"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

UM CANALHA É APENAS UM CANALHA


 
Cansei de ver nas redes sociais as pessoas tecendo os melhores elogios ao EX jogador e dublê de político Romário.
À cada vez que o "baixinho" acionava sua metralhadora giratória contra os dirigentes da CBF, da FIFA ou mesmo contra os preparativos da Copa era uma festa de puxa sacos e sem noção de sempre endeusando o cidadão.
 
Romário passou seu mandato inteiro falando TUDO o que a população sempre queria ouvir, um marqueteiro e tanto, e assim ganhou a simpatia dos que engravidam pelos ouvidos e acabam parindo as mais bizarras opiniões E VOTOS.
 
Todos sabemos que Romário se aventurou na vida política como ultimo recurso pela sobrevivência financeira, estava quebrando, em maus lençóis quando lançou sua candidatura,  já havia sido preso por não pagamento de pensão alimentícia e tinha um processo movido por um vizinho nas costas que chegou aos oito milhões, condenado a pagar essa quantia sem direito a recursos, nem sei em que pé ficou.
 
Ainda tem pela frente alguns processos por calúnia e difamação movido por dirigentes do futebol.
 
Bem, no Brasil dos idiotas as pessoas votam em jogadores de bola, palhaços de TV, assistentes de palco, pagodeiros agressores de mulheres que viram comunistas, cantores, artistas, ex BBBs e ladrões em geral, os famosos candidatos "puxa votos".
Com os votos de uma "celebridade" e com a legislação eleitoral que temos, a merda é sempre garantida.
E com as sobras de votos dos "puxadores" vão sendo eleitos os Jean Aero Willys da vida.
 
E a política vai se perpetuando no nada absoluto.
 
E o mais interessante é ver que a imensa maioria deles quando eleitos deixam suas profissões para se tornarem políticos profissionais. Esquecem suas raízes e seu público e passam a ser maçãs podres no balaio da podridão que é a política na Pocilga.
 
Já vimos Maluf, Sarney, Collor, Calheiros, etc...etc..etc...Aderindo ao PT, o mesmo partido que passou décadas pedindo as cabeças dessa cambada. Tudo muito normal na maior cara de pau. Afinal, o que importa é a sobrevivência política e a manutenção dos privilégios e abastecimento financeiro nos próprios bolsos.
 
A ultima aberração está bombando nas redes sociais. Romário adere ao PT e apóia Lindebergh Farias para o governo do Hell de Janeura. Lindebergh, aquele que era cara pintada nos tempos que atuava na UNE, e hoje é amiguinho do Collor....
 
É..meus caros, aquela metralhadora giratória de língua presa que atirava para todos os lados parece que se entregou ao fisiologismo e sentiu o prazer da grana fácil  a que todas Vossas Excelências estão sujeitas.
 
E Jandira Feghali, aquela comunista de araque que é empresária nas horas vagas, vai abrir mão de sua candidatura ao Senado Fedemal deixando a vaga para o ex jogador.
Qual a manobra? 
 
Romário que quer se perpetuar na política como forma de sobrevivência financeira tem votos dos que não falam de política, mas sabem tudo de bola. Os alienados.
 
Jandira que após a pendenga com Rachel Sheherazade e a exposição de sua personalidade capitalista nas redes sociais sabe que tem grandes chances de não se eleger, então nada melhor do que formar uma aliança entre o interesse vagabundo pelo poder e o desespero pela grana, nasce esse monstrengo entre PT, PSB e PC do B.  Para continuar tudo dominado!!!
 
E para aqueles que se ufanavam e comemoravam a cada tiro verborrágico dado pelo baixinho contra a Copa, o PT os dirigentes, tudo vai ficando mais devagar, o EX jogador da boca mole vai se tornando cada vez mais um político da velha escola onde  o atirar para todos os lados não será mais necessário, é só pregar o estelionato político-intelectual que a eleição estará sempre garantida.
 
Não existem virgens no puteiro que é a política Tupiniquim, e vemos que muitos são putas rampeiras travestidas de imaculadas virgens partidárias da velha máxima..."Dinheirinho na mão, calcinha no chão".
 
Na política brasileira é cada vez mais nítida a fisiologia dando lugar a ideologia, não existem mais conservadores, republicanos, comunistas, trabalhistas, socialistas ou cristãos. Tudo virou uma imoral geléia geral onde a ideologia é se dar bem a qualquer preço, roubar o quanto puder e se possível a perpetuação no poder, afinal trabalhar é para os idiotas eleitores que ainda acreditam nas palavras ditas por qualquer político.
 
Acabaram as filiações partidárias por consciência política ou simpatia ideológica, hoje as pessoas se filiam a partidos que possivelmente darão maiores chances de eleição, e com ajuda do odioso recurso do quociente eleitoral vemos as mais estranhas coligações. E porque não dizer...
Os mais estranhos eleitos. Ou vão querer me convencer que o EX jogador sabia o que era socialismo antes de sair candidato? Foi pro partido que aceitou e percebeu que ele puxaria votos para levar mais alguém
 
Outro que é unanimidade entre os que se opõe ao DESgoverno dos Ratos Vermelhos é Álvaro Dias, mais um marqueteiro da "auto ajuda" que ainda vai mostrar sua verdadeira face.
E quando as eleições de Outubro chegarem a ideologia do voto útil será a "vedete" das urnas, afinal, com os candidatos que temos o povo que ainda pensa vai ter que optar entre não votar ou votar no "menos pior" e assim vai caminhando a mediocridade Tupiniquim e a perpetuação da bandalheira.
 
23 de junho de 2014
omascate

PT QUER ACABAR COM O FUNDO DE AMPARO DO TRABALHADOR (FAT)



Um projeto preparado pelo Ministério do Trabalho pretende acabar com o Fundo de Amparo ao Trabalhador.
O FAT, criado na Constituição de 1988, é um fundo que protege o trabalhador financiando programas de formação e qualificação e garantindo o seguro desemprego e as estratégias de recolocação dos desempregados no mercado de trabalho.

Ao propor a criação de um Sistema Único do Trabalho (SUT), o governo mais uma vez busca centralizar ações e idéias e deixa claro que sua política de trabalho não levará mais em conta nada que não for do interesse do PT.
 
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A proposta de acabar com o FAT e substituí-lo pelo SUT não foi discutida com trabalhadores e empresários, o que mais uma vez demonstra a falta de apreço do PT pelo diálogo e pela democracia. Com o novo sistema, trabalhadores e empresários perderão voz nas discussões sobre políticas de trabalho e a transparência na gestão dos recursos ficará ameaçada.

O FAT não pode e não irá acabar. 
O governo Dilma quase quebrou o FAT com sua contabilidade criativa, mas nós sabemos que podemos reorganizar suas contas para que o trabalhador brasileiro siga amparado.
 
 
O Brasil não pode ser pego de surpresa e acordar sem o FAT, que é uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores na Constituição de 1988.

O governo do PT, ao tentar acabar com o FAT, mostra que sua preocupação com a classe trabalhadora fica apenas no discurso.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, já instruiu a bancada do partido a defender o trabalhador e se opor a toda tentativa de acabar com o FAT.

Governo do PT quer acabar com o Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT)
PSDB
23 de junho de 2014
 

ACORDA, BRASIL !!!

 
23 de junho de 2014
in a direita brasileira em ação







 

MUDAR OU ESTOCAR PAPEL HIGIÊNICO?

 

Por mais que Lula e seu rebanho tentem disfarçar, fica nítido que os números das pesquisas eleitorais apontando o derretimento de sua candidata à reeleição nas eleições presidenciais de 5 de outubro próximo levaram o desespero para dentro do universo petista.

Aturdido com a inesperada reviravolta no quadro político que até pouco tempo dava como irreversível a reeleição de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores recorreu a velha prática inescrupulosa de terceirizar sua incompetência administrativa responsabilizando aqueles que não rezam de acordo com a sua cartilha pelo retumbante fracasso do seu governo.

