"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 25 de janeiro de 2014

IRRESPONSABILIDADE

             
Abro a página do Estadão e lá está uma notícia que não é nenhuma novidade, tema antigo por sinal, mas recorrente. E quando algo se torna recorrente é sinal de que incapacidade de solução está imperando, no mínimo a irresponsabilidade predomina.
Neste caso da notícia, ambas situações estão presentes e com muito vigor. Trata-se de área extremamente sensível porque trabalha com vidas humanas, apesar de em nosso País isso estar perdendo valor, respeito e cuidados. Ainda existem resquícios de que nem tudo está perdido, mesmo não sabendo com certeza de onde parte, qual a fonte desse resquício.

 A notícia que me refiro vem de uma das mais importantes, se não a mais importante, área de cuidados da população que é a da saúde. Não falo aqui dos descalabros que acontecem na grande maioria dos hospitais e pronto socorros do Brasil.
Nem falo do absurdo da importação de médicos, cabos eleitorais, que o governo imprime e impõe a sociedade brasileira quando está na sala do governo todos os problemas causados na saúde. Seja pela sua incompetência ou, principalmente, quando faz da saúde e da educação, trampolins políticos aos seus ocupantes  de forma pensada, proposital.
Padilha não estava no cargo como Ministro da Saúde , mas sim como candidato, assim como foi Fernando Haddad e Mercadante, este último na reserva caso o projeto Padilha não avançasse.
Vamos a notícia sobre o Exame do Cremesp: “ Exame reprova 59% dos novos médicos; 64% não ligam tosse a tuberculose”.

E agora? Como ficam os doentes nas mãos desses profissionais? Mais ainda, 71% são formados nas faculdades particulares e 33,9% nas faculdades públicas.
 
Nas particulares é algo gravíssimo e mais ainda nas públicas que, por obrigação, deveriam ter 0% de reprovação, afinal são financiadas pelo poder público e a exigência de qualificação e aprendizado deve ser sempre total. Nas particulares há uma enorme quantidade de faculdades “caça níqueis” em que ensinar é a última das preocupações administrativas, vide Gama Filho e UniverCidade.
Existem até faculdades de medicina que funcionaram graças ao voluntarismo da classe médica. Como a falta de equipamentos nos hospitais e atendimento de emergências são uma constante, junta-se a isso razões, pelos profissionais e responsáveis pela área, para pouco preocupar com a qualidade dos formandos, a relação fica dentro do padrão comum. Este exame de avaliação do ensino médico foi feito no Estado de São Paulo. Quais serão os resultados nos outros Estados? Todos os Conselhos Regionais de Medicina – CRM bem que poderiam fazer tal avaliação.

 No exame da Ordem dos Advogados, apenas 12 mil dos 101 mil inscritos, foram aprovados e poderão exercer sua profissão. As mais de mil faculdades de Direito existentes no Brasil, por si só, são uma aberração.
O discurso populista de que o governo tem que dar acesso ao ensino superior, massacra o princípio da qualidade e da responsabilidade profissional, não somente no ensino como também o de prestar bons serviços aos clientes. Há que existir a exigência da sociedade por melhor qualificação e brigar por ela.
Sem esta luta, teremos um mar de profissionais incompetentes, que custarão bilhões a sociedade e ao Estado. Esta deficiência está entranhada no ensino brasileiro desde a educação infantil. Somos 200 milhões de brasileiros e apenas, se estou certo, 3,8% detém o diploma de curso superior completo. Para o governo são pouco mais de 8%, só que incluem como curso superior, os cursos de tecnólogos, feitos em dois anos.
Estamos tentando, de qualquer forma e jeito, enviar em quatro anos para formação no exterior 100 mil estudantes com o programa Ciência Sem Fronteiras. A China envia por ano mais de 700 mil, só de pós graduação.

 Isto tudo é o resultado lastimoso da educação no Brasil. Em todas as avaliações possíveis estamos sempre em péssima colocação, seja o Pisa, seja lá o que for. A baixa qualidade do ensino superior é decorrente dos alunos advindos do ensino médio, despreparados por conseqüência do ensino fundamental. Mas há um outro e grave reflexo que é a forma com que a educação é tratada pelos governos no Brasil. Exceto algumas ilhas educacionais, é um desleixo total que faz da mais importante área ao desenvolvimento de um povo, balcão de negociação e de conchavos políticos.
 
A educação brasileira está entregue nas mãos de incompetentes, raríssimas exceções, inclusive de sindicatos, que criminosamente aniquilam a futura vida profissional, por motivos exclusivamente políticos e de Poder, de várias gerações de jovens sem qualquer receio de sua irresponsabilidade.

astrologia-irresponsabilidade
 
25 de janeiro de 2014
Jornalista e Adv. Rapphael Curvo

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