"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 1 de outubro de 2017

UMA ANÁLISE DA CARTA MENTIROSA E ENGANADORA DE ANTONIO PALOCCI AO PT

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
Quem não conhece o PT anda supervalorizando a tal carta escrita por Antonio Palocci para Gleisi Hoffmann, presidente de mentirinha do PT. De mentirinha porque quem manda de fato no PT é o partido dentro do partido, que obedece totalmente e somente à Lula, Dirceu e mais três dezenas de membros do núcleo duro da organização política criminosa que, aliás, estão soltos, com uma única exceção: João Vaccari (o único que permanece em regime fechado).
A carta de Palocci foi importante por confirmar o que já sabíamos. Ele, porém, não contou nada do que sabe e que nós ainda não sabemos. É uma carta que mais esconde do que revela. De vital para o desbaratamento da organização criminosa não há nada na carta.
Palocci não revelou nada sobre a verdadeira natureza do PT. O que ele disse é que o PT e Lula se corromperam, como os demais partidos e líderes de partidos tradicionais, que são corruptos mesmo. Palocci está seguindo fielmente o script de redução de danos: o PT só fez o que todo mundo faz (como disse Lula em Paris, no final de 2005: a explicação-padrão inventada por Thomaz Bastos).
Já tratei do assunto em vários artigos escritos antes da redação da carta, como o intitulado Cuidado com o caso Palocci.
Vejamos o que ele, Palocci, ainda não disse e o que jamais vai dizer.
O QUE AINDA NÃO DISSE – O Antagonista, num raro post de utilidade (que não é jornalismo marrom) resumiu o que Palocci pode estar guardando para uma delação premiada. Citemos um trecho:
“Até agora Palocci não disse nada, por exemplo, sobre as negociatas da mansão do lobby e da quebra de sigilo do caseiro Francenildo.
Tampouco falou do estranhíssimo perdão da dívida do Congo de US$ 280 milhões – no governo Dilma – que beneficiou o grupo Asperbras, cujo dono é amigo do italiano.
E dos US$ 348 milhões bloqueados numa conta de um banco em Miami e que teriam origem em negócios do PT em Angola?
E a propina do caso Portugal Telecom? E a compra de silêncio de Marcos Valério? E as negociatas com o Grupo Petrópolis? A sociedade da Oi com a Gamecorp, de Lulinha?
Nada sobre as empresas dos filhos de Lula que funcionavam no mesmo endereço da consultoria Projeto? Nada sobre a venda de decisões no Carf ou a aprovação de Medidas Provisórias? Nada sobre empresas de saúde?
Por que Palocci não entrega as contas bancárias usadas para o repasse da propina de Lula no esquema da Sete Brasil? Não vai admitir que os US$ 98 milhões devolvido por Pedro Barusco eram seus?
Palocci poderia falar também da propina que recebeu na intermediação do contrato da WTorre para a construção do Estaleiro Rio Grande (o primeiro dedicado a sondas do pré-sal). E a propina no contrato de US$ 6,5 bilhões para a construção das sondas?
Quem mais recebeu naquele episódio? Paulo Bernardo assinou o ato de entrega do terreno da União à WTorre e Dilma firmou de próprio punho o contrato da obra.
Tudo indica que a relação com Palocci rendeu à WTorre outro estrondoso contrato para erguer a bilionária – sim, bilionária – sede da Petrobras no Rio. Até agora, infelizmente, nenhuma palavra do ex-ministro sobre o negócio.
Palocci já contou sobre quanto custou a aprovação no Congresso da capitalização da Petrobras do modelo de partilha do pré-sal – projetos capitaneados por ele?
A delação de Palocci precisa esclarecer os R$ 2 milhões que ele recebeu da JBS para prestar ‘consultoria’ na compra da Pilgrim’s e na enroscada incorporação do grupo Bertin. Palocci faria um bem ao país se explicasse por que o BNDES injetou R$ 2,5 bilhões no Bertin, mesmo ciente de que estava quebrado.
