"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 8 de julho de 2018

NUNCA ANTES, NA HISTÓRIA DESTE PAÍS, HOUVE UMA ELEIÇÃO TÃO ENLOUQUECIDA


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Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Faltam apenas três meses, mas as negociações para alianças eleitorais não avançam. É impressionante. Até agora, nem mesmo o candidato favorito, Jair Bolsonaro (PSL), conseguiu fazer acordo com outro partido.  A possibilidade maior é de uma coalizão com o PR, legenda comandada pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, um corrupto notório, que cumpriu cadeia no Mensalão e insiste em continuar na política. A situação é paradoxal, porque Bolsonaro promete lutar contra a corrupção e tenta se aliar a um dos expoentes da criminalidade política, vejam que país é esse.
A segunda colocada nas pesquisas, Marina Silva (Rede), também continua desprezada e já até anunciou ter desistido de fazer alianças e diz se preparar para uma campanha solitária, que diminuirá muito suas chances, devido ao pequeno espaço que terá na TV.
CONFUSÃO GERAL – O quadro é extremamente confuso. O único candidato que alardeia ter feito acordos é Geraldo Alckmin (PSDB), que diz estar fechado com PSD, PV, PPS e PTB, mas há controvérsias, diria o genial ator Francisco Milani, ex-vereador comunista. Na realidade, como o tucano não levanta voo, os possíveis aliados ficam ciscando em volta, com olhar de paisagem.
Enquanto isso, os demais candidatos com chances tentam se virar – Ciro Gomes, do PDT, busca um acordo com o PSB e investe também no Centrão; Alvaro Dias, do Podemos, procura apoio de partidos nanicos, mas não consegue êxito; e Fernando Haddad, que deve disputar pelo PT, devido à inelegibilidade de Lula, fica imobilizado, porque o partido não se  decide.
Quanto aos demais pretendentes,  não devem ser levados a sério, porque estão apenas atrás daqueles 15 minutos de fama celebrizados na visão criativa do artista plástico e animador cultural Andy Warhol.
PRAGMATISMO – No meio da bagunça eleitoral, causa surpresa o pragmatismo do Centrão, formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade, partidos que não aceitam Bolsonaro e estão dispostos a apoiar outro candidato que tenha chance de derrotá-lo.
Esta semana, o objetivo do Centrão é convencer o PR de Valdemar Costa Neto a não formalizar apoio a Bolsonaro e se juntar ao bloco. Se isso acontecer, Bolsonaro  ficará na mesma situação de Marina Silva, sem espaço suficiente no horário eleitoral da TV.
Embora ainda estejam negociando com Alckmin, os partidos do Centrão, liderados pelos deputados Rodrigo Maia e Paulo Pereira da Silva, devem fechar aliança com Ciro Gomes, por acreditarem que o ex-ministro tem mais chances de enfrentar o capitão/deputado. Esta é a posição de Rodrigo Maia, por exemplo. O apoio a Marina está descartado, porque ela é radical em suas convicções, não tem jogo de cintura e não se interessa em cumprir acordos políticos.
TENDÊNCIA – Em suma, a eleição vai se afunilar em cinco candidatos (Bolsonaro, Marina, Ciro, Alckmin e Haddad), para decidir os dois que disputarão o segundo turno. A meu ver, Bolsonaro está garantido, faltando definir quem o enfrentará.   
Somente depois que as alianças estejam fechadas, o que ocorrerá até o final da primeira quinzena de agosto, é que se terá um quadro mais nítido da situação. De toda forma, o Centrão será um fator importantíssimo, pode até decidir esta eleição, que  vai demonstrar também qual é o verdadeiro potencial de Lula transmitir  votos. Se a campanha do PT for bem estruturada, as chances da candidatura de Haddad não podem ser descartadas, de forma alguma.
Vai ser uma eleição eletrizante.

08 de julho de 2018
Carlos Newton

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