"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

SOBRINHO DE DELFIM AGORA "SE LEMBRA" DOS R$ 240 MIL RECEBIDOS DA ODEBRECHT



Apolônio (à esq.) e Delfim em visita ao advogado Sandoval Filho













O advogado Luiz Appolonio Neto, sobrinho do ex-ministro Delfim Netto, afirmou, em petição à Polícia Federal, que os R$ 240 mil entregues pela empreiteira Odebrecht em seu escritório, em São Paulo, foram recebidos ‘a pedido do tio’. Em depoimento à Operação Lava Jato, em 22 de março, Appolonio havia sido questionado sobre os valores e informou, na ocasião, que ‘não se recordava’ dos R$ 240 mil.
Depois da nova versão de Appolonio, a PF intimou Delfim Netto para depor e explicar o motivo de ter recebido R$ 240 mil da empreiteira, apontada como integrante do cartel que se apossou de contratos bilionários na Petrobrás entre 2004 e 2014.
Delfim foi ministro da Fazenda (1967/1974) e criador do ‘milagre econômico’ da ditadura militar. O nome do economista, também ex-deputado federal, foi citado na delação premiada da empreiteira Andrade Gutierrez pelo suposto recebimento de valores ainda não explicados no empreendimento da Usina de Belo Monte.
Quando seu nome foi citado na Lava Jato, Delfim argumentou que havia feito uma ‘assessoria’.
NOVA VERSÃO – Seu sobrinho, Luiz Appolonio Neto, no documento anexado aos autos da Lava Jato, deu a nova versão. “Embora não tenha se lembrado na data da sua oitiva a respeito de detalhes do referido recebimento, realizou levantamentos posteriores e verificou que referidos valores não lhe pertencem, apenas foram recebidos no endereço acima mencionado a pedido do economista Antonio Delfim Netto, o qual por motivos particulares e em razão de sua avançada idade, não quis receber em seu escritório. O montante foi integralmente repassado a ele”, diz a petição.
A Lava Jato chegou a Appolonio após identificar seu nome em uma planilha secreta de propinas da empreiteira. O documento foi apreendido na casa da secretária de altos executivos da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, suspeita de ser responsável por parte da distribuição da “rede de acarajés” – que seria referência a propina.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O advogado Luiz Apolônio Neto subitamente recuperou a memória. Os jornais esqueceram, mas ele foi diretor e presidente do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), por indicação do tio Delfim. Uma comissão de sindicância interna do IRB apontado os diretores Carlos Barbosa Lima e Luiz Apolônio Neto como responsáveis pelo pagamento irregular de uma indenização de R$ 15 milhões, por sinistro ocorrido na Companhia Fiação e Tecidos Guaratinguetá, denúncia que em 2006 foi levada à CPI dos Correios. Recordar é viver, como diz a canção popular(C.N.)

13 de junho de 2016
Julia Affonso e Ricardo Brandt
Estadão

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