese otimista, ou de dez a vinte anos de recessão, na versão pessimista.
FALTAM LIDERANÇAS
O pior é que a Era Lula provocou uma preocupante escassez de novas lideranças. Não há um só pré-candidato que possa ser confiável, a política brasileira está nivelada por baixo, nenhum partido tem um líder de fato, estamos num deserto de homens e ideias, como dizia o ministro Oswaldo Aranha, que teria sido um grande presidente, se tivesse se candidatado no lugar do general Eurico Dutra, uma versão mais antiga da vaca fardada que o general Mourão Filho imortalizou.
Os militares impediram Brizola de chegar ao poder, mas esqueceram de que era fundamental que existisse algum outro líder no país, não importa se representasse a direita ou a esquerda. Bastava que fosse decente, preparado e nacionalista, porque as ideologias já morreram há décadas, mas ainda há quem insista em tentar revivê-las. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, que hoje estaria decepcionadíssimo com a política nacional.

12 de fevereiro de 2016
Carlos Newton

BRASIL VAI LEVAR 15 ANOS PARA RECUPERAR PERDAS SOCIOECONÔMICAS



José Márcio Camargo vê o Brasil em busca do tempo perdido
















O economista José Márcio Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e economista da Opus Gestão de Recursos, é um dos principais pesquisadores brasileiros de economia do trabalho, pobreza e desigualdade. Ele lançou, no início dos anos 1990, em artigos e em reuniões no PT, a ideia de criar um programa de transferência de renda condicionado à manutenção das crianças na escola. A proposta foi implantada inicialmente no governo petista do Distrito Federal e na prefeitura tucana de Campinas, em São Paulo. Depois, foi adotada pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, já como Bolsa Família.
O olhar treinado para a dinâmica da pobreza no Brasil deixa Camargo especialmente assustado com a crise econômica. Ele acredita que só a partir de 2022 o Brasil deverá retornar ao nível de bem-estar social registrado na década passada e que, entre os diversos males econômicos atuais, a inflação é o pior – especialmente para os mais pobres.
Em 2015, o desemprego aumentou e a renda caiu em velocidades que não eram vistas havia mais de uma década. Os indicadores vão piorar mais?
A desigualdade certamente vai piorar. A pobreza já está aumentando e vai depender do que o governo fizer com a política de transferência de renda. A Bolsa Família não foi reajustada nos últimos 20 meses. Significa uma perda substancial de poder dessas pessoas. O desemprego está piorando muito rápido e vai aumentar. Isso significa menos demanda e menos oferta. Vamos ter queda da renda real. A crise está se aprofundando.
Qual será o impacto social disso?
O mercado de trabalho voltou a 2008. Em um ano, perdemos sete anos de avanço. Mais um ano como esse, e voltamos a 2000. Se tivermos um 2016 tão difícil como 2015, a situação se torna muito mais grave. Viemos de um período longo de crescimento e aumento de renda. As pessoas conseguiam poupar, comprar bens duráveis. Com a crise e o desemprego, no primeiro ano você vende bens e desfaz a poupança. No segundo ano, você diminui o padrão de vida. Então, esse segundo ano de recessão, se for, vai ser mais doloroso. Para piorar, as políticas de bem-estar direto da população – educação, saúde e segurança – são administradas pelos Estados. E os Estados estão falidos. Tudo isso piorou e vai piorar mais.
Quanto tempo levaremos para voltar ao patamar pré-crise?
Camargo – Dificilmente vamos conseguir, depois do processo, recuperar o que perdemos em menos de cinco, seis anos. E só vamos parar de piorar em 2017, 2018. É uma década para retomar, uma perda enorme. É muita coisa errada que tem de mudar. O Brasil havia conseguido fazer uma série de reformas fundamentais para gerar esses ganhos de bem-estar. Abriu a economia, aumentou a produtividade, fez ajuste fiscal. Diminuiu a pobreza e a desigualdade. Fez reformas de previdência social, três reformas de mercado de trabalho, fez reforma de crédito. Poucos países fizeram isso pacificamente. Foi uma revolução. Agora, em cinco ou seis anos, a gente fez a contrarrevolução. Foi tudo corroído. Voltamos à década de 1980. Vamos ter de refazer esses 15 anos.
Como o senhor avalia o fim de 2015 e o início de 2016?
Camargo – O aumento do emprego, que geralmente ocorre no fim do ano, foi muito abaixo do que vinha acontecendo anualmente. E o mais grave: em geral, no começo do ano, a taxa de desemprego aumenta. Pela Pnad Contínua (indicador de emprego mais abrangente, medido em todo o país), o desemprego chegou a 8,9%. Deveremos passar para dois dígitos na próxima medição.