O PT pode passar toda a eternidade desfrutando das delícias do poder, mas, ainda assim, jamais deixará de ser uma caixinha de obviedades.

Imune a frescuras como constrangimento, quando se veem acuados os petistas dão adeus à vergonha e na maior cara dura recorrem a expedientes pouco recomendáveis. E aí avolumam-se os desvarios: do alto da branquitude esplendorosa de suas lideranças denunciam a implacável perseguição da elite branca e preconceituosa, fazem o sinal da cruz ao contrário, negam Marx quantas vezes forem necessárias, celebram a promiscuidade tornando-se inimigos íntimos de amigos que odeiam fraternalmente, inventam golpes de estado, criminalizam a vítima, vitimizam o bandido. Com extrema maestria, batem a carteira e gritam pega o ladrão!

No entanto, é quando tentam se passar por vestais que jamais foram se escondendo atrás do pudor que nunca tiveram que escancaram o pouco apreço dedicado a valores como ética e moral.

O pudico e respeitador Lula, por exemplo, ficou inconsolável com o xingamento dirigido à presidente Dilma Rousseff por parte da torcida brasileira durante o jogo entre Brasil e Croácia na abertura da “Copa das Copas”. Oportunista convicto, o deus de Marta não perdeu a oportunidade para tentar reverter a situação e capitalizar algum dividendo eleitoral. Consternado com a indelicadeza daquela ingrata “brancaiada bonita e de mão descalejada” disparou: “Educação se recebe dentro de casa. Eu nunca tive coragem de faltar com respeito a um presidente da República”.

Opa!, devagar com o andor, seu doutor!, não é bem isso que a história nos conta. Todo brasileiro minimamente informado sabe que o repertório de grosserias de Lula, além de vasto também se sobressai pela diversificação.
É praticamente impossível não lembrar daquela passagem em que, furioso com o jornalista americano que o chamara de pé-de-cana, exigia sua expulsão sumária do País. Alertado pela vassalagem que o jornalista era casado com uma brasileira e, por isso, a Constituição vedava sua expulsão, reagiu no melhor estilo Lula de ser: “foda-se a Constituição!”. Isso pode. É poesia para ouvidos marilenicamentes sensíveis. Mandar Dilma ir catar caju, não! É baixaria da elite branca e raivosa.

Seu repentino respeito quase devocional a um presidente da República manifestou-se naquele episódio deprimente publicado pela imprensa em maio de 1993, se não me engano, em que ele chamou o então presidente Itamar Franco de “filho da puta”. Longe de mim enveredar pelos caminhos presunçosos do prejulgamento, mas ao aceitar como verdadeira a afirmação de Lula sustentando que educação se recebe dentro de casa, não estarei afrontando a verdade se concluir que ele foi criado em algum orfanato.

Através de sua assessoria, Itamar Franco respondeu: “gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se este indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República e alguém lhe chamasse disso. O Sr. Luiz Inácio Lula da Silva me chamou de filho da puta. Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas fosse eu efetivamente um filho da puta, certamente teria pela minha mãe o mesmo amor filial”. Qualquer outro que não Lula, com certeza se sentiria desmoralizado. Mas ele é Lula e sua divindade o desobriga da sujeição a essas amenidades.

Apavorado ante o crescente sentimento de rejeição do eleitorado  e o fortalecimento de candidatos da oposição à corrida presidencial, o PT mandou  a compostura às favas e tratou de acelerar seu projeto de tomada definitiva do poder antecipando a edição do nefasto e golpista decreto 8.243 instituindo o governo de partido único, escorado em uma espécie de sovietes castro-descendentes. Visivelmente desnorteados com a reação do Congresso Nacional e de parte da imprensa condenando o tal decreto, os petistas piraram de vez e, aproveitando a abrangência e a celeridade das redes sociais, publicaram uma  propaganda no mínimo inusitada convidando a população para ocupar o governo.

De uma vez por todas, eu desisto da minha saga trintenária de querer compreender os desígnios da alma petista. Em junho do ano passado quando a população estava disposta a ocupar o governo, a dadivosa presidente que hoje está determinada a acolher o povo em seu colo quase maternal, convocou o Exército para impedir que a ocupação se consumasse. Freud deve estar agradecendo aos céus por não ter nascido nesses cinzentos anos de lulopetismo.

Não sei se algum dia eu vou deixar de denunciar as mistificações de Lula, a subserviência de Dilma e a delinquência do PT. Só depende deles. No entanto, quanto mais eles se alinharem para tomar de assalto o estado brasileiro, mais me convencerei ser essa missão uma obrigação moral minha para com o meu País.

Ou nas eleições de outubro nos preocupemos em escrever um futuro mais alentador do que esse que o PT prepara para o Brasil, ou, então, que comecemos a estocar papel higiênico.


23 de junho de 2013
Mauro Pereira
in blog do Giulio Sanmartini

Destaquei em vermelho alguns palavrões petralhas.  Dentre eles, o maldito  8243. Perdoe-me a intromissão, Mauro. (Anhangüera)

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

    Roubalheiras e mais mentiras! É o PT em ação!
 
 
23 de junho de 2014

IMPERDÍVEL! CANAL RURAL DENUNCIA O GOLPE COMUNISTA QUE ESTÁ SENDO PREPARADO PELO PT

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https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=psibSFGrfQQ

O vídeo acima é a gravação do programa Mercado & Companhia, do Canal Rural. Vale a pena ser visto porque explica muito bem o plano do golpe comunista que o PT prepara para transformar o Brasil numa republiqueta bananeira comunista. 

Enquanto a bola rola nas arenas com o povo brasileiros distraído, fazendo churrasquinho e bebendo cerveja inebriado pela Copa do Mundo, o PT vai avançando no seu projeto que objetiva transformar o Brasil num apêndice de Cuba.

Já me referi sobre isso inúmeras vezes aqui no blog. Mas nunca é demais retomar este assunto, haja vista que o decreto assinado pela Dilma continua de pé. Cria os tais conselhos populares, no velho estilo do sovietes da ex-URSS.

Repito: vale a pena ver este vídeo e compartilhar amplamente nas redes sociais ou mesmo veicular por email.

Para ver o Canal Rural pela internet com ótima qualidade clique AQUI

23 de junho de 2014
in aluizio amorim

ITAMAR FRANCO EM 1993: "O SR. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA ME CHAMOU DE FILHO DA P."

 
“Nunca fui desrespeitoso com um presidente da República”, recitou de novo Lula, ainda convalescendo do nocaute sonoro sofrido por Dilma Rousseff no Itaquerão.

Como lembrou a coluna há dias, o palanque ambulante qualificou José Sarney de “ladrão” e Fernando Collor de “assaltante” quando os dois inimigos que transformaria em amigos do peito governavam o país.

Também insultou Itamar Franco, provam o recorte de jornal e o texto com o timbre da Presidência da República abaixo reproduzidos (clique em cima para ampliar).

Na edição de 8 de maio de 1993, a Folha de S. Paulo publicou o que Lula dissera ao grupo de jornalistas que o acompanhavam em mais uma excursão caça-votos.
“Todo mundo sabe que o ministro da Fazenda, Eliseu Rezende, é um canalha que tem compromissos com empreiteiras”, afirmou o futuro camelô da Odebrecht.
Depois de acusar o presidente de omisso, emitiu seu parecer: “O Itamar é um filho da p***”.

folha Itamar

“Gostaria de saber o que aconteceria (…) se este indivíduo arrogante e elitista fosse o Presidente da República e alguém o chamasse disso”, replicou Itamar no bilhete divulgado dois dias depois pela assessoria de imprensa do Planalto.
Agora se sabe o que aconteceria: Lula faria o que tem feito desde o fiasco de Dilma no Itaquerão.

