"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 18 de outubro de 2015

A ESPERTEZA TINHA LIMITES





Acusado de se lambuzar no propinoduto da Petrobras, lavar o dinheiro sujo no exterior e intimidar testemunhas da Lava Jato, o deputado Eduardo Cunha está próximo de perder o mandato por um delito menor: mentir a uma CPI.
Em 12 de março, ele disse aos colegas que não tinha “qualquer tipo de conta em qualquer lugar” além da que declarou à Justiça Eleitoral. 
Foi desmentido por extratos bancários, assinaturas e documentos pessoais enviados por procuradores suíços.
As provas remetidas ao Supremo indicam que a decantada esperteza do deputado tinha limites. 
Ele cometeu erros primários, como apresentar o passaporte diplomático para abrir uma conta secreta. Também usou sua empresa de comércio religioso, a Jesus.com, para ocultar uma frota de carros de luxo. O Porsche em nome de Jesus inaugura uma nova fronteira na exploração da fé para fins patrimoniais.
RELIGIOSIDADE
Cunha existe eleitoralmente graças à aliança com igrejas pentecostais. Aos fiéis, apresenta-se como voz “em defesa da vida e da família”. Agora sabe-se que ele interrompia reuniões com Fernando Baiano para pregar em uma rádio evangélica.
Na sexta-feira, a tropa do deputado trocava ligações para discutir a sucessão na presidência da Câmara. 
O tom das conversas lembrava uma velha máxima de Brasília: políticos podem chorar no velório e até ajudar a carregar o caixão de um aliado, mas nunca se jogam na cova com ele.
ÚLTIMO CARTUCHO
Ao alquebrado Cunha, restaria uma última bala: anunciar, nos próximos dias, o recebimento de um pedido de impeachment de Dilma Rousseff. 
Para um peemedebista, seria a única forma de empurrar o foco da pressão para o Planalto.
A ideia enfrenta ao menos dois obstáculos. Primeiro, a oposição teria que fechar um novo e perigoso acordo com o deputado, que perdeu de vez o “benefício da dúvida”. 
Depois, o Supremo teria que cruzar os braços diante de outra manobra dele, o que a corte já indicou que não fará.

18 de outubro de 2015
Bernardo Mello FrancoFolha

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