A crise vem afetando de formas diferentes os diversos segmentos da sociedade?
A renda do trabalhador na região metropolitana cai mais rapidamente que nas cidades médias. E a pobreza já é mais concentrada nas regiões metropolitanas. Desconfio que a crise na indústria e na construção civil, mais presentes em grandes centros, contribua com isso.
Com a crise, há risco de convulsão social? E de aumento da violência?
Ao contrário do que se pensa, olhando pesquisas em todo o mundo, não existe correlação entre desemprego, pobreza e violência. O que parece ter relação é a educação. Quanto menos educação, mais violência. Já os grandes momentos de convulsão social não são de pobreza e desigualdade. No Brasil, em 2013 (quando houve manifestações violentas nas principais cidades), a economia ainda crescia. Esses movimentos exigem certa capacidade de organização, e a sociedade tem poucos instrumentos para gerar essa capacidade hoje. A internet ajuda, mas essas manifestações são de grupos de renda relativamente alta, menos prejudicados pela recessão. Os mais pobres usam a rede social para lazer. Pode ser que isso mude, mas não acho provável.
Esta crise tem algo em comum com as anteriores?
Pouca coisa. A de 2001 foi gerada pela falta de oferta de energia elétrica, mas se resolveu com medidas administrativas, construíram-se usinas termelétricas. Em 2002, foi uma crise de confiança. Quando Lula mostrou que preservaria os fundamentos econômicos, rapidamente recuperou-se a credibilidade. Em 2009, foi uma crise externa, violenta, mas a China reagiu muito agressivamente, aumentando crédito e demanda. Vínhamos de um momento bom, de 1999 a 2006, com superavits importantes, inflação em queda. Havia, então, espaço para políticas importantes para a economia recuperar rapidamente. Hoje, temos deficit fiscal de 9% do PIB. Ou seja, não tem espaço para aumentar os gastos do governo, para baixar os juros, não dá para fazer nada. Há também um problema de credibilidade monumental. Ninguém sabe para onde vai este governo, o que paralisa todo mundo. Ninguém investe, ninguém consome, ninguém emprega. Isso vai gerar mais recessão.
Temos inflação alta, juros altos e desemprego acelerando. Qual deles é pior para os mais pobres?
A inflação alta. No desemprego, o pobre faz bico para não morrer de fome. A inflação corrói a renda do cara independentemente do que ele fizer. E o desemprego só afeta o desempregado. A inflação afeta todo mundo.
Como o senhor avalia a política de juros e inflação deste governo?
O descaso em relação à meta de inflação é a pior política para os pobres. A perda de renda real nos últimos anos é monumental. Em 2015, a inflação dos pobres foi maior porque grande parte dela veio dos alimentos, que comprometem uma fatia maior da renda deles do que dos ricos. Uma razão foi a enorme desvalorização do real diante do dólar, consequência da falta de confiança no governo. O preço de alimentos importados, como trigo, sobe.
O que o senhor achou da decisão do Banco Central, na última reunião, de manter a taxa básica de juros?
O problema não é não aumentar os juros, mas a forma como foi feito. O presidente do BC (Alexandre Tombini) indicou, na véspera da decisão, uma mudança de posição supostamente por uma previsão do FMI. Mas essa previsão já era a do mercado. Os agentes econômicos pensam: “Epa, não dá para confiar nesse cara”. A moderna teoria sobre atuação do BC dá ênfase enorme à comunicação. Diz que política monetária é 80% comunicar corretamente. O resto é subir ou baixar juros.
Dá para voltar a crescer em 2017?
Não teremos uma recessão tão grande como tivemos no ano passado, mas 2017 vai ser um ano, na melhor das hipóteses, de estagnação. Este governo dá todos os sinais de que não acredita no mercado. Só confia se ficar no controle. Mas o cara que vai construir estrada é empresa privada. O governo tem de mudar a forma como trabalha.
O Executivo ainda pode fazer algo para remediar os danos da crise para as classes C, D e E?
Precisa saber o que se quer preservar. O Bolsa Família errou ao tirar a ênfase na educação e dar foco só à pobreza. Assim como a ideia de transferir renda condicionada a educação, também foi minha a ideia de transferir sem exigir essa contrapartida. Essa foi uma ideia ruim, admito, ainda que previsse contrapartida de serviço para a sociedade. Deveriam voltar a separar o Bolsa Escola, com mais ênfase na educação, e criar condicionantes no Bolsa Família. O governo precisa rever os salários mais altos de servidores federais, para o Estado gastar menos. O problema do país é fiscal. Se ele não for resolvido, não chegaremos a lugar nenhum.

