"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS É ABERRAÇÃO

Ricardo Melo e o MTST já resolveram os problemas dos sem-teto e, por isso, têm tempo para contribuir com a questão israelo-palestina?

A solução para o conflito entre israelenses e palestinos proposta pelo colunista Ricardo Melo nesta Folha em 28 de julho com o artigo "Israel é aberração; os judeus, não" é a mesma proposta pelo Hamas e por sua carta constitutiva. É a mesma solução preconizada por outras organizações terroristas palestinas (e não pelos palestinos, representados pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas) e pelo Irã.

Críticas a Israel e à sua política são totalmente aceitáveis e é parte da discussão na mídia e entre nações. Preconizar e apoiar a ideia do fim de um Estado que tem todo o direito de existir, como o Brasil tem, é um ato de violência verbal. Soluções construtivas e positivas não incluem aniquilar um Estado ou sugerir seu desaparecimento.

O antissionismo exposto no artigo do colunista --a oposição à existência de Israel, que é a manifestação do movimento de liberação nacional do povo judeu-- é o modelo e a versão atualizada do antissemitismo, que hoje não está na moda e que não é "politicamente correto". Quando alguém diz que tem muitos conhecidos judeus e que não é antissemita é a melhor prova de que temos um antissemita diante de nós. E se, como faz o colunista, acrescenta comentários que não têm nada a ver com o tema em discussão, sobre o bairro Higienópolis, em São Paulo, por exemplo, são claras também as suas visões antijudaicas.

Israel não tem a mínima intenção de se suicidar para satisfazer a vontade do colunista, do Hamas ou do Irã e, assim, contribuir para tornar esse sonho realidade.

Junto de Ricardo Melo, poderíamos colocar o colunista Guilherme Boulos, que no seu artigo de 31 de julho ("A Palestina apagada do mapa") no site da Folha, com intenção e linguagem agressivas e agitadoras, comete vários erros e confusões históricas (intencionais ou por ignorância?) que, com o tamanho deste artigo, não conseguiria retificar. Boulos adere à visão de que não se deve confundir o leitor com fatos e realidades, mas tem que deturpá-los para fundamentar sua posição destrutiva e ignorante.

Ricardo Melo e os integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) já resolveram os graves problemas prioritários dos brasileiros sem-teto e, por isso, têm tempo, recursos e conselhos para contribuir negativamente com a questão israelo-palestina? Ficamos felizes! Ou não seria a vontade de "pegar carona" em qualquer tema conflituoso que permitiria repudio, manifestações, agitação e a oportunidade de exteriorizar visões que transgridem claramente os limites da livre expressão, princípio aceito por países democráticos como Brasil e Israel e rejeitado rotundamente por países autoritários e por organizações extremistas, como o Hamas.

O principal inimigo dos palestinos é o Hamas, que sacrifica a vida de seus cidadãos no altar da proteção de seus mísseis, explosivos e túneis, cujo objetivo é assassinar sem distinção israelenses (20% dos quais são árabes), civis, homens mulheres e crianças.

Israel investe em mísseis defensivos e refúgios para proteger sua população civil e o Hamas "investe" e sacrifica descaradamente a vida de sua população civil, para proteger seus mísseis ofensivos.

Por muitas vezes neste conflito atual Israel propôs um cessar-fogo, mas o Hamas não aceitou --parece não estar interessado em poupar vidas palestinas em Gaza. É o culto da morte do terrorismo palestino (não de todos os palestinos) frente ao culto à vida e sua proteção por parte de Israel.

A solução do conflito entre israelenses e palestinos reside na proposta de dois Estados para dois povos e na constituição de um Estado palestino, ao lado de Israel, e não em vez de Israel, como propõem os dois colunistas aqui mencionados e também o Hamas e o Irã. Dois Estados que convivam em boa vizinhança, cooperação, bem-estar e progresso comuns para a prosperidade e a paz de seus povos e de todo o Oriente Médio.

 
04 de agosto de 2014
Yonel Barnea, Folha de SP

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