"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

DILMA, O QUE É QUE VOCÊ ANDA TOMANDO?

Precisamos saber, perguntar, pesquisar, investigar - e tentar comprar também - o que a presidente Dilma anda tomando, comendo, fumando, aspirando no ar enquanto pedala, passando no cabelo como shampoo, até para que possamos fazer o mesmo e nos acalmar de forma divertida diante dessa loucura que assola o Brasil

O país todo à beira de um ataque de nervos. Seja quem quer mudança; seja os que querem continuar atarracados - ouvidos moucos, olhos cegos, esses que, coitados, também já não sabem mais o que fazer e como continuar defendendo o indefensável - que a vida anda bem dura para eles, hein!

A espera é difícil e nós aqui esperando sambando na zazueira que virou. Uma presidente atônita, com os seus atonitozinhos ao redor fazendo trapalhadas, às vezes até nos fins de semana, no exterior. Até quando calados nos dão notícias da situação ao vermos as suas fotos estampadas nos jornais do dia seguinte. Aliás, neste momento, nada melhor e mais significativo do que os registros fotográficos que vêm sendo feitos nas solenidades. Dizem tudo para bons observadores.

O problema é que o negócio todo está ficando esquizofrênico, cada dia mais. O que acaba nos levando no roldão, e creio que nunca se vendeu tanto remédio antidepressivo, calmantes, chás de cidreira. Outro dia, em uma reunião com pessoas da classe dos muitos "As" soube de uma coisa surpreendente, explicada rapidamente por um alto executivo de banco, presente na ocasião: "É a crise". O comentário era sobre o número de pessoas que eles conhecem que ultimamente andam abertamente aderindo ou se aproximando de religiões, digamos, mais do balacobaco, como umbanda e candomblé. Bem que eu já tinha observado a volta de um número grande de despachos nos cruzamentos e encruzilhadas dos bairros nobres, feitos com esmero, frangos robustos depositados em bonitos alguidares de barro. É. É a crise. E é também o desespero da busca por solução - como digo, manter a cabeça fora da água e os pezinhos batendo para não se afogar.

Os humoristas vão acabar perdendo espaço para os políticos, para os governantes, que já devem ter descoberto a poção da Dilma. Cunha bota a mão na boca para conspirar não conspirando; tira, para negar o dinheiro que tem, mas não tem, porque estava no nome dele, mas não é dele, entende? O tucano daqui fica indignado em descobrir quase um ano depois que "alguém" tinha trancado toda a documentação de transportes do Estado numa cápsula do tempo, que só poderia ser aberta daqui a 25 anos. Já pensaram? A gente andando de foguetinho nas vias aéreas, indo para a Lua, ou indo passear em Marte, e aparecem papéis revelando coisas horríveis sobre um tal Metrô que teria existido no final do século passado e começo deste.

Enquanto isso a presidente que fez de tudo para que suas pedaladas reais fossem vistas de forma positiva, e se esgueira toda paramentada passeando de bicicleta no meio dos carros em Brasília, demonstra que deve ter batido a cabeça sem capacete e misturado o tico e o teco. Souberam do discurso do vento que devemos estocar, feito na ONU? Não?

Ipsis Litteris, ela disse: "Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato da água ser gratuita e da gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?" Disse. Disse sim.

Pois é. Ando bem preocupada com a gente e com ela. Semana que vem chega de novo aquele desarranjo do horário de verão (tá, se você gosta, tudo bem, mas eu discuto e vou discutir sempre ordens vindas de cima que mudam nossas vidas), dizem que o calor vai fritar nossas resistências alguns graus a mais por causa do fenômeno El Nino. O PMDB vai continuar mandando, os tucanos tucanando, um monte de peixes caindo na Rede de Marina (que também acho que toma algum chá de cipó), o Levy teimando em bater o pé, o Lula se intrometendo para se safar, a gente batendo panela vazia. Embora tenha quem queira que paguemos o pato, além de dar bom dia a cavalo e amarrar o burro, com estômago de avestruz.

Mas, Dilma, com todo o respeito, os abraços de tamanduá vão levá-la, quase que inevitavelmente, ao canto do cisne, com lágrimas de crocodilo.
São Paulo, nariz tapado, 2015



