"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ARGUMENTO DE CELSO DE MELLO PARA PRESERVAR RENAN NÃO TINHA BASE NA REALIDADE


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Dizer que Viana ia boicotar o teto de gastos é um exagero
É inacreditável sua força, assim como é inaceitável seu prestígio. Não tem o menor carisma, é um orador medíocre, mas no Brasil ninguém faz política como ele, a ponto de conseguir que os outros dois poderes da República se curvem diante de seus interesses. Assim é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente irremovível do Senado e que se mostra capaz de desmoralizar Supremo e  Planalto, ao mesmo tempo, para comprovar que ainda é o Senhor dos Anéis desta República, pelo menos até o dia 2 de fevereiro, quando será substituído na presidência do Senado e enfim entrará em merecida decadência.
NADA IGUAL – Nunca antes, na história deste país, se viu nada igual. Réu em um processo penal no Supremo e respondendo a outros 11 inquéritos, Renan Calheiros conseguiu reverter uma liminar no Supremo e voltar à presidência do Senado sob a ilusória justificativa de que seu afastamento poderia evitar a aprovação da emenda constitucional do teto de gastos, que limita, por 20 anos, as despesas do governo à inflação oficial dos 12 meses anteriores.
O ardiloso argumento, que nada tem de jurídico, foi usado pelo ministro Celso de Mello para derrubar a liminar que mandava afastar Renan, e ficou tudo por isso mesmo, com placar de 6 a 3 a favor do cacique do PMDB, que obteve maioria de dois terços, como se fosse um cidadão acima de qualquer suspeita.
NA CALADA DA NOITE – Antes do julgamento no Supremo, já estava tudo acertado. Às 6h25m desta quarta-feira, a jornalista Mônica Bergamo postava na Folha o acordo fechado pelos ministros do Supremo com apoio irrestrito do presidente Michel Temer e dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, só faltaram chamar Lula da Silva e Dilma Rousseff  para derrubar a liminar aceita pelo relator Marco Aurélio Mello.
A colunista descreveu, com inacreditável precisão, como o julgamento transcorreria, dizendo que Celso de Mello apresentaria o voto pró-Renan e seria seguido por ” Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Teori Zavaski e até a presidente do tribunal, Cármen Lúcia”. Caramba, acertou em cheio, e em seguida a manobra foi confirmada pelo jornalista global Jorge Bastos Moreno, que tem acesso pessoal ao presidente Temer e funciona como uma espécie de porta-voz informal do Planalto.
E foi assim, com um acerto na calada da noite, que o Senhor do Anéis voltou a reinar no cenário político, sob justificativa irreal e absurda, porque a estratégia vitoriosa foi  alardear que o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) não colocaria em votação a emenda do teto de gastos, o que agravaria ainda mais a crise econômica.
COM BASE EM SUPOSIÇÃO – A tese é altamente  improvável, porque na votação do primeiro turno, em 29 de novembro, o teto de gastos foi aprovado por 61 votos a 14, e o governo só necessitava do apoio de 49 dos 81 vereadores. Não registraram voto o próprio Renan, que já havia dito que não votaria, além de Jorge Viana (PT-AC), Roberto Requião (PMDB-PR), Romário (PSB-RJ), Telmário Mota (PDT-RR) e Virgínio de Carvalho (PSC-SE).
Mesmo se assumisse a presidência da Câmara para um mandato-tampão até 2 de fevereiro, o petista Jorge Viana não poderia refutar o plenário, porque no Congresso as coisas funcionam por acordo de lideranças, que já tinham marcado a votação do teto de gastos para a próxima terça-feira, dia 13.
APENAS ABSTENÇÃO – Entre os petistas, Jorge Viana é um dos mais moderados e responsáveis. Notem que na votação de primeiro turno ele apenas se absteve, nem votou contra, e jamais afirmou que pretendia boicotar a emenda do teto de gastos.
Em Brasília, todos sabem o verdadeiro motivo do empenho do Planalto para proteger Renan. Como no célebre filme de Hitchcock, o senador alagoano é um homem que sabia demais, igualzinho a Eliseu Padilha, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Edison Lobão, Henrique Eduardo Alves, Jader Barbalho, Valdir Raupp e outros caciques do PMDB e de outros partidos da base aliada, como PSDB, PP, PSD, PTB e companhia limitada.
Dentro de alguns dias, enfim será conhecido o listão dos mais de 200 políticos beneficiados pelo Departamento de Propinas da Odebrecht. A maior dúvida é sobre a extensão do envolvimento do presidente Michel Temer, cujo nome já foi citado por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e por outros delatores da Lava Jato. Então, vamos aguardar, porque falta muito pouco para o vazamento do listão.

08 de dezembro de 2016
postado por m.americo

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