Caprichando na pose de debutante na primeira valsa, iria jurar que aprendeu ainda na infância a jamais dizer nome feio.
A usina de palavrões e grosserias aprendeu a mentir (e a xingar) antes de aprender a engatinhar.

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23 de junho de 2014

FOTO DO DIA


Mais um na conta do até agora artilheiro isolado da Copa, o Neymar. Foto: Jefferson Bernardes / Vipcomm

                         Brasil goleia Camarões e se classifica

 
23 de junho de 2014

RECADO DOS GENERAIS

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=nGh3fl-Zyd


Vídeo que circula entre militares e já no youtube, com recado direto das legiões aos civis...

23 de junho de 2014


http://lorotaspoliticaseverdades.blogspot.com/2014/06/recado-dos-generais.html
 

O HUMOR DO DUKE

Charge O Tempo 23/06
 
 
23 de junho de 2014



 

FRAUDES DE SENHA: INFOSEG

A IMINENTE CALAMIDADE DA ÁGUA NA SÍRIA

 

Duas reportagens do Al-Akhbar de Beirute apontam para problemas de água, potencialmente catastróficos, prestes a atingirem a Síria.Os problemas menores estão em Aleppo, onde morteiros e bombas de barril têm diminuído, mas os rebeldes islamistas desligaram o abastecimento de água potável da cidade, forçando os residentes de Allepo, que se encontram em áreas controladas pelo governo, a dependerem de poços e caminhões de água, limitada, contaminada e cara.

Filas de mulheres e crianças "acabaram se tornando lugar comum diante de chafarizes das mesquitas e poços do governo com o objetivo de encher vasilhames como panelas, bules de chá, garrafas pet bem como pequenos barris". Segundo um funcionário do Crescente Vermelho na Síria, "a situação sinaliza um desastre humanitário e de saúde".

O problema mais grave está relacionado ao Rio Eufrates, a segunda maior hidrovia do Oriente Médio. Praticamente todo volume de água tem origem na República da Turquia, da qual flui para a Síria e para o Iraque, desbocando no Golfo Pérsico.

Ele fornece cerca de um terço do abastecimento de água da Síria. Nas últimas semanas, o governo turco impediu por completo que as águas do Rio Eufrates deixassem a Turquia e fluíssem para a Síria, o que é possível de se fazer através do gigantesco reservatório que fica atrás da barragem de Atatürk.
Duas gigantescas barragens ao longo do Rio Eufrates criaram dois reservatórios enormes, um atrás da barragem de Atatürk na Turquia (na parte superior à direita) e outro atrás da barragem de Tabqa na Síria (na parte inferior à direita).

Isso ameaça a Síria e o Iraque com crises de abastecimento de água. Prova disso é a diminuição do nível na maior bacia de água do Lago Assad, na Síria, em cerca de 6,10 metros.
Em questão de dias, cerca de 7 milhões de sírios poderão ficar sem água como também sem eletricidade.

O jornal Al-Akhbar, observa que "tornou-se inevitável interromper o abastecimento de água e não pode ser solucionado, a menos que o governo turco tome a decisão de retomar o bombeamento de água do Eufrates".
Para piorar ainda mais as coisas, o grupo fanático Estado Islâmico no Iraque e na Síria controla a barragem de Tishrin, uma das três barragens do Eufrates.
Uma fotografia do Al-Akhbar mostra a forte baixa nas águas do Lago Assad atrás da Barragem de Tabqa na Síria.
 

23 de junho de 2014
por Daniel Pipes
( de Junho de 2014 )
Original em inglês: Syria's Looming Water Calamity
Tradução: Joseph Skilnik

Comentários:

(1) A guerra civil na Síria está ficando cada vez mais violenta, cruel e selvagem, nenhuma surpresa, dado que os islamistas, tanto nacionais quanto estrangeiros, dominam os combates em ambos os lados.

(2) O Rio Eufrates possui um dos sistemas de distribuição de água mais voláteis e perigosos do mundo, a Barragem de Mossul no Iraque, por exemplo, pode entrar em colapso, matando milhões de pessoas. Volto a dizer, dados os três países envolvidos (Turquia, Síria e Iraque), também não é nenhuma surpresa.

(3) Se a desidratação matar um número expressivo de sírios, a opinião pública do Ocidente provavelmente se manifestará em favor de uma intervenção.

(4) O governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) da Turquia já se mostrou insensível no que tange a perda de vidas (basta lembrar do desastre da mina de carvão de Soma). Mas, será que o Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdoğan está realmente prestes a cometer um genocídio? 1 de junho de 2014
Tópicos Relacionados:  Síria, Turquia e Turcos

VAMOS VARRER O PT!

 
 


 A grandeza de um País depende de seu povo...

 
O SUS ficou em último lugar em levantamento feito em 48 países. Em doze anos o governo do PT deixou de aplicar R$ 94 bilhões de Reais na Saúde Pública, e o SUS perdeu treze mil leitos.
A imensa maioria dos brasileiros internados nos hospitais públicos está sendo jogada em macas, ou no chão – onde quase sempre morrem.
Outra multidão morre nas longas filas sem conseguir atendimento...
 
Quando o governo deixa seu povo morrer nos corredores dos hospitais - está na hora do povo mudar o voto...
 
 
 
 
 
 
23 de junho de 2014
Blog SGT Sarides

 

"NÓS" CONTRA TODO MUNDO

BRASÍLIA - O ex-presidente Lula, como sempre a estrela da convenção do PT, ampliou indefinidamente os inimigos a serem combatidos com "adrenalina" pelos petistas: em vez de centrar fogo nos governos tucanos, em Aécio Neves e em Eduardo Campos, ele abriu a metralhadora giratória para guerrear contra os séculos anteriores, contra os 500 anos de história brasileira.

O grito de guerra, portanto, passou a ser "nós" contra todo mundo, contra tudo e todos os que não votam --ou não votam mais-- no PT e estão sendo jogados numa mesma vala comum: a "direita", os "oligopólios", os "neoliberais", a "mídia", o "capital especulativo", os "antipopulares". Se você, leitor, ousa apoiar outras candidaturas, pode tentar se encaixar num desses estereótipos.

Além de reaquecer a militância, ainda um dos bons ativos do PT, a estratégia foi também para mexer com os brios, constranger e provocar o imaginário do eleitorado mais bem informado. Afinal, quem quer, e quem pode, ser contra o povo, contra os pobres, contra a grande maioria da população brasileira?

Mas, já que mais de 70% dos eleitores defendem "mudanças", a convenção centrou o discurso e as energias na "esperança" e no "futuro" (contra os "agourentos", como disse Rui Falcão, presidente do PT).

Lula, que tratou a ele mesmo e a Dilma como "criador e criatura", precisou admitir indiretamente que nem tudo está tão bom, na medida em que prometeu: se Dilma ficar, o segundo mandato "vai ser muito melhor".

E Dilma, também para suplantar as críticas a seu governo e para dar o fecho de ouro à fala de Lula sobre a guerra contra os séculos, fez uma longa lista de programas, focando nos sociais, e jogou as expectativas na estratosfera: mais do que meras "mudanças", comprometeu-se com "um novo ciclo de desenvolvimento, um novo ciclo histórico".

O principal: Lula e Rui Falcão admitiram claramente que não será uma eleição fácil. Não será mesmo.

 
23 de junho de 2014
Eliane Cantanhede, Folha de SP

SEM SALTO ALTO


A convenção do PT que aclamou a presidente Dilma como sua candidata à reeleição trouxe a boa notícia de que o partido, fora algumas poucas exceções, decidiu não incorporar a política do ódio às elites à sua estratégia eleitoral, como sugerira o ministro Gilberto Carvalho em uma extemporânea entrevista a blogueiros chapa-branca.
Carvalho parecia fora do tom oficial, mas estava apenas alertando que o caminho escolhido estava errado, já que reconhecer os problemas é a primeira coisa a fazer para tentar superá-los.