12 de outubro de 2015
marli gonçalves

REVÓLVER FUMEGANTE, BATOM NA CUECA

Batom na cueca e revólver fumegante são duas imagens que dizem a mesma coisa: uma prova contundente. A imagem brasileira inspira-se na sensualidade, a americana expressa mais uma cultura bélica, tecnológica. O fato é todos entendem que alguma coisa decisiva foi descoberta.
Nos filmes policiais americanos, o revólver fumegante às vezes aparece num simples detalhe esquadrinhado pelos equipamentos científicos. Aqui no Brasil também houve um avanço científico na busca de provas. A Operação Lava-Jato soube recolher e cruzar dados, estabeleceu conexões internacionais. Isso é novo no país. Mas ao contrário de crimes individuais, ele desvenda uma organização que se moveu na confluência pantanosa da política e das grandes empresas. E o faz num período pós-moderno em que ainda tem força a tese de que as evidências não importam e sim as narrativas. Uma variante apenas da antiga expressão: os fatos não interessam e sim as suas versões.
Quando um empresário preso por corrupção em obras da Petrobras afirmou que deu quase dez milhões para a campanha de Dilma, em troca de negócios na Petrobras, já estávamos diante de algo contundente. Ao aparecer em suas anotações uma conexão clara entre o dinheiro, o PT e o resgate do dinheiro da Petrobras, isso configura um batom na cueca. É inevitável que as contas de Dilma sejam analisadas pelo TSE a partir dessa denúncia. Caberá a cada ministro decidir se o empresário deu o dinheiro como propina ou simplesmente pelo amor à democracia.
Da mesma maneira, as contas de Eduardo Cunha na Suíça são um batom na cueca. Ele foi campeão nas citações dos delatores premiados. Um deles afirmou que depositou o dinheiro precisamente em sua conta na Suíça. Um homem sem mandato estaria preso para explicar tudo isso. Mas vamos levando o faz de conta, todos sabendo que o país foi assaltado e por quem foi assaltado. Na cultura sensual brasileira, é conhecida a frase de Nelson Rodrigues de que o homem deve negar sempre um encontro amoroso, mesmo com o batom na cueca.
Isso se estende à política. Na tática Paulo Maluf, por exemplo: não tenho conta na Suíça e essa assinatura não é minha. E na elaborada tática petista: não existe nada estranho, exceto o seu olhar nublado pela ideologia conservadora, elitista etc. Uma medida provisória para isentar a indústria automobilística em R$ 1,3 bilhões em impostos foi assinada por Lula. Uma empresa de lobby gastou R$ 36 milhões com propinas para que isto acontecesse. Desse dinheiro, R$ 2,4 milhão foi pago pela empresa lobista ao filho do ex-presidente. Isso pra mim é batom na cueca. Sempre se pode dizer que foram prestadas consultorias de marketing esportivo. Mas qual grande gigante da indústria gastaria tanto em assessoria de marketing?
Da mesma maneira, no caso do dinheiro de Ricardo Pessoa para a campanha, o nome da Petrobras está grafado como PB: pode se dizer que PB quer dizer dizer Paraíba ou pequena burguesia e assim por diante, neste jogo interminável.
O governo e os partidos que assaltaram a Petrobras não vão sair ilesos. Mesmo se a Justiça for muito sinuosa, se os ministros amigos derem uma pequena ajuda, se alguns formadores de opinião torcerem os fatos, a sociedade já viu, ouviu, leu documentos suficientes para ver o batom na cueca.
Isso não é uma expressão jurídica. É apenas uma constatação ao alcance de todos, uma imagem popular. Não há como negá-la. Dizer que não usa cueca, que a mancha veio da lavanderia? Com as contas reprovadas pelo TCU, o que também é novo no país, o governo ainda tem a campanha sob investigação: tudo vai desabar no Congresso e seus labirintos. Não importa o caminho tortuoso das evidências pelas instituições. A sociedade brasileira já sabe o que aconteceu.
É nessa brecha entre a consciência social e as instituições, algumas aparelhadas pelo petismo, que mora o perigo. Não é preciso grandes termômetros para sentir que sobe a temperatura nas ruas. O escritor moçambicano Mia Couto disse que às vezes pensamos que estamos na nossa cidade, mas ela nos escapa, vivemos apenas um sonho de estar nela. Nesse caso, pensamos que vivemos num país mas ele nos escapa como se fôssemos estrangeiros. Os fatos, o conjunto de leis, tudo isso é relativizado numa esfera longínqua. O batom na cueca, o revólver fumegante se tornaram tão frequentes quanto um guarda-chuva esquecido ou o resfriado na virada do tempo. Mas nunca é demais lembrar que não há nada de errado com nossos olhos: a paisagem é moralmente desoladora. 

Daí a irritação das pessoas que insultam petistas nos lugares públicos. Gritam ladrões, mas no fundo deveriam pedir que lhes devolva um Brasil inteligível, um país em que os fatos evidentes tenham consequência.
No sua dramaticidade cívica, o hino diz: ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil. De fato, o dilema agora é impor a realidade ou viver num outro Brasil, esse estranho país em que os fatos ainda são atropelados pelas versões do poder.


12 de outubro de 2015
Fernando Gabeira

O BRASIL VIROU MAU EXEMPLO

Com exceção de Brasil e Venezuela, a América Latina manteve uma boa imagem na reunião conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizada em Lima, no Peru. A última assembleia na região havia sido em 1967, no Rio de Janeiro. Enormes desequilíbrios marcaram a maior parte das economias latino-americanas, entre o fim dos anos 60 e primeira metade dos 90. Nos primeiros anos do século 21, documentos do FMI começaram a chamar a atenção para os padrões de estabilidade alcançados naqueles países. Seriam duradouros?

Em alguns deles, políticas de baixa qualidade comprometeram os avanços conseguidos principalmente nos anos 90. Mas a nova imagem se mantém para a maioria dos países ao sul dos Estados Unidos. Isso é especialmente significativo num momento de sérias dificuldades para os dependentes de exportações de matérias-primas. Todos crescem menos agora do que nos anos anteriores. Em todos ou quase todos a piora dos preços de produtos básicos afeta a receita de impostos. Além disso, a depreciação cambial se transmite aos preços internos e aumenta o risco de inflação.

O teste é difícil, mas o FMI, o Banco Mundial e os mercados apostam nesses países. Na maioria deles, as contas públicas são sustentáveis. Alguns têm folga para manter o gasto público e dar algum estímulo à economia. A inflação, de modo geral, continua na faixa de 3% a 5%. As taxas de crescimento econômico devem ficar, na maior parte dos casos, na faixa de 2% a 3%, depois de vários anos acima de 4%. Mas ainda serão positivas, apesar dos choques e da desaceleração.

No entanto, a média projetada pelo FMI para a América Latina e o Caribe é um número negativo, -0,3%. A explicação estatística é simples. O peso de duas grandes economias puxa o conjunto para baixo. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve encolher 3%, neste ano, segundo os técnicos do FMI. O da Venezuela deve diminuir muito mais, 10%. Para o Equador também se estima um resultado ruim, um PIB 0,6% menor que o do ano passado, mas o peso da economia equatoriana é muito menor.

O desempenho econômico do Equador, nos últimos anos, foi semelhante ao das economias mais prósperas da região e o país continua com inflação moderada e contas públicas administráveis. Os desafios, no entanto, são muito severos, porque a economia enfrenta dois problemas somados, a queda dos preços do petróleo e a valorização do dólar. Como o país é dolarizado, o efeito do câmbio em sua balança comercial é especialmente severo.

