"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

NUNCA TANTOS DEIXARAM DE FAZER SUAS ESCOLHAS PARTIDÁRIAS

Entre vencedores e vencidos, as eleições que se encerraram ontem apontam para um resultado consensual: há uma evidente crise da representatividade política no elevado número de votos nulos e brancos, considerando as duas etapas do pleito. 
Nunca tantos deixaram de fazer suas escolhas partidárias para expressar o inconformismo com a política tradicional. Este voto de negação precisa ser entendido para que possamos acelerar o esforço para reconquistar a confiança dos cidadãos.

O desgaste da democracia representativa não é um fenômeno brasileiro. Muitos países enfrentam essa crise, o que faz emergir, na cena pública global, personagens e grupos que se projetam por ostentar o discurso da antipolítica. Isso é particularmente grave no Brasil, onde a nossa jovem democracia vive suas primeiras décadas de amadurecimento.

Desde os acontecimentos que sacudiram as ruas do país em 2013, o descompasso entre cidadãos e seus representantes na vida pública se agravou. As denúncias de corrupção e as revelações da Operação Lava Jato, o processo de impeachment da ex-presidente Dilma e a crise que destruiu a economia e os sonhos de milhões de brasileiros ajudaram a multiplicar a descrença e o desalento.

Como resposta a esse estado de coisas, nada mais inútil e manipulador que a simples negação da política, já que esta se constitui no território do debate e do diálogo que sustentam o ambiente democrático.

Este é o momento de resgatar a boa política, revesti-la de significado para os que anseiam por maior participação. Naturalmente, os partidos precisam se oxigenar e se aproximar mais da vida real. A coletividade consegue hoje se organizar e se expressar em canais muito diversos. São movimentos legítimos e, por isso mesmo, precisam caminhar de forma articulada com a representação política. Fora do campo político, o que há é o autoritarismo e a intolerância.

É essencial avançar na reforma do sistema político e eleitoral no país. A fragmentação partidária —o Brasil tem nada menos que 35 partidos registrados no TSE e dezenas de outros a caminho—, o sistema eleitoral que dificulta as relações entre candidato e eleitor, e o mecanismo de financiamento das campanhas são questões que precisam ser vistas com urgência e responsabilidade. Já tramita no Congresso uma proposta de minha autoria e do senador Ricardo Ferraço que prevê uma cláusula de desempenho eleitoral capaz de inibir o número de partidos, expurgando aqueles que servem apenas como legendas de aluguel.

A democracia é um patrimônio da sociedade. Ainda que imperfeita, é a única garantia de que a pluralidade de vozes será respeitada. E não há nada que a fortaleça mais do que o exercício da boa política.


03 de novembro de 2016
Aécio Neves, Folha de SP


NOTA AO PÉ DO TEXTO

Acorda, homem! Escolhas partidárias?? Onde estão esses partidos que não representam os interesses da nação, os interesses do povo, os interesses do Brasil??
Partidos??? Que partidos? Que programas ou ideologias eles apresentam? Um número absurdo de legendas, que nada expressam que sirva ao país. Legendas que apenas arregalam os olhos para o fundo partidário, para morder uma estatal ou um ministério, em troca de apoio ao governo, o eterno refém de interesses escusos. Partidos sem quadros autênticos, competentes... Quadros que sassaricam de legenda em legenda, buscando os melhores lugares onde parasitar.
E como expressar "inconformismo"? Votando em quem?? Pois não é essa a grande miséria a que ficou reduzida a política? A cada dia uma surpresa desponta na operação Lava Jato. A cada dia, as caras sérias das 'celebridades políticas e empresariais' nos surpreendem com suas contas milionárias nos paraísos fiscais, ou na Suécia, nos EUA. Caribe...
Um Congresso que apenas se mobiliza para cuidar dos próprios interesses. Um presidente do Senado da República que responde a 11 processos. Um ex-presidente da Câmara cassado por corrupção... 
E esperam o que desse traído eleitor, desse sofrido eleitor, desse desesperançado eleitor? E por que não dizer desses desesperados eleitores?
Tenha paciência, homem! Acorda!!!
m.americo

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