O próprio ex-presidente Lula, com uma modéstia que não é de seu feitio, ontem comparou a candidatura de Dilma à seleção da Costa Rica, que vem fazendo furor na Copa do Mundo ao derrotar seguidamente o Uruguai e a Itália e classificar-se antecipadamente no chamado "Grupo da Morte".

Como a presidente Dilma continua liderando as pesquisas de opinião, embora em decadência na avaliação do eleitorado, aceitar que ela já não é a favorita deve ter custado muito a Lula e ao PT. Também o ministro Gilberto Carvalho deu declarações no mesmo sentido, admitindo que é preciso reverter o quadro eleitoral, embora ele ainda seja favorável à candidata do PT: "Vocês não tenham dúvida de uma coisa, eu tenho convicção, quando a campanha eleitoral começar e nós pudermos mostrar o nosso projeto...

nós vamos reverter esse processo", disse ele.

É legítimo supor que a direção do partido sabe exatamente para que lado o vento está soprando, justamente esse vento de mudanças que o principal candidato oposicionista, o tucano Aécio Neves, anuncia que se transformará em uma tsunami que varrerá o PT do poder.

As mais recentes pesquisas eleitorais mostram uma série de visões negativas sobre todos os aspectos do governo Dilma, que aponta para novas quedas de popularidade à medida que o tempo passa. Aos que pensam em reverter esse quadro apenas com a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o ex-presidente Lula fez uma advertência: não é só com propaganda bem feita que se vencerá a eleição, mas mostrando os resultados dos 12 anos de governo do PT em comparação com os governos anteriores, especialmente do PSDB.

Fora a obsessão por Fernando Henrique Cardoso, que beira o ridículo - ontem se referiu ao ex-presidente tucano como "ele", sem pronunciar o nome -, Lula deu algumas pistas interessantes sobre a eleição presidencial que se avizinha. O "nós" contra "eles" continua sendo a tática, mas, ao que tudo indica, pelo menos neste começo de campanha, a comparação será feita com dados e números, não com agressões.

Será uma tarefa difícil tentar convencer os cerca de 70% dos eleitores que querem mudanças sem a presidente Dilma que ela está capacitada a liderar esse processo de renovação, mas o slogan da campanha já mostra essa disposição: "Muda mais, Brasil".

Pode ser um tiro no próprio pé se não convencerem os eleitores de que o país pode mudar com mais quatro anos com o PT no governo. Mas não há dúvida de que a presidente Dilma começou bem a campanha, apresentando um "Plano de Transformação Nacional", tentando jogar para frente o debate eleitoral.

Certamente será questionada sobre sua capacitação para transformar o país, se nos últimos quatro anos não conseguiu fazer a economia se desenvolver. A desculpa dada no discurso de ontem de que ela e Lula herdaram uma herança maldita difícil de ser superada é uma desculpa esfarrapada, que certamente será contestada pelos adversários de oposição.

Mas começar a campanha sem salto alto e consciente de que esta será uma disputa presidencial mais difícil e dura que qualquer outra já travada pelo partido, como admitiram vários dirigentes petistas, mostra que o partido está em alerta e disposto a enfrentar as dificuldades, o que exige uma militância aguerrida nas ruas.

A questão é que essa militância já não tem mais aquela alma que a distinguia da dos demais partidos, assim como o PT transformou-se em mais um na geleia geral partidária brasileira. Porém, o PT é de longe o partido mais bem equipado para a disputa eleitoral, dado sua estrutura e organização nacionais e o dinheiro que vem arrecadando ao longo dos anos em que está no poder.

23 de junho de 2014
Merval Pereira, O Globo

NEM XINGAMENTOS, NEM VITIMIZAÇÃO

Acreditar que aqueles que xingaram Dilma são integrantes da "elite branca e conservadora" é um insulto à inteligência do brasileiro

É inaceitável numa democracia que um presidente da República seja xingado publicamente de modo grosseiro, especialmente num evento do porte da abertura da Copa do Mundo, vista por mais de 3 bilhões de pessoas em todo o planeta.

É grosseiro, merece nosso repúdio, mas não podemos esquecer o contexto que levaram milhares de pessoas a xingar a presidente Dilma Rousseff no Itaquerão. E muito menos aceitar a "vitimização" que o PT pretende impor à sociedade em mais uma de suas "armadilhas" em lançar falsas questões em falsos debates, com falsos argumentos.

Acreditar que aqueles que a xingaram são "cretinos", "facínoras", integrantes da "elite branca e conservadora" é um insulto à inteligência do brasileiro e é imaginar que ele não tem memória ou capacidade de interpretar gestos políticos.

Por anos o PT e seus principais dirigentes atacaram duramente a figura do presidente da República, qualquer que fosse o ocupante da principal cadeira do Palácio do Planalto. Os ex-presidentes José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, todos eles sofreram agressões grosseiras de Lula e de outros próceres do partido. Na fila de desafetos petistas incluem-se Mário Covas (chegou a ser agredido fisicamente), José Agripino e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, inclusive ameaçado de morte.

Essa sempre foi a estratégia política do partido da atual presidente da República, desde a sua fundação. A de agredir quem pensa diferente, a de acirrar os conflitos em dicotomias simplistas --"elite branca" versus "maioria negra"-- e a de não respeitar a decisão da maioria, como nos episódios da campanha do "Fora FHC" e da Constituição de 1988, que resistiram a assinar.

Agora tentam utilizar o episódio do Itaquerão para reverter a situação e "vitimizar" a presidente Dilma Rousseff na figura de mulher, "mãe de família", "avó indefesa", para obter ganhos políticos eleitoreiros. Esquecem, propositadamente, que a própria Dilma Rousseff usou o dinheiro público na rede nacional de rádio e TV para estimular o conflito. Contribuiu com uma safra de ofensas que incluiu expressões pouco republicanas para a liturgia de seu cargo, como "derrotados", "fantasmas do passado".

Tentam, ao vitimizá-la, ludibriar a opinião pública e fazer com que se esqueça que, por trás das vaias e dos grosseiros xingamentos, existem insatisfações concretas na população, que já se materializaram nas ruas em junho do ano passado.

A economia vai mal, a inflação recrudesce, os juros sobem e a corrupção grassa solta. Os gastos astronômicos e superfaturados das obras da Copa, o inexistente legado e a incompetência em cumprir o prometido comprometeram a imagem do governo e do país, aqui e no exterior, como indicam as pesquisas.

Mesmo assim, numa vã tentativa de iludir a população, eles fingem que essas informações não se referem à gestão deles. Esse é o quadro, inaceitável numa democracia. Não podemos deixar mais esse exercício cínico de vitimologia do PT prosperar. Precisamos desmascará-lo e garantir um regime democrático pleno, sem xingamentos, mas sem mentiras nem vitimização.


23 de junho de 2014
Ronaldo Caiado, Folha de SP

MANHAS E MANIAS DA POLÍTICA

O jogo político não tem sido tão descontraído e festivo quanto as disputas que animam as galeras nos 12 estádios que sediam o maior espetáculo do futebol mundial. Na arena eleitoral as batalhas se acirram com a entronização dos candidatos nas convenções partidárias, incentivando espadachins a desferir golpes em todas as direções. As estocadas recíprocas revestem-se de surpreendente e contundente expressão, a revelar que o pleito antecipado (legalmente só poderá chegar às ruas em 6 de julho) já se mostra o mais virulento da contemporaneidade. Trata-se, afinal, não só de uma guerra entre três candidatos competitivos, mas de uma luta esganiçada pela continuidade ou mudança de rumos na condução do País a partir de 2015. Enquanto os contendores se engalfinham, os torcedores se comprazem confraternizando com torcidas estrangeiras e fruindo as performances dos atletas, com o apito pronto para evitar que se chute a bola de candidaturas nos gramados.

