"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 14 de julho de 2015

SE TCU CONDENAR DILMA, GOVERNO RECORRERÁ AO TAPETÃO DO SUPREMO


O governo Dilma Rousseff já tem preparado um “plano B” para o caso de perder votação no Tribunal de Contas da União em processo que avalia as contas federais de 2014, prevista para agosto. A estratégia é levar ao Supremo Tribunal Federal um pedido para anular o julgamento do TCU com base em declarações públicas do ministro Augusto Nardes, relator do caso, que teria dado indicações prévias de seu voto.
Embora não integrem o Judiciário, os ministros do TCU estão sob a égide da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe que um magistrado antecipe seu voto ou mesmo emita opiniões sobre processos pendentes de julgamento.
Conforme um interlocutor da presidente, o argumento a ser levado ao Supremo é o de que o relator, ao dar sucessivas declarações que indicam sua “intenção” de recomendar a reprovação das contas, constrange os colegas de plenário que, eventualmente, pretendam votar diferentemente. Auxiliares do Planalto já levantam vídeos e outros registros de entrevistas e palestras do ministro.
“PEDALADAS FISCAIS”
O TCU apontou distorções de R$ 281 bilhões nas contas, entre elas as chamadas “pedaladas fiscais”. Em sessão no mês passado, abriu prazo até o próximo dia 22 para que Dilma apresente defesa. Na ocasião, Nardes elencou 13 irregularidades e argumentou que não havia condições de avaliar o balanço que descreve a situação financeira, contábil, patrimonial e orçamentária da União. Por isso, propôs que a presidente fosse ouvida, sendo seguido por todos os demais. Como relator, o voto dele conduz a apreciação.
De posse das explicações, o TCU marcará uma nova reunião para decidir qual recomendação fará ao Congresso, que é o responsável pelo julgamento das contas. Os ministros podem indicar a aprovação, a reprovação ou mesmo se abster de emitir uma opinião.
Este ano, o processo é permeado de pressões políticas, pois a oposição e setores rebelados da base aliada apostam num parecer adverso ao Planalto para pedir o impeachment da presidente por suposta irresponsabilidade fiscal.
A ideia de derrubar a decisão do TCU na Justiça evitaria que o documento chegasse ao Congresso, onde o governo tem sido derrotado em sucessivas votações com aval do PMDB, principal partido da coalizão governista.
MAIS FÁCIL NO SUPREMO…
A avaliação do Palácio do Palácio é que no Supremo – que tem oito dos 11 ministros nomeados por Dilma e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – seria mais fácil costurar uma saída para o imbróglio das contas.
No alvo do governo está uma coletânea de declarações de Nardes desde 16 de junho, véspera da sessão que tratou das irregularidades nas contas. “Meu voto não será pela aprovação com ressalvas”, disse na ocasião. Fixado o prazo para Dilma apresentar defesa, o relator afirmou, em 3 de julho, que seria “muito difícil o governo conseguir explicar” os problemas nas contas.
Questionado pela reportagem, Nardes afirmou que tem falado em público sobre o relatório que leu na sessão de junho, quando sustentou que as contas não estavam em condições de ser apreciadas. “Em nenhum momento falei do voto futuro. Se não puder explicar para onde vai o dinheiro do cidadão, o TCU deixa de cumprir sua missão”, disse.
FORÇA-TAREFA
O governo também conduz uma força-tarefa para reverter a tendência instalada entre os ministros do TCU, que penderiam para a reprovação das contas. Além do lobby na corte, já antevendo uma decisão desfavorável, o Planalto acionou ministros para convencer líderes no Congresso de que as irregularidades não ensejam um processo de impeachment e se referem ao primeiro governo Dilma. Por isso, não poderiam ser usadas para interromper o atual mandato da presidente, iniciado este ano.
Segundo auditores do tribunal, entre as distorções apontadas, uma das mais graves é a “pedalada fiscal”, já condenada pelos ministros do TCU em abril. Essa manobra consiste em atrasar repasses do Tesouro Nacional para bancos públicos, que usaram recursos próprios para continuar pagando em dia benefícios sociais como o Bolsa Família e o seguro-desemprego.

14 de julho de 2015
Fábio Fabrini, João Villaverde
O Estado de S. Paulo

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