As más condições do Brasil e da Venezuela têm explicações muito menos bonitas. O governo venezuelano desperdiçou recursos e oportunidades quando os preços do petróleo eram muito mais altos. Devastou tanto a agropecuária quanto a indústria, desarranjou as contas públicas, criou inflação e realizou a façanha quase incrível de tornar o dólar escasso num país com um grande setor petrolífero. O PIB da Venezuela diminuiu 4% no ano passado, deve encolher 10% neste ano e recuar mais 6% em 2016, segundo o FMI. A inflação deve bater em 190% em 2015 e continuar subindo no próximo ano. O déficit primário de suas contas públicas deve chegar neste ano a 21,3% do PIB.

O governo brasileiro foi incapaz, até agora, de cometer erros tão espantosos quanto os observados na Venezuela. Mas ninguém deveria menosprezar as tolices acumuladas a partir de 2010, especialmente no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Em relatório sobre a região, economistas do FMI apontaram a crise dos últimos anos como proveniente, em grande parte, de um erro de diagnóstico perpetrado ainda na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As ações de estímulo à demanda acumuladas a partir daí alimentaram uma inflação sempre superior à meta oficial e comprometeram as contas públicas. As condições da oferta foram obviamente negligenciadas. Mas o caso brasileiro envolve também, e isso aparece no relatório, problemas de corrupção e uma severa deterioração das condições políticas. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, elogiou a política econômica do Paraguai e apontou o Brasil e a Argentina como fontes de problemas para a região. Essa é a nova América Latina.



12 de outubro de 2015
Estadão

KEYNES E PANCHO VILLA

Diz a lenda que o bandoleiro Pancho Villa, após a Revolução Mexicana, teria emitido papel-moeda com sua própria efígie e distribuído as notas a rodo numa das regiões pobres, então sob seu comando militar, do país, para tentar impulsionar a economia local. É uma fórmula — claro que não de maneira tão rústica — que muitos governos ainda tentam quando se veem envolvidos pela ameaça de recessão. 
John Maynard Keynes, inspirador de uma escola de pensamento econômico que continua a exercer forte influência no mundo acadêmico, discordava da teoria clássica pela qual a oferta de bens e serviços seria capaz de criar a própria demanda. Em síntese, para os períodos recessivos, ele defendia estímulos à demanda, inclusive por meio de déficits governamentais, invertendo a lógica anterior.

As economias se sofisticaram muito desde a época de Keynes (que morreu em 1946). Suas teorias são até hoje passíveis de diferentes interpretações. O livro que publicou em 1936, apontado como sua obra-prima, é tão hermético que os estudantes de economia geralmente só o conhecem por releituras de terceiros, e quase sempre sob olhares pouco isentos de paixões ideológicas. Keynes tinha aversão ao socialismo. 
Era um lorde inglês, bon vivant, que pessoalmente adorava especular nos mercados — é famosa a história que certa vez usou uma igreja para estocar mercadorias com meros fins especulativos. Curiosamente, por defender gastos públicos em momentos recessivos, acabou sendo uma espécie de patrono de economistas com pensamento mais à esquerda, em contraposição a ideias liberais.

Mas, na prática, nenhum governo segue um keynesianismo puro, nem um monetarismo puro. A miscelânea acaba empurrando as políticas econômicas para caminhos ilusoriamente salvadores do tipo atribuído a Pancho Villa. 
Foi, por exemplo, o que aconteceu nos dois últimos anos do primeiro governo Dilma, que vem obrigando o país a passar por essa necessidade enorme de ajuste.
Mas por que o antídoto preconizado por Keynes (aumento de gastos públicos) não funciona para tirar o Brasil da recessão? 
O diagnóstico de Keynes se aplicava a economias envolvidas com o fenômeno que ele denominou armadilha da liquidez. Na expectativa de que os preços viessem a cair mais, os agentes econômicos retardavam consumo e investimento, formando uma espiral negativa. 
No Brasil, temos a retração da economia associada a uma onda inflacionária. Déficits nas finanças públicas correspondem a pôr mais lenha na fogueira, o que é diferente do Japão, onde o baixo crescimento está associado à deflação.

Por aqui, o desequilíbrio financeiro nas contas governamentais provoca estragos terríveis. No Rio Grande do Sul, onde o estado está sem condições de manter em dia os salários públicos, o mercado travou. Consertar isso não é fácil.

POR ASFIXIA

Com todas as adversidades da economia brasileira, a empresa responsável pela importação dos legítimos charutos cubanos no Brasil (Emporium Cigars) espera aumentar as vendas em 20% este ano, totalizando 700 mil unidades. O ritmo de crescimento diminuiu nos últimos meses, porque os preços subiram 45%, por causa de uma variação de cerca de 55% no câmbio. 
A Emporium projetava alcançar um montante de vendas de 1 milhão de “habanos” no país, mas foi surpreendida pela decisão da Anvisa — a agência que cuida da vigilância sanitária — que elevou de uma tacada só, em 193%, a taxa incidente sobre as marcas. 
Cosméticos e charutos entraram no mesmo bolo do que é cobrado da poderosa indústria de cigarros. A cobrança passou a valer a partir de 9 de setembro, por medida provisória, e por isso há um esforço no Senado de empresas de pequeno e médio porte e também das que são mais parrudas. 
No caso da Emporium, o pagamento da taxa supera todo o lucro obtido pela companhia, o que simplesmente inviabiliza o negócio, que ainda tem que enfrentar a pirataria e a concorrência dos falsos “habanos”.

A Anvisa cobra agora uma taxa anual de aproximadamente R$ 300 mil por marca fiscalizada. Esse valor sofre um desconto, dependendo do porte da empresa, desde que o faturamento não ultrapasse R$ 20 milhões por ano.