Essa, aliás, é a primeira explicação para apupos às autoridades nos eventos esportivos. A massa, sem distinção de classes, abomina misturar política, futebol e religião. Sabe guardar cada coisa em seu lugar. E conhece bem a primeira regra dos estádios: não há limites para as expressões, mesmo as chulas, reveladoras de deseducação cívica, como as ouvidas no jogo inaugural da Copa. O distanciamento entre a sociedade e a esfera política é um real fenômeno que pode ser avaliado por muitos instrumentos: índice de abstenção, votos nulos e em branco (ultrapassando hoje a casa dos 30%) e desinteresse geral pela eleição (em torno dos 50%). O imenso vazio aberto é ocupado por novos polos de poder, uma estrondosa tuba de ressonância que dá vazão ao clamor de grupos organizados.

Como atrair o interesse de eleitores de todas as faixas, que tendem a nivelar por baixo todos os representantes e demonstram esgotamento com os atores políticos? Eis o nó da questão. Em torno dele se debruçam candidatos, porta-vozes e cabos eleitorais, cada qual buscando a melhor mensagem para o momento.

No plano dos discursos, o PT esforça-se para dar credibilidade a um escopo ideológico que ainda causa receio a ponderável parcela do eleitorado. É um partido que vê, muito assustado, a corrosão de sua identidade, a mais confiável 20 anos atrás. Teme ser desalojado do primeiro andar do poder. Sente que já não tem tanto respaldo popular quanto nos dourados anos da era Lula, de quem espera papel de vanguarda na estratégia de continuidade.

Por isso Luiz Inácio, valendo-se do conhecido instinto desenvolvido ao longo do contato direto com as massas, resgata o velho axioma de guerra: a melhor defesa é o ataque. Ataque contra a imprensa, contra as elites, contra quem cospe no prato em que comeu, contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que teria "comprado" apoio no Congresso ao projeto da reeleição). O tiroteio faz recuar exércitos adversários, obrigando-os à defesa. Mestre na arte da prestidigitação, o ex-metalúrgico anteontem era João Ferrador, ontem, "Lulinha paz e amor" e hoje volta a ser o gigante Ferrabrás.

Lembrando: em 1972 Lula vestia a camiseta do João Ferrador, personagem criado pelo jornalista Antônio Felix Nunes para apresentar as reivindicações dos metalúrgicos. "Hoje eu não tô bom" era o bordão do raivoso Ferrador. Em 2002 adotou o slogan "Lulinha paz e amor", contrapondo-se ao perfil combativo e sisudo das eleições de 1989, quando recebeu de Leonel Brizola a alcunha "sapo barbudo". Passou a ecoar o slogan "a esperança vencerá o medo". Foi um tento. Hoje tenta recompor o dito sob nova roupagem: "A esperança vencerá o ódio". Neste ponto, emerge a dissonância.

O ódio faz parte da estratégia lulista quando procura resgatar a polarização entre petistas e tucanos, identificando os primeiros com os pobres e os segundos com os ricos. A questão, porém, é mais complexa. Os habitantes do meio da pirâmide social e parcelas das bordas já estão vacinados contra refrãos carcomidos pela poeira do tempo. O slogan das ruas é outro: mais e melhores serviços públicos. Não acreditam que estatutos como o Bolsa Família serão extintos, qualquer que seja o futuro presidente. Já aos tucanos interessa acender a tocha da polarização, crentes de suas chances no pleito deste ano. Fernando Henrique vai à trincheira em resposta à crítica de que teria "comprado" apoios para aprovar a reeleição: "Lula vestiu a carapuça".

Depois de ter brilhado na constelação da ética, o PT aparece nas pesquisas como o ente que mais encarna o vírus da corrupção. Mesmo assim, aposta na dualidade "nós e eles", o bem e o mal. E continua a desprezar os parceiros partidários da aliança governista, alargando seu império na administração federal. Haja sofisma, a denotar um duplo padrão ético que lembra a resposta do rei africano sobre o bem e o mal dada ao pesquisador Carl Jung: "O bem é quando roubo as mulheres do meu inimigo, o mal é quando o inimigo rouba minhas mulheres". Nessa toada a campanha eleitoral, já começada, cerca-se de grandes interrogações. A aposta maior é a de que os rumos finais serão ditados pelo andar da carruagem econômica: maior inflação, aumento do desemprego, barrigas roncando, massas apertando o cerco, pior para a presidente Dilma, melhor para as oposições; a recíproca é verdadeira.

As manias e manhas que marcam as práticas eleitorais e o marketing - a execração recíproca, a autoglorificação de perfis, o disfarce e o embuste, as promessas mirabolantes - começam a disseminar-se com o fito de projetar imagens positivas e negativas para uns e outros. O eleitor continua arredio. Sua visão se concentra nas arenas esportivas e não nas praças da guerra eleitoral. Uma certeza é cristalina: o clima de 2014 é bem diferente da temperatura de 2010. Estreita-se o espaço da mistificação.

 
23 de junho de 2014
Gaudêncio Torquato, O Estado de S.Paulo

OS CARTÉIS DOS ÔNIBUS GANHARAM A COPA

No final de maio, com jeito de quem não quer nada, o Congresso aprovou e enviou ao Planalto o texto final da medida provisória 638. Nele, uma emenda destacada pelo senador Romero Jucá estabeleceu que as concessões de linhas de ônibus interestaduais serão distribuídas num regime de autorização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. A Constituição diz que isso deve ser feito em licitações públicas. Aquilo que a lei manda, e que o governo sempre prometeu fazer por meio de um processo racional e transparente, ficará na dependência das canetadas de transportecas. Serão canetadas num mercado de R$ 4 bilhões anuais, onde há 2.100 linhas, operadas por 210 empresas. Delas, 25 controlam metade do mercado. Vale lembrar que 2014 é um ano eleitoral e uma

parte do ervanário desse setor rola em dinheiro vivo. Nenhum parlamentar de qualquer partido ou candidato à Presidência da República reclamou. Todos, contudo, defendem a racionalização, transparência e moralização das concessões de transportes públicos.

Nesse mundo acontece de tudo. No tempo do DOI-Codi, havia a intimidade do senador Camilo Cola (Viação Itapemirim) com a turma do porão. Ele tinha um patrimônio declarado de US$ 154 milhões e informava um rendimento mensal de R$ 10 mil à Receita. Em tempos de PCC, houve a presença de seus representantes numa discussão em torno das vans de São Paulo. No encontro esteve o deputado estadual petista Luiz Moura, destacado integrante da corrente PTLM (PT de Lutas e de Massa), onde brilha o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

A medida provisória 638 saiu do Planalto com a elegância de Van Persie e voltou do Congresso com a truculência de um Pepe. Chamava-se "Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores" ou "Inovar-Auto". Tinha dois artigos, mas ganhou cerca de 30 contrabandos.

Desde o século passado, o governo anuncia que reordenará o setor de transportes com leilões e licitações. Em 2001, quando um projeto permitia a renovação das concessões por 15 anos, o deputado Aloizio Mercadante denunciava: "Isso é um escândalo. Onde está o ministro dos Transportes (...)? Ele é omisso ou conivente". Em 2008, o governo disse que abriria uma licitação para leiloar 1.600 linhas. Nada, ficou para 2009, 2011 e 2013. Em todas as ocasiões, os empresários do setor combateram os modelos apresentados, sempre seguindo a canção: "Quem está fora não entra, quem está dentro não sai". Às vezes, provavam que o governo estava legislando sobre coisas que não entendia. Em outros casos, os transportecas aceitavam as exigências destinadas a impedir o aparecimento de novos concorrentes.

Com o truque da MP, todo o poder irá para a ANTT. Sua maior glória vem de algo que não fez. Felizmente, não conseguiu tocar a maluquice do trem-bala.

Os transportes públicos urbanos são cartéis blindados em caixas-pretas. Os interestaduais funcionam melhor, mas repousam sobre uma estrutura legal caótica. O governo prometia que um dos legados da Copa seria a melhora da mobilidade urbana. Abandonou grandes obras prometidas para as cidades e aproveitaram a Copa para empurrar um retrocesso institucional na malha interestadual.

