"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

TEMER, ENIGMÁTICO, ACONSELHA DILMA A OUVIR MAIS DO QUE FALAR



Charge de Amarildo, reprodução do blog do Noblat
O que significa, no fundo da questão, tal conselho destacado em reportagem de página inteira de Tânia Monteiro, Vera Rosa e Igor Gadelha, O Estado de São Paulo, edição de 20, quinta-feira? No fundo da questão, não significa nada, coisa alguma. Mais um enigma colocado pelo vice no seu relacionamento com a presidente das República. Afinal de contas, Dilma Rousseff tem que falar, falar sempre, comunicar-se com a população, prestar conta de seus atos e projetos à opinião pública. Se ela não falar, quem falará no seu lugar? O vice Michel Temer? Não tem sentido.
O encontro também foi publicado pelo Globo e Folha de São Paulo. Mas ar o tema falar, por qual motivo o vice-presidente não se define publicamente contra a tentativa de impeachment, como o faz uma corrente do PMDB, partido de que é presidente? Seria uma posição mais ética do que o silêncio que adota como estratégia para ser reconduzido a esse posto na convenção marcada para o mês de março. Mais ética por um motivo muito simples: o único beneficiado no caso do impeachment seria ele próprio, Michel Temer.
Ficou nítido do encontro a iniciativa de Dilma Rousseff em promover uma reaproximação. Ora, reaproximação significa, é lógico, que houve um distanciamento. E tal distanciamento seria inevitável depois da famosa carta que dirigiu à presidente reclamando de seus pleitos políticos não serem atendidos. A carta, é claro, não poderia deixar de repercutir e produzir reflexos negativos para ambos. Ouvir mais e falar menos? Não tem cabimento. Sobretudo porque a frase embute um apelo ao recolhimento. E quando quem ocupar o poder se encolhe ou recolhe, deixa sempre um espaço perigoso a ser ocupado. Ocupado por quem? Por ele, Temer?
MOMENTO DE CRISE
Um absurdo a sugestão de sair de cena. Principalmente no momento atual de crise econômica, de ingresso no espaço da recessão. Desemprego subindo, receitas públicas descendo em função da queda no consumo, avanços e recuos na política de juros da SELIC. Pressão do PT levou a chefe do Executivo ao recuo, mantendo os%, depois de anunciar que o Banco Central teria carta branca para escolher a solução que considerasse melhor. Mas não é só em matéria de silêncio.
Michel Temer deveria esclarecer se é fato sua aproximação com Eduardo Cunha, seu relacionamento com os parlamentares que lutam pela conquista da liderança da legenda na Câmara. Enfim, sair das sombras e expor sua opinião a respeito do panorama. Não se conhece o que ele pensa. Conhece sua disposição de romper a aliança com o PT nas urnas de 2018. Mas nas urnas de 2016, o que ele sugere a seus correligionários como caminho para a campanha eleitoral deste ano? São dilemas a serem esclarecidos.
LEALDADE POLÍTICA
Antes de mais nada, ele, Temer deve lealdade política a Dilma Rousseff, pois foi ela quem o elegeu e reelegeu para vice. Michel Temer, isoladamente, jamais teria os votos necessários para um voo desse porte rumo ao Palácio do Planalto. O que ele não pode, assim, é cobrar o exercício duplo de um poder que não conquistou e a ele só votos que Lula dirigiu para a atual presidente da República.
Dividir poder com o vice? Isso não existe em lugar algum do mundo. O vice, como sustentou Santiago Dantas, ao argumentar junto ao Supremo Tribunal Federal defendendo a reeleição de João Goulart a vice-presidente, só tem uma função. Substituir o presidente nas suas viagens ao exterior. O vice, acrescentou, é nulidade administrativa. O STF aceitou a tese por 5 votos a 2. Esta é a questão.

23 de janeiro de 2016
Pedro do Coutto

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