12 de outubro de 2015
George Vidor

O DIA DA CRIANÇA NO LAR DOCE LAR DOS SILVAS

12 DE OUTUBRO DE 2015

NÃO HÁ NINGUÉM TRABALHANDO EM 13.1 MILHÕES DE LARES BRASILEIROS


A previsão é de que já em 2016 o desemprego volte a superar os 10%. Mas a reportagem do Globo chama atenção para a quantidade de lares em que ninguém trabalha, o que levanta graves suspeitas não só sobre o dado real de desempregados, mas a toda a política social do governo, que não estimula a procura por trabalho, a não ser em situações de crise como a atual.
Segundo Samuel Franco, vem aumentando ano a ano a quantidade de lares sem que qualquer indivíduo tenha emprego ou qualquer tipo de renda por trabalho. Já era uma grossa fatia em 2012 (17,4%) quando o governo ainda contava vantagem de sua matriz econômica, chegou a 18,6% em 2014 e atinge 19,3% em 2015. O pesquisador do IETS mostra que 1 em cada 5 lares governados pelo Partido dos Trabalhadores não possui um único trabalhador. Em números absolutos, estamos lidando com 13,1 milhões de lares. Para efeito de comparação, o Bolsa Família era distribuído em 2013 a 14,1 milhões de famílias.
E esse percentual varia de estado a estado. O três casos mais graves são Rio de Janeiro (23,5%), Pernambuco (24,5%) e Alagoas (28%). Segundo Franco, além de desempregados, completam o time os aposentados e pessoas que vivem de renda e de transferência do governo. A conclusão do estudo é de que “certamente” vem aumentando a pobreza no Brasil.
Foto: Valter Campanato/ABr - Agência Brasil
Leia também | Delator do Petrolão confessa ter pago R$ 2 milhões em despesas pessoais ao filho de Lula
12 de outubro de 2015
IMPLICANTE

XEQUE MATE NA RAINHA...

DILMA TEME QUE EDUARDO CUNHA ACEITE PEDIDO DE IMPEACHMENT



A presidente Dilma Rousseff avalia que o movimento pelo impeachment, definido por ela como um “golpe”, pode ganhar fôlego a partir desta semana e pediu a auxiliares que redobrem as forças para reaglutinar a base aliada no Congresso. Em reunião realizada sábado, no Palácio da Alvorada, Dilma disse temer um “comportamento desesperado” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acuado pela suspeita de manter contas secretas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás. “Não há uma acusação frontal contra a presidente, mas Cunha pode se tornar uma fera ferida e aceitar um pedido de impeachment. O quadro é imprevisível”, afirmou um ministro que participou da reunião.
70 DIAS
Antes das novas denúncias contra Cunha, o governo argumentava que, sem conseguir recompor o bloco aliado no Congresso mesmo após a reforma ministerial, teria no máximo 70 dias para estancar a crise política. Embora a votação do parecer do Tribunal de Contas da União (TCU), que reprovou o balanço do governo, esteja prevista somente para o ano que vem, Dilma corre contra o tempo para soldar sua base de apoio, desarmar a oposição e barrar a abertura de um processo de impeachment.
Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo Cardozo (Justiça) participaram da reunião com Dilma. Na avaliação dos ministros, Cunha está fragilizado, mas, se não houver um freio de arrumação nesse período e um sinal claro de que a governabilidade foi retomada, 2015 estará perdido e, no ano eleitoral que se avizinha, a pressão popular pode ser decisiva para mobilizar o Congresso contra Dilma.
FOGO CRUZADO
Um dos ministros presentes ao encontro disse que o fato de Cunha estar sob fogo cruzado, vendo até mesmo o PSDB e demais partidos da oposição pedirem sua renúncia, pode favorecer Dilma, mas o Palácio do Planalto não aposta todas as fichas nesse cenário. A ordem é fazer acenos a Cunha, reforçar laços com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e investir na Comissão Mista de Orçamento, para onde seguirá o relatório do TCU.
Cunha já recebeu a visita do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas conversas, os dois pediram a ele que não estique a corda com Dilma e juraram que o Planalto não está por trás de seu calvário.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É impressionante o erro estratégico do Planalto, ao pedir que Cunha não aceite um dos pedidos de impeachment. Esta semana, Cunha terá o prazer de atender a Dona Dilma, Lula e Wagner. Vai recusar o pedido de Bicudo e Wagner. Com isso, o processo de impeachment enfim começará a andar, porque o recurso a serapresentado pelas oposições será aprovado por maioria simples. O destino de Dilma já está escrito.(C.N.)

12 de outubro de 2015
Vera Rosa
Estadão

ACORDA BRASIL... ACORDEMOS TODOS NÓS!


Dillma Rousseff, os defensores do PT e os agregados de sempre tentam “enrolar”, jogar para baixo do tapete, esconder e empurrar com a barriga seus erros e desvios morais, éticos e administrativos. Se Dillma não errou, se não cometeu pedaladas, mãozadas, dedadas, está fugindo do quê? Está com medo do quê?
Na verdade, os governos petistas, de Lulla a Dillma, foram, são e continuarão a ser pura mentira, desfaçatez, arrogância e manipulação. Estudaram as práticas dos coronéis, dos espertalhões e dos vigaristas, aperfeiçoaram-nas e, conhecendo a falta de cultura, de tempo e de vontade de aprender/conhecer/saber as coisas públicas, por parte de grande parcela da sociedade, dominaram as mentes e as vontades.
Venderam os sonhos almejados pelos incautos.
E agora, como reverter-se isto? O povinho continua dominado, juntinho e misturado, sem saber como separar as verdades (poucas) e mentiras (muitas).
VARRER A SUJEIRA
Um governo sério, probo e corajoso, com referendo popular, não necessariamente com apoio do congresso, precisa assumir e varrer toda a sujeira produzida e armazena nas três últimas décadas. É preciso julgar a todos. Aos culpados, penas longas na cadeia.
Ontem, Lembrei de Ulysses, Brizola, Teotônio. Tentei, mais uma vez, encontrar alguém como eles, nos dias atuais. Busca inútil. Como estão fazendo falta!
Olho para os que fazem oposição e só vejo situação!
Olho para os jovens com mandatos – a nova leva de políticos, e vejo pessoas sem conhecimento, sem personalidade, sem patriotismo, sem um norte.
CONTAMINADOS
Muitos dos que poderiam tornar-se lideranças positivas e possíveis de seguirmos, já estão contaminados, com idéias e ideais velhos, distorcidos, deformados. Carecem de conhecimento mínimo e postura.
Tomara que a renúncia ou o impeachment de Dillma não oportunize apenas a troca de seis por meia dúzia.
Acorda Brasil. Acordemos todos nós!

