"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

QUEM SE LEMBRA DO VELHO CLÔ?

Na novela “Fina Estampa”, da Rede Globo, Marcelo Serrado interpreta Crodoaldo Valério. “Crô” - para os íntimos - é um mordomo gay que muito tem contribuído para os índices de audiência da trama. O hipocorístico do nome do personagem, com a troca de uma das letras, remete a uma personalidade homossexual também bastante popular: o falecido Clodovil Hernandes – o velho “Clô”. A associação, no entanto, já não parece tão evidente: não se sabe se por uma consequência do tempo, ou por um propósito não declarado abertamente. 
 

Em favor desta última hipótese, uma de declaração do Deputado Federal e líder do movimento LGBT, Jean Wyllys, pode lançar alguma pista:
 
Antes de mim, teve o Clodovil [Hernandes] (...) Mas ele não encampava a luta do movimento, pelo contrário. Em entrevistas, era radicalmente contra as paradas gays (...) O Deputado Clodovil não oferecia perigo, compreendeu? O problema é chegar aqui e reclamar por direito. [1]
 
A consideração do porta-voz do movimento gay é apenas o rastro a ser seguido para constatar que a diferença com velho Clô não era apenas de “adesão à causa”. Um registro do lançamento da “Frente Parlamentar pela livre expressão sexual”, realizado no Congresso Nacional em 2007 [2], revela divergências mais profundas. Nele Clodovil aparece discursando para a militância gayzista:
 
Eu daria um viva à vida, que seria muito melhor que um viva a qualquer causa (...) Nenhum de nós teria nascido se não houvesse a mãe; então, eu não sei o porquê desta luta – para provar o quê se nós somos filhos de heterossexuais? (...) Isto não é liberdade, está se transformando em libertinagem (...) Esta Parada Gay, eu nunca iria a ela (...) Eu não tenho orgulho nenhum de ser gay, eu tenho orgulho de ser quem eu sou (...) Eu sou a favor da família. Eu acho que eu nasci de um homem normal e de uma mulher normal (...) Eu acredito em Deus. [Os destaques são meus].
 
Enquanto discursava Clodovil era vaiado – e debaixo dos brados de palavras de ordem, abandonou o microfone: “Não adianta, não adianta, realmente (...) vocês sempre entenderão da maneira que convêm a vocês”.
 
Fica claro que as divergências entre Clodovil e o movimento gay – e consequente com um de seus líderes, Jean Wyllys - não esta somente na adesão a “uma causa”, na defesa de uma “bandeira”. Como a militância gayzista é um dos braços do movimento revolucionário, eles têm alguns princípios em comum: atingir a “família tradicional” e a “religião”. No meio da confusão dos protestos e reivindicações a herança do profético manifesto revolucionário marxista - contra a “família burguesa”; contra o “ópio do povo”, a religião - torna-se cada vez mais velada. 
 
Se não é possível destruí-las completamente, é necessário reformular tanto a “família tradicional” quanto a “religião”. No Brasil a primeira já foi atingida com os artifícios e subterfúgios da decisão do Supremo Tribunal Federal que reconhece a união homoafetivo como entidade familiar [3]. Quanto à religião, apesar dos insucessos das investidas mais audaciosas – como a do temporariamente suspenso PL-122 -, alguns resultados podem ser constatados – por exemplo, as transformações pelas quais passaram os santos da Igreja Católica na Parada Gay de 2011:
 
 

Em tempos de “transformações”, até mesmo o ator que interpreta o personagem “Crô” é constrangido pelos absurdos e confusões mentais provocados pelas investidas revolucionárias. Hesitante, reforçando o apoio à união homoafetiva e a políticas gayzistas, o ator Marcelo Serrado comete um pecado contra o decálogo “politicamente correto”: ele afirma que não gostaria que sua filha de 7 anos assistisse a um “beijo gay” em uma novela [4]. A patrulha do movimento revolucionário não tardou na censura e crítica – porque para a “transformação do mundo” não pode restar nada daquilo que mesmo o velho, e esquecido, Clô, com suas extravagâncias e afetações, sabia ser fundamental.

 
Referências.
 
[1]. Jean Wyllys em entrevista para a revista “Rolling Stone” [http://www.rollingstone.com.br/edicao/59/a-cruzada-libertadora-de-jean-wyllys]. 
 
[3]. Cf. BRAGA, Bruno. “Família do ‘Novo Milênio’?” [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/08/familia-do-novo-milenio-bruno-braga.html].
 
[4]. Cf. Jornal “Folha de São Paulo”, 08 de Janeiro de 2012.
 
27 de fevereiro de 2014

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