No setor de proteína animal, quem melhor do que Palocci para corroborar a versão de Joesley sobre os US$ 150 milhões pagos pela JBS a Guido Mantega, por acesso a recursos do BNDES. Esse dinheiro foi realmente usado na campanha de Dilma em 2010 – coordenada pelo próprio ‘italiano’?
Ninguém melhor do que Palocci também para dizer se Joesley mentiu ao poupar Lula em sua delação premiada. Esse último tema, inclusive, deveria estar no topo da lista dos anexos que o italiano negocia com a Lava Jato”.
O QUE JAMAIS VAI DIZER – Vamos selecionar apenas sete exemplos do que ele, Palocci, não vai dizer:
1 – Não vai revelar o mapa das contas secretas, no Brasil ou no exterior, em nome de laranjas ou de offshores, onde está guardado o dinheiro obtido em mais de uma década de assalto ao Estado e de achaque a empresas nacionais e estrangeiras (ou alguém é tão tolo para achar que Barusco era o único exemplar de uma espécie exótica em extinção?).
2 – Não vai revelar o esquema de financiamento da rede suja de veículos de comunicação dedicada a falsificar notícias, de aluguel de pessoas para escrever em blogs e sites alternativos e, inclusive, de suborno da grande imprensa (quem sabe até via bancos).
3 – Não vai revelar os endereços onde está o dinheiro cuidadosamente poupado para uma aposentadoria milionária (ou para uma espécie de fundo comum para vários membros da organização), talvez escondido, por meio de artifícios financeiros intrincados, por um banco. Não vai denunciar esse banco. Não vai denunciar outros bancos que participaram de algum dos esquemas.
4 – Não vai revelar (se houver – e parece que há) os nomes do alto judiciário envolvidos.
5 – Não vai revelar os nomes de oficiais militares de alta patente que sabiam de licitações fraudulentas (por exemplo, para compra dos caças, do submarino nuclear e de outros armamentos).
6 – Não vai revelar os detalhes do assassinato de Celso Daniel.
7 – Não vai revelar as relações do PT (quer dizer, do Partido Interno que dirige de fato o PT) com a ditadura cubana, que são mais profundas do que se pensa. E não vai revelar também a associação ao plano castrista de capturar a Venezuela, construir o bolivarianismo a partir do chavismo e de colonizar a Nicarágua entregando o governo do país aos sandinistas de segunda geração. E, ainda, não vai revelar ainda as relações com as FARC, com a FMLN de El Salvador e etc. e etc.
SETE PONTOS CRUCIAIS – Não, nenhum membro do núcleo duro da organização política criminosa (a verdadeira e única ORCRIM estratégica) vai confessar ou delatar nada disso. Nem Lula, nem Vaccari, nem Dirceu, nem os demais membros do partido dentro do partido, vão tocar nestes sete pontos. Estas são as informações estratégicas necessárias para que se possa desbaratar a organização política criminosa que dirige de fato o PT.
Basta ver o comportamento de Dirceu. Condenado a mais de 30 anos, por que ele não confessa? Por que não delata em troca de redução da sua pena? Ora, porque ele sabe que não pode revelar o que é estratégico para que a organização continue organizada e, em algum dia futuro, consiga voltar ao poder e libertá-lo.
SONEGANDO INFORMAÇÕES – Palocci, ao que tudo indica, não tem conhecimento suficiente e detalhado (a não ser por ouvir dizer) dessas operações da segunda lista (da maioria das quais é improvável que tenha participado diretamente ou com papel dirigente).
Em parte ele não revelou nada disso porque não sabe mesmo (já faz tempo que não pertence ao núcleo duro, que dirige o partido dentro do partido). Mas, em parte, ele – que tem boa memória – sabe muita coisa que poderia fornecer o fio da meada para futuras investigações: mas isso ele não quer (e não vai) fazer.
(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

01 de outubro de 2017
Augusto de Franco

Site Dagobah

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