12 de outubro de 2015
Antonio Carlos Fallavena

"GOLPE À PARAGUAIA" DE DILMA CRIOU PROBLEMA DIPLOMÁTICO



Dilma deu nova mancada e criou problema desnecessário
A chancelaria do Paraguai pediu explicações ao Brasil sobre as declarações da presidente Dilma Rousseff de que a oposição brasileira quer derrubá-la com um “golpe à paraguaia”, informaram fontes diplomáticas sexta-feira em Assunção.
O ministro paraguaio das Relações Exteriores, Eladio Loizaga, chamou o embaixador brasileiro em Assunção, José Felicio, para manifestar sua “surpresa e desagrado” com as declarações de Dilma, publicadas pela imprensa brasileira na quinta-feira.
O governo do presidente Horacio Cartes expressou seu desagrado com a citação feita por Dilma, que enfrenta uma grave crise política e comparou a proposta de impeachment da oposição ao caso do então presidente de esquerda Fernando Lugo, destituído em 2012 em um julgamento político por “mau desempenho” de suas funções.
Dilma, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o presidente uruguaio, José Mujica, resolveram suspender o Paraguai do Mercosul, em solidariedade a Lugo.
VERACIDADE
A chancelaria paraguaia pediu ao embaixador brasileiro que confirme “a veracidade” das declarações de Dilma, acrescentando que Assunção respeita o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.
Em relação ao processo político contra o então presidente Lugo, realizado em junho de 2012, a chancelaria destacou que o Congresso do Paraguai agiu “com base no marco jurídico estabelecido pela Constituição Nacional e nas leis, sempre respeitando o devido processo”.

12 de outubro de 2015
Deu no blog do Puggina

ENTENDA COMO A EDUCAÇÃO PÚBLICA VEM SENDO MASSACRADA NA BAHIA


Volto ao tópico do fechamento de escolas na Bahia, estado que Jaques Wagner governou e mandou o que quis e não quis. Desde o primeiro mandato do Wagner que a educação vem sendo massacrada, agora com o seu sucessor o Rui Costa, a coisa está bem pior, uma vez que estão fechando escolas de maneira arbitrária. Em Feira de Santana, maior município baiano, foram várias as escolas fechadas, a justificativa é a falta de alunos.
Como é a metodologia deles: primeiro, põem uma diretora que vai por os pregos no caixão da escola, ou seja, a tal “gestora” pede para encerrar algumas turmas do noturno, onde estudam os mais carentes e jovens, que por necessidade de trabalho só lhes resta esta opção de cursar o turno noturno na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos).
O EJA é a vítima, pois é o refúgio dos mais necessitados de instrução, que estão tentando trabalhar e estudar, com a crise tudo piorou.
SENTENÇA FINAL
Depois de encerrar as atividades de algumas turmas, que concentram a maioria dos alunos, como o os 1º, 2º e 3º anos do ensino médio, a clientela cai, e assim leva o EJA junto, uma vez que pela própria estrutura do “curso” permite que os alunos não sejam forçados a cumprirem uma carga horária das disciplinas normais. Isto posto, o número de alunos fica abaixo de 100, então vem a DIREC, agora NRE (Núcleo Regional de Educação) e dá a sentença final.
Digo isso porque é o que está acontecendo na unidade escolar onde trabalho, o Colégio Estadual Eraldo Tinoco de Melo NRE 19 (Feira de Santana). A diretora começou a pregar as tábuas do esquife do dito educandário, os professores do turno noturno fizeram campanha no rádio, foram às casas dos alunos e ex-alunos, quando tudo parecia caminhar para uma revitalização, a diretora boicota o nosso trabalho, se negando a matricular os alunos e com isso o número permanece abaixo do que o NRE exige, e eis que aparece o diretor de entidade suja e, sem mais delongas. põe fim ao turno noturno, de forma irresponsável, alegando que o Estado tem muitas despesas e não pode pagar professores para ministrar aulas a poucos alunos.
NA PODRIDÃO
Todas as tentativas de registrar queixa contra as arbitrariedades são barradas pelo diretor do Núcleo, que segue na podridão da política corrupta. Para ele, é só menos gasto para o governo baiano, enquanto isso a escola segue mambembe com uma direção centralizadora que sequer faz as prestações de contas e no momento está sem oferecer merenda escolar para os alunos, e que quando tem é pipoca e água, que os alunos ironizam ao dizer que água sabor suco de uva e pipoca sabor sanduíche.
Aquela imagem do Lula com as criancinhas sem futuro me lembra o Adolf Hitler visitando um campo de extermínio com crianças judias, só que o nosso Hitler tem sido mais eficiente que o Hitler alemão, aqui ele mata de inanição, mata de ignorância, mata lenta e silenciosamente, de forma que as ovelhas sequer percebem que estão sendo exterminadas. O governo da Bahia e seu séquito de diretores de Núcleos de Educação são os arautos desse extermínio social.

