"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 30 de agosto de 2014

VENDENDO A VERDADE COM EMBALAGEM "FAKE"

 

No exato momento em que o jornalismo em geral, e o impresso em particular, são desafiados, cobrados, pressionados, desacreditados e colocados sob suspeita, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) entra em cena com novo e portentoso disparate que só reforça as cobranças, questionamentos e dúvidas.

Na quinta-feira (21/8), a Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo e Valor chegaram às mãos de seus assinantes em São Paulo com capas falsas – ditas “promocionais” ou mascaradas de “informes publicitários” – para vender a ideia de que se deu no jornal é verdade.

Jogada infantil para agarrar o público jovem, o anúncio tenta reproduzir uma página de tuítes e posts da rede social. O principal deles, postado por Maria Reininger (depois do 7 a 1 é chique ter nome alemão), informa que se algo está na capa do jornal de hoje “eu acredito”.

Na página interna diz-se que “quem abre uma notícia, abre um jornal (deveria ser o contrário – tudo bem, bacana ser obtuso).
Seguem-se algumas linhas de sociologia de boteco informando que o que ontem foi viralizado, o que está nas page views, nos hashtags, nos tuites e retuítes só existe quando sair no jornal. Conclusão acaciana: “Jornal é o que leva a verdade até você, é o que garante que tudo aconteceu”.

Zona de turbulência

Primeira pergunta aos senhores acionistas de empresas jornalísticas: se o jovem é avesso a jornal como se apregoa, qual a utilidade de dirigir uma mensagem escrita a quem não lê ?
Segunda pergunta: se as capas daquela edição foram falsificadas, como associar o meio jornal ao conceito de verdade?

Terceira pergunta: no início da temporada eleitoral, quando os jornalões deveriam tentar a individuação para desfazer a imagem de pool ou confraria, a inconveniência da mensagem coletiva, em uníssono, não ocorreu a alguém? Uma autopromoção com forte teor corporativo e veiculada simultaneamente pelas maiores empresas jornalísticas do país (Valor é uma parceria da Folha com o Globo) não confirma – ao invés de desfazer – a falta de pluralismo e diversidade em nossos meios de comunicação?
Apertem o cinto, senhores: vamos entrar em área de turbulência e os pilotos estão tontos.

30 de agosto de 2014
Alberto Dines

Nenhum comentário:

Postar um comentário