"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NO DIA DE FINADOS, OS MORTOS-VIVOS SE REUNIRAM NO PLANALTO



“Nós que aqui estamos, por vós esperamos”




Em alguns momentos ─ raros ─, Dilma Rousseff é assaltada por irresistíveis acessos de sinceridade. Seja quando chama de “queridos” aos que são somente “odiosos” (na visão dela). Ou dá porradas na mesa querendo mostrar que a guerrilheira ainda resiste.

Foi assim neste sábado: convocou em pleno feriado uma reunião de ministros para mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Ou com quantos PACS se faz uma campanha.


Escolheu a data correta: o Dia dos Mortos. No cemitério do Planalto jaziam os PACS, Minha Casa Minha vida (com as habitações sem água e luz), os Mais Médicos Cubanos (com as reprovações do Revalida), o trem–bala (aquele que liga o norte do nada ao sul do coisa nenhuma), a Transnordestina, a transposição do São Francisco, as obras dos aeroportos do Brasil para a Copa, as creches (já estão em dez mil???), os 800 aeroportos (Santo Antonio do Mato Oculto, com seus valorosos 344 habitantes, já se candidatou), entre tantos outros.

Entre fantasmas, os mortos-vivos escolheram a data correta: Dia de Finados. Não se trata ─ Dilma desconhece a liturgia cristã ─ do Feriado da Ressurreição. Ao contrário, é dia de prantear quem morreu.


Imagino algumas cenas da reunião. Edison Lobão, o que nunca aceitou ser um dos Três Porquinhos, sorumbático e circunspecto como um mordomo de filme de terror “B”, a prestar atenção na missa de pêsames transformada em reunião. Ideli como a carpideira oficial do momento solene. Mercadante cofiando os bigodes como o coveiro de novela mexicana. E Dilma, a exigir que os mortos se levantem e que seja revogada a data de respeito aos que se foram.

Errou, Dilma. A reunião deveria ter sido no Dia das Bruxas. As bruxas voam em cabos de vassouras. Os vampiros saem às ruas com sangue no rosto. Monstros de todas as espécies batem às nossas portas.

Dilma errou por 48 horas a data da reunião, que acabou caindo no dia certo. No dia que o Brasil foi ao cemitério, levado pela saudade de quem se foi, a presidente preferiu reunir-se no Planalto para homenagear os que estão mortos sem nunca terem vivido.

“Nós que aqui estamos, por vós esperamos”.

04 de novembro de 2013
REYNALDO ROCHA
in Augusto Nunes

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