(entrevista enviada pelo comentarista Wilson Baptista Jr.)

12 de fevereiro de 2016
Samantha Lima
Época

ESTRATÉGIA DA DEFESA DE LULA É NÃO SE DEFENDER...



Charge do Sponholz (sponholz.arq.br.)

















O ex-presidente Lula evitou tratar das investigações que o envolvem nas operações Lava-Jato e Zelotes, durante encontro do conselho do Instituto que leva seu nome, nesta sexta-feira, que reuniu intelectuais, ex-ministros e aliados. Segundo relatos, Lula direcionou o debate num hotel de São Paulo para a atuação da entidade em 2016 e disse que “questões relativas a ele, ele mesmo enfrenta”.
O encontro contou com a participação dos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, que advogam para o ex-presidente nas acusações que envolvem serviços prestados por um de seus filhos e imóveis que foram reformados por empreiteiras em Atibaia (SP) e no Guarujá (SP). Por isso, havia a expectativa de que os temas fossem tratados no encontro.
Segundo relatos dos presentes, Lula evitou que o tema fosse objeto de discussão e orientou para que o debate ficasse restrito ao papel que o Instituto deve exercer neste ano, em meio à crise econômica. O ex-presidente se reuniu com os advogados logo após o encontro do conselho, no mesmo hotel, em São Paulo.
SOLIDARIEDADE
De acordo com pessoas que participaram do debate, a socióloga Maria Victória Benevides fez uma intervenção em solidariedade ao ex-presidente, dizendo que ataques à sua honra eram seletivos e persecutórios, com propósitos “político-eleitorais”. Foi neste momento que Lula interveio para dizer que “questões relativas a ele, ele mesmo enfrenta”.
Um dos participantes da reunião disse que Lula tem evitado se manifestar sobre as acusações contra ele para não dar credibilidade a elas e para não aumentar a repercussão do episódio. No último dia 26, Lula pediu que a Executiva Nacional do PT não o defendesse em um texto de análise de conjuntura, divulgado após reunião do colegiado.
– Se você começar a fazer a defesa de quem não pediu, está dizendo que a pessoa precisa de defesa – afirmou um dos presentes na reunião desta sexta-feira.
Militantes do PT reclamaram, nesta quarta-feira, em redes sociais, da falta de apoio do partido na divulgação do ato de desagravo a Lula marcado para a próxima quarta-feira, na porta do Fórum da Barra Funda, em São Paulo, onde o ex-presidente deve prestar depoimento, como investigado, no inquérito que apura a compra do apartamento tríplex no Guarujá.
ENCONTRO COM ADVOGADOS
Os advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, que defendem Lula, chegaram, no início da tarde, ao hotel, para participarem de parte da reunião do conselho e do encontro com o ex-presidente.
Amigo de longa data do ex-presidente, Teixeira é integrante do conselho do instituto de Lula desde sua criação. Não é o caso de Cristiano Zanin Martins, que não integra o conselho e, ultimamente, tem sido porta-voz de defesa do ex-presidente em relação às acusações.
A Lava-Jato investiga se empreiteiras investigadas na operação bancaram a reforma de um sítio usado por Lula em Atibaia e de um apartamento triplex em edifício no Guarujá, que o ex-presidente desistiu de adquirir depois que o caso veio à tona.
Por meio de sua assessoria, Lula vem argumentando que pagaria pelas reformas no triplex, se o tivesse adquirido. Ele ainda não se manifestou sobre as obras realizadas no sítio usado por ele em Atibaia. O ex-presidente vem afirmando que o sítio é de propriedade de amigos da família e que “a tentativa de associá-lo a supostos atos ilícitos tem o objetivo mal disfarçado de macular a imagem do ex-presidente”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Agora ficou claro que a estratégia da defesa de Lula é não se defender. Ou seja, fingir que os problemas não existem e esperar para ver se caem no esquecimento, com fazem as avestruzes, ao enfiar a cabeça num buraco quando se julgam em perigo. Enquanto Lula se cala, num silêncio que representa uma confissão, avançam as quatro investigações sobre o ex-presidente – três no Ministério Pública Federal, na operação Lava Jato, e uma no Ministério Público de São Paulo, na qual ele terá de prestar depoimento na próxima quarta-feira, dia 17, sobre o escândalo do triplex. (C.N.)

