"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 2 de julho de 2017

SEM REMORSOS

Fazendo coro com o que o ex-presidente Fernando Henrique tem pregado ultimamente, o petista Lula – ambos delatados na Lava Jato – quer a renuncia do Presidente Temer, negociando-se uma “saída honrosa” naturalmente.

Quem não é parvo ou ingênuo sabe o que pretendem aqueles espertalhões. Com eleições indiretas ou diretas, o objetivo é deixar tudo como está, ou seja: os donos do poder encastelados em suas posições; os mandarins e os príncipes da República protegidos contra reduções de benesses e privilégios, e a louca máquina pública mantida a qualquer preço.

O ônus disso tudo, terrivelmente agravado pelas contas públicas, o chamado custo Brasil, absurdo e afrontoso, é perversamente colocado nas costas do povo, mas não se grita nada em relação a isto, e quando alguma voz se rebela levantam-se incontinenti, a classe política como um todo, as malditas corporações dos servidores públicos dos três poderes e a esquerda estatizante para dizer que tudo está previsto em lei, não pode ser alterado. Mudar é golpe.

Aí estão, para os olhos de quem quiser, os crimes praticados pelo mais alto escalão governamental e pelos patifes da política em geral. Aí estão as sangrias dos cofres públicos cometidas pelos comensais do erário. Aí estão a ineficiência, a malversação e o desperdício que oneram e inviabilizam a entrega dos serviços públicos e mais ainda, quanto a isso não há reforma econômica que possa fazer frente a tal descalabro.

Pode o Brasil voltar a produzir o que for e a crescer o quanto puder, mas sua sociedade continuará a não ter o mínimo necessário para prover sua subsistência. O rico continuará mais rico, os privilegiados protegidos e o povo pagando caro para não ter justiça, saúde, segurança, educação e perspectiva de uma vida melhor.

Existem mais de 14 milhões de famílias de brasileiros desempregados, mas enquanto isso acontece - confiram as acintosas fotos postas constantemente nos meios de comunicação, que retratam cenas com os afortunados do poder em qualquer nível – estes aparecem sempre rindo e escarnecendo do povo ou de sua sorte. Riem-se... riem-se a bandeiras despregadas.

Depois de tudo que se viu e ouviu nos últimos meses, o mínimo que se pode dizer é que a permanência de Temer e sua gente no Planalto afronta a honra desta Nação. Para mudar este estado de coisa é preciso coragem e só o povo rebelado pode promover a necessária ruptura institucional. O resto é a mesmice.

Se o propósito do “establishment” é manter a sociedade prisioneira de seus privilégios e vantagens e o povo cativo de sua indigência, tem ela dois caminhos a escolher: ou cruza os braços esperando para ajoelhar-se diante dos apaniguados, ou preparar-se para alcançar o necessário para uma vida condigna, detonando as instituições que nos impedem viver como cidadãos decentes.

Para nada ou muito pouco nos servem um Congresso desse jaez ou um Judiciário político, lento, caríssimo e inalcançável para milhões de pobres e desvalidos.

Não se assanhem os idiotas por conveniência ou os sábios do regime, não pugno aqui, neófita e inconsequentemente, pela quebra dos valores e princípios que estruturam uma Nação. Assim como as leis, as instituições públicas têm sempre boas finalidades, mas quando para alcança-las acabam por comprometê-las ao ponto de se desvirtuarem de sua missão de Estado, não podem continuar. Há que lhes dar rumo e prumo decotando a exorbitância e tornando-as adequadas às necessidades do povo, ao qual devem servir.

A meu sentir os segmentos mais esclarecidos deveriam iniciar esse processo de mudança absoluta, dando exemplo aos menos favorecidos. Estou convencido de que a maior homenagem que se pode prestar a um povo como o nosso, explorado e sofrido, onde ainda se encontra o cidadão que não desiste, não teme, não corre, não se vende, é reverberar seu esforço heroico do dia a dia, até que o mal recue.

Façamos a nossa parte. Pensem nisso. Quando a hora chegar, e diante do caos o povo tiver que fazer sua opção em defesa do Brasil, e talvez tenha que fazer com seu próprio sangue, a situação nos encontrará livres do remorso, porque agora já optamos, ao menos com nossa indignação e com nossas palavras.


02 de julho de 2017
José Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado

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