"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

NÃO É FÁCIL INCRIMINAR EMPREITEIROS, MAS A HORA É ESSA

Não é fácil incriminar empreiteiros, mas a hora é essa
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A Operação Lava Jato revirou nos últimos meses o mundo subterrâneo dos grandes contratos da Petrobras. Encontrou um festival de propinas, verbas ilegais de campanha e políticos desonestos.

Para fazer o serviço completo, no entanto, não basta pegar os políticos corruptos. O que nunca acontece, e a Lava Jato tem a chance inédita de fazer agora, é punir também os corruptores.

O propinoduto da Petrobras, segundo a investigação, foi financiado por empreiteiras que ganharam contratos bilionários da estatal. E enquadrar um empreiteiro, até mesmo investigá-lo, não é fácil.

Esses empresários formam uma espécie de governo paralelo, que não é eleito, não tem mandato, mas tem poder. Formaram uma sólida comunhão com o setor público, que nem sempre leva em conta os interesses da população.

Na Petrobras, um dos produtos dessa relação foi a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Anunciada com orçamento de US$ 2,5 bilhões, a obra vai custar US$ 20 bilhões.
Um dado notável é que boa parte das empresas envolvidas na Lava Jato já tenha sido investigada antes, sem nenhuma consequência.

PC FARIAS

Nas CPIs de PC Farias e dos anões do Orçamento, nos anos 1990, um presidente caiu, deputados foram cassados, mas as empreiteiras escaparam. Na Operação Castelo de Areia, de 2009, seus advogados foram bem sucedidos e suspenderam a investigação na Justiça.

Desta vez há uma diferença importante –a chamada delação premiada. Em troca de punições menos severas, um ex-diretor da Petrobras, um doleiro e dois executivos da empresa Toyo Setal começaram a contar o que sabem aos investigadores.

Isso pode mudar tudo. As empresas com culpa no cartório não estavam preparadas para lidar com delatores que conhecem no detalhe os métodos do grupo. Na teoria, a colaboração tende a proporcionar provas mais robustas do que nas vezes anteriores.

DELAÇÃO PREMIADA

Temendo que a casa possa cair, neste momento algumas empreiteiras avaliam com advogados a conveniência de se entregar. Alegariam que foram extorquidos pelos diretores da Petrobras.
Em conversas reservadas, executivos dessas empresas agora dizem que já estavam indignados com a proporção que a bandalheira tomou. Pode ser. Mas parece evidente que eles participaram do esquema e lucraram com o superfaturamento das obras na estatal.
Punir o grupo seria um passo essencial para romper o conluio venenoso entre empreiteiras e setor público, que persiste há décadas. E, sem isso, não há como avançar a sério na direção dos bons costumes na política.

14 de novembro de 2014
 

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