NA TRAVE

O ministro Teori Zavascki ficou devendo uma homenagem ao juiz federal paranaense Sergio Moro.

Em maio, Zavascki mandou soltar o petrocomissário Paulo Roberto da Costa, que Moro mandara para a cadeia meses antes. Dias depois da decisão de Teori, baseado na descoberta de US$ 23 milhões em contas suíças do ex-diretor da Petrobras e na posse de um passaporte português, Moro mandou prendê-lo de novo.

Bateu na trave. Zavascki não sabia dos novos detalhes, e o petrocomissário não estava condenado, mas, se ele tivesse fugido, iria para sua biografia mais

uma libertação esquisita determinada por ministros do STF. Num caso estelar, Gilmar Mendes mandou soltar o médico Roger Abdelmassih, condenado a 276 anos de prisão pelo estupro de clientes. Está sumido desde 2009.

PSB ORGIÁSTICO

O doutor Eduardo Campos diz que seu PSB faz política com novos métodos, rompendo a dicotomia PSDB-PT. Dito isto, aliou-se ao PSDB em São Paulo e ao PT no Rio.

Essa nova política teve a virtude de produzir uma novidade a um só tempo inteligente e divertida.

É a definição dada pelo deputado Alfredo Sirkis para o flerte do

Rio: "Coligação orgiástica". (Ele usou também outra expressão, menos dominical.)

JBS

Há um ano, o grupo empresarial JBS comprou o Canal Rural, emissora especializada em atender a audiência do agronegócio. Sendo um dos maiores processadores de alimentos do mundo, seu interesse na operação relacionou-se com um serviço aos seus produtores e clientes. Nada mais. O grupo JBS não pensa em se meter em empreendimentos jornalísticos.

O NOVO CAPITALISMO DE ESTADO

Saiu pela editora da Universidade Harvard o livro "Reinventing State Capitalism" (reinventando o capitalismo de Estado), dos professores Aldo Musacchio, de Harvard, e Sérgio Lazzarini, do Insper. É uma aula para quem quiser entender o que são (ou foram) as "campeãs nacionais" do BNDES, as acrobacias da Petrobras ou as manobras do governo na Vale, tanto na hora de privatizá-la como na ocasião em que Lula enquadrou-a, com a eventual ajuda de Eike Batista.

O professor Lazzarini já havia estudado as conexões de tucanos e petistas com os cofres da Viúva no seu "Capitalismo de Laços", publicado em 2011. Agora, ele e Musacchio pesquisaram um fenômeno que vai além do Brasil. Se aqui surgiu a JBS com investimentos do BNDES, que é seu maior acionista minoritário, na China o governo alavancou o Agricultural Bank. Eles mostram que, depois da onda de privatizações do século passado, o capitalismo de Estado reinventou-se. Viúvas de todo o mundo tornaram-se acionistas minoritários, com um braço forte capaz de prevalecer quando lhe interessa, como aconteceu na Vale. Mostram que, para o bem ou para o mal, há por aí um novo fenômeno.

Musacchio e Lazzarini navegaram pelos balanços, cruzaram desempenhos de empresas e doações de campanhas eleitorais. Estudando a origem dos executivos de 250 estatais brasileiras entre 1973 e 1993, construíram um banco de dados com 467 biografias. Num balanço, aqui e ali encontraram lombadas, mas o trabalho não estimulará a satanização do Estado.

"Reinventing State Capitalism" está na rede por US$ 41,73, contra US$ 44,03 para a edição de papel.

 
23 de junho de 2014
Elio Gaspari, O Globo

DEBACLE ARGENTINA É LIÇÃO PARA O BRASIL

Além de reflexos no Mercosul e em todo o continente, os previsíveis problemas do vizinho comprovam o equívoco que é a diplomacia companheira do lulopetismo


A crise argentina se aprofunda com o risco de mais um calote externo, depois que a Suprema Corte americana acolheu demanda de fundos especulativos, “abutres”, que não aceitaram os termos da última renegociação da dívida do país e agora desejam receber os créditos pelo valor integral. A dimensão potencial do problema é expressa por duas cifras: se outros credores, em condições idênticas, quiserem o mesmo, a Argentina terá de desembolsar US$ 15 bilhões no dia 30, cerca da metade dos US$ 28 bilhões das reservas do banco central.

Este cenário drástico para a fase final do segundo mandato de Cristina Kirchner — as eleições presidenciais serão no ano que vem — está previsto há algum tempo, pois a derrota argentina na Justiça americana era uma possibilidade concreta.

Esse desfecho começou a ser desenhado pela postura arrogante do marido de Cristina, Néstor Kirchner, quando era presidente, na imposição de condições draconianas na renegociação da dívida, tornada impagável no rompimento da política de câmbio fixo, em dezembro de 2001.

Mesmo que aquelas condições fossem inexoráveis, a postura política argentina revogou qualquer chance de entendimento. Tudo condimentado por um conhecido discurso nacional-populista, marca registrada do peronismo kirchnerista.

O aprofundamento da crise do país — sem divisas em nível tranquilizador, com inflação em 30% e economia em recessão — marca o esperado esgotamento de um modelo heterodoxo intervencionista, de que resultou a fuga dos investidores e a marginalização da Argentina no mundo.

Embora tudo muito previsível, a diplomacia companheira do lulopetismo, à qual se subordina o Itamaraty, levou a política de comércio externo brasileira a concentrar suas apostas em aliados ideológicos latino-americanos, como a Argentina e Venezuela, esta colocada para dentro do Mercosul numa manobra da Casa Rosada e do Planalto, de que foi vítima o Paraguai. E assim, o Mercosul tem hoje dentro dele duas bombas de demolição em contagem regressiva. As consequências já começaram a ser colhidas há algum tempo. Por ser mercado estratégico para as exportações brasileiras — hoje, o terceiro em importância, atrás de China e Estados Unidos —, a Argentina, com sua crise, tem agravado a tendência de déficits externos do Brasil.

O volume do comércio entre os dois países, no ano passado em US$ 36 bilhões, já encolheu 11% desde 2011. A indústria brasileira, sem competitividade para ocupar outros mercados, tinha a Argentina como cliente preferencial. Hoje, cada vez menos.

Além de todas as implicações para o Mercosul e todo o continente, a debacle argentina demonstra como é alto o preço que se paga quando se definem estratégias externas inspiradas em paixões ideológicas.

 
23 de junho de 2014
Editorial O Globo

TUDO CULPA DA MÍDIA

O PT não desiste: é tudo culpa da mídia. Depois de Lula ter proclamado aos quatro ventos que o lamentável episódio das ofensas dirigidas a Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo foi obra da "zelite", seu homem de confiança no Palácio do Planalto, o ministro Gilberto Carvalho, manifestou opinião diversa, mas não necessariamente divergente, que na verdade "aprimora" o argumento petista: a culpa é da "pancadaria diária" dos meios de comunicação no lombo do PT e de seu governo.

Ajudam a entender as intenções do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência as circunstâncias em que ele se manifestou. Circunstâncias que, de resto, demonstram claramente o que o PT entende por "democratização da mídia": uma reunião, no Palácio do Planalto - patrocinada, portanto, com recursos de todos os brasileiros -, com blogueiros e ativistas militantes ou simpáticos ao lulopetismo, convocados para tratar da necessidade de se articularem e unificarem o discurso contra a "direita militante que não havia antes", para fazer "o debate da mídia para valer" (não ficou claro se o "para valer" se referia ao debate ou à mídia).

Não é a primeira vez que os blogueiros e comunicadores ativistas simpáticos ao PT são convocados para debater seu peculiar senso de exercício democrático do jornalismo. Com Lula já estiveram, recentemente, duas vezes, a última no dia 8 de abril. E desses encontros saem sempre com munição adequada para atacarem nas redes sociais os adversários, aliás, "inimigos" do PT.

