O governo Dilma perderá o restinho de governabilidade que ainda possui caso o Diário Oficial de hoje, no máximo o de amanhã, não tragam o nome dos 150 felizardos escolhidos pelo vice-presidente Michel Temer entre os partidos da base oficial para preencher a primeira leva de nomeações para o segundo escalão da administração federal. A medida provisória 665, das maldades contra os direitos trabalhistas, foi aprovada semana passada na Câmara por pequena margem de votos, mas apenas porque o coordenador político jurou de pés juntos que seriam atendidos de imediato os deputados dispostos a trocar votos por benefícios.
Agora, estão cobrando a traição ao trabalhador e ameaçam não votar a medida provisória 664, de mais maldades contra os mesmos de sempre que pagam a conta dos desvarios econômicos do governo Dilma. Não saindo as nomeações, nada feito. A Oração de São Francisco precisará estar impressa antes que entre em pauta a proposta que extingue as pensões das viúvas com menos de quarenta anos e não tenham sido casadas por pelo menos dois anos com os falecidos maridos ou companheiros.
A gente se pergunta como as coisas puderam ficar piores do que já eram, indo a razão para o vaticínio do dr. Ulysses, de que “pior do que o atual, só o futuro Congresso”. Votar contra prerrogativas sociais que se presumia imutáveis é uma vergonha, mas votar pela sua permanência apenas porque Suas Excelências não foram contempladas com sinecuras parece mais grave ainda.
COM MERCADANTE
As nomeações passaram do vice-presidente para o chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, encarregado de viabilizá-las. Ignora-se a hipótese de Madame participar da lambança, vetando ou acrescentando mais privilegiados na lista do Temer, mas não há como deixar de concluir que se o restante do ajuste fiscal for derrotado, melhor seria para o governo pedir para sair. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, confirmava ontem a disposição de colocar em pauta a MP 664 amanhã à noite ou quarta-feira, e não ficará triste caso o Diário Oficial venha sem as nomeações. A cada dia que passa ele mais se convence de que o dedo do palácio do Planalto mexe no noticiário relativo ao inquérito que responde no Supremo Tribunal Federal. Ficaria satisfeito com a derrota da nova maldade, não propriamente por preocupar-se com a sorte dos trabalhadores.
Em suma, a semana começa carregada, não só de esperanças para 150 eventuais protegidos da bancada governista, mas também de temores a respeito do que acontecerá diante da possibilidade de votações sem o cumprimento de promessas.
11 de maio de 2015
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