"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 15 de janeiro de 2017

APÓS DIZER QUE CUNHA O "CHANTAGEARA", GEDDEL FIRMOU UM PACTO DE AMIZADE COM ELE


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Para fazer bons negócios, Geddel não guardou ressentimentos
A relação do ex-ministro Geddel Vieira Lima — alvo principal da operação “Cui Bono?”, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira — com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve altos e baixos. Foi para Geddel que Cunha ligou pouco antes de ser preso, em outubro do ano passado. E foi Geddel quem esteve na casa de Cunha, já como representante do governo Temer, depois que ele foi afastado da presidência da Câmara.
“Achei que era meu dever encontrar um ser humano e prestar minha solidariedade no momento de dificuldade que ele está” — disse Geddel, na ocasião.
No entanto, em 2009, protagonizaram um embate com dura troca de acusações, durante a CPI dos Fundos de Pensão, comandada por Cunha, a quem Geddel acusou de chantagem. Geddel usou o termo “lombrosiano” para classificar Cunha, expressão que se refere àquele que tem traços físicos de criminoso.
RECONCILIAÇÃO – As ofensas ficaram no passado e, no calvário de Cunha na Câmara, ele recorreu diversas vezes a Geddel. Em várias ocasiões, o ministro da Secretaria de Governo falou de sua amizade com Cunha e até levou para seu gabinete no Planalto dois auxiliares do colega, que até hoje permanecem por lá.
Nesta sexta-feira, a PF apreendeu documentos e aparelhos na casa e no apartamento de Geddel. Na operação batizada de “Cui Bono?” (a quem beneficia?), o ex-ministro é acusado de participar de um esquema de fraudes na Caixa Econômica Federal, junto com Eduardo Cunha.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Geddel e outras três pessoas “faziam parte de uma verdadeira organização criminosa”. Eles são suspeitos de facilitar a liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a empresas e, em troca, receber propina. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013. As outras três pessoas são Eduardo Cunha e dois comparsas ligados a ele: o doleiro Lúcio Bolonha Funaro; e o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto.
MENSAGENS REVELADORAS – Base da operação que tem como alvo o ex-ministro Geddel Vieira Lima, conversas extraídas de um celular de Eduardo Cunha mostram uma relação intensa entre os dois no ano de 2012. O celular, segundo a PF, estava inativo e foi apreendido em dezembro de 2015 na residência oficial da Câmara. Em uma conversa, Geddel brinca com Cunha, quando questionado por ele sobre um negócio relativo à empresa J&F Investimentos, holding que controla a JBS/Friboi: “Ta resolvido Ta na pauta do CD de terça Vc tá pensando que eu sou esses Ministros q vc indicou? Abs (sic)”
O ex-presidente da Câmara respondeu a mensagem com “rsrsrs”.
As conversas relativas a esta operação têm um diálogo curioso de Cunha com o doleiro Lúcio Funaro, operador do esquema. Funaro reclamou quando o ex-presidente da Câmara lhe perguntou sobre um repasse para Geddel. “Jf geddel ta creditando hj nem fui lá esse cara acha que tenho uma impressora (sic)”, reclamou o doleiro em mensagem enviada a Eduardo Cunha em 11 de setembro de 2012.
Cunha, porém, deu razão a Geddel em sua resposta: “Ja ta creditado. É que tem que rodar meu filho (sic)”.
PROPINAS NA CAIXA – Segundo a investigação, Geddel cobrava o pagamento de propina por empréstimos feitos pela Caixa à J&F. Em uma das mensagens, enviada para Cunha em 31 de agosto de 2012, Geddel relata que seriam aprovadas na semana seguinte duas operações para a empresa, de R$ 767 milhões e de R$ 194 milhões. Em 4 de setembro, o então vice-presidente da Caixa avisa a Cunha que os recursos foram aprovados e, no dia 11, informa que o dinheiro foi repassado.
A J&F disse, em nota, que nunca procurou políticos para pedir que intermediassem suas operações financeiras.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Como a gente anda meio esquecido, mas ainda não chegamos ao estágio da atual ministra da AGU, de repente lembramos que desde março de 2012 o Conselho de Administração da Friboi era presidido por Henrique Meirelles, que só saiu para assumir o Ministério da Fazenda. Como se sabe, recordar é viver. (C.N.)

15 de janeiro de 2017
Junia Gama
O Globo

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