E não foi com outro objetivo que Gilberto Carvalho, o responsável no governo pela articulação dos "movimentos sociais" manipulados pelos petistas, reuniu a tropa, nunca é demais registrar, na sede do Poder Executivo, bem pertinho do gabinete da presidente da República. O tema dominante na agenda do encontro foi a luta pela aprovação do polêmico decreto da Presidência que cria conselhos de participação popular para a formulação de políticas públicas em todo o aparelho estatal.

Carvalho enfatizou a necessidade de articulação política de todos os comunicadores que apoiam o governo com base no argumento central dos ideólogos do partido e da campanha eleitoral petista: o País está dividido entre "esquerda" e "direita", esta fortemente apoiada pela "mídia conservadora e hegemônica". E foi neste contexto que, para reforçar a argumentação, chamou a atenção para o episódio do Itaquerão: "Lá no Itaquerão não tinha só elite branca! Eu fui para o jogo, não no estádio, fiquei ali pertinho numa escola, para acompanhar os movimentos. Eu fui e voltei de metrô. Não tinha só elite no metrô não! Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha nada a ver com elite branca".

E, mais adiante: "A coisa desceu! Tá? Isso foi gotejando, água mole em pedra dura, esse cacete diário de que não enfrentamos a corrupção, que aparelhamos o Estado, que nós somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou! Na classe média, na elite da classe média e vai gotejando, vai descendo! Porque não demos combate, não conseguimos fazer o contraponto. Essa eleição agora vai ser a mais difícil de todas".

Seria ingênuo imaginar que Carvalho estaria fazendo um exame de consciência, um ato de contrição e reconhecimento da incapacidade petista de transmitir sua mensagem às massas. Muito ao contrário, simplesmente reafirmou a tática de vitimização daqueles que começam a se desesperar diante da possibilidade crescente de verem ruir seus planos de permanecer no poder a qualquer custo.

As manifestações dos ativistas, por sua vez, foram pontuadas por críticas à "incapacidade" do governo de neutralizar a "mídia golpista" e pelas soluções recomendadas para o problema: o "controle social" dos meios de comunicação e o apoio do Estado, com injeção de abundantes recursos, àqueles que se dedicam a "defender as causas sociais". Houve até quem reclamasse do fato de o governo não usar a emissora pública TV Brasil: "Eu sei que o senhor não é o dono da TV Brasil, mas a TV Brasil não entra em nada! É preciso que o governo assuma seus riscos para animar os que estão assumindo riscos do lado de cá". Colocada a questão nesses termos, resta saber o que os "do lado de lá" vão dizer nas urnas de outubro.

 
23 de junho de 2014
Editorial O Estadão

MAIS DO MESMO

Novo pacote de incentivo do governo Dilma Rousseff repete medidas já experimentadas e que não trouxeram grande resultado

O novo pacote de incentivo à indústria é mais um testemunho de que ainda não há compreensão no governo Dilma Rousseff (PT) sobre as razões de fundo para o desempenho anêmico da economia.

O anúncio veio com o carimbo eleitoral. A presidente quer melhorar sua imagem entre os empresários, que a veem com desalento.

Nesse intuito, porém, recorre à velha fórmula dos últimos anos: agrados pontuais sem conexão com uma estratégia de resgate da competitividade industrial. Com isso, não há condições de imprimir dinamismo ao setor.

Duas das principais medidas são a volta do Reintegra, mecanismo que devolve impostos aos exportadores, com uma alíquota simbólica de 0,3%, e a prorrogação do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), do BNDES, que financia máquinas e equipamentos com juros subsidiados.

Haverá também condições ainda mais favoráveis para o parcelamento das dívidas de empresas com o fisco. A frequência com que se recorre à renegociação de obrigações vencidas é preocupante, pois incentiva a sonegação.

Por fim, mais setores terão preferência nas compras públicas, com alíquota de 25% --isto é, itens produzidos no Brasil vencerão concorrências mesmo se forem mais caros que congêneres importados.

Muitos países adotam tal política em segmentos sensíveis. Nos EUA, por exemplo, a defesa nacional é sempre privilegiada. Por aqui, se a medida não estiver ligada a objetivos de longo prazo, não passará de mero protecionismo.

Todos esses programas já existem, ou existiram, e não trouxeram grande resultado. Além disso, espanta a inexistência de análises transparentes sobre custos e benefícios, dado o volume dos subsídios envolvidos. No fim de 2013, o governo elevou o limite de financiamentos nesta modalidade para R$ 372 bilhões.

A verdade é que não há na equipe econômica nenhum pensamento estratégico sobre o problema da competitividade, e o governo insiste num caminho que não tem levado à expansão do investimento.

O equívoco do diagnóstico fica ainda mais nítido quando se vê o ex-presidente Lula pedir mais incentivo ao crédito e mais disposição das famílias para gastar. Não percebe que o momento é diverso daquele de seu segundo mandato.

Os desafios para retomar o crescimento agora são de outra natureza. Cumpre restaurar a competitividade por meio de ações amplas. Mais previsibilidade na gestão econômica e políticas que incentivem a produtividade, em todos os setores, devem substituir o voluntarismo e o improviso que tantos prejuízos têm causado.

 
23 de junho de 2014
Editorial Folha de SP

A MÉDIA QUE NOS COLOCA ABAIXO

Dados do projeto Índice para uma vida melhor mostram que Brasil precisa esboçar, com urgência, uma revolução educacional. Do contrário, não veremos país nenhum


Apenas 34 mil brasileiros acessaram o endereço da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para conferir o Índice para uma vida melhor (www.ocdeindicevidamelhor.org). Desses, 800 responderam ao questionário. Apesar da adesão pequena, os resultados apontam pistas sobre o grau de satisfação da população com o país, e quais expectativas nutrem.

Dos 11 itens da pesquisa, as maiores preocupações nacionais, nessa ordem, são “educação”, “satisfação pessoal” e “saúde”. As menores preocupações são “comunidade” e “engajamento cívico”. Resta saber se os itens mais coletivos importam menos à população ou se, na visão dos respondentes, estão mais bem resolvidos. A pesquisa não responde essa sutileza, mas aponta para tantas outras que podem pautar as políticas públicas. A dizer, os demais itens são moradia, renda, trabalho, satisfação de vida, segurança, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O resultado que mais deu repercussão – negativa – diz respeito à produtividade. De acordo com os índices da OCDE, o brasileiro trabalha mais do que a média dos habitantes de países ricos, mas produz menos e ganha remunerações mais medíocres. Entre os 36 países avaliados, o Brasil tem a pior renda per capita e 11% da população com carga horária semanal superior a 11%. Tudo isso, mesmo sendo a sétima economia do mundo. Soa esquizofrênico: rico, o Brasil tem uma das piores rendas per capitas – algo quatro vezes a menos do que a das famílias médias americanas, por exemplo.

A explicação para tamanha disparidade está na instrução. Com menos tempo de exposição à escola, a população brasileira encontra mais dificuldade em transformar o tempo gasto na vida profissional em resultados. O que mais surpreende os analistas é que, apesar do desempenho pouco vantajoso – não é agradável trabalhar tanto e receber pouco em troca –, 80% dos que responderam ao questionário se dizem satisfeitos com a vida, um índice quatro dígitos mais alto do que a dos outros países.

Assim que o dado da produtividade foi divulgado, houve quem o lesse do ponto de vista mais pejorativo – algo como “o brasileiro trabalha pouco”. Produzir menos não é, contudo, sinônimo de trabalhar menos, mas de não tirar do tempo do trabalho tudo o que ele pode render, usando do raciocínio e da organização, habilidades que melhoram à medida que avança o tempo de exposição à escola.