12 fevereiro de 2016
Thiago Herdy e Fernanda Krakovics

PETROBRAS É O SEGUNDO MAIOR ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO DO MUNDO


petrolista
Lema da campanha da ONG é “Desmascare o Corrupto”













O esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014 foi eleito o segundo maior caso de corrupção do mundo, aponta pesquisa da ONG Transparência Internacional.A estatal petrolífera brasileira desponta entre os maiores escândalos de negociatas em todo o planeta.
A Transparência promoveu uma votação de âmbito internacional pela internet sobre os episódios mais importantes da corrupção. Foram citados 400 casos. Com 11.900 votos, a Petrobrás pegou o segundo posto, ficando atrás apenas de Viktor Yanukovych, ex-presidente da Ucrânia (2010/2014), merecedor de 13.210 votos.
As informações sobre a enquete da Transparência Internacional foram divulgadas no site da ONG nesta quarta-feira, 10.
O esquema na Petrobrás, desmontado na Operação Lava Jato, supera, na avaliação dos entrevistados, outros capítulos marcantes de fraudes, como o caso Fifa (1.844 votos) e o do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (10.166 votos), acusado pelo desvio de US$ 100 milhões. A Petrobrás informou que não vai comentar a pesquisa da Transparência Internacional.
DESMASCARE OS CORRUPTOS
A lista faz parte da campanha ‘Desmascare os corruptos’, da organização não-governamental sediada em Berlim que, em janeiro, declarou apoio à uma outra campanha, 10 Medidas contra a Corrupção.
A Transparência Internacional está apoiando o projeto 10 Medidas contra a Corrupção, idealizado pelo Ministério Público Federal brasileiro. Ao atingir meta de 1,5 milhão de assinaturas de adesões, o MPF levará ao Congresso conjunto de propostas inspiradas na Operação Lava Jato para agilizar o combate a desvios e fraudes contra o Tesouro.
A CORRUPÇÃO NO MUNDO
1) Ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovych (13.210 votos); 2) Petrobrás (11.900 votos); 3) Ricardo Martinelli, ex-presidente do Panamá (10.166 votos); 4) Felix Bautista, senador dominicano (9.786 votos); 5) Fifa (1.844 votos); 6) Sistema político do Líbano (606 votos); 7) Akhmad Kadyrov Foundation (194 votos); 8) Zine al-Abidine Bem Ali, ex-ditador da Tunísia entre 1987 e 2011 (152 votos); 9) Estado americano de Delaware (107 votos);
12 fevereiro de 2016
Fausto Macedo e Fernanda YoneyaEstadão