
Charge do Baggi, reprodução do Jornal de Brasília
As dívidas foram contraídas pelo governo Dilma Rousseff e, para espanto geral, até aqui não foram saldadas pela administração Michel Temer. Como se constata, representa uma trapalhada a mais que acrescenta ao episódio das pedaladas fiscais.
Entre os programas que a Caixa Econômica Federal financiou e não recebeu, figuram ainda seguro desemprego e o abono salarial pago pelo INSS.
ACIONISTA CONTROLADOR – O espanto cresce de intensidade se lembrarmos que o governo federal é o acionista controlador da Caixa Econômica, aliás, vale frisar ser o único porque a CEF não é uma empresa de capital aberto, não possuindo portanto ações negociadas na Bolsa de Valores. Pelo contrário. Trata-se de empresa de capital fechado.
Assim, na história do país emerge uma nova singularidade: um órgão do governo ingressou na Justiça contra próprio governo federal. Murilo Rodrigues Alves afirma que a CEF, antes de ajuizar, a questão procurou a Advocacia Geral da União buscando sua atuação no caso que envolve o Ministério da Fazenda, a quem a Caixa está subordinada, e diversos outros Ministérios responsáveis pelos programas que deram origem as tarifas até hoje não pagas.
POR CAUSA DO BALANÇO – Tem-se a impressão de que a Caixa Econômica assim procedeu para fechar o balanço do primeiro semestre deste ano. O balanço ainda não foi divulgado, mas os fatos ressaltados pela empresa estatal estão sendo objeto de averiguação por parte do Tribunal de Contas.
Para os especialistas o atraso de pagamento nas tarifas não constitui violação da lei de responsabilidade fiscal, ao contrário dos empréstimos feitos junto ao Banco do Brasil, BNDES e a própria CEF, considerados pedaladas fiscais. Entretanto, o episódio revela um absurdo completo, não se conseguindo compreender porque ministérios como Trabalho, Desenvolvimento Social e Agrário, Educação e Cidades. não pagaram, consciente, ou inconscientemente, os valores que deveriam desembolsar pelos serviços prestados em razão de créditos abertos.
OS TRAPALHÕES – Seja de que forma for trata-se de uma inconsequência, véspera da irresponsabilidade. Parece um autêntico filme de Os Trapalhões, grupo de humor liderado por Renato Aragão.
O caso acentua que além de uma Lei de Responsabilidade Fiscal, o país deveria ter uma lei que punisse os casos de irresponsabilidade que inexplicavelmente conduzem a situações que consagraram anos atrás os Trapalhões na Rede Globo. É uma trapalhada atrás da outra. E agora está nas mãos do presidente Michel Temer interromper a série de capítulos ridículos que se acumulam no cenário de Brasília.
13 de julho de 2016
Pedro do Coutto
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