"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CONSUMIDOR VAI PAGAR CONTA DE LUZ MAIS CARA EM 2014

Em ano eleitoral, consumidor pagará mais pela energia

Rombo que a redução forçada das tarifas causou às empresas começa a ser cobrado nas contas em 2014
Leilão para contratação de energia para 2014 terá preço-teto 60% maior do que os de contratos atuais

 
Em pleno ano eleitoral, as tarifas de energia elétrica vão ficar mais caras ao consumidor. O rombo que a queda forçada nos preços de energia, em 2012, provocou no caixa das empresas do setor começará a ser coberto pelas contas de luz em 2014.
 
O impacto é certo, mas o seu tamanho e o momento exato em que ele ocorrerá dependerão das chuvas no próximo ano e da região onde o está o consumidor.
 
O reflexo será determinado também pelo resultado do leilão de energia já existente (A-1), marcado para terça-feira. Nele, as distribuidoras precisam contratar 6.000 MW médios, o equivalente a 15% do mercado regulado. Há dúvidas sobre se haverá oferta suficiente para atender completamente à demanda.
 
Para atrair o interesse das geradoras, o governo impôs um preço-teto mais alto do que o praticado em outras tentativas de leilões de energia existente promovidas neste ano e que não tiveram oferta por parte das geradoras.
 
Para o leilão da próxima semana, o preço-teto para contratos de um ano é de R$ 192 por MWh, ante cerca de R$ 120 por MWh dos contratos vigentes, em média.
 
Assim, mesmo que o leilão seja um sucesso, o preço da energia para uma parcela significativa do mercado --o volume a ser contratado equivale a até 40% do abastecimento das residências do país-- será mais alto em 2014.
 
Já na hipótese de o leilão ser parcialmente bem-sucedido ou fracassado, a conta de luz ficaria ainda mais cara. Quanto ela encareceria é difícil prever, pois o volume que precisa ser contratado varia entre as distribuidoras.
 
A Eletropaulo, por exemplo, precisa comprar cerca de 3,5% da carga que tem que entregar em 2014. Já a Copel, cerca de 30%, segundo estimativas do mercado. Dependendo da data de reajuste da distribuidora, o impacto pode ser sentido só em 2015.
 
RISCOS
Caso as distribuidoras não consigam contratar tudo o que precisam, elas terão de comprar energia no mercado de curto prazo a preços desconhecidos, elevando o risco de alta nas tarifas. Nesse mercado, o preço varia de acordo com a demanda, o volume de chuvas, o nível dos reservatórios das hidrelétricas e o número de térmicas ligadas.
 
Hoje, o MWh nesse mercado está perto de R$ 300. O valor bem mais alto do que o praticado no leilão pode reduzir o apetite das companhias pelo certame, que conta ainda com um considerável risco político.
 
Por terem se recusado a renovar suas concessões, a estatal paulista Cesp e a mineira Cemig têm cerca de 2.000 MW médios disponíveis, segundo João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia.
 
Esse volume equivale a um terço do que precisa ser contratado na terça e, portanto, têm um peso importante no resultado do leilão. Comandadas por governos tucanos, as empresas fazem mistério sobre a sua participação.
 
META FRUSTRADA
As incertezas que pairam sobre o setor de energia elétrica têm origem na medida provisória 579, de 2012, que tinha o objetivo de reduzir as tarifas em 20%, em média.
 
Mas alguns imprevistos minaram a promessa do governo. Além de algumas empresas não terem aceitado renovar suas concessões, a falta de chuvas levou ao acionamento das térmicas.
 
"A redução de 20% prometida pelo governo virou 14% no final deste ano", diz Ricardo Savoia, diretor da Thymos. Nos próximos anos, esse percentual deve cair ainda mais.
 
11 de dezembro de 2013
TATIANA FREITAS - FOLHA DE SÃO PAULO

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