"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SUPREMO REACIONARISMO


Quero lamentar a decisão retrógrada e extemporânea do Supremo Tribunal Federal, que transformou salas de aula das escolas públicas brasileiras em templos para o proselitismo religioso.

As escolas brasileiras, que já são de fazer vergonha com seus vícios atuais, não precisam de mais problemas. Não fosse pelo reacionarismo medieval desse tribunal, elas seriam um lugar sagrado, não para padres e pastores, mas para mestres e alunos. Lugar do saber, não da crença e do dogma.

O planeta passa por um período de reavivamento do fundamentalismo, intolerância e sectarismos. O STF, com sua guinada medieval, nos lança nessa perspectiva.

Quero ver o que vai acontecer quando o filho do pastor neopentecostal, que abomina a idolatria, for obrigado por um doutrinador católico a venerar santos da Igreja. E também o que acontecerá ao filho de santo da umbanda quando o pastor chegar com a pregação de que os pretos velhos e as falanges são coisa do demônio.

Melhor seria se o STF, em vez de arrebentar a laicidade do Estado com sua carolice empedernida, começasse a fazer o que não quer fazer, que é a aplicação da Lei Penal aos amigos da corte, as dezenas de políticos que os ministros não se cansam de proteger com sua morosidade e soberba.

Nunca o crucifixo que jaz sobre plenário do STF foi tão adequado ao simbolismo que representa essa corte. Literalmente, o Supremo é hoje uma cruz pesada que temos que carregar.


12 de outubro de 2017
Fábio Pannunzio

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