"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

ENTRE AS UTILIDADES DA TRAGÉDIA, DESTACA-SE A HIPOCRISIA DOS POLÍTICOS



Diante do caixão, muitos envolvidos na Lava Jato
A política sabe ser hipócrita. Na tarde em que o avião de Teori Zavascki caiu no mar, parlamentares que tentam escapar da Lava Jato divulgaram notas consternadas e lacrimosas sobre a tragédia. “É uma grande perda para o país”, declarou o senador Romero Jucá, o “Caju” da lista da Odebrecht. “O Brasil, a sociedade e o mundo jurídico perdem um de seus maiores expoentes”, reforçou o senador Renan Calheiros, titular do codinome “Justiça” nas planilhas da empreiteira.
No velório, outros investigados disputaram espaço ao redor do caixão de Teori. Ao menos cinco foram citados nas delações, com seus respectivos apelidos : Michel Temer (“MT”), Eliseu Padilha (“Primo”), Rodrigo Maia (“Botafogo”), José Serra (“Careca”) e Geraldo Alckmin (“Santo”).
A política sabe ser cruel. Antes de o corpo baixar à sepultura, aspirantes já se insinuavam para a vaga aberta no Supremo. Alguns nem buscaram ser discretos. Julio Marcelo de Oliveira, o procurador das pedaladas, divulgou a própria candidatura nas redes sociais. “Extremamente honrado com a lembrança de meu nome para missão tão grandiosa”, escreveu.
PUXASAQUISMO – O advogado Heleno Torres se desmanchou em elogios a Temer, a quem caberá escolher o novo ministro. “Não conheço pessoa mais elegante e equilibrada”, disse à repórter Thais Bilenky. Ele acrescentou que o peemedebista é o “melhor presidente” que o país poderia ter. Se não chegar ao tribunal, talvez consiga uma vaga na comunicação do Planalto.
A política sabe ser oportunista. Figurões de todos os partidos, do PT ao PSDB, torcem para que o desastre atrase a Lava Jato. Isso ocorrerá se a ministra Cármen Lúcia não homologar logo as delações premiadas.
No governo, a tragédia ainda é vista como um imprevisto útil para acelerar votações no Congresso. “A morte, por certo, vai fazer com que a gente tenha, em relação à Lava Jato, um pouco mais de tempo”, sentenciou o ministro Padilha. Ele não parecia aflito com o prognóstico.

25 de janeiro de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

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