"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PARA REGISTRO (VÍDEO) EXCELENTE. UMA AULA!

Entrevista do economista Samuel Pessoa (FGV-IBRE)
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Sempre que assistir alguma entrevista interessante, vou passar a indicar aqui. Confesso que, apesar de conversar com ele com frequência, não sabia dessa entrevista do economista Samuel Pessoa à jornalista Mônica Teixeira ao programa Complicações da UNIVESP TV. Não a conheço, mas ela faz boas perguntas e deixa o entrevistado à vontade para desenvolver os argumentos. Já havia indicado aqui neste blog uma entrevista que ela fez com o economista Edmar Bacha.
 


Nessa entrevista com o Samuel, em fevereiro deste ano, ele faz um bom diagnóstico da transição demográfica no Brasil, o efeito das reformas no crescimento econômico, como o excesso de intervenção do Estado na economia atrapalha o crescimento e ainda o por que da nossa elevada carga tributária. E ao longo da entrevista Samuel fala coisas interessantes como, por exemplo, o fato de os EUA terem se tornado uma economia rica por cresceram por vários anos de forma consistente e não porque tiveram um período de “milagre econômico” ou vários milagres. Sobre esse assunto, vale a pena comparar os gráficos abaixo – a renda per capita real dos EUA cresce quase continuamente desde a década de 1960, a renda per capita do Brasil passa duas décadas (décadas de 1980 e de 1990) oscilando entre US$ 6.000 e US$ 7.000, volta a crescer de forma consistente no sec. XXI, mas apenas recentemente (a partir de 2005) consegue aumentar novamente em relação à renda per capita dos EUA. Essa relação já foi perto de 30% e, em 2010, havia recuado para 21%.
PIB per capita dos EUA – 1960-2012 – US$ 1.000
FRED01
PIB per capita dos Brasil – 1950-2010 – US$ 1.000
FRED02
Relação entre PIB per capita do Brasil e PIB per capita dos EUA – 1950-2010
FRED03
 
De quem foi a culpa do nosso baixo crescimento entre 1980 e 2000? De nós mesmos. Como lembra Samuel, enquanto 7 de cada 10 crianças estavam nas ruas e sem acesso à educação estávamos construindo Brasília. O ruim de decisões erradas que afetam o crescimento do longo prazo é justamente isso, a conta, muitas vezes, chega muito depois.

A decisão de crescer a qualquer custo, abertura da conta capital com controle do comércio, e ainda proteger nossa indústria na década de 1970 nos levou a duas décadas de baixo crescimento. Vamos ver se agora não repetimos o mesmo erro lá de trás. Tenho medo quando Samuel começa a fazer comparações do Brasil de hoje com aquele da década de 1970. Assistam a entrevista do Samuel porque é uma boa aula de economia brasileira e, mesmo que você não concorde com o diagnóstico dele, é um bom “food for thought”.

Via
Mansueto Almeida
04 de agosto de 2013

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