12 de outubro de 2015
Antonio Henrique Dantas Silva

ASSOCIAÇÃO DE FINANCEIRAS VÊ "NEVOEIRO" E FALTA DE CREDIBILIDADE

FALTA DE CONFIANÇA TAMBÉM TEM AFASTADO INVESTIDORES DO PAÍS

FALTA DE CREDIBILIDADE E DESCONFIANÇA TEM AFASTADO INVESTIDORES. FOTO: CARLOS SEVERO/FOTOS PÚBLICAS


Há cerca de dez dias, o economista Nicola Tingas encarou um convite impossível de atender plenamente. A um grupo de empresários, ele precisou apresentar um cenário econômico para o Brasil, cheio de previsões e probabilidades de realização. O grau de certeza de Tingas, assim como o dos empresários, ficou diretamente proporcional à densidade do "nevoeiro", nas palavras do especialista, que atualmente turva a visão de curto prazo de qualquer analista. O economista-chefe da Acrefi, associação de financeiras e instituições de crédito, argumenta que, nem nos anos 90 de transição entre pacotes monetários e choques cambiais, observou tamanha imprevisibilidade e incapacidade de traçar cenários econômicos.

A neblina que cega analistas e paralisa empreendedores é fruto da falta de confiança na retomada do crescimento econômico, na avaliação do economista. "O empresário não está confiante no que vê porque, na verdade, ele não está enxergando nada", afirma.

"A falta de confiança é hoje o maior problema para a dinâmica da economia brasileira. Mais importante que a agenda fiscal", afirma Tingas. "Claro que a questão fiscal, que ficou mais grave com o déficit no orçamento, é ponto central e uma questão de curto prazo. Mas a grande questão, a chave do problema, é a falta de confiança do empresário", diz.

As pesquisas materializam em números a desconfiança do brasileiro acerca do futuro destacada pelo especialista. Qualquer uma das sondagens da Fundação Getúlio Vargas mostra uma inédita deterioração das expectativas dos empresários de todos setores. Em relação ao ano passado, todos indicadores caíram perto ou mais de 30%.

"Não me lembro de uma quebra de expectativas tão forte", afirma Tingas. No primeiro relatório de mercado Focus divulgado em 2015, a mediana das expectativas para o crescimento do PIB era de 0,50% para este ano. No Focus divulgado nesta semana, estava em 2,85%. Também nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a revisão de sua expectativa para o PIB brasileiro em 2015 de -1,5% para -3%.

O economista entende que a minirreforma ministerial dissipou parcialmente a incerteza. O novo arranjo político-partidário no governo, diz Tingas, foi um importante primeiro passo porque "aumentou a chance de o Congresso ajudar" no ajuste fiscal". "O segundo passo é a aprovação dos vetos presidenciais", afirma Tingas, sinalizando que ainda entende como possível essa vitória do governo.

A reprovação do veto que mais preocupa o governo é quanto ao reajuste dos servidores do Poder Judiciário. Caso seja reprovado, o impacto nas contas públicas será de R$ 36,2 bilhões até 2019, segundo a equipe econômica. Além disso, há o texto que atrela os benefícios do INSS o reajuste do salário mínimo, despesa extra de R$ 11 bilhões nos próximos quatro anos.

Se os vetos forem aprovados, o "nevoeiro vai começar a ficar menos denso", na avaliação do economista da Acrefi. "A partir daí, teremos de ver um terceiro passo que é uma costura de uma meta fiscal crível e de como o orçamento de 2016 vai se resolver, seja cortando despesas ou com aumento de impostos", diz Tingas. "Daí fica possível começar a discutir a agenda para reverter a crise de confiança", afirma.

Na avaliação de Tingas, a redução da imprevisibilidade vai contribuir também no direcionamento dos preços dos ativos financeiros, na opinião de Tingas. "Hoje, os ativos estão sem um piso e sem um teto", afirma. Caso a evolução dos fatos siga a linha do tempo que o economista consegue enxergar, será possível encerrar o ano com a percepção de que os preços nos mercados financeiros chegaram a um piso.

Em certa medida, Tingas está otimista. "O pior ano (para a economia brasileira) será 2015. O ano de 2016 será um grande vale, onde vão surgir oportunidades para inovar, comprar e vender empresas", afirma.

Nos próximos meses, o economista entende que uma questão externa joga a favor do Brasil: o adiamento do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Ele avalia que o Federal Reserve já entendeu que não é o banco central dos Estados Unidos. "É o banco central do mundo", diz Tingas, argumentando que uma ação do BC americano afeta o fluxo financeiro de dezenas de países. Em razão disso, o economista acredita que o aperto monetário na maior economia do mundo vai ocorrer "com suavidade". Sendo que a primeira alta, virá provavelmente "no ano que vem".



12 de outubro de 2015
diário do poder

LULA, CUNHA E DILMA, O TRIO QUE ESTÁ LEVANDO O PAÍS À BANCARROTA

Rio - O trio Lula, Eduardo Cunha e Dilma deveria se juntar e, para o bem do Brasil, pendurar as chuteiras e abandonar de vez a política. Essa seria uma atitude magnânima. Mas é também utópica, porque dessas pessoas não devemos esperar ato de tanta grandeza. Agarrados como carrapatos ao poder, o trio sangra. Derrete-se em imoralidade. O Eduardo Cunha, por exemplo, pegou o cacoete malufista de negar o óbvio. Diz não serem dele as transações bancárias no exterior realizadas com dinheiro roubado da Petrobrás, mesmo com as suas digitais e da sua mulher nas contas milionárias na Suíça. Dirige-se aos jornalistas nos corredores do Congresso Nacional como se nada tivesse acontecido. E, na maior cara de pau, repete: “Não sei do que vocês estão falando, não vou falar, essas contas não são minhas...” Ora, se toda essa montanha de dinheiro não é dele, a pergunta é: de quem é? Se for apenas da sua mulher, a jornalista Claudia Cruz, que a polícia a chame para depor já que ela não goza de imunidade e comete crime de sonegação fiscal.

A Dilma, coitada!, ainda não entende o que se passa no país. Cercada de áulicos, assessores e ministros despreparados, muitos deles envolvidos na Lava a Jato, a exemplo do Edinho da Silva, que chantageou o dono da UTC para depositar R$ 7,5 milhões na conta da campanha dela. A presidente, para desespero dos brasileiros, parece viver dormindo, em sono profundo, à base dos tarjas pretas. Quando acorda é para dizer um monte de besteira tipo ”ainda existe luz no fim do túnel” ou a “ainda não existe tecnologia para estocar vento ”. O outro, Lula, responsável por toda essa bagunça, dono de uma fortuna incalculável, arvora-se de mestre da política. Mexe nos bonecos de Brasília na tentativa de salvar o Titanic, mas o troca-troca só serve aos seus interesses.

