"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Após luto por Eduardo Campos, PSB pode seguir com Marina, trocá-la por Aécio ou fechar de novo com Dilma
 

A morte de Eduardo Campos, que lançou ares de imprevisibilidade sobre o complicado cenário político nacional, transformou o Partido Socialista Brasileiro no fiel da balança da corrida maluca ao Palácio do Planalto. Nos bastidores financeiros, já se especulavam ontem três possibilidades bem concretas para o curto prazo da campanha.

O PSB pode seguir com a “viúva” Marina Silva candidata. Também pode abandoná-la, retomando a velha aliança com Lula e Dilma Rousseff. E também, por pressão econômica, pode bandear para a candidatura de Aécio Neves. Com muita grana nos bastidores, a sorte está lançada neste leilão eleitoreiro. Tudo pode acontecer. 

O Presidentro Lula da Silva e a Presidenta-Candidata Dilma Rousseff farão o diabo para recuperar o apoio do PSB. O plano é convencer o presidente do partido, Roberto Amaral, a retomar a velha aliança de sempre com o PT. Todo mundo recorda que, no ano passado, Amaral chegou a pedir a Eduardo Campos que revisse seus planos de candidatura solo, que tanto desagradou o “amigo” Lula, voltando a fechar um acordo com o PT.

Lula já apostava ontem, com aliados próximos, que conseguirá convencer Amaral, assim que se dissipar o clima de luto por Eduardo Campos. Os petistas vão investir para que a decisão final do PSB demore o máximo possível. O problema é que tudo precisa estar resolvido em menos de 10 dias... A Lei eleitoral prevê que o substituto de Eduardo Campos pode pertencer a qualquer legenda da coligação, que é composta por PSB, PPS, PHS, PRP, PPL e PSL. Os aliados preferem Marina... O tempo para os conchavos urge e ruge... Lula já fala até bem de Marina...

O grupo de Eduardo Campos, que ficou literalmente órfão, tende a rejeitar uma aliança com o PT. O problema é se o segmento terá força suficiente para superar a cúpula partidária, convencendo-a a seguir com o acordo inicial em favor da alternativa Marina Silva. Nesta altura indefinida do campeonato eleitoral, tudo será decidido na base de muito dinheiro e promessas futuras.  Dependendo do quesito grana, é enorme a chance de os socialistas abandonarem Marina. A ex-ministra do Meio Ambiente de Lula pode se transformar em uma tríplice viúva política: do petismo, de Eduardo Campos e dos novos companheiros socialistas...

O Globo informou que Roberto Amaral assumiu ontem a responsabilidade de conduzir o procedimento para a nova candidatura do partido à presidência. Amaral avisou que o trâmite só será feito após o sepultamento de Eduardo Campos. Ele desconversa sobre Marina: “Acho um desrespeito alguém tratar desse assunto enquanto estamos coletando os pedaços do Eduardo. Sou eu que vou abrir o processo para a nova candidatura e isso não será feito enquanto ele não for enterrado”.



A nota oficial do PSB deixa tudo obscuro para Marina: "O Partido Socialista Brasileiro (PSB) está de luto pela trágica morte de seu Presidente Nacional, Eduardo Henrique Accioly Campos, ocorrida em 13 de agosto de 2014. Recolhe-se, neste momento, irmanado com os sentimentos dos seus militantes e da sociedade brasileira, cuidando tão somente das homenagens devidas ao líder que partiu. A direção do PSB tomará, quando julgar oportuno, e ao seu exclusivo critério, as decisões pertinentes à condução do processo político-eleitoral. São Paulo, 14 de agosto de 2014".

Pela conversa, Marina é quem pode terminar “enterrada”. A traição do PSB à Marina é uma ação de alto risco político. Naturalmente, ela não iria para o colo dos tucanos, a não ser que acabe forçada a tamanho malabarismo pragmático. Tucanos bem que adorariam que Marina aderisse a Aécio, posando de “viúva do Eduardo”, para atrair os votos que tanta falta fazem no Norte-Nordeste. A chance maior é que Marina, radical light, fique em cima do muro e tire o time...  

Concretamente, o PSB é o fiel da balança para haver ou não disputa em segundo turno eleitoral. Existe outra possibilidade tão inimaginável quanto a morte prematura de Eduardo Campos em desastre de avião: Já pensou o que Dilma, Lula e até “a viúva” Marina Silva farão se os socialistas, até ontem na base governista, em nome do poder do dinheiro, firmarem uma inesperada aliança com o PSDB, tendo gigantesca margem de negociação na hora do futuro loteamento da máquina federal?

Se o PSB desistir de Marina, grandes empresários, que estavam prestes a aplicar muito dinheiro na campanha de Eduardo, podem se bandear para o cofrinho tucano. O agronegócio, que não engole Marina, tende a fazer o mesmo, jogando tudo contra o PT e aplicando no PSDB. O consenso no meio empresarial é que Aécio Neves acabe como o mais favorecido após a trágica saída de cena de Eduardo Campos, de demonstrar poder ofensivo e propostas mais claras para os problemas que o PT gerou para a economia brasileira.

Analistas tucanos esperam que Dilma perca, no Nordeste, os votos sentimentais pró-Eduardo. O problema é se Aécio Neves conseguirá herdá-los. O jogo está aberto. PSB pode seguir com Marina, trocá-la por Aécio ou fechar novamente com Dilma. Em menos de 10 dias, esta novela chega ao fim, e recomeça o dramalhão reeleitoral no Cassino do Voto Eletrônico sem chance de auditoria...

Reabilitação súbita...



Abril vendendo...

Dando um drible na Pearson, o GIC, fundo soberano de Cingapura, anunciou ontem a aquisição de 18,5% das ações da empresa brasileira Abril Educação.

Abril é uma das maiores empresas do mercado brasileiro de educação básica e pré-universitária e conta com um portfólio diversificado de produtos e serviços, incluindo sistemas de ensino, livros didáticos, cursos preparatórios e de idiomas.

O GIC figura entre as maiores companhias globais de gestão de fundos, com mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão.

Jogando para a toga

O novíssimo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, foi aplaudidíssimo ontem na Associação de Magistrados do Brasil, ao defender por que o País é “uma ilha de tranquilidade”:

“Essa paz reina graças a 18 mil juízes que atuam silenciosamente, sem que ninguém perceba, resolvendo conflitos agrários, familiares, em condições ruins, inclusive salarial. Estamos em defasagem muito grande, dada a espiral inflacionária. Precisamos atuar para dar condições de trabalho aos juízes”.

Lewandowski começa a gestão dialogando com as entidades representativas dos juízes de instâncias inferiores, ao contrário do que fazia o popular herói Joaquim Barbosa...

Investigado

A desembargadora Leila Mariano, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mandou a corregedoria abrir investigação contra o polêmico desembargador Siro Darlan, um polêmico rubro-negro e socialista convicto.

Darlan terá de justificar em que sentido classificou o Ministério Público de “uma inutilidade” ao criticar a Lei 12850, sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff em agosto de 2013, que permite o acesso de delegados e promotores a dados sigilosos de empresas financeiras, companhias aéreas e ligações telefônicas, sem necessidade de autorização judicial:

“A privacidade é um direito fundamental (...). Essa nova lei contraria os direitos do cidadão. O Ministério Público é uma inutilidade. Ele é muito eficiente quando lhe interessa. Mas há situações em que o MP se omite. Hoje, estamos com prisões superlotadas porque o MP é eficiente na repressão do povo pobre, do povo negro".

Problema dos 13...




2014 do medo

                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

21 de agosto de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

 

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