"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

SANATÓRIO (OU SANITÁRIO) DA POLÍTICA BRASILEIRA

A descoberta do milênio

“Quero dizer que hoje o Brasil está de luto e sentido com uma morte que tirou a vida de um jovem político promissor”.

Dilma Rousseff, no pronunciamento em homenagem a Eduardo Campos, revelando que também existe um tipo de morte que não tira a vida.

Neurônio agonizante

“O Brasil quebrou três vezes na época do FHC. Aquilo que hoje ficam falando nos jornais da Argentina, era mais grave”.

Dilma Rousseff, fornecendo a William Bonner e Patrícia Poeta um excelente pretexto para perguntar à entrevistada do Jornal Nacional desta quarta-feira se o psiquiatra vai atendê-la no próprio consultório ou numa sala do Sírio-Libanês.

A serviço da nação

“Por que eles falam que vai haver tarifaço? Isso vai da necessidade deles de apostar que se a situação piorar vai melhorar para eles. Quem faz isso mostra descompromisso com os interesses nacionais”

Dilma Rousseff, explicando que tem adiado há meses o aumento do preço da gasolina e de uma pilha de tarifas não por malandragem eleitoreira, mas por amor à pátria.

Vocação é isso

“Quando teve o mensalão, com ameaça de impeachment, o presidente Lula falou: ‘Pessoal, isso tudo é pra que a gente pare, mas não vamos parar’. E dito e feito. Era uma espuma. E agora vai ser de novo. Confiamos na sabedoria popular”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, confessando que a turma do mensalão só parou quando foi parar numa cela da Papuda.

Manual da Delinquência

“A pessoa que fez isso fez dois males: para as pessoas afetadas e para nós, o governo. O problema aí foi ter usado o IP do Planalto. Se a pessoa faz isso da casa dela, é um problema dela, mas aqui foi usado um bem público”

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, ensinando aos companheiros criminosos que, conforme recomenda o Manual da Delinquência Eleitoral, todos devem usar o próprio computador para injuriar, caluniar ou difamar jornalistas que criticam o governo.
 

Se melhorar, estraga

“Não vejo esse clima de crise interna na Petrobras. Pode ter gente menos satisfeita ou mais satisfeita. Mas a empresa continua investindo pesado, tocando o barco”

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, garantindo que só estão insatisfeitos com a Petrobras os milhões de brasileiros que não dependem da empresa para sobreviver, lucrar ou virar bilionário.

Turbulências bilionárias

“Não estou dizendo que estamos em uma situação muito confortável. Não há nenhuma empresa do mundo em situação muito confortável. Estamos passando por um período turbulento, mas temos estrutura e perspectiva de reverter esses indicadores”.

José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT da Petrobras atualmente homiziado numa diretoria da estatal cuja única atividade é pagar ao diretor uma bolada mensal disfarçada de salário, ensinando que no Glossário da Novilíngua Companheira “período turbulento” é o que antigamente se chamava de “onda de roubos, negociatas e delinquências em geral”.

Culpadas inocentes

“A CPI da Petrobras é um tiroteio político. Primeiro tentaram vincular Dilma Rousseff. Como Graça é muito próxima da presidente, voltaram a artilharia para ela. Estão tentando atirar na Graça para atingir a Dilma”.

José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras atualmente homiziado numa diretoria criada para garantir-lhe a vida mansa na velhice, explicando que não admite que as investigações sobre bandalheiras na estatal não podem envolver gente que permitiu, por ação ou omissão, a ocorrência de bandalheiras na estatal.

Investigação tem limite

“Faz 20 anos que o PSDB não permite uma investigação sobre corrupção no governo do estado. Daremos satisfação aos paulistas”.

Renato Simões, deputado federal do PT de São Paulo, sobre a CPI que promete investigar denúncias de formação de cartel em licitações de obras na área do transporte público, ensinando que os governistas anteciparam aos investigados as perguntas dos investigadores da CPI da Petrobras porque não é preciso dar satisfação aos paulistas sobre as bandalheiras ocorridas na estatal controlada pelo clube dos cafajestes.

Vida de poste

“O que me deixa tranquilo é que pode faltar dinheiro no começo, mas sobra militância, sobra campanha e gente na rua. Se precisar, até nisso a militância vai querer contribuir”.

Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, sobre as dificuldades que enfrenta para arrecadar dinheiro, confessando que o índice de 5% que tem conseguido nas pesquisas eleitorais seria ainda mais raquítico se o partido não tivesse colocado nas ruas todos os militantes, além de vizinhos interessados no kit que garante uma diária de R$ 50, sanduíche de mortadela e tubaína.

13 de agosto de 2014
Augusto Nunes, Veja

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