As mudanças ministeriais do Lula só tinham um objetivo: fortalecer a sua participação no governo e, com isso, protelar a sua prisão pela Polícia Federal, o que deverá ser inevitável pelas provas já colhidas nas investigações da sua participação em toda essa roubalheira. É esse o quadro, sem retoques, da anarquia no Brasil, quando fica até difícil escolher o mocinho na preparação desse filme que só tem candidatos a bandidos.

Como um morto-vivo, Eduardo Cunha atravessa os corredores da Câmara da Deputados, cercado por jornalista e curiosos, como se estivesse perambulando no pátio de um hospício, com a mente turva, repetindo as mesmas coisas: “Não sei de nada, fale com os meus advogados, oportunamente falarei...” O até então arrogante Cunha, agora, já aparece curvado, cabelos desalinhados e desorientado. Nessas horas, os amigos desaparecem, o poder escorrega pelas mãos e a família se desintegra. Cabe a ele, sozinho, responder as questões dos jornalistas para matar a curiosidade dos brasileiros que assistem estupefatos a mulher dele gastar milhões de reais em academias, clubes de tênis e butiques de luxo lá fora com dinheiro comprovadamente roubado da Petrobrás.

Os deputados mais independentes – aqueles que não vivem às custas do fisiologismo de Cunha – já pediram a sua cabeça. Não querem mais ser liderados por um presidente que mentiu à CPI quando afirmou categoricamente não ter contas no exterior. Até o líder do PMDB, o deputado Leonardo Picciani, indicado por Cunha, tem a sua liderança questionada. Intermediário das negociações entre o PMDB e a Dilma na reforma (?) ministerial, começa perder força por trabalhar com o baixo clero nas indicações para os ministérios. Descobre-se, agora, que o líder é um blefe, inexperiente e ingênuo para cumprir um papel tão relevante em um país à deriva. Ao lado de Cunha, seu protetor político, certamente vai derreter se não sair de fininho para evitar se chamuscar nessa lama que cobriu o mandato e o cargo do seu chefe na presidência da Câmara.



12 de outubro de 2015
Jorge Oliveira

OBVIEDADES DE LEVY

REBAIXAMENTO TEVE 'EFEITO DEVASTADOR' EM EMPRESAS
LEVY ESPERA QUE APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO 2016 AJUDE NA RECUPERAÇÃO DA CONFIANÇA


LEVY ESPERA QUE APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO 2016 AJUDE NA RECUPERAÇÃO DA CONFIANÇA. FOTO: LULA MARQUES


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse neste domingo (11) que a aprovação do Orçamento de 2016 deve reduzir as incertezas na economia brasileira e o risco de rebaixamento do País. "O 'downgrade' (rebaixamento), mesmo que por uma agência, teve um efeito devastador em várias companhias", disse o ministro, se referindo ao corte da nota brasileira para nível especulativo pela Standard & Poor’s (S&P) no começo de setembro.

Na sequência do rebaixamento brasileiro, várias empresas e bancos do País também perderam o selo de bom pagador pela S&P, entre elas alguns dos maiores grupos nacionais, como Petrobras, Eletrobrás, Comgás, CCR, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco. Em geral, o efeito da perda do grau de investimento é tornar mais caro o crédito das empresas, especialmente em captações no exterior.

Desde que a decisão da S&P foi anunciada, a grande preocupação da equipe econômica tem sido sinalizar que estão sendo tomadas e encaminhadas medidas para melhorar os indicadores da economia brasileira, o que poderia evitar um segundo rebaixamento pelas duas agências de classificação de risco mais importantes, a Fitch e a Moody’s. No caso da Fitch, o Brasil está dois degraus acima do nível especulativo - ou seja, poderia ser rebaixado em um nível e manter o selo de grau de investimento. Os executivos da Moody’s, por sua vez, deixaram claro recentemente que só devem fazer alguma mudança na nota brasileira no ano que vem.

O ministro afirmou também que a aprovação do Orçamento de 2016 será sua prioridade nos próximos dias após sua volta da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Lima, no Peru. "Isso vai ser a prioridade, porque o Orçamento e as escolhas que vão estar ali vão ser o que vai dar segurança para a gente voltar a ter mais crédito e para ter a economia crescendo outra vez", afirmou.

"O que queremos ver é a volta do crescimento o mais rápido possível, com a expansão do crédito, com o apoio às empresas, e eu acho que o Orçamento, numa sociedade democrática, é onde a gente caracteriza essas decisões", disse o ministro, destacando que nas várias reuniões que teve com investidores em Lima foi questionado sobre as discussões que tem em Brasília sobre o Orçamento.

"Os investidores queriam entender quais são as perspectivas para o Orçamento de 2016 e eu falava que estamos em discussão. A presidente Dilma Rousseff tem deixado muito claro a importância de nós termos um Orçamento que aponte com muita robustez para alcançarmos a meta (de superávit primário de 0,7% do PIB no ano que vem", afirmou Levy.

Pedaladas

O ministro disse ainda que não conhece o relatório do Ministério Público que menciona que as práticas chamadas de "pedaladas fiscais" ocorreram também em 2015. Mas disse que vai analisar o documento na sua volta a Brasília.

"Eu não conheço exatamente o documento, é difícil me pronunciar", disse Levy. "Então, vou aguardar chegar a Brasília, ler os documentos. Mas, agora, temos sido muito transparentes nessas áreas e certamente vamos examinar qualquer orientação do TCU (Tribunal de Contas da União). Acho que a conformidade na execução fiscal é um valor que temos de priorizar sempre", completou. As pedaladas fiscais em 2014 levaram o TCU a rejeitar as contas de Dilma Rousseff, o que pode levar à abertura do processo de impeachment da presidente.

