"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

BRAVATAS ATÔMICAS DE QUEM CONTROLA O MAIOR ARSENAL NUCLEAR DO PLANETA

TOPSHOT - US President Donald Trump addresses the 72nd Annual UN General Assembly in New York on September 19, 2017. / AFP PHOTO / TIMOTHY A. CLARY ORG XMIT: TC015
Trump realmente se considera o “dono do mundo”
Donald Trump não gosta de passar despercebido. Muito menos quando o mundo inteiro está olhando. Em seu primeiro discurso numa Assembleia Geral da ONU, ele apostou na retórica agressiva para dominar todas as manchetes. Numa entidade criada para promover a paz e mediar conflitos, o presidente dos EUA adotou o tom de senhor da guerra. Ele atacou uma série de países que considera inimigos de Washington e ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte.
Trump acusou Kim Jong-un de comandar um “regime depravado” e acusou o ditador de estar numa “missão suicida”. Pode ser tudo verdade, mas a diplomacia oferece formas menos arriscadas de lidar com um tirano com mísseis atômicos.
PROVOCAÇÃO – Ele reforçou a atitude de provocação chamando o norte-coreano de “Rocket Man” (“Homem do Foguete”), um apelido que cunhou no fim de semana pelo Twitter.
O bilionário também direcionou a metralhadora verbal para o Irã. Ele chamou o país de “ditadura corrupta” e voltou a torpedear as negociações conduzidas por Barack Obama. Disse que o acordo para frear a corrida armamentista do país é um “motivo de constrangimento”.
Em seguida, Trump mudou de alvo e descreveu a Síria como um “regime assassino”. Depois, fez ameaças à Venezuela e a Cuba, com quem Obama também negociou uma reaproximação histórica.
EIXO DO MAL – O presidente resumiu sua visão das relações internacionais com uma fórmula que lembra o “eixo do mal” do antecessor George W. Bush. “Se os muitos justos não enfrentarem os poucos perversos, o mal vai triunfar”, afirmou.
O maior alvo do discurso de Trump parece ser o próprio eleitorado, que vibra com suas bravatas. O problema é que uma ameaça no púlpito da ONU pode ter consequências mais sérias do que um discurso populista de campanha. Ainda mais quando o falastrão controla o maior arsenal nuclear do planeta.

21 de setembro de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha


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