"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

VONTADE DE CHUTAR O BALDE...

TEM SIDO MUITO FORTE A VONTADE DE SE DESLIGAR E DEIXAR TUDO PARA TRÁS

A advogada e cientista política Sandra Starling, o advogado e professor Sacha Calmon e eu, este pobre escriba, na semana passada, em artigos de jornal, manifestamos não só opiniões, mas sentimentos semelhantes. Ou seja: sem nenhum trato prévio, acertamos na temática do que escrevemos. Coincidência ou comunhão de ideias?

Por uma ou por outra, a expressão “está tudo muito estranho” foi usada por Sacha e por mim. Sacha a ouviu do ministro Marco Aurélio Mello, eu, da minha fadiga crescente, que, na verdade, não é só minha, mas de nós três, que temos hoje, ao nosso lado, o apoio declarado de uma multidão de brasileiros cansados e decepcionados, dentre os quais se destacam jornalistas e intelectuais que ainda falam…

Sacha manifestou enorme cansaço não apenas nas entrelinhas do que escreveu, mas também no e-mail que me enviou dizendo que meu artigo “exprimiu o nosso desencanto” – meu, dele e, também, da ex-candidata ao governo de Minas e ex-deputada federal pelo PT (do qual se desligou). 
No final do e-mail, me confessou que tem tido “vontade de parar e ir embora”. Só não capitula e se manda, completou, porque se acha “no dever de denunciar”. Sandra Starling, em seu artigo, confessa que pensou “em intitular como um circo o que anda acontecendo no Congresso. Mas os circos merecem meu respeito e minha saudade. Um mau teatro? Dele podemos escapar: é só não ir”.

Fiz questão, na terça-feira passada, de ficar ligado ao que discursavam as Suas Excelências que integram a Câmara Federal e o Senado. Ora ouvia os deputados, ora os senadores. Que tristeza! E, antes de ler o artigo de Sandra Starling – que se refere ao incrível caso do ex-senador Gim Argello (“quase” ministro do TCU, pelas mãos de Dilma e Renan…), que sumiu do mapa para dar lugar ao cidadão Jorge Afonso Argello, seu nome verdadeiro, que o levará, pelo menos por algum tempo, ao anonimato –, concluí comigo mesmo: como existe o mau teatro, o mau cinema, há também, Sandra, o mau circo. O nosso atual Congresso Nacional não passa de um circo mambembe, vale dizer, de má qualidade, medíocre, ordinário. Mas ele reflete, continuei concluindo comigo mesmo, e com muita precisão, o que de fato somos.

Vai daí que esbarro, antes de preparar estas linhas, com a entrevista da ex-porta-voz da agência das Nações Unidas para refugiados Laura Boldrini. A italiana deixou o cargo e se candidatou à Câmara Federal do seu país. Eleita deputada, logo após iniciados os trabalhos, ela assumiu a presidência da Casa. Dentre as boas coisas que disse, principalmente sobre financiamento de campanhas, nos brindou com esta concisão: “A política é o espelho da sociedade. Se há problema de corrupção na política, significa que também há na sociedade”. E é disso que se trata: a sociedade brasileira está doente. E não é de agora. Em qualquer setor, privado ou público, a corrupção grassa. A doença se agrava de maneira espantosa. A política, pós-ditadura militar, sepultou vocações e deu vida ao que há de pior. O estudo das causas fica para os cientistas, mas uma coisa precisa ser dita logo: o Brasil sofre a ausência de lideranças efetivas, desprendidas, convincentes, honestas – qualidades próprias do homem público, cujo objetivo é só um: o bem comum. Uma expressão chata! Coisa de velho!

E o problema não está apenas no PT. Está em todos os partidos. Deixemos de hipocrisia e comecemos o tratamento pela sociedade. Por nós, eleitores, que somos os maiores responsáveis!



04 de junho de 2015
Acilio Lara Resende

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