Levy disse que, em sua gestão na Fazenda, está pagando as despesas do governo, não só deste ano, como de anos anteriores. "Todo mundo sabe que nós inclusive reformamos diversos regulamentos para acelerar o pagamento e dar absoluta clareza no relacionamento com as instituições fiscais", ressaltou. Segundo o ministro, o governo deve pagar este ano entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões de empréstimos que foram tomados em 2013 na linha do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).



12 de outubro de 2015
diário do poder

ENTENDA POR QUE DILMA E TEMER PODEM SER CASSADOS PELO TSE



As ações contra a chapa da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apresentadas pelo PSDB, são instrumentos jurídicos diferentes entre si. As implicações práticas caso os ministros considerem a petista culpada, entretanto, serão as mesmas nas duas.
Na terça-feira (6), os ministros do TSE decidiram pela reabertura de uma Aime (Ação de Impugnação de Mandato Eletivo) proposta pelo PSDB. Dilma, Temer, PT e PMDB devem apresentar defesa neste caso – ainda não estão definidos o relator do caso e a data de julgamento.
Há também uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) tramitando no tribunal contra Dilma, e os envolvidos devem apresentar defesa.
De acordo com as regras do TSE, a Aime deve ser proposta necessariamente após a diplomação do candidato eleito, e em no máximo 15 dias.
TEMPO PERDIDO
Dilma foi diplomada para o segundo mandato no dia 18 de dezembro do ano passado. O PSDB protocolou o pedido pela abertura da Aime no dia 2 de janeiro, mas a ministra Maria Thereza de Assis Moura decidiu que a ação não deveria prosperar. O partido recorreu, e o colegiado decidiu acolher o processo na noite da terça (6).
“O acórdão que definiu a reabertura ainda não foi publicado”, ressalta Flávio Caetano, coordenador jurídico da campanha de Dilma. A defesa pode recorrer da decisão do TSE, mas o advogado disse que isso ainda não foi definido. “Queremos que as ações sejam julgadas”, afirma.
Diferentemente da Aime, a Aije pode ser proposta somente até a data da diplomação do eleito. O PSDB realizou o pedido no mesmo dia em que Dilma foi diplomada, em 18 de dezembro de 2014.
CASSAÇÃO
O objetivo do PSDB com a Aije é cassar a chapa de Dilma e Temer. Com a Aime, a meta é cassar o diploma e o mandato eletivo. Apesar das diferenças jurídicas, na prática as duas ações podem levar Dilma e Temer a deixarem de ser presidente e vice.
“Do ponto de vista jurídico, a existência de um mandato eletivo muda a avaliação, porque o ilícito pode ter mudado o resultado [da eleição]”, afirma Ricardo Penteado, advogado do PSDB.
Os tucanos pedem em ambas as ações que, caso o tribunal decida que Dilma e Temer cometeram crimes eleitorais, a chapa dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) assuma. O TSE pode acatar, ou determinar a realização de novas eleições.
DO BLOG – Há um equívoco no final da matéria. Não existe possibilidade de nova eleição. Se Dilma e Temer foram cassados, assume a chapa Aécio-Aloysio, conforme a jurisprudência existente nos casos de cassação de governadores por crimes eleitorais. Se houver impeachment no Congresso, por crime de responsabilidade, aí assume Temer. (C.N.)

12 de outubro de 2015
Alexandre Aragão
Folha

PRESERVAR O PODER É MAIS IMPORTANTE




Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Governo, reúne amanhã os líderes dos partidos da base oficial. No mesmo dia os ministros Katia Abreu, Eliseu Padilha e Henrique Eduardo Alves, do PMDB, começarão nova temporada de caça aos deputados do partido, pretendendo que façam declarações de lealdade à presidente Dilma, comprometendo-se a não embarcar na canoa do impeachment. Madame, de seu turno, continuará batendo firme e denunciando   tratar-se de um golpe a tentativa de tirá-la do palácio do Planalto. Mais aproveitará viagens e inaugurações pelo país, além de ampliar o número de entrevistas nesse sentido.
Significa, essa operação de salvamento, estar o governo apavorado com a hipótese do impeachment. Por duas vezes grande parte da bancada governista na Câmara negou-se a comparecer ao plenário para aprovar os vetos da presidente a projetos que aumentam despesas públicas. A omissão fez prever que os insatisfeitos poderão integrar-se à iniciativa das oposições.
Para neutralizar a rebelião, começa também amanhã a Semana de São Francisco, com a distribuição de cargos e nomeações para os deputados garfados pelo ex-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, responsável pelo congelamento das promessas antes feitas por Michel Temer. Aliás, permanece afastado o vice-presidente, depois do malogro da efêmera coordenação política que não deu certo. Seus movimentos vêm sendo monitorados com lupa, depois de ter-se aproximado do verdadeiro incentivador do impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O problema é que sendo presidente do PMDB e beneficiário maior da operação “Fora Dilma”, Temer perdeu a confiança dos ministros palacianos.
DEDO DO GOVERNO
Não há como desconsiderar o dedo do governo na ação desenvolvida contra Eduardo Cunha, em especial pela imprensa. O deputado fluminense vive o seu inferno zodiacal, claro que por culpa dele mesmo e de sua participação na lambança da Petrobras. É de foice em quarto escuro sua briga com Dilma. Se vai para as profundezas, arriscado a perder o mandato, quer levar a presidente com ele.
Em suma, a temperatura continua subindo a ponto de o governo haver esquecido a crise econômica. O ministro Joaquim Levy passou a figurante sem expressão. O desemprego, o dólar, a nova CPMF, a alta dos impostos, do custo  de vida  e as greves são mero detalhe nas preocupações oficiais. Preservar o poder é mais importante.

12 de outubro de 2015
Carlos Chagas