"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

JACOB BARATA BANCOU A MAIOR PARTE DA PRÉ-CAMPANHA DE PEZÃO, EM DINHEIRO VIVO

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Jacob comanda a máfia dos transportes no RJ
O marqueteiro Renato Pereira contou em seu acordo de delação premiada, cujo conteúdo foi revelado pelo Globo neste domingo, que a pré-campanha do governador Luiz Fernando Pezão, feita a partir de 2013, custou R$ 5 milhões, orçamento decidido em reunião ocorrida no mesmo ano com a presença do ex-governador Sérgio Cabral e do ex-secretário Wilson Carlos, em gabinete anexo ao Palácio Guanabara. O delator afirma que o empresário do setor de transportes Jacob Barata bancou a maior parte da pré-campanha.
Na reunião, o grupo constatou, segundo o relato, que Pezão precisava de atenção especial e antecipada, em razão de sua dificuldade de comunicação. Ao marqueteiro, encomendaram treinamento, apoio em redes sociais e peças de TV.
PAGAMENTOS – Segundo Pereira, coube ao então secretário de obras do governo Cabral, Hudson Braga — atualmente preso em Benfica —, cuidar do pagamento pelos serviços, por indicação do próprio candidato ao governo do Rio. Braga não era o tesoureiro da campanha de Pezão. O delator mencionou encontros com o secretário para tratar do tema em seu gabinete.
Emissários teriam enviado R$ 400 mil mensais em espécie, entre o segundo semestre de 2013 e junho de 2014, ao prédio da Prole, sua agência. Outros R$ 700 mil foram pagos diretamente a Pereira por Paulo Fernando Magalhães Pinto, ex-assessor de Cabral já condenado a nove anos de prisão na Lava-Jato.
Uma nova reunião foi feita em maio de 2014, disse Pereira, no apartamento de Cabral, no Leblon, para decidir o custo total de marketing da campanha de Pezão: R$ 40 milhões. É quase o dobro do valor declarado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
POR QUINZENA – Os registros apontam R$ 21,8 milhões em pagamentos à produtora Cara de Cão, usada pelo marqueteiro. Pereira diz que foi orientado na época a procurar novamente Braga para acertar o cronograma de pagamentos quinzenais.
De acordo com a delação, o ex-executivo da Odebrecht Leandro Azevedo já havia relatado ter pagado R$ 23,6 milhões em dinheiro e 800 mil euros diretamente a Renato Pereira, como forma de financiar a campanha de Pezão e manter “acesso privilegiado” ao governador. Em seu acordo, Pereira repetiu ter recebido valores de Azevedo, sem citar números. No entanto, ele confirmou e detalhou a operação envolvendo o pagamento de euros da Odebrecht no exterior.
Segundo o marqueteiro, diante de dificuldades para receber dinheiro, uma reclamação a Cabral teve efeito imediato: ele foi procurado, em agosto de 2014, por Braga. Marcaram um encontro no Mercado do Peixe, na Barra da Tijuca, ocasião em que Braga o sondou sobre a possibilidade de receber no exterior. O marqueteiro concordou.
NAS BAHAMAS – Em sua delação, o executivo da Odebrecht diz ter feito uma transferência para conta do Banco Banif, nas Bahamas. Pereira complementou e foi além: era uma conta de doleiro responsável por entregar o equivalente em espécie, no Brasil.
Segundo o delator, além da Odebrecht, emissários de Jacob Barata também entregaram valores em espécie, tanto a ele quanto ao seu sócio Eduardo Vilela. Foi “por volta de dez vezes, sempre a mando de Hudson Braga”, afirmou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – E o marqueteiro Renato Pereira vai revelando a imundície que marcou a campanha eleitoral no Rio de Janeiro, em 2014, quando Pezão conseguiu ser mantido como governador. Foi assim que um Estado rico foi levado à ruína. (C.N.)


06 de novembro de 2017
Thiago Herdy
O Globo

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