"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 5 de novembro de 2016

PT TEM DE FAZER AUTOCRÍTICA, CASO CONTRÁRIO O PARTIDO SOFRERÁ UM RACHA, DIZ TARSO GENRO




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Tarso Genro sabe que o PT se tornou um partido inviável
O PT perde importância política com o resultado das eleições municipais. A constatação é do ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, líder da Mensagem ao Partido, corrente que busca uma reformulação profunda do partido. Em entrevista ao Estado, Tarso, ideólogo da tese de refundação do PT, lançada após o mensalão e revivida agora, disse que esta reformulação passa por uma mudança na hegemonia interna e autocrítica radical na qual o PT, por um lado, deve assumir a responsabilidade por erros cometidos por dirigentes em nome do partido e, por outro, apontar publicamente os que se beneficiaram pessoalmente.
Segundo ele, se o atual grupo dirigente sonegar a autocrítica, o partido deve sofrer um racha com saída de várias lideranças importantes.
O que levou à derrota do PT nas eleições municipais?Como o PT estava no governo e tinha uma força política muito grande no País, foi atingido massivamente por este conjunto de forças que se organizou em torno da chamada luta contra a corrupção. Praticamente 80% dessa força negativa foi sobre o partido. Mas se formos examinar por completo o que está acontecendo é uma devastação de todo o sistema político e partidário que atingiu principalmente quem estava no poder.
Qual é o papel do PT nesta nova conjuntura política?O PT perde muita importância política a partir destas eleições. Tenho sustentado a visão de que o PT, para se recuperar como sujeito político, que seja o novo condutor de reformas, tem que se articular para fora. Não é transformar o partido numa delegacia de polícia. O que temos que ver é quais foram os problemas organizativos, ideológicos e programáticos que nos levaram a ser tolerantes com este tipo de conduta.
O PT vai fazer isso?Não sei. É isso precisamente que está em jogo hoje no partido. Há uma visão de uma nova frente política.
Isso passa pela reorganização do partido e da esquerda?O partido tem que dizer como vai se organizar de dentro para fora e isso significa formatar uma nova visão de coalizão e uma nova visão de frente. Para mim, o exemplo mais adequado é a Frente Ampla do Uruguai. Uma organização atípica, plural, que pega desde o centro progressista até a esquerda democrática e apresentou um programa não só de partido mas de movimentos, personalidades, organizações de base. Quando falo que tem que ser uma frente de esquerda, não quero dizer que seja uma frente esquerdista. Ela estaria à esquerda da coalizão que fizemos com o PMDB.
Quais seriam estas forças de centro democráticas e progressistas das quais o senhor fala?Estão espalhadas em vários partidos. O centro no Brasil sempre foi uma relação de oportunidades no governo e não uma base programática. Não temos um partido de centro. Temos posições centristas que se somam para governar. Temos que procurar estas visões de centro e dar condições de que elas participem.
A renovação do PT passa por responsabilizar pessoalmente quem cometeu atos ilícitos?Isso evidentemente deve ser uma decorrência. Porque o partido vai ter que separar. Sobre as pessoas que cometeram ilegalidades em proveito do partido, o partido vai ter que dizer: essas pessoas cometeram caixa 2 para o PT, o PT é responsável por este erro. Agora, quanto às pessoas que cometeram ilegalidades em proveito próprio, o partido não é responsável. Estas têm que ser evidentemente apontadas.
Existe o risco de uma ruptura profunda no PT?Pode ocorrer. Isso não deve ser tratado com a forma de um ultimato. O que pode ocorrer é se a maioria partidária sonegar uma profunda discussão sobre os nossos problemas certamente haverá uma dispersão, pessoas vão sair. Algumas dessas pessoas poderão ir para um novo partido, outras deverão se desligar e ficar na sociedade civil.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Tarso Genro está botando panos quentes. O fato concreto e que 40 parlamentares federais do PT estão articulando a saída coletiva do partido. A dúvida é se formarão uma nova legenda ou se abrigarão em outros partidos. Eles sabem que o PT se tornou inviável e vai virar um partido nanico. (C.N.)


05 de novembro de 2016
Ricardo Galhardo
Estadão

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