Os índices educacionais confirmam que o país perde – e muito – por causa desses descompasso, aspecto que compromete as perspectivas de desenvolvimento. Não se tem notícia de país desenvolvido que tenha quadro semelhante. No Brasil, 43% das pessoas entre 25 e 64 anos têm ensino médio. No Chile, esse índice é de 72%. Nos EUA, de 89%. As perspectivas não são muito melhores entre os jovens adultos, em tese, com idade de acertar sua situação escolar: 57% dos brasileiros entre 25 e 34 anos concluíram o ensino médio. Entre os desenvolvidos essa estatística supera 80% da população na mesma faixa etária.

Mesmo em situações de crise, países como a Argentina e a Rússia, para citar dois, se saem melhor, graças à escolaridade. Um engenheiro que esteja trabalhando de motorista de táxi, em Buenos Aires, por exemplo, tende não só a otimizar – como gostam de dizer os representantes do mundo corporativo – como em retornar para seu campo de atuação específica ou migrar para o empreendedorismo.

É questão séria. Difícil não citar aqui a média dos índices educacionais nas zonas de “polícias pacificadoras”, ou o nome que tenha. Em Curitiba e região metropolitana, por exemplo, a faixa nessas zonas favelizadas é de quatro anos de estudo, mesmo entre os jovens adultos. Do que se pode deduzir que os moradores das “zonas congeladas” podem ficar livres da violência, mas permanecem sujeitos à informalidade, situação na qual são vulneráveis ao crime, ativo e passivo. Do que se deduz que sem uma revolução educacional, em paralelo, não há política de segurança pública que funcione.

Em tempo. Esses dados eram conhecidos, antes mesmo da OCDE trazê-los à baila. A cada ano o Brasil perde mais a oportunidade de romper o dique e salvar seus jovens. Não se trata, obviamente, de uma tarefa do Estado, apenas, mas de toda a sociedade. Enquanto as mais diversas instituições não fizeram dessa a sua bandeira, não veremos país nenhum.

 
23 de junho de 2014
Editorial Gazeta do Povo, PR

GÁS É OPORTUNIDADE PARA ATRAIR NOVOS INVESTIDORES

Com a entrada em produção de novos campos no pré-sal, a oferta tende a crescer, e o país precisará de infraestrutura para abastecer o mercado


A abertura do mercado brasileiro de petróleo deu enorme impulso à indústria, especialmente à Petrobras, que conseguiu se livrar de antigas amarras e, sem a armadura do anacrônico monopólio, foi forçada a se tornar uma empresa mais competitiva. Infelizmente, quando esse processo ainda engatinhava, o governo Lula resolveu descer diversos degraus após a comprovação da descoberta de vultosos reservatórios na camada do pré-sal. As consequências de tal retrocesso podem ser percebidas na economia brasileira. O apetite das companhias petrolíferas para investir no país tem diminuído e a Petrobras já não possui folga para financiar todos os projetos de seu interesse e os que fora obrigada a assumir por imposição político-ideológica do governo do PT.

O governo Dilma retomou as licitações, mas já sem o brilho dos anos iniciais da abertura, exatamente pela perda de apetite dos investidores. No pré-sal, realizou a primeira sob o regime de partilha (para o qual apenas um consórcio ofereceu lance), que, espera-se, tenha sido o último em condições pouco atrativas para o conjunto da indústria.

O potencial de crescimento do setor de petróleo no Brasil permanece elevado, mas, para se materializar, depende da multiplicação de investidores que se disponham, inclusive, a fazer mais parcerias com a Petrobras. Por causa do retrocesso já mencionado, o governo terá agora de dar demonstrações claras que investidores são bem-vindos. A cadeia produtiva do gás natural talvez seja uma oportunidade concreta para isso.

O país importa hoje grande volume de gás — mais da metade do consumo. E da Bolívia, por meio de um duto que está no limite de sua capacidade de transporte, ou sob a forma de GNL (gás liquefeito), que é reconvertido em unidades especiais no litoral brasileiro. Há uma demanda crescente pelo gás, tanto para a produção industrial como para a geração de energia elétrica. As limitações de oferta e de infraestrutura é que restringem essa demanda.

No entanto, tudo leva a crer que a curva ascendente da produção de petróleo no pré-sal será acompanhada por um incremento semelhante na de gás. A Petrobras já planeja o transporte para terra firme do gás que for extraído nos poços marítimos, mas a infraestrutura terrestre existente não é suficiente para conduzir toda essa futura oferta para os consumidores. Para que não surja um novo gargalo no setor, o governo deveria ouvir o mercado e estabelecer condições que possam atrair investimentos que se somem aos que estão sendo realizados pela companhia estatal. Um pequeno gasoduto (Guapimirim-Comperj) deverá ser licitado ainda este ano ou início de 2015 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Pode ser um primeiro teste.

 
23 de junho de 2014
Editorial O Globo

CONFLITOS E INSEGURANÇA HÍDRICA


Diante da pior seca das últimas seis décadas, cerca de 1.500 municípios nordestinos decretaram situação de emergência no ano passado. Para evitar o desabastecimento de água, a cidade mineira de Pirapora recorreu ao Judiciário a fim de obrigar a Hidrelétrica de Três Marias a manter uma vazão de 250m³/s. Há poucas semanas, a mortandade de peixes na barragem da usina mostrou quão fragilizada está a bacia hidrográfica do Rio São Francisco. Há franca competição entre o setor elétrico e os múltiplos usuários ao longo do Velho Chico.
A construção de canais destinados à transposição das águas do São Francisco avança pelos estados do Nordeste. A dúvida quanto aos resultados da obra é cada vez maior, considerando a atual redução da oferta de água. No último verão, o volume de chuva em todo o país foi, segundo estimativas, 30% menor do que em anos anteriores. O aquecimento global, somado às intervenções antrópicas, explica o fenômeno.

Desde 2013, o sistema Cantareira, responsável por atender mais de 9 milhões de paulistas, caminha para o colapso. A menor quantidade de chuva e uma distribuição desequilibrada na comparação com anos anteriores exigiram do governo de São Paulo impor punições pecuniárias a quem extrapolar o consumo. Racionalizar o uso se tornou condição sine qua non para evitar um racionamento rigoroso ou a falta total da água para consumo humano.

As tentativas de negociação do governo paulista para obter água do Paraíba do Sul foram frustradas. O governo do Rio de Janeiro nem sequer admitiu discutir a possibilidade, sob o argumento de que haveria comprometimento na oferta de água aos municípios da bacia. O Executivo fluminense ponderou ainda que São Paulo já é atendido por afluentes do Paraíba do Sul, o que tornava injustificável a transposição para suprir o sistema Cantareira.

Em todos esses cenários está evidente o conflito pela água. Em maior ou menor escala, a disputa ocorre em vários cantos do território nacional. No Brasil, essa é mais uma entre as muitas contradições existentes, considerando que o país dispõe de 20% da água potável do planeta, conforme avaliação da Organização das Nações Unidas. Ainda assim, há uma profunda e dramática desigualdade na oferta de água.

Hoje, com os avanços tecnológicos, é possível, com margem de erro mínima, planejar e se antecipar aos fenômenos climáticos que interferem brutalmente na rotina das cidades. Igualmente, é factível fazer distribuição de água e garantir segurança hídrica a toda a população. Para isso, é preciso investir com seriedade, romper com os gargalos impostos pelos interesses exclusivistas de grupos e valorizar o coletivo e, acima de tudo, ter compromisso com os cidadãos.

Apresenta-se como fundamental ainda apostar na educação ambiental, tanto no campo quanto na cidade, para eliminar o desperdício. Cobrar e premiar o setor produtivo que utiliza com responsabilidade o patrimônio natural, de modo a permitir a migração em tempo adequado para uma economia verde. Não dá mais para estabelecer políticas sociais e econômicas dissociadas dos aspectos ambientais. Diferentemente disso, é conspirar contra o planeta e a vida.

27 de junho de 2014
Editorial Correio Braziliense