"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

APLAUSOS A VACCARI

Não gosto quando as pessoas se referem ao PT como “quadrilha”. Não contribui para o debate e é um desrespeito a inúmeros simpatizantes petistas que são honestos.
Porém, é perturbador constatar que o congresso do partido aplaudiu o ex-tesoureiro João Vaccari de pé, por mais de um minuto. Vaccari está preso porque pesam contra ele acusações fortíssimas e bem-fundamentadas de que foi um dos coordenadores do processo de pilhagem da Petrobras.

Ao aplaudi-lo assim, o PT aplaude essa pilhagem, solidariza-se com ela, assume publicamente a defesa de uma prática criminosa que fragilizou grandemente a mais importante empresa brasileira, seja do ponto de vista material, seja simbólico. O PT deu uma bofetada no Brasil e nos avisou que faria tudo outra vez.

A única explicação para esse comportamento também é perturbadora: ao aplaudir Vaccari freneticamente, demonstrando-se tão solidário a ele, o PT tenta assegurar seu silêncio. Se ele falar o partido acaba.

Recentemente declarei que tinha esperanças de que as aspirações da sociedade – e principalmente, da antiga base social do próprio PT – se expressassem no congresso do partido. Eu estava errado. Qualquer levantamento mostrará que 100% dos participantes do congresso são funcionários do governo, do partido ou de suas organizações afins, como já vinha ocorrendo em congressos anteriores. Não há lá operários de chão de fábrica, professores que estejam em sala de aula, ninguém que compartilhe o dia a dia dos trabalhadores brasileiros.

O que mais assusta essa gente, e o que a coesiona, é o pavor de ter de retornar, um dia, ao mundo do trabalho, que ficou para trás. É o triste fim de um caminho.


17 de junho de 2015
Cesar Benjamin


NOTA AO PÉ DO TEXTO

Primeiramente o epíteto de "quadrilha" não se refere aos "simpatizantes" ou militantes do PT. Diz respeito a um partido que organizou uma máquina corrupta que se apossou do Estado para roubar. Não apenas um membro do partido, mas vários, que agiam orquestradamente para fraudar e assaltar o que fosse possível e estivesse disponível.
Não sei por que o autor do texto se condói e nega o reconhecimento de "quadrilha" aos membros de um partido que aparelhou a máquina administrativa, com um suposto "projeto de poder", a serviço do enriquecimento ilícito de alguns de seus membros e do próprio partido.
Os exemplos da corrupção estão por toda a parte. Não são indícios, mas fatos, com alguns condenados pelo STF todos enlaçados, formando uma extensa rede que agia organizadamente, ocupando postos estratégicos. 
A nação aí está, espantada, boquiaberta, indignada.
Se abrange o partido como o todo, ou alguns dos seus melhores quadros, poderia o autor do texto justificar seu desagrado, por incluir no termo "quadrilha" outros quadros honestos, mas não simpatizantes ou militantes. Esses apenas são o lado de fora do partido, os "inocentes úteis", os que não percebem ou estão seriamente desinformados sobre as ações do p
m.americo

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