"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 8 de março de 2014

ESTRANHA MORAL ESSA DOS TERRORISTAS VENCIDOS...



Prezados amigos, cordiais saudações. Nesta semana assisti a uma reunião da Comissão da Verdade do Paraná.

Assistência? Nenhuma (só eu). Televisões? Aos montes...
A depoente foi Sonia Lafoz. Terrorista urbana de primeira hora, com uma longa ficha corrida de ações subversivas, mas que nunca foi presa ou processada.

O depoimento de agora seguiu em tudo o depoimento que ela deu no livro "Mulheres que foram à luta armada" (1998), apesar de transcorridos dezessete anos entre os dois. Pelo menos, coêrencia.

De seu depoimento, alguns aspectos chamaram-me a atenção.

O uso do verbo fazer - "fiz" ou "fizemos" - para referir-se à realização de ações violentas as mais diversas, algumas relatadas com um mais elevado tom de orgulho. Fiz o banco tal...(quer dizer, assaltamos o banco tal...); fiz o supermercado tal...(quer dizer, assaltaram o supermercado tal...); "fizemos" dois carros na avenida tal...(quer dizer, roubaram dois carros na avenida tal...) E assim vai, num longo rosário de ações que ela "fez" ou "fizeram".

Orgulho mesmo a Sra. Lafoz demonstra quando relata que "fizeram" o embaixador alemão no Brasil, depois trocado por presos políticos. Desta ação, ela se lembra num depoimento, mas omite no atual, que foi assassinado um agente de Polícia Federal que fazia a segurança do embaixador e outras pessoas ficaram feridas.

Mais orgulho ainda quando trata do roubo do cofre do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, ação que descreve com detalhes, dizendo desconhecer o destino dado pelas organizações subversivas à grande parte do dinheiro roubado.

Noutro ponto, conta que ela e outros três companheiros estavam reunidos numa pracinha quando foram abordados por policiais civis. Como os quatro estivessem armados "romperam o cerco" correndo e atirando, ao que os policiais responderam. Sônia foi ferida com três tiros, o que considera um absurdo por parte da repressão, como se ela e seus amigos - que fugiram abrindo fogo primeiro - não merecessem receber o troco na mesma moeda.

Emocionou-se em poucas vezes - apenas quando se referiu a antigos companheiros amorosos que teve e que morreram na guerra - e, no depoimento atual, esqueceu-se de um deles, o último, que se suicidou.

Os relatos das ações de que "Mariana" participou estão detalhados nos livros "A Verdade Sufocada", do Sr. Coronel Ustra e no "ORVIL", do Coronel Lício e do Tenente Conegundes.

Acho que o que importa eu dizer aqui é o estranho senso de moral que essa senhora demonstra, pois, em todos os relatos de ações, as pessoas são tratadas como lixo, os chamados "efeitos colaterais", não se nota na senhora um mínimo respeito pelas mortes e males que causaram. Para ela, sequestrar uma pessoa e colocá-la dentro de um caixote de madeira, sem que essa pessoa saiba o que está acontecendo, não é tortura. É só mais um serviço que "fiz".

Devo destacar que se trata de uma senhora serena no expor suas ideias e não aceitou perguntas provocativas quando, por exemplo, lhe perguntaram se havia fatos ainda ocultos pelas organizações de que participou (foram muitas...), ao que ela respondeu que, do ponto de vista dela, tudo já se tinha revirado.

Outra pergunta provocativa foi feita por alguém querendo que ela se manifestasse sobre se havia algum nome de militar ou de outro tipo de "agente do estado" que tivesse sido o responsável pelos sofrimentos a ela infligidos, tendo ela respondido que não. Não tinha nenhum nome a citar (logo ela, que nunca foi presa...nem processada). Acho que com essa pergunta fica bem ilustrado o caráter revanchista da Comissão.

Por fim, declarou acreditar no assassinato de João Goulart, estar com medo da atual situação do Brasil (no sentido de ver avolumarem-se as movimentações contra um governo eleito pelo povo) e que, na próxima semana, estaria viajando para Caracas.

Segundo declarou, para ver in loco o que se passa na Venezuela. Cabe dizer que um dos componentes da mesa ridicularizou a "marcha com deus pela família... (prevista para 22 de março próximo), manifestação prevista contra o governo brasileiro. 

Contrariando minha natureza, termino. De forma elegante e educada como querem alguns.

Sobre o evento em si eu poderia escrever mais. Mas estou de "saco enchido" de ver outra vez uma total inversão de valores. O bandido (neste caso a "bandida") narrando seus crimes para um grupo de comissários embasbacados (exceto por um, que é meu amigo).
 
08 de março de 2014
Jorge Alberto Forrer Garcia é Coronel, na reserva.

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